Notas iniciais
Quero agradecer mais uma vez a atenção que estou recebendo de vocês.
Isso é um grande estímulo para eu continuar a escrever essa fic que estou amando a cada linha. E espero, de coração, que sintam a mesma emoção que eu sinto em cada palavra escrita.

Capítulo 3 –Visão.

Antes de adentrar o imenso castelo, passaram pelo jardim coberto de flores das mais variadas cores. Rin ficou deslumbrada ao ver tanta beleza. Eram tantas flores, tantas. Amava a natureza, amava aquela delicadeza frágil e perigosa que as plantas ofereciam. Uma beleza inerte que não acabava nunca. Não tinha começo e nem fim.

Sem se dar conta parou no meio do caminho, e de repente viu-se de boca aberta olhando a enorme cerejeira que balançava serenamente junto com a brisa fresca que ali passava. Ficou estática como as flores do jardim.

–Rin, vamos entrar. –Sesshoumaru voltou-se para ela.

–Ah, claro! –ela respondeu rápido o fitando um pouco a sua frente. –Me desculpe.

–O quê estava fazendo? –Jaken indagou confuso.

–Nada, só... Só estava olhando. –ela caminhou até eles o mais rápido que podia.

Antes de entrar, Rin acariciou Arurum que uivou contente. Ela deu-lhe um sorriso sincero e prosseguiu.

Quando enfim entraram, Rin teve outra surpresa. O castelo por dentro era maior do que imaginara, tivera essa impressão antes mesmo de avançar, de conhecer os cômodos. Sentiu-se pequena, diminuta, naquela imensidão. Encolheu os ombros, achou-se mal vestida e suja de mais para estar naquele ambiente.

Era maravilhoso. O chão era todo revestido de madeira, um mogno brilhoso e bem tratado. As paredes de um branco leitoso, bem vivo e vibrante. Havia por todo canto arranjos florais e decorações. Os corredores a engoliam, a confundiam. As janelas eram retângulos perfeitos, espalhadas com precisão pelas paredes.

As portas de madeira deslizavam facilmente, sem qualquer esforço e estavam por todos os lados dando ainda mais beleza. Eram tantas novidades, tantas coisas... Demorou até cessarem, mas isso logo aconteceu.

Sesshoumaru parou subitamente e quase que Rin esbarrou nele. Por sorte parara a tempo. O Lord virou-se para ela que logo sentiu o coração disparar com aqueles olhos âmbar a fitando tão profundamente.

–Aqui é o seu quarto, terá tudo o que precisa é só falar com Jaken ou diretamente comigo.

–Obrigado, senhor Sesshoumaru. –ela sorriu de forma radiante. –O senhor não precisava fazer isso por mim.

–Rin. –ele ignorou seus comentários. –Quero que preste atenção.

–Sim, senhor. –assentiu atenta.

–Quero que evite andar pelo castelo sozinha. Se quiser sair do quarto, peça a Jaken que a acompanhe.

–Tudo bem.

–Eu vou ter que resolver alguns assuntos pendentes agora. –Sesshoumaru voltou seus olhos para o servo. –Jaken, fique aqui com Rin por enquanto.

–Sim, senhor Sesshoumaru. –Jaken assentiu.

Sesshoumaru virou-se de costas para os dois e finalmente desapareceu pelos corredores. Rin ficou fitando o vazio, queria ter falado mais com ele. A viagem não tinha sido o suficiente, ainda tinha muito que saber, muito que conversar. Sentiu um enorme vácuo ao ver sumindo, era tão doloroso vê-lo sair. Fazia com que lembrasse da vez em que ele a deixou com Kaede. E essa sem dúvida não era a melhor de suas lembranças.

–Hei, vamos entrar! Não quer ver o que tem dentro do seu quarto? –Jaken indagou incrédulo.

–Claro! –ela sorriu assentindo.

...

Rin entrou no quarto e não pode esconder o sorriso.

Era realmente incrível.

Seu quarto era lindo.

Havia uma penteadeira no canto perto da porta, um espelho enorme no fundo encostado na parede, uma divisória de madeira e seda desenhada, onde usaria para trocar de roupa. Um Futon no centro, um armário perto da janela e por fim, uma banheira bem no canto, isolada de tudo.

Ela correu deslumbrada, pegou Jaken pelo braço e o foi puxando com uma enorme alegria.

–Isso é maravilhoso!

–O quê esperava? –Jaken girou os olhos. –Achou que iria ficar no mesmo buraco de sempre?

–Nem sei o que dizer... Nunca imaginei que teria algo assim. É lindo. É perfeito.

–Você deve muito ao senhor Sesshoumaru, Rin.

–Eu sei, eu sei. –ela assentiu rindo. –Falarei com o senhor Sesshoumaru mais tarde.

–Está na hora de se vestir adequadamente, não acha?

–Me vestir? –indagou confusa.

–Claro! Olha como está vestida! Está igual uma camponesa imunda! Anda, vai se arrumar!

...

Sesshoumaru estava numa sala reservada do castelo, onde não havia muitos móveis. Encontrava-se sentado ao chão de frente para Satsu que mostrava ao grande senhor algumas rotas em um mapa feito por ela mesma.

–Veja, meu senhor. –apontou para um ponto no mapa. –Essa área já foi controlada.

–Ótimo. –assentiu satisfeito. –Precisávamos disso há algum tempo.

–Já estamos tomando as devidas providências de proteção, mas não teremos problemas com ataques, isso eu garanto.

–Que estamos preparados não tenho dúvidas.

–Mandei Kenji organizar sua linha de ataque pelos arredores do castelo, não irão sair daqui de dentro. Watanuki está com a sua tropa à Leste e Yashamaru à Sul.

–Excelente. –assentiu novamente cruzando os braços. –É realmente importante que Kenji fique do lado de dentro.

–Os três comandantes já estão em ação. Não haverá invasão possível. A primeira tentativa foi facilmente aniquilada, eles não esperavam tantos yokais.

–Eles esperaram o momento certo. Talvez tenham jogado os peões na frente. Eles recuaram?

–Infelizmente alguns conseguiram escapar.

–Eu já imaginava. –suspirou cansado. –Agora eles já sabem sobre nós.

–Eles esperaram a ausência do senhor para atacarem.

–O que me intriga é como eles conseguiram descobrir que eu sairia do castelo... Há algo errado nessa história.

–O que o senhor sugere? –franziu o cenho. –Acha que temos um traidor?

–Eu tenho certeza.

–Bom, então terei que averiguar. Vou me reunir com os comandantes assim que voltarem.

–De acordo. É só isso que temos?

–Sim, senhor.

–Pode ir então.

Satsu enrolou o mapa e levantou-se rapidamente. Curvou-se para seu senhor e quando iria virar-se para partir parou subitamente. Sesshoumaru franziu o cenho confuso e esperou pelo o que viria.

–Meu senhor, posso ter a palavra sobre um outro assunto?

–O quê é? É sobre Rin, não é? –ele sorriu ironicamente.

–O quê essa humana faz entre nós? Se me permite saber...

–Não lhe devo explicações, Satsu.

–Desculpe, minha intromissão, mas é que eu só queria entender e ter o que dizer para cada um que me pergunta e...

–Se esse é o grande problema, –Sesshoumaru a interrompeu. –diga que não é da conta de ninguém. Você é a General, não é mesmo? Não estou a reconhecendo. Desde quando quer dar satisfação a algum deles? Pensei ter sido claro quando disse que Rin moraria aqui a partir de hoje e que era melhor todos se acostumarem. E que não admitirei qualquer aproximação maldosa. Essa foi à mensagem que passei.

–Sim, senhor. –assentiu com os olhos baixos.

–Isso é tudo?

–Sim, senhor.


Satsu virou-se e saiu da sala, deslizou a porta atrás de si sem olhar para trás. Ainda não compreendia. Nada fazia sentido. Como o grande Lord abrigava uma reles humana? Justo ele que não suportava a ideia de conviver próximo a aquela espécie.

Ela recostou as costas na parede e cruzou os braços completamente confusa.

–O que será isso?

...

Rin já havia acabado o seu banho. Realmente sentiu-se bem melhor. As águas geladas que a envolveram a fizeram um bem inigualável, ficou revigorada.

Enrolou-se na toalha de um tecido bem macio e foi procurar o que vestir. Lembrou de Jaken a avisando sobre alguns kimonos dentro do armário.

Caminhou lentamente até ele, abriu as portas e viu inúmeras caixas pesadas empilhadas. Ficou confusa por um momento, mas logo retirou uma das caixas.

Fechou as portas do armário e caminhou com a caixa para o centro do quarto, com todo o cuidado, perto do Futon. Sentou ao chão e logo abriu.

Assim que tirou a tampa ficou completamente desconsertada com aquele kimono. Rin pegou uma parte em suas mãos e com os olhos arregalados balançou a cabeça negativamente.

–Nossa, um kimono desse deve valer uma vida inteira de trabalho. Será que é pra eu vestir mesmo?

Rin puxou todo o kimono de dentro da caixa, levantou-se e começou a vesti-lo. Era magnífico e lhe caiu perfeitamente. Um lilás vibrante com algumas flores discretas desenhadas. Fitou-se no espelho assim que o colocou superficialmente e acabou rindo emocionada.

–É lindo.

A menina então resolveu usá-lo, mas acabou encontrando um grande problema: Não conseguia vestir o kimono sozinha. Era impossível que conseguisse, sem a ajuda de alguém, amarrar o obi devidamente e colocar todas as peças que faltava. Ficou sem solução, Jaken não estava ali para ajudá-la, mas mesmo que estivesse presente certamente não iria ajudá-la a se vestir.

Foi então que se desanimou e suspirou cansada. Quando estava preste a colocar algum outro kimono seu, foi interceptada por uma voz feminina.

–Não tire, eu ajudo você a se vestir.

Rin faltou pular com o susto que levou. Virou-se rápido para trás e deparou-se com uma yokai que não conseguiu prender o riso ao vê-la assustada e branca como um defunto.

–Quem é você? –indagou com dificuldade, seu coração ainda batia acelerado.

–Akane. –ela sorriu. –Acalme-se, pode confiar em mim, Rin.

–Como sabe meu nome?

–Jaken me contou.

Akane era uma yokai com a forma humana. Ela era mais baixa que Rin e possuidora de uma beleza exótica. Seus cabelos loiros cumpridos estavam bem presos num rabo de cavalo alto. Seus olhos eram vermelhos, muito vermelhos, como rubis. Seus lábios eram carnudos e quando sorria dava para notar os caninos mais pontiagudos que o normal. Mas não era extravagante e não lhe tirava a beleza que possuía.

A yokai usava uma roupa parecida com as de samurai, o que diferenciava era que tanto a parte de cima como a de baixo eram bem mais justas ao corpo. Não ficava nada largo. A parte de cima era branca e a de baixo um verde musgo. Nas mãos luvas curtas que não cobriam os dedos. Nos pés usava meias e sandálias de madeira comum. Presa na cintura uma espada.


–O que foi? Por que ainda está nervosa? –a yokai insistiu. –Ainda não confia em mim, não é?

–Onde está o senhor Jaken?

–Eu o mandei procurar o que fazer. –ela sorriu dando de ombros.

Akane correu até ela numa velocidade incrível que a espantou. Chegou tão perto de seu rosto que dava para sentir a respiração. Rin não conseguiu se mover, mas logo Akane deu um passo para trás e pegou no cabelo negro da menina.

–Nossa você é mesmo bonita. –ela riu virando Rin de costas. –Teremos um bichinho de estimação melhor do que imaginei.

–O que? –indagou incrédula.

–É brincadeira. –riu mais uma vez. –Anda, fica quieta que vou ajudar você a se vestir.

Akane arrumou Rin mais rápido do que a menina pensara. O kimono ficara lindo, perfeito em seu corpo. O obi era azul marinho e formava um enorme laço nas costas da mesma cor. E assim que Rin fitou-se no espelho ficou encantada.

–Obrigada. Ficou ótimo.

–Ainda não terminei. –Akane girou os olhos. –Senta. Quero arrumar seu cabelo agora.

Akane arrumava o cabelo de Rin pacientemente. Gostava de fazer aquilo. Rin estava em silêncio até aquele momento, mas não conseguiu permanecer daquele jeito por muito tempo.

–Akane?

–Sim?

–Obrigada por fazer isso.

–Não é nada de mais. –sorriu dando de ombros.

–É que... Acho que os yokais daqui não gostam de mim.

–Ah, mas isso é um fato. –ela riu. –Mas não dê atenção a isso. Uma hora eles se acostumam e você para de ser a atração principal.

–Por que me ajudou?

–Não tenho nada contra você. Digo, nada contra humanos. Vivi por anos junto a eles. Pra falar a verdade tinha uma amiga humana muito parecida com você, mas devo admitir que você ainda é bem mais bonita que ela.

–De verdade? –indagou surpresa. –Teve mesmo uma amiga humana?

–Sim. –assentiu. –Mas ela morreu. Vocês morrem muito rápido e fácil. Vivi com ela durante cinquenta anos.

–Cinquenta anos...

–É. Pra vocês significa uma vida inteira. Pra mim isso não é nada. Ela ficou tão velha e tão doente. E quando o inútil do marido dela morreu, ela já não tinha mais vontade de viver. Não demorou a morrer também. Morreu sem ao menos ter filhos.

–Deve ter sido horrível perdê-la depois de tantos anos... Eu sinto muito.

–Foi horrível sim, eu a amava. E não me importava com o que os outros achavam, mesmo que fôssemos diferentes, ainda sim, era com ela que sempre me encontrava e me entendia. Tínhamos natureza diferente, mas ela nunca se importou e eu também não. Era bom ter a amizade dela.

De repente, como num lampejo uma memória veio a sua mente. Lembrou de Jin gritando com ela, dizendo que nunca seria feliz ali, que envelheceria vendo Sesshoumaru sempre jovem. Que o tempo só passaria para um... Isso a horrorizou, e por um momento sua pele ficou pálida e mórbida. Sentiu-se mal, completamente nauseada. A história de Akane a forçou a refletir mais uma vez no que se esforçava todo dia a esquecer.

–Rin? –Akane a chamou. –Está tudo bem?

–Está, está sim. –assentiu tentando voltar a normalidade.

–Terminei! –sorriu satisfeita com a obra prima.

–Akane...

–O que foi?

–Você foi feliz com a sua amiga mesmo a vendo ficar velha e doente?

–Claro! Foram os cinquentas anos mais felizes da minha vida. E tenho certeza que pra ela também foi ótimo. Envelhecer e morrer faz parte da realidade. A única diferença é que pra vocês isso é mais rápido.

–Tem razão. –sorriu.

–Agora vamos parar com essa conversa nostálgica, isso me enjoa. –ela riu ironicamente. –Não quero ficar falando feito uma idiota sobre meus sentimentos por uma simplória humana.

Rin riu daquela frase e ao se olhar ficou boquiaberta. Estava linda como nunca esteve em sua vida. Seu cabelo estava preso firmemente em uma trança grossa enfeitada por diversos prendedores de cabelo floridos.

–Veja, Rin. Olha como está bonita. –ela sorriu. –Agora sim está combinando com esse castelo.

–Akane, acha que vou ficar bem aqui? –virou-se para ela.

–Não sei. Mas se eu fosse você dormiria até de olhos abertos.

–Isso não me confortou nenhum pouco. –ela sorriu balançando a cabeça negativamente.

–Eu sei. –sorriu junto. –Gosto de você, Rin. Gostei de você só de vê-la.

–Por que?

–Só de ver Satsu se mordendo de inveja e ciúmes, e ver todos aqueles yokais sem o que dizer já foi o suficiente para eu gostar de você. Adoro um alvoroço e fazia tempo que esse castelo estava parado...

...

Sesshoumaru andava pelos corredores do castelo sozinho. Andava sem rumo, estava pensativo sobre tudo que Satsu havia lhe dito. Queria não ter se preocupado com todos aqueles eventos, mas a desconfiança de um traidor o pegou de surpresa. Não sabia quem apontar, não tinha nenhum nome em mente e isso o deixou atordoado. Não ter nem em mente o nome do traidor era no mínimo preocupante. E com isso logo pensou em Rin, tinha sido uma péssima hora para trazê-la. Não queria a envolver em todos aqueles problemas, mas aquele castelo parecia nunca ter sossego. E no momento de calmaria, que parecia que duraria eternamente, acontece mais um susto. Estava ficando farto.

Seus pensamentos acabaram sendo interrompidos pela visão que teve quando virou no corredor. Parou subitamente como se tivesse tido uma visão. E talvez ela fosse mesmo uma visão para seus olhos acostumados a enxergar tantos yokais rudes e comuns.

Rin estava de costas, mas assim que escutou os passos atrás de si virou-se rapidamente. Era Sesshoumaru que a fitava deslumbrado, mas da forma dele. Da forma que só ele sabia disfarçar sua surpresa. Ela o calou com um único sorriso. E isso era estranho até mesmo para o próprio Lord que não estava nenhum pouco acostumado a ser silenciado. Ser silenciado com tanta simplicidade, beleza e delicadeza.

Sesshoumaru não admitia, mas ela mexia com ele. Ela o envolvia com tão pouco... Com muito pouco. O encantava sem fazer esforço, sem precisar de nada. Era isso que ele mais gostava nela. Ela era diferente de todos e ao mesmo tempo não tinha absolutamente nenhum diferencial. Era um paradoxo delicioso que o mantinha preso a ela.

–Senhor Sesshoumaru!

Ela caminhou até ele como nos velhos tempos, ou seja, de maneira desengonçada, como uma criança. E não demorou muito para abraçá-lo como de costume.

–Rin, o que está fazendo sozinha aqui? Não falei para não ficar andando sozinha pelo castelo? Por que você nunca escuta o que eu digo?

–Não estava sozinha! –ela sorriu o soltando do abraço leve. –Estava com Akane, mas ela acabou saindo sem falar nada.

–Ah, então Akane já foi lhe conhecer, eu já imaginava que faria isso. –assentiu.

–Ela me ajudou a vestir o kimono e fez esse penteado no meu cabelo!

–Onde está Jaken? –indagou confuso.

–Não sei. Acho que Akane o mandou ir embora. –ela riu e deu de ombros.

–Tudo bem, eu confio em Akane. Ela viveu muito tempo com humanos.

–Sim, ela me contou. Akane é muito gentil. Gostei muito da companhia dela.

–Tinha certeza de que iria gostar dela. Talvez ela seja a única que você vai gostar daqui.

–É... Acho que sim. –ela sorriu sem jeito.

–Não se incomode com isso.

–É difícil não se incomodar quando todos estão olhando para você e balançando a cabeça negativamente. Mas acho que posso me acostumar.

–Vai saber lhe dar com isso, Rin.

Ela sorriu desanimada. Não sabia se iria realmente se acostumar com aquilo. Não tinha ciência por quanto tempo àqueles olhos iriam a perseguir, contudo era melhor ignorar como lhe foi dito. Conquistá-los era quase impossível. Como ganhar a simpatia deles se só o fato de existir os incomoda? Não tinha qualquer arma contra aquilo. E essa impotência a deixava louca.

E antes que pudesse entristecer-se de vez, tratou de mudar o rosto e fitar Sesshoumaru novamente.

–Senhor Sesshoumaru?

–O que foi?

–Por que o senhor não me leva para conhecer o castelo?

–Agora?

–Sim, agora! Vamos, por favor, senhor Sesshoumaru!

Rin o puxou pela manga do kimono branco e o fitou profundamente com os olhos cheios de alegria e expectativa. Ele cerrou os olhos fortemente e suspirou.

–Tudo bem... Vamos.

...

Rin o fez percorrer todos os quartos e cômodos. Ela estava como uma criança, com os olhos brilhando de puro histerismo incubado. Sesshoumaru não se incomodava com a curiosidade. Só com o fato de estar subindo e descendo escadas e abrindo diversas portas para ver a mesma reação dela.

Rin passou por alguns yokais pelo caminho, mas estes nem se atreveram a olhar. Era só Sesshoumaru os encarar que rapidamente baixavam seus olhos temendo a ira de seu senhor. Mas mesmo com a proteção dele, ela sentia assim que passava, os olhos de agouro em suas costas. Não se permitiu desanimar, pelo menos enquanto estivesse com Sesshoumaru ao seu lado.

Por fim, foram até o lado de fora. Sesshoumaru a levou até a ponte larga que cortava um lago de águas claras. Caminharam até o meio da ponte até Rin parar subitamente e se apoiar no corrimão de madeira pintado de branco.

Rin apoiou os cotovelos e ficou a fitar a água límpida que logo tomou a sua forma perfeitamente, era seu espelho aquoso. E quando viu o reflexo de seu Lord na água, virou o rosto para o lado com um sorriso cansado.

–Nossa, seu castelo é enorme.

–É sim... Demorei muito para reconstruí-lo.

–Eu queria agradecer, senhor Sesshoumaru. Agradecer por ter ido me buscar, por ter me dado um quarto, pelos kimonos... Agradecer por tudo.

–Eu lhe fiz uma promessa, não fiz? –ele a fitou seriamente.

–Fez, sim senhor. –assentiu.

–Rin, como está seu tornozelo?

–Ainda dói um pouco, mas está bem melhor.

–Ainda a vejo mancando.

–Mas não está tão terrível quanto parece. –ela sorriu. –Já me sinto bem melhor.

–Isso é muito bom.

–É, com certeza. –riu baixo, mas logo voltou-se para ele com os olhos curiosos. –Senhor Sesshoumaru, o quê Satsu representa nesse castelo?

–Satsu é a General.

–Hum...

–Por que a pergunta?

–Nada, só foi uma curiosidade...

–Não gosta dela, não é? –ele sorriu sarcástico. –Não tem problema, ninguém aqui a suporta, mas ela é boa no que faz. Vejo muito de mim nela. Estranho isso, não acha? Se identificar com uma pessoa que ninguém gosta.

–É. –ela riu assentindo. –Mas, não acho que tenham algo em comum. Talvez possam ter tido algum dia, mas não consigo enxergar a semelhança. Quer dizer, eu mal a conheço, não sei nada sobre ela. Só sei que seus olhos não foram nada gentis, foram bem agressivos quando me olharam.

–Esqueça Satsu. Não tem que se preocupar com ela.

–E Akane, o que Akane é?

–Akane é tudo e não é nada. –ele sorriu cerrando os olhos, mas logo voltou-se para ela. –Era pra ela ser um dos Comandantes ou quem sabe o General, mas ela não quer nada disso, nunca quis. E também ninguém a respeitaria se fosse.

–Por que? Por que não a respeitariam? –Rin indagou confusa franzindo o cenho.

–Akane é uma meio-yokai.

Meio-yokai? –arregalou os olhos completamente surpresa.

–Tive a mesma surpresa que você quando descobri.

–Por isso então que ela me disse que não tem nada contra humanos.

–Exatamente.

–Senhor Sesshoumaru, por que...

E antes mesmo que pudesse fazer a pergunta que queria a Sesshoumaru, aquela yokai os interrompeu. Apareceu de repente, como se estivesse o tempo todo ali. Satsu surgiu como numa aparição fantasmagórica que por um momento assustou Rin que não estava acostumada com a entrada da ruiva.

Satsu aproximou-se do casal. Ambos a fitaram esperando que ela dissesse o motivo de sua presença.


–Senhor Sesshoumaru, acabei de receber notícias de Watanuki e Yashamaru.


Satsu bem que tentou evitar, mas acabou fitando Rin que dessa vez não se intimidou, ao contrário retribuiu o mesmo olhar cruzando os braços. Sesshoumaru suspirou ao notar a situação.

–Satsu! –ele a chamou, um chamado que saiu como uma advertência que a ruiva logo entendeu.

–Sim, senhor. –voltou a fitá-lo.

–Vamos entrar. Precisamos conversar sobre isso. –Sesshoumaru voltou seus olhos para Rin. –Vamos entrar, Rin. Vou deixá-la no seu quarto.

–Mas eu queria ficar aqui fora mais um pouco... –ela sorriu desanimada. –O senhor pode ir. Eu vou ficar bem, prometo. Sei como voltar.

–Rin...

–Não vai acontecer nada. Certo? –Rin indagou provocativa olhando para Satsu que franziu o cenho indignada pela ação da menina.

–Está bem. Estou de acordo. –ele assentiu. –Mas não demore aqui fora.

–Não vou demorar.

...

Rin saiu ponte assim que Sesshoumaru e Satsu desapareceram de sua visão. Caminhou pela grama bem cuidada e fitou o céu que já não tinha mais o sol forte e vigoroso da manhã, e sim o bem fraco e modesto da tarde. Sentiu a brisa fresca passar pelo rosto e balançar levemente a trança bem feita.

Continuou a caminhada e só parou quando chegou no pé da cerejeira que já namorava desde a primeira vez que a viu bem do alto. Sentou-se na sombra fresca e recostou as costas cansadas no tronco grosso da árvore. Estava um silêncio delicioso e um frescor agradável.

Cerrou os olhos por um momento, queria curtir aquele segundo de paz.

Mas assim que abriu os olhos levou um susto.

Havia um yokai de olhos castanhos-avermelhados bem próximo que a encarava em silêncio, a fitava com um sorriso no canto dos lábios. Um sorriso que ela não gostou de ver. Rin se retesou completamente confusa e esperou que ele começasse.

–Rin, não é mesmo? –ele começou.

–É. –assentiu.

–Sou Kenji. Comandante Kenji... –ele sorriu ironicamente e curvou-se para ela. –Ao seu dispor...


CONTINUA...

Notas finais
Até que para o primeiro dia a Rin se saiu bem, mas muitas surpresas ainda a esperam.
Gostaram de Akane? Espero que sim porque ela ainda vai aparecer muito!
O que será que Kenji está aprontando, hein??
Não percam o próximo capítulo, vai estar emocionante, eu garanto!
Até o capitulo 4!!!!