Alvo Potter E O Medalhão De Prata
8 A chegada à Estação
Notas iniciais
Aquela semana passara muito rápido. Quando se deram por conta já era sexta-feira. Eles partiriam para casa hoje pela noite.
–Vamos até a casa de Hagrid?
–Agora não, Alvo!
–Mas temos de nos despedir, Tiago!
–Tudo bem, podemos vê-lo depois! Agora me deixe comer esses feijõezinhos.
–E por que a gente não visita ele agora, e você come os feijõezinhos depois.
–Alvo está certo, Tiago! –ralhou Rosa que acabara de descer do dormitório feminino. –Olhe só para isso! Você já comeu três sapos de chocolate, uma caixa de Guloseimas gasosas e vai comer mais um saco de feijõezinhos?
–O que tem isso? –perguntou Tiago. – Temos que aproveitar que ganhamos férias hoje, e... Ano passado foram uma semana! Deviam estar aproveitando também, sentem-se em uma poltrona e comam alguma coisa, eu trouxe bastantes doces de Hogsmead!
–Tiago! – chamaram Rosa e Alvo.
–Ah, tudo bem... Mas eu vou levar o saco de feijõezinhos comigo! –respondeu Tiago levantando-se. Eles puseram os casacos e saíram do castelo até a casa de Hagrid, que estava um pouco triste.
–O que foi Hagrid? –perguntou Rosa.
–É que ontem à noite... –disse ele, meio choroso. –O Canino... Ele morreu!
–Ih, já não era hora! –disse Tiago, com a boca cheia de feijõezinhos. — Papai disse que desde que ele estudava esse cão já era seu...
–Tiago! –exclamou Rosa.
–Mas ele é um cachorro, já viveu o quê? Vinte anos? –perguntou Tiago, engolindo os feijõezinhos.
–Vinte e sete aproximadamente... –disse Hagrid limpando as lágrimas.
–Vinte e sete? –exclamou Alvo.
–Ai vocês, hein? –exclamou Rosa. –Canino era um cão de caçar javalis! Ele não é um cachorro comum é um cachorro do mundo dos bruxos. Vive de vinte e cinco a trinta anos.
–Ah, então... Ah, me desculpe, Hagrid eu não quis...
–Tudo bem, Tiago... Eu já sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde... Agora, como estava em Hogsmead?
–Ótimo! –disse Tiago. –Papai até já nos levou lá uma vez, mas nunca tínhamos entrando em nenhum lugar. Ele disse que seria especial quando fôssemos pela primeira vez com a escola. Tinham que ver, eu fui até a Dedosdemel e comprei tudo o que vi pela frente, Hagrid.
–É sério!- disse Alvo. –Ele trouxe pelo menos duas caixas de doces.
–É, mas agora só sobrou uma sacolinha...
–Ah, e a que horas sai o trem? –perguntou Hagrid.
–Às sete.
Hagrid lhes serviu xícaras de chá, biscoitos, que, desta vez já não estavam tão queimados, Alvo até pedira mais. Tiago não parava de falar em Hogsmead, então Hagrid mudou de assunto, mas se arrependera no mesmo instante sobre o que falara.
–É sério, Hagrid, papai disse que ele era bem maldoso quando eles eram crianças, disse que você é testemunha. –disse Tiago.
–É, mas quando eram crianças! Agora, que tal...
–Não! Ele está ajudando Bob Rondres ir para Hogwarts, Hagrid. –recomeçou Tiago, ignorando Hagrid.
–O que é isso! –falou Hagrid. –Não diga o nome dele, assim!
–Papai disse que o medo de um nome só faz aumentar o medo da própria coisa. –retrucou Tiago.
–Ele disse isso? –perguntou Hagrid, curioso. –E qual era esse nome?
–Não, era que Lilí estava com medo do Bicho-Papão, e não queria nem dizer o nome dele... –explicou Alvo. — E Hagrid, está tudo bem?
–Ah, sim! Eu só voltei a me lembrar de Canino... Mas agora está ficando tarde, já fizeram as malas?
–Não, mas...
–Ai! Como fui me esquecer? As malas, onde estou com a cabeça... –retrucava Rosa.
–Então até segunda, Hagrid!
–Até, meninos! Mandem lembranças aos pais. –pediu Hagrid ainda soluçando. Eles voltaram para o castelo. Fizeram os malões o mais rápido que puderam, pois já estavam atrasados para o café da tarde. Neville já havia começado o discurso:
–Então relembrando, não é permitido fazer grandes feitiços fora de Hogwarts, ouviram? Tem a lista dos que são permitidos no Saguão de Entrada. Ah, deixem-me ver... Ah, sim! O expresso partirá daqui uma hora exato, por isso quero todos os que vão para casa na estação em meia hora, senão vão ficar. –bateu palmas e surgiram nos pratos pães e cereais.
–O Natal dos bruxos é igual ao nosso, quero dizer o dos trouxas? –perguntou Annie Elóick, uma menininha baixinha de cabelos longos e escuros, que entrara junto com Rosa e Alvo. Era a melhor amiga de Rosa, e quando soube que Rosa era bruxa e Rosa lhe contou que as coisas estranhas que ela fazia eram por que ela era uma também, fez questão de vir para Hogwarts.
–Claro que sim, Annie! –confirmou Rosa. –E ouso dizer que é até melhor. Todos os bruxos se reúnem na casa de alguém, têm a ceia e... Depois o Jogo dos Feitiços, e, na minha família... Quando fica perto da uma da manhã todos se reúnem na sala e os mais velhos contam histórias de sua infância... É tudo tão maravilhosamente lindo! Vou te convidar para passar um Natal lá, algum dia.
–Ah não! Esqueci a vassoura... –disse Alvo, enquanto Rosa contava a Clarissa e Annie sobre as festas de bruxos.
–Eu pego! –disseram Jordan, Dennis e Clívon.
–Ah, se vocês insistem...
–Bem capaz que eu perderia a chance de tocar numa Firebolt 360... –comentou Dennis enquanto subiam as escadas.
Eles comeram e beberam. Depois foram se dirigindo até a estação. Hagrid estava lá.
–Muito bem, muito bem! –dizia animado. –Vamos entrando, devagar... Ah, olá meninos! –cumprimentou ao ver Alvo e os outros.
–Olá, Hagrid! –cumprimentaram.
–Vamos logo, andem! Quero chegar a tempo de achar um lugar!
–Não, não se preocupem! –disse o gigante. -Agora os vagões estão divididos por série.
–Ah, então Tiago não vai poder ficar com nós... –lamentou-se Alvo.
–É, mas nos vemos na hora do jantar então. –disse Tiago. –Temos que aproveitas, no ano passado eles não davam jantar no trem de volta.
–É, até mais.
E entraram no trem. Foram até o fim do vagão, mas acharam uma cabine vazia, onde ficaram: Alvo, Rosa, Clarissa, Jordan, Clívon e Dennis. Passaram o tempo todo comendo sapos de chocolates e jogando feitiços.
–O que você tirou Alvo? –perguntou Dennis.
–Ah, não! Tirei a McGonagall de novo! –respondeu Alvo.
–Ah, então dê para mim, eu só tirei bruxos repetidos, a começar pelo Tadeu Lurêncio. –queixou-se Jordan.
–Você tem o Tadeu? –perguntou Dennis. –Nossa! Eu acho que já abri mil sapos de chocolate, mas não acho o Tadeu Lurêncio.
–Toma! Tenho pelo menos mais dez dele...
–Sinceramente... –comentou Rosa. –Não coleciono cartinhas de bruxos, mas já abri pelo menos umas “cem” com Tadeu Lurêncio... Acho até que eles fabricaram quinhentos bilhões dele e cento e cinquenta dos outros...
–Sapos de Chocolate... Não sei como sobrevivia sem eles... –disse Clarissa. –Tenho que lembrar mamãe de passar no Beco Digonial e comprar um desses.
–É “diagonal”, Clarissa, “D-I-A-G-O-N-A-L”, não “digonial”. –ensinou Rosa.
–É... Esse nome aí...
–Querem jogar Feitiços? –perguntou Clívon.
–Ah, não! Por favor, minha varinha merece um descanso... Vai ter que executar muitos feitiços hoje...
–Ah, é... Hoje, também vai ter festa lá em casa... Até a minha prima vem!
–Não sabia que você tinha uma prima, Dennis. –disse Rosa.
–É... Ela é filha da minha tia Padma, e estuda em outra escola de bruxos... A Beau... Beua... Não, não... Essa é a do primo da mamãe... Bom, eu não lembro qual o nome, mas...
–Ah, eu sei qual é! –disse Rosa bem entusiasmada. –Mamãe disse que se eu não fosse para Hogwarts, ela me mandaria para lá... Ah, sabe? Eu acho que... Nossa, eu não estou lembrando... Qual era o nome, mesmo? Ah, eu... –disse ela com o rosto corando. –Me desculpe eu vou me lembrar...
Eles passaram a noite inteira conversando e jogando feitiços, e também abrindo Sapos de Chocolate. No jantar eles todos foram para um vagão cheio de mesas. Sentaram-se junto com Tiago, Daniella e Suzanna. Comeram muito e depois de muito tempo experimentando as sobremesas eles voltaram para suas cabines.
–Nossa, eu estou cheio! –disse Dennis.
–Eu também. –concordou Alvo.
–Eles pelo menos poderiam botar umas caminhas por aqui – reclamou Clívon. -, não dá nem para dormir... E o pior é que nós somos seis, não temos nem um espacinho nos bancos.
–É, mas – disse Rosa analisando a cabine. – sendo que nós medimos em média, um metro e trinta e cinco...
–Um metro e trinta e cinco? –exclamou Dennis. –Você tem um metro e trinta e cinco?
–Ah, bom... Pode ser que seja um e trinta e oito, acho...
Todos caíram na gargalhada, menos Alvo.
–Ah, bom não tão ruim assim ter um metro e trinta e oito...
–Outro que é um anão! –disse Jordan controlando o riso. – Nossa, eu tenho um metro e cinquenta!
–É verdade, eu tenho um e cinquenta e dois.
–E eu um e quarenta e cinco.
–Tá, mas voltando ao assunto... –pigarreou Rosa. – Já que fora Alvo e eu, todos têm em média um metro e cinquenta– disse ela lançando um breve olhar a Dennis e Jordan. – Bem, a cabine tem... Seis não... Ah, sim... Bom, se talvez ficarmos com as pernas para baixo e a cabeça no ombro do outro, ficaremos bem confortáveis e não prejudicaremos nossa coluna.
–Assim? –perguntou Clívon largando-se no ombro de Dennis.
–Ei, você não vai ficar a noite inteira deitado no meu ombro! –reclamou Dennis.
–É verdade!
–Ah, então... –disse Rosa pensando em um novo jeito.
–Por que não ficamos do jeito que estamos sem encostar no ombro de ninguém? –perguntou Jordan.
–É, podemos fazer isso também — disse Rosa sem graça.
Não demorou muito, e eles pegaram no sono. Alvo tivera mais um sonho esquisito. Do nada, no meio do sonho, ouvira umas vozes: “Al! Acorda!” e “Anda, Al, acorde... Acorde Alvo!”.
–Ah, o quê? –disse ele abrindo os olhos.
–Finalmente, a Bela Adormecida acordou! –disse Jordan.
–A Bela o quê? –perguntou Dennis.
–Ah, esquece! –disse Rosa. – Coisa de trouxas...
–Ah, então eram vocês que estavam me chamando, mas... Bem, eu estava tendo um sonho, um sonho estranho...
–Ah, então foi por isso que você estava gritando e se debatendo. –disse Rosa. –Mais um de seus sonhos...
–Eu estava gritando?
–É. –afirmou Dennis amarrando a cara. –Gritava algo como: “Não! Pare com isso!” e também não parava de se debater.
–Teve um pesadelo... O que sonhou? –perguntou Clarissa.
–Eu não lembro bem... Parece que eu estava negociando com alguém, acho...
–Ah, vai ver estava negociando com o Scorpius, para ele parar de encher você.
–Pode ser, mas e os gritos?
–Ué, cá entre nós você, hum... Como posso dizer? Bem, não é um grande valentão, digamos... Daí Scorpius estava te batendo.
–Espera aí, eu posso não ser um “grande valentão”, mas tenho certeza que ponho medo no Scorpius. –disse Alvo, mas ao ver o olhar dos amigos ele acrescentou. –Bem, quando estou com o Tiago...
–Agora sim me convenceu, mas também, quem não tem medo do seu irmão?
–Eu. –disse Alvo. –Pelo menos, não mais.
–Ah, tudo bem... Mas agora vamos dormir. –pediu Rosa. –Sabiam que as pessoas têm que dormir pelo menos oito horas por dia? E pelo que estou prevendo, vamos dormir... Aproximadamente seis horas apenas, seis horas mal dormidas, já que nem camas têm aqui...
Eles voltaram a dormir. Alvo ficou olhando pela janela. Tentando lembrar-se do sonho que tivera. Não era primeira vez que ele tivera um sonho esquisito que não se lembrara, para dizer a verdade, ele tinha esses sonhos desde que se lembrara. O mais estranho era que mesmo não se lembrando do que havia sonhado, ele sabia que era agoniante... Como um pesadelo talvez. Mas ele dormiu e não teve o mesmo sonho.
–Acordem! Acordem! –dizia uma voz que passava pelas cabines.
–Victoire? –exclamou Alvo ao abrir os olhos e vê-la.
–Oi, Al! Já podem se arrumar. Chegaremos daqui à meia hora. –disse Victoire e foi embora.
–Ai, que sono... Hoje é véspera de Natal, será que não podemos acordar num horário decente? –perguntou Clívon.
–Ah, pare de reclamar! Já são oito horas. –informou Rosa olhando no relógio.
–É oito horas de sábado... Oito horas da manhã do sábado de véspera de Natal! Esta hora eu não estaria nem pensando em abrir os olhos. –reclamava Dennis.
Eles se arrumaram. Pentearam os cabelos comeram algumas barrinhas de cereais e ficaram olhando pela janela. A qualquer momento poderiam estar chegando à estação de King’s Cross. Até que...
–CHEGAMOS! –ouviu-se o grito dos monitores e alguns alunos.
–Chegamos! –exclamou Alvo ao ver a estação, lotada de gente, se aproximar.
–Nem posso acreditar! –exclamava Rosa.
Todos os alunos foram descendo do trem e com calma se dirigindo ao encontro dos seus pais. Alvo e Rosa já se perderam dos amigos. Estavam ali perdidos no meio de toda aquela multidão. Procuraram... Procuraram... E procuraram, mas nem sinal dos pais.
–O que vamos fazer? –perguntou Alvo a Rosa. –Sabe de algum feitiço que mostre a direção?
–Bom tem aquele... Qual mesmo o nome? Acho que era... “Accio”, na verdade acho que não é bem para mostrar a direção e serve apenas para objetos, e também é um dos que não podemos fazer fora de Hogwarts.
–Hum, então eu acho que...
–ALVO! ROSA! AQUI! –ouviram uma voz. Era a voz de Harry.
–PAI! –gritou Alvo e saiu correndo ao encontro de Harry que deu-lhe um grande abraço.
–Al, como você está, meu filho? –perguntou Harry observando Alvo. -Eu senti tanta saudade de você!
–E-Estou bem! –gaguejou Alvo.
–Meus pais não vieram? –perguntou Rosa olhando a sua volta.
–Ah, não, eles tiveram que ficar em casa. Desta vez a festa vai ser na casa do Rony, então Hermione ficou arrumando e Rony teve de dar uma saidinha. Mas, cadê o Tiago, hein?
–Ah, olha lá ele! –apontou Rosa para Tiago que estava vindo devagar. Fazia um grande esforço, pois estava trazendo os três carrinhos com as bagagens.
–O que é isso? –perguntou Rosa.
–Tive que... –respirou Tiago para poder falar. –Que trazer os t-três carrinhos, já que os... Cabeça- ocas não lembram nem da própria bagagem.
–Ah, é verdade! Eu nem me lembrava.
Tiago soltou os carrinhos, e parou uns cinco minutos para descansar. Depois, meio inseguro foi até o pai e lhe abraçou. Logo eles entraram no carro.
–Ué! Lilí e Hugo não vieram? –perguntou Alvo olhando para dentro do carro,
–Não, desta vez eles ficaram, até por que não teria muito espaço no carro. –disse Harry.
Eles quase dormiram no caminho até a casa de Rony. Até que...
–Vamos, meninos! Acordem!
Notas finais
Bjs, Amandinha Weasley...
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