Always by your side
31 Love Hurts
Notas iniciais
Após Regina ter tido, durante o dia, alguns surtos decorrentes das lembranças do momento em que o Capitão se jogou em sua frente para salvar a sua vida entrando em choque com as lembranças do momento em que Daniel morreu em seus braços, e precisou ser sedada, deixando Emma e Ruby preocupadas, por precaução, só foi liberada quatro dias depois.
E Graham, devido ao seu estado grave, por segurança e bem-estar, a equipe médica decidiu que seria melhor aprofundar o seu coma com o uso de sedações, por tempo indeterminado.
•§•
— Você está mesmo bem? — Emma pergunta pela terceira vez, segurando no braço de Regina enquanto andavam pelo hospital. — Regina a encara, arqueando a sobrancelha, questionando com o olhar “de novo?” — Não vou te deixar sozinha, você vai para a minha casa, tudo bem? — Indaga, ignorando o olhar da outra, que assente sem protestar.
— Você sabe como Graham está?
— Nós estamos proibidas de falar sobre esse assunto, Regina. — Diz em tom cansado. Não era a primeira vez naquele dia, que ela perguntava sobre o estado de Humbert e Emma, e até a enfermeira, davam aquela resposta.
— Eu já estou bem. — Protesta e Emma revira os olhos.
— Você quer ir ao banheiro antes de irmos? — Aponta para trás, mudando de assunto, torcendo para que a morena não insista.
— Eu quero um café. — Responde, vencida. — E eu posso andar sozinha. — Murmura, parando de usar o braço da amiga como apoio.
— Para de ser chata. — A loira implica, dando um empurrãozinho em seu ombro e Regina acaba sorrindo, desfazendo a cara feia por ter sido contrariada. — Eu vou buscar o café para você. Pode me esperar enquanto eu vou no banheiro também? — Regina assente, já se afastando dela. — A Ruby está lá na frente. — Avisa, e sem olhar para trás, Regina levanta o polegar. Emma dá um sorrisinho e faz o caminho contrário, quase correndo em direção ao banheiro.
•§•
— Eu não acho uma boa ideia você ir visita-lo. — Emma diz, sentando-se no sofá. Todos os dias, assim que acordavam, antes mesmo de tomarem o café da manhã, Regina fazia o mesmo pedido: Ir visitar o Graham. A resposta para esse pedido era sempre a mesma.
— Já faz uma semana que eu saí do hospital, quase duas que tudo aconteceu, e eu não estou mais aguentando ficar em casa sem fazer nada e sem saber como ele está. — Joga-se no sofá, irritada.
— Sei que é uma droga, as duas coisas, mas são ordens médicas e eu só estou seguindo-as, eu sinto muito. — Toca no ombro da morena e aperta, tentando consola-la e convence-la.
Regina suspira pesadamente, passando as mãos pelo rosto e pelo cabelo.
— Eu já estou bem, Emma... — Murmura em tom cansado. Nos últimos dias, foi o que mais disse. — Por favor. — Junta as mãos na altura do peito e faz a famosa cara de cachorrinho pidão. Não era a primeira vez que a usava para conseguir alguma coisa da amiga.
— Você está apelando! — Cruza os braços, fazendo bico.
— E você está caindo! — Emma arqueia a sobrancelha e semicerra os olhos. — Eu sei que está considerando.
— Regina... — Balança a cabeça negativamente, esfregando o rosto de modo agoniado. — É complicado. Você entrou em choque quando tudo aconteceu, surtou várias vezes no hospital... — Diz em tom desesperado, ajoelhando-se em sua frente e segurando sua mão. — Olha, eu não estou querendo ser chata. Eu também quero ir vê-lo, também quero ver com os meus próprios olhos, como ele está. Não aguento mais saber tudo por telefone, mas eu tenho medo. Tenho medo de você ficar mal de novo, de ter um surto novamente, entende?
A Sargento balança a cabeça, compreensiva. Ela realmente entendia o medo e a preocupação de Emma. Tinha certeza que se fosse o contrário, estaria do mesmo jeito, ou pior.
— Eu só comecei a ir ao túmulo do Daniel, um ano depois...
— Viu? — Rebate, como quem diz “eu tenho razão em não te deixar ir”. — Não faz nem um mês que tudo aconteceu e você já quer ir lá, tocar na ferida. — Levanta-se e começa a andar de um lado para o outro. Nervosa. — Você não está pronta ainda, Regina.
— Eu não sou mais aquela Regina, Swan. — Suspira pesadamente. Também se levanta e a alcança, segurando-a pelos braços e virando-a para si. — Acredite em mim. — Suplica, quase em um sussurro. — Uma semana atrás eu não estava mesmo bem, eu estava mentindo, mas agora eu estou. De verdade. — Fala com firmeza. — Eu estou pronta, Emma. — Repete, sem palpitar, tentando passar credibilidade.
— Como eu posso ter certeza de que não está mentindo agora?
— Eu não estou. — Garante, olhando fundo nos verdes.
Emma a encara por alguns segundos e sem pensar muito, afasta-se em silêncio e pega a chave do carro. Minutos depois, já estavam no carro da loira, ao som de Nazareth, seguindo para o Roseland, onde Graham ainda se encontrava em estado crítico.
— Se eu receber um puxão de orelha, eu vou jogar a culpa toda em cima de você. — Emma avisa, brincando, apesar de estar bem séria.
Ao descerem do carro e se encaminharem para a entrada do hospital, uma multidão de repórteres sedentos abordam as Sargentos.
Regina fecha logo a cara e sai cortando a multidão como um furacão, logo entrando no hospital, murmurando algumas coisas incompreensíveis, deixando bem claro que não estava afim de dar entrevistas.
— Pessoal! Não daremos nenhuma entrevista no momento. — Emma se pronuncia, mais calma e mais educada. — Peço que respeitem nossas vontades e não insistam. — Levanta o braço, pedindo passagem, e logo um caminho é formado em sua frente. — Tenham um bom dia! — E entra no hospital também, deixando os repórteres e suas perguntas para trás.
•§•
Enquanto Regina e Emma tomavam um café, as duas não tinham comido nada desde que acordaram, e os Oficiais, Ruby e Robin, conversavam amenidades em um canto mais afastado, um médico chega na sala de espera para falar com alguns familiares e é abordado pelos quatro.
O homem pede um minuto e verifica a lista de pacientes que ele é responsável.
— Sinto muito! — Lamenta, olhando em sua prancheta, procurando o nome do Capitão novamente, na esperança de que tivesse visto errado. — Ele não é meu paciente. — Informa, com pesar, soltando as folhas que levantara em busca da ficha de Humbert.
— E você não sabe quem é responsável por ele? — Robin questiona, cruzando os braços e se aproximando mais, como se tivesse intimidando-o.
— Eu vou ver o que posso fazer. — Os quatro assente a contragosto, pouco satisfeitos com a resposta, e o homem se afasta.
Após o médico falar com os familiares dos pacientes que ele cuidava, fez um sinal para o quarteto, mostrando que ainda estava lembrado de passar o recado para o médico responsável por Humbert, e sumiu pelo corredor da área restrita.
Minutos depois, outro médico apareceu, e dessa vez, ele já dizia o nome completo de Graham.
Após Robin, Ruby, Emma e Regina se apresentarem, ele diz:
— Eu sinto muito não ter vindo por aqui nas últimas horas, mas é que não temos muitas notícias.
— Mas nós podemos vê-lo? — Regina perguntou, um pouco ansiosa.
— Como vocês sabem... — Ele se referia à Lucas e Lancaster, que estavam por ali desde à noite passada. — O paciente teve uma parada cardíaca no meio da madrugada, entrou em cirurgia novamente e por segurança, nós o sedamos mais uma vez. Dessa vez, com um grau mais profundo.
— Sem visitas? — Ruby deduz e o médico assente. — Ok! Obrigada por vir aqui. — Agradece gentil, tocando no braço do homem, que lhe responde com um maneio de cabeça.
— Bem, se me dão licença... — Swan, Lucas e Lancaster assentem e o homem se afasta do grupo, voltando para o corredor que dava para a área restrita aos visitantes.
A Sargento abraça a amiga de lado, confortando-a e anda com ela para perto de uma janela com vista para a frente do hospital, cheia de repórteres e câmeras. Estava se segurando para não cair em prantos e botar tudo para fora. Mas ela precisava ser forte. Alguém tinha que ser forte pelas duas e Mills não estava em condições.
— Você sabia disso? — A Sargento pergunta à Emma, que assente com pesar, encolhendo os ombros. — Por que não me contou? — Indaga, mas para surpresa de Emma, não tinha raiva ou decepção em sua voz.
— Você sabe... Eu estava com medo. — Respira fundo, olhando pela janela para tentar afastar a vontade de chorar. — Ele vai ficar bem... — Murmura baixinho, tentando convencer mais a si do que a amiga. Ela esfrega as costas da morena, que já tinha os olhos marejados, e a abraça apertado, tentando consola-la e temendo que ela tivesse algum surto.
Emma queria realmente acreditar nas palavras de conforto que dizia para Regina, mas estava bem difícil, com tanta notícia ruim que vinha recebendo.
•§•
Após saber que não poderiam ver Graham, Emma convence Regina a ir para casa, alegando que ela precisava descansar.
Quando entram em casa, Regina se joga no sofá e Swan vai para a cozinha, preparar algo para comer.
Ao voltar para a sala com dois copos de suco de morango com leite, algo extremamente incomum, aprendido com brasileiros donos de lanchonetes da região, encontra Regina sentada no chão, com a cabeça no assento do sofá.
— Você sabe que nossas vidas vai mudar, não sabe? — Solta, ao sentir a presença da Sargento ao seu lado, sentando-se no estofado. Emma pega em sua mão e encosta o copo em seus dedos. Mills abre os olhos e o pega fazendo uma careta, questionando-se o que raios era aquilo.
— Foi algo novo que eu aprendi. — Dá de ombros. — É gostoso! — E toma um generoso gole, deliciando-se com o bom gosto.
Regina faz uma careta novamente e fecha os olhos, respira fundo e prova a invenção da amiga, surpreendendo-se com o bom gosto que sentiu. Emma deu um sorrisinho.
— O que você estava dizendo mesmo? — Pergunta irônica e Mills revira os olhos. Mesmo que ela não tivesse falado nada contra o suco, a morena sabia que ela se referia as suas caretas.
Após alguns goles, Regina quebra o silêncio.
— Nós vamos ter um novo chefe. — Fala séria, voltando ao assunto. — Não vamos mais poder trabalhar do jeito que gostamos, Emma... — Deixa seu copo de lado, e vira-se de lado, apoiando-se na perna da outra. — Com certeza, quem for ficar no lugar de Graham, vai tirar o abono que ele nos deu com muito custo...
— Ou desceremos uma posição e ficaremos de Tenente. — Opina, pensativa, tomando mais um gole do seu suco com leite. — É uma opção bem melhor do que só ficar comandando o pessoal, sem poder botar a mão na massa. — Murmura mais para si, que para a outra, que tinha um ar pensativo, avaliando a opção. — Mas, Regina, não vamos pensar nisso agora. Vamos focar na recuperação do nosso Capitão e se preocupar com o que o Prefeito vai decidir, depois. — Mills assente e deita no sofá, com a cabeça no colo da loira, que automaticamente, após colocar o seu copo vazio no chão, leva sua mão aos cabelos negros, iniciando um carinho.
As duas ficam em silêncio por algum tempo, até que Regina leva a mão ao seu cabelo e pega na mão de Emma, apenas com o propósito de fazer um carinho, e sente o frio do ouro da aliança.
— Você ainda usa... — Murmura surpresa, abrindo um sorriso, e o coração de Emma dá alguns pulos. Automaticamente, sua mente lhe leva para o dia em que aquela aliança foi posta em seu dedo.
E então as duas se encaram por algum tempo, em silêncio. Saudades de bons momentos do passado sendo gritadas com o olhar.
— Eu me acostumei a deixa-la aí. — Emma comenta, quebrando a magia do olhar e o silêncio, tentando não deixar transparecer que ficou abalada por causa da observação da outra e de suas lembranças.
— Sabe? Isso me fez lembrar que você ainda me deve uma massagem. — Levanta-se em um pulo e volta a se sentar no chão, mas dessa vez, no meio das pernas da outra.
— Eu devo? — Franze o cenho, realmente não lembrando daquela dívida.
— Sim! — Vira-se para ela, empolgada. — Quando fomos para Nova Iorque e visitamos meus pais, lembra-se? — Emma olha para o alto, de cenho franzido, e depois abre a boca, indicando que tinha se lembrado.
— Se eu não me lembro dessa dívida, não é verdade. — Finge desentendimento, segurando-se para não rir.
— Para de se fazer de beste. — Dá uma tapinha em seu joelho e Emma finge ter sentido, passando a mão no local. — Por favor? — Faz um biquinho. — Eu estou mesmo precisando de uns apertos. — Vira-se para frente e aperta seus ombros. Em seguida, procura pelas mãos de Emma, que permite serem achadas, e a coloca em seu ombro, forçando um aperto.
— Ok! Mas depois eu quero também. — Regina levanta o dedo positivo e fecha os olhos, aproveitando a mágica que as mãos da loira estavam começando a fazer em seu pescoço e ombros.
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