Além da superfície.

1 Comportamentos estranhos.


Depois do desastre das nacionais, em NY, em que Rachel e Finn se beijaram na última música, fazendo o New Direction perderem a competição, todos estavam furiosos com o casal. Finn não suportou o peso de ser um dos maiores perdedores do colégio, ele precisava urgentemente voltar a ser o respeitado e temido popular. Ele não era o cara mal, só ligava demais para a opinião dos outros, não medindo a consequência de seus atos, mesmo que isso custasse algumas raspadinhas em Rachel.

Rachel. A pequena tentou se desculpar umas diversas vezes, cantando centenas de músicas que demonstravam o quão arrependida ela estava. Aliás, não valeu nem um pouco a pena. Seus amigos, ou aquelas pessoas que ela considerava seus amigos, não deram atenção. O tempo passou, a maioria nem lembrava mais do ocorrido, mas ainda assim, evitavam a estrela do grupo.

Dois meses haviam passado. As reuniões, a cantoria e a brincadeira estavam de volta ao glee clube. Vários brigavam pelo solo, enquanto outros faziam duetos e apresentações sensacionais. Todos davam suas opiniões e ideias para o próximo campeonato. Todos, menos Rachel. Eles estavam ocupados demais ignorando-a, que nem mesmo perceberam que a pequena diva havia parado de falar. Ela sentava em uma cadeira distante, encarando o chão durante todo o tempo. Não era só no glee, mas em todas as disciplinas.

- Então? Santana, Mercedes e Kurt? — O professor Schue franziu a testa, desconfiado. — São os únicos que querem o solo? — Todos olharam para Rachel, que encolheu os ombros sem encará-los. — Bom... Escolham uma boa música porque essa semana faremos nossas escolhas, certo? Boa sorte para vocês.

Os alunos levantaram animados, conversando alto. Mas, dessa vez, uma pessoa parou para observar a morena. Santana continuou sentada, vendo Rachel colocar um caderno na bolsa, timidamente. A menor percebeu os olhos da latina sobre ela e engoliu seco, apressando seus passos para sair o mais rápido possível daquela sala. Quando o fez, Santana notou que ninguém havia se despedido dela.

- Lopez, vai ficar aí o dia todo? Nós temos treino agora. — A voz de Quinn tirou-a do transe. — Ei!

- Qual a graça de disputar um solo sem Berry? — Perguntou indignada para si mesmo. As meninas se olharam confusas.

- Ela está estranha. — Brittany diz.

- Quem se importa? Você vai ganhar a música, isso é certo, San. — Quinn sorri.

- Sim, nós sabemos. Mas, é muito fácil. Algo está errado.

Quinn deu os ombros, fingindo não se importar. A verdade é que as três meninas não pararam de pensar em Rachel pelo resto do dia. Talvez tivessem ido longe demais à meta de ignorá-la? Não era para ter tido esse efeito, o objetivo era irritá-la, só isso.

No dia seguinte, as amigas estavam conversando alegremente no corredor, quando Rachel entrou na escola. Eles trocaram um olhar e encararam a pequena, que deu cinco passos de cabeça baixa. Cinco passos, Quinn contou, antes de ser ensopada por um líquido roxo. Algum jogador gargalhava, junto com a maioria das pessoas que estavam vendo. Santana controlou o impulso de xingar o cara, quem mandava nas raspadinhas era ela, e ela não autorizou essa. Quando as coisas haviam saído do controle? Rachel limpou os olhos. As meninas esperavam o minuto que ela abriria a boca para um discurso politicamente correto, mas ele não veio. Ela levantou a cabeça, cruzando o olhar com Quinn por um segundo, fazendo a loira estremecer, e caminhou até o banheiro.

- Rachel? — A líder de torcida chamou. — Tudo bem?

A morena não respondeu. Mas, seus fungados podiam ser ouvidos por todo o banheiro, por mais que ela tentasse sufocá-los.

- Rachel, eu sei que você está aqui. — Disse, na frente do box que a outra estava. — Saia, por favor.

Não adiantava, ela sabia que a loira não desistiria. Enxugou os olhos depressa e saiu do banheiro, sem encarar quem esperava. Rachel ligou a torneira, lavando o rosto, já com outra roupa.

- O que você quer? — Diz rouca.

- Saber como você está. — Tentou limpar o cabelo dela, mas ela se afastou.

- Acostumada, não se preocupe. — Sua voz era fria.

- Deixa eu te ajudar?

Seu tom doce foi irrecusável. Rachel paralisou, enquanto a menina tirava o resto de raspadinha do cabelo dela. Depois que terminou, segurou o rosto da morena entre as mãos, fazendo encará-la. Seus olhos cristalizaram, quebrando o coração da líder de torcida, que envolveu seus braços no pequeno corpo, segurando com força. Rachel desabou naquele abraço. Chorou, chorou, sentindo as mãos calmas por suas costas, pedindo silenciosamente para que ela se acalmasse.

- Obrigada, Brittany. — Se afastou envergonhada.

- Rach, você está estranha. — A pequena nega com a cabeça. — Até San notou, você não brigou pelo solo.

- É isso que ela quer? — Volta ao seu tom congelador. — Uma boa disputa? Mercedes e Kurt são fortes o bastante.

- Não é por isso, Rachel, ela...

- Ela o que, Brittany? Ela se preocupa por mim? — Ri sarcástica. — Agradeço sua ajuda, mas, por favor, eu preciso ficar sozinha.

- Rachel...

- Por favor, Brittany.

A dançarina assentiu, triste. Santana e Quinn a esperavam, curiosas. Ela contou o acontecido, fazendo a preocupação aumentar nas duas. Principalmente em Quinn. A capitã não entendia o que estava acontecendo. Por que diabos ela se preocupava pela maior perdedora de Lima? Rachel estava calada. Não foi isso que ela pediu tantas vezes? Que a morena se calasse? De repente, um calafrio tomou o corpo dela. Culpa? Ela percebeu que suas amigas também estavam com o olhar perdido, compartindo o mesmo pensamento.

A primeira a se apresentar no auditório foi Mercedes. Seu solo foi excelente, sem desafinar em alguma nota. Todos vibraram. Santana virou os olhos. Sua atenção estava em outra pessoa, que brincava com a manga comprida de seu suéter. Prof Schue liberou a turma mais cedo, já que ninguém mais se dispôs a cantar.

- Tentem não acertar o cabelo, por favor. — Rachel falou, fechando os olhos para as três lideres que ficaram na sala, esperando por ela.

- Berry, não vamos te jogar raspadinhas. — Santana tentou não ser tão grossa. A menina abriu os olhos, desconfiada. — Queremos saber o que houve.

- Por que diabos vocês se importam? — Diz alterada. Ninguém respondeu. Ela riu, balançando a cabeça, tentando sair.

- Você é do glee. — Quinn finalmente fala, fazendo a pequena parar na porta. — Somos uma família, certo?

- Errado. — Responde sem virar.

- Mas, você dizia que...

- Eu estava errada. — Ela encara a loira. — Não somos nada, além de estranhos compartindo um clube idiota.

- Idiota? — Brittany se espanta. — Glee é sua vida, Rachel.

- Vê? — Outra risada irônica. — Quão idiota a minha vida é?

Rachel deixou os olhos surpresos para trás, colocou a bolsa no ombro e saiu. Brittany deixou escapar algumas lágrimas, mas Santana a abraçou, encontrando o olhar de Quinn. E elas conversaram em silêncio. O que foi isso? Quem era essa pessoa? O que fizeram com Rachel Berry? O que nós fizemos a Rachel Berry?

- Eu preciso saber o que está acontecendo. – Quinn diz angustiada.

- Ela não está normal. Mas, não somos suas amigas, Quinn, o que podemos fazer? Ela está certa, nós não nos importamos. – Santana fala insegura.

- Nos importamos, San, você sabe disso. – Britt impõe, fazendo a namorada assentir, derrotada.

- Certo, nós descobriremos. – Diz em um surto de determinação.

- Como, Lopez?

- Do nosso jeito, Fabray. Ninguém esconde coisas de nós.

- San, não podemos força-la.

- Não forçaremos, Britt-Britt. – Fala meiga, fazendo Quinn virar os olhos. – Ela confiará em nós.

Notas finais
Essa história já estava rondando a minha cabeça e eu resolvi escreve-la, mas não sei o que vou fazer com ela. Meu foco principal é Meu Melhor Remédio, que eu já sei por onde ir até o final. Essa foi só uma ideia louca que surgiu de repente. :) Talvez eu volte nela.