Alterados
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Rosalie se sentia estranha, mas ao mesmo tempo melhor. Parecia que seus problemas haviam desaparecido. Era como se toda sua dor fosse apagada de seu coração. Se sentiu mais leve, e ao mesmo tempo mais forte. Olhou pra mulher e pro homem que a atacaram.
- Meu nome é Julie, e o do meu amigo é Isac. — disse a mulher pálida.
- O que fizeram comigo? Por que me sinto estranhamente bem? — Rosalie olhou pro garoto em busca de uma resposta, mas Julie respondeu primeiro.
- Agora você é uma vampira, como nós.
- O quê? Vampira? Isso existe?
- Oh, não... Isac mordeu seu pescoço porque isso é uma coisa que ele normalmente faz por aí. — respondeu Julie em tom de zombaria.
Rosalie olhou para Isac, o garoto continuou ali, parado atrás de Julie, a observando. Rose passou seu dedo indicador em seu pescoço e sentiu a marca dos buracos feitos pelos caninos de Isac. Oh, meu Deus! Eles tem razão. Pensou Rose. Estava sentindo uma vontade estranha. Sentiu um cheiro doce, logo percebeu que alguém vinha pela trilha. Em sua mente, pareceu ter visto um manual de instruções.
Era como se um monstro dentro de sua cabeça ordenasse a ela o que fazer naquele instante. Vá! Você agora não é como os outros, você é especial! Dizia o monstro. Sinta o doce aroma do sangue dela se aproximar. Pense como seria bom seus caninos penetrando aquele pescoço... Por alguns instantes, Rose permaneceu quieta, resinstindo a voz do mosntro, mas sua cede era imensa! Não precisa resistir, de deixa levar pelo seu instinto.
Rose olhou para Julie e Isac, eles acenaram positivo pra ela. Como se soubessem o que ela queria fazer. Mas eles sabiam. Julie e Isac correu em uma velocidade espantosa pra trás de uma grande árvore e Rose seguiu seu instinto. Quando viu estava em cima do corpo de uma garota, e de sua boca escorria o sangue quente ( porém delicioso ) dela.
- Meu Deus, o que eu fiz? — sussurrou.
***
- Se acalme Tom, não adianta ficar nervoso, temos que pensar!
- Cama? Você disse calma? — ele alterou a voz. — Esse desgraçado nos pediu pra criar um vírus pra infectar toda a cidade e você me pede pra ficar calmo?
- Não precisa gritar, também perdi minha prima. Não vou ao velório. Não tenho coragem pra olhar pra ela pela última vez. Sinto como se eu fosse a única culpada pela morte dela. Eu deixei o projeto com ela. Eu sou a culpada.
Angelina se jogou no sofá e cobriu o rosto com as mãos pra chorar. Tom percebeu que seu comportamento foi inadequado, sentou-se ao lado dela e abraçou.
- Me desculpa. Não deveria gritar com você. Afinal só nós dois podemos acabar com isso. Precisamos pensar em alguma solução imediata.
Angelina teve uma ideia. Secou suas lágrimas e pegou seu celular. Discou o número de Peter, esperou uns segundos e ele atendeu.
- Peter, sim é a Angelina. Quero que peça pra prepararem o melhor laboratório da LPC, pois Tom e eu precisaremos de tudo organizado pra fazer o antídoto. Confie em mim. Estaremos aí dentro de trinta minutos. — ela desligou e olhou pra Tom. — Se eles procuram a guerra, vão encontrar.
***
Rosalie seguiu Isac e Julie sem trocar nenhuma palavra. Ela não conseguia correr na mesma velocidade que eles, então foram mais devagar.
Mas adentro, na floresta, Isac se aproximou de uma longa pedra, mexeu nela, e a girou com uma força surpreendente, revelando uma passagem para uma caverna. Rose e Julie entraram. Isac tornou a girar a pedra, a colocando em seu lugar.
Seguiram reto. A caverna era iluminada pela luz de lamparinas nas paredes. Rose afundou seu pé em uma poça d'agua.
- Olhe pro chão, novata. — alertou Isac. Era a primeira vez que Rose ouvira a voz dele, então foi um pouco estranho.
- Rosalie, já que é uma de nós, precisa entender a história. — Julie continuou andando, mas olhando pra Rose, como se soubesse por onde ir, sem precisar olhar. — Os primeiros de nós, que chamamos de Originais, foram criados através de uma experiência na LPC.
- LPC, conheço este lugar, minha mãe trabalhou lá. — disse Rose olhando para o chão.
- Sim, nós sabemos. Por isso te procuramos. A ordem é transformar todos os parentes de quem trabalhou na LPC na época da experiência. Estamos formando um exército. Um dos planos é tomar a cidade em nossas mãos, e depois o Estado, em seguida o país, e assim vai, até que a nossa espécie habite cada canto do mundo.
- Temos uma autoridade. — explicou Isac. — Obedecemos as ordens dela. Claro, também temos humanos trabalhando com agente. Eles recebem nomes diferenciados, como Alfa, beta... e assim vai.
- Sempre pensei que vampiros fossem lendas, falta me dizerem que existem lobisomens também.
Isac e Julie se entreolharam.
- E se eu disser que sim? — Julie parou de andar e olhou bem no fundo dos olhos de Rose. — Um pouco mais longe daqui tem a cede do pessoal do Ralph. Os lobos se tornaram inimigos. Eles nos impedem atacar. Por isso precisamos da ajuda de um exército. Em maioria, eles não poderão nos impedir. E o caminho estará livre.
- Mas não basta fazer um trato com eles? Dividir o poder? — Rose sugeriu.
- Nossa autoridade não quer um trato, ela quer eliminar toda a raça de lobos que possa existir. É como óleo e água. Não se misturam. Nós somos o sol, eles a lua, temos que sair pra eles entrarem, isso tem que mudar. Isso vai mudar!
Rose viu o ódio nos olhos de Julie. Ainda tinha algo naquela história que não encaixava.
***
Ralph Entregian olhou para a janela. O sol já estava se pondo. Estava na hora de se prepararem para mais um ronda. A três anos ele lutava firme com seus amigos para defender a cidade do grupo de Lility. Uma briga acirrada por território entre os vampiros e lobos. Mas Ralph sabia no fundo que os dois compartilhavam de um mesmo sentimento. A raiva.
A raiva por Peter Franco era cada dia maior. Raiva por terem roubado sua infância, sua adolescência. Ralph, por mais que procurava parecer um líder ideal, ele era apenas um jovem de dezessete anos que vivera apenas um ano como humano. A raiva por Peter crescia a cada noite que ele se transformava em um lobo. Mas isto não era um motivo para ele matá-lo. Era isso que o tornava diferente dos seguidores de Lility.
- Mestre, recebemos a informação de que dois seguidores de Lility modificaram uma humana hoje. — disse Jane afastando os pensamentos de Ralph.
Jane também havia passado pelas mãos dos cientistas da LPC. loira, olhos azuis, meiga, pele branca como a neve. Ralph sabia da paixão da menina por ele, mas não podia retribuir, não naquele momento de guerra.
- O quê? Transformaram mais um? — Ralph se alterou. — Lility já está quebrando todas as regras. Isso não pode continuar.
- Alguns investigadores do nosso grupo afirmam que o plano de Lility é juntar um verdadeiro exército. Em maioria, eles poderão ter o total controle sem nossa intervenção. E as vítimas, todas são parentes de alguém que já trabalhou na LPC.
- Droga! — gritou Ralph, agora furioso. — Reúna todo mundo. Hoje faremos uma visita surpresa para Lility.
***
Tom não entendera bem o telefonema de Angelina. Muito menos o que ela quiz dizer com ' Eles vão encontrar a guerra '.
- Me explique por favor, por que não estou entendendo nada! — Tom observou que Angelina continuara pensativa. — Responde!
- Desculpa. Olha Tom, se eles querem que façamos a vacina com a mutação, é isso que vamos fazer, afinal estamos sendo vigiados. Mas no jogo que joga um, também se jogam dois. Vamos ser bem discretos. Vamos deixar que eles pensem que têm o controle sobre nós. Aí, damos o bote.
- Não entendi muito bem, mas se este plano me fazer recuperar minha mulher e minha filha, eu estou dentro!
O telefone de Tom voltou a tocar. Ele atendeu.
- Olá Tom, acredito que já tenha visto o vídeo. — disse a voz sub-humana.
- Se encostar nelas, eu te mato. — Tom respondeu com muita calma.
Angelina fez um gesto para que Tom entregasse o telefone a ela. Ele o fez.
- Aqui é a Angelina. Decidimos fazer o que você pediu em troca da mulher e da filha de Tom, e de nossas vidas.
- Sim, terão isso. — respondeu a coisa.
- Mas pra fazer a vacina precisaremos de um dos Alterados para testes.
- Isso nunca!
- Então não tem vacina.
Ouve uma pequena pausa. Depois, a coisa voltou a responder.
- Tudo bem. Mandarei um de nós até a LPC como um cientista que irá ajudá-los. Se eu descobrir que estão me enganando, as duas mulheres aqui morrem, pensem bem, pois tenho representantes na LPC. Mandarei o Alterado até a LPC as sete da noite.
A coisa desligou. Angelina olhou para Tom com um leve sorriso no rosto.
- E damos o primeiro passo!
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