Altos e Baixos
7 Capítulo 7
Notas iniciais
-Seria esse aqui?
Ouço uma voz atrás de mim e quando me viro, vejo Lucas me encarando na porta do saguão com o notebook na mão.
Caminho até ele sem olhar em seus olhos, pego o notebook da mão dele e me viro para voltar para reunião, mas ele segura o meu braço e me força encarar-lhe nos olhos.
- Joseph nós precisamos conversar.
- Eu acho que o bilhete que lhe deixei na noite passada era bem expressivo!
- Joseph, por favor! – fito seus olhos e vejo que estão inundados.
Desvencilho-me dele e vou em direção a reunião, Rodrigo me olha mais eu lhe dirijo um olhar, num pedido mudo de que conversássemos depois. Entro na reunião e vejo que todos percebem meu abatimento, céus tava tão perceptível assim? Coloco minha máscara da indiferença que há muito tempo (leia-se no meu tempo da escola) não usava e segui com a reunião.
Depois de horas e horas de discussões e exigências que pareciam intermináveis, finalmente eu terminei a reunião.
Após todos irem embora eu fiquei na sala arrumando os papéis, onde tinha anotado alguns tópicos da reunião, quando nesse meio tempo alguém bate na porta e Rodrigo passa por ela.
- Já não era pra você está em casa? – pergunto dando um falso sorriso.
- Anda Joseph, fala – disse ele se sentando sobre a mesa e cruzando as pernas em seguida – o que houve entre você e o Chevalier?
- Não houve nada.
- Vai realmente tentar?
- Tentar o que?
- Mentir pra mim? Sério Lawrence você sabe que essa máscara não funciona comigo, desde o primeiro dia que eu a vi.
- Você e esse seu sexto sentido pras coisas!
- Não preciso dele querido, o seu pequeno “barraco” com o bofe disse tudo.
O olhei naqueles olhos verdes que mais pareciam duas esmeraldas, e desabei em choro, abraçando-o e contando entre soluços tudo o que estava acontecendo.
- Ro, o que eu faço?
- Converse com ele, de uma chance dele se redimir.
- E esquecer o que ele disse? – perguntei.
-Não estou falando para esquecer o que ele fez, eu sei como você está abalado, afinal eu vi o quanto você estava feliz por ter feito ele se tornar uma pessoa melhor – ele levantou meu queixo e olhou em meus olhos – O que quero dizer é que você tem que conversar com ele, ouvir o que ele tem a dizer, você tem que entender que esse “mundo sem preconceito” é muito novo pra ele.
Abaixo a cabeça e saio dos braços do grego.
- Tudo bem, você tem razão.
Ele se levanta, bagunça o meu cabelo e diz antes de sair da sala:
- Eu sempre tenho.
Sorrio, pego minhas coisas e também saio. Caminho até o saguão e encontro Lucas sentado no sofá da recepção com rosto escondido entre as mãos.
- Lucas?
-Joseph? Joseph meu amor vamos conversar, por favor! – diz ele se levantando e vindo até mim.
- Você ficou me esperando aqui até agora?
- Sim.
“O que quero dizer é que você tem que conversar com ele, ouvir o que ele tem a dizer, você tem que entender que esse “mundo sem preconceito” é muito novo pra ele.”
- Conversamos em casa. – digo e ele me segue esboçando um sorriso.
Entramos no meu carro e percorremos o caminho em silencio e com alguns olhares vindos dele. Paro o carro em frente ao apartamento, desço e entro no apartamento. Ao adentrar no recinto percebo que as coisas estão mais bagunçadas do que o normal. Há brinquedos espalhados por todo lugar, sacos de chips em cima do sofá, giz de cera e papéis coloridos no chão da sala. Meu apartamento virou uma creche enquanto eu estava fora?
- O que significa isso? – pergunto.
Mais antes mesmo de Lucas responder minha pergunta, uma menininha morena carregando um monte de giz de cera na mão, sai de um dos cômodos chamando papai? Como assim? Quem era ela? Espera! Eu acho que estou a reconhecendo. Ela não me é estranha.
“Logo ao entrarmos, podemos ver um pátio cheio de crianças correndo pra lá e pra cá, continuo olhando ao redor, quando esbarro em uma menininha vestida em um vestido branco de bolinhas pretas, ela tinha olhos azuis turquesa, os cabelos negros e lisos iam da cabeça até os ombros, tinha a pele branquinha e uma expressão gentil e delicada.”
- “Desculpa – peço e vejo a menina sorrir, para logo depois vê-la correndo em direção a um garotinho cabisbaixo no canto.”
- Você a adotou? – pergunto me virando pra ele.
- Sim e não foi só ela, Daniel? (*Nota: Se lê DAN niel)
Na mesma hora um menino de cabelos loiros encaracolados e lindos olhos azuis também aparecem tateando as paredes até chegar à sala. Ele o adotou! Ele o adotou mesmo dizendo aquelas coisas todas ele adotou. Olho mais uma vez pra eles e dou um abraço apertado nos dois e me viro pra Lucas.
- Por quê? – pergunto, voltando a ficar sério. – Você não disse que queria um filho normal?
- Eu estava com medo, ok. Você sabe o quanto isso ainda é novo pra mim. Realmente quando você falou pra mim que teríamos um filho cego, eu fiquei em choque! Foi como se tudo que nós tivemos que enfrentar no passado tivesse voltado. Eu sei que fui um idiota falando aquelas coisas e que você tem toda a razão de ficar bravo comigo, mais eu te peço Joseph que pelo menos veja o meu lado e que não me odeie.
Olhei mais uma vez para as crianças e fiz uma ultima pergunta:
- E por que os trouxe para cá?
- Enquanto você estava na reunião eu fui até o orfanato e procurei por eles, conversei um pouco e acabei me encantando. Olha Joseph eu quero um filho e quero que seja o Daniel e essa menina linda.
Olhei em seus olhos e pude ver a sinceridade que eles transmitiam, sorrir e o abracei.
- Por que você tem que ser tão complicado, hein?
- E por que você tem que ter a mão tão forte? Sério! Aquele tapa que você me deu doeu por horas!
- Mais foi merecido. Pelo menos você aprendeu a lição.
-Aprendi muito bem – ele me puxou mais contra o corpo – Agora deixa eu matar a saudade dessa sua boca que me deixa louco!
- Lucas, as crianças!
Nós nos separamos e rimos, era engraçado agora usar essa frase, afinal agora tínhamos os nossos filhos.
Bom no começo não foi muito difícil se adaptar a nova vida tanto pra eles quanto para nós. Daniel e Clarisse eram dois anjinhos, é claro que eles aprontavam, como na vez em que Clarisse quis me mostrar que conseguia alcançar coisas altas com seu bracinho e acabou derrubando uma prateleira inteira de livros do Lucas, ou quando Daniel foi tentar trocar de roupa sozinho e acabou derrubando o abajur no chão, mas em geral eles eram calmos e aceitavam bem a convivência com dois pais, mas mesmo assim contratamos um psicólogo.
De noite, quando fomos dormir, Clarisse encrencou com o escuro, a menina dizia que tinha monstros em todos os lugares e nós tivemos que dormir de luz acesa.
Era nem oito da manhã quando o interfone tocou, levantei um pouco sonolento e peguei o telefone que havia na sala.
- Sr. Erigor? O que houve?
O homem fala mais só consigo captar uma palavra, e ela é o suficiente pra me fazer ficar pálido. Lucas que veio atrás de mim ver o que estava acontecendo, estranhou e perguntou:
- Quem era no interfone amor?
- O porteiro.
- E o que ele queria?
- Avisar que tem uma pessoa subindo.
- Quem?
- Minha mãe.
Notas finais
Bjs
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