Notas iniciais
Antes tarde do que nunca! =)
Espero que voces gostem do capitulo. ^.^
~PS: Eu e a Thys ja estamos pensando na 2ª temporada.~

No domingo, Draco ainda não havia lhe telefonado, foi o que Hermione voltou a pensar enquanto olhava pela janela do trem. Há meses não percorria aquele caminho de volta para Londres, assim como há meses não via os pais, afinal eles não iriam até Cambridge só para ver a vida medíocre que a filha vinha levando, e era com pesar que Hermione se dava cada vez mais conta disso.

Quando havia decidido se mudar, seus pais disseram que não iriam visitá-la, a principio pensou ser apenas birra por não quererem que ela fosse embora, e mesmo tendo explicado a eles que viver em Londres era muito caro para os planos que ela tinha, eles continuaram não querendo se deslocar até Cambridge. Nos primeiros meses não havia sido problema, pelo menos uma vez por mês em seu dia de folga Hermione se dirigia até sua cidade natal para visitar os pais, até o dia em que decidiu deixar que eles fossem visitá-la.

Mas esse dia nunca chegou.

Por isso ali estava ela, indo visitá-los mais uma vez. Sentia raiva por isso, por não acreditarem nela, de fato seu pai chegava a rir quando dizia que iria entrar em Cambridge. “Com que dinheiro?” Era o que ele sempre perguntava.

E sendo boa filha que era, Hermione nunca teve coragem de jogar na cara dos pais a culpa por não poder ir para Cambridge, ou para qualquer outra faculdade, como todos os seus amigos. Não sabia ao certo o que a levara a ir até a casa dos pais novamente, mas agora era tarde demais para voltar. O trem já anunciava a próxima parada na plataforma em Londres, e pronto, estava de volta em casa.

Não, pensou Hermione maneando a cabeça. De verdade duvidava que poderia voltar a chamar Londres de casa, ao menos não a pequena casa no subúrbio em que seus pais viviam.

Não havia ninguém esperando por ela quando desceu na plataforma, e isso não a espantou, não podia exigir muito do pai relapso que tinha. Sua mãe poderia até ter querido ir, mas sempre dependente do marido, se ele não ia, ela também ficava.

Aquele era um dos principais motivos para relutar tanto na questão casamento, não só com Draco, mas com qualquer homem possível. Havia crescido vendo sua mãe fazer tudo pelo marido, e não recebendo nada em troca. Não que estivesse falando mal de seu pai, não, ela o adorava e lhe devia a vida, mas várias vezes chegou a ponderar se a situação não seria mais fácil se fosse apenas ela e a mãe, mas logo a resposta lhe chegava: não seria mais fácil, pois sua mãe sempre dependera de seu pai, de modo que não fazia compras sozinha, nem sequer sabia dirigir, tudo ela consultava o marido antes de fazer, portanto se estivessem sozinhas, a situação estaria perdida.

Pegou um táxi que rapidamente a deixou no lugar que chamava de casa, não havia crescido ali, mas ainda assim tivera bons momentos. Sentia falta da propriedade que possuíam mais ao norte da cidade, uma casa muito grande e bonita, mas não era de ficar sentindo nostalgia nem o faria naquele momento.

Havia ido até ali para ver os pais, e para tomar sua decisão final. Não sabia como eles poderiam influenciá-la, mas havia sonhado com eles durante a noite, e num impulso resolvera dar um pulo em Londres e ver como as coisas estavam.

Parou na frente da casa amarela clara com portas brancas e sorriu, dava para sentir o cheiro do almoço sendo feito mesmo fora da residência e isso a fez sentir saudades da comida caseira de sua mãe. Sorrindo foi até a porta, tocando a campainha, e sorriu mais ainda ao ser esmagada pelo abraço gostoso que sua mãe lhe dava.

Sempre que chegava a casa de seus pais essa sensação de saudade e de estar no lugar certo faziam-na ter vontade de ficar, mas saber que o sentimento não perduraria era o que a fazia ir embora.

- Você nunca mais veio nos visitar – reclamou sua mãe beijando sua bochecha rosada, ainda abraçada a ela. Hermione retribuiu o abraço e sorriu, outra conseqüência de ser filha única, o amor e a saudade eram todos dirigidos unicamente a ela. – Mas chegou na hora certa! – continuou sua mãe pondo o cabelo curto para trás da orelha. – Estou fazendo aquela torta que você adora para sobremesa!

Hermione sorriu entrando em casa e deu uma olhada geral no ambiente, nada havia mudado desde a última vez que havia estado ali. No sofá a mesma manta continuava, assim como as almofadas coloridas, a parede da sala tinha um grande retrato da família e a televisão estava ligada em algum canal de esportes enquanto seu pai, que agora dirigia a atenção para a única filha, via um jogo de domingo.

Ele sorriu se erguendo da poltrona e a abraçou com força, era um homem orgulhoso, mas não negava o amor que sentia pela filha – mesmo que suas atitudes não demonstrassem isso.

- E o que trás você a Londres? – perguntou sua mãe puxando-a para cozinha, para que conversassem enquanto ela continuava a preparar o almoço.

- Fiquei esperando vocês me visitarem, mas como vocês nunca apareceram eu tive de vir – ela deu de ombros vendo preso na geladeira com um imã colorido o papel com o endereço que ela lhes dera. Não havia nem sido tocado.

Sua mãe suspirou e Hermione assentiu, mesmo que ela não visse, ela sabia que sua mãe queria visitá-la, mas já havia deixado claro que sozinha ela não iria.

- Sentiu saudades? – sua mãe perguntou dedicando-lhe um sorriso maternal.

- Um pouco – respondeu Hermione dando de ombros.

- E como anda tudo? – ela parecia animada. – Você vai poder ir para a faculdade logo? – desligando o fogo, Jane, a mãe de Hermione, se aproximou acariciando o cabelo da filha. Ela sempre soubera do sonho da filha de ir para Cambridge, e a apoiava incondicionalmente.

- Acredito que ano que vem – ela respondeu com um sorriso fraco, dizendo a si mesma que só mentia para a mãe para que ela ficasse mais tranquila.

O resto do dia para Hermione foi calmo e no meio da tarde ela já pegava um trem de volta para casa, havia ficado um pouco com os pais, matado a saudade e só, comprovando mais uma vez que ir morar sozinha havia sido sua melhor opção. Prezava sua independência e não se sentia pronta para abrir mão dela.

Mas então a proposta de Draco lhe veio a mente, e logo a animação de sua mãe com o fato de logo poder dizer que sua filha era uma universitária de Cambridge, havia um orgulho contido na voz de sua mãe que fez Hermione tragar a saliva, sentindo-se mais tarde culpada por iludi-la.

Então novamente surgiu a imagem de Draco, ele poderia mudar isso.

Valeria a pena perder sua liberdade para cursar a faculdade de seus sonhos?

A resposta estava clara, só ela não queria admitir nem aceitar. Só havia uma saída, afinal de contas.

Durante os dias em que não teve contato com Hermione, Draco também não deu satisfações para mais ninguém. Disse a sua mãe que ficaria alguns dias em seu apartamento em Cambridge, e como já esperava ela não reagiu nem um pouco bem a isso, afinal havia chamado Annelise e Pansy para passarem alguns dias na casa de campo da família Malfoy exatamente para deixar Draco mais perto de Pansy, e então ele decidia se retirar. Ela estava furiosa!

Mas há muito tempo Draco havia aprendido a ignorar os surtos que sua mãe dava, ignorar era o melhor caminho e logo ela se esqueceria disso. Afinal sabia que se fosse para casa, a situação com Pansy só pioraria, não podia sequer pensar em vê-la muito menos em ter qualquer relação com ela. Nos últimos tempos o único sentimento que nutria por Pansy Parkinson era desprezo, mas parecia que quanto mais a própria Pansy sabia disso, mais ela fazia para ser desprezada, perturbando-o muito além do aceitável, tornando-se insuportável.

Agora ali estava ele: jogado em sua cama, a televisão ligada não conseguia cativar sua atenção, apenas o aparelho celular jogado na cama ao seu lado e a questão que martelava em sua cabeça o dia todo, quando deveria ligar para ela?

Pensando nisso decidiu que havia chegado a hora de falar com ela, mas não queria ouvir novamente uma recusa. Assim, decidiu que enviar uma mensagem de texto seria mais fácil, não teria que ouvir a rejeição pela voz dela nem desculpas para não ir ao encontro dele.

“Podemos nos encontrar amanhã? Busco você para almoçarmos.

D.M.”

O aparelho celular largado na mesinha de cabeceira ao lado de sua cama começou a vibrar insistentemente, fazendo Hermione abrir um olho – não estava dormindo, mas se encontrava tão cansada que deitara com os olhos fechados esperando o sono chegar, mas parecia não chegar nunca – para encarar o pequeno aparelho prateado. No visor a mensagem assinada por Draco Malfoy reluzia, e mesmo sem querer, sentiu que seu coração disparava. Tinha de decidir o que diria a ele, e logo.

“Não precisa, já tenho uma resposta. Continua sendo a mesma. Não posso me casar com você

H.G”

Ler a mensagem dela o atingiu mais do que gostaria de admitir, afinal havia realmente criado esperanças de que ela lhe diria que sim, que aceitava ser sua esposa. Derrotado ajeitou-se melhor em sua cama, pensando que deveria começar logo a procurar por alguém que pudesse se encaixar no cargo de sua esposa.

Mas a resposta que sua mente lhe deu o atingiu mais ainda: não havia outra Hermione Granger por ai para se encaixar tão perfeitamente no cargo.

Não sabia nada sobre ela, isso era verdade, mas havia aceitado que com o passar do tempo começariam a se entender e aos poucos descobririam mais um sobre o outro. Mas pelo visto havia se enganado a toa, e agora ali se encontrava sozinho e com o orgulho ferido. Orgulho esse que já havia sido ferido incontáveis vezes por essa mulher, e começava a lhe deixar irritado por isso.

Virou-se pegando um abajur sobre a mesinha de cabeceira e o jogou longe, ouvindo a peça se desfazer contra a parede, caindo em incontáveis pedaços sobre o chão. Que diabos havia de errado com Hermione Granger para não aceitá-lo?

Depois de vários dias maneirando na bebida, naquela noite Draco voltou a se descontrolar, somente pensando que teria de voltar para casa e aceitar Pansy Parkinso.

Seu estômago revirava só de pensar na possibilidade, e a irritação que crescia em seu interior só o fazia beber um pouco mais.

Afinal agora não precisava mais enganar ninguém, não precisava mais fingir para Hermione que era um homem bom e que estava se controlando na bebida, não, no fundo aquele realmente era ele, e se isso causasse o desgosto a sua família, naquele momento pouco lhe importava, só queria saber de continuar bebendo.

Não havia mulher alguma ali com ele, mas isso poderia ser acertado, foi o pensamento que o atingiu logo em seguida. Naquela noite Draco Malfoy estava de volta!

O carro escuro percorria as pacatas ruas de Cambridge com uma velocidade muito superior a permitida, mas Draco Malfoy não se importava com isso. Ele precisava de companhia, ele queria companhia e estava indo atrás disso.

Mas para sua própria surpresa, quando se deu conta estava estacionado em frente ao pequeno e mal cuidado prédio que uma certa castanha morava, encarando a porta sem travas que o levaria para o interior do pequeno edifício. Deixou o carro estacionado de qualquer jeito e entrou abrindo a porta com mais força do que deveria, queria vê-la, não sabia ao certo porque, mas depois de decidir que enviar uma mensagem seria o melhor, ao ter a resposta dele Draco se deu conta de que, no final, não era melhor assim.

Seu orgulho havia sido ferido do mesmo jeito, e novamente ela fora contra as expectativas dele.

Bateu na porta de madeira do apartamento dela, tendo uma breve noção sobre aquele ser o apartamento certo ou não, voltou a bater com insistência até ouvir movimentos do lado de dentro do apartamento, que indicavam que ela estava vindo recebê-lo. Com um sorriso cafajeste nos lábios, Draco decidiu que não deixaria a esposa perfeita ir embora. Gostava de ser desafiado, isso tornava as coisas mais interessantes, e quanto mais Hermione lhe dizia que não, maior era sua gana de fazê-la dizer que sim.

- Olá – ele disse com a voz arrastada, com seu sotaque britânico levemente mais acentuado.

Hermione não podia acreditar que batiam na sua porta a essa hora. Ouviu as primeiras batidas, mas decidiu que ignorar era o melhor caminho. Ainda não havia conseguido pegar no sono, depois de receber a mensagem de Draco – sabendo que era isso que tirava seu sono – ela lhe respondeu rapidamente, julgando que assim poderia finalmente cair no sono, o assunto estava encerrado e ponto final. Mas não fora assim que as coisas se passaram... Depois de enviar a mensagem, seu peito se comprimiu tendo certeza de que havia rompido qualquer laço que as noites de convivência no pub pudessem ter criado, ao apertar enviar ela estava disposta a correr o risco, mas agora que tinha certeza que ele já havia lido sua resposta, a certeza se esvaía até não restar mais nada.

No final das contas havia tirado o dia para pensar no que dizer a ele, e por um momento esteve brevemente convencida de que mudaria de opinião, que lhe diria que sim – o momento surgiu quando o orgulho na voz de sua mãe por saber que logo a filha estaria na universidade a atingiu, a mentira que dissera a fez ficar envergonhada pelo resto do dia, tanto que logo após o almoço havia pego o trem mais cedo.

Cambridge era o seu sonho. Seria o orgulho de seus pais. Mas ainda assim ela dissera não a Draco Malfoy.

As batidas na porta continuaram até Hermione decidir dar um basta, além do mais as paredes eram finas e logo algum vizinho surgiria ali reclamando do barulho, o que só lhe causaria mais problemas.

Pegou o roupão que deixava no banheiro e se enrolou nele, indo abrir a porta para a última pessoa que pretendia ver naquela noite. Draco Malfoy estava parado a sua porta, com um sorriso cafajeste nos lábios, que só fez com que a atração que vinha sentindo por ele se tornasse ainda mais intensa.

Mas o cheiro a bebida alcoólica logo afastou essa atração, Hermione odiava bebida, o cheiro forte do álcool a fazia se lembrar de tempos de sua juventude que ela queria mais era esquecer.

- Olá – ele disse com a voz arrastada, com seu sotaque britânico levemente mais acentuado, o que na opinião de Hermione só o deixava mais sedutor.

Vendo-o assim, ignorando a bebida, ela só sabia se perguntar o que tinha na cabeça quando decidira dizer não a ele.

- O que faz aqui? – ela tentou ser séria, se manter firme antes que acabasse falando o que pensava, e que consequentemente acabaria dando adeus a resposta que havia dado sobre o possível casamento com ele.

- Nós precisamos conversar – disse ele arrastando-se para dentro do pequeno apartamento dela. Jogou-se no sofá mais próximo, fingindo estar mais alterado do que de fato estava.

Mas ela não acreditou no fingimento, ela sabia que para uma bebida derrubar Draco Malfoy precisava ser muito forte, e ele precisava beber muito mais.

- Não precisamos – foi a resposta dela. – Nós já conversamos e eu já lhe disse a minha resposta.

- Eu sei disso – ele respondeu mantendo-se de pé, de repente deixando toda a encenação de lado. – Assim como eu sei que lhe disse que aceitaria a sua decisão, mas não posso – respondeu tocando o rosto de Hermione, claramente usando todo seu charme sedutor para trazê-la para si. – Realmente pensei que você me diria que sim.

- Oras! – ela se afastou exasperada. – Não sabia que você era assim tão presunçoso!

- Eu não presunçoso – ele retrucou ofendido. – Mas você sabe que eu posso dar o que você sonha, você quer ir para Cambridge, não negue! Eu posso te dar isso... Além do mais, o casamento não vai durar para sempre, eu já lhe disse, é só até eu acertar minha situação e posição no parlamento.

- E então você se separa e sai como vítima, provavelmente – ela debochou. – Já lhe disse uma vez Draco Malfoy, eu tenho meus princípios e entre eles não consta ser sustentada por um homem como você!

- O que tem de errado em se dar ao luxo de ter um marido que lhe pague as contas? – ele gritou segurando-a pelos ombros. – Falo em sério, Hermione. Pensei que poderia achar outra para esse cargo, para ser minha esposa, mas de todas as mulheres com que estive todos esses anos, você foi a primeira, e a única, a não dar bola para o dinheiro que eu tenho ou meu sobrenome.

- É exatamente o que estou lhe dizendo – ela debochou tentando se soltar dele. – Isso se chama princípios. Eu disse que ia pagar a minha faculdade, e eu vou!

- Então com o emprego no pub se prepare para entrar em Cambridge quando tiver cinquenta anos – ele disse sem pensar, e a verdade a atingiu mais do que gostaria, deixando-a sem falas.

- É esse o argumento que você tem para me fazer aceitar esse plano estúpido? – ela arqueou uma sobrancelha desdenhando. Não se mostraria uma garotinha frágil na frente dele. – Então só mostra que eu estou certa ao lhe dizer que não. Além do mais – ela continuou apontando um dedo em seu rosto – como você sabe que vai dar certo? Não posso me gabar de meus méritos como atriz – debochou. – Quem garante que escolhendo a mim não vai por tudo a perder?

- Observei você todos esses dias e não foi a toa, Hermione – ele retrucou com uma sobrancelha arqueada. – Sei que não é nenhuma ignorante e vai saber agir como deve ser.

- Ignorante? – ela se sentiu ofendida só de ouvir a palavra sendo comparada a ela. – Você não é melhor do que ninguém, Draco Malfoy, para ficar fazendo tais comparações. E é óbvio que eu não sou nenhuma ignorante, quero ir para Cambridge e não é a toa! Todos esses anos eu estudei para isso, para entrar e me formar, ser uma advogada de respeito. Então não mencione essa palavra e o meu nome na mesma frase novamente, nunca mais!

- Não venha falar comigo deste modo – ele retrucou erguendo a voz.

Por Deus, pensou Hermione. Não havia relação alguma entre eles e já discutiam desse jeito, não podia nem imaginar como seria se houvesse lhe dito que aceitava a proposta. Seria um inferno, discussões atrás de discussões.

E não haveria amor, foi o último pensamento dela. O pensamento mais forte e que a fazia relutar tanto em aceitar. Amor. Lembrou-se do conto de fadas que ficava em sua gaveta ao lado da cama, e por um momento sorriu com amargura. Não era mais do tipo de garota que acredita e espera por um príncipe encantado, não acreditava realmente que se apaixonaria a primeira vista, teria um marido e uma família feliz para o resto da vida.

Então o que lhe fazia relutar tanto em aceitar?

- E se entrar em Cambridge daqui a trinta anos todo esse conhecimento que adquiriu agora não vai adiantar de nada – desdenhou ele com raiva.

Não sabia a que ponto chegariam, mas a irritação era mutua entre eles.

Hermione observou quando os olhos cinza cravaram em sua boca, e automaticamente a deixou entreaberta. Draco continuava segurando seus ombros e a mirando com tamanha intensidade que as palavras foram arrancadas de sua boca, não sabia o que dizer, além do mais ele estava certo, não adiantaria saber das coisas agora se iria demorar anos para entrar na faculdade.

Novamente o pensamento de que havia pedido um milagre e Draco aparecera fez sua mente ficar confusa. Talvez depois de tanto tempo tendo de se virar sozinha, sentindo-se sozinha – porque mesmo morando com os pais, sendo abraçada e adorada por eles, Hermione sempre sentira que faltava um espaço a ser preenchido. Talvez Draco houvesse surgido em sua vida para isso, ela pensou com certa expectativa.

Seu peito se inflamou de algo semelhante a esperança, pela primeira vez considerando realmente repensar sua resposta.

Então os lábios dele se apossaram dos seus com tamanha volúpia e intensidade que os pensamentos lhe fugiram da mente, não podendo se concentrar em nada além do corpo que abraçava o seu, se encaixando de um modo que Hermione não pensava ser capaz. Ele tão alto e másculo, enquanto ela era baixinha e magra, pareciam opostos, parecia que se Draco a apertasse com força ela partiria, mas ali estava ele fazendo exatamente isso, e Hermione sentia que nunca havia estado em lugar mais certo que entre os braços dele.

Não seria ingênua em pensar que isso a faria sentir algo por ele, mas constatar que se encaixavam tão bem lhe deu um ponto a favor desse casamento, poderia não ser tão ruim afinal de contas.

- Sua resposta continua sendo não? – ele murmurou com a voz rouca contra seu ouvido, fazendo-a se arrepiar.

- Você não é alguém que eu escolheria como marido – foi a resposta que ela lhe deu, e dessa vez foi Draco a se sentir ofendido. – Você bebe, eu odeio bebida. Eu quero um marido fiel, você não é do tipo que é capaz de ser sempre fiel a uma mulher... E esse é só o começo da lista.

Afastando-a com brusquidão, Hermione pôde ver seus olhos brilhando pela raiva.

- Você poderia ser fiel? – ela questionou encarando seu olhar.

- Por eu não ser o seu príncipe encantado você vai deixar o seu sonho de lado? – ele desdenhou maneando a cabeça em negação, e sem responder a pergunta que ela lhe fizera. Não podia acreditar no que estava ouvindo.

- Você já tem a minha resposta, Draco Malfoy.

Implícito na frase estava o pedido para que ele se retirasse, e isso Draco pôde compreender, afastando-se dela e indo em direção a porta.

- Se mudar de ideia, pode me ligar.

- Não vou – ela respondeu firme, vendo-o ir embora.

Jogou-se em sua cama assim que a porta foi fechada, pensando que aquela era mesmo a melhor opção. Mas durante toda a noite permaneceu acordada, se aquela era a melhor opinião porque sentia que havia deixado escapar a melhor chance da sua vida?

Gina abraçou a amiga não entendendo nada do que acontecia, durante o horário do almoço havia recebido uma mensagem de Hermione pedindo que ela fosse até seu apartamento quando a aula terminasse, e assim Gina fez, chegando lá para encontrar uma Hermione abatida jogada na cama, com olheiras e a expressão cansada.

- O que aconteceu aqui? – perguntou Gina com as sobrancelhas arqueadas pela surpresa.

Desde o encontro de Hermione com o rapaz que Gina desconhecia elas não se falaram, por isso Gina ainda não sabia nada dele, nem que ele havia lhe feito tal proposta.

Nunca havia escondido nada de Gina, e não era agora que começaria a fazê-lo, assim, Hermione decidiu que o melhor mesmo seria expor tudo para a melhor amiga, pensando também que desse jeito poderia contar com ela para decidir o que seria melhor. Precisava de um conselho, pois desde que dissera não definitivamente para Draco, sentia como se estivesse em uma corda bamba, andando trêmula sobre a tênue linha que a faria mudar de ideia e dizer sim.

Havia passado a noite em claro pensando nisso, por várias vezes decidira ligar para ele e pedir para conversarem, mas cada vez que discava os números a coragem lhe faltava a fazendo voltar atrás.

- Você sabe o que é melhor para você – Gina lhe disse beijando seu rosto, minutos antes de ir embora quando a tarde já acabava. – Além do mais uma vez você mesma me disse que seria capaz de qualquer coisa para realizar o seu sonho, você veio para cá, enfrentou tudo sozinha, não vai fazer mal se deixar ser ajudada um pouco, e como você mesma disse seria uma troca de favores... É Cambridge, amiga!

E dito isso ela partiu.

Mas para Hermione a pior hora foi quando entrou no pub aquela noite, e esperou durante todo o seu expediente ver o carro de Draco sendo estacionado do lado de fora, ou o loiro entrando pela porta que fazia barulho ao ser aberta. Mas isso não aconteceu.

Foi então que a verdade de seu ato a atingiu em cheio, ela não havia dito não só a proposta de Draco; havia dito não a todas as noites que ele lhe fizera companhia, e mesmo que ele tivesse algum objetivo por trás disso, ela havia gostado, como na noite em que ele a defendera de outros rapazes, era bom saber que tinha com quem contar. Mesmo que não sentisse nada além de amizade e gratidão, nas horas em que Draco estava ali, a ajudando ou só fazendo companhia, era como se o tempo passasse mais rápido, naquelas horas ele era só Draco, um homem qualquer querendo beber e acompanhá-la, não havia o nome Malfoy por trás dele nem um cargo no parlamento. E ela havia aberto mão disso também.

De fato não imaginara que a magoaria tanto a ausência dele, mas tinha de admitir que vinha se acostumando em tê-lo ali, e mesmo que não conversassem sobre nada com fundamento, era muito melhor que estar sozinha.

Naquele momento as palavras que Gina lhe dissera mais cedo voltaram a sua mente, era Cambridge, era o seu sonho e de qualquer jeito não o estaria recebendo de mão beijada, pelo contrário, aceitar Draco Malfoy era o mesmo que aceitar uma constante batalha de incertezas, onde nunca poderia saber o que prever nem esperar – e isso causava uma ansiedade em seu interior pela antecipação.

Sabia o que deveria fazer, e respirando fundo deu-se conta de que ou ia atrás dele naquele momento, ou isso não aconteceria mais.

Era Cambridge.

Era o seu sonho.

E ela não deveria deixá-lo escapar de modo algum.

Pensando assim, recolheu suas coisas e trancou o pub o mais rápido que pôde, logo chamou um táxi, o taxista poderia lhe ajudar a encontrar o prédio, pois ela vagamente se lembrava. Só sabia que era o prédio mais alto da cidade, e essa deveria ser uma boa referência.

O relógio em seu pulso apontava 3:15 da madrugada quando chegou a portaria do prédio, apertou o interfone chamando pela cobertura, e depois de vários minutos a voz rouca de Draco Malfoy respondeu do outro lado da linha, mal humorado.

Ela só podia estar querendo lhe dar o troco, foi o que pensou Draco, afinal ele a havia supostamente tirado da cama na outra noite. Mas dessa vez era até sacanagem. Encontrava-se nervoso e estava sozinho, o que o deixava mais nervoso ainda. Não tivera cabeça para ir atrás de nenhuma mulher, por mais fácil que fosse, depois do que Hermione lhe disse.

E agora ali estava ela.

Quando a recebeu na porta, fez questão de não esconder sua surpresa. Havia dito que a proposta continuava de pé, caso ela mudasse de ideia, mas não imaginou realmente que ela mudaria de ideia.

No entanto, ali estava ela mais uma vez pronta para fazer exatamente o contrário do que ele imaginava.

- Eu aceito – ela disse antes de qualquer outra coisa, respirando ofegante como se houvesse subido todos os lances até a cobertura pela escada, o que não era provável.

Notas finais
Primeiro de tudo, eu gostaria de agradecer a june_as pela indicação LINDA que ela fez da fic! *-* Eu e a Thys ficamos super mega ultra felizes... PRIMEIRA INDICAÇÃO DA FIC! Lindo, lindo, lindo! *--*
Eai, o que acharam do capitulo hein?! Quero muitos reviews de voces me contando o que acharam!!! Estou ansiosa para saber a reação de voces. hehehehe.
Bem, daqui a 15 dias é a vez da Thys postar...
Beijooos ;*
Dani