Always by your side
22 Feeling good
Notas iniciais
— Acho que ela está acordando. — Foi a última coisa que Regina ouviu antes de abrir os olhos e dar de cara com Graham, Emma e seus pais, observando-a atentamente.
Mas o que raios eles estão fazendo aqui? Era o que se passava na cabeça de Mills, com relação aos pais.
— Meu amor... — Cora correu para perto da cama e lhe abraçou como pôde. — Que bom que você acordou... Já estava ficando preocupada. — Afastou-se um pouco da filha e se sentou na cama, iniciando um carinho nos cabelos negros, que estavam bem bagunçados, um pouco cobertos por uma faixa.
— Sua mãe achou que tinham dado algum tipo de sonífero à você. — Disse Henry bem-humorado.
— Claro... Você passou um dia inteiro dormindo. — Defendeu-se, explicando-se para a filha. — Estou mais que certa em desconfiar de algo.
— Acho que foi só sono acumulado... — Murmurou Regina, dando um sorrisinho e olhando para Emma, que se mantinha calada mais ao canto do quarto. — O que vocês estão fazendo aqui? — Voltou sua atenção para os pais.
— Oras, você sofreu um acidente. — Cora respondeu com tom de obviedade. — Viemos aqui para ver como você está.
— Bem, eu vou deixar vocês a sós... — Graham se pronunciou antes que Regina pudesse rebater a resposta da mãe. — Depois eu volto para conversar com ela. — Aproximou-se para depositar um beijo na testa da morena e logo se afastou.
— Nós vamos te acompanhar, garoto... — Diz Cora, levantando-se da cama. — Preciso ir ao banheiro e Henry comparará umas coisas para nós. — Passou a mão em sua barriga, fazendo o marido e Humbert rirem. — Estou com fome...
— Aprendeu comigo... — Comenta Regina, fazendo os outros rirem.
— Voltamos logo. — Henry avisa, logo saindo do quarto, sendo acompanhando por Graham e Cora.
Emma observou a porta ser fechada, porém não se moveu, continuou a observa-la, enquanto Regina tentava se sentar na cama.
— Eu não sei se brigo com você, ou...
— Me perdoa... — Interrompeu-a pegando-a de surpresa.
— Regina...
— Depois que eu saí do Departamento... — Interrompeu-a novamente e Emma desistiu de falar qualquer coisa. — Depois que eu parei para pensar em tudo que você me disse, eu enxerguei o meu erro... — Fala em tom sincero. — Eu percebi que não mudaria em nada, se eu tivesse feito o que planejava... —Tirou seus olhos de Emma, que não lhe observava, e os focou no chão. — O passado não mudou... Ele não se arrependeu enquanto só conversávamos e nem o faria, se eu não tivesse sido interrompida por vocês e tivesse continuado aquela conversa da forma como eu pretendia... Eu não sairia ganhando nada... Apenas perdendo mesmo. — Faz uma pausa e respira fundo. — Eu assumo que errei... Eu não deveria ter feito o que fiz. Eu deveria ter escutado você... — Baixou a cabeça e fechou os olhos. Estava envergonhada. — Eu só estava com raiva e acabei por deixei-la agir por mim...
Apenas o barulho do ar-condicionado, era ouvido na sala. Emma se mantinha em pé, observando a porta, agora fechada. Estava imóvel.
— Talvez isso... — Murmura Regina, quebrando o silêncio, levantando o braço engessado. — Tenha sido o meu castigo pelo que fiz...
— Não diga isso... — Emma responde, repreendendo-a, e se cala.
Então mais uma vez o silêncio se faz presente, agora deixando Regina inquieta.
— Você poderia falar alguma coisa...
— Eu... — Respirou fundo. — Eu não sei bem o que dizer... — Encolheu os ombros.
— Então, diga-me apenas se me perdoa por não ter te escutado e ter seguido em frente com minhas ideias erradas, ou não... — Pediu apreensiva.
— Eu... — Coçou a cabeça e passou as mãos pelo rosto. Parecia confusa e agoniada. — Escuta... — Devagar, aproximou-se da cama e se sentou. O mais longe possível, mas sentou. — Eu estou muito decepcionada com você ainda... Foi algo que eu não esperava, vindo de você... Então me pegou bastante de surpresa... — Fez uma breve pausa. — Eu... Eu não garanto que será logo, mas esse sentimento vai passar. Posso garantir que não será para sempre que ficarei decepcionada com você. — Conclui. — Mas infelizmente, não consigo abandonar esse sentimento agora. — Regina assente cabisbaixa e compreensiva. Emma estava em seu direto. — Foi algo muito... — Interrompeu-se de falar por não ter uma palavra adequada o suficiente para descrever o acontecimento e suspirou pesadamente. — Mas agora, eu que gostaria de te pedir perdão... — Diz, pegando a morena de surpresa. — Novamente... — Acrescenta. — Eu queria te pedir perdão de novo, por tudo que eu te disse no sábado passado. Sei que deveríamos ter ido até aquela casa para nos divertimos e passarmos um final de semana diferente e bom, mas acabei estragando tudo...
— Emma...
— Não... — Levantou-se de repente. — Não me diga que já passou, nem que está tudo bem, porque definitivamente não está. — Altera-se um pouco. — Acho que agora estamos quites sobre uma decepcionar a outra.
Regina fecha os olhos e balança a cabeça negativamente.
— Emma, eu entendi que algo ruim aconteceu com você no passado, relativo a vídeos íntimos serem gravados e postados na rede e por isso você agiu daquela forma comigo... — Rebate calma.
— Mas eu não deveria ter agido da forma que agi... Acusando-te, como eu fiz, sem nem ter te deixado falar primeiro. — Começa a andar de um lado para o outro, dentro do quarto. — Eu quase bati em você! — Diz em tom incrédulo, e então Regina se lembra do momento em que, quando as duas discutiam sobre o que Regina faria ao estuprador, perguntara se ela bateria nela. — Você me conhece... Sabe que eu não sou de agir assim, agressivamente...
— Eu sei disso... Eu conheço você, Emma... — As duas trocaram um rápido olhar. — Olha... Eu só disse aquilo ontem, porque eu estava com raiva... Quando estamos com raiva, falamos muitas coisas sem pensar. Você sabe muito bem disso... — Diz, referindo-se ao momento que Emma usara essas mesmas palavras, logo após acordar assustada depois de um pesadelo e ir correndo pedir perdão pela forma como a tratou mais cedo. — Você deveria esquecer isso...
— Eu irei, mas... Eu ainda estou com a consciência pesada por tudo que disse... — Abaixou a cabeça e prendeu seu dedo em um pedaço de linha do lençol da cama, que estava desfiado... — Eu queria aproveitar o momento para te contar exatamente tudo que aconteceu anos atrás...
— De verdade, você não precisa se não quiser... Não precisa se torturar relembrando algo ruim.
— Nós duas tivemos momentos ruins em nossas vidas e infelizmente tivemos que relembra-los por causa de algo do presente... — Mills balançou a cabeça confirmando. — Eu sinto que preciso contar tudo... Botar para fora... Preciso falar sobre, para que eu possa finalmente “esquecer” disso... — Respirou fundo. — Eu nunca conversei com alguém... Nunca contei como me senti e como fiquei quando tudo aconteceu...
— Então senta aqui... — Com a mão boa, A Sargento bate no colchão, pedindo para que Emma se aproximasse mais. — Senta aqui e vamos colocar tudo para fora, porque eu também preciso me libertar...
•§•
— Que porra de lugar é esse que você me trouxe, Regina? — Indaga Emma tentando conter o sorriso e se manter séria.
Estavam em um lugar escuro e fechado. Parecia uma garagem abandonada. Perto de uma linha de trem, também abandonada.
— Shh... Nós temos pouco tempo, vamos aproveitar... — Rapidamente solta o seu cinto de segurança, arrasta a cadeira para trás, para ter mais espaço e puxa a loira para o seu colo.
— Regina, não po... — Tenta protestar, mas é calada pela boca da amiga, que parecia não estar para brincadeiras.
— Cada minuto perdido, falando, é um minuto a menos de orgasmos. — Sussurra no ouvido da outra, após o breve beijo.
— Você não presta, Regina Mills. — Solta em meio a gargalhadas, enquanto recebe beijos no pescoço.
— É claro que eu presto. — Afirma com falsa seriedade, interrompendo suas carícias na loira. — Eu sou a melhor pessoa do mundo. — E então atacou a boca da amiga novamente, já descendo suas mãos habilidosas pelo corpo malhado dela.
Em meio aos beijos quentes, Regina desabotoa sua camisa e faz o mesmo com a de Emma. Ao fundo, Nina Simone cantava “feeling good” para embalar aquele momento.
— Regina, você está empolgada demais... — Sussurra após sentir seu sutiã ser retirado do lugar. — Por favor, lembre-se que estamos na rua... Eu não quero ser presa por atentado... — Sua fala fora interrompida por um gemido que soltara, após sentir a língua de Mills rodear o bico do seu seio direito. — Ao pudor...
Antes que Regina pudesse rebater, escutam o rádio tocando, seguido de alguns tiros e uma gritaria, bastante próximo delas.
— Droga! — Regina resmunga, ajudando Emma a voltar para o seu lugar.
— É... Parece que a brincadeira terá que ficar para outra hora... — Murmura enquanto ataca sua camisa novamente.
•§•
— Regina? — Swan a chama com cautela, assim que adentra ao quarto.
— Uh... — Murmura ainda de olhos fechados...
— Regina, acorda... Seus pais estão aí fora... — Diz, conseguindo finalmente a atenção dela. — Você estava... Gemendo... — Arqueia a sobrancelha ao ver a outra rir.
— Eu estava me lembrando daquela nossa vez no carro, perto da linha do trem, lembra-se?
— Ah... — Solta envergonhada, sua pele ficando vermelha como um tomate. — Mas não deu tempo de finalizar o que tínhamos começado... — Completa sem graça.
— Mas foi o suficiente para mim agora... — Emma abre a boca, mas nada responde. Simplesmente não sabia o que dizer. Estava sem jeito. — Por que está envergonhada? Você não é assim...
— Eu não estou... Envergonhada... Eu só... — Antes que pudesse terminar de falar, a porta se abre, mostrando o médico, os pais de Regina, Graham e duas novas pessoas, que Mills ainda não conhecia.
— Boa tarde, senhoritas. — Cumprimenta o homem de jaleco.
— Boa... — Respondem em conjunto.
— Bem, eu vim aqui só para avisar que você será liberada em duas horas... Eu já analisei o seu quadro e cheguei à conclusão de que não há mais motivos para te prender aqui... — Informa com animação. — Só precisa tomar conta desse braço, dessa mão e do machucado na cabeça.
— Ótimo! Já não estava mais aguentando ficar sentada aqui...
— Bem, agora se me dão licença... — Todos assentem e logo o homem vai embora.
Logo que o médico some de sua vista, Regina volta sua atenção para os desconhecidos.
— Regina, esses são Robin Lancaster e Ruby Lucas... — Graham apresenta, ao notar o olhar curioso de Mills. — Eles trabalharão conosco no Departamento... São os novos oficiais que eu falei antes de vocês irem para Detroit... — Relembra.
— Oi... — Lucas saúda com simpatia.
— Seja muito bem-vinda... — Mills diz, olhando-a de cima a baixo.
— Obrigada... Espero poder trabalhar muito com você...
— Eu também... Eu também...
Para acabar com a pequena e rápida interação entre Ruby e Mills, Emma pigarreia, chamando a atenção da amiga, que lhe olha rapidamente e dá um sorriso amarelo.
— É um prazer finalmente conhecer você, Regina Mills... — Diz Robin, estendendo sua mão que prontamente é apertada.
— Um prazer finalmente? — Arqueia a sobrancelha.
— Você é muito falada lá em NYC...
— Eu espero que de forma boa... — Comenta bem-humorada, fazendo os outros rirem.
— Sim, é... — O homem confirma com um sorriso em seus finos lábios.
— Bem, a conversa está boa, mas infelizmente eu terei que ir embora e levarei comigo os nossos novos parceiros... — Diz Humbert, tocando no ombro dos dois e aproximando-se de Regina. — Mais tarde eu passo aqui para levar seus pais para o Hotel. — Delicadamente, deixa um beijo na testa da morena.
— Não precisa vir, garoto... Nós pegamos um táxi. — Cora se pronuncia.
— Nada disso... Eu faço questão de levar você até lá... — Fala de forma decidida, para que não haja recusa.
— Graham, acho que vou te acompanhar... Só assim a Regina pode ficar mais à vontade com os pais, enquanto eles não vão embora...
— Você não precisa ir se não quiser, querida... — Rebate Henry. — Não será incômodo tê-la aqui... Você sabe...
— Tudo bem, Sr. Henry, eu realmente preciso ir... Tenho que passar em casa para pegar umas coisas... Agora que serei babá da sua filha, vou praticamente morar lá por alguns dias...
— Eu vou... — Sua fala fora interrompida pelo olhar severo de Emma. Conhecendo Regina como conhece, sabia bem que ela não pretendia fazer um comentário saudável aos ouvidos dos pais dela. — Eu vou adorar... — Disse por fim, fazendo Graham rir.
— Vamos? — Humbert chama e Emma assente, junto com os outros. — Até mais tarde.
Os quatro despedem-se e logo saem do quarto, deixando Regina e os pais conversando trivialidades.
Fale com o autor