Always and Forever
17 Eu cuido de Damon
Notas iniciais
Era inevitável que Damon enjoasse de dançar e partisse para uma atividade mais apreciada por ele. E por mim, claro.
Nunca pensei que seria louca o suficiente para beijar Damon Salvatore perto de um bar lotado, se alguém saísse dele, com certeza nos veria. Mas é meio difícil pensar em ser vista com os lábios dele nos meus.
Quando eu era pequena, com uns onze anos, fui até minha tia. Rebekah Mikaelson estava de passagem na cidade, naquela época ainda não se dava muito bem com Niklaus. Recordo-me que lhe perguntei sobre o amor, e de como ela sorriu ao me responder:
—Não posso te descrever bem, minha pequena — passava as mãos pelos meus cabelos suavemente —, mas um dia você verá. Quando estiver apaixonada, tudo ficará mais bonito. Você se sentirá capaz de tudo. E o mundo ganhará uma explosão de cores. Seu coração nunca estará frio, porque terá alguém que te queime.
E agora eu comecei a entender o significado de suas palavras.
Não gostei nem um pouco disso, não queria dar ouvidos as frases de Rebekah. Aquilo não estava acontecendo comigo, definitivamente.
Mas por que eu me sentia queimar, exatamente como ela descrevera? Enquanto a boca dele estava unida a minha, eu me sentia poderosa. Mas aquilo era só um momento, eu não estava amando Damon, claro que não.
Estava embriagada demais para notar qualquer outra coisa, perdida dentro daquela sensação única. Poder, calor, confiança, paixão...
Os lábios dele foram parar em meu maxilar, um arrepio percorreu meu corpo. Estamos na rua, o que está fazendo? Era isso que eu queria dizer, mas não conseguia. Tudo que eu conseguia fazer era inclinar o pescoço para trás, dando-lhe acesso. Passei as mãos por seus cabelos negros, entorpecida.
Os olhos azuis encontraram os meus, e perdi todo o pouco controle que eu tinha. Nesse momento, eu já havia perdido toda minha sanidade. Os lábios dele beijaram meu pescoço, enquanto um suspiro escapava de meus lábios.
Foi quando um grito sobressaltado chamou minha atenção, "Damon!" abri meus olhos. O corpo de Damon caiu inerte do chão, do mesmo jeito que o de Eric. Foi minha vez de gritar, até que vi Stefan parado a minha frente.
— Você está bem? — perguntou. Engoli em seco, ajoelhando-me ao lado de Damon. O pescoço estava quebrado, mas suspirei aliviada ao lembrar-me que ele era vampiro. Afastei os cabelos de sua testa e olhei de baixo para Stefan.
— Por que fez isso? — indaguei, entre a fúria e a confusão.
— Ele estava te mordendo. — respondeu, como se aquilo explicasse tudo. Minha pele corou só de pensar na ideia. Stefan mordeu o próprio pulso, deixando o sangue escorrer. Aquilo não era verdade, Damon não havia me mordido.
— Beba. — ordenou, e não me deu tempo para negar. Pressionou o pulso em minha boca e impediu que me afastasse. Eu engoli assustada, sentindo o ar faltar em meus pulmões e depois ele me soltou. Respirei, aliviada.
Tossi um pouco, incomodada. Olhei para ele, bastante confusa.
— Você não podia ir para casa com essa mordida. — explicou e eu me dei conta de que ele realmente achava que Damon havia me mordido — Klaus mataria Damon em um piscar de olhos, e se você não aparecesse em casa — deu de ombros, aparentemente despreocupado —, bem, ele mataria Damon também.
— Ele vai ficar furioso. — constatei, olhando para Damon. Resolvi não explicar a situação para Stefan, daria muito trabalho e seria constrangedor. Ainda que estivesse ali, jogado no chão com o pescoço quebrado, não queria que ele brigasse com Stefan posteriormente.
Stefan ficou desconfortável, como se percebesse que não havia necessidade de sua atitude.
— Certo, eu resolvo isso com Damon depois. Agora, pegue o carro dele e vá para casa.
— Mas... — comecei a protestar, mas fui interrompida.
— Não há espaço para mas, Diana — franziu as sobrancelhas —, pensei que ele estivesse te forçando a algo, e por isso quebrei seu pescoço. Vejo que me enganei, e peço desculpas pelo transtorno. Está tarde, eu cuido de Damon e você vai para casa.
Assenti, contrariada, peguei a chave do bolso de Damon e levantei, começando a caminhar em seguida.
Sentia-me mal, como uma noite poderia terminar dessa maneira? E se Stefan não tivesse nos interrompido, ainda aquilo teria ido parar? Quando Damon acordasse, o que faria?
Eram perguntas que eu não queria responder agora, então entrei no carro. Liguei o carro e sai lentamente da vaga.
P.O.V. DAMON
Levantei o tronco, apoiando as mãos no chão. Mexi o pescoço, incomodado. Uma hora, eu beijava Diana, em outra...
Bem, ainda estava perto do Grill, mas não havia dúvida que entre Diana e Stefan existia uma grande diferença.
— Que merda está acontecendo?
Stefan me contou tudo, e, quando terminou, eu quis muito atacá-lo. Foi extremamente excruciante não retribuir o favor e quebrar o pescoço.
— Eu achei que você estava a machucando! — defendeu-se.
— Eu nunca a machucaria. — cuspi para ele, bufando irritado. Uma compreensão súbita encheu seus olhos e eu me arrependi de ter falado algo. Revirei os olhos quando ele abriu a boca para falar.
— Eu sabia! — sorriu vitorioso — Você gosta mesmo dela, Damon!
— O que isso tem a ver com você? — questionei, erguendo uma sobrancelha e disfarçando o incômodo que sentia.
— Ora, eu sou seu irmão. Quero que seja feliz. — tagarelou e eu revirei os olhos mais uma vez.
— Sem essas asneiras de vampiro estúpido, Stefan. Vamos embora. — retruquei.
Comecei a caminhar, mas Stefan não me seguiu.
— Stefan, onde está o meu carro?
P.O.V. Diana
Cheguei à mansão após algum tempo de estrada, estacionando o mais longe possível da entrada. Queria evitar perguntas e, esperando que um dos irmãos viesse buscar o carro antes de amanhecer, deixei a chave na ignição.
— Diana, como foi? — Caroline perguntou assim que entrei na sala.
— Maravilhoso, Caroline. — sorri forçadamente, felizmente ela não percebeu. — Olha, estou muito cansada, posso lhe dar os detalhes amanhã? — torci internamente para que ela não visse problemas.
— Tudo bem. — seus olhos adquiriram um brilho decepcionado, mas ela não fez nenhum comentário adicional. Subi as escadas, e quando cheguei ao topo voltei-me novamente para ela, que continuava no mesmo lugar, encarando-me.
— Onde está Klaus?
— Está pintando no porão. — respondeu apenas.
Aquilo era comum, Klaus sempre teve gosto pela pintura. Depois que se uniu a Caroline os desenhos tornaram-se muito mais agradáveis aos olhos. Não que ele pintasse mal antes, sempre foi um excelente artista, mas suas pinturas ganharam um ar mais suave.
Assenti e caminhei até meu quarto, indo direto tomar um banho. Entrei debaixo da água quente, relaxada. Fiquei um bom tempo no chuveiro, e quando saí me enrolei em uma toalha.
Sai do banheiro, e uma movimentação estranha chamou minha atenção pela janela, que estava com cortinas abertas. A figura estava às margens da floresta, e quando chegou um pouco para frente, pude ver que era Damon.
Sorri ao vê-lo bem, coloquei um pijama e me joguei na cama, suspirando satisfeita ao fechar os olhos.
Não importava se eu iria sonhar, só queria dormir e esquecer um pouco do que aconteceu hoje.
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