Pela quinta vez, Hermione se olhou no espelho. Seus cabelos estavam bem presos, o vestido longo na cor nude e preto era delicado e não marcava sua cintura e nem seu busto. Não podia chamar atenção de Narcisa para aqueles detalhes. Qualquer mulher, que já tivesse filhos iria entender os sinais, que pareciam cada vez mais evidentes.

- Você está linda – disse Draco entrando no quarto, já vestindo seu smoking.

- Estou com medo.

- Do que? – disse ele se postando atrás dela. – Você está perfeita. – Draco depositou um beijo delicado na curva do pescoço da castanha.

Hermione juntou um pouco de tecido do vestido e o puxou para trás, mostrando a Draco o que lhe preocupava.

- Herms, não da para notar – disse sério. – Ainda acho que você deveria colocar aquele outro vestido. Esse é muito solto, e ai sim pode trazer alguma desconfiança.

- Você acha?

- Sim, tenho certeza. Você está esbelta como sempre, quase não há diferença.

Abriu o guarda-roupa e pegou o vestido que Draco estava falando. O vestido era de um grafite gracioso. O corpete estruturado não iria permitir que ninguém desconfiasse de uma possível gravidez, pois mantinha tudo em seu devido lugar.

- Rezar para que ele feche – disse ela tirando o vestido.

- Vai fechar. Você não engordou nada – salientou ele, tentando convencê-la.

- Certo. Só vou ter certeza disso quando o vestido fechar.

O saiote do vestido era todo trabalhado em grafite e preto, dando uma sensação de movimento gracioso ao andar. Rapidamente Draco fechou o corpete do vestido e Hermione suspirou aliviada. O loiro tinha razão: o vestido entrara com tranquilidade. Seu corpo ainda não havia começado a mudar como pensara.

- Bem melhor – disse Draco sorrindo. – Não podemos nos atrasar para a ceia de Ano Novo.

- Ainda está cedo – Hermione colocou um brinco delicado que Draco havia lhe dado na véspera. – Eu ainda não te agradeci pelo apoio que me deu na casa dos meus pais.

- Somos um casal, Hermione.

- Eu sei disso, mas você não tinha obrigação de ir comigo – lembrou Hermione.

- Nós já conversamos sobre isso – disse Draco sério.

- Certo. Agora venha aqui, sua gravata está torta.

Hermione foi até Draco, as mãos ágeis da castanha desmancharam o nó da gravata borboleta e o refizeram em questão de instantes. Ela estava cada dia mais linda deslumbrante. Era incrível como ela havia aprendido tanta coisa sobre seu mundo em tão pouco tempo. Seus gestos estavam mais delicados, suas roupas mais condizentes com a posição que, em breve, iria ocupar ao seu lado.

- Vamos?

- Por que tanta pressa? – perguntou a castanha desconfiada.

- Eu tenho uma coisa para resolver.

- Em pleno Ano Novo? Achei que você estivesse de folga, Malfoy – disse a castanha indignada. – Você trabalhou hoje até de madrugada.

- Eu não tenho opção, Hermione. Assumo o cargo ainda essa semana – respondeu sério. – Você precisa entender.

- Eu entendo, Draco! Só acho que é um pouco demais – Hermione calçou as sandálias, parou na frente do espelho para verificar uma ultima vez. – Estou pronta.

- Então vamos – disse Draco.

Não havia coisa mais difícil no mundo do que esconder algo de Hermione.

- Vai indo pro carro, Herms. Eu tenho que checar uma última coisa no meu computador.

- Draco...

- Me dê cinco minutos.

A contragosto Hermione desceu sozinha as escadas. Detestava quando ele a excluía das coisas. Sentia-se mal por isso, mas tinha que compreender. Estavam, no final das contas, em um noivado de conveniência, pois afinal ela se encontrava grávida de um filho dele. Não queria prendê-lo a um casamento que, por mais que tentasse acreditar o contrário, estava fadado ao fracasso. Nenhum casamento sobrevivia apenas com uma das partes amando.

Iriam para o evento com o carro que Draco mais gostava: um Bugatti Veyron na cor preta. Um dos empregados abriu a porta para que ela pudesse entrar. Sentiu-se mal, era Draco quem deveria fazer aquilo, não um empregado. Uma irritação repentina tomou conta dela. Aquilo não estava certo, mas não tinha o direto de cobrar nada dele, não quando ele havia deixado claro que estava com ela por causa de um contrato e, agora, por causa do filho que estava esperando.

- Demorei?

- Não – respondeu Hermione mecânica.

- O que aconteceu, Hermione?

- Nada. Podemos partir a hora que você quiser.

Draco estudou a feição de Hermione por alguns segundos antes de ligar o carro. Havia algo muito errado, e que ele não sabia o que era. A chance de ela saber de alguma coisa era nula, caso Gina não houvesse aberto a boca. Deveria ser outra coisa, tinha que ser.

- Achei que fosse ser no Palácio de Buckingham.

- Não, a comemoração do Ano Novo acontece longe da capital.

- Entendi.

- O que está acontecendo, Hermione?

- Nada Draco, não está acontecendo nada.

Não iria adiantar pressioná-la, a cada dia que passava o humor de Hermione parecia oscilar cada vez mais. Se estava assim no começo, podia imaginar como ela estaria no final da gravidez. Indiferentemente, aquilo fazia parte de ser um casal.

- Já estamos chegando.

- Ok.

Meia hora depois, entraram em uma grande propriedade. Uma das muitas que os Malfoy tinham e que Hermione ainda não tinha conhecimento. Os olhos de Hermione brilharam, e Draco sorriu. Gina, sem dúvida alguma, havia feito um excelente trabalho. O palacete estava lindamente iluminado, assim como o extenso jardim. Uma grande tenda branca erguia-se bela e delicada no meio do extenso verde.

- Nós nunca viemos aqui. A quem pertence?

- A minha família – respondeu Draco. – Estava sendo reformado, até a pouco tempo atrás.

- É maravilhoso, Draco.

- Que bom que você gostou. Meu avô Abraxas morou aqui por um tempo, antes de comprar aquela casa em que meus pais vivem hoje.

- Não tenho nem palavras – disse Hermione olhando pela janela, agora aberta, enquanto Draco arranjava um local adequado para estacionar.

- Vou estacionar perto do palacete. Acho que você gostaria de dar uma olhada mais de perto antes de ir para festa, não?

- Com certeza. Você se importa?

- Claro que não – respondeu ele sério.

Draco estacionou o belo carro na garagem privativa do palacete. Hermione sequer podia acreditar no que estava vendo. Alguns empregados logo vieram atendê-los.

- Herms, preciso que você vá com eles – disse Draco referindo-se aos empregados.

- Por quê? – perguntou desconfiada.

- Eu preciso resolver uma coisa, lembra?

- Posso te esperar.

- Tenho certeza que Magaret ficará imensamente feliz em poder lhe mostrar o palacete por dentro.

- Claro, Sr. Malfoy – disse uma mulher de meia idade aproximando-se do casal. – Venha comigo, Srta Granger.

- Não irei demorar, em alguns instantes poderemos descer para a festa.

- Vamos, Srta? – perguntou Margareth.

- Claro.

De relance, Hermione viu Draco saindo por uma porta a sua direita. Ele parecia realmente apressado. Algo de muito importante precisava ser resolvido e nessas horas Hermione gostaria ser de ser mais cúmplice de Draco, mais amiga.

- Como a senhorita pode ver, o palacete foi recentemente restaurado. A construção desse local data de 1500, uma das primeiras moradias dos Malfoy.

- É lindo.

- Há muitas obras de arte aqui nesse palacete. Algumas delas de valor inestimável – continuou Margareth. – Os Malfoy sempre foram grandes apreciadores da arte.

- E hoje em dia, qual a utilidade desse lugar? – perguntou Hermione interessada.

- As principais festas que os Malfoy oferecem acontece aqui. Todas as gerações de Malfoy, desde 1500 nasceram aqui, ou foram criados aqui uma parte de sua vida.

- Inclusive Draco?

- Sua Graça nasceu aqui. É uma tradição que o herdeiro nasça nesse palacete.

Sua Graça? Aquilo soou estranho aos ouvidos de Hermione. Apesar de saber que aquele era o tratamento certo, aquilo parecia antiquado demais. Mas aquela mulher não parecia se importar em ser antiquada. Ela tinha orgulho em apresentar o local, orgulho em mostrar o quanto sabia da história daquela família tão antiga.

- Gostaria de apresentar um local em especial, que Sua Graça me pediu para lhe mostrar – disse a mulher inexpressiva.

Hermione seguiu calada atrás da mulher. Cada local do lugar lhe impressionava. Estar em um palácio como Buckingham era uma coisa, mas estar em um lugar como aquele, que poucas pessoas tinham acesso, e que muitas outras sequer sabiam que existia era totalmente outra. Parecia levar quem quer que fosse para um lugar perdido no passado.

- Chegamos – disse a governanta após subir uma longa e bela escada.

Com um gesto cortês, a governanta deu espaço para a castanha entrar. A primeira sensação que Hermione teve era de não entender o que estava acontecendo, depois, veio indignação.

- Entre Mione – disse Gina puxando a castanha para dentro do quarto.

- O que é que significa isso? – perguntou Hermione com a voz fraca. O olhar da castanha caiu sobre Annelise. – O que é que está acontecendo?

- Bem, hoje é o dia do seu casamento. – disse Annelise com um sorriso enorme estampado no rosto.

- Como assim: dia do meu casamento?

- Não faça perguntas difíceis, Mione! – disse Gina rindo. – Temos muito que fazer! Precisamos correr para fazer sua maquilagem, mudar esse penteado que está muito simples.

Hermione ainda não conseguia assimilar o que estava acontecendo. Sentiu suas pernas tremerem. Enquanto isso, Annelise e Gina pareciam guiá-la tranquilamente, como se estivesse tudo milimetricamente ensaiado.

- Vocês estão me dizendo que eu irei casar hoje? – perguntou Hermione com a voz fina enquanto Annelise e Gina arrumavam seu cabelo.

- Sim, você irá ser a nova Duquesa de Richmond – disse Annelise empolgada. – Eu não posso acreditar! Você não tem ideia do trabalho que deu para arrumarmos tudo.

- Mas e o vestido?

- Está guardado – respondeu Gina sorrindo. – Só posso te falar que é o mais lindo que eu já vi.

- E se não servir.

- Não se preocupe, vai servir, Mione. – disse Gina. – Agora fique quieta, precisamos terminar o seu cabelo, e correr com a maquilagem. Vou pegar uns grampos no banheiro e já volto.

Quando Gina saiu do parâmetro de visão, Annelise abaixou-se para poder olhar nos olhos de sua futura cunhada. Hermione parecia nervosa o suficiente, suas mãos apresentavam um leve tremor, que a loira considerou normal, devido a tensão para um casamento que até poucos minutos atrás Hermione não tinha conhecimento.

- Anne, e seus pais?

- O que tem meus pais?

- Eles estão sabendo do casamento?

- Oh sim, claro. E bem, eles estão inconformados. E vão ficar ainda mais quando descobrirem... – Annelise tampou a boca.

- O Draco te contou, Anne? – questionou Hermione virando-se para encarar a loira. – Ele te contou, não foi?

- Sim, ele me contou. Mas eu não contei para ninguém. Nem mesmo a Gina – disse Annelise acalmado a morena. – Mas eu estou muito feliz por vocês. Isso é incrível, Hermione! Uma criança é sempre muito bem vinda.

- Sua mãe vai armar um barraco quando descobrir.

- Nessa altura vocês já vão estar muito bem casados. E ela não poderá fazer nada para impedir, não se preocupe. Hoje é seu dia, aproveite!

- Acho que esses grampos serão o suficiente para prender os cabelos dela, você não acha, Anne? – perguntou Gina com um punhado nas mãos.

- Acho que sim – disse a menina se levantando de uma só vez. – Você consegue dar conta de terminar? Eu vou preparando o que nós vamos usar de maquilagem nela.

- Certo. – respondeu Gina. – Eu termino aqui, mas eu acho melhor ela colocar o vestido primeiro.

- O vestido da pra entrar por baixo. – gritou Annelise do banheiro, onde, aparentemente, estava tudo o que elas estavam usando. – Ela pode vestir um pouco antes de sair do quarto.

Enquanto as meninas trabalhavam intensamente, Hermione só conseguia pensar que em breve estaria casada com o homem da sua vida. E poderiam, finalmente, viver tranquilamente, com a criança que em breve nasceria. Um medo irracional tomou conta de Hermione, a chance de Catherine estar lá embaixo era grande. E aquilo a deixou apavorada. E se ela estivesse com Draco? E se naquele momento, enquanto ela se arrumava para o casamento, Catherine estivesse entrando no quarto de Draco?

- Herms, aconteceu alguma coisa? – perguntou Annelise ao voltar com a maleta de maquilagem nas mãos. – Você está muito séria. O que você tem?

- Nada.

- Tem certeza?

- Claro que sim, está tudo bem! – disse Hermione sorrindo. – Eu não consigo expressar o quão surpresa e feliz eu estou.

- Terminei! – disse Gina sorrindo. – Você está linda. Antes de começar a maquilagem, é melhor tirar esse vestido que você está usando.

- Como você está aqui? – perguntou Hermione olhando o rosto rosado e animado de sua melhor amiga. Sempre imaginou que se um dia se casasse, Gina seria sua dama de honra, mas jamais pensou que ela conseguiria preparar o seu casamento totalmente em segredo.

- Draco me ligou há alguns dias – ela disse sorridente e segurou a mão de Hermione. – Temos trabalhado dia e noite para fazer tudo ficar lindo, Mione!

- E eu andava irritada com ele por chegar tarde todas as noites – riu abraçada a amiga.

- Venha cá – disse Annelise de forma apressada. – Precisamos terminar de arrumar você, depois vocês conversam – disse mostrando que era uma verdadeira Malfoy, tinha a mesma disposição para coordenar e controlar toda a situação.

Em outro quarto do palacete, Draco andava de um lado para o outro. Estava nervoso, ficar em um único lugar estava totalmente fora de cogitação. Olhou para o relógio mais uma vez. Ainda faltava um bocado de tempo para que a cerimônia começasse. Afastou a cortina e pôde ver o jardim, havia um número considerável de pessoas andando e conversando, com suas taças de champanhe nas mãos.

Três batidas na porta chamaram sua atenção.

- Pode entrar.

- Você já está pronto – disse William entrando, trajando sua imponente farda. – Você parece nervoso.

- Impressão sua, William. – Draco riu nervoso. – Por qual motivo eu estaria nervoso?

- Sarcasmo sempre foi uma característica sua nesse tipo de situação – disse William se jogando na cama. – Pense pelo lado bom, você não tem que beijar sua noiva na frente de um povo inteiro.

- Isso é o que menos me preocupa, Will. – Draco, por fim, sentou-se. – Eu jamais imaginei que, algum dia, eu viria casar.

- Você escolheu bem, Draco. Hermione me parece ser uma mulher incrível e, de alguma maneira, conseguiu colocar juízo na sua cabeça. E eu me lembro bem do que eu falei naquele dia, no bar. Você está irreversivelmente apaixonado por ela, mas como você é cabeça dura, jamais irá admitir isso para você.

- William... – a voz de Draco saiu rouca. – O que eu mais quero hoje, é constituir uma família com Hermione. Quero poder criar nossos filhos junto dela, e por incrível que pareça, não me vejo mais sem ela – admitiu o loiro meio inseguro. – De uma maneira estranha, ela consegue me manter no caminho, sem esforços... Eu... Eu sinto saudades dela de um jeito que eu jamais pensei.

- Você a ama, Malfoy – William sentou-se, passando a mão na farda, no intuito de alisá-la. – Eu sei o quanto você sofreu... – disse o moreno cauteloso, por saber que estava transitando em um terreno pouco seguro. – Posso ser sincero com você?

- Pode – Draco levantou-se e foi até a janela para observar o jardim todo iluminado. Seus braços para trás demonstrava o nível de sua tensão. – Diga logo.

- Alguma vez, nesse tempo que você está com a Hermione, você parou para pensar se você realmente amou Catherine?

- Que conversa é essa, William? – Draco virou-se bruscamente. – O que você quer dizer com isso?

O homem a frente de Draco pareceu pensar bem sobre o que iria falar a seguir. Apesar de William ser o príncipe, Draco era quem, no final, sempre deteve o poder. Era quem mantinha o controle da situação, independente do quão complicada pudesse estar. Depois da conversa no bar, alguns meses atrás, William pudera entender que o que Draco fizera fora para assegurar a amizade deles, e que, infelizmente, os dois tinham sido vítimas, no final das contas.

- Então o que você quer dizer com isso?

- Draco, meu amigo, pense bem! Vamos desconsiderar o fato de Catherine ser minha esposa – Draco ergueu uma das sobrancelhas, descrente do que estava ouvindo. – Apenas me escute.

- Estou ouvindo.

- Pode parecer meio piegas... Bem, vou direto ao ponto. – William se endireitou, sentando-se melhor na cama. – Você realmente amou Catherine? Ou foi apenas uma paixão de um universitário? Pense bem... Quantas coisas você fez por Hermione? Eu sei de muita coisa, e o que você fez por ela, você jamais fez por qualquer outra. Enquanto você estava namorando Catherine, alguma vez você saiu de Londres no meio da madrugada, viajou a noite inteira, só para vê-la? Alguma vez você encarou seus pais por Catherine ou por qualquer mulher? Você aguentou a TPM de alguma mulher?

- Como você pode estar falando desse jeito, William? Catherine é sua esposa.

- Eu sei que é, mas nós já erámos amigos muito antes de ela entrar em nossas vidas. E o que aconteceu no passado não pode ser mudado. Por isso, temos que encarar o fato da melhor maneira possível. Eu não tenho raiva e nem rancor de você, Draco. – William analisou o rosto de Draco, que permaneceu calado. – Então, o que me diz?

- Talvez... Talvez você tenha razão.

- Você não precisa admitir para mim, Draco. Eu sou seu amigo e lhe conheço desde que nascemos.

- O que você quer que eu fale? – a voz de Draco saiu grave. – Que eu amo Hermione como eu jamais imaginei que fosse possível? Que eu sou terrivelmente apaixonado por ela?

- Bem, acho que eu consegui o que eu queria. Faça esse casamento valer a pena, meu amigo. – William deu dois tapinhas amigáveis nas costas de Draco. – Ainda quer que eu seja o seu padrinho?

- Claro.

- Sendo assim, nos vemos em breve – William saiu do quarto deixando Draco sozinho.

Sentiu o suor escorrer por suas mãos. Estava frio, no auge no inverno, mas sentia um calor terrível. Queria ver Hermione vestida de noiva, indo em sua direção.

Os minutos se escorreram lentamente, por fim, Draco se deu por vencido e jogou-se na cama. Quem sabe, ficar olhando para o teto ajudasse a arrumar os pensamentos? Por mais que tentasse, a única coisa que conseguia pensar era em quão bonita Hermione estaria.

- Draco?

- Annelise? – em um movimento brusco, Draco sentou-se. Sua irmã tinha uma feição de pura felicidade no rosto. – O que você faz aqui?

- Está na hora, Draco – ela sorriu para o irmão. – Ela está incrivelmente linda.

- Eu sei.

- Você está pronto? – perguntou a loira.

- Estou.

- Tem certeza?

- Claro.

- Então vamos. Levante-se, ajeite essa farda. Todos estão esperando por você. Temos um longo caminho até a capela.

No imenso terreno em que ficava o palacete dos Malfoy, havia uma bela capela que era tão antiga quanto todo o resto das construções. As pessoas, antes de sentarem em seus lugares, admiravam as várias obras de arte que havia ali dentro.

- Eu não posso acreditar que ele vai realmente se casar com essa plebeia – disse Beatrice a Pansy, seu queixo tremia de raiva. – O que ele viu nela?

- Boa pergunta – disse a Pansy ajeitando seu chapéu. – De qualquer forma, não vou desistir. Ainda hei de levar Draco Malfoy para a cama.

- Ora, não seja ingênua Pansy. – disse Beatrice desdenhando. – Você acha que as pessoas não sabem que você se enfiava, no meio da noite, no quarto de Draco para tentar seduzi-lo? – Beatrice riu com a cara de choque que a garota ao seu lado fez. – Todo mundo sabe, minha querida.

- Pelo menos tentei Beatrice. E por um tempo, apesar de nunca ter levado Draco para cama, eu o distraía. E você? Nem isso você fez. Ele NUNCA te olhou, Beatrice.

- O que importa garotas, é que ele está se casando – uma voz conhecida veio do banco de trás, e com cara de espanto as duas perceberam que Harry divertia-se escutando a conversa. – Draco está se casando com uma mulher descente. Como os Malfoy’s deixam alguém como você, Pansy, ter amizade com Annelise? Beatrice, minha querida prima, você me envergonha.

- Não estávamos falando com você, Harry.

- Mas fiz questão de me intrometer. A conversa estava tão interessante – ironizou ele. – Sinceramente, eu não acho que você seja uma boa companhia para minha futura noiva.

- Do que é que você está falando, Harry? – perguntou Beatrice curiosa. – Não vai me dizer...

- Isso não é da conta de vocês. – disse seco. – Agora, por favor, me poupem de suas frivolidades. Meus ouvidos não são privadas, minhas queridas.

Ao entrar na capela, Draco foi cumprimentado por todos. Por incrível que pudesse parecer, não havia muitos lugares disponíveis. As pessoas pareciam curiosas com um casamento que parecia ter sido arrumado de última hora. O mais engraçado era perceber que as pessoas pareciam não se importar de passar o Ano Novo em um casamento.

- Nervoso? – perguntou William se posicionando ao lado do noivo.

- Consideravelmente – murmurou Draco. – Você viu meus pais?

-Devem estar por ai, fazendo sala para alguém.

- Seus avós virão? – perguntou Draco tentando parecer relaxado.

- Esqueci de falar, mas meus avós me pediram para te pedir desculpas, mas infelizmente a saúde de meu avô não está muito boa, e ficar viajando no inverno é perigoso.

- Eu entendo.

- Ela disse que gostaria muito de vir, mas que realmente não é possível. Meus avós ficaram realmente chateados por não poderem comparecer. Eles têm você em alta estima.

- Sei disso – respondeu Draco. – Espero que seu avô melhore – desejou Draco verdadeiramente. – Sempre gostei muito dele. Sempre gostei de sair para caçar com vocês.

- Isso era realmente divertido – comentou William. – Meu irmão parece que se apaixonou pela futura noiva – caçoou William.

- Isso é sério? – perguntou Draco sério. O nervosismo parecia ter dado lugar a preocupação. Annelise era um caso que o preocupava verdadeiramente.

- Sim, isso é sério. Eles andam saindo as escondidas – revelou William. – Ele tomou juízo, Draco. Faz muito tempo que eu não vejo meu irmão chapado ou bêbado. Acredito que Annelise tenha dado um jeito nele.

- Meus pais não parecem saber desses encontros – resmungou Draco.

- Eles não sabem – alertou William olhando para os lados. – Deixe que os dois se resolvam. Quem sabe, esse casamento não acabe dando certo, no final?

- Eu espero que sim, meu caro – desejou Draco. – Só quero que Annelise seja feliz.

- Ela vai ser feliz – garantiu William. – Agora, meu caro amigo, chegou a hora.

Draco pegou a espada, que havia deixado encostada em um canto do quarto, e arrumou-a devidamente. Olhou-se no espelho. Sua farda estava devidamente engomada, e não era possível notar nenhum tipo de amassado. Verificou suas medalhas, todas cuidadosamente presas.

- Vamos – respondeu Draco.

Notas finais
n/a: espero que gostem!!!
beijos