Alquimia I - a Ilha dos Bem Aventurados
3 Capítulo III – O Aniversário Mais Estranho de Todo
Capítulo III – O Aniversário Mais Estranho de Todos
Meu corpo enrijeceu. Virei devagar e vi a vovó olhando para mim com uma expressão que eu nunca imaginei que poderia encontrar no rosto dela – era algo que oscilava entre a raiva e o medo.
- Vovó, eu só... – comecei.
- Saia já daqui – disse ela com o mesmo tom de voz.
Cruzei o corredor o mais rápido que pude e me tranquei no quarto sem olhar para trás. Que diabo de coisas eram aquelas? Eu já vira algo parecido na televisão, mas não lembrava o que era exatamente. E por que será que vovó estava tão brava? Se eu não estivesse completamente estupefato com o que acabara de ver, me perguntaria se aquela era mesmo ela. Ouvi o barulho da porta se fechando no corredor e vovó se afastando, mas dessa vez não movi um músculo. Meu celular tocou e eu peguei-o rapidamente. Era uma mensagem de texto do Matt, me desejando feliz aniversário. Olhei para o relógio: 00:05 a.m. — já era dia 30. A conversa cessou no andar de baixo. Provavelmente a cara da minha avó não deixava duvidas que alguma coisa havia acontecido. E que eu estava muito, muito encrencado.
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O café da manhã foi realmente estranho. Eu achava que vovó ia estar furiosa comigo, mas, ao contrário disso, ela parecia mais alegre e feliz do que nunca. Depois de me desejar os parabéns e encher meu prato com uma torta de chantilly e pêssego em calda, ela sentou-se a mesa em frente a mim. De tempos em tempos, ela me lançava olhares tensos, mas quando notava que eu estava a observando, voltava à velha expressão despreocupada de sempre.
- Então, à que horas começamos a mudança? – perguntou ela, animada.
- Mãe, eu já falei para a senhora: contratamos um serviço de mudança completo, com caminhão para os móveis, limpeza da casa e organização dos cômodos. Nenhum de nós precisa mover um dedo hoje! – explicou papai, orgulhoso com a ideia que teve.
- Tudo bem então. Que horas vocês vão conhecer a casa nova? – indagou ela.
- Vou leva-los para lá quando terminarmos de comer.
- Certo. Hoje eu vou passar o dia fora. Se vocês quiserem vir aqui para almoçar, as chaves vão ficar debaixo do tapete. Também podem ir comer na Casa do Willy, na Mine – ele vai adorar rever você justamente no dia do seu aniversário, Dus. Eu passo para ver vocês à tarde, e sim – emendou ela, notando minha cara de desespero -, você vai ter a sua festinha.
Se você nunca teve uma festa organizada por sua avó maluca do interior, pode ter certeza: não é algo que vai estar no topo da sua lista de “As 1000 coisas mais legais que aconteceram na minha vida”. Decidi não discutir e simplesmente terminar de comer meus ovos mexidos. Eu estava realmente ansioso para conhecer minha nova casa².
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Fomos de carro, mas ela ficava apenas duas quadras do lago Windsor, a oeste. Era extremamente bonita, conseguia ser mais bonita que a casa da vovó. Cor caramelo, dois andares e duas portas principais na parte da frente. Havia uma garagem coletiva do outro lado da rua, e papai já havia providenciado uma vaga permanente ali. O caminhão de mudanças estava estacionado na calçada, e pelo que parecia, era a maior diversão da cidade nos dois últimos anos. Pessoas saiam de suas casas para olhar a mudança mais de perto, e algumas já estavam com o que pareciam ser presentes de boas vindas.
- Bom... Dia? – disse papai, receoso.
- Vocês são os novos moradores? – perguntou uma moça com uma bandeja de brownies nas mãos.
- Somos sim, prazer. Eu sou George Parker, esta é a Susie e o pequeno aqui – ele passou a mão na minha cabeça — é o Dustin.
- Sejam bem vindos – ela entregou os brownies ao meu pai e se apresentou. — Eu sou Rose Von Ducan, este é meu marido Paul e estes são nossos filhos, Trace e Steve.
A mulher era alta, da altura de meu pai, e parecia ser bondosa. Tinha cabelos loiros encaracolados e aparentava ter uns trinta e cinco anos. Paul era o dobro de minha altura, provavelmente uns dois metros, mas parecia ser muito legal também. Vestia trajes esportivos da Adidas e tinha um sorriso caloroso no rosto. Trace e Steve eram muito parecidos: olhos e cabelos castanhos como os do pai, mas a garota era uns dois anos mais velha, da minha idade mais ou menos.
- Obrigado – respondeu mamãe. – Vocês aceitam entrar e dividir essa montanha de chocolate com a gente?
- É claro! – respondeu Steve, mas logo foi repreendido pela irmã.
- Steve! Esses brownies são presente de boas vindas dos Parker, não seja mal educado!
- Eu insisto – disse mamãe. – Aceitem pelo menos uma xicara de chá.
- Eu acho que não tem problema – disse Paul. Sua voz era grave como a de um tenor. – Vamos lá.
Ziguezagueamos pelos móveis que estavam espalhados no quintal e entramos pela porta da direita. O interior da casa, me surpreendendo novamente, era muito lindo. Os corredores eram largos, as paredes de uma madeira nobre e nossos móveis antigos combinavam estranhamente bem com o ambiente. Entramos na cozinha, que era revestida de azulejos verde-claros, e nos sentamos ao redor da mesa, enquanto mamãe preparava o chá. Peguei um brownie e convidei os irmãos Von Ducan para conhecer o resto da casa comigo.
- Vocês vêm de onde, Dustin? – perguntou a garota, entrando no corredor que dava para a escada.
- Somos da Califórnia, Venice – respondi.
- Nossa! Eu sempre quis conhecer Los Angeles – exclamou Steve.
- Eu gostava muito de lá, mas meus pais queriam uma oportunidade de morar em um lugar mais calmo, então essa casa do tio Albert foi a solução.
Os dois trocaram olhares preocupados.
- O que foi? – perguntei.
- Eer... Nada. Olha, você toca? – indagou Trace, apontando para meu violão.
- Um pouco. Vocês ouvem o quê?
- Eu gosto de Green Day, Panic At The Disco, Arctic Monkeys, esse tipo de música. O Steve ouve aberturas de séries e desenhos animados. É doentio.
- Não é nada! – protestou o garoto. – Fique sabendo que Dragon Ball é muito legal!
- Tudo bem, tudo bem – falei, reprimindo uma gargalhada – Eu ouço de tudo. Outra hora eu toco o tema de abertura de Dragon Ball pra você, Steve.
- Que legal!
Seguimos até o final do corredor e entramos no último cômodo, que devia ser o meu quarto.
- Ah-meu-deus! – disse Trace.
Eu entendi o que ela quis dizer assim que coloquei os olhos no quarto. Era enorme, ocupava todo lado leste do segundo andar. Tinha três janelas, cada uma com a vista para um lado da casa. Minha cama já estava lá, junto com a tevê e o Xbox.
- Cara, você tem um Xbox! Nós podemos jogar, por favor?! – suplicou Steve.
Olhei para Trace, mas ela estava encantada demais observando o resto do quarto. Achei que seria a melhor maneira de fazer amigos por ali, logo de cara.
- É claro, Steve – respondi.
Ele já estava na terceira fase do Ultimate Mortal Kombat quando Paul apareceu na porta, chamando-os para ir embora.
- Ah pai, logo agora que eu estou quase derrotando o Sub Zero? – argumentou o garoto.
- Vamos Steve, nós teremos outras oportunidades de visitar o Dustin – disse Trace, largando meu exemplar de As Relíquias da Morte em cima da cômoda e dirigindo-se a porta.
- Ei, vocês não querem aparecer aqui à tarde? – perguntei — Minha avó vai dar uma festa de aniversário para mim, e eu preferiria que ela fosse o menos careta possível.
- Você está de aniversário? Meus parabéns! – disse Trace, virando-se para me dar um abraço. Eu devo ter ficado um pouco corado.
- Meus parabéns cara. Pode contar com a gente, ainda mais se tiver muita comida! – disse Steve, com uma cara esperançosa.
- Claro, vai ter muita comida sim – respondi, rindo ao ver Trace dar um tapa na nuca do garoto.
- Até à tarde – disse Trace, beijando-me na bochecha e saindo pela porta do quarto, arrastando Steve com ela. Agora sim eu estava realmente vermelho.
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Depois de um almoço muito vergonhoso na Casa do Willy, onde ele e a esposa, a senhora Diana, cantaram parabéns para mim atraindo a atenção de todos os três trabalhadores que almoçavam ali, voltamos para casa. Arrumei as coisas que faltavam no meu quarto, troquei de roupa e corri para a janela a tempo de ver vovó chegando em sua Motorella com um bolo de chocolate a tira colo. Desci as escadas pensando que a coisa poderia até não ser tão ruim assim, mas era muito cedo para isso: meus pais haviam decorado a casa com vários balões coloridos e comprado muita comida para tão pouca gente. Meio constrangido, cumprimentei vovó e sentei no sofá da sala para esperar meus novos amigos. Eles chegaram dez minutos depois, trazendo uma caixa grande e colorida.
- Como foi um convite em cima da hora, foi o máximo que conseguimos fazer – explicou-se a garota quando abri a porta para eles.
- Não precisava trazer nada, de verdade. Muito obrigado a vocês dois. Entrem, por favor.
Larguei a caixa na cozinha e sentei com eles para assistir o filme que passava à tarde na tevê. Mamãe trouxe alguns canapés para nós, e Steve devorou metade em pouco mais de meio minuto.
- Steve, comporte-se! – disse Trace.
- Ah mana, eu estou com fome – protestou ele, com a boca cheia de atum.
Vovó entrou na sala com uma touca de cozinheira, o que me fez reprimir um riso muito involuntário.
- É hora do parabéns! – anunciou ela.
Nos dirigimos até a cozinha, onde meus pais comiam pastéis e conversavam sobre como estavam adorando a cidade.
- Ah, isso tudo é mesmo maravilhoso – exclamou mamãe. – Mas agora é hora de felicitar oficialmente nosso Dustin! No três, vamos lá. Um, dois...
Senti meu colar explodir contra meu peito uma fração de segundo antes da parede atrás da geladeira detonar em mil pedaços. Dois homens asiáticos entraram voando no cômodo. Vestiam capas roxas e tinham caras nada amigáveis. Vovó transformou sua espátula em uma espada com um clique e começou a lutar contra eles, o que me fez ficar apenas paralisado, observando toda aquela bizarrice.
- Pegue nosso presente e corra, Dustin! – gritou Trace, enquanto ela e Steve começavam a falar em uma língua estranha e soltavam um fogo lilás das mãos contra os dois invasores.
Notas finais
PS: Galera, vocês que curtem ler fics sobre Inuyasha e/ou derivados, recomendo muito as histórias da minha amiga Srta Taisho. Eu mesmo não gosto muito, mas me diverti demais lendo os lançamentos dela. Segue o link, e boa diversão!
http://www.fanfiction.net/u/2345619/Srta_Taisho
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