Always Guided By The Faith
2 Memórias
Notas iniciais
Tudo era novo para Alexius. Ele não conseguia acreditar em tudo o que a Sicária havia lhe dito. Não conseguia entender como pode ser tão fraco a ponto de não proteger Klaus, não conseguia entender como pode não ver esse monstro vindo em sua direção e como pode deixar Marieé escapar por entre seus dedos. A sicária já estava casada e com filhos. Durante esse tempo em coma, muita coisa aconteceu. O templário não conseguia tirar a decepção de seu olhar, e principalmente de seu coração.
Desde que conheceu a sicária, no vasto campo de treinamento e quando ainda eram aprendizes, havia ficado fascinado por sua imensurável beleza. Marieé tinha longos cabelos brancos, que iam até a altura da cintura. Gostara de deixa-lo solto e sempre ao vento, para que pudesse senti-lo com muita facilidade. Alexius perguntou para a jovem, quando a conheceu, se eles não queriam formar um grupo e o convite de imediato foi aceito. Depois daquele dia a amizade –e o sentimento secreto guardado dentro do peito de Alexius- crescia cada vez mais.
- Marieé, o que faremos agora? Quero que você me explique o quanto tudo mudou.
E então a Sicária voltou a explicar-lhe sobre todas as mudanças ocorridas e Rune Midgard. Explicou sobre a drástica mudança econômica no continente, as novas leis impostas pelos superiores e as novas classes disponíveis.
A cada palavra da jovem o templário ia se confundindo cada vez mais. Não conseguia assimilar tantas mudanças ao mesmo tempo, não entendia perfeitamente essas novas leis e não podia acreditar que seu cargo fora tão rebaixado. Em sua época de lucidez era simplesmente o templário mais renomado de Prontera, e agora era apenas um templário como qualquer outro. Paladinos e Guardas Reais haviam tomado seu lugar e seu posto, deixando-o na lama. Alexius era orgulhoso e não aceitava que outros fossem melhores do que ele. A certo ponto parecia ser uma atitude um tanto quanto rude, mas ele sabia o quão bom era e sabia o quão honestamente fazia o seu trabalho, e saber que outros estavam em cargos superiores sem ter passado por tudo o que ele um dia passou o deixou extremamente furioso. Esse era Alexius, cabeça quente, orgulhoso e incrivelmente ríspido. Não era mal-educado, isso não era, mas ia sempre direto ao ponto, sem dar brechas para que suposições fossem feitas em suas falas. Ele era um excelente amigo, e isso ninguém poderia negar. Sua confiança, sua amizade e sua sinceridade para com os de seu grupo era algo realmente singular, o que talvez o diferenciasse dos outros templários, na época.
Levantou-se de sua cama, ajeitando os longos cabelos cor-de-fogo que tinha. Procurou por um espelho em seus aposentos atuais e pode perceber que algo estava diferente com ele. Parecia estar mais velho, mas não muito. Seu rosto parecia cansado, mesmo tendo dormido durante sete longos anos. Continuou a observar-se e teve um tremendo susto ao perceber que algo realmente importante havia mudado em sua fisionomia.
- Marieé, o que houve com meus olhos?!- Não sabemos. Klaus também teve a cor dos olhos modificada, mas achamos que seja um dos sintomas do monstro que atacou vocês.
O Templário tinha grandes orbes azuis no passado, e agora estava com orbes cinzas, tão fria quanto sua alma ao ouvir cada palavra que a amiga lhe dizia. Ainda era difícil entender tudo o que tinha acontecido e aceitar parecia ser ainda pior.
- Marieé, me leve até o Klaus, por favor. Quero ver como ele está. – Pronunciou o jovem, prendendo seus cabelos no alto, com um grande rabo-de-cavalo.- Certo, venha comigo.
-x-
A Arcebispa ainda gritava pelo nome do amigo, não iria aceitar que ele dormisse novamente. A última vez que o fez, dormiu durante sete anos. Não o deixaria dormir novamente, não o perderia novamente, não aceitaria novamente.Chacoalhou o jovem mais algumas vezes, mas tudo parecia inevitável. Pensou em todas as preces diferentes para que o amigo acordasse, mas não conseguia lembrar-se de nenhuma que pudesse acordá-lo.- Klaus, levanta-se, por favor...
-x-
- Bem, chegamos.
Marieé e Alexius estavam em frente à Catedral de Prontera. O templário não sabia por que estavam ali, na verdade, achou estranho que um moribundo estivesse em uma catedral. Mesmo que ele também fosse guiado pela fé, sabia que a igreja não poderia lhe proporcionar o melhor para uma recuperação rápida e efetiva. Sabia também que os sacerdotes poderiam orar pelo amigo, e isso já o confortava ao menos um pouco. Preocupava-se com o menor, mais até do que com qualquer outro do grupo, até mesmo do que com Marieé. A amizade de ambos era antiga. Alguns minutos mais antiga do que a amizade com as duas moças do grupo. Assim que chegou ao campo de treino, percebeu que alguém estava comunicando-se com ele. Um menino mais baixinho, com uma aparência fraca e com cabelos relativamente curtos e esbranquiçados. De imediato achou que fosse uma menina pela feição feminina e delicada que o outro tinha, mas percebeu que era um homem pela roupa masculina, e claro, pela falta de seios.
- Venha, Alexius. Vou te levar até o Klaus.
E então foram. Entraram em alguns corredores, subiram escadas, passaram por mais alguns corredores e logo começaram a ouvir choros e gritos vindos do quarto do sacerdote. Apressaram o passo e começaram a correr, quando depararam-se com a Arcebispa debruçada sobre o corpo de Klaus, chorando inconsolavelmente.
- Porque ele não acorda?! Por quê?! –Questionava-se Samantha.
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