Alto Mar
1 Prólogo
Notas iniciais
O pequeno barco destruído, nas pedras encontrou sua morada. O oceano não seria tocado por seu casco durante algum tempo. A vela rasgadas, seus suprimentos perdidos mar adentro. Acendo um cigarro dentro do abrigo improvisado, perdemos homens nessa noite, perdemos a princesa dos olhos de deus. Minha querida Atena. Suportou a tempestade com bravura, embora Poseidon não nos tenha agraciado com sua calma e cortesia de caminhos suaves.
Mantenho meus olhos fixos na tempestade, no mar violento e escuto o coro dos homens ao relento. O vento forte ameaçava destruir a armação improvisada, como viemos parar aqui? As pedras surgiram do nada, a onda nos trouxe como uma oferenda ao que habita aqui. Silencio o coração, não me deixo abater. A tristeza deles é um silvo prolongado de serpente que envenena o mais forte. Sou o líder, devo agir como tal.
Ergo-me. Limpo a poeira dos joelhos.
— Amigos, essa parada não foi premeditada. — O silêncio deles consumia o ruído estrondoso dos trovões. Era sufocante a presença do desespero. — Precisamos esperar até amanhecer e só então saberemos o tamanho da destruição.
Ninguém se manifestou sobre. Alguns acenaram com a cabeça, deixaram a entender que esperariam. O assunto deu-se por encerrado. Tudo voltou ao mais absoluto nada. Nenhuma lamentação seria feita naquela noite, não mais.
O fogo da pequena fogueira aquecia o pequeno grupo, as brasas crepitavam, as sombras tremiam. Uma história de terror podia ser contada no círculo, mas não era hora, nem local para isso. Quanto tempo até que a tempestade se acalme? Quanto tempo até sabermos o que aconteceu com a minha deusa?
Sentia-me só, isolado do mundo, rodeado por árvores e animais que não poderiam me ajudar, apontar uma direção sequer. Ninguém para conversar sobre o ocorrido sem que fossem perdidas as esperanças de retorno. Era necessário força, era preciso descansar. Não existiam limites diante do poderoso mar que se estendia ao infinito. Sua ira ameaçava o solo e o céu ria por não ser atingido. Sua risada de desgosto rugindo para nós, pensativo por tamanha desgraça aos homens.
Onde está a lua para acalmar meu coração?
Dou um trago, seguro, solto. A fumaça rodopia e se perde na chuva. Quantos conseguiram chegar nessa maldita ilha? Cinco, sete... Oito, comigo. Perdemos doze membros nessa expedição.
Mas ela ainda não acabou...
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