Notas iniciais
Hey, Demigods! Sei que vocês sentiram falta das minhas ones, então cá uma nova! Recomendo que leiam a fic ouvindo "Alone" do Sleeping With Sirens ft MGK. Espero que gostem!

Alone

O clima de alegria tomava conta do Acampamento Meio-Sangue. A guerra havia acabado, eles haviam vencido e posto um fim na inimizade entre os gregos e romanos. Os semideuses de ambos os acampamentos comemoravam juntos na fogueira, trocando histórias e se divertindo. Todos felizes e unidos, todos, menos Leo.

Não que ele não estivesse feliz de terem derrotado Gaia, pelo contrário, estava, sim, e muito, afinal ele sentia como se finalmente houvesse vingado sua mãe. E é claro que estava feliz que a inimizade entre os acampamentos houvesse acabado, afinal, Jason era seu melhor amigo e Leo realmente não queria ser forçado a lutar com ele.

Mas o filho de Hefesto não sentia-se envolvido pelo sentimento de união no qual praticamente todos pareciam sentir. Apesar de ter lutado com e ajudado eles ao máximo, todos pareciam se esquecer de Leo, eles estavam tão focados na sua própria alegria e em seus respectivos pares que o garoto dos reparos parecia nem existir, e se existia, ninguém se lembrava dele.

Ver todos os seus amigos ali, se divertindo, rindo e aproveitando o momento com seus respectivos pares, sem nem ao menos lembrar-se da sua pessoa, foi, talvez, o principal motivo para o garoto se dirigir ao único lugar onde ele se sentia bem: o bunker 9.

Apenas lá ele se sentia confortável sendo ele mesmo. No bunker, ele podia construir e destruir, montar e desmontar, afinal, era isso o que ele era bom e era fazendo isso que ele se sentia bem. Não que ele não gostasse de ficar com os seus amigos, mas, como dizia seu pai, ele não era muito bom com formas orgânicas de vida.

Mas naquele noite até o bunker lhe parecia meio triste. Seus olhos varreram todas as mesas onde estavam todos os seus projetos e construções, mas ao contrário do de costume, ele não sorriu. Olhando naquele momento, ele via quanto tempo ele gastara construindo tudo aquilo, ao invés de se divertir e fazer amigos. Afinal, até filhos de Hefesto tinham amigos que se lembravam deles.

Não que Piper, Jason e os outros não fossem legais e o tratassem bem, mas boa parte do tempo ele se sentia meio deslocado, como na fogueira. Ele sentia-se como se não pertencesse ao lugar.

“Você sempre será a sétima vela”

A voz de Nemesis ecoou em sua cabeça como vinha fazendo desde seu encontro com a deusa quase dois meses antes. E desde então ele vinha tentando ignorá-la e esquecê-la, mas não conseguia. Sempre que estava distraído, a voz da deusa invadia sua mente, fazendo com que ele lembrasse de tudo que queria esquecer. E havia muita coisa que Leo queria esquecer. Ele podia até fazer uma lista.

Começando com a sua mãe, a única pessoa no universo que o fazia se sentir bem e amado, que fora morta na sua frente só porque a porcaria do destino havia desejado que ele fosse o escolhido da profecia. Depois vinha o problema com sua tia Rosa, que o desprezara quando ele era apenas uma criança, e isso levou a todos os lares adotivos que ele fora mandado, tendo que fugir sempre que sentia que as coisas não estavam indo bem. Ás vezes, o moreno se perguntava o que teria acontecido se houvesse permanecido em um desses lares, mas logo respondia a si mesmo, dizendo que provavelmente seria mandado de volta para a adoção.

Talvez a única época, depois da morte de sua mãe, que ele havia se sentido bem foi, surpreendentemente, na Escola Vida Selvagem, antes de Jason e Piper começarem a namorar. Mas agora que ele sabia que aquilo nunca havia acontecido de verdade, o rapaz sentia-se pior que antes. Ele nunca havia sido aceito de verdade.

“Você sempre será a sétima vela.”

Não, não, não, não. Leo não podia pensar naquilo. Ele tinha amigos, não tinha? Amigos que se divertiam sem ele, amigos que esqueciam-se dele. Não, Leo precisava esquecer. Mas ele não conseguia. Apesar de tudo, ele sabia que a deusa da vingança estava certa.

Leo era sempre o excluído. O órfão, o único com poderes de fogo entre os seus irmãos, o único que não tinha par. Era por isso que ele era o piadista, para sair daquela solidão, daquela exclusão que mantia-se como uma prisão, sua prisão. Mas nem isso funcionava, afinal, dentre todas as coisas, Leo havia puxado dificuldade em interagir com pessoas de seu querido pai. E se ele pudesse mudar alguma coisa em si mesmo, seria isso.

Uma ínfima parte de seu ser ainda tinha a expectativa que Afrodite ainda guardava algo para ele. Talvez ela guardasse alguém inesperado que o fizesse sorrir e esquecer de sua solidão. Mas por ser filho de Hefesto, o semideus sabia que não deveria esperar nada vindo da deusa do amor além de mais decepções. E tudo o que ele menos precisava eram mais decepções.

Ou talvez ele fosse destinado a se dedicar apenas a suas invenções, como Dédalo. Sempre preso em conhecimento e construção, sempre focado, sempre isolado, sempre sozinho. Talvez esse fosse realmente o destino que o esperava. Talvez fosse o que ele devesse fazer: focar no que ele fazia bem. Afinal, não era todo mundo que conseguia consertar um autômato de dragão sozinho, e menos pessoas ainda conseguiam ver esse autômato como um amigo.

Leo deu outra olhada no bunker 9, dessa vez lembrando de cada momento que passara ali. Tirando a aventura de Buford, sempre ficara sozinho. Sozinho com suas máquinas, como deveria ser. Porque as máquinas o faziam se sentir em casa, porque as máquinas eram as únicas o entendiam e não o decepcionavam.

Algumas pessoas nasciam para interagir, nasciam para viver em grupo, e viviam bem assim. E Leo Valdez havia nascido para ser sozinho.

O problema era que ele não sabia se isso era bom ou ruim.

Notas finais
Yo, yo, yo, o que acharam?
Mereço reviewsinhos lindos?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!