A vida nem sempre é como sonhamos, mas nem sempre sonhamos o que queremos viver. Ouvi alguém dizer isso uma vez, o que ficou na minha cabeça, combina comigo. Chega de falar de frases.

Vou falar um pouco sobre mim. Minha vida nunca foi uma das melhores. Meu pai me deixou quando eu tinha dois anos de idade, minha mãe... ela bebia muito, acabou sofrendo um acidente e morrendo quando eu tinha dez anos. Fui para um orfanato após a morte da minha mãe, cinco meses depois eu fui adotado por um casal com qual moro hoje.

Eu me tornei uma pessoa fechada, nunca fui muito de me abrir com a família que me adotou, devo dizer meus pais. Tive medo que eles me devolvessem.

Meus pais adotivos tinham uma filha, um ano mais nova que eu, ela se chamava Maya. Eles me adotaram porque queriam um filho homem e não estavam conseguindo ter outro filho. Dois anos depois que fui adotado eles tiveram gêmeos, um casal, Lola e Vicente.

Sempre fui um garoto de poucos amigos, está bem, eu não tinha amigos, eu estudo na mesma escola há sete anos e, ainda assim não fiz amizade alguma. Sempre a mesma coisa, uns novatos que chegavam falavam comigo por uns três dias, depois se misturava com os populares e esqueciam-se de mim, outros nem olhavam para mim.

Todo mundo tinha seu grupo, os góticos, os nerds, os atletas, as patricinhas, as garotas que ficavam com qualquer um, os que curtiam hip-hop e os donos do colégio – esses eram os riquinhos que controlavam tudo e todos com dinheiro – Eu não fazia parte de nenhum deles, não me encontrava ali, eu era louco. Eu nunca fui muito de conversa, ficava nervoso em falar qualquer coisa com qualquer pessoa. Tinha um passatempo que era escrever, eu escrevia algumas coisas, não em diários, mas em algumas folhas que devem estar perdidas, provavelmente flutuando no ar, à espera de que alguém as achem e as leiam. Não gostava de estudar, mas tirava notas boas o suficiente para passar de ano, tinha um estilo de músicas totalmente diferentes dos das pessoas que conheci.

Desde que meus pais descobriram que eu tinha problemas para fazer amizade – aos quinze anos. – Eles faziam questão de não me deixar sozinho, ou algo assim, todo dia enchiam minha paciência perguntando sobre a escola.

Minha mãe bateu na porta. — Filho, vem comer.

Minha mãe era uma boa pessoa, uma ótima mãe, fazia de tudo por seus filhos, ela era muito presente.

Levantei da cama, abri a porta, quando sai do quarto me esbarrei com a Maya, ela revirou os olhos e desceu as escadas, eu desci logo em seguida, fui até a sala de jantar, sentei em uma cadeira ao lado da Maya. Meu pai olhou para mim e sorriu. – Papai era um homem sério, às vezes brincava, mas era muito difícil, ele era um bom pai, provavelmente melhor que o meu pai biológico, acredito que o meu pai adotivo nunca deixaria seus filhos com apenas dois anos de idade.

— Como foi o dia, Maya? — Ele perguntou para a minha irmã, ele sempre começava pelas garotas.

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Maya sorriu e virou-se para o papai. — Foi muito bom. Mas sabe como é aquele colégio que nunca tem nada de tão interessante assim, papai! Mas estou melhorando um pouco em matemática.

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Papai sorriu com um olhar de aprovação e dirigiu-se até Lola. — Minha princesinha, o passeio foi bom? — Ele era louco pela Maya, mas ainda mais pela pequena e doce Lola.

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— Foi muito divertido, papai. Eu vi um panda. — Ela sorriu como se aquilo fosse a coisa mais incrível do mundo.

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Ele sorriu e alisou seu braço. — Eles são bem fofos, querida. — Virou-se para mim e disse: — Nick? — Eu não disse nada, apenas olhei para ele. — Como foi o seu dia? — Ainda sem dizer nada, eu sorri e afirmei com a cabeça.

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— Nick! Seu pai está falando com você, responde direito. — Mamãe disse enquanto vinha da cozinha com uma salada dentro de um pote de porcelana.

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— Foi... bom. — Eu disse por fim.

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— Conte-me mais. — Meu pai disse enquanto me olhava preocupado.

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— Não aconteceu nada demais!

Mamãe e papai se olharam, papai suspirou e olhou para Vince. — Meu garotão. Foi divertido o passeio? — Lola e Vince eram da mesma sala.

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— Me diverti bem mais que a chata da Lola.

Em meu prato tinha purê e carne, mamãe sabia que eu era vegetariano e mesmo assim colocou carne em meu prato, dei uma garfada no purê, levantei da cadeira, sorri em forma de boa noite, subi correndo para o meu quarto e me joguei em minha cama.

Na manhã seguinte eu acordei um pouco mais cedo que de costume, levantei da cama, tomei banho, vesti minha roupa para ir ao colégio, peguei minha mochila e desci as escadas correndo. Mamãe veio até mim e disse:

— Bom dia, filho. O que quer comer? — Eu não conseguia entender, a gente tinha uma doméstica que arrumava tudo, mas mamãe nunca a deixou cozinhar, ela era chefe de cozinha, vai ver por isso ela fazia questão de cozinhar.

Eu balancei a cabeça negativamente, ela por fim entendeu. E então disse: — Tudo bem, Nick. Eu vou levar você e seus irmãos. — Mamãe pegou a chave do carro. — LOLA E VICENTE! Desçam. — Eles desceram correndo ao ouvir o grito da mamãe. — Muito bem, crianças. — Mamãe sorriu, saiu de casa e entrou no carro, Lola e Vince entraram logo em seguida. — Nick, chama a Maya. — Eu olhei para atrás para chama-la, mas ela já estava saindo, sorriu fraco para mim e em seguida entrou no carro, bateu a porta com força, eu tranquei a casa e entrei logo em seguida.

Mamãe sempre deixava a Lola e o Vince primeiro. Ela os deixou no colégio e em seguida me levou no meu, estacionou o carro, eu tirei o cinto e sai do carro sem olhar para ela.

Entrei no colégio e fui direito para a minha sala e sentei no meu lugar, para a minha sorte eu não tinha nenhum parceiro na aula de química. Fiquei de cabeça baixa como de costume.

— Professor? — Disse voz feminina, era uma voz suave e linda.

— É a garota nova? Sente-se ao lado do Sr.Harris. — Disse o Sr.Swin. Eu engoli em seco após ouvir o que o professor dissera.

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Continuei de cabeça de baixa, mas ouvi passos e então vi a cadeira do meu lado ser puxada, a garota sentou-se nela. — Oi! — Aquela voz linda disse.

Não sabia se era para mim então não respondi. Ouvi um folha de caderno ser arrancado do mesmo, a garota pegou a minha caneta, escreveu algo em sua folha, e empurrou a folha para o meu lado, nela havia escrito:

Sabe? Quando alguém fala com você a sua obrigação é responder. Então eu vou tentar de novo, Oi J

Ela colocou a caneta em cima do papel, peguei a mesma e escrevi:

Olá!

Ela levantou o meu rosto e virou o mesmo para ela. — Agora vamos falar porque escrever dá preguiça. — Ela sorriu, eu fiquei parado olhando para ela, como ela era linda, tinha um sorriso mais lindo ainda, sua pele era pálida, seus cabelos louros, seus olhos eram cor de mel e ela tinha belas covinhas em sua bochecha. — Oi? Está ai? — Ela riu.

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— Eu... não gosto de falar, não gosto que me olhem enquanto eu falo. — Eu disse quase tropeçando nas palavras.

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— Tudo bem! — Ela colocou as mãos em meus olhos. — Qual o seu nome?

— Nicholas Harris.

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— Olá, Nicholas, o meu nome é Alyssa. Agora, eu vou tirar a mão dos seus olhos, você tem uns olhos lindos. — Sorri sem graça e senti sua mão sair do meu rosto.

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— Olá, Alyssa. — Disse sem graça.

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— Me chama de Aly, por favor, eu irei te chamar de Nite. — Ela sorriu ainda me olhando. Olhei em volta e vi todos comentando sobre alguma coisa, não sabia o que era, mas parecia que era sobre a Alyssa.

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— Nite? Isso não combina com Nicholas. — Retruquei.

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— Porque todos te chamam de Nick, quero ser única.

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— Por que... por que está falando comigo?

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— Porque sentei do seu lado. — Ela falou com um olhar de óbvio.

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— Claro! — Abaixei a cabeça. — Daqui a pouco vai esquecer que eu existo.

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— Por que eu faria isso? — Ela levou suas mãos até o meu cabelo e bagunçou o mesmo. — Eu gostei de você.

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— Mesmo? — Sorri, percebi que sorri animado demais e desfiz o sorriso.

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— Mesmo.

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Quem era aquela garota? Ela era incrível. Eu fiquei a aula toda pensando nela. Ela não falou mais nada comigo depois daquilo. Na hora da saída ela estava sentada na escada da entrada do colégio, conversando com uns atletas. Eu desci as escadas e um dos atletas jogou uma bola de futebol em minha cabeça, eu cai no chão.

— Vocês são uns imbecis. — Ouvi a voz dela, logo ela apareceu na minha frente e colocou cinco dedos perto do meu rosto. — Quantos dedos têm aqui?

— Cinco!

— Isso prova que você sabe contar e que está com consciência. — Ela riu e me levantou. — Não ligue para eles.

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— São seus amigos, não são? — Perguntei enquanto massageava o local da batida.

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— Meus amigos? Eles estavam me convidando para uma festa. — Ela cruzou os braços.

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— Que bom! Você deveria ir. — Disse isso, mas minha vontade era de pedir para ela não se misturar com eles.

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— Eu vou, mas se você vier comigo. — Ela riu e deu um pulo.

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— Não, eu não quero. — Entortei os lábios e olhei para ela.

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— Então eu também não quero. — Ela ergueu a cabeça e sorriu logo em seguida. — O que vai fazer agora?

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Minha mãe estacionou o carro e buzinou.

Olhei para minha mãe e em seguida para a Alyssa. — Vou para a casa.

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Ela olhou para a minha mãe e depois para mim. — Ah, tudo bem então. — Deu um beijo em minha bochecha. — Te vejo amanhã então. — e saiu andando, olhou para trás e acenou para mim logo em seguida continuou seu caminho.

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Entrei no carro.

— Quem era aquela bonitona? — Mamãe perguntou com um sorriso estonteante estampado em seu rosto.

— O Nick tem namorada, o Nick tem namorada. — Lola e Vince cantarolaram juntos.

— Ela não é minha namorada, ela não é ninguém. — Balancei a cabeça e sorri, mamãe me olhou e sorriu também.

Após chegar em casa eu entrei correndo e fui direto para o meu quarto, tomei banho e me joguei na cama, queria dormir, não via a hora de vê-la novamente.

Sei que não deveria estar tão animado assim, até porque no começo todos falavam comigo, depois começavam a se afastar e me tratar como um lixo, eu sabia que ela poderia fazer isso, e eu tinha medo de ela fazer isso, pois eu gostava dela, mais do que já gostei dos que falaram comigo antes. Com ela eu sentia que podia confiar, ela me deixava seguro. Ela parece ser uma pessoa tão diferente e ao mesmo tempo tão... normal.