Always by your side

25 Waiting for a girl like you


Notas iniciais
Olá pessoal, trago mais um capítulo dessa história, que já se encontra na metade e está em seu momento de transição. Em alguns momentos as coisas voltam a ficar mais intensas. PS: Agradeço de coração a quem se mantem firme, lendo essa fanfic, comentando, favoritando, esperando e pedindo atualizações, mesmo com tanta demora.

— Não tem como descobrir onde esse papel foi impresso? — De sua sala, Emma escutou Mike perguntar à Graham. Desde que encontrara o bilhete, Swan estava nervosa, sentindo a bile subir e descer por sua garganta a cada minuto e a sensação de que estava sendo vigiada. Até mesmo dentro de sua sala. Tomava várias xícaras de chá para tentar se acalmar.

— Talvez esse bilhete não tenha sido para ela... — Diz Eric, tentando amenizar a situação. — Qualquer um poderia ter encontrado primeiro...

— É... — Mike concorda, dando razão ao amigo. — Não tinha o nome dela, ou de qualquer outra pessoa... — Com cuidado, sua mão coberta por uma luva de látex, pega o papel dentro do saco plástico e o analisa com cuidado, já botando em prática o que vem estudando para se tornar um bom detetive. — Poderia ser para qualquer um... — Murmura, olhando minuciosamente, cada centímetro do pedaço de folha.

— Ainda assim, não descarta a possibilidade de que alguém virá atrás dela para arrancar seu coração e fazer sei lá o que, depois. — Graham contra argumenta, irritado, mas não com os meninos e sim com o problema. — Na verdade, só piora a situação... Se não é atrás dela, é de você... — Apontou para Mike, que arregala os olhos com a possibilidade. — Ou você... — Aponta para Eric, que leva a mão ao coração, com um reflexo de proteção. — Ou eu... — Disse por fim, suspirando fundo, pegando o bilhete da mão de Mike, sem cuidado algum e lendo-o várias vezes.

•§•

— Emma? — Humbert para à porta, esperando uma resposta, que não vem. — Estou entrando. — Abre a porta por completo e entra, logo fechando-a. Aproxima-se devagar e se senta no sofá. A Sargento estava sentada em sua confortável cadeira giratória, de frente para a janela, agora com as persianas abertas, com o olhar perdido em algum ponto além.

— Você incluiu a Regina nessa ameaça? — Questiona sem se virar. Seu tom estava frio.

— Não... — Nega rapidamente, levantando-se do sofá e parando na mesa de marfim da loira. — A pessoa com certeza sabe que ela está afastada. Se esse recado foi enviado agora, sem ela presente, é porque não é para ela. — Explica, tentando convencer mais a si do que a Emma. — Mas incluímos os novos agentes, Ruby Lucas e Robin Lancaster.

— Não acho que seja para eles.

— Eu também não acredito que seja. — Sentou-se de lado na mesa, espalhando alguns papéis e pastas. — Afinal, eles acabaram de chegar. Porém, é melhor prevenir, do que remediar.

— E o novo caso que trouxeram de NYC?

— Tudo está tão corrido que eu nem tive tempo de dar atenção ainda. — Diz em tom de lamento. — Que o Brian, que já repassou para mim, ou o Carlo, o Capitão do LAPD que eles vieram, não saibam. — Deu um sorrisinho.

A sala ficou em silêncio, com apenas o barulho do ar condicionado se fazendo presente. Graham havia ido até ali para conversar com Emma sobre a ameaça que um deles tinha recebido naquela tarde. Apesar de ela estar visivelmente calma, sabia o quanto Swan tinha ficado nervosa ao ler o que tinha no papel e ter pensado que era diretamente para si. Mas ele não sabia como começar o assunto, sem que trouxesse o medo, o desespero, a pressão e o estresse de volta.

— Emma, eu...

— Não precisa se preocupar comigo... Eu já estou mais calma.

— Você tem certeza? — Humbert a viu balançar a cabeça positivamente. — OK! — Levantou-se da mesa em um pulo rápido. — Eu vou voltar para a minha sala, para as minhas pesquisas. Se você precisar de mim... Precisar de alguém para conversar... Estarei à disposição. Não hesite em me procurar...

Esperou por uma resposta, mas como não obteve, seguiu para a saída da sala.

— Uh... Emma? — Chamou já da porta e dessa vez, ela se virou para olhar. — Nós vamos encontrar essa pessoa antes que ela possa cumprir o que disse. — E sem esperar por uma resposta, bateu de leve na parede e fechou a porta, deixando a Sargento sozinha novamente.

•§•

Distraidamente, escutando e cantando baixinho, How Deep Is your love, que tocava em uma de suas estações de rádio favoritas, lembrando de certa vez quando Regina lhe cantara essa música em seu ouvido, fazendo-lhe carinhos em seu cabelo, em uma noite de vinho, pipoca e filmes, tamborilando os dedos no volante de acordo com a batida da música, na companhia de Ruby Lucas e Robin Lancaster, que observavam atentos os principais pontos de perigo do centro de Chicago, Emma passava devagar com o carro policial, pelas ruas movimentadas da cidade, parando apenas nos sinais, ou nas áreas em que o trânsito estava mais intenso.

— Há algum lugar que vocês gostariam de ir ou conhecer? — Questiona para os novos oficiais, olhando-os pelo espelho, quando para em um sinal vermelho.

Porém, antes que um dos dois pudesse responder, seu telefone celular toca.

Ela espera o sinal abrir e quando acontece, liga o alerta e para no acostamento.

— Só um minuto. — Pede aos dois, olhando-os pelo retrovisor, vendo-os assentir rapidamente. — É o Graham. — Avisa, vendo no identificador de chamada. — Oi Graham.

— Emma, preciso que você venha ao Departamento agora. Tenho algo do nosso interesse para te mostrar.

•§•

— Graham está na sala? — A Sargento questiona, logo que sai do carro e encontra Mike e Eric conversando do lado de fora.

— Está só te esperando. — Mike quem responde. — E ele quer todos nós lá. Isso inclui vocês. — Aponta para Ruby e Robin, que só observavam a interação.

— Então chega de perder tempo! — Toca no ombro do rapaz e entra no Departamento, sendo seguida por todos.

•§•

— Keith Thompson! — Humbert grita assim que vê todos entrando em sua sala. Parecia mais que ele tinha ganhado no Bingo.

— O que tem Keith Thompson? — Robin questiona, sem nada entender. Ele e Ruby haviam acabado de chegar no Departamento e não sabiam de todos os casos em andamento.

— Emma? — Graham a questiona, como um pedido de adivinhação.

— Ele é o remetente do bilhete? — Essa história não saia de sua cabeça. Estava claro que seria a primeira coisa a chutar.

— Ele não só é o remetente do bilhete, como também, pode estar por trás de todas as mortes em que as vítimas foram encontradas sem o coração, e... — Para propositalmente, para fazer um suspense.

— E o que? — Indaga irritada com a pausa dele.

— Foi ele quem mandou um de seus parceiros jogar o carro contra o de Regina, naquele dia.

•§•

— Como pode ele estar preso e fazer todas essas coisas? — Questiona Ruby, após ela e Robin se inteirarem do caso, num resumo rápido, feito por Graham e Emma.

— Com certeza ele tem ajuda de dentro da polícia e do presídio. E é isso que precisamos descobrir. — Responde Graham, certo de que terá muito trabalho pela frente e que ele só está começando.

— Como você conseguiu chegar a todas essas descobertas? — Pergunta Emma, curiosa e intrigada. Não via o chefe falar do assunto há muito tempo. Desde quando Keith tinha sido preso, mais necessariamente. — Faz tempo que não falamos desse assunto.

— Lembra-se quando, dias atrás, eu te liguei, dizendo que tinha encontrado um suspeito do acidente? — Swan assentiu rapidamente.

— Sim, você me ligou de novo, pedindo para eu ir até o Planetário, onde a história do bilhete começou e depois disso nós esquecemos esse assunto. — Responde-lhe rapidamente. — Até agora.

— Não exatamente. — Dá um sorrisinho. — Eu deixei para lá, porque descobri que tínhamos pegado o cara errado naquele dia. Mas, antes de ontem eu consegui as gravações dos estabelecimentos mais próximos onde o acidente ocorreu. Consegui chegar em um homem de 1,70 de altura, cabelos negros, pele clara, vestindo preto, com uma tatuagem de leão no pescoço, que após o acidente, correu na direção contrária a que seguia antes, e pedi as gravações dos estabelecimentos por onde ele passou em sua fuga. Conseguimos uma boa qualidade de uma imagem do seu rosto e hoje de manhã, encontramos Liam Jones, na fronteira com Indiana, fugindo com várias armas de diversos portes, muita droga e dinheiro. No interrogatório, ele confessou tudo. — Conta de uma vez, aliviado por não ter tido interrupções.

— Liam Jones? — Emma indaga retoricamente, pega totalmente de surpresa com a informação.

Killian tinha um irmão? Ele era envolvido com coisas erradas? Killian sabia? Ele também estava envolvido? Swan questionava-se mentalmente, já temendo a resposta de cada uma.

— Antes que você externe todas essas perguntas que estão em sua mente, eu já adianto que não. — Começa a dizer, como se tivesse escutando a mente da loira trabalhar. ­— Killian Jones não tem nada a ver com toda essa merda e nem ao menos sabia sobre o seu irmão.

— Ele não sabe sobre o irmão fazer parte...

— Ele não sabe da existência de Liam Jones. — Responde lhe interrompendo rapidamente, pegando-a mais uma vez de surpresa.

•§•

— Keith fugiu. — Graham grita, entrando de supetão na sala da Sargento.

— O que? — Emma deu um pulo de sua cadeira. — Como ele conseguiu? — Abre a segunda gaveta de sua mesa e pega sua arma e distintivo.

— Não sabemos ao certo, mas a suspeita é que o diretor do presídio o tenha ajudado. — Passa as mãos pelo rosto e sobe para os cabelos, deixando-as por ali. Estava estressado demais com toda essa situação. — Deve estar ganhando uma nota preta.

— Precisamos de ajuda para confrontar esse cara. Precisamos destitui-lo da posição e colocarmos alguém de confiança, que não seja comprado por dinheiro algum.

— O problema é que ele sempre foi muito competente e honesto. Todos o adoram. — Joga-se no sofá, suspirando pesadamente. — Precisamos de boas provas, se quisermos derrubar esse cara.

— Liam Jones fugiu. — Avisa Eric, entrando de repente na sala, pegando Graham e Emma de surpresa.

— Puta que pariu! — Humbert deixa escapar.

— Como isso aconteceu? — Swan questiona, temendo uma resposta desagradável envolvendo o novo policial, Robin, que chegara. Ele estava encarregado da transferência.

— Um carro apareceu na contramão, atingindo o que o novo oficial dirigia. Robin. Estávamos bem atrás e vimos tudo, porém foi tudo muito rápido. — Diz em tom de lamenta.

— Emitam um alerta. — Pede Graham, levantando-se do sofá. — Precisamos de reforços.

— Como Robin está? — Questiona, aliviada por, aparentemente, ele não ter envolvimento com a fuga.

— Levamos ele para o hospital. Está muito machucado. — Fez uma careta. — O estado dele é grave.

— Eric, peça para Ruby Lucas e Mike, junto com você, ficarem de guarda no hospital. — O homem assentiu, porém não saiu do lugar. Ainda tinha algo para dizer. — Não quero ele em perigo. — Humbert acrescentou preocupado. — Eu vou ligar para todos os hospitais da cidade, para que fiquem alerta caso Liam Jones dê entrada em algum. — Diz, já se dirigindo a porta, mas parando ao ver que Eric não se mexeu, mesmo tendo coisas a fazer. — Você não vem? — Questiona, confuso.

— Tem mais uma coisa. Ele deixou um recado.

— Quem? — A Sargento e o Capitão perguntam ao mesmo tempo.

— Keith, através de Liam Jones. — Esclarece, causando um frio de nervosismo na barriga dos outros dois. — O acidente foi apenas um susto. Um aviso de que ele ainda está por aí e não nos livramos dele. Ele está esperando o momento certo para atacar definitivamente. Está só de telespectador de toda a movimentação, observando tudo de perto, mas sem ser notado.

— Regina! — Os dois disseram ao mesmo tempo.

•§•

— Emma! — Graham grita, correndo atrás da loira, que saíra da sala em uma velocidade surpreendente, mas a Sargento nem mesmo olha para trás. — Emma Swan! — Grita novamente, finalmente a alcançando, quando a mesma para de correr para entrar em seu carro. — Para onde está indo? — Joga-se na janela do passageiro e coloca as mãos para dentro, já prevendo que ela poderia sair com o carro e lhe ignorar.

— Liam Jones e Keith Thompson fugiram. Estão por aí e precisam ser capturados. Onde mais eu estaria indo? — Questiona em tom de obviedade. Seu tom deixando claro a pouca paciência.

— Não... Emma... — Respira algumas vezes, ainda buscando o fôlego perdido há pouco. — Eles estão muito longe daqui. Não vai adiantar sairmos daqui... — Deu ênfase na última palavra e apontou para o Departamento. — Para procurá-los também... — Respira fundo. Sua respiração voltando ao normal. — Se ao menos estivéssemos por perto na hora... Você acha que eu estaria aqui, se tivesse a oportunidade de colocar as mãos nas pessoas que tentaram contra a vida de Regina?

Emma abaixa a cabeça por uns instantes, respira fundo e desliga o carro. Porém, nada diz. Apenas encosta-se na porta e olha perdidamente pela janela.

— O que podemos fazer agora é esperar que nosso pessoal ou dos Departamentos vizinhos, consigam pega-los... — Humbert desencosta-se da porta, retirando suas mãos de dentro do veículo, rapidamente o rodeia e abre a porta do lado do motorista. — E podemos ir até a casa de Regina para saber se tudo está bem. — Estende a mão e a loira, rendida, a agarra, levantando-se do acento e saindo do carro.

•§•

— O que estão fazendo aqui uma hora dessas? — Regina questiona de cenho franzido, assim que abre a porta para Emma e Graham entrarem.

— É... — Os dois gaguejam ao mesmo tempo, entrando na casa.

— Graham estava com saudade e, aproveitando que eu precisava vir buscar umas coisas aqui, trouxe-o comigo. — Emma se adianta na desculpa, lembrando do quanto Humbert é ruim nisso.

— É... — Balança a cabeça exageradamente, confirmando. — Eu não estava mais aguentando só ouvir tua voz. — Diz verdadeiramente e, segundos depois, cora, quando vê a sobrancelha de Regina arqueada, e entende que soou romântico demais.

— Sério? — Regina indaga incrédula e os dois balançam a cabeça de modo afirmativo. — Tá... — Cruza os braços. — Emma, o que veio buscar? — Questiona, semicerrando os olhos, mostrando claramente que não caíra na mentira dos dois.

— Eu vim... — Engole em seco, pensando em algo. — Eu vim buscar meu remédio para colocar no machucado. — Levantou o braço coberto pela jaqueta vermelha. — Magoei ele agora pouco... — Sorriu sem graça, torcendo para que a outra aceitasse a desculpa. Mas pela sua expressão, estava claro de que não acreditaria.

— Já faz alguns dias que você não está mais cobrindo o machucado e nem mesmo colocando o remédio, que já acabou, por ele já estar praticamente sarado, apenas dolorido.

Graham e Emma se entreolham. Humbert pedindo para contar e Swan negando.

— Ok! A parte de Emma era mentira, mas a minha era verdade. — Graham entrega, recebendo uma forte tapa da loira, que balança a cabeça negativamente. — Ai! Eu sou o seu chefe. Não pode ficar me batendo assim. — Reclama, passando a mão na parte agredida.

— A culpa é sua! — Rebate, sem nem mesmo lhe dirigir o olhar. — Regina, viemos aqui para nos certificar que estava tudo bem. — Emma diz finalmente, adentrando mais na casa e olhando tudo que é possível, atenta a qualquer movimentação estranha.

— Resumidamente... — Humbert começa a dizer, seguindo Emma e Regina e se sentando na sala, também atento a qualquer movimentação ou barulho, fora ou dentro da casa. — Descobrimos o culpado pelo seu acidente, prendemos ele e com isso descobrimos que trabalha para Keith... — Faz uma pausa, tentando se lembrar da ordem dos acontecimentos. — Recentemente, em uma cena de mais um crime daquele caso dos corações, que aliás, precisamos de um nome para esse caso... — Olha para Emma que assente rapidamente. — O bilhete que deixaram para um de nós, também foi Keith, mas ainda não temos a total certeza de que ele também está envolvido com todas as mortes, ainda estamos investigando. E hoje, apenas algumas horas atrás, Keith e Liam Jones, o responsável por jogar um carro contra o seu e confessar tudo, fugiram.

— E vocês não pretendiam me contar? — Indaga em tom claro de irritação. — Foi preciso o cara fugir?

— Só enquanto você não voltasse. — O Capitão apressou-se em dizer. — Não queríamos te preocupar. — Acrescenta, recebendo um olhar atravessado da morena.

— E vocês tem alguma pista do destinatário do bilhete?

— Estamos investigando.

— Agora viemos aqui só para saber se estava bem. — Emma se pronuncia finalmente, voltando a explicar o motivo de estarem ali. — Mas Ruby ficará aqui com você durante o dia. — Avisa. — Assim que saímos, ela chegará.

— Hm... A nova oficial... — Murmura, batendo no queixo e sorrindo. — Irei adorar passar o dia todo ao lado dela. — Diz em tom malicioso e Emma revira os olhos, no fundo, sentindo uma pontada de ciúme.

— Então... Já tomou o remédio? — Swan indagou, mudando de assunto, levantando-se do sofá e seguindo para a cozinha.

•§•

— Temos pistas de para onde Keith Thompson e Liam Jones possam ter ido. — Eric anuncia assim que Graham e Emma adentram a sala do Capitão.

— Conseguimos algumas imagens que podem nos ajudar a identificar ao menos os carros usados. — Mike explica, aproximando-se com papéis em mão. Impressões de imagens de câmeras de segurança das ruas por onde Liam Jones estava sendo levado antes da fuga e das ruas próximas ao presídio que Keith estava. — E após emitirmos o alerta aos Departamentos vizinhos, alguns oficiais que já estavam por perto do local, encontraram carros abandonados e outros dois em alta velocidade. Houve perseguição em direção a saída do Estado, mas não sabemos o resultado ainda.

— Vocês já avisaram sobre essas imagens que podem nos ajudar a identificar os carros usados? — Os dois assentem rapidamente. — Ótimo! Vamos avisar aos Estados vizinhos. — Sugere e os rapazes saem apressados da sala. — Quanto mais gente tiver atrás deles, mais rápido isso tudo acaba. — Murmura, sentando-se em sua confortável cadeira.

— Ainda temos que procurar um jeito de desmascarar o diretor do presídio. — Emma relembra. — Não vai adiantar muito, se conseguirmos prendê-lo de novo e ele for para lá...

— A não ser que consigamos uma transferência. — Diz, já pegando o telefone e discando alguns números.

— No fim disso tudo, seria justo você já promover os meninos. — Emma comenta, dirigindo-se a saída da sala e deixando o outro a sós.

•§•

— Chegamos em alguém. — Mike diz todo animado ao entrar na sala do chefe.

— Jason Burkart, mais conhecido como Pequeno João. — Eric anuncia, também animado.

— Pequeno João? — Franze o cenho. — Tem fotos dele aí? — Eric se aproximou, jogando algumas folhas em cima de sua mesa. — Eu conheço esse cara... — Olha bem para a foto do homem e fecha os olhos por um instante. — Ele já trabalhou para a polícia, mas foi expulso por corrupção. Mas tudo ficou por debaixo dos panos, para não atrair escândalos.

— Vamos interroga-lo agora. — Disse Mike. — O senhor gostaria de vir?

— Não perderia isso por nada. — Rebate em tom irritado, desligando a tela do computador e saindo da sala junto com os dois oficiais.

•§•

Era noite de sexta-feira. As ruas de Chicago estavam mais cheias que de costume, pois haveria uma grande festa de comemoração por algo que Swan não sabia, e depois, apresentação de algumas bandas locais, no centro da cidade.

Escutando Foreigner e cantando baixinho, Emma seguia ao encontro de Killian, lembrando-se da última vez que escura aquela música, alguns meses atrás, quando foram até San Diego comemorar mais um aniversário de Cora Mills, antes de muita coisa acontecer.

— Se sua mãe ver você comendo os doces antes de cantarmos parabéns, você vai apanhar até amanhã. — Emma sussurra para a amiga, que estava empenhada demais em comer os bem-casados e surpresas de uva. Ao fundo, escolhido por Regina e Henry, tocava Waiting for a girl like you de Foreigner.

— Ela só vai saber se alguém... — Sua fala é interrompida por uma Cora furiosa aparecendo em seu campo de visão. — Oi mãe! — Fala sem graça, tentando esconder os doces.

— Regina Mills, eu não acredito que você está comendo os doces todos, menina! — Coloca a mão na cintura e bate um pé no chão, demostrando toda a sua irritação. Regina já sabendo o que aquilo significava, enfia os últimos doces roubados e corre, desaparecendo de suas vistas. — Pode correr. — Devagar, com toda a calma, começou a andar em direção ao corredor que Regina correra. — Eu vou achar você. E quando achar, só pararei de bater quando minha mão estiver cansada. Mas ainda assim, pegarei uma sandália. — Gritou, vendo Emma gargalhar. — Do que está rindo, Emma? — A loira engoliu o riso no mesmo instante. — Pare de rir e me ajude a pegá-la. Agora! — Ordenou irritada.

— Sim senhora! — Rebateu assustada, também correndo.

As lembranças do momento fazem Emma gargalhar sozinha dentro do carro. Olha por alguns instantes para o banco onde sua parceira costuma se sentar, sentindo saudade da mesma e as lembranças de outro momento, ainda do mesmo dia, invadem sua mente novamente.

Ao fundo, podia-se ouvir Waiting for a girl like you, repetindo mais uma vez naquela tarde.

— Acho que sua mãe já cansou de te procurar. Vamos sair. A festa já vai começar. — Tenta abrir a porta, mas é impedida pela mão da amiga.

Ao se virar e olhar para a mesma, para questionar o motivo do impedimento, encontra-a lhe encarando intensamente.

— Regina? — Chama-a franzindo o cenho.

So long, I've been looking too hard — Por tanto tempo, tenho procurado tanto
I've been waiting too long — Estou esperando há tanto tempo
Sometimes I don't know what I will find — Às vezes não sei o que vou achar
I only know it's a matter of time — Só sei que é questão de tempo
When you love someone — Quando você ama alguém
When you love someone — Quando você ama alguém

E sem dar uma palavra, Mills puxa a loira devagar ao seu encontro e a abraça, iniciando uma dança calma, de acordo com o ritmo da música. Emma não questionou. Deixou-se levar.

It feels so right, so warm and true — Parece tão certo, tão verdadeiro
I need to know if you feel it too — Preciso saber se você sente isso também
Maybe I'm wrong, — Talvez eu esteja errado
Won't you tell me if I'm coming on too Strong — Você me diria se eu estivesse forçando a barra
This heart of mine has been hurt before, — Esse meu coração já foi machucado antes
This time I wanna be sure — Dessa vez quero ter certeza

Rodando no quarto, balançando-se devagar, caem na cama, com Regina por cima da loira, que a olha intensamente, como se estivesse enfeitiçada. Regina aproxima seu rosto do ouvido da outra e junto com a música, canta sussurrante:

I've been waiting for a girl like you to come into my life — Estava esperando por uma garota como você entrar na minha vida
I've been waiting for a girl like you, whom love I will survive — Estava esperando por uma garota como você, a cujo amor irei sobreviver
I've been waiting, someone new to make me feel alive — Estava esperando, alguém novo para me fazer sentir vivo
Yeah, waiting for a girl like you to come into my life — Sim, esperando por uma garota como você entrar na minha vida

Embaladas pelo momento, começam a se beijar lentamente, até que Regina para e, olhando intensamente para a outra, continua a cantar:

You're so good, when we make love it's understood — Você é tão boa, quando fazemos amor pode-se entender

Mas Emma não a deixa continuar cantando, apesar de estar gostando de ouvir as declarações, pegando impulso, empurra-a na cama e sobe em seu corpo, atacando seus lábios novamente, dessa vez com mais vontade do que antes, arrancando gemidos baixos da parceira, ao morder seus lábios e chupar sua língua.

Enquanto as pessoas que estavam fora daquele quarto, tiravam suas roupas para entrarem na piscina, para acalmarem o calor que sentiam, Emma e Regina tiravam suas roupas por causa da alta temperatura que seus corpos estavam alcançando naquele momento, que elas não tinham intenção alguma de abaixar.

Naquele momento, as duas mulheres não transavam apenas. Não tentavam saciar apenas o desejo carnal.

Elas faziam amor.

Entregando-se totalmente uma à outra, tentavam saciar o desejo da alma. O desejo de serem verdadeiramente amadas.

Desde então, Emma tem evitado escutar aquela música. Principalmente depois dos últimos acontecimentos, que acarretaram no afastamento das duas.

Estava sendo difícil escutar agora e segurar as lembranças e as lágrimas. Mas ela precisava fazer, por mais difícil que fosse, precisava fazer, pois já havia estacionado o carro e em poucos minutos encontraria Killian, que já lhe esperava para assistirem as apresentações das bandas locais. Não podia encontra-lo com o nariz vermelho, denunciando um choro.

Então, respirando fundo e desligando o som do carro, acabando com a tortura em forma de lembrança, Emma sai do veículo, tranca-o, e mesmo tendo perdido toda a animação de estar ali, desejando estar em casa, cuidando da segurança de Regina no lugar de Ruby, que fazia uma extra, seguiu ao encontro do seu novo amigo, o Chefe do Corpo de Bombeiro.

Notas finais
Espero que tenham curtido mais um capítulo de Always. Reclamações? Sugestões? Elogios? Deixem-me saber o que estão pensando :) Para quem vocês acham que era o bilhete? Robin realmente é inocente nessa fulga? E essa descoberta sobre o irmão de Killian? Playlist: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/0fYkStFF87wiVVR4zoHTFH PS: Essa lembrança da Emma foi antes da viagem delas para Detroit e depois daquela situação com Keith na casa da Emma.