Notas iniciais
Olá, nos vemos nas notas finais :)

- Tem certeza que vai ficar ai? – disse Klaus com uma mão no trinco da porta do carro.

- Absoluta, não quero criar problemas. – Car afirmou.

- Sabe que posso demorar, não? – acrescentou de forma pedagógica.

- Eu trouxe café, um livro, tenho um celular, o som do carro – apontou – Não vou ficar entediada.

- Certo. – ele deu de ombros, finalmente descendo.

Uma semana atrás, Caroline havia convencido Klaus a viajar até Londres. Como combinado ela iria junto, isso a fez fechar a conta no hotel, retornar a Mystic Falls, enfrentar uma extensa conversa com Liz cheia de tentativas vãs de fazê-la aceitar uma viajem inesperada para outro pais, mais precisamente outro continente. Além disso, havia a emissora, Caroline entrou em acordo com Elijah, e Rebekah assumiria a atração pelo tempo que ela estivesse fora. Elijah era extremamente compreensível, em contrapartida Kol não era tão discreto. Fez milhões de perguntas, partiu para insinuações, e teorias. Por sorte ele continuou na duvida sobre ela e Klaus. Elena a apoiara na decisão, com tanto que mantivesse contato diariamente, por qualquer meio de comunicação possível. Klaus cuidara de todos os percalces burocráticos, passaporte, passagens e hospedagem. Se encontraram no aeroporto viajando para Londres. Mesmo cansados, Klaus resolveu se encontrar com a mãe o mais rápido possível, por isso estavam estacionados em frente a propriedade.

Klaus caminhou até a entrada da casa, e antes que pudesse bater, a governanta abriu a porta. Trajes impecáveis, indicando o rigor inglês e dos Mikaelsons.

- Em que posso ajuda-lo?

- Pode ir terminar os seus afazeres. – a voz de Esther soou, a mulher assentiu e desapareceu discretamente. – Nicklaus – a loira sorriu quase de forma indistinta. E estendeu a mão para o filho.

- Mãe – ele devolveu o cumprimento, olhando-a de cima a baixo.

- Trouxe alguém com você? – apontou o carro.

- Sim, é a Caroline. – respondeu – Ela preferiu não entrar. Mas eu pretendo acabar logo com isso, então se puder...

- Não precisa entrar – explicou – vamos conversar em outro lugar. Mikael não sabe que está aqui. – seu tom era quase um sussurro. – Onde estão hospedados?

- Num hotel aqui perto. – explicou a localização.

– Pois bem, assim que puder irei até lá – disse. – Obrigada por vir. – sorriu novamente e se despediu.

Caroline de dentro do carro, não conseguiu resistir a curiosidade, do lugar onde estava viu uma mulher de moletom, rabo de cavalo, e nem um pouco majestosa. Se aquela era Esther, algo grave havia acontecido.

...

Mystic Falls.

- Ótima safra

Katherine foi até a cozinha de seu apartamento, pegando o vinho que Elijah levara, e duas taças no armário. Ele aguardava no sofá sem sua camisa, já que ela a usava. O celular dela tocou, ele ela teve dificuldades para equilibrar tudo, o que o fez ir ao seu socorro. Ela atendeu a ligação, enquanto ele abria e servia o vinho. Cinco minutos depois, ela finalizou a chamada, sentando-se ao lado dele pegando sua taça.

- Meus pais – explicou.

- Seus pais? – questionou.

- Às vezes eles ligam. – deu de ombros bebendo.

- Só agora consigo perceber, que nunca falamos sobre sua família, eles não devem estar muito contentes comigo.

- Por quê? – sorriu esticando uma das pernas sobre o colo dele.

- Mais de um mês saindo, e nunca fomos apresentados.

- Eles não sabem sobre você – explicou, e Elijah não pode deixar de ficar decepcionado. – Eles são daqui, e eu não moro com eles há anos. – explicou – Mas tia Kelly sabe.

- Tia Kelly você mencionou sobre ela. Onde ela mora?

- Aqui em Mystic Falls, junto comigo.

- Sua tia mora aqui? – Elijah olhou em volta desconfortável.

- Não – riu – esse é meu apartamento, comprei, mobilhei, mas não tive coragem de me mudar. Ela se recusa a vir comigo, então só você e eu entramos aqui. – ele sorriu do jeito que fazia o coração dela se aquecer. Katherine nunca fora dada aos romances. Sair com homens de vez em quando, beber, perder a cabeça e dispensá-los no dia seguinte era parte do seu manual. Mas desde que se metera naquele leilão, sentia que as coisas eram mais sérias. E mesmo que isso a apavorasse, ela não gostava de pensar em deixa-lo.

- Katerina, gostaria de ouvir um pouco mais sobre você. – pediu deslizando a mão pela perna dela de forma carinhosa.

- Se continuar a deslizar sua mão dessa forma, não vou conseguir. – riu de maneira sexy e selvagem. Tinha 16 anos quando me envolvi com um cara novo na cidade, meus pais descobriram que eu não era mais “pura”, ficaram apavorados. O cara não queria se casar, muito menos eu. Para evitar o falatório, vim morar com a tia Kelly, no começo eu a odiava. Mas com o tempo ela se tornou a pessoa mais importante da minha vida. Mesmo depois de anos, eu não penso em ir pra casa dos meus pais. Se algo dá errado, é em tia Kelly que eu penso. – explicou, pegando mais vinho.

- Então não acha que eu deveria conhecer Kelly? – indagou, puxando-a para seu ombro acariciando seus cachos.

- Se você insiste – explicou.

- Um almoço com a minha e a sua família? – sugeriu.

- Sério? – Katherine desdenhou.

- Por que não? –usou seu olhar confuso e sério.

- Você é tão século passado –soltou – talvez seja por isso que tenho me sentindo assim.

- Assim?

- Não importa – ela cortou, subindo ao colo dele, e descendo suas unhas pelo peitoral. Elijah soltou uma pequena risada pelo nariz, Katerina era completamente reservada. Forte, independente, ousada, porém incapaz de mostrar abertamente seus sentimentos. Por sorte ele se sentia como ela, apaixonado. Por isso deixou que ela o beijasse, retribuindo no mesmo nível de intensidade.

...

Londres

- Tem certeza que não se incomoda? – Klaus disse para Caroline se livrando do casaco.

- Manuela ter feito uma reserva ao invés de duas, e me obrigar a dividir o quarto com você? – ela dissimulou, se aproximando envolvendo o pescoço dele com seus braços. – Acho que posso lidar com isso.

- Para alguém que jurava me odiar. – ele disse provocador.

- Quem disse que as coisas mudaram? – ela o encarou beijando sua bochecha, Klaus segurou sua cintura apertando-a contra si e beijando-a.

- Obrigado por vir. Meus planos era mostrar Nova Orleans, e agora estamos aqui – ele ainda a segurava pela cintura.

- Sem problemas – sorriu –, o foco agora é saber o que sua mãe deseja.

- Odeio suspense. – suspirou – Vamos descansar um pouco, quando ela puder vai ligar, ou vir aqui.

Ele foi para o banho, enquanto ela arrumava suas roupas dentro do guarda-roupa do hotel, depois ela foi para o banho, e adormeceram cansados pelas horas de viagem.

...

Mystic Falls

Damon chegou em casa depois das gravações, sentiu um cheiro delicioso de comida vindo da cozinha.

- Cozinhando? – Damon assustou Elena que soltou o copo de vidro, por sorte ele o capturou a tempo.

- Pode fazer algum tipo de barulho? – ela acertou o pano de prato contra ele.

- Não, gosto de vê-la com o coração acelerado por minha causa – provocou. Elena revirou os olhos sem graça, ajeitando uma mecha do cabelo atrás da orelha e voltando para as panelas, para evitar que ele visse seu desconforto. – Onde está a Ros?

- Ela está dormindo. Depois da consulta, achamos que seria bom ela descansar.

- Consulta? – ele arqueou a sobrancelha, indo lavar as mãos e pegando o pano que ela apoiara no ombro para enxugá-las.

- Nada demais, só rotina – explicou, pegando a faca para cortar os legumes, ele tomou a faca dela empurrando-a com o ombro. — Hey – protestou.

- Eu corto – ele sorriu enfiando uma cenoura crua na boca e mastigando ruidosamente.

- Insuportável – ela ralhou rindo de volta.

- Diga isso para meu fã-clube – riu.

...

Londres

Caroline demorou alguns segundo até perceber que o telefone do quarto estrondava. Klaus estava completamente apagado, de forma que ela atendeu.

- Tem certeza? –questionou a recepcionista. – Certo, estou indo.

Ela se livrou do braço de Klaus e das cobertas, vestiu seu jeans, botas, casaco e um lenço. Escovou os dentes e usou um brilho labial, saiu do quarto descendo até a recepção. Esther estava sentada numa poltrona folheando uma revista.

- Caroline – a mulher, bem mais ajeitada se levantou. Mesmo assim, as olheiras e palidez de pele eram perceptíveis. Caroline evitou encará-la, para não ser rude.

- Senhora Mikaelson — estendeu a mão. – Como vai? A recepcionista disse que queria falar comigo.

- Deve estar estranhando! – sugeriu – Não esperava que viesse, na verdade não fazia ideia de que vocês estavam juntos. Mas eu deveria desconfiar. Vamos almoçar ali em frente? – apontou para o restaurante do outro lado da rua.

Caroline concordou, ciente de que se Esther lhe pedisse para se jogar do prédio, ela o faria. Sentia-se acuada pela mulher, e ser chamada para almoçar com ela, sem a presença e conhecimento de Klaus, só ajudava o tremor interno aumentar. A mulher pediu para que a recepcionista acordasse Klaus em vinte minutos para que ele fosse se juntar a elas. Atravessaram a rua, um recepcionista pegou os casacos e as conduziu até a mesa. Caroline optou por vinho, e Esther por conhaque.

- Não precisa ficar com essa cara – Esther sorriu.

- Que cara? – a sua voz lhe traiu.

- Não precisa me temer. – explicou – Não tanto assim.

- Estou um pouco cansada, viajem longa, fuso-horário – arranjou uma desculpa.

- A julgar pela sua permanência no carro, sua reação ao saber que eu te chamei, Klaus deve ter lhe dito que nos desentendemos por sua causa.

- Por minha causa? –arregalou os olhos.

- No dia que você deu um show. – explicou – Festa, leilão, doses e mais doses, musica alta – concluiu. E Caroline quis cavar uma vala e se enterrar. – Naquele dia, entendi que o que quer que estivesse acontecendo entre vocês, Klaus se importava.

- Eu... Sinto muito por...

- Não se desculpe, já faz algum tempo. – disse. – A verdade é que não podia imaginar, mas agora que está aqui espero que me ajude com Klaus.

- Ajudar? Com Klaus?

- Tenho quatro filhos, de personalidades diferentes e gênios fortes. Não costumo me preocupar com Kol e Rebekah e seus relacionamentos fracassados – disse. – Eles sempre superam e seguem para próxima burrada. Elijah é um romântico incurável, sempre confiando no melhor das pessoas. Sei que as chances dele se machucar são grandes, as pessoas tendem a se aproveitar de gente como ele. Por sorte, ele tem um lado racional muito perspicaz, o que lhe permite um julgamento sensato sobre quase tudo. – Caroline apenas concordou – Já Nicklaus, ele se recusa a sentir. Age sempre como se não se importasse, o que o torna muito vulnerável. Ele se recusa a aceitar a ideia, mas é extremamente parecido com Mikael.

- Eu não tenho intenções de magoá-lo – se adiantou – Mas a senhora disse que não fazia ideia de que eu viria, agora está discursando sobre seus filhos... Ã... Sobre Mikael não o conheço! Não além de fotos pela internet – disse. – Nenhum dos seus filhos costuma falar muito sobre vocês. Não que eu tenha convivido muito com eles.

- Sei muito bem a família que tenho. Não estou lhe aplicando um discurso, mas espero que tome cuidado com Nicklaus, ele pode até se machucar, mas no fim ele não será o único ferido.

Caroline não fazia a menor ideia de onde aquela mulher queria chegar. Estava tentando afastá-la de Klaus apontando suas falhas? Nada fazia muito sentido.

- Se não falam sobre nós, que somos seus pais, duvido que você saiba sobre a família Mikaelson.

- Não muito – não muito mais que vocês são frios e distantes, acrescentou mentalmente.

- Meu sogro era um homem irresponsável, não se apegava muito a coisas materiais. Ele se casou teve Mikael, viviam da renda de um armazém deixado como herança. Os funcionários se aproveitavam de sua bondade e ele acabou indo à falência. Mikael sempre discordou do pai, e eles viviam brigando. Foi quando minha cunhada nasceu e desenvolveu problemas pulmonares. Precisando de dinheiro e estabilidade eles foram trabalhar com a minha família. Meu pai e Mikael se tornaram próximos, e meu pai o ajudou em tudo, e ele retribuía sendo extremamente dedicado a tudo que meu pai solicitava. Nos apaixonamos, e como não faria isso? Mikael sempre foi encantador, um mistura perfeita entre Elijah e Nicklaus – continuou – Eu teria largado tudo por ele, mas ele rejeitou a ideia. Nesse meio tempo a irmã dele faleceu devido a complicações, meu sogro se tornou um alcoólatra, e minha sogra se deixou vencer. Tudo isso tornou Mikael mais duro, frio. Mesmo assim eu continuava vendo o cara por quem me apaixonei em algum lugar ali. Então quando ele conseguiu estabilidade nos casamos. Ele trabalhou duro durante algum tempo, até que Elijah nasceu. Depois veio Nicklaus, Rebekah e Kol. Sempre acreditei que os filhos amoleceriam seu coração, mas isso só o tornou implacável. Querendo imprimir proteção e responsabilidade, ele trabalhava dia e noite, exigindo nada menos do que o melhor da família. – pausou para molhar a garganta com a bebida.

Caroline pensou se devia dizer algo, não precisou já que Esther retomou a história.

- Conciliar tudo sempre foi complicado. Kol lembra mesmo que minimamente o avô, e Mikael não suportava a ideia de um filho fraco. Rebekah sempre envolta em seu próprio mundo, única menina, recebia toda a proteção dos irmãos. Elijah sempre foi o mediador, sempre apaziguando, resolvendo os problemas e chamando ao bom senso. Mas a maior discordância do meu marido era com Nick – sorriu tristemente – por serem tão iguais, eles não suportavam os defeitos do outro.

- Eu nunca poderia supor qualquer coisa parecida. – Caroline exclamou.

- Minha família se partiu ao meio, pais de um lado e filho dos outros. Tive muito trabalho para encontra-los em Mystic Falls. Há tempos não nos reunimos como família – seu tom era amargo, e Caroline começou a pensar que talvez Esther não fosse tão implacável, talvez ela só agisse daquela forma para cobrir os buracos de sua alma. – Mikael se recusou a ir comigo, tivemos um briga terrível. Um dia após o episódio entre você e Nicklaus, recebi um telefonema, e voltei apressada.

- O que aconteceu? – perguntou aflita, vendo os olhos dela se encher de lágrimas.

- Mikael está doente.

A boca de Caroline se abriu em um “Ó” aflito, incerta do que dizer a seguir. Esther piscou algumas vezes para dissipar as lágrimas.

- Klaus está vindo – ela disse – Vou ao banheiro e já volto – se levantou deixando Caroline na mesa. Klaus se aproximou.

- Posso saber o que está acontecendo? – indagou ele.

Notas finais
Se nada der certo, vou escrever novela mexicana, pois ando toda trabalhada no drama. Então pessoal tentarei amenizar a desgraça :)

Beijos e até mais.