Notas iniciais
~~lê desvia de pedras. Foi mal o atraso pessoal! Faltaram ideia, desculpem mesmo, mas aqui está mais um capítulo, finalmente. Espero que gostem. Boa leitura!

Dessa vez, o beijo foi mais calmo, porém ainda mais embriagante. Nem de longe havia esquecido o sabor dos lábios de Damon, mas prová-los novamente com certeza era revigorante.

Aquilo me fazia lembrar de quando Klaus me colocava na sacada da antiga casa, em Nova Orleans, para observar o emblema da família. Ele me contava história de poder, reviravoltas e mais poder. Enquanto olhava para aquele emblema, como parte daquela família, sentia como se fosse capaz de tudo. Como se eu desejasse tomar o mundo, eu poderia. Depois de um tempo, deixei de dar valor ao poder do emblema e ao renome.

Passei a valorizar a poderosa linhagem, que sobreviveu durante um milênio — em toda sua totalidade própria—, e aquilo trazia o poder, a capacidade de viver livre, com esplendor. Um poder diferente, como fogo líquido que arde nas veias, e é exatamente assim que estou me sentindo nesse exato momento. Poderosa. Única.

As mãos dele passeavam pela minha cintura, e de repente me dei conta do que estávamos fazendo e de onde. Afastei-me dele devagar, em meio a uma batalha interna excruciante. Continuar com o poder, ou voltar à realidade?

— O que foi? — a voz dele estava rouca, e eu desviei os olhos de seu rosto confuso.

Apenas balancei a cabeça, e ao longe vi Caroline olhando para nós de olhos arregalados. Nunca agradeci tanto por Klaus não estar junto dela, e tentei ignorar os olhares chocados de alguns convidados da festa.

Caroline veio até nós, e não disse nada. Damon ficou encarando-a, irritado, até que ela nos levou para o escritório de Klaus, no andar superior.

—O que vocês dois tem na cabeça?— Caroline esbravejou assim que fechou a porta do cômodo. Sabia que aquilo não impediria um vampiro curioso de ouvir a conversa, mas creio que ela fez isso para evitar convidados enxeridos.

— Relaxa aí, loirinha. — Damon se jogou na poltrona ao lado da porta, e recebeu um olhar furioso dela em troca.

Eu não dizia nada, estava mais preocupada em xingar-me mentalmente do que com as broncas de Caroline.

— Caroline, relaxe, foi apenas um beijo. — Damon fez um pequeno biquinho com os lábios, estalando os em seguida. Queria eu esbanjar desse sarcasmo todo. — Por que esta tão nervosa? — continuou, e eu me forcei a prestar atenção na resposta dela.

— Um beijo na festa da família! Damon, eu sei que você é maluco, mas não sabia que queria morrer! — ela estava mesmo irritada com ele. Não me dirigiu a palavra, mas achei que seria errado deixar a culpa toda em cima dele. Afinal, eu quis beijá-lo também, certo?

E eu temia muito ouvir a confirmação daquela pergunta maldosa.

— Caroline, foi um impulso. — tentei manter a voz firme, mas ela me pareceu vergonhosamente falha. — Desculpe-me pelo escândalo, não vai acontecer novamente.

E, antes que ela — ou Damon — pudesse dizer alguma coisa, saí em disparada pelo escritório, abrindo a porta o mais rápido possível. Quando cheguei ao corredor, me senti aliviada, havia algumas pessoas ali e os dois seriam impedidos de usar sua super velocidade sem parar para hipnotizá-las.

Embrenhei-me por pessoas surpresas, sem me importar com a educação. Eu precisava sair dali, o ambiente cheio estava me sufocando e precisava ficar sozinha com meus pensamentos crucificados urgentemente.

Felizmente não encontrei nenhum conhecido pelo caminho, e respirei o ar puro da noite com entusiasmo. O tempo estava frio e me arrependi de não ter pegado um agasalho, mas não havia tempo para aquilo.

Cheguei à garagem, e peguei a chave do carro, que estava pendurada na parede ao lado do portão. Abri-o com o controle e em seguida afundei no banco do motorista confortável da BMW de Klaus.

As ruas de Mystic Falls eram frequentadas, em sua maioria, por jovens à noite. Alguns estabelecimentos estavam abertos, mas eu sabia que o mais movimentado era o Grill. As ruas já eram naturalmente calmas, com a festa de Klaus então, apenas aqueles que deram o azar de não terem sido convidados transitavam por ali, disso eu tinha certeza. Ninguém perde uma festa Mikaelson, e queria ter podido convidar a todos. Mas nem mesmo a maior das casas de Klaus comportaria todas aquelas pessoas.

Mantive a velocidade baixa até chegar à estrada, quando acelerei profundamente. Gostava de correr — mesmo que Klaus às vezes me obrigasse —, tanto a pé quando de carro. Só que, a pé, não era muito veloz por minha natureza humana.

E tudo voltava novamente até a questão de eu ser uma mera mortal no meio de um mundo sobrenatural caótico e poderoso, sujeita a deixar de existir em um piscar de olhos.

Claro que sabia que Klaus me transformaria assim que achasse prudente, ele mesmo havia dito isso e temia minha morte. Era um homem de muitos inimigos, e os inimigos atacam da maneira que podem. Os principais alvos eram, com certeza, eu e Caroline. Elijah e Rebekah vinham logo atrás na fila.

A estrada ia escurecendo cada vez mais, assim como meus pensamentos. Sabia que nesse momento toda a família — e conhecidos — deveria estar procurando por mim. Minha saída noturna com certeza foi imprudente, com todos esses rumores sobre a festa que, com certeza, correram o mundo todo.

Seria muito difícil alguém me reconhecer, e eu deveria ser capaz de sobreviver por um tempo, caso o ataque ocorresse. Esperava que esse “tempo” fosse suficiente para que alguém chegasse. Não estava preocupada, não até uma figura aparecer bem no meio da estrada, impedindo meu caminho.

Era uma visão sinistra, uma névoa densa corria pela floresta e escapava até a estrada. A figura era um vulto disforme, que se aproximava do carro — parado por mim no ataque súbito de choque.

Ele chegava cada vez mais perto, cada vez mais perto... Seria iluminado pela luz do farol daqui a pouco. Senti meu coração pulsar cada vez mais rápido quando uma face apareceu em minha frente.

Era Damon. Filho da puta.

Em vez de relaxar, meu corpo se tencionava ainda mais enquanto ele entrava no carro. Como se não tivesse quase me dado um ataque no coração. Fechou a porta e esticou as pernas o máximo que o chão do carro lhe permitiu. Depois, virou o corpo em minha direção sorrindo preguiçosamente.

— Assustada, ruiva? — aqueles olhos faiscando em minha direção, provocativos, e aquele sorriso sugestivo me irritavam muito naquele momento. Nunca quis bater tanto nele, nunca mesmo. Chegava a sentir meu rosto ardendo de raiva.

— Cale a boca. — apoiei a testa no volante e senti minha respiração ir normalizando aos poucos. A raiva ia abrandando também, dando lugar a vergonha por ter reagido de forma tão... Covarde?

— Você me assustou. — confesso, depois de um tempo. Ele já sabia disso, devia ter ouvido minha frequência cardiorrespiratória quando entrou no carro, mas quis contar de qualquer jeito.

— Desculpe. — respondeu simplesmente, e eu relaxei. — Todos estavam te procurando, tive a sorte de ser eu a encontrar. — e o sorriso debochado voltava outra vez.

— Eu precisava sair. — passei as mãos pelos cabelos, desfazendo o penteado elaborado que Caroline fez. De repente, as roupas da festa pareciam apertadas demais e tudo que eu queria era estar debaixo das minhas cobertas. Mas eu não estava. Estava em um carro, em alto-estrada, em um horário nada favorável. Com Damon. Sozinha. Sozinha com Damon. Merda.

— Por quê? — eu não saberia responder, então fiquei em silêncio.

Acredito que dois minutos se passaram, então eu disse, para quebrar a tensão:

— Precisava de ar. — estiquei o pescoço, que estava dolorido.

Ele riu, e eu apreciei o modo como seus ombros tremiam e a boca se encrespava em um sorriso bem humorado.

— Você é engraçada, ruiva. — comentou depois que parou com o ataque de risos.

— O quê? — perguntei, verdadeiramente confusa.

— Age como se realmente se arrependesse. Tenta enganar a si mesma. — o sorriso se tornou cruel e me lançou um olhar afiado.

— E sobre o que estou me enganando? — arrisquei com a voz fraca, engolindo em seco e abalada por sua constatação.

Ele se ajeitou no banco antes de responder, olhando para a estrada deserta a nossa frente.

— Talvez sobre o que você deseja. Você pensa que quer calmaria, estabilidade. — me encarou, erguendo as sobrancelhas. — Mas o que verdadeiramente deseja, e todos vêem isso menos você, é aventura.

— Você quer correr riscos, Diana. Não estaria parada nessa estrada comigo se não quisesse.

— Como se você fosse me deixar ir embora sem dar seu showzinho. — acusei, porque era tudo que eu poderia dizer para ele naquela hora.

Então, ele abriu a porta do carro e colocou a pena direita para fora, na estrada e me encarou desafiador.

— Posso ir agora. — provocou.

Apenas fiquei o encarando, perdida demais em pensamentos para responder. Ele tinha razão, se eu não quisesse me arriscar não estaria com ele e muito menos mantendo mesmo que um ínfimo contato. Tudo nele dizia “perigo” e eu sabia disso, mas continuava me aproximando.

O fogo te aquece se mantém uma distância adequada, mas, se você se aproximar demais...

Foda-se, eu quero me queimar.

O puxei para mim, antes que saísse do carro. Minhas mãos envolveram sua nuca, enterrando-se em seus cabelos negros. E ele também queria, pois se inclinou em minha direção de forma voraz, segurando minha cintura com possessividade.

Um ardor bem vindo instalou-se por todo o meu corpo, aquecendo-me. Queimando-me. Os lábios quentes, as bocas em sincronia, o calor. Deus, estou derretendo.

Separei-me dele apenas quando o ar se fez necessário e meus pulmões começaram a arder. Ofegante, dei a partida no carro, como pretexto para não ter que olhá-lo.

— Vamos correr riscos então, Damon. — sibilei, sorrindo. Estava corada, pois sentia seu olhar sobre mim.

Quando chegamos à mansão, tudo já estava calmo. Devia ser realmente tarde, para os convidados terem ido. As luzes estavam todas acesas, e sabia que quando entrasse ali, teria que ter uma boa explicação.

— Onde você estava? — Rebekah guinchou assim que entrei na sala, Damon logo atrás.

Era estranho olhar para o salão desarrumado, e vazio. Era mais estranho ainda ver a fileira que eles faziam, esperando uma resposta minha. Todos estavam lá, inclusive Stefan e Elena.

— Diana se perdeu — Damon respondeu antes que eu pudesse arquitetar um plano —, por sorte, encontrei-a perto da ponte.

— Ainda não aprendeu a andar pela cidade? — Elena perguntou, incrédula.

Balancei a cabeça devagar, mordendo os lábios, envergonhada. Dei boa noite a eles e subi as escadas com o pretexto de dormir por estar abalada pelo “choque de me sentir abandonada na cidade sombria”.

Antes de caminhar pelo corredor, me virei para trás e lancei a Damon um olhar que dizia tudo. “Obrigada” era a principal mensagem. Ele tinha me livrado de uma enorme enrascada, e eu não sabia como agradecer. Damon me deu um sorriso imperceptível, a não ser para mim.

Naquela noite, dormi bem, como nunca havia dormido antes. Sentia-me segura num mar de riscos. O maior deles era me afogar naqueles olhos azuis.

Notas finais
E aê? Gostaram? Odiaram? Opiniões nos reviews, por favor. Meta para o próximo: 4 reviews. Quer dizer, vamos continuar postando os caps, mas reviews ajudam a gente a escrever mais rápido...~~olhar maligno :v. Então, questões importantes foram levantadas nesse capítulo, o que acharam? Acredito que a média foi boa, mas não gostei muito do desenvolvimento. Título inspirado em Hush Hush *u*. Beijinhos, até mais. -Colly.