Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=oXUFNIC_SxY

Por Rachel

Respiro fundo, colocando a bolsa no sofá e passando a mão no cabelo, cansada. Encaro os dois homens por alguns segundos e abaixo o olhar. Pensa neles como antigamente e se abra. Eu assinto para mim mesma, buscando esses pais na minha memória. Você consegue. É lógico que você consegue.

– Eu preciso tomar um banho. – Solto. Eles me olham, desconfiados, prontos para protestarem. – Eu desço quando terminar, prometo.

Eles balançam a cabeça, concordando. Passo por Hiram, que encolhe os ombros e segura fortemente o celular na mão. Leroy para na minha frente e aperta meu corpo contra o dele. Segundo abraço em um mesmo dia. Temos um recorde? Deixo meus braços relaxados, sem correspondê-lo. Eu sei que preciso abaixar minha guarda para essa conversa, mas esse tipo de contato exige muito mais de mim. Já é mais que orgulho. É magoa por todas as vezes que eu cheguei em casa querendo-o e não o tive. Suspiro, me afastando. Dou um sorriso incerto para ele e subo.

Tomo um banho frio, conseguindo relaxar. Minha mente não para um minuto. Tudo o que eu consigo pensar está relacionado a hoje de tarde e todos os beijos que Quinn e eu demos. Há quanto tempo eu não me sentia tão... Viva? Ela não desperta só meus sentimentos. Desperta meu corpo, meu sangue, meus órgãos. Faz com que eu consiga puxar o oxigênio mais certo que eu respirei nesses últimos meses. Olho para meus braços, expostos e sinto um calafrio subir na minha espinha. Não vou cobrir. Só existe uma marca da qual eu me orgulho na minha pele hoje e não fui eu quem fez. Desço as escadas, encontrando-os quase na mesma posição que os deixei. Tomo o meu lugar no canto do sofá, sem encará-los.

– Você está com fome? – Leroy sussurra. Um sorriso sarcástico se forma inconscientemente em mim. Eu nego com a cabeça. – Ok... – Suspira. Posso vê-lo procurando as palavras. – Rachel, o que aconteceu ontem... Foi um choque para nós dois.

– Não aconteceu ontem, papai. Vem acontecendo há um tempo. – Corrijo.

– Certo. – Limpa a garganta. – Nós ainda não sabemos como reagir direito. – Ele puxa meu braço, lentamente. Observo suas expressões, enquanto ele examina as cicatrizes mais uma vez.

– Eu não posso com isso. – Hiram nos assusta. – Que merda, Rachel! O que diabos você fez?

– Hiram! – Leroy repreende. Eu levanto uma sobrancelha, estranhamente calma. – Estrelinha. – Choraminga. – Existem mais?

A pergunta me pega de surpresa. Encaro os olhos preocupados de meu pai. Seja sincera com eles. Engulo seco, levantando um pouco da minha camisa e revelando alguns cortes no meu abdômen. Leroy põe a mão na boca e Hiram chuta o chão, irritado.

– Você não podia ter deixado isso acontecer. – Cospe. Eu franzo a testa.

– Eu estava sozinha, não tinha como eu conseguir pensar no que era certo ou errado. Só parecia... Suficiente.

– Que sozinha, Rachel? Nós sempre estivemos aqui. Finn é um ótimo rapaz, tenho certeza que olha por você todos os dias. O clube glee é maravilhoso, seus amigos são ótimas pessoas. Não tem desculpa. – Acusa. Abro a boca, incrédula.

– Você não faz ideia do que está dizendo. – Sussurro.

– ERA O QUE VOCÊ CONTAVA. – Aumenta a voz, me deixando com raiva. – CHEGAVA EM CASA FALANDO QUE TODOS TE ADMIRAVAM E PEDIAM AJUDA COM AS MÚSICAS, QUE SABIAM QUE VOCÊ ERA A MELHOR.

– EU MENTI. – Grito de volta. – EU TAMBÉM CHEGAVA LÁ DIZENDO QUE MEUS PAIS ERAM OS MELHORES E QUE SE ORGULHAVAM DE MIM. EU MENTI.

Fecho os olhos, sentindo a atmosfera mudar por completo. Ouço um gemido doloroso da parte de Leroy. Hiram respira pesado. Procuro seu olhar, mas ele desvia, levando as mãos à cabeça, como faz quando está nervoso.

– Você é uma má agradecida. – Murmura. – Sempre fizemos de tudo pra você.

– Sério? – Rio, sarcástica. – Vocês não tinham tempo nem para me dar ‘bom dia’ direito, Hiram.

– Rachel. – Leroy bronqueia. Ele odeia que eu os chame pelos nomes. Eu abaixo a cabeça. – Parem de brigar, por favor. – Suplica. – Como aconteceu isso tudo? Por que você mentiu para nós?

– Porque já não importava mais. – Encolho os ombros. – Vocês estão sempre ocupados, dando atenção a coisas mais importantes...

– Você é mais importante que tudo para nós, Rach. – Sua voz sai com um tom de mágoa.

– Não parecia. – Rebato. – Não era o que eu pensava nas noites que eu fiquei esperando, sem um telefonema avisando que não chegariam ou que demorariam muito. Não era o que eu pensava quando queria mostrar algo novo que eu havia aprendido no piano e vocês diziam que depois viam, mas nunca lembravam. Não era o que eu pensava quando chegava em casa coberta de raspadinhas e não tinha ninguém para me perguntar o que houve. Quando eu queria chorar por Finn estar me ignorando por causa dos comentários que correm pelos corredores, que dizem que eu sou a pessoa mais chata, feia e perdedora que existe lá. Ele não me defendeu, sabe? – Bufo. – Ele me virou as costas, como todos fazem. Eu queria ter dito isso a vocês, queria colo. – Respiro fundo, sem conseguir segurar mais as lágrimas. – Mas, vocês já não estavam mais aqui. – Sussurro. – Como dizer que eu sou odiada, que eu perdi os solos, o namorado perfeito?

– Rach... – Leroy afunda o rosto nas mãos, soluçando. – Oh, meu Deus, minha filha...

– Eu estava sozinha. – Volto a afirmar, firme, encarando Hiram. – E sabe o que diabos eu fiz? – O imito. – Eu enfiei a merda de uma lamina no braço, querendo sumir.

– PARE. – Leroy grita. – Não diga isso nem brincando.

– Só pode ser brincadeira. – O outro sussurra.

– VOCÊ NÃO CONSEGUE VER O QUÃO SÉRIO É ISSO? – Levanto, empurrando-o. – VOCÊ É UMA DROGA DE UM PAI.

– E VOCÊ DE UMA FILHA. – Eu sinto um soco no estomago, cambaleio para trás. – Rachel, eu não quis dizer isso. Merda, eu estou...

– Cale a boca. – Sinto um gosto metalizado na minha boca. – Você prefere acreditar na sua vida perfeita a enxergar o que está na sua frente. – Eu aponto para mim. – É isso. Eu não sou a estrelinha de vocês. Eu sou um poço de problemas, sem solução.

– Você sempre vai ser nossa estrela, Rachel. – Leroy tenta me segurar, mas eu me afasto. – Eu sinto muito. Me perdoe, eu deveria ter notado, ter conversado mais, eu... – Tenta outra vez.

– Me solta.

– Por favor...

– ME SOLTA. – O grito vem acompanhado de um soluço alto. Meus joelhos cedem, me fazendo cair. Antes que eu chegue ao chão, os braços fortes de Leroy me seguram. – Por que, papai? Por que vocês fizeram isso?

– Eu não sei, meu amor. – Chora comigo. – Eu te amo, acredite nisso. Não queríamos te magoar, nem te fazer mal. Tudo o que nós queremos é te ver bem e realizada. Nunca, Rachel, nunca nos decepcionaríamos com você.

– Vocês estão decepcionados.

– Não estamos. – Garante. – Estamos... Tristes, confusos, irritados, mas não decepcionados. Digo, estou decepcionado comigo. Prometi ser o melhor pai para você no dia que te adotamos e... Eu não consegui. Me perdoe. – Soluça alto. – Por favor, me perdoe.

Pela primeira vez, em meses, eu o abraço. Aperto sua cintura, como se minha vida dependesse disso. Escondo minha cabeça em seu peito, consciente das lágrimas manchando sua camisa. Ele me abraça mais forte, passando a mão no meu cabelo.

– Me perdoe. – Sussurra.

– Eu te perdoo, pai. – Suspiro, aliviada. – Eu te perdoo.

– Eu te amo tanto, menina. – Beija minha testa. – Nós vamos passar por isso, não vamos? Vamos ficar bem.

– Eu espero que sim. – Sorrio de lado. Nós somos interrompidos por um celular tocando. Viro o rosto para Hiram, que encara o aparelho.

– Não atende. – Leroy pede.

– É importante.

– Hiram... – Ele sai, com o celular no ouvido. Leroy me olha, doído. – Sinto muito.

– Não é sua culpa. – Esfrego os olhos. – Papai, eu estou realmente cansada. Posso ir dormir?

– Não. – Diz depressa. Eu o encaro, confusa. – Quero dizer, eu... Eu perdi tanto de você. – Sussurra. – Quinn não veio hoje, não é? – Eu nego, abaixando o olhar. – Eu... Posso dormir com você?

– O... o que?

– Eu quero te colocar para dormir, com antigamente. – Fala, nervoso. – Tudo bem se você não...

– Eu quero. – Ele sorri grande, limpando o rosto.

– Ah, e você precisa comer algo antes. – Abro a boca para contrariá-lo. – E eu não quero saber de nãos, mocinha. Pra cozinha, agora!

Eu sorrio, fazendo o que ele pede. Nós falamos sobre a competição de mais cedo. Ele ficou realmente feliz pelo resultado. Enquanto ele prepara uma de suas deliciosas vitaminas, eu procuro meu celular e meu coração se aquece ao ver o nome na tela. Abro a mensagem.

Espero que esteja tudo bem. Pensando em você. – Q

Pensando em você também, por isso está tudo bem. – R

Quase não deu tempo de bloquear o celular, sua resposta brilha no visor.

Estava preocupada. Deu tudo certo? – Q

Nem tudo. Mas, eu estou bem. Leroy dormirá em seu lugar hoje. – R

Sério? Fico feliz em saber disso, de verdade. Tenha uma boa noite, Rach. – Q

Obrigada, por tudo. Boa noite, Quinnie. – R

Por Quinn

Rodo o celular na cama, sem conseguir dormir. Escuto uma leve batida na porta e peço para que entrem. Sorrio ao ver minha irmã entrar e abrir os braços. Eu afasto no colchão, dando espaço para que ela deite e me jogo em seu abraço. Sem precisar que ela peça, conto tudo o que aconteceu hoje. Frannie me escuta, sem se intrometer. Essa é uma das vantagens de ter uma irmã psicóloga, por mais que isso me irrite às vezes.

– As mudanças de humor dela serão cada vez mais comuns, acredite. – Avisa. – Ela está tentando se adaptar novamente, sem o vício de se cortar. Não queira imaginar a loucura que deve ser a cabeça dela. Rachel precisa de um jeito para extravasar e pode encontrar isso na raiva.

– Santana me disse que ela está se arranhando com as próprias unhas. Isso é normal?

– Ela vai sentir a pele dela querendo isso, Q. Está tudo na imaginação dela, mas ela vai achar que o físico está implorando e arrumar uma maneira de respondê-lo. Fique de olho nisso. – Eu assinto. – Escute. Rachel está cada vez mais apegada a você, talvez... Talvez não seja uma boa ideia a psicóloga ser eu.

– Frannie. – Levanto, depressa. – Por quê? Tem que ser você. – Digo, desesperada.

– Calma, Q. – Suspira. – Pode não ser confortável para ela. Eu sou irmã de sua melhor amiga, a pessoa com quem ela está se relacionando. Já pensou nisso?

– Já. – Sussurro. – Fran...

– Vamos levantar essa opção para ela, ok? Se ela aceitar, de boa vontade, eu farei o tratamento com ela com todo amor do mundo. – Eu sorrio para minha irmã. – Você sabe que eu não vou poder falar nada sobre as sessões com você, não sabe?

– Sei. – Bufo. – Maldito código de ética.

– Quinn. – Me empurra, rindo. – O que importa é que ela fique bem. Você fez certo em dar um espaço para ela. Rachel precisa dos pais agora.

O domingo foi bastante demorado. Eu quis procura-la, mas não podia ir lá. Mandei mensagens para a morena, que me respondeu de forma curta e rápida. Estranhei seu jeito, mas talvez seja outra de suas mudanças de humor, por mais que eu me preocupe. Ela precisa aprender sozinha.

Segunda. Levanto rápido da cama, tomo banho, coloco meu uniforme das Cheerios, como algo e corro para o colégio. Não aguento mais esperar. Assim que chego, vejo a expressão de Santana estranha. Quase pulo do carro ainda em movimento.

– O que houve? – Pergunto, preocupada.

– Estão dizendo que Hiram saiu de casa. – A latina fala nervosa. O QUE?

– Acabei de vê-la entrando no banheiro. – Brittany chega, correndo. – Quinn!

– Que banheiro, Britt? – Entro no corredor.

– O de baixo. – Avisa, vindo atrás.

Corro para lá, ignorando os murmúrios curiosos e os berros de Santana mandando pararem. Abro a porta e mando um olhar furioso para as pessoas que estão dentro. Elas entendem o recado e saem. Baixo a cabeça, procurando-a nos boxes. Quando vejo seus pés encolhidos, me aproximo da porta de madeira e bato suavemente, ouvindo seus fungados.

– Rachel, abre pra mim. – Sussurro. – Por favor, abre. – Tento outra vez. Seu soluço ecoa no local. Fecho os olhos com força. – Me deixa entrar, Rach, por favor. – Suplico. – Deixa eu ficar com você... – Silêncio. – Rach, abr...

Antes que eu possa terminar de pedir, sinto seus braços me rodearem, quase me derrubando. Empurro-a para dentro outra vez e tranco a porta. Abraço-a firmemente, tentando controlar sua tremedeira. A morena chora, angustiada. Passo as mãos em suas costas, cantarolando calma. Sento na tampa da privada, buscando uma posição confortável. Rachel senta em meu colo, escondendo a cabeça em meu pescoço. Sinto suas lágrimas cortando minha pele. Depois de alguns minutos desesperados, ela respira irregular, parando o choro.

Rachel suspira, afastando o rosto. Eu encaro seus olhos vermelhos, com o coração apertado. Limpo sua bochecha molhada com os dedos. Ela solta o ar pesadamente, encostando nossas testas. Então, suas mãos prendem minha nuca e sua boca encontra a minha em questões de segundos, me pegando de surpresa. Aceito o beijo, deixando-a aprofundar. Nossas línguas se encontram com saudade. Desde a praia não nos beijávamos. Ela brinca com meus lábios, prendendo-os entre os dentes. Suspiro, tentando me controlar.

– Rachel... – Tento chama-la.

Mas, ela não me escuta. Sua boca corre no meu pescoço, feroz. Prendo minhas mãos em sua camisa, em punhos. Vários beijos, seguidos de leves sugadas, são deixados por minha orelha e meu rosto. Quando ela morde a minha mandíbula, meu corpo entra em estado de alerta. Puxo sua boca de volta, querendo senti-la. Sua vez de gemer. Rachel levanta, sem deixar o beijo e senta em cima de apenas uma perna. Abro os olhos, nervosa. Não...

– Rachel, pare. – Peço. Mas, nem eu mesmo conseguiria me obedecer. – Rach...

Afasto um pouco e percebo o quanto seu corpo está implorando. Eu consigo sentir sua umidade em minha perna. Não luto mais. Ela começa a se movimentar, me tirando de vez a consciência. Coloco minhas mãos por baixo de sua blusa, fazendo-a respirar com dificuldade. Aliso sua barriga, ficando a cada segundo mais excitada. Rachel empurra sua corpo contra o meu, buscando um atrito maior. Subo um pouco minha perna, ajudando-a.

– Oh, meu Deus... – Sussurra.

Seguro sua cabeça, escondendo-a em meu pescoço para que ela não faça tanto barulho. Sua mão direita segura minha perna, apertando-a. Mordo seu ombro, evitando um gemido audível.

– Quinn, eu... – Beijo sua boca. Ela se afasta, sem conseguir se controlar. – Quinn... – Sussurra.

Abandono seu abdômen e puxo-a para mais perto, apertando suas coxas. Seu corpo vai e vem cada vez mais rápido e eu sei que ela está chegando perto. Quando ela inclina a cabeça para trás, eu levo minha mão para sua boca, tapando-a. Seu grito sai abafado. Com o outro braço, tento segurá-la, enquanto os espasmos tomam contam do seu corpo. Fico fascinada pela sua imagem entrando em um orgasmo. Ela cai em cima de mim outra vez, com a testa em meu ombro e a respiração sem coordenação.

Por Rachel

O que eu fiz? Engulo seco, sem saber como sair daqui. Constrangimento me domina, junto com o medo. Tento levantar, mas Quinn me prende em seus braços, fortemente. Eu ia pedir para que ela me soltasse, quando sinto algo em meu pescoço. Lágrimas? Ela está chorando? Oh, meu Deus, eu estraguei tudo de uma vez por todas. Eu finalmente fiz.

– Não fuja. – Sussurra. – Não fuja de mim de novo. Eu sei que você quer sair correndo, mas não faça isso. Por favor. – Implora.

Meu coração para com o tom de sua voz. Eu não posso fazer nada, a não ser abraça-la com mais força.

– Eu não vou fugir. Eu prometo.

– Rachel? Fabray? – Escutamos. Eu arregalo os olhos para Quinn, que tapa minha boca outra vez.

– Estamos aqui, Santana. – A loira fala, tentando não rir. – Está tudo bem.

– Mesmo? Vocês estão demorando, vai começar a primeira aula e tem uma fila querendo entrar aqui. – Anuncia. – Aconteceu alguma coisa?

– Está tudo bem. – Repete. – Você pode tirá-los dai, por favor?

– Claro. – Murmura. – QUERO TODO MUNDO CIRCULANDO. AGORA. – Ouvimos.

Quinn tira sua mão, rindo e eu explodo em uma gargalhada sonora.

– Eu nunca tinha passado por isso na vida. – Digo.

– Nem eu, Berry. – Fala, parando de rir. – Está tudo bem?

– Vai ficar, Q. – Beijo sua boca, suavemente. – Já está ficando...

Notas finais
Ufffff... Capítulo dificil de escrever. Espero que vocês gostem. Como prometido, postando mais rápido. hahahaha Comentem, meuzamores. ;*** http://ask.fm/FlorDeLins_