Always And Forever
1 Capítulo 1 Sonhando sem querer acordar
Notas iniciais
Capítulo 1 — Sonhando sem querer acordar
“Eu andava entre as árvores do bosque e ele me seguia. Aquele olhar encantador que me seduzia. Seus lindos e expressivos olhos verdes me hipnotizavam, era como estar em outra dimensão. Não havia som de carros, nem de pássaros, apenas minha voz e a dele, como se fôssemos uma linda canção. Somente nós dois, juntos, num beijo que poderia durar a vida inteira se....”
- hey, Sarah! Acorda menina!
Uma voz penetrou em seus pensamentos e ela acordou assustada.
- ahhh, o que foi Ginny?? – ela esfreguou os olhos ainda sonolenta.
- bom dia se usa tá?
- bom dia. Mas o que aconteceu pra você me acordar gritando?
- você estava sonhando... Estava tendo “aqueles” sonhos novamente... – ela disse baixinho, para que ninguém ouvisse.
- o sonho... ah que sonho... – ela disse com um olhar perdido.
- eu sei que não devia fazer isso mas... me conta? Eu tô morrendo de curiosidade pra saber o que aconteceu dessa vez... – as duas soltaram uns risinhos tímidos.
- tranca a porta. Não quero nem pensar no que a Madre Shiffer pode fazer se ouvir...
Ginny obedeceu e trancou a porta do quarto. As duas estavam sozinhas, cada uma sentada em sua cama que ficavam de frente. Ginny estava de olhos e ouvidos bem atentos para a conversa. Adorava ouvir histórias românticas, mesmo que realizá-las era praticamente impossível.
Sarah contou todo o sonho para a amiga de ‘confinamento’. Sim, aquele lugar era quase isso. Era proibido de tudo, ver tv, ouvir música, ler revistas, a única coisa aceitável era rezar. Nada mais natural para um glorioso e bem conhecido convento de freiras. E naquele não seria diferente.
Sarah era uma jovem freira que morava em um convento, não por vontade dos pais como muitas ali estavam, mas por vontade própria. Desde pequena, depois da morte de seu pai quando ela era bem jovem, Sarah decidiu que iria para o Convento Grimmald. Acreditava que seu futuro era se tornar uma madre e somente obeder às ordens de Deus. Estava errada.
Ginny era sua amiga de quarto. Lá, cada freira ficava em um quarto com outra freira e as juntas deveriam dividir diversas funções. Logo de cara as duas se deram extremamente bem, se tornando muito amigas. Claro que isso não acontecia com todas, e algumas freiras “menos fervorosas” mantinham ódio no coração. E não sabiam que também estavam no local errado.
Tudo corria bem, Sarah estava feliz com seus “trabalhos religiosos” e em breve se tornaria ‘freira-chefe’ do setor de artigos religiosos. Mas algo estranho começou a acontecer, mais precisamente sonhos que chegavam bem próximos à realidade.
- eu não sei o que faço, Ginny. Esses sonhos estão ficando cada vez mais freqüentes. – durante uma tarde tranqüila elas conversavam.
- isso é estranho mesmo. Quem sabe não é um milagre? – ela disse com seu jeito doce e sorridente.
- mas milagre de quê? Como pode ser algo santo sonhar com um homem que eu nunca vi? Eu não entendo...
- deve ser algum presságio... algo que vai acontecer.
- vira essa boca pra lá Ginny! Eu nunca vou conhecer um homem assim! Ainda mais trancada aqui. Só por milagre mesmo um homem lindo desses se apaixonaria por mim. – ela disse sonhadora. – Ai meu santo Deus!
- o que foi??
- o que estou dizendo?? Isso é pecado! Eu estou pensando coisas pecaminosas! – e ela batia na boca várias vezes – Tire isso da minha mente, Senhor! Eu me sinto tão impura....
- tenha calma, amiga. Você não pode se maltratar por pensar essas coisas... você é uma mulher neh?
- uma mulher de Deus! E não posso pensar nisso, logo agora que minha nomeação está tão perto...
- fica tranqüila... Deus é capaz de entender a gente, Ele te perdôa...
Ginny conformou a amiga, mesmo a confundido mais do que deveria. Sarah estava confusa. Nunca tinha pensado em um homem como agora, seu coração batia forte sempre que acordava e lembrava do rosto dele.
- eu estou ficando maluca... só pode ser isso... – ela disse antes de fechar os olhos e cair no sono.
“Eu estava em casa e ele chegou me trazendo flores. Era um completo cavalheiro, parecia um príncipe. Assim que me viu me deu um beijo apaixonado. Disse que me amava. Ah, como era bom ouvir aquilo! Depois do beijo ele caminhou até o quarto quando de repente a viu dormindo como uma anjinha no bercinho rosa. Ele abriu um sorriso lindo e eu pude ver seus olhos brilhando. Em seu rosto estava estampada toda a dor da saudade que ele sentia da filha....”
- filha???? – Sarah acordou agitada.
- Sarah, o que foi??? Outro sonho?? – Ginny acordou assustada e quando olhou para o relógio ainda era de madrugada.
- eu não aguento mais Ginny.... esses sonhos vão me deixar completamente louca! – ela passou as mãos no rosto que pingava suor.
- mas o que foi dessa vez pra te deixar tão apavorada??
- uma filha... eu vou ter uma filha com ele!
- que lindo!!!!!
- eu tô louca... só pode ser...
Elas ouviram alguém abrir a porta do quarto num baque. Se alguém mais as visse, poderia jurar que elas tinha visto um fantasma. Mas era alguém muito pior. Madre Paige Shiffer.
- o que está acontecendo aqui?? – ela disse com sua voz rouca, mantendo a postura para se mostrar autoritária.
- eh.. Madre... não foi nada... – Ginny tentava falar mas as palavras não saíam.
- irmã Sarah, me explique porque a senhorita está toda molhada de suor. – a Madre exigiu falando mais alto.
- eh... foi um pesadelo... – ela disse tímida.
- um pesadelo? Freiras de verdade não devem ter coisas más que as façam ter esses pesadelos. Somente uma mente de uma pessoa impura a faz acordar desse jeito. Tenham uma boa noite. – e saiu com um furacão.
- você deve ter mais cuidado, Sarah... essa Madre é um monstro, isso sim. – Ginny deu um sorriso para animar a amiga.
- é, eu sei... e dos piores... – ela tentou forçar um sorriso e se deitou na cama para tentar dormir mais uma vez. Apenas tentou, pois o sono mesmo não veio.
O dia seguinte era sábado. Um dia de alegria para todas as freiras, pois aquele dia era o único da semana que elas podiam sair e ir até a cidade sem levarem bronca de ninguém. Na maioria das vezes, Sarah ficava no convento. Não via nada de bom a se fazer no mundo “lá fora” que para ela era apenas um mundo de caos e tristeza. Se sentia mais segura dentro do convento, com todas aquelas pessoas que emitiam paz. Mas naquele dia Ginny a fez sair. Com muito custo, mas conseguiu.
- olha o que eu consegui!! – ela dizia pulando com o que parecia um ingresso na mão.
- o que é isso?
- show!!!
- show de quem??
- daquela banda que eu disse pra você! Aquela que minha irmã adora!
- aquela banda de rock??
- isso!!! My Chemical Romance!
- Ginny, pára de pular. Tá me deixando nervosa já. – Ginny parou e se sentou na cama – mas... como vamos no show de uma banda que nem conhecemos??
- eu conheço! Já ouvi algumas músicas deles quando estava de férias na casa dos meus pais. A Lindsay adora eles, é fanática. Ela me deixou ouvir algumas músicas e são todas ótimas!
- nossa... uma freira gostando de rock...
- e o que tem isso?? Eu não preciso só ouvir música de igreja o dia inteiro, preciso?? Por Deus Sarah! Nós não somos ET’s! Somos apenas garotas normais que seguiram rumos diferentes da maioria, oras! Servir ao Senhor não nos impede de ouvir uma boa música, estou certa?
- tenho que concordar... você tem razão.
- então?? O que tá esperando hein? Vamos logo!
- e o que vamos dizer pra Madre??
- ahhhh, eu já tenho tudo planejado! Vamos!
Realmente Ginny era bem esperta. Ela planejou tudo direitinho. Enrolaram a Madre com uma história que visitariam uma pessoa doente que morava do outro lado da cidade. Depois de algum custo, conseguiram convencê-la e saíram mais que depressa. O show iria começar em pouco tempo e elas ainda precisavam trocar de roupa. Afinal, quem iria para um show de rock vestida de freira?
No banheiro da casa de shows elas se trocaram. Sarah estava nervosa, nunca tinha aprontado numa aventura como essa. Seu estômago estava embrulhado, parecia um vulcão em erupção.
Como o lugar era pequeno, cabiam pouquíssimas pessoas ali dentro. Felizmente as duas conseguiram ficar bem perto do palco, onde em instantes Sarah iria conhecer o homem que mudaria sua vida para sempre.
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Personagem: *ao longo da fic eu vou postando as fotos ok?*
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