Além Dos Mares
2 01 - Recomeçar
Notas iniciais
Hope you guys like it!
Beijos no Cérebro ;3
Mais uma manhã de verão nascia quente em Harllow, mas já não iluminada. Ouvia-se murmúrios, ouvia-se choro, via-se desespero e lágrimas. Era o fim se aproximando, era a maldição de uma cidade se concretizando. Estavam fadados ao fracasso sem seu porto seguro.
Dentro da mansão incendiada, tudo era cinza, fuligem e fumaça. E de dentro dela, saía embalada uma criança com cabelos tão negros quanto as trevas, com olhos tão azuis quanto o céu límpido da primavera e pele tão branca quanto a neve do pico das montanhas. Estava suja, estava aterrorizada e desesperada, mas dos seus olhos não se via escorrer uma lágrima.
Dias mais tarde enfrentava o enterro dos pais, sozinha, pois os avós maternos nem ao menos ligavam para a perda e, enquanto o padre falava doces palavras para os falecidos, ela fugia. Em sua mente, estava num fúnebre lugar, sentada e chorando, como queria estar naquele momento, quando ao longe avistou a esperança. Correu ao encontro.
Lançada nos braços dos avós paternos, os quais ela tanto amava, notou-se que, pela primeira vez, ela transbordava em lágrimas. Momento abençoado foi aquele em que a pequena aceitou mudar-se para a Califórnia com eles. E no dia seguinte ao enterro, ela se foi de Harllow, pensando num “para sempre” que nunca chegou tão rápido ao final.
Uma chance de recomeçar do zero. País novo, cidade nova, casa nova, vida nova, mas é certo que as lembranças da mãe a escondendo no porão para lhe proteger do fogo, do abraço do pai e dos olhares, preocupados e carinhosos, jamais sairão de sua mente. Será um segredo.
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POV. Lia
Northridge. Esse era o nome que o recomeço se deu. Era uma cidade relativamente pequena, porém maior do que Harllow, um calor infernal, mas com tudo se acostuma, certo? Chegamos à casa dos meus avós, tipicamente americana: gramado enorme na frente, degraus para entrar, simples e linda. Minha avó me apresentou a casa, meu quarto, cujos ajustes ainda teriam que ser feitos, mas era bom.
Desci para ajuda-la com o jardim e a senhora magricela de 57 anos, cabelos grisalhos e longos, pediu-me para regar as plantas, pois ela iria começar a fazer o almoço e não teria tempo de regá-las. “Ok”. Fui para a garagem e peguei o regador, ___ estranho hábito que esses americanos tem de guardar tudo na garagem ___ voltei e comecei a regar, nem percebi que havia começado a cantar, então ri e parei, voltando para o almoço depois de terminar com o jardim.
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POV. Henri
Ser o mais novo da família têm suas vantagens, quando tem tarefas de casa, fico sempre com as mais fáceis enquanto meus irmãos se ferram: Harry (16) tem que varrer e passar pano na casa; Danielle (14) tem que fazer o almoço e passar pano nos móveis; Andrew (13) tem que limpar os banheiros e eu, Henri (12), tenho que colocar o lixo para fora, regar as plantas e depois ajudar a Dani com o almoço, se eu quiser.
Mamãe nos acordou às 7h, tomamos café e começamos a fazer nossas respectivas tarefas. Quando fui colocar o lixo para fora, minha última tarefa antes de ajudar a Dani, eu ouvi uma música vindo da casa do Sr. Watson __ um vizinho muito legal que estava viajando, ele era maestro e a mulher dele dançarina, são ingleses muito divertidos em cuja casa vou tomar chá das 17h quase todo dia __, mas não era ele tocando piano ou os concertos de música clássica, parecia uma garota cantando, como se fosse uma criança. Segui o som da voz da menina, apreciando sua música, mas me contive a olhar quem era pois eu tinha um plano: tomar chá das 17h hoje na casa deles, então eu descobrir quem cantava.
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Então assim se fez. Henri foi ajudar a irmã a fazer almoço e já de tarde foi com a família tomar chá na casa do vizinho, enquanto Lia cantava e tocava piano à tarde inteira, tentando achar um meio de recomeçar sua vida.
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