Always by your side
13 Oceans
Notas iniciais
Regina a encarou por segundos, que para Emma foram longos demais, sem falar nada. Estava processando o pedido da amiga.
Emma quer exclusividade.
Emma quer o seu corpo só para si.
Se aceitar, também terá o corpo da amiga só para si.
Emma Swan será só sua. De mais ninguém. Nem do cara da bochecha rosada, metido a bombeiro.
Se ela quer isso? Não existem palavras que possam descrever o quanto ela queria isso.
Ainda sem dar uma resposta, Regina se aproxima lentamente do rosto da loira, deita-a totalmente na cama, e beija-lhe a boca com vontade, indo para cima de seu corpo.
— Regina... — Emma tenta chamá-la em meio ao beijo, porém, em vão.
Quando as duas precisam de ar e Regina começa a descer os beijos pelo pescoço da loira, Emma aproveita e empurra a morena para o lado, fazendo-a parar e deitar na cama. Senta-se no colchão, cobrindo seu corpo com o lençol, e se vira para a Sargento, que a encarava.
— Você não vai me responder nada? — Questiona meio hesitante.
Regina dá um sorriso e puxa a loira para cima de si, beijando-a novamente.
Quando Emma tenta se afastar novamente da morena, ela a segura com mais força em seus braços, e sussurra em seu ouvido.
— I want you. (Eu quero você.) — Emma sorriu ao conhecer que a resposta da amiga era um trecho de “Oceans- Seafret”, música que as duas gostavam muito de ouvir e cantar. — I want you. (Eu quero você.) — Puxou o rosto da amiga para si e olhando em seus olhos continuou: — And always you. (E sempre vou querer.) — Concluiu sua resposta com um beijo lento e profundo.
— Então... — Regina a interrompe com um dedo em seus lábios.
— Sim... A resposta é sim. — Sorriu e Emma logo retribuiu.
— Então você não pode mais ficar com aquela mulher... — Regina arqueou a sobrancelha e sorriu. Suas mãos faziam carinhos nas bochechas de Emma.
— Só se você admitir o ciúme. — Pediu séria, mas no fundo, querendo sorrir da vergonha nítida nas bochechas de Swan.
— O que...? Eu... Eu não... — Regina arqueou a sobrancelha novamente. — Regina, eu não tinha ciúmes de você com ela. — Regina a encarou como quem dizia “É mesmo?” “Tem certeza?” — Tá... — Suspirou derrotada. — Eu tinha um pouco. — Regina estreitou os olhos. — Tá bom, tá bom... Eu tinha muito... Satisfeita?
— Agora sim. — Sorriu vitoriosa e a puxou para um beijo. — Você também não vai poder mais ficar com aquele cara da bochecha rosada. — Emma gargalhou ao ouvir como a morena chamara Killian.
— Cara da bochecha rosada? — Regina assentiu. — Mas eu não fiquei com ele.
— Melhor ainda. — As duas sorriram e novamente se beijaram.
Quando precisaram de ar, afastaram-se e Regina buscou a mão da loira para verificar se algo que ela dera a mesma, dias atrás, ainda se encontrava ali.
— Ainda está aqui... — Afirmou enquanto passava o dedo pela aliança que dera a ela.
— Desde o dia que você colocou ela aí que eu só tiro para tomar banho, lavar pratos, roupas...
Regina abre um largo sorriso e sem dizer mais nada, puxa-a para cima de si novamente e ataca seus lábios com vontade, beijando-a mais uma vez de forma lenta, profunda e gostosa, fazendo a loira gemer em sua boca, somente com o contato das línguas.
A noite iria ser longa...
•§•
— Como ficou sua situação com o corno de NYC? — Emma pergunta para Regina assim que ela entra em sua sala.
— Ele está no hospital. — Swan arregala os olhos, surpresa com a resposta. — Ele levantou a mão para mim e eu o ataquei. — Deu de ombros. — Disse poucas e boas, e o denunciei por ameaçar me agredir.
— O que você quebrou nele? — Deitou-se no sofá.
— Dois dedos e o punho direito. — Foi até o sofá que a loira estava, levantou suas pernas e se sentou, colocando-as em cima das suas, iniciando um carinho.
— Logo o direito? — As duas sorriram. — Espero que ele seja bom com a mão esquerda. — Murmurou bem-humorada. — E a mulher?
— Está internada num manicômio. — Suspirou.
— Ai... — Fez uma careta de dor, colocando as mãos na barriga.
— As dores ainda estão muito fortes? — Emma assentiu. — Já tomou outro remédio? — A loira negou. — Acho que já pode tomar...
— Acho que o remédio não está mais fazendo efeito. — Sussurrou com a voz fraca. — Ai... Acho que vou morrer de tanta dor.
— Acho melhor eu te levar no hospital. — Sugeriu, já se levantando do sofá e procurando a chave do carro em cima da mesa.
— Regina, é só uma cólica. — Rebateu. Trouxe os joelhos até a altura dos seios e os abraçou com força, torcendo para que aquilo ajudasse.
— De três dias seguidos e que a cada dia aumenta. — Rebateu de volta, categórica, cruzando os braços e batendo os pés, encarando a loira teimosa, que se contorcia no sofá.
— Regina... É sério... Não... — Respirou fundo sentindo uma pontada em sua barriga. — Precisa... — Sussurrou. — Como está o seu pé? Nunca mais você fez queixas... Meu lábio ainda dói do machucado, mas ao menos não ficou marcado. — Tentou desviar o assunto para que Regina esquecesse a ideia de ir ao hospital.
— Hum... Meu pé continua sensível e a cicatriz continua sumindo, mas isso você já sabe... E sobre o seu lábio... Você deu sorte de não ter ficado marca, senão teria uma também. — Apontou para a sua marca. — E deve doer porque não deve ter sarado totalmente. — Acrescentou. — Agora para de me enrolar... Vou te levar para o hospital. — Avisou.
— Já está melhorando... — Mentiu. — Não precisa mais... — Tentou sorrir, mas falhou miseravelmente ao sentir a dor mais forte.
Regina não rebateu mais. Pegou seu celular, seu casaco, o de Emma, pegou a chaves, abriu a porta da sala, e sem aviso, pegou Emma no colo, que começou a protestar, e a levou pelo Departamento até o carro.
— O que acon... — Graham tentou indagar, levantando-se assustado de sua cadeira.
— Ela não está se sentindo bem. — Interrompeu-o, respondendo rapidamente.
Ao chegar no carro, Graham que vinha atrás, abriu a porta para lhe ajudar. Regina prendeu-a com o cinto de segurança e rapidamente deu a volta no veículo. Entrou rapidamente e deu partida. Emma estava pálida.
•§•
Ao chegarem no hospital, Emma fora logo atendida. Depois de fazer alguns exames para saber se a dor provinha de causas secundárias, o que foi constatado que não, tomou um anti-inflamatório não hormonal e, duas horas depois foi liberada.
•§•
Regina estava na sacada de um prédio comercial, no centro de Chicago, olhando o fluxo dos carros e das pessoas na rua, enquanto os peritos analisavam a cena de um crime que ocorrera na sala presidencial, durante uma reunião.
Depois de liberada do hospital, Emma acabou sendo liberada por Graham também, e por isso foi para casa. Mills estava trabalhando sozinha.
Estava perdida em pensamentos, e por isso, não vira Graham se aproximar de si.
— Emma está melhor? — Sentou-se nas escadas que tinha próximo aos dois.
— Quando ela saiu do hospital estava quase dormindo por causa do remédio, e estava sem dor alguma.
— Vocês me deram um baita susto. — Sorriu e ficou em silêncio por alguns minutos, apreciando a quietude. — Se quiser, já pode ir embora daqui, quando terminarmos. — Regina desviou sua atenção dos carros e encarou-o sorrindo em agradecimento. — Você está bem? — Indagou de repente.
— Por quê? — Rebateu com outra pergunta, voltando sua atenção para a rua, as pessoas e os carros.
— Responda primeiro. — Pediu firme, levantando-se de onde estava.
— Estou... — Respondeu simplesmente, dando de ombros.
— Tem certeza? — Aproximou-se mais até parar atrás dela.
— Por quê? — Virou-se e tomou um susto ao ver o homem tão perto de si.
— Estou te achando estranha desde que chegamos aqui. — Colocou suas mãos na grade atrás da morena, fazendo-a ficar entra seus braços.
— Eu estava pensando na morte. — Graham franziu o cenho. — Amanhã é o aniversário do Daniel.
— Aquele seu amigo... — Ele não teve coragem de completar, mas Regina entendera bem. — Quando ele estava entre nós, como é que vocês comemoravam?
— Sempre viajávamos para alguma praia longe, de preferência alguma que nunca fomos, ou para uma casa de campo, presente dos nossos pais, e passávamos um final de semana no local. — Uma lágrima escorreu de seus olhos, mas ela se manteve firme, não permitindo que mais descesse. Todavia, o abraço que Graham deu em seguida acabou por fazê-la querer chorar ainda mais. E dessa vez, ela não se segurou.
— Não chora... — Pediu em um sussurro, limpando as lágrimas que molhavam o rosto de Mills. — Tenho certeza que ele não quer te ver triste, chorando pelos cantos. — Ela concordou dando um sorriso fraco. — Por que não faz uma viagem? Vai para o lugar onde vocês costumavam ir... Chama Swan para ir contigo. Eu libero a sexta e a segunda para vocês. — Sugeriu animado.
— Não sei se seria uma boa ideia... — Disse hesitante. Depois de tanto tempo, não sabia se estava preparada para voltar para lá com alguém diferente do amigo.
— Será uma boa ideia se você procurar pensar nas lembranças boas que tiveram enquanto estiver lá.
— Pode ser... — Sorriu, recompondo-se. — Obrigada pelos dias liberados.
— Então você vai? — Ela fez uma careta enquanto pensava.
— Eu vou falar com Emma. — Respondeu por fim.
— Tudo bem. — E sem aviso, puxou-a para seus braços novamente e a apertou.
No primeiro momento, Regina ficou sem reação, por ter sido pega de surpresa, mas logo cedeu e devolveu o carinho, abraçando-o forte.
Durante o abraço, Graham só por brincadeira, e para tentar arrancar sorrisos da morena, beijou delicadamente seu pescoço, uma área sensível dela, que a fez se arrepiar, e passou a se esfregar lentamente nela.
— Epa... — Falou alarmada, empurrando-o, mas ele não a soltou de imediato e deu um sorrisinho, já sabendo o que vinha a seguir. — Nem venha com esses beijos... — Afastou-se finalmente dele, que ainda sorria. — Só me arrepiei porque sou sensível nessa área... — Passou a mão no local para tentar “limpar.” — E nem venha passar essa sua coisa aí... — Apontou para as partes íntimas do homem e fez uma careta. — Mesmo que coberta, em mim. — Passou as mãos pelos braços para poder voltar ao normal. — Eu não sou chegada nisso. — Apontou novamente para o meio das pernas do homem e mais uma vez fez uma careta.
— Desculpa... — Pediu, fingindo inocência, levantando as mãos. — Eu tinha esquecido... — Tentou ser sério. — Foi força do hábito. — E então explodiu na gargalhada, fazendo Regina o acompanhar, enquanto voltavam para o trabalho, dentro da sala de reunião do prédio chique que estavam.
•§•
Ao sair do prédio onde esteve durante as duas últimas horas de trabalho, Regina decidiu que passaria na casa de Swan, para vê-la e saber se estava realmente bem, antes de ir para sua casa, descansar e repor as energias.
Ao chegar na propriedade da loira, tudo estava apagado. “Ela deve estar dormindo” pensou.
Emma sempre deixava uma chave reserva escondida atrás de um vaso de flores. Até tentou dar para Regina, mas ela não aceitou. Preferiu deixar a chave num lugar que serviria para as duas, caso fosse preciso.
Depois de entrar na casa, retirou as botas, jogou a bolsa no sofá, e foi até o quarto de Emma, encontrando-a dormindo profundamente em cima da cama.
Ao seu redor e pelo chão, tinha uma pequena bagunça de fotos, papéis, objetos e pequenas caixas de papelões.
— Ou estava relembrando algo, ou fazendo uma arrumação. — Constatou ao ver algumas fotos antigas e algumas folhas amassadas em formato de bolinhas.
Perto da pequena montanha de papéis tinha uma foto rasgada em quatro pedaços. Curiosa, Regina se aproximou e pegou a imagem.
Uma mulher de pele bastante alva e cabelos ruivos, beijava a bochecha de Emma, que estava apenas sorrindo e com um braço ao redor da mulher. Atrás das duas, Regina reconheceu como a casa da mãe de Swan.
Atrás da foto tinha algumas coisas escritas, mas Regina não conseguiu ler. Não estava entendo bem a letra.
Levantou-se deixando as partes da foto onde as encontrou e foi até o quintal, atrás de uma vassoura. Iria dar uma arrumada na bagunça que sua amiga fizera.
Quando estava passando pela cozinha e já alcançando a porta dos fundos, ouviu um barulho vindo da porta da frente. Porém não deu tempo nem de se virar para ver o que é.
Um braço peludo com um enorme facão nas mãos, pegou-a pelo pescoço e a prendeu com força, fazendo-a ficar imóvel.
A situação que se encontrava a fez se lembrar de algo que viu num dos seus filmes favoritos. E foi por se lembrar dessa cena, que ela soube o que fazer, já que estava impossível de pegar sua arma, tão perto, mas tão longe ao mesmo tempo, em seu coldre.
Rapidamente, olhando ao redor, soube bem onde estava e sorriu. Respirou fundo e com toda força possível, jogou-se para trás, empurrando o homem até a quina da parede, fazendo-o bater as costas com força, e com isso, derrubar a faca e afrouxar seu aperto no pescoço.
Sem perda de tempo, retirou sua arma do coldre e virou-se para o homem caído ao chão. Porém, antes que fizesse qualquer outra coisa, sentiu algo lhe cutucando a cabeça.
Um cano de uma arma.
Um revolver que ela conhecia muito bem. Adorava usar aquele tipo quando a sua dava problema.
Colt 1860.
Querendo saber de quem se tratava, mexeu o pé lentamente na tentativa de se virar.
— Se mexer mais um músculo sem que eu mande, desisto da ideia de tortura e mato você e a loira gostosa agora, sem chance de despedida.
Regina nada respondeu. Apenas voltou com o pé para onde estava e segurou sua arma com mais força.
— Agora, devagar, joga a arma no chão e se vire para ver quem será a última pessoa que você verá antes de morrer. — Ordenou sussurrando no ouvido na morena.
Lentamente, Regina abaixou-se e jogou a arma para longe de si.
— Muito bem... — O homem sorriu. — Agora, vire-se lentamente. — E assim ela fez, dando de cara com o homem, porém não visualizando seu rosto. Ele estava mascarado. Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, o homem retirou o pano que cobria seu rosto e sorriu, revelando assim sua identidade. — Surpresa?
E então ela reconheceu o rosto do rapaz.
O assassino do seu amigo.
O culpado por ter tirado uma das pessoas que Regina mais amava na vida.
O homem que saiu impune por ter tirado a vida de um jovem sonhador, apenas porque ele não tinha dinheiro suficiente.
O homem, que por pouco se não fosse Emma, explodiu seus miolos, na boate que estava em Nova Iorque, e que estava desaparecido em outro país, até agora.
Keith Thompson.
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