Além da superfície.
44 O que vai ficar na fotografia.
Notas iniciais
Por Rachel
– Podemos ficar aqui pra sempre? – Quinn sussurra em meus braços.
– Seria uma boa ideia. – Sorrio. – Se essas cadeiras fossem mais confortáveis e não tivesse tanta gente passando lá fora...
– Pensei que bastava estar comigo. – Faz um pequeno bico, me arrancando uma risada.
– E basta. – Beijo a ponta de seu nariz, fazendo-a fechar os olhos e suspirar. – Mas, você não tem treino agora?
– Oh, meu Deus. – Ela pula. – Sue pediu para falar comigo antes, por causa dos treinos que faltei, eu já estou atrasada. Ela vai me matar. – Anda em direção a porta e dá meia volta. – Você me espera? Eu tenho uma surpresa.
– Hoje é sexta. – Lembro-a. – Eu tenho sessão com Frannie.
– Hmmm... – Ela me dá um pequeno beijo. – Se você me permite, eu posso desmarcá-la... Por uma boa causa. Tenho certeza que sua psicóloga entenderá.
– Minha psicóloga ou minha cunhada? – Rio.
– A segunda opção. – Morde o lábio. – Posso?
– Pode. – Digo, hipnotizada por sua boca. Ela sorri, se aproximando. Eu fecho a distancia, puxando-a para mim. – Você não estava atrasada? – Pergunto, quando recupero o folego.
– Merda! – Vira, correndo. – Me espere.
Balanço a cabeça, rindo ao vê-la sumir da sala. Três dias haviam se passado, desde que nós assumimos o nosso namoro para o coral e ninguém havia dito nada. Definitivamente, foi um alivio saber que eles fizeram o que nós pedimos. Bom, Finn ainda não me olha e Joe cruza os braços toda vez que nos ver juntas nos ensaios do Glee. Sam me pediu desculpas pelo modo de como reagiu, explicando que se chateou por Quinn não ter dito, mas que está feliz por nós duas. O que foi uma boa surpresa, por sinal. Ela o considera muito, sempre me fala coisas boas sobre Sam. Cheguei a sentir um pouco de ciúmes no inicio, mas logo entendi que a loira guarda um carinho de amigo por ele. Quinn me explicou que quando teve Beth, Puck e Finn se afastaram dela e ela encontrou em Sam um lugar seguro para se apoiar. Saber que ele fez bem para ela em um momento difícil, já é motivo o suficiente para eu respeitá-lo.
Chuto uma pequena bola de papel pelos corredores, indo para a biblioteca. Mas, uma aluna entra no colégio e eu vejo uma figura conhecida no lado de fora. Apanho o papel e jogo no lixo, indo em direção a latina, encostada no carro.
– Você ainda fuma? – Repreendo-a.
– Que susto, Berry! – Ela põe a mão no coração. – Não é grande coisa. – Ela apaga o cigarro.
– O que houve? – Nós sentamos no banco da calçada.
– Acabei de falar com o quatro rodas. – Suspira. Eu levanto uma sobrancelha. – Eu quebrei o meu orgulho e pedi para que ele falasse com Brittany para ele ajuda-la com as matérias.
– Uau. – Rio, incrédula. – Isso soa impossível. – Ela abaixa a cabeça. – Desculpe, é só...
– Eu sei. – Sorri fraco. – Também nunca me imaginei fazendo isso.
– Mas, foi uma boa atitude, Santana. – Seguro sua mão. – Brittany precisa disso.
– Se ela não precisasse, eu só o chutaria para longe, Rachel.
– Não duvido. – Rimos. – Ela já sabe disso?
– Não. – Sussurra. – E eu estou com medo.
– Medo dela não gostar ou dela gostar demais?
– Os dois. – Geme. – Se Brittany resolve volt...
– Cale a boca. – Interrompo-a. – Britt te ama.
– Certo. – Respira fundo. – Eu só... Precisava me acalmar.
– Fumando? – Franzo a testa. Ela assente, devagar. – Santana...
– Eu sei. Eu sinto muito. – Solta o ar. – Foi impulso. Não acontecerá mais, ok?
– Ok. – Murmuro. – Estou aqui se você precisar. – Sussurro. – Não sou Quinn, muito menos Britt, mas... – Inclino a cabeça, envergonhada.
– Mas, você é Rachel Berry. – Completa. – E é minha amiga. Eu deveria ter te procurado antes. Tínhamos esse pacto. – Ela sorri. – É irônico isso, não é?
– Sim. – Rio, entendendo o que ela está falando.
– Sabe? Eu fico feliz te vendo melhorar. – Aperta minha mão.
– Não chegaria até aqui sem vocês.
– Eu estava conversando com Britt sobre sua situação com Quinn. – Faz uma pausa. – Conheço uma pessoa que me ajudou muito a encarar todo mundo quando eu quis assumir nosso relacionamento. Talvez ela possa conversar com vocês sobre isso.
– Quem?
– Você saberá. – Sorri. – Eu já liguei para ela.
– Tudo bem. Obrigada. – Trocamos um olhar sincero. – Fique tranquila, Brittany entenderá.
– Eu espero. – Suspira, levantando. – Preciso ir para o treino.
– Eu vou com você, Quinn me pediu para...
– Quanto a isso... – Ela sorri. – Espero que goste da surpresa.
– O que? – Abro a boca. – Você sabe o que é?
– Claro que eu sei, Berry. – Vira os olhos. – Faça bom proveito.
Estranho a arquibancada vazia, mas todos devem ter saído mais cedo. Eu só estou aqui porque Quinn me pediu. Abro um caderno tentando fazer algumas anotações, o que é praticamente impossível com minha namorada fazendo saltos incríveis no meio da quadra. Ela abre um sorriso quando me nota, me contagiando. Não é a toa que essas meninas ganham o prêmio todo ano. Elas são demais. Eu nunca tinha parado para observá-las. Na verdade, tinha até certo preconceito com elas. Mas agora, vendo-as assim... Deus! Fazer essas coisas exige muito de uma pessoa. Admiro todas que conseguem. Especialmente a capitã da equipe. Vejo Santana pular nas costas de Brittany, prendendo-a com as pernas e rio, balançando a cabeça.
– Você sabia que o treino hoje era privado, Berry? – Me assusto.
– Oh, eu... – Engulo seco. – Eu realmente não sabia. Me perdoe, treinadora.
– Certo. – Sue senta ao meu lado. – Você já sabe quase decorado a coreografia mesmo. – Zomba. Eu sinto meu rosto arder. – O que não te faz uma Cheerio. – Realça.
– Não estou interessada. – Sussurro.
– Eu sei que não. – Ri. – Sei o seu verdadeiro interesse vindo aqui.
– O... Eu... Eu só... – Balbucio, nervosa. – Eu só precisava... Estudar. – Levanto o caderno.
– Na quadra? – Ela levanta uma sobrancelha. – Estudar as pernas de Fabray, você quer dizer. – Eu engasgo, chamando a atenção das meninas. – Está tudo bem. Vocês já acabaram por hoje. – Elas assentem, indo para o vestiário. – Como você está?
– Bem. – Respondo, encolhendo os ombros.
– Espero que não tenha mais feito o que andava fazendo. – Aponta para meus braços.
– Estou parando. – Garanto-a. Ela assente.
– Bom saber, Berry. – Ela encosta-se ao batente. – Minhas meninas se preocupam por você. – Eu sorrio fraco. – Principalmente Quinn.
– Eu sei. – Mordo o lábio. – Agradeço muito a elas.
– Só reclamarei se esse namoro atrapalhar minha melhor Cheerio. — Rio.
– Tudo bem. – Congelo. – O... que? Como...
– Eu só sei, Berry. – Sorri. Meu coração bate forte. Será que alguém espalhou? Oh, meu Deus, será que... – Ei, calma. – Coloca uma mão em meu ombro. – Quinn havia me dito que gostava de você.
– Sério? – Sussurro, aliviada.
– Sim. – Vira os olhos. – Eu só deduzi o óbvio: Vocês já estão juntas.
– Estamos. – Confesso. – Mas, ainda é segredo. Não estou preparada para tanta exposição outra vez.
– Tome seu tempo. – Ela roda o megafone em suas mãos. – Se alguém fizer algo para vocês, pode me avisar. Eu me encarrego disso.
– O... Obrigada... – Isso é estranho.
– Que seja. – Ela levanta. – Espero que aprenda que alguns treinos são privados. – Volta ao tom ameaçador, mas eu consigo ver um pouco de simpatia em seus olhos.
– Sim, senhora. – Assinto. – Eu não farei de novo.
Por Quinn
Saio do banheiro e vejo Brittany abraçada com Santana, escondendo a cabeça no pescoço da latina, enquanto essa passa as mãos em suas costas, suavemente. Abro a boca para falar algo, mas ela faz um sinal para que eu não o faça.
– Já está indo para lá? – Pergunta.
– Já. – Sorrio. – Tem certeza que não tem problema?
– Tenho, Q. – Brittany vira nos braços da namorada, sorrindo. – Só limpe tudo antes de sair. Não quero imaginar o que vocês farão em lugares sagrados meus e de Britt. – Resmunga, enfiando o rosto no cabelo loiro da dançarina.
– Deixa elas, San. – Ri. – Aproveite, amiga.
– Vou aproveitar. – Abraço-as. – Obrigada mais uma vez, Santana. E vocês, fiquem bem, ouviram?
– Não se preocupe. – Britt afunda no corpo da latina.
Pego minha bolsa e vou para a quadra. Rachel levanta a cabeça, arrumando suas coisas. Seguro suas mãos, fazendo-a ir mais rápido. A morena tropeça para fora, me pedindo calma. Quando nós entramos no carro, puxo-a para baixo e dou um beijo demorado nela.
– Você ficou louca? – Ri, encostando nossas testas.
– É muito ruim não poder te beijar a qualquer hora. – Choramingo.
– Eu sei, mas é por pouco tempo, Q.
– Shhh... – Me afasto, ligando o carro. – Avise a Leroy que você dormirá comigo hoje.
– Eu não trouxe roupa, Quinn.
– Você não precisará de roupas. – Sorrio, maliciosa.
– O que você está aprontando?
– Nada. – Dou os ombros. – Eu só quero bater algumas fotos suas.
– O QUE? – Ela grita. – Não, não, não.
– Por que não? – Franzo a testa.
– Porque eu não gosto de ser fotografada, Q. Eu não me sinto bem. – Cruza os braços.
– Hey, tudo bem. – Digo, chateada. – Eu só queria tirar fotos de minha namorada. Se você não quer, não vou te forçar. Eu tiro da paisagem, então... — Ela se encolhe no banco, encostando a cabeça na janela.
– Não fique com raiva de mim. – Sussurra, sem me olhar. – Já falei que existem pessoas mais interessantes para você fazer fotos.
– Ok, mas eu namoro você, o que significa que não faço questão do quão interessante elas são. – Suspiro. – Deixa pra lá. Era só uma ideia.
– Eu te desanimei. – Olha para as mãos. – Me desculpe.
– Pare, Rachel. – Peço, suavizando o tom. – Veja o céu. – Aponto. – Não daria certo, de qualquer forma. Parece que vai chover.
Ligo o som, para tentar quebrar o clima estranho. Dirijo por mais alguns minutos. Vejo Rachel franzir a testa e sorrio.
– Eu já vim aqui. – Diz.
– Já. – Estaciono o carro. – Santana me deu as chaves.
– Santana é incrível. – Ela pula em meus braços e eu sinto meu corpo derreter. – É enorme.
– Eu sei. – Rio, abrindo a casa. – Venha, eu quero fotografar perto do depósito, existem plantas lindas por lá.
Nós vamos para a pequena casa mais ao lado. A morena segura meu equipamento, enquanto eu vou tirando fotos aleatórias. Ela me dá algumas ideias, me ajudando. É tão simples passar o tempo com Rachel, que eu nem o noto. Minha namorada vibra quando eu consigo a imagem certa de uma borboleta na folha da árvore. Envolvo meus braços nela, pedindo que ela segure a câmera. Rachel coloca o olho no visor, mirando no lago mais na frente. Ela sorri, mostrando o resultado. Sinto alguns pingos me molhando e olho para o céu.
– Merda! – Murmuro. – Vai chover. – Coloco a máquina na bolsa.
– Já está chovendo. – Anuncia, quando os pingos aumentam. – Vamos entrar. – Me puxa.
– Não. – Seguro-a. – Vamos ficar aqui um pouco.
– Quinn! – Bronqueia, tentando sair. – Você acabou de melhorar de uma gripe forte. Quer adoecer outra vez?
– Não, mãe. – Viro os olhos. – Quero beijar minha namorada na chuva. – Sussurro.
A morena sorri, mordendo o lábio e coloca os braços em minha cintura. Ela passa a boca suavemente na minha. Dou passagem a sua língua e ela entra, explorando com cuidado. Sinto meu corpo estremecer com seus toques. Subo sua blusa, procurando sua pele.
– Só beijar? – Sussurra, mordendo meu pescoço, enquanto a chuva aumenta.
– Não. – A empurro para dentro do depósito, ouvindo sua risada gostosa.
–x-
As duas estavam deitadas no pequeno colchão do depósito, abraçadas e aproveitando o som da chuva, depois de terem feito amor por horas. As mãos de Rachel sobem e descem nas costas nuas de Quinn, em um carinho tranquilo. A loira solta um suspiro audível, encarando um ponto fixo na parede.
– Quando Russell me expulsou, eu passei uma semana aqui. – Solta. Rachel para, absorvendo a informação e volta a acariciar a namorada.
– Mas, aqui é muito longe da cidade, Q. – Sussurra. – Você poderia precisar de ajuda.
– Eu sei. – Se encolhe. – Santana não queria me emprestar o lugar por causa disso, mas eu insisti muito e ela acabou cedendo. Eu precisava ficar longe.
– Foi muito difícil para você, não é? – A morena aperta Quinn, de forma protetora, arrancando um sorriso da menina.
– Sim. – Admite. – Ele costumava dizer lá em casa que nós nunca sobreviveríamos sem um homem para nos sustentar.
– Que estúpido. – Resmunga. – Desculpe.
– Não... – Ri. – Ele é um estúpido machista. – Suspira. – Eu quis mostrá-lo que eu conseguia muito bem sozinha. – Encara a morena. – Mas, eu sabia que precisava de ajuda. Não era só eu.
– Claro. – Traça o rosto da loira com os dedos. – Você tinha Beth.
– E se algo acontecesse com ela por causa disso, eu nunca me perdoaria. – Diz, com a voz grossa pela emoção.
– Eu sei, Q. – Beija sua testa. – A maior resposta que vocês dão, é mostrando como vocês vivem bem sem ele.
– E como eu me apaixonei perdidamente por outra mulher. – Completa. Rachel sorri. – Ele ficaria louco. – Balança a cabeça.
– Você sente falta dele?
– Não. – Responde, firme. – Desde que ele saiu da minha vida, eu consigo me enxergar melhor. Ganhei uma mãe, uma irmã e amigos que eu nunca havia tido.
– Você mudou demais.
– Ele só me trazia coisas ruins, Rach. Eu era apenas um espelho daquele idiota. Queria arrumar um jeito de orgulhá-lo e tudo o que eu conseguia fazer era ferir as pessoas, como ele me feria.
– É tão injusto, Quinn. – A morena senta. – Você me ajuda tanto e eu... Eu nem mesmo estava lá pra olhar por você. Só tinha raiva e... – Suspira. – Eu queria ter te ajudado. – Sussurra.
– Shhh... – Quinn beija a têmpora da pequena. – Eu sei, meu amor. Eu sei. Tudo seria mais fácil se nós tivéssemos nos encontrado antes. Mas, aconteceu. Já passou. E eu estou muito feliz por ter você hoje. Só não era a hora certa ainda. – Rachel relaxa, voltando para a antiga posição. – E você? Sente falta do seu pai?
– Não sei dizer. – Inclina a cabeça. – Você sabe, ele já tinha se afastado fazia muito tempo. Não tenho como dizer que sinto falta, ou que eu me decepcionei com a reação dele, porque eu já esperava tudo isso.
– Ele não dá notícias?
– Ele fala com Leroy. – Dá os ombros. – Mas, eu sei que são conversas não muito amigáveis, porque papai fica muito nervoso depois.
– Gostaria de entendê-lo.
– Tanto faz. – A morena estende o braço, alcançando a câmera.
– O que você está fazendo?
– Tirando fotos nossas. – Rachel vira a máquina, tentando bater fotos das duas juntas. Quinn ri. – O que é? Eu não sou a profissional daqui...
– Eu não sou profissional. – Vira os olhos, tomando a câmera da namorada. – Ficou boa. – Sorri. A loira levanta e tira uma só de Rachel. – Quente. – Provoca. Rachel muda de posição. – Perfeita. – Quinn continua a bater.
– Quero fotos nossas, Quinn! – Choraminga.
Quinn ri, colocando o timer na câmera e posicionando-a a uma distancia do colchão. A loira para em frente a Rachel, segurando o rosto dela e encarando-a firmemente. A morena sorri, derretida.
– Eu te amo. – Sussurra, antes do flash.
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