Notas iniciais
Boa leitura, amores.

Por Rachel

Eu tinha oito anos quando assisti Funny Girl pela primeira vez de verdade. Digo, eu já tinha ouvido as canções antes, sabia todas decoradas, mas nunca tinha prestado atenção na história. Eu estava no sofá da minha antiga casa, meus pais estavam jantando. Não sei dizer o que houve comigo, simplesmente me desliguei do mundo e fixei na televisão velha em cima do móvel. Fanny Brice. Personagem impecavelmente talentosa, interpretada por Barbra. Fanny não tinha tantos recursos para poder realizar seu sonho de subir nos palcos, mas agarrou firmemente uma oportunidade e só cresceu.

O amor dela pela música conseguia ser maior do que tudo. Isso me deslumbrou, porque eu conseguia entende-la, mesmo sendo tão nova. Eu só tinha oito anos. Ver a Fanny ter um sucesso profissional e uma vida amorosa fracassada não me espantava. Era o sonho dela! Quem era o Nick, afinal? Ele só fazia besteiras! Eu comprei um pôster da Barbra no dia seguinte, o que fez Leroy saltar de emoção, por compartilharmos o mesmo amor. O filme virou uma religião para mim. Eu precisava assisti-lo ao menos uma vez por semana. Os musicais começaram a ficar frequentes nas noites lá de casa. Crescer vendo Fanny, que era judia e excluída pelos demais, bem como eu, foi crescer tendo alguém em quem me inspirar.

Hoje, eu posso dizer que o amor e a vontade que ela tinha de realizar seu sonho ainda me encantam. Mas, eu me sinto mal por ela não ter tido alguém para acompanha-la, para crescer junto a ela. Eu me sinto mal por Fanny não ter tido alguém como Quinn. Vejo a loira descer a escada montada no palco, cantando sua parte em Glory Of Edge logo depois de Mercedes. Ela me encara, sem sair da coreografia, e termina de cantar quando Tina começa. O professor Schuester salta da cadeira, batendo palmas.

— Grande! – Vibra. – Maravilhoso. Quinn, eu estou realmente muito feliz que você tenha voltado e já tenha se encaixado tão bem! Era você que faltava nessa parte. Perfeito! – Abraça a loira sorridente. – Meninas, vocês estão indo muito bem. Mike e Britt, excelente trabalho com a coreografia. Agora vamos focar no refrão e encerrar a primeira parte. – O professor olha o relógio rapidamente. – Vocês têm exatamente 10 minutos para tomarem uma água e voltarem para cá.

Quinn corre na minha direção e deixa um beijo demorado em minha bochecha, me fazendo sorrir. Minha namorada acompanha Santana e Britt para fora da sala. Tiramos a tarde para ensaiar. Nós temos pouco tempo para as Nacionais e não tínhamos muita coisa pronta. Aliás, ainda não temos, mas já conseguimos avançar algo hoje. Mesmo que, às vezes, eu sinta vontade de correr desse auditório por causa das lembranças terríveis que ele me deixou, eu preciso confessar que estava sentindo falta disso. O Glee Clube é mais importante para mim do que eu imagino, eu tenho consciência disso. E ajuda-los com uma ideia e outra faz com que eu me sinta útil outra vez.

— Muito bom te ver aqui. – Ouço.

— Finn. – O encaro e abaixo a cabeça. – Eu estava querendo falar com você.

— Estou aqui. – Sorri de lado. – Posso sentar com você?

— Claro. – Aponto para a cadeira vazia. – Finn, eu preciso te agradecer.

— Não, Rach. – Segura minha mão. – Você não precisa fazer isso.

— Preciso. Você salvou a minha vida.

— Quinn salvou sua vida. E os médicos... Eu só...

— Você os ajudou. Você me salvou também. – Entrelaço nossos dedos. – Muito obrigada por ter ajudado. Eu não sei como te agradecer.

— Eu não gosto de cobrar nada, principalmente por algo que fiz com o coração, mas... – Levanta o olhar. – Eu sei como você pode me agradecer. – Fico em silêncio, incentivando-o a continuar. – Não desista. Você é Rachel Barbra Berry! Não desista. Eu quero ver teu nome brilhar. Quero que você me ligue um dia e me chame para assistir tuas peças.

— Finn...

— Eu fiquei surpreso quando soube o que aconteceu, mas escuta... – Ri baixo. – Não é seu ponto final. Eu confio em você. Todos nós aqui confiamos.

— Mas, eu falhei, Finn. O que eu posso fazer agora?

— Buscar alternativas. Se agarrar nas oportunidades que a vida te der! – Balança a cabeça. – Você vai achar uma saída. E se não achar agora, Rachel, você tentará até conseguir um dia. Me promete isso. É o que te peço.

— Eu não posso prom...

— Eu salvei sua vida, lembra? – Levanto uma sobrancelha, vendo seu sorriso brincalhão. – Acho que você está me devendo essa.

— Ok... – Viro os olhos. – Eu prometo.

Finn me levanta em frações de segundos e me aconchega em seu peito. Os braços que tanto me deram conforto voltam a me rodear, com força. Eu retribuo o abraço, fechando os olhos. Eu costumava amar ficar assim com ele. Nós nos beijávamos, tínhamos sessões quentes de amassos e fazíamos sexo, mas... Eu realmente gostava de abraça-lo mais do que todas as coisas que fazíamos enquanto namorávamos. É como se ele trouxesse de volta uma parte de mim. Uma parte que eu gostava de ser.

Abro os olhos ao escutar as vozes ficando mais altas. Quinn levanta uma sobrancelha e eu me afasto de Finn, devagar, deixando apenas um braço em sua cintura.

— Certo, meninas. Posição inicial. – Professor Schue retoma. – Cortina abriu, palco subiu, mãos na cintura. – As meninas obedecem. – Santana, eu preciso que você fique um pouco mais atrás delas para você virar mais na frente.

O ensaio segue na mesma música, enquanto eu e os meninos passamos nossas linhas. Eu solto uma gargalhada sonora com as brincadeiras da possível coreografia. Finn me levanta com cuidado quando minha parte começa. A sala fica em silêncio instantaneamente. Mas, não aquele silêncio. Eu sei que eles se calaram porque estão surpresos em me ouvirem. O rapaz me puxa para cima do palco. Eu continuo a cantar, me aproximando das meninas. Passo as mãos no braço de Britt. A dançarina sorri, balançando no ritmo da música. Repito meu gesto com Santana e Mercedes, sentindo uma confiança enorme crescer em meu peito.

Finn me segue na música e vejo todos pegarem os papéis para cantarem as partes certas. Eu entro na encenação com Finn e tudo flui com tanta naturalidade, que nem se tivéssemos ensaiado tanto esses últimos dias, teria saído tão fácil. Professor Schue corre para o palco, nos abraçando. As risadas e comemorações enchem o auditório e meus olhos correm cada canto em busca de uma só pessoa. Meu coração acelera ao encontrá-la com os olhos cristalizados e um sorriso genuinamente sincero. Saio dos braços dos meninos e corro em sua direção, sendo recebida por seu abraço caloroso.

— Eu não posso expressar o quão orgulhosa eu estou de você. – Ela sussurra, segurando minha nuca. – Eu só... – Suspira. – Deus do céu!

— É só um ensaio, Quinn. – Digo, timidamente.

— Não! – Se afasta para me encarar. – Não! É você fazendo o que você ama. Rach... Você é inexplicável. Sua voz... – Gesticula, sem saber o que dizer. Eu sorrio, achando graça no seu nervosismo.

— É linda. – Eu me viro, encontrando Santana e Britt abraçadas. – Nós estamos muito felizes por você estar aqui com a gente. – A latina conclui.

— Não teria sentido sem você. – Britt segura minha mão. – Estávamos perdidos e, só foi você aparecer, que tudo deu certo. Você é mágica, Rachel.

— Para. – Rio baixo, me escondendo em Quinn. – Vocês todos são muito bons, eu tenho certeza que conseguiriam de qualquer jeito.

— Mas, você é fundamental. – Tina se aproxima. – Você sempre nos deu força para continuar. Se não fosse por você, o clube nem mesmo existiria. Esse será o último ano da maioria de vocês aqui e... – Prende o ar. – Queremos fazer isso juntos. Conseguindo ou não aquele prêmio, só será importante se todos nós estivermos lá.

— Nós vamos ganhar. – Finn sorri.

— Você fala isso sempre. – Santana vira os olhos. – Você é o capitão porque precisa soltar suas frases positivas uma hora e outra. — Implica, nos fazendo rir.

— Mas, nós vamos ganhar. – Eles me encaram. – Nós somos muito bons juntos... – Tina assente. – Do nosso jeito, mas somos. – Pisco um olho para Kurt, que entende o recado e sorri.

— Bom, eu não tenho mais nada pra falar. – Professor Schue ri, enxugando os olhos. – Fico muito feliz e emocionado por ver vocês assim outra vez. – Suspira. – Agora... Todos de volta no palco! – Nós resmungamos. – E Rachel, eu quero que você repita o que você fez com as meninas na hora da sua decida. Eu gostei disso! O que acha, Mike?

O dançarino concorda, apontando alguns lugares para o professor e comentando algo com Brittany. Uma mão em meu ombro faz com que eu não saia do lugar.

— Rachel. Eu posso falar com você?

— Claro, Tina. – Entrelaço minha mão com a de Quinn. – O que houve?

— Eu estive tentando falar com você esses dias e não consegui. – Eu desvio o olhar.

— Desculpe, eu não...

— Tudo bem, não tem problema! – Me interrompe. – O que eu falei agora foi sincero, Rachel. Você é fundamental. E é muito importante, tenho certeza, para cada um de nós. – Abro a boca, mas ela continua. – E eu quero muito te ajudar.

— Do que está falando?

— Sobre NYADA.

— Tina, eu... Olha, eu perdi o teste, ok? Eu perdi a minha chance. Eu posso tentar outra vez ano que...

— Eu sei onde ela está. – Tina me interrompe outra vez. Eu a encaro, sem entender. — Carmen Tibideaux.

— O... O que? – Rio, nervosa.

— Eu sei onde ela está. – Repete. – Nós podemos...

— Não podemos fazer nada. O que você quer? Que eu vá até ela? Ela me odiaria. Digo, ela já me odeia pelo o que aconteceu.

— Rachel! O não você já tem. O que mais tem a perder?

— O meu orgulho? Minha vergonha na cara?

— Amor. – Quinn segura o meu rosto. – Não custa tentarmos.

— Não. – Balanço a cabeça. – É humilhante demais.

— Você não precisa me responder agora. – Diz. – Ela vai embora amanhã a noite de lá e eu não saberei mais, então... – Encolhe os ombros. – Se você disser que sim, amanhã cedo eu passo na sua casa e nós viajaremos.

— Isso é loucura.

— Por favor. Se permita pensar. – Tina pede. – Se sua resposta for negativa, eu vou entender. Mas eu só aceitarei se você tiver pensado bem.

— Certo. – Suspiro. – Eu te aviso.

O caminho para casa é estranhamente silencioso. Nossas vozes, que costumam não se calarem em momentos como esse, são substituídas por uma rádio qualquer, tocando uma música desconhecida. Quinn encosta a cabeça o banco e tenta acompanhar o ritmo, batendo os dedos na direção. Eu a encaro, admirando-a. É impossível não me apaixonar por ela a cada vez que a olho. Ela é uma mulher tão linda! Minha namorada sente o meu olhar e o devolve, com um sorriso envergonhado.

— O que? – Volta a olhar para rua. Eu rio.

— Nada! – Mordo o lábio. – Você está bem?

— Estou ótima. – Franze a testa. – O dia foi maravilhoso. Você não está?

— Estou. – Me apresso. – Eu estou bem, sim. – Inclino a cabeça. – Você está calada. É sobre o que a Tina falou?

— Não. – Suspira, o rosto ficando mais corado.

— Quinn? — Coloco uma mão em seu joelho. – Por que você está ficando vermelha?

— É estúpido. – Ri.

— Eu quero saber.

— É só... Ahr! – Para o carro no sinal. – Eu não consigo controlar, ok?

— Tente fazer sentido, porque eu não estou conseguindo te entender.

— Você e o Finn. – Abaixa o olhar. – Olha, eu tenho muito o que agradecer a ele por tudo o que ele tem feito por você, mas...

— Você está com ciúmes. – Ela se encolhe.

— Ele me disse que nunca ia desistir de você, Rach. – Ri. – E eu entendo ele.

— Mas, eu estou com você e é só com você que eu quero estar. – Ela me encara. – E sabe o que eu acho? – Ela nega. – Eu acho que você deveria dobrar a próxima esquina a esquerda e nos levar para a sua casa.

— Tem certeza? Digo, eu não sei se seus pais irão gostar muito dessa ideia.

— Eu tenho tudo o que preciso aqui, ok? – Tiro uma cartela da bolsa, mostrando-a. – Meu remédio está comigo. Inclusive, preciso toma-lo em cinco minutos. Se meus pais irão gostar da ideia, eu não sei... – Me aproximo do seu ouvido. – Você vai, isso eu posso te garantir.

Quinn engole seco e eu posso ver sua mão vacilando na macha do carro, enquanto ela engata a primeira para voltarmos a andar. A loira não demora para mudar de faixa, e então, nossa rota. Mordo o lábio, prendendo um sorriso. Desejar Quinn não é algo difícil. Eu quero dizer, eu a desejo todos os minutos dos meus dias. Então sentir meu corpo inteiro queimar só em perceber a sua urgência recíproca é totalmente normal e compreensível. Seus palavrões resmungados fazem o sorriso tomar conta do meu rosto, sem nenhum pudor. Como ela pode ser tão excitante?

Quinn estaciona o carro em sua garagem e eu sinto vontade de gargalhar com sua rapidez, mas seus lábios voltam para os meus, famintos. Nós entramos em casa e, internamente, eu rezo para que estejamos a sós. Não quero que minha volta seja tão marcante assim para minha cunhada e minha sogra. Tento puxá-la para as escadas. No entanto, a loira me guia para a cozinha, enquanto tropeçamos pelos móveis da sala. Ela me ergue e me coloca em cima da mesa. Eu não faço ideia do ela está fazendo e não faço questão de saber. Fecho os olhos quando sinto suas mordidas em meu pescoço. Uma de suas mãos desce pelo corpo e para no bolso da minha calça.

— O que...

— Shhhh... – Ela continua me beijando. Vejo minha namorada pegar um copo com a mão livre e encher d’água. – Primeiro... – Puxa a cartela do meu bolso. – Seu remédio.

— Sério? – Viro os olhos. – Essa é a sua tentativa de queb... – Suspiro. – Você sabe que meu pescoço é um ponto fraco. – A loira ri contra a minha pele.

— Você toma e eu não quebro o clima. – Sussurra.

— Quinn, esse remédio me deixa exausta. – Choramingo. – Eu aposto que você não me quer exausta hoje.

— Não quero. – Afirma. – Mas, se você não tomá-lo, eu me afasto. E eu aposto que você não quer que eu me afaste.

Em menos de dois minutos, estamos nuas na cama. E somos só nós duas de novo, como se ninguém mais existisse. Cada beijo, cada mordida, cada suspiro me levando para mundos diferentes uma, duas, mil vezes. Eu nunca experimentei nenhum tipo de droga pesada, mas eu imagino que o efeito seja parecido. Não melhor. Melhor nunca. Eu duvido que haja algo nesse universo que tenha um efeito melhor do que Quinn Fabray. Eu sou a pessoa mais sortuda que existe.

Por Quinn

Mexo no cabelo de Rachel e percebo seu olhar perdido.

— Acabamos de fazer amor. Essa sua expressão de decepção me ofende um pouco, preciso confessar. – Brinco. Rachel sorri fraco.

— Poderíamos ter feito muito mais, você sabe disso. – Suspira. – Eu te falei que essa merda me deixava exausta.

— O remédio apenas te deixa sonolenta. É normal, Rach.

— Mas, eu não quero ter sono! Não agora. Não com você. – Reclama. – Eu não preciso de remédios para dormir.

— Não é para dormir. É um efeito colateral inicial. – Inclino seu queixo para que ela olhe para mim. – Vai te dar energia em algum momento, sério. E se não der, nós falaremos com sua médica. Tudo o que não queremos agora é você sem energia.

— Isso é uma droga. – Cruza os braços.

— Literalmente, não deixa de ser. – Ela me fuzila e eu sorrio. – Não seja boba. Eu quero muito fazer amor com você sem parar, mas Rach... Acredite quando eu te digo que ter você em meus braços é suficiente.

— Eu acredito. – Beija minha mão. – Mas, continua sendo frustrante.

— Boba. – Viro os olhos. – Ok, chegar em casa, não comer e vir pra cama com você me abriu o apetite de uma forma...

— Cale a boca. Seu apetite está sempre aberto, Quinn. Não me culpe. – Ri. Eu empurro seu braço, levantando da cama.

— Que seja! Vou trazer algo para comermos. – A encaro, esperando sua reação.

Rachel levanta e começa a remexer em uma das minhas gavetas. A morena pega uma camisa minha e vira para mim.

— O que foi? – Arqueia as sobrancelhas.

— Nada. – Sorrio. – Eu volto em um minuto.

— Eu vou tomar banho. – Avisa.

Seguro seu braço, puxando-a para um beijo apressado. Minha namorada passou dias negando comida e, quando aceitava, aceitava resmungando. Ver Rachel se esforçando, voltando a sorrir, a comer, a conversar, e principalmente, voltando a cantar é como se o oxigênio tivesse voltado a circular. A sensação que eu tinha era de que eu estava em uma crise desde o dia que tudo aconteceu, sem poder respirar direito. A morena se afasta, com um sorriso brincando em seus lábios vermelhos.

— E se ela não olhar na minha cara?

— Você vai ter tentando. – Dou os ombros.

— Eu não sei se eu posso ouvir outro não, Q.

— Bem... – Sento na cama, apoiando as costas na parede. – Você vai precisar aprender a ouvir, Rach. Não foi o primeiro, não será o último. Você não pode desabar cada vez que ouvir.

— Eu já ouvi muito não, Quinn. – Senta, parecendo irritada. – O que problema é que esse “não” é o que me separa do meu maior sonho.

— Você vai conseguir. E se ela negar, nós lidaremos com isso e tentaremos em outra ocasião. – Franzo a testa. – Por que você está sorrindo assim?

— Porque eu amo te ouvir falando no plural.

— Vamos tentar, então? – Ela morde o lábio, me encarando.

— Sim... – Sussurra.

— Não ouvi. – Provoco.

— Sim! – Fala mais alto.

— Sim, o que?

— Nós vamos tentar! – Grita.

Eu rio, segurando seu rosto. Beijo cada canto delicadamente, enquanto sua risada quase infantil soa pelo meu quarto. Ouço uma batida leve na porta do quarto e me separo da morena.

— Posso entrar ou vocês estão sem roupas? – Eu viro os olhos.

— Estamos sem roupa.

— Quinn!! – Rachel me repreende. – Pode entrar, Fran.

Minha irmã entra e abraça minha namorada.

— Eu só vim dar um beijo na minha cunhada. Estava com saudade.

— Você não fez a gente se vestir só pra isso.

— Quinn!

— O que? – Cruzo os braços.

— É engraçado quando ela diz teu nome assim. – Ri, me contagiando.

— O que você quer?

— Por que você acha que eu quero algo?

— Porque você está mexendo no dedo, está quase arrancando, aliás. – Rachel me olha, confusa. – Ela faz isso quando quer falar algo. – Explico.

— Pode falar, Fran. – Incentiva.

— Ok. – Deita no meio da cama, nos separando. Eu abro a boca para reclamar. – Eu vou me casar.

Fecho a boca. Desde nossa conversa sobre o pedido de casamento do Chris não tínhamos mais tocado no assunto. Bem, aconteceram muitas coisas ultimamente, na verdade. Eu quase havia me esquecido disso.

— Yay! Essa é a hora que vocês gritam, pulam... Me dão parabéns, ao menos? – Ri, nervosa.

— Fran, você merece ser muito feliz. – Rachel a abraça. – Fico feliz por você!

— Obrigada, Rach. – Aperta a mão da morena. – Quinn?

— Você sabe que eu te apoio em qualquer decisão. – Digo. – Se você o ama, eu estou do seu lado. Frannie? – Minha irmã balança a cabeça.

— O que houve? – Rachel traça o dedo na bochecha da loira. – Teus olhos cristalizaram.

— Não é nada, eu só... – Sorri, fazendo uma careta. – Eu só estou um pouco assustada.

— Do que você tem medo? – Pergunto.

— Você sabe. – Me encara. Eu sinto todo o meu corpo congelar.

— Ele... – Limpo a garganta e olho para minha namorada. Rachel acena com a cabeça, me incentivando a continuar. – Ele não é o Russel.

— É bobo. – Vira os olhos, controlando as lágrimas.

— É bobo. – Concordo. – Por isso, você precisa ser sincera com o Chris. Se você quer ir devagar, ou se está insegura com algo, ele precisa saber. Eu já te falei isso antes. Não deixe de conversar com ele.

— Não quero machucá-lo. – Gesticula. – Droga, eu me sinto uma adolescente. Eu odeio o jeito que esse assunto mexe comigo. Eu odeio o que ele me faz sentir.

— Odeia? – Rachel sorri. – Eu te vejo sorrir como se tivesse tirado na loteria quando recebe mensagem dele.

— Eu amo! – Suspira. – Eu o amo.

— Você é bipolar. – Solto, ouvindo a risada da minha namorada.

— Aí, cala a boca, idiota. – Bate uma mão no meu ombro. – Você é uma péssima psicóloga.

— Que bom que já temos você para isso. – Rolo por cima dela e puxo Rachel para os meus braços. – Fale com ele. – Insisto.

— Eu vou falar. – Garante. – E você, Rach? Vai tentar o que?

— An? – Boceja.

— Ouvi você gritar. – Explica. – E como não era grito de sexo, eu bati.

— Oh... – Rachel cora, encostando o rosto em meu ombro, enquanto eu chuto a perna de Frannie. – Nós vamos com Tina amanhã atrás da Carmen Tibideaux para tentarmos mais uma vez. – Eu sorrio grande ao ouvi-la falar no plural.

— Isso é maravilhoso, Rach! – Comemora. – Seja a Rachel Berry que sempre consegue que a escutem.

— Eu vou tentar. – Fecha os olhos, sem conseguir controlar. – Nós vamos. – Sussurra, antes de pegar no sono.

Nós vamos.

Notas finais
I'm back! ;) Próximo capítulo iremos viajar... Mas, não necessariamente juntas... #Spoiler. Obrigada pelo carinho pessoal, por continuarem aqui. Queria agradecer também as várias mensagens que me mandaram falando sobre plágio. Não respondi todas, mas abri cada uma. Obrigada pelos avisos, por denunciarem. É realmente muito chato quando acontece isso. Frustra demais... Enfim, continuem aqui e vamos seguir! Não esqueçam de comentar. E, ah! Perdoem os possíveis erros de digitação. Eu arrumarei assim que der. Beijos e até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.