Notas iniciais
1 - https://www.youtube.com/watch?v=Xjw2hJTcAMs 2 - https://www.youtube.com/watch?v=terQSB_u8qs

Por Rachel

Acordo em meu quarto e sinto minha cabeça doer. Respiro fundo, tentando abrir os olhos completamente. Quase como por inercia, giro meu corpo, procurando minha namorada, mas não a encontro. Franzo a testa, confusa. Ela estava aqui quando eu adormeci. Olho para o relógio, perdida no tempo. 20h. Depois do encontro fracassado com Hiram, Quinn me trouxe para casa e me segurou enquanto eu chorava loucamente, sem conseguir falar. Suspiro, lembrando agora a causa da minha dor de cabeça.

Não sei o que me doeu mais: meu pai se virar contra meu namoro ou pensar em me afastar de Quinn. Isso me deixou perdida. Nunca tive tanta certeza de meus sentimentos por ela quanto eu tenho hoje. É... assustador. Tiro o lençol, querendo tomar um banho e esquecer tudo isso. Não tem nenhuma mensagem ou chamada perdida em meu celular. Não que eu tivesse esperando que ela tenha avisado algo. Enfim.

Pego meu pijama no armário e depois de ir ao banheiro, percebo um envelope em cima da minha mesa de estudos. Abro, tirando cuidadosamente o conteúdo. Um sorriso toma conta do meu rosto, enquanto eu seguro um porta retrato com uma foto minha e dela.

– Hey. – Eu me assusto, vendo a loira entrar com uma bandeja em meu quarto. – Não era pra você ver isso agora. – Faz um pequeno bico.

– Quando... – Levanto uma sobrancelha. – Quando você revelou isso? Quanto tempo eu dormi? – Pergunto, confusa.

– Você dormiu apenas uma hora. – Beija meu lábio, suavemente e põe a bandeja na cama. – E não fui que revelei, foi Santana. – Sorri. – Veja, tem mais. – Avisa, colocando o porta retrato de lado.

– Oh, meu Deus. – Sussurro, passando as fotos soltas. – Santana viu isso? – Aponto para minhas imagens, envergonhada.

– Eu pedi para Brittany ir com ela para que ela não abrisse.

– Ok, então Britt também viu. – Nós rimos. – Você é uma boa fotógrafa. – Digo, sincera. As fotos ficaram incríveis.

– Você é uma boa modelo. – Me abraça.

– Gostei mais dessa. – Pego o porta retrato de volta e sinto o riso da minha namorada em meu pescoço, me fazendo arrepiar.

– Já eu... – Me vira em seus braços. – Prefiro essa. – A loira puxa outro envelope da bolsa e me entrega.

Abro rapidamente, curiosa. A foto que eu tirei no galpão. Nós duas juntas, deitadas no colchão. Sinto meu rosto arder.

– Deus. – Sussurro, encantada.

– Olha só esse casal. – Aponta para nós. – Duvido que alguém fotografe algo melhor. – Diz, convencida. Eu rio, balançando a cabeça.

– Eu também duvido. – Beijo sua bochecha.

– Bom, eu queria ter colocado ela no porta retrato, mas... – Sorri. – É um pouco... Intima. – Eu assinto, encarando nossos corpos nus, embora não apareça tanto, pois nossos braços cobriram. – Não que isso seja algo que me impeça de emoldurá-la e pendurá-la no meu quarto.

– Você não é louca. – Empurro o cotovelo em sua costela. – Quando nós tivermos nossa casa, colocaremos em nosso quarto secreto.

– Quarto secreto? – Levanta a sobrancelha, maliciosa. – Eu gosto disso.

– Um que Charlie e Barbra não nos escute. – Ela gargalha.

– Gostando cada vez mais. – Morde o lábio. – Poderemos fazer qualquer coisa nele? – Sussurra.

– Qualquer coisa. – Respondo, juntando nossas bocas. – Pensei que você tivesse ido embora. – Admito, apoiando minha testa na dela.

– Fui fazer o jantar. – Segura minha mão, abrindo a bandeja. – Na verdade, Leroy fez quase tudo, eu apenas ajudei. – Encolhe o ombro, rindo.

– Papai está ai? – Pergunto, nervosa.

– Sim. – Suspira. – Fique tranquila, ele não perguntou nada. Mas, sabe que algo deu errado, ok?

– Ok. – Murmuro.

– Você está melhor? – Alisa meu rosto.

– Estou um pouco cansada.

– Coma algo. – Empurra a bandeja para perto.

– Você já jantou? – Coloco a salada na boca.

– Não, estava esperando por você. – Sorri, segurando um garfo e se junta a mim. – Boa?

– Deliciosa. – Fecho os olhos. – Mas, sei que é de Leroy. – Rio.

– Droga. – Resmunga. – Eu ajudei, certo?

– O que você fez? – Arqueio as sobrancelhas.

– Eu... – Limpa a garganta. – Eu cortei algumas coisas e... – Solto uma risada sonora. – Hey! – Me empurra. – Não ria. Foi culpa dele. Ele que não deixou que eu fizesse mais.

– Eu sei. Papai gosta de cozinhar sozinho.

– Obrigada por me dizer isso só agora. – Diz, sarcástica. Eu viro os olhos, rindo.

– Uma vez, Hiram foi tentar ajuda-lo a fazer os biscoitos para o Natal, então... – Minha voz morre na garganta. – Nada.

– Tudo bem, você pode falar. – Incentiva.

– Eu não quero. – Franzo a testa. – Esse homem... Ele não existe mais.

– Eu sinto muito, Rach. – Segura minha mão. – Eu gostaria que tivesse dado certo.

– Eu também, Q. – Tomo um pouco do suco, tentando aliviar o nó que se formou. – Já sabíamos que não daria, né?

– Isso não é verdade. – Repreende. – Sabíamos que existia essa possibilidade, mas não que ele faria.

– Sempre me decepcionam. – Sussurro mais para mim do que para ela.

– Hey, pare. – Me abraça de lado. – Você quer falar sobre o que aconteceu?

– Eu... – Ele quer que eu me afaste de você. – Ele apenas não entende. – Me limito a dizer. Ela assente.

– Sinto muito.

– Não sinta. Só... Vamos esquecer essa conversa, por favor.

– Claro. – Sorri fraco. – Termine de comer.

Vejo um traço de tristeza passar nos olhos de Quinn e isso faz com que meu estomago dê uma volta, porque sei que a culpa é minha. Ok, não diretamente minha, mas ela está preocupada. Depois de comermos, ela avisa que precisa dormir em casa. Eu imploro pra que ela fique, não quero ter que encarar Leroy agora. A loira traça meu rosto, carinhosa e explica que não pode ficar. Cruzo os braços, emburrada. Quinn ri, me abraçando. Eu consigo convencê-la a ficar até eu adormecer.

Meu pensamento voa de volta para mais cedo. Eu realmente achei que Hiram estava disposto a enfrentar tudo isso junto comigo e papai, como uma família que nós fomos um dia. Ou como quando ele me prometeu que sempre me ajudaria, quando eu levei minha primeira queda na bicicleta. Só percebo que voltei a chorar, quando Quinn limpa minha bochecha.

– Sei que você não quer falar sobre isso... – Ela rompe o silêncio, enquanto eu escondo o rosto em seu peito. – Mas, você pode me ouvir? – Assinto lentamente. – O que você está sentindo é...

– Horrível. – Sussurro.

– Sim, é horrível. – Concorda com uma voz baixa e rouca. – É seu pai, eu sei que é decepcionante, que dói. – A loira engole seco e eu percebo o misto de emoções em sua voz. – Quando... Quando Russel me deu as costas, eu perdi o meu chão. – Aperto seu corpo. – Antes disso, eu achava que era impossível essas coisas acontecerem, mas... – Ri fraco. – É horrível. – Repete. – Mas, se ficarmos presas a isso, é bem pior. Tudo vai adormecer com o tempo. Não sei o que acontecerá com você e Hiram, e eu realmente espero que seja diferente da minha história, porque eu sei que seu pai te ama acima de tudo, mas você vai aprender a ser forte. Um dia será simplesmente uma lembrança ruim. Dolorosa, mas não sufocante. – Prende nossos dedos. – Nós apenas aprendemos a lidar.

– Eu não sei fazer isso. – Soluço, me sentindo culpada por esconder o real motivo da minha raiva.

– Shhh... – Passa a mão em minhas costas. – Quando você menos perceber, vai ter acabado. – Beija minha testa. – E eu vou estar com você ainda.

– Por favor. – Eu sento. – Eu não me importo de ter que passar por isso de novo, mas não me deixe sozinha.

– Eu não te deixarei sozinha, Rach. – Franze a testa. – Você sabe disso.

– Eu te amo, Quinn. – Choro mais forte. – Eu te amo muito.

– Ei, ei... – Me puxa de volta. – Pare com isso. – Repreende. – Eu também te amo, não tenha medo disso, minha pequena. Nada de ruim acontecerá com a gente, ok?

Quinn cantarola, fazendo carinho em meu corpo. Adormeço em seu peito, sentindo sua respiração calma. Acordo sozinha no quarto, mas um sorriso fraco me surge ao perceber o bilhete no porta retrato.

Nos vemos mais tarde. Bom dia, Rach.

Ps.: Ainda prefiro a outra foto. – Quinn

Tomo um banho devagar, tentando relaxar um pouco. Me sinto cansada. Coloco maquiagem em meus braços, cobrindo as cicatrizes agora mais claras. Deixo um suspiro sonoro escapar. Eu gostaria que elas sumissem. Em pensar que tudo aquilo ontem me deu muita vontade de fazer outra vez...

– Filha? – Eu pulo na cadeira. – Desculpe, não queria te assustar.

– Tudo bem. – Sorrio de lado.

– O que você estava fazendo? – Pergunta, olhando para meus braços, com a testa levemente franzida em preocupação.

– Só estou cobrindo. – Ele assente, aliviado.

– Nós precisamos conversar. – Fecho os olhos. – Minha estrela, você precisa me contar o que houve. Quinn estava muito transtornada ontem. – Eu o encaro, curiosa.

– O que ela disse?

– Ela só me disse que não tinha ido bem. – Senta na cama, na minha frente. – Mas, estava nervosa, ia no seu quarto todo minuto. – Sorri triste.

– Ele... – Respiro fundo. – Ele pediu pra que eu me afastasse dela.

– O QUE? – Levanta. – Por que?

– Eu não sei. – Encolho os ombros.

– Que diabos está acontecendo com seu pai? – Esconde o rosto entre as mãos e meu coração se quebra com a cena. – Ele sabe que Quinn te faz bem. Eu não entendo.

– Tudo bem, pai. Eu não me importo.

– Claro que se importa, Rachel. Não se faça de durona para mim. – Repreende. – Eu vou falar com ele.

– Não! Por favor, não fale. Não sobre isso. Eu não quero mais esse assunto. Eu não...

– Calma. – Me segura. – Calma, eu não falarei. Não chore.

– Não vou chorar. – Respiro fundo, limpando meu rosto. – Eu preciso ir para a aula.

– Tem certeza? – Pede, carinhoso.

– Tenho. – Levanto. – Eu não quero que vocês briguem por minha causa.

– Rachel...

– Por favor, papai. – Imploro.

– Claro. – Suspira. – Eu tentarei, ok? – Beija minha testa. – Boa aula, estrela. Fique bem.

Por Quinn

Dormi mal, pensando em como Rachel estaria. Mas, sei que ela precisava de um tempo com Leroy. Assim que levanto, corro para o banheiro e vou direto para o colégio. Santana e Brittany já estavam na porta de mãos dadas. Eu sorrio ao vê-las.

– Obrigada por revelarem as fotos.

– Devo admitir, Rachel é muito interessan... aaaaaush.

– Você é muito cara de pau, Santana. – Digo, incrédula. – Brittany está aqui.

– O que? Ela é mesmo. – Alisa o braço beliscado. – E Britt também achou. Certo, amor?

– Sim. – Sorri. – Desculpe, Q. Nós não conseguimos segurar a curiosidade.

– Eu sabia. – Viro os olhos. – Vocês são impossíveis. – Vejo o carro da morena estacionar e quase voo em cima dele.

– Vocês ainda estão namorando escondidas, Q. Se controle. – Santana segura meu braço, enquanto eu bufo. – Hey, Rachel.

– Hey... – A morena sorri, tímida. – Senti sua falta. – Sussurra para mim.

– Eu também senti. – Beijo sua bochecha. – Você está bem?

– Melhor. – Garante. – Vamos entrar?

Nós assistimos as aulas juntas. Rachel está calada, mas não fechada. Ela ri e até faz algumas piadas. Eu sei que ela está cansada por ontem. No horário do almoço, ficamos juntas no vestuário das Cheerios, porque o auditório estava fechado. San e Britt nos distraíram, nos dando boas risadas. As duas não conseguiram manter a boca e acabaram falando que viram as fotos para ela. A morena ficou vermelha, o que só fez com que elas aumentassem os elogios. Eu ri junto com elas, sabendo que tudo era apenas para Rachel não pensar em ontem. E as agradeço por isso.

Na hora do Glee clube, Holly volta à sala, conversando com a gente sobre as Regionais. Professor Schue praticamente não disfarça o encanto pela mulher loira. Quase no final do ensaio, o menino alto entra na sala, com um sorriso enorme.

– Finn! Onde você estava?

– Desculpe, professor. Estava arrumando algumas coisas. – Gesticula, animado. – Eu preciso cantar algo.

– Oh, claro. – O professor sorri, franzindo a testa. Eu fico tensa na cadeira.

– Precisa ser no auditório.

– Está fechado. – Santana anuncia.

– Não está, eu que estou com as chaves. – Diz, sem olhar pra latina. – Vamos?

– Hm, tudo bem, eu acho. – Schue acena para levantarmos. Eu seguro o punho de Rachel.

– Não estou gostando disso. – Sussurro.

– Deve ser algum número bobo. – Segura minha mão. – Vamos.

O auditório está escuro. Nós sentamos nas cadeiras da frente, esperando Finn aparecer novamente. A luz do palco liga e mostra uma toalha de mesa estirada no chão, com uma cesta de piquenique em cima e alguns pratos. Rachel se remexe ao meu lado, incomodada. Eu entrecerro os olhos, sem entender.

– Eu resolvi voltar um pouco no tempo. – O rapaz surge, segurando um microfone. – Bom, essa foi a cena de um momento muito importante para mim. – Olho para a morena, que se encolhe. – E eu gostaria de cantar aqui, uma música que também foi bem importante e resume o que eu sinto agora. – Suspira. – É pra você...

Eu solto a mão da minha namorada e cruzo os braços no peito. Eu não acredito que esse idiota está fazendo isso. Ele começa a cantar No air de Chris Brown. A raiva começa a ferver dentro de mim. Eles cantaram essa música juntos no inicio do coral, eu ainda namorava com ele. Todos encaram o menino, incrédulos. Mas, ele parece não se importar, olhando apenas para Rachel, que não se move.

– Mas, que merda é... – Começo a dizer a quando ele se cala.

– Espere. – Alguém me interrompe. – O que é isso, Finn? – Holly pergunta, parecendo chateada.

– Estou cantando para a pessoa que eu amo. – Responde, estufando o peito.

– Para uma pessoa comprometida? – Ele desvia o olhar. – Ok, não responda. – Ela vira para nós. – Brittany, Santana, Quinn... Vocês podem me acompanhar em uma música?

– Isso vai ser ótimo. – A latina levanta, empolgada.

Eu sigo as três para o palco. Sorrio ao reconhecer a música. Holly puxa Forget You (Fuck You) de Cee Lo Green. Nós nos mexemos coreograficamente atrás da loira. Vejo Rachel prender um sorriso, mordendo o lábio. Finn fecha o rosto e eu canto para ele, com raiva. Holly senta entre Mercedes e Artie, colocando o microfone para que eles cantem juntos. Todos vibram, com exceção do rapaz mais alto.

– E é assim que se responde. – A professora pisca um olho para mim. – Sem brigas.

– Eu prefiro outro jeito. – Sorrio indo em direção a minha namorada.

Ela me encara, nervosa. Puxo seus braços, fazendo-a ficar em pé e junto nossos lábios, apaixonadamente. Escuto os gritos e assobios dos nossos colegas, enquanto aprofundo o beijo.

Que se dane, Finn. Ela é minha agora.

Notas finais
Hey, vocês. Como estão? Aproveitando o dia dos namorados? :P Então, estou demorando um pouco mais para atualizar porque estou em período de provas e, infelizmente, será assim por um longo tempo ainda. Peço só um pouquinho de paciência, ok? Eu atualizarei sempre que puder, fiquem tranquilos. Espero que gostem do capítulo... E comentem. ;) http://ask.fm/FlorDeLins_ Até o próximo.