Notas iniciais
Hey, novo capítulo pra vcs :)

Caroline acordou ouvindo o barulho do chuveiro. Klaus estava no banho, e o sol mal havia dado as caras no céu. Ela se livrou das cobertas, indo até o guarda-roupa para escolher um traje, já que não podia protelar por muito mais tempo. Quando saiu do banheiro, o vapor quente da água se dissipou.

- Bom dia! – Caroline sorriu amistosa.

- Bom dia. – ele respondeu indo pegar suas roupas.

- Não é meio cedo ainda? – ela apontou o relógio.

- Pode ficar dormindo, eu vou resolver...

- Nem vem com essa – Caroline o interrompeu, ajudando a fechar os últimos botões da camisa dele. – Vim pra ficar do seu lado e vou ficar, a menos que tenha força suficiente pra me manter longe. — deu um tapinha no queixo dele, e voltou andando até o guarda-roupa para escolher o restante de seu vestuário. De repente sentiu seus pés longe do chão, e foi encaixada sobre o ombro dele num movimento rápido e então foi jogada na cama, ficando presa entre os cotovelos dele.

- Sou completamente capaz de manter você longe! – ele a encarou, enquanto ela ria.

- Eu me assustei. – ela tentou se livrar e acabou conseguindo, pois ele usou uma das mãos para afastar uma mecha do cabelo que estava em seu rosto e vislumbrá-lo de forma clara. Os olhos de Caroline estavam brilhando de forma incrível, e Klaus abriu um sorriso simples. – Eu não acho. –provocou, estalando a língua. Então ele afundou seu corpo sobre o dela, juntando suas bocas. Caroline cedeu um pouco, mas então quando ele pensou que estava se dando bem, sentiu as unhas delas cravando-se em sua barriga.

- Ai – ele gruiu caindo de lado, tempo suficiente para que ela conseguisse prendê-lo entre seus joelhos.

- Confesse! – ela ordenou.

- Não! – se recusou.

- Tem certeza? – o ameaçou brincalhona.

- Talvez. – ele titubeou conseguindo se levantar, mesmo que ela permanecesse em seu colo. Caroline envolveu o pescoço dele com seus braços o encarando com um sorriso genuíno. – Sinto que está tentando me enrolar.

- Eu? – dissimulou. – Só acho que você está muito apressado, ainda é cedo. Tivemos uma noite um pouco movimentada, e eu não sei...

- Um pouco? – ele lançou um olhar “não minta”.

- Certo. Uma noite mediana. – ela brincou. – Estou morta de fome, então se puder esperar que eu tome banho, e me arrume e então poderemos descer de mãos dadas e aproveitar o café da manhã com um cas...

- Como? – ele a instigou a continuar.

- Vou para o banho. – saltou do colo dele, mas foi detida porque ele a segurava pelo pulso.

- Casal? Era o que ia dizer?

- Não – soltou um risinho alarmado – Não, quero dizer não estou forçando nada, eu só deixei escapar.

- Certo, então não está achando que somos um casal? – sugeriu.

- Quero dizer, sabe estamos dividindo a cama e tudo mais. E essa é a coisa mais insana que eu já fiz. Eu nem te conheço e...

- E mesmo assim, veio até aqui para me apoiar. Amor estou feliz por tê-la aqui.

- Vamos deixar esse drama adolescente pra depois, certo? Vou me arrumar e... Tomamos café?

- Estou esperando – ele beijou seus lábios de surpresa, e ela abriu os olhos sob aqueles cílios que ele tanto gostava, e sorriu indo para o banho.

Ele não tinha certeza sobre as dimensões do que significava encontrar Mikael depois de tanto tempo, e doente. Mas ele estava disposto a adiar por mais algumas horas todo o drama, só para aproveitar a atmosfera maravilhosa com Caroline. Enquanto ela cantarolava baixinho, provavelmente na tentativa de que ele não escutasse, ele respondeu alguns e-mails de trabalho.

Ei idiota, quis dizer Nick.

Sei que foi embora porque não suporta cidades pequenas, e há muito tempo deixou de se sentir confortável conosco. Talvez tenha alguma coisa com Kol sendo idiota, e eu sendo mimada... Eu quis dizer TALVEZ. Eu sei que aquela história de ficar junto sempre e pra sempre, acabou. Tentamos superar nossos problemas com papai e mamãe, mas acabamos criando os nossos.

Odeio admitir, mas sinto sua falta. Queria você por perto, nem que fosse pra me chamar de estúpida, e me mandar crescer.

Se não for pedir muito queria que você viesse pra cá, nem que por um fim de semana. Ou quem sabe eu apareça por ai de surpresa, essa casa também é a minha. Dane-se, eu só estou nostálgica, chorosa e tomei um pouco de uísque, é finalmente contei para o Matt, sobre tudo. É eu disse TUDO. Pode me xingar, eu não ligo.

Sabe? Eu te amo. Aproveite que estou fora de mim, para confessar isso. Mas vou negar se você contar pra alguém.

Tchau, ou Atenciosamente sei lá como devo terminar um e-mail.

Klaus terminou de ler sentindo seus olhos úmidos. Rebekah sempre levara a fama de ser chorona, mas ele também compartilhava do mesmo defeito. Bom, pelo menos ele achava que era um defeito. Ele tinha aquela estranha vontade de reunir todos os que amavam em torno de si, nem que isso tivesse que obrigá-los. É claro que não podia fazer isso, então aos poucos ia abrindo mão, mesmo que isso o dilacerasse por dentro.

Se ele fosse bom em expor seus sentimentos, diria sentir falta do “falatório” de Elijah. Por mais que não pudesse contar com Mikael para as coisas cotidianas, ele tinha o irmão mais velho, para ajuda-lo nas confusões de escola e aconselhá-lo sobre seu “primeiro amor”. Os anos se passaram e a decisão de ignorar a maior parte do que ele dizia, tornou as coisas complicadas entre eles.

Já Rebekah era sua irmãzinha, não importava se ela tinha cinco anos e ralara o joelho ou trinta e tivera o coração partido. Ele não gostava de vê-la sofrer.

Quanto a Kol, o caçula desmiolado que agia metade do tempo por impulso e a outra metade no piloto automático, Klaus gostaria de ter um pouco do espírito livre, quem sabe algumas coisas ficassem mais fáceis de lidar.

O barulho de Caroline saindo do banheiro o fez pigarrear, virando o rosto para disfarçar o nó na garganta.

- Klaus? Você está bem?

- Claro! – ele sorriu. – Pronta?

- Pronta. – ela passou a mão pelo casaco, e ele estendeu sua mão, para descerem.

...

Esther elaborava a lista de compras junto com a empregada, enquanto Mikael estava sozinho no jardim de inverno. Ela o vigiava periodicamente, mas se mantinha distante para não o irritar. Foi interrompida, quando a governanta anunciou que Klaus e Caroline a aguardavam na sala.

- Nicklaus – beijou o rosto do filho – Caroline – fez o mesmo com ela.

- Bom dia senhora Mikaelson! – a loira respondeu forçando um sorriso.

- Já tomaram café?

- Mãe, eu e Caroline já comemos o suficiente, só quero ver Mikael. – a interrompeu.

- Klaus – Caroline sussurrou.

- Ele está no jardim de inverno. Você sabe o caminho. – Klaus concordou, saindo. E então o clima desconfortável caiu como chuva torrencial na sala. A governanta pigarreou oferecendo algo para beberem, elas aceitaram e ocuparam os estofados.

...

Klaus conhecia a casa perfeitamente, apesar das mudanças na decoração, a casa onde passara parte de sua infância ainda era a mesma. O jardim de inverno era um dos seus lugares favoritos quando menor. Aquelas plantas e toda a beleza que elas irradiavam, foram as primeiras incentivadoras de sua parte artística. Ao chegar à entrada, Klaus se deteve, e sua respiração tornou-se pesada e audível.

- O que foi agora Esther? – Mikael se virou.

- Pai? – Klaus estava surpreso e atormentado. Mikael estava pálido, perdera peso e usava uma cadeira de rodas.

- Olá Nicklaus – o velho cumprimentou sem um pingo de emoção. -, o que veio fazer aqui?

- Eu estava em negócios, resolvi fazer uma visita. – reuniu suas forças para dizer.

- Você não mudou nada... – disse pausadamente – Ainda se escondendo atrás de desculpas esfarrapadas, como um covarde. Eu não sou tão tolo, Esther lhe contou não foi? Posso estar nessa situação, mais ainda sou muito esperto, para que vocês possam mentir pra mim. – e lá estava o velho Mikael, sua doença não o impedira de ser o mesmo de sempre.

- Se você não fosse um velho estupido, ela não precisaria contar nada.

- Não me diga – desdenhou. Klaus sentiu uma vontade imensa de xingá-lo ainda mais. – Onde estão os tolos dos seus irmãos, vieram tentar me consolar?

- Eles não sabem nada, não os vejo há algum tempo – explicou, tentando controlar a raiva que corria em suas veias.

- Ah, mas é claro que eu sabia que esse dia chegaria. – soltou um risinho provocador. – Ninguém suporta viver com você meu garoto. Seu destino é acabar sozinho. Quem está ao seu lado se não aqueles que recebem para fazê-lo?

Klaus sentia seus olhos arderem, ele odiava se sentir tão vulnerável. Desde sempre Mikael lhe dizia que ele não merecia companhia de espécie alguma, que ele era tão tolo e controlador que seu destino era muito poder e nenhuma família.

- Sabe Mikael – o loiro fechou o punho, com ondas de tremores percorrendo seu corpo – eu queria ter certeza que estava bem...

- Estou ótimo – cortou duro.

- Ótimo – Klaus soltou uma risada histérica e ruidosa – Claro! Se uma cadeira de rodas, pulmões falhando, e oxigênio portátil é estar ótimo... Sim você tem razão.

- O que veio fazer aqui? Acha mesmo que eu preciso de você?

- Não, você não precisa – cuspiu as palavras – porque você sempre tem o que merece. Essa doença é o pagamento por todos os anos que você nos subestimou, nos massacrou, nos desprezou. – seu tom era alterado. – Então sabe o que eu quero que aconteça? – se aproximou apontando o dedo em riste – Quero que morra. Morra! – gritou.

- Sabe Nicklaus – o homem olhou-o com superioridade, vendo que as lágrimas já escapavam ao controle do filho. – Esse seu jeito chorão, sempre será a única coisa que o impede de ser realmente grande.

Klaus abriu e fechou a boca sem ter o que dizer. Seu coração martelava descompassadamente, e sua raiva era tamanha que ele pegou um dos pequenos vasos ordenados e o lançou contra o vidro do jardim, que rachou-se de cima a baixo com o impacto.

Da sala Esther começou a tremer.

- Eles vão se matar – ela quase gritou, se levantando para separá-los.

- A senhora não está bem. – Caroline a impediu – Deixa que eu vá. – deixou a xícara, correndo sem rumo. A governanta apareceu e Caroline ordenou que ela ficasse com Esther, e a mulher lhe apontou o caminho. Quando chegou ao cômodo, a loira viu Mikael respirando pesadamente e gritou por ajuda, enquanto Klaus ia ao longe, já que usara uma porta que levava do jardim de inverno para o lado de fora da casa. – Senhor Mikaelson? — tentou ajuda-lo.

- Quem é você? Tire suas mãos de mim! – ordenou ríspido. Por sorte Esther, a governanta e uma mulher de branco – provavelmente enfermeira – apareceram.

- Vá atrás dele, nós cuidamos de Mikael – Esther apontou. Caroline assentiu atordoada, deu um passo em frente e outro atrás, antes de correr porta a fora para achar Klaus. Ele estava distante, e ela se apressou na tentativa de alcança-lo. Gritar seu nome não fazia nenhum efeito, então ela decidiu correr em disparada. O terreno era um tanto irregular, a grama estava aparada, mas mesmo assim ela sentia dificuldades em alcança-lo.

- Klaus? – disse ofegante, espalmando as mãos contra o peito dele.

- Me deixe, por favor?

- Não. – ela disse decisiva segurando seu rosto para forçar que ele a olhasse nos olhos. – Você não vai sair por ai desse jeito. Se alguma coisa acontecer com você...

- Eu não sou tolo, Mikael não vai me fazer perder a cabeça. Aquele maldito.

- Hey, você não pode levar as palavras dele em conta.

- Você ouviu, ouviu o que ele disse?

- Ouvi. E não sei por que está tão descontrolado. Você se afastou dos seus irmãos e não o contrário. – ele usou seus polegares para enxugar o rosto dele.

- Você não sabe nada sobre nós. – ele insistiu.

- Sei sim. – retrucou – Sei que tiveram uma vida difícil, sei que seu pai é um cara amargurado que foi ferido quando jovem e descontou isso em vocês. Eu dei um tempo de Mystic Falls, estou aqui por você. Você realmente acredita que ninguém se importa?... Você acabar sozinho? Quem é que está escondendo do mundo seus problemas? Se tiver algum covarde aqui, é ele. Ele é quem está deixando Esther sofrer, sem ter nenhum de vocês para apoia-la. Se existe um covarde, é ele que não pode admitir que é humano, tem defeitos e pode ficar doente. Agora pare de se diminuir, se ele não pode lidar com a verdade, você pode.

- Eu...

- Seus irmãos precisam saber. Eles precisam escolher se querem ou não enfrentar esse problema juntos. Sua mãe pode não ser a melhor mãe do mundo, mas tenho certeza que ela precisa de você. Precisa de todos vocês.

Klaus respirou fundo seguida vezes, e afastou-se ajoelhando e colando a cabeça entre as mãos.

- Eu o odeio tanto. Consigo lidar com qualquer um, com qualquer maldito que atravesse meu caminho – reclamou – Cinco minutos com Mikael e todo o meu controle vai por água abaixo.

Caroline se aproximou afagando o ombro dele.

- Você o ama – ela ponderou – Mesmo que isso seja tão difícil de lidar!

...

Notas finais
Hunf - lindo - SQN

Beijos e até o próximo :)