Always by your side

38 Please forgive me


Notas iniciais
Olá! :D

Com passos lentos e silenciosos, temendo fazer barulho e incômodo para Graham, Emma, Ruby, Robin e Mike entram no quarto de UTI que o Capitão já estava há alguns dias, desde a suspensão de sedações. Sentindo a presença dos amigos, Humbert abre minimamente os olhos e dá um sorriso. Emma sente vontade de correr e lhe abraçar, mas se contem. Graham estava muito debilitado ainda e ela poderia acabar o machucando.

Ao ver os amigos do filho entrando, a mãe de Humbert se levanta da poltrona e segue para a porta, pretendendo deixá-los mais à vontade. Cumprimenta os quatro, que respondem com um sorriso, e sai, fechando a porta em seguida.

― Ei... ― A Sargento murmura, encostando-se à cama.

― Ei... ― Ele responde com dificuldade, abrindo um sorriso, procurando a mão da loira em cima do colchão e a apertando. ― O que aconteceu com o seu braço? ― Sua voz sai baixa e rouca, mas a Sargento e os outros conseguem lhe entender.

― Longa história... ― Swan responde simplesmente e Graham arqueia a sobrancelha, curioso. Emma dá um sorrisinho e ele eleva sua mão até a bochecha dela, apertando.

― Regina...? ― Pergunta, estranhando a ausência da morena e Emma fica tensa. Olha para Ruby, que estava mais atrás, e pede com o olhar, que Lucas conte o que aconteceu. A morena de mechas ruivas assente e se move, indo para o outro lado da cama.

― Capitão... ― Cumprimenta-o e ele a responde com um manear de cabeça. ― Bem, a Sargento sofreu um acidente ontem, durante uma missão. ― Conta, preferindo ocultar todos os detalhes para preservar a saúde do homem. Uma alteração ali, com ele em estado delicado, seria um problema.

― Isso explica o meu braço. ― Emma comenta, levantando-o rapidamente.

― Mas ela está bem? ― Pregunta apreensivo e tenta se levantar, esquecendo-se de seu estado e das recomendações feitas antes de receber as visitas, sobre não se mexer tanto e nem fazer esforço, mas solta um gemido de dor e cai na cama novamente.

― Graham, por favor, fica calmo... ― Swan pede, preocupada, segurando em seu ombro, pretendendo impedi-lo se fosse tentar se levantar novamente. Em seguida, olha rapidamente para Ruby, pedindo silenciosamente para responder e a morena de mechas ruivas assente. ― Você sabe como esses médicos demoram para dar uma notícia... ― Revira os olhos, pensando no quanto essa infeliz verdade lhe irrita. ― Mas assim que soubermos de alguma coisa, nós dizemos para você. ― Garante.

― E o Eric? ― Pergunta diretamente para Mike, que se aproxima mais da cama.

― O Eric também sofreu um acidente. ― Responde com pesar. ― Mas ele já está bem. ― Esclarece rapidamente, em tom aliviado. ― Inclusive, assim que saímos daqui, iremos visita-lo.

― O que aconteceu? ― Indaga, estranhando todos esses acidentes.

― Pegamos o Keith Thompson... ― Robin é quem responde, entrando na conversa. Graham arregala os olhos, surpreso, e depois abre um enorme sorriso. ― Aconteceram muitas coisas em sua ausência, Capitão. ― Acrescenta, sorrindo também. Seu telefone toca e ele pede licença para atender, afastando-se um pouco do grupo. Minutos depois, encerra a ligação e volta para perto dos outros. ― Eu tenho mais uma notícia. ― Anuncia, tendo a atenção de todos para si. ― O Capitão Brian acabou de me informar que Keith e os seus soldados já estão sob responsabilidade do FBI, no escritório deles em Nova Iorque.

― FBI? ― Graham questiona, franzindo o cenho.

― Como foi dito: muita coisa aconteceu em sua ausência, Capitão! ― Lucas comenta, bem-humorada, e todos riem. A tensão de minutos antes, quando falavam sobre Regina, já havia ido embora para o alívio de todos.

― E vocês já podem começar a me contar tudo. ― Rebate rapidamente, causando risos pela evidente curiosidade.

Após trinta minutos, uma enfermeira retirou todos do quarto, alegando que o paciente estava cansado e precisava tomar os remédios, e eles seguiram para o quarto do Detetive Eric, que aguardava ansioso para saber como estava o Capitão e a Sargento.

•§•

Cinco dias depois.

Após sair da cirurgia, assim como Graham, Regina foi sedada para, por segurança, permanecer em coma, visando manter a segurança e o bem-estar dela, e minimizar a dor física e desconforto que poderia vir a sentir.

Desde então, todas as manhãs, antes de ir para o Departamento, o caminho de Emma tem sido o mesmo. Uma rápida visita à Regina, que estava na companhia dos pais, e uma visita à Graham.

Checando no relógio de pulso, que está atrasada, Swan se apressa, mesmo tendo praticamente só um braço, em terminar o seu café-da-manhã, praticamente engolindo o restante do seu pão com bacon e joga tudo dentro da pia, prometendo limpar quando voltar no fim do dia. Sem descansar por pelo menos cinco minutos, corre pela casa, pegando o celular, a arma e a chave do carro e logo sai, seguindo direto para o veículo pertencente a Mills, que estava em sua posse desde o acontecido. Apesar de estar com um braço imobilizado, ela conseguia guia-lo bem e com pouca dificuldade.

Após colocar o cinto de segurança e girar a chave na ignição, Swan liga o som, que tem lhe feito companhia na ausência de sua amiga durante esses dias, e Bryan Adms cantando “Please forgive me” preenche o vazio do carro, fazendo-a se lembrar da morena instantaneamente, como tem sido todos os dias. Emma fizera questão de deixar o carro exatamente como estava, não mudando nem a rádio que a amiga sempre ouvia. Até porque era a sua preferida também.

Olhando para o banco vazio ao seu lado, Swan dá um sorriso triste, relembrando alguns momentos divertidos que passaram ali, como por exemplo, o dia que Regina ficou hipnotizada olhando para uma mulher do outro lado da rua enquanto Emma reclamava do engarrafamento, e quando a loira a questionou sobre sua atenção, ela inventou que estava olhando um bêbado fazendo graça do outro lado. Quando Emma argumentou que não tinha bêbado nenhum, ela usou a desculpa que ele já tinha passado. Lembrou-se também, de quando quase causaram um acidente por brigarem feito criancinhas, dando tapinhas nas mãos igual mãe quando repreende o bebê por tocar onde não deve, por causa do rádio e no fim, levaram um monte de buzinada de motoristas irritados, porque simplesmente esqueceram que pararam quase no meio da pista. Também se lembrou de quando pregou uma peça em Regina, indo embora com o carro do posto de gasolina e a deixando para trás, fingindo que a tinha esquecido, e no dia seguinte a morena lhe devolveu, acelerando com o carro no exato momento que Emma estava entrando, fazendo assim, a loira cair sentada no chão e virar alvo de risadas em frente ao Departamento. Lembrou-se da vez que tiveram que tirar no “ímpar ou par” para ver quem ficaria no banco do carona e beberia à vontade e do dia que quase se beijaram ao som de Lionel Richie, quando Regina ainda tentava lhe seduzir.

A última lembrança fez o seu coração bater dolorido e apertado e o sorriso sumir de seus lábios. A Sargento soltou um suspiro pesado e permitiu que algumas lágrimas caíssem por seu rosto. De repente, o vibrar do seu celular e o toque de mensagem despertam-na de seus devaneios e ela se lembra que já está atrasada, então bota a primeira macha e pisa fundo no acelerador, seguindo para o hospital.

I remember the smell of your skin ― Lembro-me do cheiro da sua pele
I remember everything ― Lembro-me de tudo
I remember all your moves ― Lembro-me de todos os seus movimentos
I remember you, yeah... ― Lembro-me de você, sim...
I remember the night ― Lembro-me da noite
You know I still do! ― Você sabe que eu ainda lembro!

Minutos depois, Emma chega ao hospital. Deixa o carro na garagem reservada para oficiais e segue para a entrada. No caminho, seu celular toca e ela o atende sem olhar no identificador.

― Swan...

― Emma, sou eu, filha. ― Mary Margareth se identifica, entendendo que era certo que sua filha não tinha verificado quem estava ligando. ― Como a Regina está? ― Pergunta preocupada. ― Eu e sua avó estamos preocupadas. Você não tem nos dito muita coisa.

― Ainda está tudo na mesma, mamãe. ― Seu tom é cansado. A resposta era sempre a mesma, não só para a mãe, mas para qualquer outro que soubesse do acontecido e perguntasse. ― A Regina continua em coma, sendo monitorada 24 horas. Não há melhoras e nem pioras. É por isso que eu não tenho lhe dito muito. ― Explica, defendendo-se da repreensão implícita da mais velha. ― Como a vovó está? ― Indaga, tencionando mudar de assunto.

Emma conversa por algum tempo com a sua mãe e depois com a sua avó e quando vê os repórteres se aproximando da entrada do hospital, trata logo de se despedir e encerrar a ligação e ligar para Robin e Ruby resolverem aquele problema. Ela já tinha deixado claro que não os queria dentro dos limites do lugar, em respeito à todos os pacientes e familiares presentes, além de, é claro, querer preservar Regina, Graham, Eric e todos os outros policiais que sofreram com o atentado em frente ao Departamento. Mesmo sabendo que precisavam dá entrevistas e se pronunciarem sobre o caso, todos entraram em consenso de que não o faria por enquanto e que apenas o FBI iria falar, sem dar muitas informações, sobre Keith Thompson, Liam Jones, Jason Burkart e os outros.

Ao chegar na sala de espera, Swan toma um susto ao ver, além de Cora e Henry Mills, uma mulher desconhecida, mas que não lhe parece estranha. Busca em sua mente de onde conhece aquele rosto e sem muito esforço, consegue se lembrar.

— Enquanto você fica aí, só bebendo, eu irei aproveitar. — Mills se levantou, deixou o copo de Whisky com Swan e se encaminhou para o meio da multidão, mais necessariamente, em direção a uma loira que dançava sensualmente, encarando-a desde a última vez que ela tinha ido buscar mais bebidas.

Swan a acompanhou com os olhos, e quando viu para onde Mills se encaminhava, revirou-os e tentou olhar para o outro lado. Não queria ver Regina se agarrando com outra. Mas sua curiosidade estava matando-a por dentro, por isso, não aguentou e voltou sua visão para onde a morena tinha ido e viu Mills dançando agarrada com a loira e falando algumas coisas em seu ouvido.

— Você está com ciúmes? — Regina indagou, finalmente soltando o sorriso ao se dar conta do que poderia estar acontecendo.

Emma estava de costas para a amiga e no momento da pergunta, seu coração bateu acelerado, seu sangue gelou e ela corou, envergonhada.

— Por que eu estaria com ciúmes? — Rebateu fingindo ser uma pergunta sem importância e sem sentindo.

— Porque eu estava me agarrando com a Luz? — A morena arqueou a sobrancelha.

— Luz é o nome dela? — Regina assentiu. — Você já sabe o nome da mulher? — Sua voz denotava o ciúme, porém ela tentava a todo custo esconde-lo. — Ela é latina? — Mills assentiu novamente. — Você é rápida. — Fingiu não demonstrar importância. — Agora, vamos embora porque estou cansada. — Mudou de assunto e logo estendeu a mão para um táxi que ia passando no momento. Regina ainda chegou a sussurrar algumas vezes a palavra ‘’ciúme’’ como se fosse uma criancinha, mas com o olhar que Emma lhe lançou, ela parou.

Mas ela estava muito diferente da última e única vez que a viu naquela balada. Lembra-se muito bem que ela era loira, mas agora estava totalmente morena.

A Sargento caminha até perto de Cora, mostrando sua presença e chama a Mills mais velha em um canto mais afastado.

― O que essa mulher está fazendo aqui? ― Mesmo com dificuldade, consegue cruzar um pouco os braços na altura dos seios, tentando intimidar. Seu tom demonstrava a clara irritação. Estava se mordendo de ciúme. Perguntava-se se Regina ainda estava se envolvendo com ela e por isso estava ali.

― Ela disse que é amiga de Regina e veio lhe fazer uma visita. ― Cora lhe responde, sem entender a sua irritação e sem perceber o outro sentimento que a loira estava sentindo no momento.

― Como ela sabe que a Regina está aqui? ― Swan pergunta mais para si do que para a mais velha, direcionando a sua atenção para a mulher que conversava animadamente com Henry.

― Eu não sei... ― Cora dá de ombros, também ficando curiosa.

― Tudo bem! ― Volta sua atenção para a Mills mais velha e aperta o seu ombro. ― Eu vou falar com ela.

A Sargento caminha até os dois e toca gentilmente no ombro da, agora morena, Luz. A mulher se vira rapidamente e o sorriso que carregava nos lábios morre e dá lugar a uma expressão curiosa.

― Eu posso falar com você em particular? ― Pede gentilmente, apontando para o canto da sala e a morena assente, seguindo-a.

― Ei, eu me lembro de você. ― Luz solta assim que estão afastadas o suficiente. ― É a esquentadinha que arrastou a Regina na Boystown naquele dia. ― Dá um sorrisinho.

― Que ótimo ser relembrada por isso. ― Murmura entredentes, revirando os olhos. ― O que você está fazendo aqui? ― Pergunta sem rodeios, cruzando os braços novamente, procurando intimidar, exatamente como fez com Cora.

― Eu vim visitar a Regina. ― Rebate em tom de obviedade e Emma respira fundo, com pouca paciência.

― E como você sabia que ela estava aqui? ― Agora é a vez da morena suspirar pesadamente, também sem paciência com tanta pergunta, embora começasse a sentir que, ao menos para a Sargento, ela não era bem-vinda.

― Eu fiquei sabendo o que aconteceu em frente ao Departamento e tentei contatar Regina para saber se ela estava bem, mas só recebia caixa postal como resposta. Fiquei preocupada e fui até lá, saber pessoalmente. Não foi difícil um dos policiais que ficam na frente me dizer que ela estava aqui.

― Eu não acredito que alguém deu informação privadas sobre a Regina... ― Resmunga, balançando a cabeça negativamente, já pensando em dar uma bronca em quem fez isso. ― Se você sabe qual o estado dela, sabe que não podemos entrar no quarto, certo? ― Luz assente. ― E por que veio mesmo assim? ― A Latina aqueia a sobrancelha, achando a loira audaciosa. Quem era ela para decidir quem visitaria a morena ou não?

― Se você também sabe, por que está aqui? ― Devolve, enfrentando-a. Emma sorri de sua audácia.

― Além de sermos bastante amigas, nós somos parceiras de trabalho. ― Rebate rapidamente, dando um pequeno sorriso vitorioso. ― É claro que eu viria aqui todos os dias, independente de chegar perto ou não. ― Ainda acrescenta.

― Eu também sou amiga, afinal. É proibido vir visita-la? ― Também cruza os braços, mostrando claramente que não estava intimidada.

Antes que Emma pudesse lhe responder, seu telefone toca e ela afasta para atender. Era Brian querendo saber onde ela estava e dizendo que queria sua ajuda com algumas coisas. Apesar de estar com o braço machucado, Emma ainda estava indo trabalhar, porém não estava em campo, ficava só no escritório mesmo, ajudando Brian e outros.

Ao encerrar a ligação, Emma olha para Luz, que tinha voltado para perto dos pais de Regina novamente, e decide que não valeria o estresse. Então, guarda o celular no bolso, passa perto dos três, fala rapidamente com Henry e Cora, e segue para o corredor do quarto de Regina. Ninguém podia entrar e chegar perto da Sargento, mas com a enorme janela de vidro, era possível vê-la de longe.

Notas finais
Luz: https://twitter.com/prescottmiills/status/1039578287574532097 Graham no hospital: https://twitter.com/prescottmiills/status/1039578405807771648 Música: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/0fYkStFF87wiVVR4zoHTFH?si=QD40oLpNT0uJ5tkRaDmy9g Até o próximo, mores! :D