Notas iniciais
Primeira música: https://www.youtube.com/watch?v=jxGBHPNGSxE Segunda música: https://www.youtube.com/watch?v=6DkwtsJBWvY

Por Rachel

Depois de alguns segundos constrangedores de silêncio, os aplausos surgem, me assustando ainda mais. Quinn dá um sorriso incerto, meio surpreso, meio preocupado. Forço meus pés a andarem em direção ao palco, praticamente em modo mecânico. Kurt me recebe, colocando a coroa em minha cabeça. Minha namorada segura minha mão com força.

– Isso é algum tipo de piada? – Sussurro. – Como fizeram com o Kurt ano passado? Farão alguma brincadeira comigo?

– Rachel. Você é linda. É a mais bonita da festa, a mais sexy, a mais talentosa. – Levanta meu rosto. – Se eles escolheram você foi porque te vêm como exemplo. Ninguém ousaria brincar hoje. Não com você, nem comigo. Eu não deixaria.

Eu suspiro, soltando o ar lentamente e deixo a tensão correr para fora do meu corpo. A loira sorri, enquanto Santana se aproxima e entrega um microfone para ela.

– Curvem-se diante das suas novas lideres. – O diretor fala e todos continuam aplaudindo. – Agora, a primeira dança do re... da rainha e rainha do baile deste ano.

Nós duas descemos do palco e os alunos se afastam, abrindo uma roda. A música começa a tocar e eu não tenho tanta certeza de que posso me mover. Não com os olhares em nós. Quinn aproxima nossos corpos e levanta o microfone.

Watching every motion, in my foolish lover's game...

Meu coração erra uma batida. Ela passa um braço por cima do meu ombro e eu abraço sua cintura firmemente, descansando minha cabeça em seu peito. Quando a voz de Santana se faz presente, Quinn me envolve com o outro braço, me apertando.

– Eu não estava esperando por isso. – Solta um riso baixo. – Mas, ganhar a coroa, depois de tanto tempo tentando, junto a mulher que eu amo e poder cantar para ela na nossa primeira dança... É um bom plano. – Eu sorrio.

– É perfeito.

Quinn volta a cantar. Nós nos movemos lentamente, no ritmo da música. Aos poucos, todos voltam a dançar também. Eu relaxo mais ao saber que não somos mais o foco da atenção. Brittany faz o mesmo que nós, se juntando a Santana. Vejo Puck e Becky, Mike e Tina, Blaine e Kurt, Finn e Sugar dançarem juntos, mas meus olhos fixam em Mercedes e Sam, abraçados. Ela parece feliz. E ele também.

When the mirror crashed, I called you and turned to hear you say... – Santana canta. Eu me afasto para encarar minha namorada.

If only for today: I am unafraid. – Quinn completa, enquanto eu sussurro, cantando junto e só para ela.

Take my breath away...

Escondo meu rosto no pescoço da loira, escutando-a. Eu realmente me sinto sem medo. De repente, o pavor que eu estava sentindo minutos atrás se transforma numa calmaria inexplicável. Os braços quentes de Quinn e sua voz rouca me levam para outro mundo. Me enlouquecem. De repente, nós somos as únicas no salão cheio. Só existimos nós duas nessa festa. Ninguém nos julgando, nem nos olhando feio ou querendo nos separar. De repente, eu só quero que a música acabe para podermos sair daqui.

E quando acaba, é exatamente o que eu faço. Quinn deixa o microfone no palco e eu puxo o seu braço para fora da quadra. Escuto a voz preocupada da loira, me perguntando se está tudo bem, mas eu a ignoro e continuo andando em direção ao banheiro do segundo andar. Olho por baixo dos boxs e não encontro ninguém, já que estão todos usando o banheiro do primeiro andar. Tranco a porta de chave. Quinn me olha surpresa.

– O que...

– Me desculpe, mas eu não posso mais esperar. – Digo. Ela arqueia as sobrancelhas. – Eu preciso de você. Agora. Aqui.

– Mas, nós...

– Quinn!

– Dane-se.

Quinn ainda me olha por um breve momento, depois disso, ela estava em movimento, fechando a pequena distância entre nós, até que nossas bocas se encontraram, ansiosas. Então, os lábios e as mãos da loira estavam por toda parte, fazendo minhas pernas fraquejarem rapidamente. Minha namorada me levanta pela cintura, não deixando meu pescoço um segundo e me apóia em cima da pia. Eu a envolvo, puxando-a para perto de mim. Quinn leva uma mão para o rosto e eu seguro seu punho.

– Não tire. – Minha voz sai irregular. – Desde o minuto que eu te vi com essa máscara, eu só consigo pensar coisas imorais.

– Fetiche, senhorita Berry? – Provoca.

– Você não imagina.

Quinn leva o seu tempo, doce, arrastando as alças do meu vestido para baixo, usando os dentes. Ela aperta um beijo em minha nuca, seus dedos abrindo habilmente o fecho atrás de mim. Seus olhos arregalam em um verde intenso, que eu me arrisco a dizer que nunca havia visto antes.

– Dupla fantasia? – Sua voz rouca ecoa pelo banheiro.

– Você consegue me despir do Cisne Negro. Você manda minha loucura para longe. – Sussurro. – Você me salva.

– E eu achando que não tinha como você ficar mais sexy. – Eu rio, enquanto seus olhos estão cravados em meu corpo, agora coberto por apenas um vestido branco, curto, colado. – Melhor que isso, só ficando nua.

Eu estremeço, ajudando-a a se livrar da minha roupa. Ela segura meus seios, apertando-os suavemente, sorrindo enquanto vê minha excitação aumentar com seus toques. Quinn se inclina, brincando com sua língua ao redor deles, antes de sugá-lo e implantá-los em torno de sua boca. Ela arqueia as costas quando eu agarro a bunda dela. Minhas mãos agora se movendo para cima, para arranhar as costas nuas de Quinn. Desço o zíper do seu vestido e ela se afasta um pouco para que ele caia no chão. Minha respiração fica pesada em minha garganta.

– Não foi só você que veio preparada. – Sorri, maliciosa, ao revelar sua lingerie preta transparente.

– Melhor que isso, só ficando nua. – A imito. Ela gargalha, voltando para meu corpo.

Desabotôo seu sutiã. A visão daqui é obscena e eu me vejo tremendo em excitação. Quinn sorri para mim, como se soubesse exatamente o que eu estou pensando, e ela então se dá por satisfeita com seu trabalho manual e trilha seus beijos para minha barriga, deixando mordidas não tão delicadas ao longo do meu abdômen.

– Quinn.

– Hm...

– Eu não preciso de mais provocações.

– Sério? – Sorri. – Hmmm, estou vendo.

Lentamente, a loira enterra a língua no lugar que implorava por ela, deslizando-a em ritmo quase insuportável. Ela lambe a partir da minha entrada até o clitóris e volta, puxando-o no processo, construindo meu tesão, mas também minha impaciência. Eu jogo a cabeça para trás e os quadris para cima quando Quinn, finalmente investe a língua dentro, agora em ritmo constante, ela a bombeia para dentro e para fora. Seguro a cabeça da minha namorada no lugar. Ela enrola a língua e me proporciona máximo de prazer. Quando ela sente minhas paredes começando a apertar, ela desliza dois dedos dentro.

Eu solto um gemido alto, enquanto Quinn toca em todos os lugares dentro de mim. Reviro os olhos quando ela encontra e esfrega aquele ponto especial, aplicando a pressão perfeita. Eu falo maldições em voz alta, palavrões que eu nunca disse antes, até chegar ao meu limite. Deixo minha cabeça cair em seu ombro, tentando recuperar minha consciência. A loira me abraça, seu corpo tão suado quanto o meu. Eu levanto, colocando-a por baixo de mim. Eu sei que não preciso provocá-la, eu posso sentir isso. Ela está completamente excitada.

– Você é tão minha. — Sussurro, passando os lábios contra sua bochecha, antes de beijar o caminho em direção a boca dela e introduzir dois dedos em sua intimidade sem o menor esforço. — Você vai ser sempre minha. – Declaro, beijando-a profundamente.

Meu polegar pressiona o clitóris da loira e eu começo a esfregá-lo quase selvagemente. A respiração de Quinn engata e seus lábios se separam dos meus, arregalando os olhos.

– Foda-se, Rachel. – Se contorce, sem fôlego. – Foda-se.

Eu sorrio ao ouvi-la. As pernas dela se juntam, prendendo minha mão entre elas. Seus quadris são rápidos, com movimentos sucessivos e seus olhos se fecham com força. Com a cabeça inclinada para trás, as costas arqueadas, e os lábios entreabertos, Quinn solta um grito estrangulado e o seu prazer escorre em minhas mãos. Eu beijo seus lábios, tentando abafar seus sons.

E nós fazemos mais uma vez. E outra. E outra. E outra.

Por Quinn

– Vamos embora? Temos uma casa só para nós duas e nós preferimos ficar presas em um banheiro durante horas. – Rio.

– Devem estar nos procurando. – Rachel morde o lábio e eu assinto. – Mas, não podemos ir agora.

– Por que não? – Levanto uma sobrancelha. – Amor, sei que é tentador, mas não podemos mais ficar aqui dentro.

– Eu sei. – Vira os olhos. – Vamos descer. Ficamos um pouco mais lá embaixo e depois vamos. Ok?

– Ok. – Entrecerro os olhos. – O que vai aprontar?

– Você verá. – Sorri, triunfante. – Só precisamos dar um jeito nos nossos rostos.

– Melhor tirarmos essa maquiagem e passarmos outra. Vamos demorar horas tentando arrumar e eu prefiro fazer outra coisa.

– Safada.

– Claro, fui eu que tranquei a gente aqui dentro.

– Está reclamando?

– Nunca. – Ela solta uma risada gostosa. – Linda!

– Boba.

Nós limpamos nossos rostos e nos vestimos outra vez, antes de descermos. A festa está animada. Todos estão dançando juntos e cantando alto. Tenho certeza que dessa vez Puck conseguiu batizar a bebida. Santana se aproxima de nós, nos puxando para perto deles.

– Amém, casal. Já estava pensando que vocês tinham ido embora. – A latina quase grita. Rachel esconde o rosto nas minhas costas. – A comemoração foi muito boa?

– Santana! – Repreendo-a, rindo. – Não faça isso.

– Sim, vossa majestade. – Faz reverencia.

Mas, ela não parou. Nem ela e nem ninguém do coral. Estavam todos decididos e se divertindo nos deixando constrangidas. Inclusive Mercedes. Com o tempo, Rachel se saltou e começou a devolver as piadas, arrancando risadas sonoras de nossos amigos. Meu coração se aperta ao lembrar que estamos em outra despedida. É o nosso ultimo baile. Professor Schue acena para Rachel, que me dá um pequeno beijo antes de ir em direção a ele. Eu aproveito o momento e me aproximo de Finn.

– Obrigada. – Sussurro.

– Por...? – Bebe um copo do refrigerante, se fazendo de desentendido.

– Eu sei que foi você.

– Eu o que? – Faço uma careta. – Ok... Talvez?

– Por que você fez isso? Pensei que estivéssemos competindo.

– E estamos. – Suspira. – Mas, eu preciso que Rachel esteja feliz. Você a faz feliz. Ver o sorriso dela no rosto enquanto dançava com você, fez tudo valer à pena. É nosso ultimo ano, Quinn. Eu não me importo tanto com o que vão pensar. Não tem por que.

– Você realmente gosta dela.

– Gosto. – Sorri de lado. – Eu daria tudo para ter sido eu no seu lugar. Eu até poderia ter feito isso. – Balança a cabeça. – Mas, ela não sorriria assim. – Acena.

Eu acompanho seu olhar e encontro a morena subindo no palco, com um microfone nas mãos. Nós nos aproximamos mais, curiosos. Rachel não havia ensaiado nenhum solo para hoje.

– Bom, eu... – Ela limpa a garganta. – Eu espero que vocês estejam se divertindo. – Ri, sem graça. – Gostaria de cantar uma música que... Uma música importante. Pra mim. Gostaria de cantar... Pra você. – Ela me encara. Eu abro a boca, surpresa. – Eu te amo. – Sussurra.

Rachel apóia o violão no colo e arruma a caixa de som ao seu lado. Quando ela dá as primeiras notas meu coração congela. Ela sorri.

My words are wrapped in barb wire. My actions speak for what I can't say...

– Que música é essa? – Santana franze a testa.

– Shhhhhh... – Deixo minha amiga para trás, hipnotizada pela morena no palco.

É a minha música. Rachel colocou letra na minha música. Um sorriso me escapa, espontaneamente. A música começa a ficar agitada e outros sons acompanham o violão e a voz da morena. Ela mixou a música. E eu não posso acreditar nisso. Olho para trás e percebo todo mundo se movendo e curtindo o que ouvem. Um filme passa pela minha cabeça quando Rachel levanta confiante e dança com o violão, enquanto canta. É a garota que eu conhecia. A que fazia cara feia para opiniões idiotas na sala do coral. A que brigava pelos solos. A que limpava a raspadinha do rosto e erguia a cabeça, sorrindo. A que tinha o quarto cheio de pôsteres. A que dizia que ia ser a nova Barbra.

A garota que vejo no palco agora é a minha garota. Quando ela termina, todos aplaudem sonoramente a pequena, que com um sorriso maravilhoso, agradece, descendo do palco. Eu a envolvo em meus braços, rodando-a.

– Você é perfeita! – Beijo seu rosto. – Ficou incrível.

– Você gostou mesmo?

– Eu amei, Rachel. Muito obrigada!

– Eu escrevi quando nos brigamos. – Explica. – Vamos embora? – Sussurra.

– Agora. – Sorrio, buscando minha bolsa. – Merda!

– O que foi?

– Eu deixei minhas coisas no banheiro. – Suspiro. – Você fica aqui enquanto eu vou buscar? Vou correndo.

– Tudo bem! – Beijo sua testa, ouvindo meus amigos a parabenizarem pela música.

Eu desvio as pessoas, tentando sair da quadra e corro para o segundo andar. Agradeço mentalmente por ainda estar aberto. Pego minha bolsa em cima da pia, conferindo tudo e desço as escadas com pressa. Eu paraliso quando percebo um barulho estranho.

– Mamãe. – Eu escuto uma voz, chorosa. – Mamãe.

Eu sigo no corredor, sentindo meu coração bater acelerado. Os fungados aumentam e eu acelero meus passos, instantaneamente.

– Tem alguém aí? – Sussurro.

– Eu quer minha mamãe. – A voz responde, soluçando.

Eu dobro em uma sala, encontrando uma criança encostada na parede, com os braços para trás. A menina loira, de olhos claros, me encara, firmemente, antes de soltar o choro mais uma vez.

– Cadê minha mamãe? – Esfrega as bochechas molhadas.

– Eu... – Tento formular uma frase, mas simplesmente não consigo. – Eu não sei. – Minha vontade é de embalar a pequena criança no braço e pedi-la que não chore mais, que tudo está bem. – Seu vestido é muito bonito.

– Eu sei. O seu... Também. – Sorri, timidamente. – Minha mamãe... Sumiu.

– Hey, nós vamos encontrá-la, certo?

O vestindo dela é mesmo lindo. Azul claro, rendado nas mangas. Seu cabelo loiro está preso em uma trança lateral. Eu sorrio. Claro! É uma cópia fiel da Elsa, de Frozen. Ela é tão delicada.

– Oh, meu Deus. – Finjo surpresa. – Você é uma princesa. – Coloco a mão na boca.

A risada da garotinha ecoa pelo corredor e eu sinto minhas pernas fraquejarem. Abaixo, ficando na sua altura. Passo os dedos em suas bochechas, enxugando-as.

– Uma linda princesa. – Sussurro, encantada. – Como você chegou aqui?

– Minha mamãe... Ela... – Aponta para fora. – Ela sumiu. – Seus olhos ficam marejados.

– Não chore. Não chore. – Peço, olhando para os lados, sem saber o que fazer. — Como sua mamãe é?

– Bonita. – Responde prontamente. Eu sorrio mais uma vez.

– Eu não duvido, pequena. Eu quis perguntar, como ela é... Fisicamente falando. – A criança faz uma careta e eu me repreendo, fechando os olhos. – Ok... Hum... Você sabe a cor da roupa dela?

– Vede. – Bate palma.

– Verde. Eu gosto de verde. E você?

– Eu gosta também. – Diz, animada. – Meu olho é vede. – Ela me analisa. – O de você também.

– Sim. – Rio. – Então... E o sapato dela? Você lembra qual a cor?

Vejo a menina entrecerrar os olhos, pensativa.

– Amalelo? – Franze a testa. – Assim. – Aponta para minha pulseira.

– Dourado.

– Amalelo.

– Dou... – Ela arqueia uma sobrancelha. – Amarelo.

Ok, existem várias mulheres de vestidos verdes e sandálias douradas ali dentro. Como vou encontrá-la? Encaro o local, pensando no quão irresponsável é a mãe que deixa a filha sozinha em um lugar tão cheio. Quantos anos ela deve ter? Dois? Finalmente me vem uma boa idéia.

– O que você acha de subirmos no palco?

– Cantar?

– Podemos cantar, se você quiser. – Rio. – Mas, vamos procurar sua mamãe. Lá de cima poderemos vê-la melhor ou chamá-la no microfone. – Falo, sem saber se ela está me entendendo bem. – O que acha?

– Eu... – Me olha, desconfiada.

– Prometo que quero te ajudar. – Levanto o dedo mindinho.

– Vai achar minha mamãe?

– Sim. – Garanto. Ela entrelaça o dedo dela com o meu, sorrindo.

Levanto, estendendo a mão para ela, que recebe. Eu sorrio ao vê-la pular pelo corredor. Me dá uma vontade de pedir para que esperemos um pouco mais, quem sabe brincarmos de algo? Vejo Rachel aparecer na porta da quadra e abro a boca para chamá-la, mas percebo sua expressão pesada, falando com alguém.

– Como é mesmo seu nome, princesa?

– Beth. – Meus pés travam.

– O... O que?

– MAMÃE. – Grita, correndo.

Eu a acompanho com o olhar. A pequena menina se pendura na mulher que apareceu com Rachel. Sinto o oxigênio indo embora dos meus pulmões. A pessoa de vestido verde se vira rapidamente, pegando a criança no colo.

– Shelby. – Sussurro, com dificuldade.

Notas finais
Ok... Não me matem :B Comentem, ok? Espero que gostem! ask.fm/FlorDeLins_ Até o próximo ;***