Alzheimer.

4 Isso só acontece com a gente...


Notas iniciais
Esse capítulo é o maiorziiinho, mas não muito AUHAUA Coragem, meninas! E boa leitura! ♥

Kirara estava inconformada, com vontade de voar no pescoço daquele policial — gato — e maldito. Não podia acreditar que ele havia mesmo lhe levado até a delegacia, dizendo que nem tinha culpa de nada! Mas isso é porque ele não sabia de coisa alguma, não sabia que era Kirara Imayoshi! Pois quando soubesse, ia se arrepender…

Estava lá há meia hora sentada num banco, sem fazer nada, apenas que o bendito fosse lhe liberar porque o depoimento — inútil — já tinha dado para uma policial de cabelos róseos. Ela disse que checaria sua ficha e pediria para que Aomine assinasse sua liberação. Mas sua ficha era tão limpa que deveriam estar tendo que vasculhar os confins dos arquivos para achar, por isso a demora!

Queria sua ligação de direito! Tinha que mandar seu irmão dar comida pro seu gato!

— Quê? Imayoshi? O que tem? — era a voz de Aomine que reverberava a mente da acastanhada. Bufou, se perguntando como ela já havia se tornado tão conhecida com as poucas vezes que a escutara.

Mas ao parar para digerir as palavras entendeu o que Aomine estava falando. Há!

Ele voltou com uma cara um tanto abismada e um tanto sacana. Sento na mesa, ao lado da cadeira onde a baixinha estava e ela olhou-lhe com uma sobrancelha arqueada.

— Imayoshi Kirara. O que o oficial Shouichi vai falar quando souber que está na cadeia? — perguntou sarcasticamente, com um sorriso de canto debochado. A japonesa o fulminou com os grandes olhos castanhos.

— Coisa nenhuma. Porque eu não fiz nada de errado! — Kirara retrucou, trincando os dentes. — Agora, eu quero fazer minha ligação.

— Entrar no carro com a amiguinha bêbada dirigindo, fazendo tudo muito certo. — Aomine respondeu, balançando a cabeça negativamente e a mulher bufou, cruzando os braços a frente dos seios. — Por que a pressa pra ir embora, Imayoshi? Acabou de chegar.

Daiki se levantou da mesa e foi a passos lentos até sua cadeira giratória, jogando-se nesta e pegando o telefone, mas ao invés de dá-lo a mulher ficou o segurando e a encarando, como se pudesse ficar daquele modo a noite toda.

— E por que você quer me manter aqui?! Já fiz minha obrigação! — “preciso dar comida pro meu gaaato!”

— Que desespero! Tem algum filho largado passando fome, por acaso? Além do seu irmão, claro. — Aomine rolou os olhos. Queria prendê-la ali por mais algum tempo, mas se ela ficasse reclamando tanto…

— Tenho! —

— Anh? —

— Meu gato! — Kirara respondeu num tom verdadeiramente ofendido. O azulado lhe encarou como se fosse uma doida.

— Eu achava que seu irmão era ruim, mas tsh… — respondeu debochado, fazendo um barulho reprovador com a boca.

Por um segundo uma curiosidade atingiu fortemente Kirara: da onde aquele ser conhecia seu irmão tão bem? Tudo bem que eram da mesma base, mas parecia que Aomine o conhecia bem melhor que apenas um simples bom dia, como um amigo intimo, como se convivessem…

Será que…?

— Não quer tanto ligar? Toma! — Aomine falou, revoltado porque já segurava o telefone em sua direção desde o começo de seu devaneio. Ele chacoalhou o aparalho e ela acordou, pegando-o, com a expressão de convencida.

Discou o número de casa, tinha certeza que em plenas quatro e dez da manhã seu irmão estaria dormindo. Ou talvez não, mas né…. O telefone tocou umas vezes até uma voz sonolenta responder alô.

— Capitão! Preciso que você venha me buscar… — pediu com uma voz chorosa. — Sim, eu estava com a Hailey, mas é que ela bebeu demais e bateu o caro… Calma! Eu estou na delegacia. M-mas eu não fiz nada de errado…! É a que você trabalha mesmo. Tudo bem, eu espero. Capitããão… Dá comida pro Alejandro! Como assim, ou você me busca ou alimenta meu gato? Faz os dois, poxa!!! POR FAVOOOOOOOR!!!

Quando começou a implorar foi que ouviu a tão conhecida sílaba contínua do telefone. Tuuu. Olhou indignada para o eletrônico, como se pudesse se teleportar por ele e matar seu irmão mais velho. Aomine tirou o telefone de sua mão.

— Que pena, parece que seu gato vai ficar com fome. — o azulado disse, sentado de forma totalmente largada na cadeira. Kirara o olhou de uma forma sinistra, e se perguntou como aqueles dois eram tão insensíveis.

Com certeza deveriam ser próximos mesmo.

Ficou choramingando sobre como seu gato ia morrer de fome durante algum tempo. Aomine a encarava como se perguntasse aos céus o que tinha feito na vida para merecer ouvir aquilo. Descobrira que a irmã mais nova era bem pior que o mais velho.

Meia hora. Imayoshi Shouichi demorou mei agora para finalmente chegar na delegacia, um caminho que de carro ele podia fazer em dez minutos. Quando o rapaz entrou, a baixinha não sabia se pulava em seu pescoço de felicidade ou de raiva.

— Meia hora, Shou! — praticamente gritou ao vê-lo na porta, num misto de desespero e “eu vou te matar”. Seu quase grito chamou a atenção de metade dos oficiais ali. Daiki franziu o cenho.

— Você me mandou dar comida pro seu gato, não foi? — Shouichi perguntou, passando a mão pelos cabelos negros escorridos e bagunçando-os.

— V-você deu mesmo? — Kirara arregalou os olhos, nem acreditanto. Gaguejou porque até mesmo ficara emocionada.

— Não, era só pra confirmar que você tinha pedido. — ele respondeu ajeitando os óculos com o dedo médio e sorrindo como uma criança. — Vamos. Aliás, foi ele quem te prendeu? — apontou para o homem de pele morena que ao lhe ver abriu um sorriso sacana e levantou o polegar.

— Foi… — a acastanhada virou a cabeça para trás, olhando para Amine por cima do ombro e trincando os dentes.

— Se hoje não fosse sua folga, ia ter que prender sua irmã, Imayoshi. — Aomine comentou maldoso e a cara de interrogação da mulher fora nítida.

— Ele é meu parceiro, Kira. Aliás, bom trabalho, Aomine. —

Ow, merda. Agora fazia sentido.

~x~

Naquele fim de semana, Hailey não foi ao asilo. Não podia se esperar outra coisa, afinal, Midorima a mandou ficar em repouso total durante três dias, onde retornaria ao hospital. Não que ela tenha gostado da ideia, também não planejava cumprir o mandato tão assiduamente, mesmo que a tentação de obedecer o esverdeado fosse grande, não podia abandonar sua vida por tanto tempo, mas Milenny comprou a briga com o médico e não teve outra opção.

Era Domingo, o dia de ir visitar o Hanamura e a La Freour ficara em casa, somente Kirara e Haruhi foram ao asilo. E eram exatos meio dia quando nem mesmo a doce Amai aguentava as e reclamações de fome de Kirara.

— Vocês podem ir comer alguma coisa onde quiserem, quando voltarem continuam o trabalho. — a Shirubako falou sorrindo, dividindo sua atenção entre as duas e alguns papeis que organizava em na mesa.

— Eu sei que tem uma confeitaria aqui do lado. — a Imayoshi comentou com Haruhi, com uma cara de quem não queria nada. A de cabelos compridos lhe observou com uma sobrancelha arqueada, mas sacudiu os ombros.

— Tudo bem. Amai, nós estamos indo lá. — avisou para a azulada que em resposta sorriu largamente e balançou a cabeça positivamente, se concentrando novamente.

Kirara ia na frente, empolgada porque finalmente quebraria aquele jejum forçado e Haruhi andava calmamente, indiferente até que ouviu uma voz feminina chamando seu nome e o da amiga. Ao olhar para trás viu que Alexia andava ao lado de Midorima — praticamente o arrastando — com um sorriso aberto, como sempre.

— Alexia. — a Yoshida cumprimentou com um discreto sorriso e olhou Shintarou, que apenas maneou com a cabeça e ela fez o mesmo.

— Estamos indo comer alguma coisa. — a loura comentou, cutucando o rapaz ao seu lado que rolou os olhos nas órbitas e Kirara sorriu de canto, olhando Haruhi como se falasse “Não sou só eu quem sente fome”.

— Nós também. — a Imayoshi respondeu. Estavam passando pelo jardim do local, o primeiro ambiente que se via ao entrar ali. O vento levemente contínuo balançava os galhos das sakuras sem flores, roupas e cabelos, mas não havia nada de diferente.

— Vamos na confeitaria aqui do lado. — Haruhi especificou. Já chegavam na porta e provavelmente iam se separar quando Alexia praticamente correu até o meio das duas japonesas, com um largo sorriso zombeteiro.

— Midorima quer perguntar uma coisa pra vocês! Mas sabe como são esses tsunderes, tsh... — a Zenari soltou com uma risada sonora logo depois e Kirara olhou para trás, arqueando uma das sobrancelhas, confusa com o que seria. Ao fitar os dois beem mais altos por cima dos ombros viu a expressão indignada do esverdeado e a sádica da estrangeira.

— O que foi? — Kirara perguntou. Hailey lhe contara o que aconteceu por mensagens, já que não haviam se encontrado depois do ocorrido de sexta, mas a acastanhada sabia que fora Midorima quem atendera a amiga no hospital. E pela cara de Alexia, de algum jeito, ela também sabia. Shintarou encarou a Imayoshi com uma expressão revoltada, mas na verdade ele não sabia bem como formular à frase. Os quatro já tinham parado de andar aquela altura. A loura bufou.

— Ele quer saber se a Hailey tá de rabo quieto, basicamente. — a italiana perguntou, já colocando uma das mãos na abertura do portão e fazendo menção de abri-lo. Mas só depois da resposta da acastanhada, claro.

— A-anh…? — Kirara estranhou a pergunta no primeiro momento e fitou Midorima, que ajeitava os óculos com o dedo médio. Por um segundo, um sorriso malicioso dançou nos lábios coloridos em escarlate da baixinha. — Olha… É a Hailey, né. Até que ela tá quieta. — respondeu normalmente, balançando os ombros.

— Mas tenho certeza que a irmã mais velha dela está a cuidando e controlando muito bem. Semana que vem ela já virá para o asilo de novo. — Haruhi comentou enquanto Alexia sorria maliciosa e Midorima tentava não olhar para nenhuma delas, envergonhado.

— Pronto, agora ele está feliz. Obrigada meninas, bom almoço. — Alexia respondeu rindo da cara do esverdeado, abrindo o portão e deixando que as jornalistas saírem.

Haruhi e Kirara viraram para esquerda enquanto Alexia e Midorima forma para a direita. Assim que as duas deram alguns passos puderam escutar a voz grossa de Shintarou, provavelmente dando uma bronca em Alexia.

— Você vai contar isso pra Hailey? — a Yoshida perguntou depois de soltar uma risada discreta, ajeitando os cabelos compridos e soltos dessa vez.

— Já estou contando. — a Imayoshi sorriu maliciosa, rindo sarcasticamente e sacando o celular do bolso da calça escura, balançando a cabeça negativamente.

Foram só alguns passos até que chegaram na frente da confeitaria Sweet Nerume. A frente da mesma era composta por uma vitrine, com vários bolos e doces expostos e um adesivo com o logo da loja mais acima dos mesmos. Os olhos de Kirara até brilharam e ela correu até a porta, em contrastes de detalhe de madeira e vidro.

Assim que a abriu uma delicada sineta anunciou sua entrada no largo espaço quadrado, com diversas mesas e cadeiras onde haviam algumas pessoas já tomando café da manhã e mais ao fundo um balcão com vários tipos de guloseimas expostas, Haruhi estava logo atrás, divertindo-se com sua reação de criança. Da porta que ficava atrás do balcão o rapaz surgiu, segurando uma bandeja de redonda de cupcakes decorados. Kirara saltou em direção ao mesmo.

— Bom dia. — o dono desejou. A Imayoshi estranharia a altura dele se fosse a primeira vez tivesse o visto, mas já não era a de hoje que visitava a confeitaria. Apenas se aproximou do balcão.

— Isso parece boom! — a acastanhada falou com os olhos brilhando, nem mesmo respondendo o cumprimento do homem.

Até estranhou o fato de Haruhi ter ficado tão quieta ao cumprimento do homem, mas estava muito concentada nos doces para prestar atenção nisso. O que não podia imaginar era o fato da Yoshida sar praticamente abobalhada com o rapaz. Ou até podia… Ao ver de Haruhi, ele era alto… Tão alto! Balançou a cabeça levemente, querendo afastar os pensamentos que diziam que além de alto, ele era muito bonito. E seus cabelos lisos em tom de lilás, presos de forma desgrenhada com pontas indo até seu queixo eram tão charmosos combinados com os olhos do mesmo tom…

— Não vai querer nada, Haruhi? — Kirara perguntou lhe cutucando com o cotovelo como se fizesse o favor de a tirar daquele transe infantil.

— E-er…. Não, Kira. Estou sem fome. — respondeu com um discreto sorriso de canto, como se a agradecesse. O rapaz que tinha certamente mais de dois metros estava a frente de ambas, e arqueou uma das sobrancelhas ao escutar aquilo.

— Por que não leva um dos meus cupcakes por conta da casa? Tenho certeza que vai gostar e querer voltar mais vezes. — ele intrometeu-se na conversa das duas, oferecendo o doce para Haruhi.

Por um segundo a Yoshida ficou sem saber o que fazer, o olhando surpresa e com os olhos levemente arregalados. Mas logo sorriu e pegou o que ele lhe dava, olhando para o crachá em seu uniforme.

— Obrigada, Murasakibara.

~x~

— Milenny? — Kirara perguntou ao ver a ruiva de cabelos curtos se aproximando ao lado de Hailey. Essa ainda mancava um pouco, mas conseguia andar sem muitos problemas e tentava não se apoiar muito em nada, mas acabou sentando-se assim que parou ao lado do banco. Estavam no jardim do local, Amai fora chamar o senhor Suzuki, já que as garotas queriam conversar com ele.

— Pois é, hah… É que alguém levou uns pontos na carteira, sabe. — a La Freour olhou para a irmã mais nova que olhou para o horizonte, como se não fosse consigo. — Que somando com mais pontos de carnavais passados, teve a carteira suspensa. — suspirou e coçou a nuca, dando de ombros. — E também estava curiosa para saber o que vocês estão fazendo pro TCC, quem sabe não posso ajudá-las? — sorriu gentilmente para as duas futuras colegas de trabalho.

— Seria ótimo ter a opinião de alguém já formado e profissional. — Haruhi sorriu de volta e a mulher sentou ao seu lado. — O que você fez no seu teste, Milenny? — perguntou curiosa, afinal, a francesa não tinha se formado há muito tempo e seria com certeza de grande ajuda.

— Ah, eu lembro como eu fiquei louca! — comentou, rindo baixo e pegando o celular do bolso para mostrar algumas fotos para a estudante. Enquanto conversavam que Hailey notou uma presença delicada se aproximando rapidamente e apertou os olhos vermelhos, querendo ver melhor quem era.

— Amai? — perguntou confusa pelo fato da baixinha estar correndo, arqueando uma das sobrancelhas. Ela já estava a frente delas e a expressão desesperada era assustadora, com a respiração descompassada enquanto deixava ambas as mãos acima dos lábios. O perfume refrescante que ela trouxe, ao mesmo tempo se misturou com um cheiro estranho… Um cheiro de queimado.

— E-está pegando fogo! — praticamente gritou em desespero, apontando para o último chalé do local que ficava a frente de um espaço arborizado. Era ali onde ficava a cozinha. Uma fumaça preta já subia do mesmo e algumas labaredas podiam ser vistas saindo da janela aberta e ameaçando se aproximar das árvores.

— Meu Deus! — Haruhi murmurou, já se levantando e pegando o celular para ligar para a emergência. — Amai, senta aqui, se acalma! — apontou para a parte do banco ao seu lado e a garota se sentou, um tanto em choque.

— Quem está lá? — Kirara perguntou, já em pé com Hailey ao seu lado e Milenny se sentou do outro lado da Shirubako, tentando acalmá-la.

— O Midorima e o Daisuke… Eles acham que tem alguém lá dentro! — respondeu um tanto horrorizada apenas de pensar nessa possibilidade. As duas em pé arregalaram os olhos e foram até o local, mesmo que Hailey sentisse uma dor insistente em sua perna por estar correndo. Nem sabiam bem o que deviam fazer, mas também não queriam ficar sentadas esperando. Haruhi conseguiu falar com os bombeiros e Milenny acalmava Amai.

Quando a Imayoshi e a La Freour chegaram na porta do chalé, não havia ninguém ali. Nem Midorime e nem Daisuke. Ambas se entreolharam, assustadas e com o horrível cheiro da fumaça preta no ar, mesmo que estivessem um tanto afastadas do núcleo do incêndio.

— Será que eles entraram? — Hailey perguntou preocupada, franzindo o cenho e observando a porta de madeira aberta.

— Só se eles forem loucos! — Kirara retrucou arqueando uma das sobrancelhas para a ruiva que sorriu sarcástica.

— Mas e se eles não entraram e tem alguém lá? — a La Freour perguntou mais pra si mesma do que para a acastanhada e o sorriso desapareceu dando lugar a uma feição séria e preocupada. Sem pensar duas vezes, ignorou sua perna dolorida e disparou em direção ao chalé, largando a jaqueta preta que usava na grama por saber que não precisaria dela para se aquecer.

— HAILEY! VOCÊ TÁ LOUCA? E SUA PERNA? SAI DAI! — Kirara gritou tentando segurá-la, mas ela já estava lá dentro. Correu até a porta do lugar, mas antes que conseguisse chegar na mesma a amiga a bateu, e quando tentou abri-la percebeu que estava trancada. — SUA IDIOTA, QUER MORRER? — gritou de novo. Sabia que ela lhe escutaria, mas sabia que não tinha muita diferença.

Dentro do chalé, a única coisa que Hailey tentava era manter o braço a frente do nariz para evitar que inalasse fumaça demais. Para piorar, além de bem amplo o local também tinha dois andares, então saiu correndo, subindo as escadas e abrindo cada porta que aparecia em sua frente, mas a partir da segunda porta faltava um pedaço grande do assoalho — esse provavelmente tinha sido danificada com o fogo que já alcançava aquela parte do lugar.

— TEM ALGUÉM AQUI?! — gritava quando seus olhos lacrimejavam demais e não conseguia enxergar direito. Não demorou muito para que começasse a tossir e perceber que não tinha ninguém na parte de cima do prédio. Então correu para baixo, tomando cuidado para não acabar tropeçando e caindo na escada.

No andar debaixo havia uma única porta ainda fechada e dessa jorrava fumaça. Provavelmente era ali que o incêndio se concentrava, então correu para a mesma e respirou fundo. Por dentro, morria de medo de abrir a porta e o fogo se alastrar, mas então ouviu baixos gemidos de dentro do cômodo, intercalados com fortes tosses. Tinha alguém ali! Empurrou a porta sem pensar duas vezes e deu de cara com ele.

— V-você? — só perguntou isso, mas ao sentir a quantidade de fumaça que inalara apenas com uma palavra balançou a cabeça e suas tosses ficaram mais intensas. Assim como a dor em sua perna, que já se tornava praticamente insuportável.

Mas não importava se era Yoshio Akashi no chão agonizando, nem como diabos ele havia parado ali. Talvez aquele velho fosse um grande filho da puta, mas não iria sair dali sem ele. Ouviu um estrondo num dos cantos da cozinha e viu que uma parte do teto se espatifara no chão, o que lhe fez arregalar os olhos e correr até o velho antes que o fogo resolvesse entrar no caminho que devia fazer para chegar nele.

Mas como ia carregá-lo, sendo que ao menos conseguia aguentar o peso de suas pernas?

Deu uma olhada em Yoshio e viu que havia uma queimadura feia em seu braço. Pensou em alguma coisa que poderia usar para estancar aquilo, mas a única coisa que tinha no momento eram roupas. Acabou por rasgar a parte de sua blusa e amarrou-a forte no antebraço dele, qu gemeu. Podia ser dolorido, mas bom… Era pro bem dele.

Se agachou ao lado do Akashi e passou o braço dele por seus ombros, mas quando tentou levantar, gritou e caiu de novo. Provavelmente tinha estourado alguns pontos com aquele esforço. Acabou olhando para o teto e viu que uma viga de madeira bambeava um pouco a sua frente. Se não saísse dali antes que aquela viga caísse, provavelmente não saíria mais.

~x~

— Como assim, a Hailey está lá dentro? — o esverdeado praticamente gritou, arregalando os olhos para Kirara e arqueando uma das sobrancelhas.

— Ela entrou e trancou a porta pra que eu não entrasse também! — a acastanhada respondeu. Daisuke arregalou os olhos e já fazia menção de correr até o chalé, mas Midorima ajeitou os óculos negros no nariz e colocou o braço em sua frente, o impedindo de andar.

— Eu vou. — murmurou, já voltando a andar e indo até a porta do local. Tentou abri-la, mas estava realmente trancada. Então pegou um pouco de distância e saiu correndo na direção dela, batendo fortemente com seu ombro na mesma e arrombando-a. Ele não se importou com a dor que sentiu. Olhou para escada que já se despedaçava e torceu para a ruiva não estar lá em cima.

Daisuke xingou Midorima baixo e foi atrás, não aceitaria ficar de braços cruzados assistindo a cena. O fogo já ameaçava se alastrar por todo o andar, mas ele havia tomado primeiro o segundo.

— Hailey? — Shintarou chamou um tanto alto, enquanto andava de forma cautelosa e observava todos os lugares que conseguia para ver se conseguia achá-la. — Hailey?! — chamou um tanto mais alto.

Na cozinha dentre as chamas, era um tanto difícil escutar qualquer coisa concentrada em tentar ter forças para levantar-se. Mas ouviu uma voz chamando seu nome, a voz dele. Arregalou os olhos, não acreditando que poderia ser o rapaz. Até mesmo pensou que era sua imaginação, mas sendo ou não, não deixaria de responder. Olhou para cima de novo e viu que a madeira estava cada vez mais solta e ameaçando cair.

— AQUI! ESTOU AQUI! — gritou com todo o ar que tinha lhe restando, chacoalhando Akashi para que ele não perdesse a consciência.

Midorima arregalou os olhos e correu até a cozinha, encontrando a ruiva e o senhor num canto do local. Balançou a cabeça negativamente e por sorte Daisuke estava junto, portanto assim que correu até os dois e pegou Hailey nos braços, o Sora correu e apoiou o Akashi em seus ombros, saindo com ele antes do Shintarou.

— A viga… — Hailey murmurou de olhos arregalados. Naquele ângulo, sendo segurada por Midorima, por mais que suas bochechas estivessem vermelhas por isso e ele achasse que fosse por causa da situação, conseguia prestar atenção na madeira que estava bem acima de si e dele. E a tal estava caindo naquele segundo.

Midorima olhou para cima e a viu caindo. Apertou Hailey nos braços, arregalando os olhos e por sorte conseguiu correr no tempo da viga cair e suspirou aliviado, correndo até a parte de fora do chalé. Quando finalmente chegou nessa, a La Freour apenas soltou um pequeno sorriso e fechou os olhos, desmaiada pela fumaça tóxica. A situação do Akashi não era muito melhor, ele também havia perdido a consciência.

Nesse tempo Milenny e Haruhi acabaram chegando, haviam deixado Amai com Alexia esperando os bombeiros no portão. Milenny arregalou os olhos ao ver a irmã naquela situação, olhando para a mesma com as iris vermelhas arregaladas.

— O que aconteceu…? — balbuciou, com a voz um tanto embargada de preocupação com a irmã mais nova. Kirara não tinha tido tempo de explicar. — H-Hailey?!

— Calma… Ela está bem, só precisa ir pro hospital agora. — Midorima respondeu, ainda com a ruiva nos braços e não fazendo menção de soltá-la.

— A ambulância e os bombeiros já estão vindo. — Haruhi comentou e ao fundo escutaram o barulho da sirene, avisando que ela estava certa.

Mas não eram bem só os bombeiros que chegavam. Vinham dois. O primeiro era um homem forte, os ombros largos não conseguiam ser disfarçados nem mesmo pelo uniforme amarelo com camisa negra e alto, com os cabelos vermelhos curtos bagunçados esvoaçando porque corria até o lugar e os olhos vermelho escuro focados no grupo de pessoas. Segurava o capacete numa das mãos e a jaqueta amarela estava amarrada na cintura.

— Kagami Taiga, segunda divisão dos bombeiros de Miyagi. — se apresentou, olhando para as duas pessoas ali desmaiadas. Mas logo seu olhar se desviou para os outros e viu uma ali quem quase não acreditou. Midorima Shintarou, seu ex colega de colégio. Sorriu de canto, mas não era hora para reencontros. — Os paramédicos já deveriam estar chegando, também. — Onde está o fogo? — perguntou.

— Não é óbvio, inteligência? — acho que não fora comentado quem era o segundo homem. Atrás de Kagami, ajeitando o quepe com uma das mãos e depois apontando para o chalé entre chamas. Era Aomine Daiki, que teria apanhado do ruivo se este não estivesse em horário de trabalho.

— Humph… — Taiga revirou os olhos nas órbitas, mas ao fazê-lo acabou parando-as naquela mulher. A moça de cabelos vermelhos e olhos iguais lhe prendeu a atenção por vários segundos por sua beleza e também pela preocupação que desferia na direção da ruiva desacordada. Eram bem parecidas, deviam ser parentes… O segundo comandante de seu esquadrão chegou e lhe fez voltar a atenção para seu trabalho. — Ficará tudo bem, vamos dar um jeito nisso. — falou de forma reconfortante, arrancando um sorriso doce de Milenny que lhe fez sorrir também.

Mas depois disso, foi obrigado a sair dali e ir ao seu trabalho.

Kirara ainda estava desnorteada com a presença daquele policial ali e ele finalmente lhe olhou, arregalando levemente os olhos, mas sorrindo maliciosamente.

— Nós encontramos de novo, hein, Imayoshi? — brincou, arqueando uma das sobrancelhas para ela, que praticamente se escondeu atrás de Haruhi.

O destino só podia estar lhe pregando peças. Pregando peças em todos ali, foi o que Kirara pensou. Mas se ela estava pensando isso agora, é porque não sabia o que ainda ia acontecer em poucas semanas.

Notas finais
Deixe seu review, me deixe feliz UAHUAHAUHA ;)