Always and Forever
25 Epílogo
Notas iniciais
Quem diria que isso tudo aconteceria comigo. Ainda ficava surpresa quando olhava para trás, pensava em meu passado, e via todas as decisões que me trouxeram até aqui. Tenho muito orgulho de dizer que não me arrependo de nenhuma delas. Ou, talvez, me arrependa de uma ou outra... Ninguém é perfeito.
A questão é que, oito anos depois, ainda sinto a mesma satisfação e o mesmo frio na barriga quando penso nele. Mesmo agora, em um momento tão estranho. Todas essas decisões me trouxeram a esse momento, a essa situação, a essa... Ah, sem palavras.
— Diana, anda logo! — Caroline parecia impaciente. Ela olhava para Rebekah exasperada.
Encarei o vestido branco e longo. Caíra como uma luva. Cauda sereia, decote coração. Isso e mais os cabelos presos em um coque desarrumado e um véu longo, tornava Caroline a noiva mais linda que eu já havia visto.
— Calma aí —, resmunguei para ela, fazendo careta. — Não se apressa essas coisas. Só tenho que fechar esse botão aqui... Está pronta! Ah, Care, você está tão linda!
— Eu sei. — Ela riu de nervoso. — Não acham que ele vai me dar um toco, né?
Todas essas decisões me trouxeram até aqui, agüentando Caroline totalmente histérica e queimando toda a minha paciência e de minha tia Rebekah.
— Klaus pode ser um verdadeiro psicopata às vezes, mas é um cavalheiro, também. — Bekah olhou as unhas, absorta em seus pensamentos. Ela estava assim desde que não via Matt, que estava trabalhando com o ramo de viagens agora e não parava quieto em um lugar só.
— Ele te ama, jamais faria isso. — Olhei para ela, meio indignada.
— Eu sei. — Caroline repetiu. Revirei os olhos.
Aproveitei que ela já estava pronta para dar uma última conferida no meu visual. Caroline deixou que eu e Rebekah usássemos vestidos diferentes. Eu estava com um corte sereia de muito bom gosto, num tom de verde claro e cheio de detalhes em dourado. Meus cabelos estavam presos em uma trança lateral e eu usava pouca maquiagem. Rebekah usava um azul que realçava seus olhos marcados por delineador.
— Não acham melhor a gente ir? Já estamos — Rebekah consultou o celular rapidamente — cinco minutos atrasadas e temos que pegar o carro ainda.
— Isso vai dar uns 20. Muito bem, Care, o atraso está perfeito. — Assenti para ela, mostrando que admirava sua capacidade.
— É. Agora cala a boca. Vou encher o seu saco quando for casar também. — Ela arqueava as sobrancelhas em uma clara demonstração de nervoso enquanto saíamos do hotel onde estávamos e entrávamos no carro.
— Muito engraçado. — Sorri para ela, em escárnio. Eu em um vestido branco. Damon no altar... Definitivamente isso não é algo que eu pense com frequência. Parecem coisas diferentes demais para serem assimiladas juntas.
Acabamos chegando ao local do casamento — um campo afastado da cidade, florido e extremamente lindo — com vinte minutos de atraso, um pouco mais cedo do que o esperado. Estacionamos o carro um pouco mais afastado, para que ninguém visse Caroline ainda.
Saímos do carro e ajudamos Care a dar a última ajeitada no vestido. Eu fui avisar que havíamos chegado à organizadora do casamento, para que ela pudesse mandar a música começar a tocar.
Como o pai de Caroline estava morto, quem a acompanharia ao altar seria Elijah, e este já vinha nos encontrar, sorrindo largo. Devia ser uma verdadeira realização para ele ver Klaus se casando, porque depois de tudo o que ele passou para tentar pôr o irmão nas rédeas...
Era também uma realização para mim, e foi por esse motivo que eu comecei a chorar depois de ter chegado ao altar — eu era madrinha, junto de Rebekah e Elijah e Damon de padrinhos — e Caroline começou a caminhar no tapete vermelho.
Apertei a mão de Damon ao meu lado, e senti ele me olhar de esguelha. Levantei uma sobrancelha para ele, mas depois voltei minha atenção para meu pai.
Quase tive um ataque do coração. Nunca pensei que veria Klaus em um estado tão... Fofo. Os olhos acinzentados brilhavam e ele mantinha um sorriso nos lábios. Não aquele sorriso malicioso habitual, mas um puro, que refletia toda a sua felicidade.
Sorri também, limpando as lágrimas rapidamente enquanto todos estavam distraídos com Klaus recebendo Caroline. Elijah veio se postar ao lado esquerdo, perto de Rebekah.
Vi-me ávida por cada palavra do celebrante do casamento, escutando cada palavra ao mesmo tempo em que prestava atenção nas expressões dos noivos. Nunca pensei que eles casariam; Klaus não é muito tradicional. Eles devem ter querido oficializar ainda mais o amor que compartilham.
Vi Damon me olhando de novo, e não pude deixar de olhá-lo também. Não entendia como, depois de tanto tempo juntos, meu ar ainda faltava e meus olhos brilhavam ao vê-lo. Era insano, e eu sabia que nunca encontraria a resposta para a questão.
— Niklaus Mikaelson, você aceita Caroline Forbes como sua legítima esposa, e promete amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
Klaus deu um sorriso com o fim da sentença e respondeu um “Sim” cheio de convicção. Não prestei atenção no resto, só conseguia sentia o coração apertado de felicidade e mais algum sentimento. Quando notei, o casal já estava saindo em direção ao carro sob uma chuva de grãos de arroz. Fiz questão de jogá-los bem forte, junto com todos os outros vampiros convidados.
— Foi lindo. — A voz de Hayley estava tão em júbilo quanto a minha. Dez minutos depois, minha família estava reunida no canto mais afastado do campo. A festa seria celebrada em nossa casa, mais tarde.
Sorri para minha tia, agora já transformada.
— Foi sim.
— Estou especialmente feliz por Niklaus. — Elijah comentou, abraçando Hayley por trás. — Hayley e eu pretendemos nos casar daqui a dois meses. Pensamos que realizar as cerimônias perto seria memorável.
Ele me lançou um olhar ansioso que não entendi. Franzindo as sobrancelhas, procurei Damon entre as pessoas que iam se dispensando do local. Ele estava com uma vampira amiga de Caroline — notem “de Caroline” e não “minha” —, que ela conheceu em uma viagem à França com Klaus seis anos atrás. Stefan e Elena também estavam lá. Elena trocava olhares com Bonnie e Jeremy, a dez metros de distância. Ainda achava estranho vê-la como vampira. Era algo que nunca imaginei, mas ela ficava especialmente bem, imortal, ao lado de Stefan.
Senti um par de olhos azuis me perscrutando mesmo à distância, e o encarei fixamente, séria. Francamente, dando atenção àquela oferecida de Charlotte. Damon deu um sorrisinho antes de se voltar para a imortal de 300 anos — admito que seja humilhante saber o quanto ela é mais velha que eu.
— Você devia ver a sua cara, Diana. — Rebekah comentou, me olhando de modo zombeteiro.
— O que você quer dizer com isso? — Estreitei os olhos para ela, inconformada com minha incapacidade de esconder meus sentimentos.
— Parece que você vai pular em cima dela a qualquer momento.
Suspirei, relaxando o corpo e suavizando a expressão. Não precisava que todos percebessem meus ciúmes. Damon era um inútil, tenho certeza de que a situação fosse o contrário, ele não gostaria nada!
— Parece tão estranho dois originais em um casamento! — Fazia um tempo que eu não ouvia aquela voz. Virei-me com um sorriso enorme, dando de cara com Marcel. — Não posso esquecer também dessas belas recém transformadas.
Ele envolveu-me em um abraço, o rosto radiante de contentamento. Marcel era uma figura ambígua para mim e para Klaus, inspirando tanto ódio — mais em Klaus do que em mim — quanto carinho. Hoje, temos espaço para amizade.
— Não te vi na cerimônia! —Protestei, afastando-me para deixá-lo rodear minha cintura com o braço esquerdo e olhar em seus olhos.
— Fiquei escondido. Não queria que Klaus se sentisse tão importante ao ponto de me fazer sair de New Orleans.
Eu ri baixinho, a euforia do reencontro ainda não totalmente consumida. Rebekah lançava um olhar analítico a Marcel, e eu sabia que ela se perguntava se valeu a pena todo o tempo que viveu apaixonada por ele. Acho que, com Matt na jogada, ela se arrepende amargamente de toda a trajetória dos dois. Estranhei quando o olhar dela se focalizou ao longe, para logo depois dar um sorrisinho maligno que sugeria satisfação em se vingar.
— Vejo que a escória achou o caminho até Mystic Falls!
Não havia lugar em que eu não reconheceria aquela voz, tão repleta de sarcasmo.
— Damon, velho amigo! — Marcel retribuiu as gentilezas, virando-se e me arrastando consigo para olhar Damon.
Aquele maldito tinha que ficar tão bem de terno?
— Diana, Charlotte está se perguntando onde Klaus e Caroline passarão a lua de mel. Venha cá.
E eu fui bruscamente retirada do abraço com Marcel, e arrastada para perto da Senhorita-Trezentos-Anos. Não pude deixar de, confusa, olhar para trás. Rebekah parecia que ia desmanchar em risadas, e até Elijah esboçava um sorrisinho de deboche. Fiz caretas para eles.
Damon parou em frente à Charlotte, e eu emburrei mais a cara. Olhos azuis piscina e cabelos dourados, juntos de um vestido vermelho provocante lhe faziam uma pessoa que eu instantaneamente queria longe do meu Damon. Ironicamente, ele achava incrível me levar junto a ela, para fazer uma confraternização e discutir sobre Lua de Mel.
— Eles vão para Veneza e depois para Londres. — Dei um sorriso falso para ela, que retribuiu na mesma intensidade. — Agora, se me dá licença, eu tenho que falar com Bonnie. — Sibilei, libertando o meu braço do aperto de Damon e lhe lançando um olhar decepcionado.
O que eu iria falar com Bonnie?
Eu me perguntava enquanto ia de encontro à bruxa, que estava do outro lado do campo, onde um aglomerado de flores enfeitava o chão. Já tinha planejado perguntar se ela dera uma ajuda com a “floricultura”, quando ouvi passos me seguindo e braços por sobre os meus ombros.
— Eu quero falar com você. — Ele sussurrou no meu ouvido, e eu fiquei irritada comigo mesma quando um arrepio percorreu minha espinha. Vendo que seria infantil de minha parte negar, assenti levemente, mas sem dizer nada a ele.
Ele me levou até a curva da rodovia, onde os convidados não podiam nos ver e uma árvore frondosa me serviu de apoio. Aproveitei enquanto Damon olhava em volta para cruzar os braços e montar uma expressão indiferente.
— Então, o que foi?
Ele franziu a testa para o meu tom desinteressado, antes de focalizar os olhos azuis em mim.
— Você está estranha hoje.
Senti cada pedaço do meu corpo ser percorrido pela raiva. Minha vista ficou vermelha e meus dentes trincaram. Eu ainda tinha problemas com as emoções, mesmo oito anos depois, e Damon costumava sofrer com isso. Mas hoje ele realmente merece, então não tentei me controlar.
— Que maravilha, Damon Salvatore! — Murmurei baixo e friamente, e ele piscou surpreso. — Você me traz até aqui para me dizer que eu estou estranha hoje!?
— Não foi para isso que eu...
Não dei ouvidos a ele, começando a andar para lá e para cá em sua frente.
— Você não fala comigo uma única vez depois do casamento do meu pai! Você não fica comigo um único momento. Em vez disso, passa a droga do tempo com aquela velhota oferecida! — Eu estava achando difícil controlar a respiração e a voz.
— A mesma que, quatro anos atrás, fez questão de te beijar “sem querer” e dois anos atrás, inventou de “conhecer Mystic Falls com você, que é nativo daqui e conhece cada milímetro da cidade”. Além de você me puxar como se eu fosse um saco de batatas de junto da minha família. Família essa que não esqueceu a minha existência hoje, que nem certas pessoas e...
— Hey! — Fui interrompida por Damon, que correu até mim, me prendendo em um abraço e depois segurando meu rosto entre as mãos. Confesso que foi tentador morder seus dedos.
— Me solt...
— Diana, escuta. — Ele me segurou mais forte para impedir que eu me contorcesse mais. — Eu só não fiquei com você hoje porque estava meio nervoso de ficar com você. Não sabia que se incomodava tanto com a Charlotte. — Ele deu um sorriso de escárnio para mim.
Senti-me idiota, o rosto se avermelhando sem que eu percebesse. Ele era um panaca, que não se importava com o que eu sentia. Olhei para o chão antes de colocar as mãos sobre as dele, retirando-as com um pouco de força.
— Olha, Damon. — Ergui um dedo para que ele me deixasse falar. — Eu estou cansada disso tudo. É sempre a mesma coisa, eu falo as coisas contigo e você age como se não fosse importante.
Virei às costas, disposta a sair dali e só falar com ele amanhã ou até eu não aguentar mais.
— Você está terminando comigo? — A voz dele pareceu quebrada e eu arregalei os olhos.
Eu, terminar com Damon? Nem que eu quisesse! Meu coração é estúpido o bastante para não conseguir viver sem ele.
— Olha, se é por hoje, me desculpa. — Ele nem me deu chance de falar “Não” e sair correndo pros braços dele...— Prometo não falar mais com a Charlotte. E quanto ao Marcel, eu fiquei com ciúmes. Se é por todos esses oito anos, não me desculpe.
Virei para ele fazendo cara de paisagem e esperei ele continuar com aquela afirmação confusa.
— Sempre fui assim e é sua capacidade de me aturar que faz com que eu te ame tanto. — Senti o coração acelerar, eram raras as vezes que ele dizia “Eu te amo” e era tão bom que eu sempre aproveitava ao máximo. — Então eu só posso te pedir que continue me aturando pela eternidade. Diana, quer se casar comigo?
Acho que se eu pudesse morrer por ataque cardíaco ou algo do tipo, esse seria o momento. Meus olhos estavam arregalados, e minha boca balbuciava coisas ininteligíveis.
Damon pedindo para se casar?!
Antes que ele mudasse de ideia, ou que eu acordasse desse sonho, pulei nos braços dele, toda a raiva de antes esquecida, e disse um “Sim” tão baixo e rouco que agradeci aos céus por ele ser um vampiro e conseguir escutar.
— Você é mesmo estranha.
Ele riu, e a voz transbordando felicidade fez com que eu o beijasse apaixonadamente. Do mesmo modo que foi no passado e do mesmo modo que seria no futuro. Damon era meu e eu era dele. Sempre e para sempre.
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