Notas iniciais
Primeira música: http://www.youtube.com/watch?v=i0ans1ukv4M Segunda música: http://www.youtube.com/watch?v=j2y2xvNR3ac

Por Quinn

Brittany perdeu totalmente a noção. Eu? Apaixonada por Rachel Berry? Nunca! Estou apenas preocupada por ela. Somos companheiras no Glee Club, certo? Ela também tentaria ajudar se visse alguém com problemas sérios. Suspiro frustrada. Ela faria isso, com toda certeza, mas é terrível ver que ninguém corresponderia. Como é possível eles não perceberem isso? Lembro-me de quando eu estava grávida de Beth e a morena tentou se aproximar, oferecendo sua ajuda. Eu já estava na mais baixa posição da escala social. Tinha perdido meu lugar nas Cheerios, engravidei do melhor amigo do meu namorado, fui expulsa de casa, estava no Glee... Falar com Rachel seria meu tiro de misericórdia. A culpa me domina quando eu me lembro disso. Eu tinha amigos ao meu redor, apesar de tudo. Inclusive ela. Talvez essas pessoas sejam apenas cegas por status, como eu fui... Ou sou.

Tento dormir, mas não consigo. Ela sorriu para mim, isso é bom. Quer dizer que ela não está totalmente chateada pelo que aconteceu na casa dela. Santana tem razão, ela só precisa confiar em nós. Abro o notebook e começo a pesquisar sobre a automutilação. Fico em choque ao ver tantas histórias sérias. Meu corpo estremece ao pensar em Rachel fazendo isso. Ela não pode. É tão pequena, tão indefesa, tão linda. Mas, que diabos Fabray? Jogo o pensamento para longe e continuo lendo tudo. Preciso saber como ajuda-la. Penso em ligar para Frannie. Minha irmã é psicóloga, ela pode me ajudar com isso. Mas, o que eu direi a ela? Já está tarde, melhor depois...

Estávamos posicionadas no canto combinado, esperando Rachel entrar na escola. Nós vimos que a pequena lutou para sair logo do carro. Respirei fundo, sabendo o que ela estava tentando fazer: evitar os corredores cheios. A morena entra encolhida, segurando seus cadernos com força contra o peito. San acena com a cabeça para um jogador rindo maliciosamente, com um copo de raspadinha na mão. Antes que ele faça qualquer movimento, a latina se põe na frente de Rachel protetoramente.

– Não se atreva. – Sua voz não foi alta, mas assustadora o bastante para fazer o jogar recuar, confuso.

Rachel não tirou os olhos do chão. Era perceptível que ela estava prendendo a respiração. Ela assente, se não tivéssemos prestando tanta atenção nela, não teríamos percebido. Santana deu um sorriso de lado, mostrando que entendeu seu agradecimento. Não tivemos aulas com ela, mas verificamos seus horários, não a deixando sozinha pelos corredores. Meu celular vibra e eu abro uma mensagem de Brittany.

Venha para o auditório. Eu tive uma ideia. – B

Seguro forte o aparelho, sorrindo e vou à direção apontada pela loira. Britt está na frente, me esperando. Ela sorri para mim e segura minha mão, abrindo a porta. Entramos devagar. Vejo Rach tocando violão, baixinho, como se estivesse em outro mundo. Sinto vontade de correr e abraça-la. Aproximamo-nos mais. Ela levanta a cabeça, com um sorriso fraco para a dançarina, que logo some quando ela percebe a minha presença. Engulo seco.

– Hey, Rach. – Brittany senta ao lado da morena, que se afasta disfarçadamente. – Quinn me disse que vocês ensaiaram pouco para a apresentação de Glee. Estive pensando... Vocês poderiam ensaiar, enquanto eu danço.

Tento esconder o sorriso. Genial, Britt. Rachel parece pensar no que a loira propôs. Esperamos em silêncio por sua decisão. Ela respira fundo.

– Não acho que seja uma boa música para dançar, Brittany. – Diz finalmente. Droga. Suspiro, derrotada.

– Talvez não seja. Mas, eu preciso estar preparada para todos os tipos de músicas. – Minha amiga diz sabiamente. – E, eu não queria dizer, mas meu dueto com San está incrível. Vocês deveriam ensaiar.

– Tenho certeza que não está melhor que o nosso, Britt-Britt, sinto muito. – Digo sorrindo. – Vamos, Berry, ao menos uma vez? – Peço. O desespero quase sai na minha voz.

A morena suspira, cruzando o olhar rapidamente com o meu. Sorrio esperançosa. Ela morde o lábio, enquanto levanta com o violão para sentar no banco. Britt bate na minha mão, silenciosamente. Rachel dá as primeiras notas e eu me posiciono ao lado dela, começando a cantar. Realmente, o ritmo não é o melhor para a dança, mas Brittany faz seus milagres, movimentando-se corretamente. A voz de Rachel entra e eu vejo o sorriso da dançarina aumentar. Desvio o olhar para a morena, quando nossas vozes se juntam. Minha parte preferida da música. Rachel consegue me encarar. De repente, o mundo era uma bolha. Só existimos eu e ela. Nem percebo o final da música, até que ouço o grito animado de Britt. Rachel sorri, voltando o olhar para a loira, nos tirando do transe.

– Isso foi incrível. – Bate palma.

– Obrigada, Britt. – Respondo, quando percebo que a morena está envergonhada. – Você também foi incrível. Eu nunca conseguiria dançar essa música. – Rimos.

– Ela vai ser uma grande dançarina. – Rachel diz, sorrindo.

– Tenho certeza. – Concordo.

– Eu também tenho. – Outra voz entra no auditório. – Você é o máximo. – Santana sussurra para a loira, que sorri grande.

– Obrigada, San. – Diz amolecida. Eu viro os olhos. Rach permanece com o sorriso. – Você perdeu o dueto dessas duas.

– Uh, é bom que esteja à altura do nosso. Nós não iremos facilitar. – A latina diz em um tom falso de indiferença.

– Sabemos que você gosta de desafios, Santana. Mas, essa nós ganharemos. – Pisco um olha para Rachel, que acena.

–x-

Na sala do coral, Kurt e Mercedes terminavam sua apresentação. Os dois fizeram os amigos explodirem em aplausos e o professor elogiar horrores. Santana deu os ombros, bufando. Quinn percebeu Rachel se encolher na cadeira e, em um surto de coragem, segurou a mão da morena. Rachel ficou tensa com a reação da loira, mas não afastou a mão, nem olhou para ela. Quinn sorriu vitoriosa. Santana e Brittany levantaram para seu dueto. As duas cantam Landslide. Todos balançam a cabeça, no ritmo na música. Diferente da apresentação anterior, Rachel tinha os olhos vidrados nelas. Ninguém sabia o quão aquela música é importante para as duas, exceto a terceira Cheerio, que assistia a apresentação das amigas com um sorriso orgulhoso no rosto. Santana tem medo de assumir o romance com a dançarina, mas não consegue esconder o amor que sente por ela. Qualquer um é capaz de sentir, só em estar perto delas.

– Muito bom, meninas. – Professor Schue aplaude. — Vocês estão me surpreendendo. – Sorri. – Bom, só faltam vocês duas. Cantarão agora? — Aponta para Rachel e Quinn.

A morena solta a mão de Quinn, quando escuta os sussurros sobre isso. A loira manda um olhar assassino para Artie e Finn, que encolhem os ombros, calados.

– Você é quem sabe, Rachel. – Sussurra para a pequena.

– Tudo bem. – Quinn nota que ela está tremendo um pouco.

– Não se preocupe, você sabe fazer isso. – Sorri, tranquilizando a dupla.

Rachel segura o violão, sem encarar o resto da sala. A morena começa a tocar, sendo seguida pela voz da loira. As duas cantam tranquilamente. Rachel levanta a cabeça, encontrando o olhar de Santana. A latina sorri, encorajando-a. Elas terminam e, inconscientemente, quase todos aplaudem, menos Mercedes. Quinn ri dos gritos das duas amigas, mas seu sorriso desaparece quando ela vê Rachel encolhida, respirando com dificuldade.

– Uou, isso foi demais! – Schue vibra. – Muito bom mesmo, garotas. Valeu a pena esperar por vocês.

– Obrigada, professor. – Quinn agradece, trocando um olhar preocupado com Brittany. – O que houve? – Sussurra só para Rachel.

– Eu desafinei. – Responde com a voz trêmula.

– Quê? – Ri. – Rachel, você não...

– Professor Schue. – Mercedes interrompe. – Ficou claro que essa dupla não pode ser a vencedora.

– Por quê? – O professor pergunta confuso.

– Rachel não conseguiu manter o tom certo. – Fala como se fosse óbvio. Brittany segura o braço de Santana.

– Você fala isso porque não consegue alcançar as notas que ela alcança. – A latina defende.

– Santana, não sei se você ouviu o que ele disse, mas isso é mais que uma disputa. Estamos treinando para as competições e ela precisa ensaiar mais. Certo, professor?

– Bom, Mercedes está certa. Rachel precisa trabalhar mais um pouco algumas notas e...

– Eu não vi nada de errado. – Uma voz interrompe o professor, ganhando a atenção das quatro meninas. – Para mim, elas foram a melhor dupla.

– Obrigada, Tina. – Quinn sorri sincera.

– Além do mais, todos nós sabemos que Rachel é nossa melhor voz. – Mike continua. Santana olha para Brittany, que acena feliz pela atitude do casal.

– Oh, ela nem mesmo tem o solo. – Kurt resmunga, sentido.

– Não tem porque não competiu. – A latina rebate. – Não que ela ganharia de mim, mas ao menos teria competência para fazer isso, coisa que vocês dois não têm. – Aponta para o menino e Mercedes.

– Rachel não pode colocar tudo a perder outra vez. – Mercedes diz, infeliz.

– Ela tem razão. – A pequena sussurra, tremendo.

– Não, Rachel, ela não tem. – Quinn reclama. – Professor, Mercedes está sendo injusta. – A loira fala, perdendo a paciência.

– Você sabe que eu estou certa, Fabray.

Antes que a loira pudesse responder a Mercedes, Rachel levanta da cadeira, pega sua bolsa e sai correndo, deixando seus cadernos lá.

– Idiota! Está feliz agora? – Quinn grita, empurrando Mercedes.

– Não me toque, Quinn. Só falei o que ninguém tem coragem de dizer. – A loira avança na cantora. Santana levanta, puxando a amiga.

– Q, pare. Precisamos encontra-la. – Diz firme, fazendo Quinn reagir.

As três cheerios se dividem, cada uma correndo para um canto. Quinn vai para o banheiro, abre todos os boxs, mas não acha a morena. Brittany corre para a quadra, procurando-a pela arquibancada, sem sucesso. Santana entra no auditório, buscando-a pelas cadeiras, já ia saindo de lá, quando uma voz soou. Rachel.

Eu a tenho. – S

A latina manda a mensagem para as amigas, como o combinando. Ela senta em uma cadeira, ouvindo Rachel cantar Cry no palco. A voz da pequena é quase um grito de socorro. Santana estremece, mas sabe que é preciso deixar que ela desabafe na música. Como Mercedes pôde xingá-la? A voz de Rachel é perfeita. Ela termina de cantar e o silêncio toma conta do lugar. A latina vê a pequena tirar um objeto da bolsa. Oh, não, Berry, não. Ela não consegue falar. Levanta em um salto, mas está distante do palco para alcança-la antes que a morena faça. Ela faz. Santana apressa o passo e pula para o palco, desesperada.

– Merda, Rachel. – Sussurra ao ver o sangue escorrer no braço da pequena.

Rachel vira para a latina, tentando falar algo, assustada por ter sido pega. Santana, sem pensar duas vezes, envolve a pequena nos braços. Rachel não consegue lutar contra e explode em lágrimas.

– Shhh... Está tudo bem. Eu tenho você. – Santana luta contra o próprio choro.

– Eu... Eu... – Balbucia. – Eu sou um lixo. – Diz soluçando. A latina aperta mais o abraço.

– Shhhh... Fique quieta, não fale besteira.

Elas não sabem quanto tempo ficaram ali, mas o suficiente para a respiração de Rachel voltar ao normal. Santana olha para o braço da morena, que está manchando seu uniforme de sangue.

– Vamos lavar isso.

– Não. – Rachel se afasta dela. – Eu faço sozinha.

– Não te dei escolhas, Berry.

San abre a porta do auditório, olhando de um lado para outro. Suspira aliviada pelos corredores estarem vazios. Ela coloca uma mão nas costas de Rachel, guiando-a para o banheiro. Lágrimas ainda correm no rosto da morena, mas é um choro calmo dessa vez.

– Deus. – Santana sussurra, quando levanta a manga do braço da pequena, revelando todas as cicatrizes. – Isso vai arder um pouco. – Avisa. Rachel dá os ombros.

Claro que ela sabe disso. Santana se repreende por isso. Depois de lavá-lo, a latina faz um curativo no braço da morena, que encarava o chão, com vergonha. A latina solta a respiração, que nem mesmo sabia que estava prendendo. Levanta do banco e lava o próprio rosto, cansada.

– Sinto muito por seu uniforme. – Murmura.

– Você não deve sentir por isso. – Santana fala, esfregando os olhos.

– Você não deveria estar aqui. Alguém pode te ver e...

– Dane-se. Eu estou aqui porque eu quero. – A latina suaviza o tom. – Será que você ainda não percebeu que nós queremos te ajudar?

– Por quê? – Suplica.

– Porque nós gostamos de você. – Rachel zomba.

– Você acha que eu não sei que vocês estão armando para mim? Isso é ouro para uma nova brincadeira.

– Não brincaríamos com isso, Rachel. Nunca.

– Certo. – Fala sarcástica.

– Você está no seu direito de não acreditar em nós. Eu no seu lugar faria o mesmo. – Diz magoada.

– Você não sabe o que é estar no meu lugar. – Cospe, irritada.

– É verdade, eu não sei. – A latina encolhe os ombros. – Eu sei o que é está no meu, no entanto.

– O que tem de ruim nisso?

– Eu sou uma pessoa insegura. – Admite. – Visto uma máscara de má, assusto inocentes, grito, jogo raspadinhas. – Ri sem graça. – Não tenho coragem de dá um beijo na pessoa que eu amo na frente de todo mundo.

– Isso não...

– Pode não parecer grande coisa. – Santana continua. – Mas, isso vira um monstro em mim, às vezes. Eu fico chateada comigo e desconto nos outros. Sabe o que mais me chateia? – Rachel nega. – Minha abuela não perceber. Ela se faz de cega. E é da minha felicidade que estamos falando.

– Eu sei como é isso. – Rachel suspira. – Meus pais viajam o tempo todo, não sabem nem quando eu tenho uma simples gripe. – A pequena admite, dando os ombros.

– Isso é um saco. – A latina assente e Rachel concorda. – Brittany e Quinn estão por mim. E agora nós estamos por você, por mais difícil que seja de acreditar, Rach.

– É impossível. – Ri.

– Eu sei. – Santana ri junto. – Mas, é a verdade. Nós vamos te provar isso. Só não se feche, por favor. Você pode tentar? – Silêncio. – Você pode tentar, Rachel? – Pede outra vez.

– Acho que sim. – Sussurra. Santana sorri.

– Obrigada. – Levanta, dando um beijo na testa da morena. Rachel fecha os olhos, surpresa. – E se você contar algo do que eu te disse aqui para alguém... – A pequena ri, vendo a latina sair do banheiro.

– Obrigada, Santana. – A morena suspira aliviada por não ter tido perguntas ou reclamações sobre o acontecido. Ela abaixa a manga, cobrindo o curativo, segura sua bolsa e franze a testa. – Onde estão meus cadernos?

Notas finais
Antes de tudo, quero dizer uma coisa pra vocês: Quando eu resolvi continuar essa história, eu estava ciente da seriedade do assunto. Eu, assim como Quinn (hahahaha) pesquisei bastante sobre isso, para poder não falar besteira. E, de novo, assim como Quinn, eu também tenho um (no meu caso) irmão psicólogo. Então, confiem em mim quanto a isso, okay? Tudo vai dar certo. hahahahahha Bueeno, espero que vocês gostem do capítulo e continuem comentando, porque eu estou adorando ver as opiniões. Até o próximo (que vai ter um bocado de Faberry hahahaha). :*** http://ask.fm/FlorDeLins_