Always by your side
18 All by myself
Notas iniciais
Emma dormia tranquilamente no quarto de hospedes, quando acorda assustada, ouvindo barulhos de vidro se quebrando.
Levanta-se assustada, vai até a sua mala e pega o coldre com a arma e seu distintivo.
Ao sair do quarto, dá de cara com Regina saindo da biblioteca, já com a arma em punho.
— Você já sabe o que está acontecendo? — Sussurra para a morena, ignorando a vergonha que ainda sentia, por causa do desentendimento de ambas, mais cedo.
— A vizinha tem um marido problemático. — Foi tudo o que respondeu.
De repente, subiu numa janela que tinha no corredor, que dava acesso para o quintal da casa ao lado, preparou-se e pulou.
Emma arregalou os olhos e correu até a janela.
— Regina! — Gritou pela morena, que se levantava do chão como se nada tivesse acontecido.
— Venha logo! — Gritou de volta. — Você só precisa pular em cima dessa caixa d’água... — Apontou para uma construção retangular, que tinha próxima a ela. — Se souber pular, não vai se machucar. — Acrescentou.
Emma assentiu e subiu no batente. Estava se preparando mentalmente para pular para o telhado, quando a casa começou a pegar fogo.
Assustada, acabou pulando sem a devida preparação, o que acabou por machucar seu tornozelo. Mas ela não se importou. Segurando a vontade de chorar pela dor, levantou-se rapidamente e saiu correndo para onde Regina tinha seguido.
Ao encontrar a morena parada na entrada da porta de trás da casa, que agora estava só nas chamas, aproxima-se mancando.
Quando Mills percebe sua presença, corre até a mesma e agarra-lhe, tampando os seus olhos.
— Acho melhor você não ver isso... — Sussurrou. Seu tom era triste.
— Pode me dizer ao menos o que é? — Indagou, retirando as mãos da amiga de seus olhos e vendo-a negar. — OK. — Disse frustrada.
— É melhor ficar na curiosidade. — Emma assentiu a contragosto. — Chame os bombeiros e a Polícia local... — Pediu. — E fique aqui me esperando... Vou buscar um carro para te levar ao hospital. — Apontou para o pé da loira.
Emma se jogou no chão e puxou seu celular da calça para fazer as ligações.
Quando levou o celular ao ouvido e levantou sua cabeça, viu mais a frente, Regina correndo atrás de alguém e em seguida, um carro em alta velocidade lhe atropelar, fazendo-a rodopiar no ar, e o homem perseguido, voltar, pegar sua arma e atirar algumas vezes no corpo já inerte no chão, enquanto o condutor do veículo fugia pelo lado oposto.
Fora tudo tão rápido que Emma mal teve tempo de raciocinar o que estava acontecendo. Quando percebeu, já estava ajoelhada ao chão, com a cabeça de Regina entre suas mãos, descansando em suas coxas, enquanto grossas lágrimas desciam por seu rosto. Emma não se importou com os dois homens. Só queria saber de sua amiga.
— Regina, por favor... — Sussurra com a voz falhando. — Se estiver me ouvindo... Por favor, não me deixa... — Suplica entre lágrimas. — Não faz isso comigo... — Encosta a cabeça na da amiga e a rodeia com os braços. — Você não pode ir embora agora... — As lágrimas molhavam o rosto sujo com alguns respingos de sangue de Mills. — Ainda tem muito para viver... Nós temos muito para viver... Juntas... — Sussurrou a última parte. — Eu te proíbo de morrer. — Levantou a cabeça e segurou a da morena entre as suas. — Escutou? — Deu uma fungada. — Eu te proíbo... — Levantou a cabeça e olhou ao redor. Não havia ninguém na rua. Torcia para que o socorro chegasse logo, para que houvesse chance de salvar Regina. A respiração da morena estava fraca. Quase imperceptível. — Rê... Você não pode ir embora assim... Isso não é uma morte digna... Nós estávamos brigadas... Eu cometi um grande erro com você e queria pedir perdão... — E então voltou a chorar, ainda mais forte que antes.
Olhando o corpo inerte de Regina, lembrou-se da vez em que ela havia sido atingida no peito, mas como estava usando um colete, não se machucou.
Com essa lembrança em mente, mesmo já tendo a resposta que queria, só em analisar a parte superior de Mills, Emma passou as mãos, de forma desesperada, pela blusa da outra, só para constatar o óbvio.
Regina não usava colete algum dessa vez.
O barulho ao longe, das sirenes do socorro se fez presente e Emma abriu um sorriso.
— Rê... — Segurou o rosto da Sargento entre as mãos novamente. — Eles já estão chegando... A ajuda já está vindo para te salvar... — Aumentou o sorriso.
Ao ver na sua frente, luzes fortes, levantou a cabeça e olhou para trás, vendo carros de Polícia, Bombeiro e Ambulância chegarem. Em seguida, voltou-se para a amiga novamente, e quando checou seus sinais vitais, o sorriso que tinha no rosto, sumiu.
— Regina? — Chamou-a, balançando seu corpo de leve. — Não... Não... — Começou a sussurrar de forma desesperada. — Não Regina... Eles já estão aqui... Não faça isso comigo. Não faça isso com você... — Suplicou. — Não faça isso com nós... — Para ter certeza se não havia se enganado, checou os sinais vitais novamente, só para constatar o óbvio mais uma vez naquela noite.
Regina morrera. E morrera em seus braços.
— Regina... — Caiu em lágrimas novamente... — Eu... — Respirou fundo. — Sei que errei em te acusar daquele jeito... Eu só estava irritada, com medo, não estava pensando direito... Por favor, me perdoa por isso... — Murmurou sussurrante. E como se quisesse gravar cada parte do rosto da amiga, Emma tirou todos os cabelos do rosto pálido e passou o polegar em cada traço. — Eu... — Chegou na cicatriz e parou. — Eu não estava preparada ainda, mas... — Deu um sorriso triste. — Eu te amo, Regina... — Passou os dedos pelos lábios pálidos e carnudos e deu um suave beijo.
O último beijo.
— Senhora... — Ouviu uma voz grossa atrás de si, seguido de um sutil toque em seu ombro.
Sem dizer uma palavra, com cuidado e contra sua vontade, Emma se afastou do corpo de Regina e ficou de pé, ao lado do homem que agora, fazia o mesmo que fizera minutos atrás.
— Ela está morta... — Fala em um tom baixo, virando-se para a loira que olhava para o auto. — Eu sinto muito... — Levantou-se. Ficou de frente para Emma e tocou em seu ombro, fazendo-a finalmente olhar para ele, mas em vez de dar-lhe uma resposta, Emma saiu correndo, deixando o homem confuso para trás.
Como uma criança fugindo dos pais para não voltar para casa, como um fugitivo correndo de policiais, como um maratonista, enquanto ouvia os gritos dos policiais ao fundo, Emma correu. Correu sem se importar com os chamados. Correu sem se importar com o seu tornozelo machucado.
Correu até achar uma área reservada, distante e preenchida apenas por árvores e arbustos. Longe de pessoas. Longe de tudo.
Sem delicadeza, se jogou no chão e tornou a chorar.
— Isso tem que ser mentira... — Murmurou entredentes, batendo as mãos fechadas em punho, no chão. Estava irritada. — Eu preciso acordar. — Apertou seus braços, exatamente como acontece nos filmes, mas nada aconteceu. — Não... Não... Não... — Balançou a cabeça desesperadamente de um lado para o outro. — Não! — Gritou por fim, ecoando pelo local.
•§•
Emma acorda num susto, com um grito preso na garganta.
Seu coração está acelerado. Seu rosto está empapado de suor, misturado a algumas lágrimas. Sua blusa está toda molhada. A mão está fria. Seu pé dói.
Tudo ao seu redor está escuro.
Levanta-se rapidamente e acende a luz do quarto. Olha ao redor assustada e ao perceber onde se encontra, dá um enorme sorriso e se ajoelha ao chão.
— Obrigada meu Deus! Obrigada por tudo não ter passado de um pesadelo. — Murmura de olhos fechados e mãos unidas. Lágrimas de alívio escorriam de seus olhos.
Em seguida, levanta-se rapidamente e sai às pressas do quarto. Vai direto para a cozinha. Toma um generoso copo com água e vai ao banheiro lavar seu rosto. Após se acalmar um pouco, vai para a sala. Imagina que Regina esteja lá, já que não se encontrava no quarto, mas ao chegar ao cômodo, encontra apenas o escuro. Na verdade, quando ela fora para a cozinha, tinha passado por uma pequena parte da sala escura, mas estava tão apressada, que nem percebera.
Por um instante, pensa se Regina saiu. Seu coração bate acelerado ao imaginar que possa estar com aquela mulher que conhecera mais cedo e que também faz parte do vídeo. Todavia, lembra-se de onde a morena estava antes de dormir e então corre para lá.
Ao abrir a porta da biblioteca, encontra Mills dormindo no chão, agarrada com um álbum de fotografias. Ao fundo, pode escutar “Everybody wants to rule the world — Tears for Tears” tocar, e do celular que está ao lado da morena, tocar “All by myself — Eric Carmen”, em altura ambiente.
Seu rosto estava inchado, denunciando que chorou bastante e que fazia pouco que tempo que pegara no sono. Deu um longo suspiro aliviado ao vê-la ali. As imagens do pesadelo ainda rondavam sua mente. Não esqueceria tão cedo.
— Regina! — Chama-a de forma calma, balançando seu corpo de leve. — Regina, acorde... — Pediu. Apesar de estar vendo perfeitamente bem que Regina respirava, devido ao pesadelo que teve minutos atrás, o desesperou tomou conta de si. — Regina, por favor... — Sua voz já estava começando a ficar embargada. — Acorda...
Mills resmungou algo, mas não abriu os olhos. Emma suspirou, dando um sorrisinho. Regina não era uma pessoa fácil de acordar. Ainda mais no meio da noite.
— Rê... — Tentou mais uma vez e então conseguiu o que queria. Regina abriu seus olhos e lhe encarou.
Sem dizer uma palavra, Emma a puxou para cima e a abraçou forte. O mais forte possível, apenas tomando cuidado com o seu machucado.
Apesar de estar desorientada por ter acabado de acordar, Regina logo retribuiu o contato.
— Por favor, me perdoa... — Sussurrou em seu ouvido. Em seguida, começou a distribuir beijos suaves pelo rosto da amiga, até chegar ao pescoço e ali parar. — Por favor, me perdoa pelo que eu fiz, me perdoa pelo que eu disse, me perdoa pela forma como te tratei, me perdoa por ter te machucado... — Apertou-a mais forte em seus braços, permitindo que as lágrimas descessem por seu rosto. — Eu errei... Errei feio... Eu... Eu só estava com medo... — Deu um beijo no pescoço e fez o caminho reverso, parando na testa. — Sei que não é desculpa e que não é aceitável o argumento de: “quando estamos de cabeça quente, falamos coisas sem pensar, coisas de momento, coisas que não queremos”, mas foi exatamente isso... Eu não queria te dizer aquelas coisas... Não queria te acusar daquela forma... Eu não penso, de verdade, aquelas coisas e você... — Afastou-se um pouco para poder olhar para a amiga, que se mantinha calada, apenas escutando. — Não vou mentir e dizer que aquilo não passou pela minha mente, mas é que... — Respirou fundo. — Eu só estava com medo de tudo que eu tinha visto... Fiquei desesperada. Mil coisas passaram na minha cabeça naquele momento, e...
— Emma... — Sussurrou, interrompendo-a. — Tudo bem... Já passou... — Acariciou o rosto alvo.
— Não Regina! — Seu tom era indignado. — Não está tudo bem. — Balançou a cabeça negativamente. — Olha... Não precisa me perdoar agora. Pode ficar com raiva de mim por quanto tempo quiser, só não para sempre, eu vou te entender perfeitamente bem... — Soltou-se da morena e se levantou. — Eu só queria pedir perdão pelo meu erro. Eu realmente sinto muito. — E sem esperar por uma resposta de Mills, se virou e saiu do cômodo, mas ao passar pela porta, teve seu braço puxado para trás, fazendo-a parar. — O que... — Não terminou a indagação, pois fora surpreendida por um abraço de Regina.
A Sargento apertou sua amante, parceira e amiga em seus braços como se nunca mais fossem se ver. Como se fosse o último abraço que dariam.
A emoção se apossou de ambas e lágrimas foram derramadas durante aquele abraço silenciosos, mas que diziam tanto.
— Eu estou mais calma agora... Ainda estou triste por tudo que eu ouvi, mas não estou com raiva de você... — Sussurrou. — Estou apenas triste, mas vai passar. — Concluiu com um rápido sorriso.
— Sério... Des... — Foi interrompida pelos dedos de Regina tocando seus lábios de forma suave.
— Shii... — E então a abraçou novamente, segurando-a como se ela fosse o seu mundo.
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