Almejar

6 Capítulo VI - Caminhos cruzados


Notas iniciais
Boa leitura!

As luzes dos postes já clareavam a rua quando Mônica, visivelmente nervosa, encarou seu reflexo no espelho. Seus encontros costumavam ser mais estranhos e desconfortáveis que bons, então não sabia o que esperar.

Milena e Agnes estavam consigo. As duas morenas se surpreenderam quando a loira aceitou se juntar a elas, talvez fosse pelo bom humor que exalava naquele dia.

“Será que foi uma boa ideia topar?” Mônica perguntou ajeitando seu short enquanto se virava para elas.

“Por que não teria sido?” Milena perguntou.

“Ele é famoso, Milena! Não quero fazer ele passar vergonha.” temeu.

“Para de falar bobagem, Mônica! Você meio que já saiu com ele uma vez e foi tudo bem. Vai dar certo.” a cacheada a tranquilizou.

“Você vai sair com uma celebridade, é?” Agnes perguntou, as duas não haviam dado muitos detalhes sobre o encontro.

“Ele é um youtuber famoso, então sim. Nik, o geek, já ouviu falar?” Mônica respondeu.

Agnes riu.

“Sim, ele é um cara legal.” falou.

“Você também assiste o canal dele?!” Mônica perguntou surpresa.

A loira negou com um riso.

“Sendo sincera, não costumo. Mas pelo que vejo no dia a dia… não acho que precise se preocupar.” falou.

As duas franziram o cenho.

“Dia a dia?” Mônica repetiu e a loira riu.

“Eu trabalho pra ele na GGeek.” respondeu e as duas se surpreenderam mais.

“Parando pra pensar… você nunca tinha dito onde trabalha.” Milena percebeu.

“Mulher… até hoje eu nunca fui lá! E olha que é aqui perto! Me fala mais dele no dia a dia.” a de cabelos curtos pediu.

“É um cara normal. Nunca se incomodou com minhas tendências hipocondríacas, me paga direitinho, não se incomodou de eu não ser uma fã dele, até preferiu, eu diria… ah e eu podia jurar que ele tinha um rolo com a Carmem Frufru, a filha dos donos da Dream.” respondeu.

O final interessou às outras.

“Mesmo? Por quê?” Milena perguntou.

“Ela vai lá direto. Parece que ela vai casar, mas o relacionamento não é tão verdadeiro assim.” Agnes fofocou.

“Agnes do céu! Eu estou organizando esse casamento! Me conta mais sobre o que você sabe!” a morena pediu.

“Ah, não, Mônica! Você está linda, tem um encontro com um cara lindo e tem que deixar o trabalho no trabalho.” Milena disse.

“Qual foi, Milena?! ‘Tô sofrendo com esse casamento!” reclamou.

“Outro motivo! Hoje é sua folga! E prometi pra Magali que não deixaria você ser workaholic hoje. Depois você conta o resto, Agnes.” a outra falou.

“Que resto? Não tem mais nada. Eu não presto tanta atenção na presença dela. Ela não fica muito.” respondeu.

“Será que algum fã apaixonado vai aparecer e me xingar? A ex dele já sofreu hate das fãs doidas dele. Eu não sei se deixaria barato…” Mônica comentou pensativa.

“Calma! Não acho que ele deixaria você sofrer hate.” Milena disse.

“E se o assunto acabar? Não quero só ficar falando do canal!” preocupou-se e a cacheada riu.

“É só colocarem a boquinha pra trabalhar.” brincou e as outras riram.

“Ele tem uma boa higiene.” Agnes revelou.

“Informação privilegiada! E viu só? Até a Agnes concorda comigo.” Milena apontou.

A outra respirou fundo.

“Vamos lá!” falou.

“A gente pode ir direto pra pista de boliche, assim ele nem vai suspeitar que tem gente por perto.” Milena disse e a amiga assentiu.

*

Um pouco distante dali, Carmem passava o tempo no instagrão. Após ver um story de Amanda, entrou em seu próprio perfil e deslizou até a publicação do pedido de casamento.

A publicação tinha muitas curtidas e felicitações, mas ainda faltava alguma coisa. Entrou novamente no perfil de Amanda, a fim de comparar as postagens, e notou ter uma nova publicação.

“Festa de noivado? Acho que isso vai trazer o convencimento que Nik diz que falta!” exclamou.

A menção ao amigo a fez suspirar, lembrando-se de sua própria fala de mais cedo.

“Por que eu fico lembrando disso? Eu tinha que falar que ele seria um bom marido?! Ficou parecendo que eu queria casar com ele!” repreendeu-se.

Como se fosse traída pela sua própria mente, fantasiou que recebia o belo anel de noivado que era para ter sido de Keika. O que fez um sorriso brotar em seus lábios, mas logo balançou a cabeça.

“Chega, Carmem! Para de pensar isso! Você está noiva e ele… Não me interessa a vida amorosa dele! Eu preciso… preciso parecer uma noiva apaixonada!” falou deslizando seu dedo na tela do celular, prestes a sair do aplicativo, quando apareceu um story de Nik.

Ao visualizá-lo, teve uma surpresa.

“Ele ‘tá num boliche? Espera aí… Hum…” comentou com um sorriso malicioso nos lábios.

*

No ônibus, rumo ao local em que Cebola e Cascão iriam, os dois conversavam sobre um jogo até o estudante de educação física se lembrar de algo.

“Você nem me disse o motivo da cabeça estar cheia, cara.” Cascão comentou.

“Por causa do meu… do meu casamento.” revelou com um suspiro e o amigo riu.

“Até hesitou pra falar. Imagino que ser um noivo deve ser tenso mesmo.” comentou.

Cebola riu sem humor.

“Se o problema fosse esse… eu ‘tava bem!” falou.

“Qual o problema então?” o amigo perguntou.

“Tava falando com a wedding planner e… e ela me fez pensar um pouco sobre tudo isso. Sabe… se estou no caminho certo ou não.” revelou.

Cascão cruzou os braços.

“É óbvio que está no caminho errado! Tinha alguma dúvida?” respondeu e o amigo revirou os olhos.

“Achei que você não julgava os outros.” Cebola comentou.

“Não julgo, mas quando a pessoa ‘tá no erro, sabe disso e prefere continuar… aí eu julgo.” Cascão explicou.

“Eu já te expliquei meus motivos.” o outro ressaltou.

“Sim, mas não precisa ser assim. Você ‘tá iludindo uma mina legal por puro interesse.” o amigo lembrou.

“Acorda, Cascão! Aposto que ela sabe que eu tenho alguns interesses e deve ter os dela também.” Cebola falou.

“Pode até ser, mas ainda acho chatão. Dos dois lados.” o outro opinou e o amigo suspirou.

“Mano, eu nunca iria conseguir o estilo de vida que tenho se não fosse desse jeito.” falou.

“Nunca é uma palavra forte demais, Cebola. Fácil desse jeito, talvez não, mas não dá pra ter certeza que não conseguiria com o tempo, mas de um jeito menos escroto. Eu sei que você é ambicioso, mas você ‘tá apostando muito alto se casando sem ter vontade nenhuma. Não é rogando praga, mas tua vida de casado vai ser uma merda desse jeito. E isso influencia todo o resto.” Cascão aconselhou.

Cebola estalou a língua.

“Acha que não sei disso, Cascão? Mas quer que eu faça o quê? É uma grande chance! Vai dizer que você não iria preferir não ser um fodido? Se você estivesse no meu lugar, sendo bancado por uma mina rica que os pais podem te jogar lá no topo, você não iria precisar alugar tua amizade ou fazer bico em bar pra conseguir uma grana.” falou e o outro riu.

“Realmente. Mas quando meu combinado acaba, eu não fico na mão de ninguém. Diferente de você, que vai ficar na mão da noiva e da família riquinha dela. Um cara que gosta de liberdade como eu não se encaixaria nisso.” comparou.

Cebola se calou. Às vezes, sua consciência pesava, mas sempre dava um jeito de encontrar uma explicação para si mesmo. Porém, nunca havia pensado no que o amigo havia dito sobre ficar sob o domínio dos Frufru.

“Ficar na mão deles não deve ser tão ruim assim.” tentou convencer mais a si mesmo que o amigo.

Cascão riu, puxando a cordinha para solicitar a parada.

“Continua repetindo isso em frente ao espelho, talvez um dia você acredite.” falou e o outro revirou os olhos.

“Como estão as coisas no tinder?” Cebola mudou de assunto enquanto desciam do ônibus.

“Tem mais gente desesperada do que você imagina, cara. Mas tem sido até bem interessante, ando conhecendo gente bem diferente.” respondeu.

“Você se dá bem com todo mundo, assim fica fácil. Até hoje acho que sua ex quis terminar por ter ciúmes das suas infinitas amizades.” comentou e o outro sorriu fraco.

“Não viaja.” disse e os dois continuaram o caminho.

*

O boliche estava surpreendentemente cheio naquela noite, tanto que Mônica e Nikolas decidiram esperar o fluxo diminuir.

Como de costume, alguns fãs cumprimentavam e pediam fotos ao rapaz. Mônica não se incomodou, principalmente por sua cabeça estar em outro lugar.

“Tudo bem, Mônica? Parece pensativa.” ele retornou e ela o olhou.

“Tava pensando no casamento da Carmem. Estou preocupada.” respondeu.

“Com o quê?” ele perguntou.

“Com a falta de sentimentalismo. As motivações deles são muito… frias. Sinto que Carmem só quer aumentar sua fama nas costas do Cebola, e ele parece nem saber ao certo o que está fazendo.” falou e o rapaz riu.

“Concordo que a motivação da Carmem é ruim, mas Cebola não é esse santinho que você está pensando. Ele também tem interesses muito fortes nessa relação.” falou e ela arregalou os olhos.

“Você sabe que ele aceitou por intere… por outras razões?” perguntou e ele assentiu.

“Não precisa corrigir, é interesse mesmo. A própria Carmem sabe que ele só continua com ela pelo estilo de vida.” revelou calmamente.

Mônica o encarava surpresa.

“Espera aí… ela sabe e continua com essa ideia? Você parece levar as coisas mais a sério, nunca tentou falar pra ela sobre a seriedade dessa situação?” perguntou e ele riu.

“Já tentei, mas é difícil convencer a Carmem a abandonar ideias fixas. Olha, Mônica, sinceramente, pela quantidade de interesses envolvidos… não acho que eles vão mudar de ideia.” opinou.

“Será que não? Talvez eles não tenham se tocado dos problemas de um casamento puramente por interesse.” ela supôs.

“Eu já acho o contrário, eles sabem exatamente o que estão fazendo. Eu concordo com você sobre a seriedade de um casamento desses, mas a escolha final é deles.” o rapaz disse e ela suspirou.

“Acho que, no fundo, eu também sei que eles estão cientes, só me nego a acreditar, porque, pra mim, não tem lógica casar assim, sem um sentimento verdadeiro.” afirmou.

“Temos muito em comum, Mônica.” ele disse e ela sorriu.

“O Cebola me disse que os pais dela são frios e materialistas… a Carmem, no dia a dia, é assim também?” perguntou.

“Comigo, não.” ele respondeu e ela riu.

“Sortudo. Quando me reúno com ela e Cebola, eu diria que minha porta tem mais sentimentos que ela.” falou e o dono dos dreads gargalhou.

“Você precisa ter um pouco de paciência com a Carmem quando o assunto é sentimentalismo. Ela não acredita muito no amor e em casamentos.” revelou.

Mônica o olhou interessada.

“Ah, é? E por que ela não acredita?” perguntou.

“Eu não sei. Mas por que mesmo estamos falando deles? Vamos falar de você. Acredita no amor, Mônica?” o rapaz perguntou e ela sorriu.

“Acredito! Minha vida amorosa não anda lá essas coisas, mas ainda… ah, você vai me achar uma boba.” hesitou e ele sorriu.

“Não, pode falar. Agora fiquei curioso.” pediu.

O olhar de Mônica se perdeu por um instante enquanto sorria.

“Ainda acredito que o amor da minha vida vai aparecer.” revelou.

No mesmo instante, ouviu uma voz masculina dizer seu nome.

“Oi, Mônica! Nik!” era Cebola junto de Cascão.

“Oi, Cebola!” ela cumprimentou sorridente.

“E ai, cara.” Nik cumprimentou não tão animado assim.

Cascão sorriu abertamente.

“Maaaaano, é o Nik! Cara… eu sou teu fã! Podemos tirar uma foto?” Cascão pediu com um enorme sorriso.

“É claro!” o outro aceitou.

“Ah, esse é meu amigo Cascão. Cascão, essa é Mônica, minha amiga e wedding planner.” Cebola apresentou-os e a moça sorriu.

“Eu conheço o Cascão, ele é meu vizinho.” ela revelou.

“Que nunca trocou ideia.” Cascão ressaltou enquanto desbloqueava seu celular.

“Ele vai ser meu padrinho.” Cebola alertou.

“Eu vou?” perguntou pouco antes de tirar a foto.

“Eu não tinha te dito? Tá sabendo agora.” o outro disse.

“Padrinho ganha presente quando é feito o convite, né, Mônica?” Cascão perguntou e ela riu.

“Estou esperando o meu até agora, Cascão.” Nik comentou risonho.

“Calma, gente! Ainda vão ganhar alguma coisa.” Cebola disse.

“Esse boliche ‘tá lotado hoje, juntem-se a nós na espera.” Mônica convidou sem nem pensar direito.

Nikolas levantou a sobrancelha para ela, que não percebeu o olhar. Cebola, por sua vez, ia se sentar com eles, mas Cascão o impediu, este havia percebido o olhar.

“Não, mano, vai ser melhor esperar lá mesmo, aqui a gente nunca vai ver quando diminuir.” falou.

“Ótima ideia! Vamos também!” Mônica disse e Nikolas sorriu amarelo.

“Tá… mas eu não sei jogar boliche.” avisou.

“Pensei que soubesse jogar de tudo.” Mônica sorriu sapeca.

“Fora da internet, um pouco menos.” ele respondeu e os quatro foram trocar de sapatos.

X

Enquanto isso, já jogando boliche, Milena dava pulinhos e batia palmas após fazer um strike. Agnes apenas olhava, sentada em um banco próprio para quem apenas assistia, afastada de qualquer rodinha, sem sequer estar com o calçado próprio.

“Uhul! Agnes, tem certeza que não quer jogar? Certeza que você acha seu número de sapato.” a cacheada reiterou o convite.

Agnes torceu o nariz.

“Não colocaria um desses sapatos nojentos nem se me amarrassem, Milena. Vai saber o que a pessoa que usou antes tem nos pés.” comentou enojada.

“Pode ser muita coisa: frieira; micose; chulé; coceira; olho de peixe; calos…” uma voz masculina enumerou.

“Cascão!” exclamaram ao se virarem.

“Nojento como sempre.” Agnes brincou com um sorriso e ele riu se aproximando delas, junto de Cebola.

“Não estou suado hoje! E ai, meninas! Cebola, a Milena ‘cê já conhece e essa é minha amiga Agnes. Agnes, esse vagabundo aqui é meu amigo Cebolácio.” Cascão disse abraçando a cacheada e acenando para a loira.

“Bom rever você, Cebola.” Milena comentou indo jogar novamente.

“Bom rever você também, Milena. E poxa, Cascão, mostrou favoritismo na caruda…” Cebola comentou rindo.

“Diria que mostrou me conhecer.” Agnes corrigiu.

Mônica apareceu no mesmo instante, ao lado de Nikolas.

“Agnes te calou agora, Cebola. Ah, Nik, aquela é minha amiga Milena. A Agnes você já conhece.” ela comentou apontando para a cacheada e depois para a loira.

Milena deu mais um pulo após outro strike.

“Hoje ‘tô impossível! Oi, Nik! É um prazer te conhecer!” Milena o cumprimentou.

“O prazer é todo meu, Milena. E por que nunca me apresentou à Mônica, Agnes?” Nik perguntou com seu sorriso galanteador voltado para Mônica, que olhava para as outras pistas.

“Não tinha motivo.” Agnes respondeu.

“Quem vai ser o próximo?” Milena perguntou.

“Vamos lá! Vem cá, Nik, vou te ensinar a jogar boliche.” Mônica o puxou e ele sorriu.

“Me ensina também! Nunca aprendi a jogar.” Cebola pediu amarrando os cadarços.

“Claro. Depois dele, eu te ensino!” ela aceitou.

Cautelosamente, Cascão se aproximou do amigo.

“Segura tua onda, cara! Vai embaçar o esquema deles!” repreendeu-o.

Cebola revirou os olhos.

“É só uma ajuda no jogo, cara! Não ‘tô casando com ela, não.” respondeu.

“Cadê tua noiva, Cebola?” Nik perguntou enquanto via Mônica mostrando como segurar e jogar a pesada bola.

O outro deu de ombros.

“Eu disse pra ela que viria jogar boliche com o Cascão e ela disse ok.” respondeu.

“Achei você!” Carmem apareceu sorridente.

O noivo, surpreso, franziu o cenho.

“Carmem? Pensei que tinha outras coisas pra fazer.” ele disse e, para sua própria surpresa, a noiva o beijou.

“Depois que você disse que viria, me deu vontade de vir. Vejo que está em grupo! Não vai me apresentar, querido?” perguntou e ele ainda a olhava confuso.

“Ér… pra quem exatamente? Acho que você conhece todo mundo daqui, talvez só a… Agnes que não. Milena trabalha na Dream!” respondeu.

“Não conheço todo mundo que trabalha lá, né, amor? E a Agnes eu conheço, ela é a única funcionária da GGeek.” a noiva falou.

“Vou beber água, gente!” Milena avisou saindo dali.

“E ai, Carmem? Sabe jogar boliche?” Mônica se aproximou, deixando o dono dos dreads tentar sozinho.

“Alguém vem sem saber?” ela respondeu óbvia com outra pergunta.

“Ninguém nasce sabendo, né? E teu noivo e teu padrinho são um exemplo.” ela apontou, justo quando Nik não conseguiu derrubar nenhum pino.

“Melhor que ele, eu ainda jogo.” Cebola comentou rindo.

“Ué… um gamer que não sabe jogar um jogo?” Carmem zombou o amigo e ele riu.

“Pra você ver como todos podem aprender algo. E, ao que parece, tenho uma boa professora.” sorriu para Mônica.

O sorriso de Carmem murchou.

“Será mesmo? Tua bola não derrubou nenhum pino.” Mônica comentou.

“É culpa minha mesmo, relaxa. Não vai trocar de sapato, Carmem?” Nik disse.

“Não vou jogar, só vim passar um tempo com meu noivo. Só temos nos visto pra falar de casamento, temos que inovar.” ela disse indo se sentar e pegando o celular.

Cascão se aproximou de Agnes.

“Vamos tirar uma selfie?” perguntou e ela franziu o cenho.

“Hã? Por quê?” perguntou.

“Pros seus pais verem! Assim eles acreditam que rola coisa fora de casa.” explicou e ela entendeu.

“Ah, boa ideia.” disse ajeitando os cabelos.

Os dois tiraram a foto e Agnes sorriu ao vê-la.

“Você tem um sorriso bonito, sempre parece sincero.” elogiou e ele riu.

“Bom… sempre te vi séria pelos corredores, mas agora posso dizer que o seu também é.” respondeu e ela acabou sorrindo mais.

X

Mônica ainda observava o desempenho ruim de Nik quando Cebola se aproximou.

“Você ‘tá sabendo desses dois?” Cebola comentou, apontando para Cascão e Agnes.

Mônica os olhou e sorriu.

“Ela é cliente dele. Do lance do tinder, sabe? Ele deve ter te contado.” respondeu e ele riu.

“Sim. Cascão é maluco em se meter num negócio desses.” comentou.

“Acho que tem feito bem a ela. Ué, Nik, já cansou?” ela perguntou ao ver o rapaz alongando o braço.

“Essa bola é muito pesada e acho que só passei vergonha.” respondeu.

“Deixa eu tentar!” Mônica falou pegando uma bola, sem demonstrar desconforto algum com o peso.

“Você segurou essa bola com uma facilidade… acho que estou diante de uma ás do boliche.” comentou risonho e ela riu.

“Ah… não é pra tanto.” falou e logo lançou a bola, derrubando todos os pinos.

*

Enquanto isso, Milena bebia água em um bebedouro. De repente, alguém se abaixou para olhá-la.

“Oi!” cumprimentou animado e ela, no susto, levantou a cabeça sem parar de apertar o botão para sair a água, molhando o rosto do rapaz, que era ninguém menos que Do Contra.

“Do Contra?! Desculpe, você me assustou!” ela disse e ele riu.

“Relaxa, eu fui muito silencioso.” disse e ela passou a mão no rosto dele, para limpar a água.

“Não sabia que gostava de boliche!” ela comentou.

“Não muito, mas meu irmão me arrastou para cá e sumiu.” respondeu.

“Se quiser, pode se juntar a mim e ao grupo.” a moça convidou e ele aceitou.

No caminho, o rapaz a olhou, tomando coragem para fazer a pergunta que queria.

“Milena, ér… você é uma excelente profissional, de verdade…” começou e ela franziu o cenho.

“Não sei se estou gostando do rumo dessa conversa…” comentou e ele acabou rindo.

“Não, calma, não vou te trocar por outra fotógrafa, não. É que… você é super legal e eu gosto dessa nossa relação profissional menos fria, entende? Menos 100% formal.” falou e ela assentiu.

“Aham.” falou.

“Mas… meu irmão falou uma coisa que me deixou meio… inquieto. Ele disse que é legal a gente ter essa relação profissional menos fria, mas que tudo não passa disso: uma relação profissional.” falou e ela franziu o cenho.

“DC… aonde quer chegar?” perguntou e ele suspirou.

“Eu quero saber se tudo isso não passa de uma simples relação profissional que acaba quando o contrato chega ao fim.” falou.

Tudo isso o quê?” ela perguntou.

“Essa amizade que sinto que está surgindo. Não consigo me sentir bem com todo mundo, então gosto de preservar amizade com quem consigo. Neste mês, você me atura por uma questão de trabalho, mas depois…” falava até ela dar uma risadinha e tocar em seu ombro, entendendo a preocupação dele.

“DC, antes de mais nada, calma. Eu costumo ser assim com todos meus clientes, mas também sinto que estamos começando uma amizade. Contanto que nossa relação profissional não se comprometa, podemos ser amigos tranquilamente. Você é um cara legal!” falou com um sorriso.

DC pareceu tirar um peso de seus ombros.

“Ufa! Sendo sincero, não ‘tava preocupado com isso até meu irmão conseguir entrar na minha mente. Meus amigos dizem que sou emocionado, então… não repara.” falou.

“Eu percebi. Mas não vejo isso como um problema.” a moça respondeu.

“Ainda bem. Ér… isso vai pro documentário? Sobre eu ser emocionado?” perguntou.

“A gente vê isso outro dia. Hoje estamos de folga! Por hoje, você não é meu cliente e eu não sou sua fotógrafa. Vamos lá!” continuou o caminho e ele sorriu, sentiu-se acolhido.

*

De volta à pista, Nikolas havia desistido do jogo após não conseguir derrubar um pino sequer em todas as suas jogadas. Cebola, por sua vez, havia aprendido rápido e parecia se divertir muito competindo com Mônica.

“Vou ganhar essa!” ele exclamou risonho.

“O aprendiz até pode superar o mestre, mas não vai ser assim hoje!” ela disse também rindo.

Carmem se sentou ao lado do amigo após dar um gole em seu suco verde recém comprado.

“Ué, por que ‘tá trocando de sapato?” perguntou.

“Desisto desse jogo humilhante. Além daquela bola pesada, não derrubei um pino em todas as minhas jogadas. E você? Não vai querer tentar a sorte?” respondeu e ela riu.

“Não gosto de boliche.” falou e ele riu.

“Veio num boliche pra não jogar boliche?” perguntou.

“A Agnes também e ninguém ‘tá falando nada.” defendeu-se apontando com a cabeça para a loira que falava com Cascão.

“Ah, mas a Agnes é compreensível! Em que mundo ela iria pegar numa bola que todo põe a mão e usar um sapato que qualquer um pode ter usado?” o amigo perguntou.

“É... Eu vim por causa do Cebola.” ela respondeu.

“Eu percebi! Desde quando a madame é ciumenta?” perguntou zombeteiro e a amiga riu.

“Eu não sou ciumenta, por mim… podia ir pra onde quisesse. Mas não é você mesmo que diz que tenho que parecer uma noiva apaixonada? Estou fazendo isso.” falou.

“Então vai lá pedir pra ele te ensinar a jogar.” ele disse.

“Estar aqui já é o bastante. E acha mesmo que vou estragar minhas unhas enfiando o dedo em buraco?” falou inocentemente e ele acabou rindo.

“Tarado!” ela disse ao perceber o duplo sentido e riu também.

“Eu não disse nada! Esse teu suco é de quê?” perguntou.

“É suco verde. Prova, é gostoso.” aproximou-o dele e ele deu um gole, fazendo uma careta em seguida.

“Mentiu pra mim!” choramingou e ela riu.

“Você que é fresco!” respondeu e os dois riram.

X

Sem que fossem percebidos, Agnes e Cascão os observavam.

“Se me dissessem que temos um casal aqui e um encontro rolando, diria que eles são o casal e aqueles dois estariam no encontro.” Cascão comentou apontando para Carmem e Nik e depois para Mônica e Cebola.

“Acho que eles se gostam, dividem até o canudo! Você precisa gostar mesmo de alguém pra dividir um canudo.” ela disse e Cascão assentiu com um riso.

“É… tem gente que divide sem gostar, mas eles dois… também acho que tem coisa. E você, Agnes? Já namorou alguma vez?” perguntou e ela riu.

“Não… minha hipocondria nunca me permitiu.” respondeu.

“Faz tempo que você lida com isso?” ele perguntou.

“Eu comecei a ter na infância, piorou na adolescência e agora, com a terapia, melhorou muito.” respondeu.

“Deve ser difícil.” o rapaz comentou e ela deu de ombros.

“Eu realmente adoraria ir contra minha mente e fazer o que muitos fazem sem nem pensar duas vezes, até mesmo jogar um simples boliche. Mas é mais complicado do que parece…” confessou e Cascão a olhou por um segundo, sentindo um leve pesar.

“Imagino…” falou.

Milena retornou junto de DC.

“Gente! Mais um integrante pro grupão de hoje. Este é Maurício, meu cliente, mas hoje não é cliente. Apresentem-se pra ele!” ela falou.

Durante as apresentações, Mônica se virou para falar com o rapaz e arregalou os olhos.

“Do Contra?!” reconheceu e ele também cresceu os olhos.

“Uou! Mônica! Quanto tempo!” comentou com um sorriso despreocupado.

“Nossa, incrível como todo mundo aqui conhece alguém.” Agnes comentou.

“De onde vocês se conhecem?” Milena perguntou curiosa.

Mônica baixou o olhar por um instante.

“A gente namorou no Ensino Médio.” DC respondeu sem preocupação alguma.

Todos pareceram surpresos.

“Uau! A história ficou interessante…” Carmem comentou risonha.

“É… não imaginei que o tão famoso cliente da Milena era meu ex…” Mônica comentou sem jeito.

“O mundo realmente é pequeno.” DC disse.

Um silêncio constrangedor se instaurou entre eles.

“Pessoal, o jogo ‘tá como?” Cascão perguntou.

“Cebola ganhou de mim por dois pinos! Pura sorte.” Mônica reclamou e Cebola riu.

“Eu que sou bom. Pode me pagar um lanche como troféu, eu aceito.” falou e ela riu.

“Boa ideia! ‘Tô cheio de fome! A gente pode ir na lanchonete ali em frente.” Cascão sugeriu.

“Ótimo! Podemos até dividir uma mesa. O que acham? ” Cebola perguntou.

Cascão olhou para Agnes, que o olhou de volta com um riso.

“Pode ser legal.” ela disse.

“Tem mesas lá fora, é bem mais arejado. Não aguento outro lugar abafado que nem aqui.” Nik disse e os demais pareceram gostar da ideia.

*

Nas duas mesas que se transformaram em uma grande, em uma das pontas, Agnes limpou a cadeira de ferro que se sentaria com o lenço umedecido que sempre carregava consigo e também a parte da mesa que usaria, utilizando outro lenço junto do álcool em gel.

“O que ela ‘tá fazendo?” Cebola sussurrou para Mônica, que estava ao seu lado.

“Limpando. Ela é assim mesmo. Relaxa.” falou.

Enquanto esperavam os pedidos chegarem, a mesa estava silenciosa.

“Ah, parabéns, Mônica!” DC quebrou o silêncio, fazendo a moça franzir o cenho.

“Pelo quê?” ela perguntou.

“Bom… eu vi a aliança dourada na mão dele e imaginei que vocês estivessem noivos.” comentou apontando para Cebola.

Mônica corou e Cebola arregalou os olhos enquanto Cascão, Milena e Agnes seguravam o riso, Nik revirava os olhos e Carmem apenas continuava vendo qual filtro favoreceria mais a sua selfie recém tirada.

“Não, não! Eu… Ele é noivo dela, da Carmem. Eu sou só amiga… quer dizer, a wedding planner deles. Mas hoje não ‘tô bem nessa posição.” Mônica explicou apontando para a loira.

“Isso!” Cebola confirmou.

“Ah, é? Podia jurar que aqui ‘tava rolando um encontro de amigos que são casais e a Milena de vela. Tipo… vocês dois, aqueles dois e os outros dois.” disse apontando para Mônica e Cebola, depois para Nik e Carmem e, por fim, para Cascão e Agnes.

A fala de DC causou reações diferentes. Ao passo que Milena queria rir, Cascão e Agnes ficaram tranquilos; Nik negou com a cabeça; Cebola arregalou os olhos; Mônica quis se desintegrar; e Carmem gargalhou.

Para a sorte deles, foi quando os pedidos chegaram. Mas não diminuiu o clima.

“Eu jamais seguraria vela pra esse tanto de gente! Daria um perdido em segundos.” Milena disse risonha, resgatando o assunto.

“Nada a ver, DC.” Mônica disse evitando qualquer contato visual.

“Tá maluco, cara.” Cebola disse constrangido.

“Nós dois somos só amigos.” Agnes disse despreocupada apontando para Cascão, que assentiu.

“Não é a primeira vez que confundem a gente com casal. Lembra daquele dia do rodízio?” Carmem, ainda risonha, lembrou Nik.

“A gente deu o azar de ter ido justo num dia que era pra casal.” ele lembrou.

“Aconteceu também na defesa do meu TCC! A minha orientadora achou que você era meu namorado.” ela revelou.

“Ah, é… ela ainda veio com aquele papo de que eu devia estar muito orgulhoso. E eu ainda disse que sim, porque não sabia que ela tinha achado que eu era teu namorado. ” ele lembrou rindo e ela riu também.

“Não lembro disso…” Cebola comentou.

“Você nem foi na minha defesa, Cebola! Você ‘tava fazendo sei lá o quê no dia.” Carmem lembrou e ele deu de ombros.

“Ah, então é só um encontro de amigos.” DC falou.

“Não exatamente, alguns aqui nem se conheciam. E não ‘tô falando só de você.” Milena disse.

“Acho que foi tudo uma grande coincidência. Eu vim com Nik, as meninas quiseram vir, os meninos vieram juntos, a Carmem veio por causa do Cebola e você…” Mônica falou.

“Vim com meu irmão. Ele me deu um perdido e, por acaso, achei a Milena.” ele disse.

“Espera aí… vocês dois ‘tavam num date?” Carmem perguntou surpresa para Nik e Mônica.

“Sim.” responderam.

“Há! Não parecia nem um pouco!” comentou risonha.

“Carmem!” Nik repreendeu e ela deu de ombros.

“Concordo com ela. Foi por isso que achei que o casal da vez era outro.” DC disse.

“Você é direto mesmo, hein, cara?!” Cascão comentou risonho.

“Impressionante como você não mudou nada em quase dez anos! Continua sem filtro! O Cebola é noivo da Carmem! Chega a ser desrespeitoso!” Mônica repreendeu o ex.

“Calma, não é como se eu tivesse insinuado que você ‘tá saindo com o noivo dela, Mônica. É que, pelo que eu vi, vocês dois pareciam se divertir mais um com outro do que com o par.” DC revelou.

Cebola e Mônica se entreolharam.

“Acho que o motivo é simples: os dois se interessam por boliche. E, pelo visto, Carmem e Nik, além de não gostarem do jogo, já são amigos.” Milena supôs.

“Eu acho que é exatamente isso!” Cebola disse, chamando a atenção de Cascão, que apenas o encarou.

O silêncio retornou.

“Nossa, gente, que silêncio esquisito! Vamos nos conhecer melhor pra quebrar esse climão! Acho que o Nik é o único que geral já conhecia da internet. Pra quem já tinha amizade, como vocês se conheceram?” Cascão puxou conversa.

“Começa você!” Mônica pediu.

“O Cebola é meu amigo de infância, conheço há anos; a Carmem foi por causa dele; e a Agnes, a Mônica e a Milena são minhas vizinhas. Com a Agnes e Mônica, a troca de ideia é mais recente, uma não gostava de mim e a outra é meio impossível de ver, já a Milena…” falou, finalizando com um olhar à cacheada, que riu com com ele.

“A gente tem uma galera em comum, então damos muitos rolês apocalípticos juntos.” revelou rindo.

“E qual lugar vocês mais vão juntos?” Mônica perguntou.

“Acho que o Bidu e a rampa.” Milena respondeu.

“Rampa?” Agnes perguntou.

“De skate. Nós dois andamos, só que eu tenho preferido mais os patins.” ela revelou.

“Sério? Que foda! Acho que já escolhi um cenário novo.” DC disse e ela riu.

“Inventa moda, não, DC.” falou.

“Acho que você ainda não entendeu o apelido dele, Milena. Bom, Agnes e Milena moram comigo; o Cascão é meu vizinho; o DC eu conheci na escola, mas tinha perdido total contato; a Carmem conheço da Dream; e o Cebola conheci por causa do noivado. O Nik eu conheci de verdade por causa do noivado também.” Mônica disse.

“E você também vai em rolê apocalíptico?” Cebola perguntou.

“Não. Eu sou mais caseira.” respondeu.

“Já tentei convidar, mas ela nunca quis ir. Bom… o Cascão, Mônica e Agnes vocês já sabem como conheci; o Cebola conheci esses dias, quando o Cascão levou ele num rolê que eu 'tava com os amigos da rampa; e o DC é meu cliente da Dream.” falou.

“O que virou o nu artístico?” Cebola perguntou curioso.

“O casal gostou.” ela respondeu.

“Nem sabia que a Dream fazia nu artístico. ‘Tá lá há quanto tempo, Milena? Alguns meses?” Carmem perguntou.

“Dois anos. Mas eu fico em poucos horários e pego pacotes mais baratos, então poucos me conhecem por lá.” a outra respondeu.

“Ah, sim. Enfim, o Cebola eu conheci na faculdade; o Cascão veio de brinde; o Nik, diferente de quase todos aqui, eu conheci pessoalmente, por causa de uma festa do Cebola; a Mônica conheço da Dream; e a Agnes eu conheço da loja do Nik.” Carmem disse.

“Que festa era essa, Careca? Por que eu acompanho o Nik há um tempão, teria reconhecido.” Cascão perguntou.

“Tua ex não deixou você ir. Cascão é das antigas, Carmem foi na faculdade, Nik foi quando fizemos uma disciplina juntos, Milena esses dias, e a Mônica por causa do casamento.” respondeu.

“E como vocês dois ficaram tão amigos?” Mônica apontou para Carmem e Nik.

“Nós dois somos famosos na internet, então temos algumas coisas em comum. E ele tem um papo torto que acabou me atraindo.” ela disse rindo e ele riu também.

“Não é papo torto! Eu conhecia poucos de vocês. Só o Cebola e a Carmem da festa; a Agnes, que trabalha comigo na minha loja; e a Mônica foi pelo noivado.” Nik falou.

“O que você faz na internet pra todo mundo aqui ser seu fã?” DC perguntou, não o conhecia.

“Sou youtuber. Eu faço conteúdo gamer e geek.” respondeu.

“Nik, eu sempre quis saber, por que sua loja chama GGeek?” Mônica perguntou curiosa.

“Eu fiz essa mesma pergunta quando entrei.” Agnes comentou e o chefe riu.

“É um G de gamer e o outro de geek. Mas também pode ser de GG, do universo gamer.” explicou.

“No último caso, não tinha que ser 3 letras g?” DC perguntou.

“Ficaria estranho.” respondeu.

“Mas uma estranheza estética, você diz? Ou só fonética?” perguntou e o outro franziu o cenho.

“Ah… sei lá. Acho que mais estética.” respondeu.

“Trabalhar com um famoso é difícil, Agnes?” Cascão perguntou e ela riu.

“Não. O Nik é tranquilo. Eu não era fã dele, gosto de conteúdo geek, mas não sou fanática. E acho que ficou óbvio quem eu conheço.” respondeu.

“E você sabia quem era o Nik?” Cebola perguntou.

“Sabia, uma amiga minha era apaixonada por ele e sempre colocava os vídeos e falava coisas que prefiro não repetir.” respondeu simples.

“E você, DC? Pelo visto, é quem menos conhece a gente.” Cascão perguntou.

“Conhecia só a Mônica, da adolescência, e a Milena, que é minha fotógrafa.” ele disse.

Depois disso, o clima ficou menos tenso, a ponto de começarem conversas mais descontraídas entre eles.

“O que anda fazendo da vida, Mônica? Imagino que tenha ido pro Direito mesmo.” DC puxou conversa com ela.

Mônica não estava muito a fim de conversar com o ex, mas decidiu responder.

“Eu fui, mas tranquei. Com o tempo, o Direito foi perdendo espaço na minha vida e a organização de eventos ganhando. Sou feliz sendo wedding planner. E você? Ninguém sabia ao certo onde você iria parar.” respondeu e ele riu.

“Nem eu sabia. Acho que até hoje não sei. Mas… eu entendo essa coisa de não se identificar mais. Eu saí da Arquitetura por isso. Hoje eu sou músico.” respondeu.

“Mesmo? ‘Cê toca o quê?” Cascão perguntou.

“Sou um roqueiro que toca vários instrumentos. Então às vezes passo por vários estilos musicais.” respondeu.

“O namorado da minha amiga iria adorar te conhecer. Ele toca uns instrumentos também e até era de uma banda estranha que só fiquei na metade de um show.” Carmem comentou.

“Estranha?” Cebola perguntou.

“No meio tempo que fiquei, um dos instrumentos era os sinos de roupa de dança do ventre de uma das integrantes, acho que Isadora o nome dela, ela é super amiga do Jerê. Francamente… esquisito pra caramba.” comentou e Milena trocou um olhar com DC, que soube na hora que era sua banda.

“Eu era baterista dessa banda. A Denise não odiava os shows.” comentou e ela riu.

“Isso era o que ela dizia pra vocês.” falou.

“Isso, Carmem! Xinga a banda do cara.” Nik ironizou e ela riu.

“Todo profissional precisa saber ouvir verdades.” defendeu-se.

“Milena, você só faz ensaios estilo nu artístico?” Nik perguntou e ela riu.

“Não, faço outros também.” respondeu.

“E faria um ensaio pequeno de bodas? Acho que meus pais iriam gostar disso.” perguntou.

“Ué, Nik? Por que não me disse que queria ensaio? Eu falo com o Grózny e ele arranja um dos mais renomados pra você.” Carmem disse.

“O loco, Carmem! Falando isso na frente da menina? Milena é uma ótima fotógrafa, ‘tá? O porra do Grózny que não reconhece.” Cascão defendeu.

“Com toda certeza! Cliente dela falando.” DC completou.

Milena sorriu.

“Assim vocês massageiam meu ego.” comentou.

“Não foi minha intenção desmerecer seu trabalho, Milena. É que… você sabe… os mais famosos são as primeiras opções.” Carmem disse.

“E mais caros também. Eu tenho um orçamento bem delimitado pras bodas.” Nik riu ao dizer.

“Sim, eu sei, Carmem, relaxa. Te respondendo, Nik, eu faria. Seu ensaio pode cair nas minhas mãos se contratar o pacote super econômico ou falar direto que quer fazer ensaio comigo.” respondeu e ele assentiu.

“Então é isso que vou fazer. Boas recomendações e você é legal.” falou e ela sorriu, aproximando-se um pouco mais.

“Se o Grózny souber que você é amigo da Carmem, o trabalho vai pra outra pessoa, independente do pacote que você escolher. Ele é puxa saco dos chefes e não gosta de mim. Só pra você saber.” falou baixo e ele assentiu.

“Esse job já é seu, Milena.” garantiu.

Enquanto isso, Mônica falava com Cebola sobre o jogo de mais cedo.

“Não, você ganhou na sorte, Cebola!” ela disse.

“Não foi sorte! Se quiser uma revanche, vai ver que não foi.” ele se defendeu.

“Eu, não! Ficaríamos muito tempo e amanhã tenho que ir atrás de alguns fornecedores, recebi a lista de convidados de vocês.” Mônica falou e ele se lembrou de algo.

“Ah! Perguntinha rápida, assinar um acordo pré-nupcial sem ler é muito vacilo?” perguntou e ela franziu o cenho.

“Na verdade… é. Por quê?” perguntou.

“Eu assinei hoje o que os pais da Carmem me entregaram. Sabe como é… tinha que conseguir uma moral com eles, então… só assinei.” respondeu.

“Você tem esse acordo?” perguntou.

“Eles me enviaram por e-mail.” respondeu.

“Se você quiser me encaminhar, eu posso ler e te dizer se tem alguma coisa que você deveria saber.” falou e ele sorriu.

“Beleza. Aposto que escreveram em juridiquês.” falou rindo e ela forçou um riso, estava preocupada.

Após mais algumas conversas, os jovens decidiram ir para casa. Mônica não havia ido de carro, então propôs dividir o uper com as colegas de casa e Cascão, que aceitaram.

“Foi um prazer conhecer vocês. Tenho que achar meu irmão.” DC se despediu.

“DC! Foi bom ter te achado por acaso e… obrigada por ter dado aquela fortalecida sobre meu trabalho.” Milena agradeceu e ele sorriu abertamente.

“Não precisa agradecer, eu só ‘tava sendo sincero. Tenho certeza que vai fazer um ótimo trabalho com os pais dele. Mas eu sou ciumento.” brincou ao fim e ela riu.

“Você nem pode ser ciumento! Você é o Do Contra!” exclamou e ele gargalhou.

“Eu tentei.” falou e ela sorriu.

“Até mais, DC!” acenou e saiu.

“Mônica, foi um prazer ganhar de você hoje.” Cebola falou e ela riu.

“Vai ter volta, Cebola. E… não esquece de encaminhar pra mim.” ela pediu e ele assentiu.

Ela foi até Nikolas.

“Nik! Adorei sair com você. Mesmo que tenha seguido outro rumo.” falou e ele riu.

“Eu me diverti também, mesmo boliche não sendo pra mim.” respondeu.

“Da próxima, você escolhe. Tchau, Nik!” despediu-se com um beijo no rosto e entrou no carro com os demais.

Nik sorriu abobadamente e logo trombou com Carmem.

“O que acha melhor? Deixar você primeiro ou o Cebola primeiro?” ela perguntou.

“Eu vou pegar um uper.” respondeu e ela o encarou sem entender.

“Por quê?” perguntou.

“Você veio pra ficar com o Cebola e quase não ficaram sozinhos. Vai ter esse tempo com seu noivo. Aposto que tem muito o que conversar a sós.” falou e ela levantou a sobrancelha.

“Que conversa?” ela sussurrou.

“Aquela que até hoje vocês não tiveram.” falou e ela suspirou.

“Já chamei aqui. Boa noite pra vocês.” ele disse.

“Tá… a gente se vê amanhã. Bora, Cebola.” ela disse saindo com o noivo.

O caminho estava silencioso no carro de Carmem.

“Sabe, Cebola… o que tem pensado sobre o casamento? Você… ‘tá animado?” ela perguntou.

O rapaz se surpreendeu com a pergunta.

“Ah… mais ou menos. Sinceramente, Carmem, eu não esperava me casar este ano.” falou e ela assentiu.

“É… e… eu vou começar a ver os apartamentos esta semana. Se você não puder ir por causa das aulas, eu vou entender. Posso pedir pro Nik me acompanhar se for preciso. Ou… você pode ir na hora do seu almoço, sei lá.” falou.

“Pode ser.” falou.

“Pode ser o quê?” ela perguntou.

“Eu vou no meu almoço.” explicou e ela assentiu.

“Beleza.” falou.

Novamente, o carro ficou silencioso.

“Você parece se dar bem com a Mônica.” falou e ele sorriu.

“Ela é legal. Você devia tentar falar com ela mais vezes.” falou e ela deu de ombros.

“E falaria sobre o quê?” perguntou.

“Talvez o próprio casamento? Você deixou tudo nas mãos dela.” ele disse.

“Porque ela é a wedding planner! Esse é o trabalho dela!” a outra respondeu.

“É, mas seria mais fácil se você participasse mais. Ela não tem bola de cristal, Carmem.” o rapaz ressaltou.

“Tudo que ela precisava saber, foi dito na reunião. E agora com a lista de convidados em mãos, ela vai falar com a gente quando precisar. Cebola é assim que funcionam os eventos organizados por outra pessoa. Enfim… que dia você pode ir ver apartamentos comigo?” perguntou.

“Amanhã.” falou e ela assentiu.

“Então amanhã veremos.” falou seca.

Os dois ficaram silenciosos novamente.

“Você… você realmente foi no boliche por minha causa?” Cebola perguntou e ela riu.

“Te surpreende tanto assim eu ser uma noiva atenciosa?” respondeu com uma pergunta.

“Um pouco, você é filha dos seus pais, né?” falou e ela riu.

“Só estou fazendo a minha parte. Bom… está entregue! Até amanhã.” falou e ele a beijou antes de sair.

Carmem respirou fundo, mesmo sem fazer nada, o noivado parecia a consumir.

*

Ao chegar no prédio, Mônica entrou primeiro.

“Cas, valeu por ter me defendido.” Milena agradeceu ao amigo.

“Milena, ‘cê sabe que tu é foda! O Grózny que é um merda. Eu só tava falando a verdade!” falou e ela sorriu.

“Obrigada pela sinceridade então. Boa noite, migo. Boa noite, Agnes! Fiquei feliz que topou estar com a gente até o fim!” ela disse e entrou.

Agnes ficou do lado de fora com Cascão.

“Vocês são bem amigos mesmo.” ela começou e ele riu.

“Amizades que começam no Bidu são duradouras! Também achei legal você ter ido e ficado com a gente, de verdade.” falou.

“Foi legal. Mesmo não jogando, eu me diverti.” ela disse.

“Que bom! E os seus coroas? Vão querer fazer o que amanhã?” o rapaz perguntou.

“Eles querem almoçar com a gente no shopping. Se não for um problema pra você…” falou.

“Não, é de boa. Mas eu tenho um trampo amanhã, então não vou poder ficar muito.” ele lembrou.

“Não se preocupe com isso. Dou um jeito.” garantiu e ele sorriu.

“Beleza, boa noite, Agnes! Você foi ótima hoje!” falou entrando em seu apartamento e ela entrou sorridente no seu.

Mônica, em seu quarto, falava com Magali por vídeo-chamada. Após falar como fora o encontro, surpreendeu-se com a reação furiosa de Magali.

“Não acredito que você ficou falando desse casamento e criou encontro de amigos no seu encontro, Mônica!” exclamou zangada.

“Eu não planejei, acabou acontecendo! E ele não pareceu tão incomodado com isso.” respondeu.

“E acha mesmo que ele iria falar que ficou incomodado com a presença dos fãs? Claro que não! Não me surpreenderia se ele nunca mais quisesse sair com você!” exclamou.

“Você ‘tá exagerando! Eu acabei me entretendo no boliche com o Cebola, já que Nik odiou jogar, e só caímos no assunto casamento. Que culpa eu tenho?” perguntou.

“Falando de trabalho em date… você vacilou demais!” Magali exclamou.

“Magali, que outra chance eu ia ter? Nessa conversa, eu pude descobrir mais sobre os interesses e mentiras que rondam esse casamento. As coisas estão…” falava até ser interrompida pela amiga.

“Seja sincera, você aceitou sair com ele por causa dele ou pra descobrir mais sobre esse casamento?” questionou.

“Por causa dele! Mas acabou surgindo a oportunidade. Magali, esse casamento…” falava até Magali bufar irritada.

“Mônica, para! Para de viver só pra trabalho! Você teve um encontro com seu ídolo e usou isso pra falar do relacionamento falido dos outros! Tudo pra tentar enfiar amor onde não existe amor, só materialismo e interesse! Mônica… você é uma wedding planner, não um cupido! Apenas aceite que nem todo casamento tem sentimentos!” desabafou alto.

Mônica tinha os olhos arregalados.

“Magali, calma…” pediu.

“Calma o caralho, Mônica! Como você quer que eu fique calma vendo você desperdiçando sua vida desse jeito? Você é uma excelente wedding planner, não precisa abdicar da sua vida pessoal pra continuar fazendo o excelente trabalho que faz! Faça só o que está ao seu alcance, não tem como mudar a cabeça dura de dois interesseiros!” esbravejou.

“O Cebola pode ser o cara mais legal do mundo, mas é o mesmo que ‘tá lá casando por interesse e que melou o seu encontro com o Nikolas! E a Carmem deixou claro que ‘tá cagando pra sentimentos, mas você que não consegue aceitar isso e nem que nem todo mundo se casa por amor. E isso que está te atrapalhando!” exclamou.

“E você quer que eu faça o que, Magali? A minha vida toda eu acreditei que casamentos só podem acontecer quando os dois estão interessados, e é assim que organizo os casamentos. E isso não está acontecendo! Então me preocupo!” Mônica respondeu.

“Você não foi contratada pra resolver isso! Eu sei que é difícil ignorar o que pensa sobre casamentos, Mônica, mas a única que está saindo prejudicada é você. Você ‘tá deixando sua vida profissional engolir a pessoal, e vemos isso quando essa porcaria de casamento ocupa todo seu tempo livre! Nem os próprios noivos se importam tanto! Eu sei que esse casamento é importante pra sua carreira, mas não deixe que estrague a sua vida pessoal!” a outra exclamou.

Mônica bufou.

“Eu realmente só decidi aproveitar o momento e o resto acabou acontecendo. Ele não pareceu irritado. Fim da história. E não estou estragando minha vida só porque ‘tô levando um trabalho grande e complicado a sério.” defendeu-se.

Magali respirou fundo.

“Ah, Mônica… faz o que você quiser! Mas se continuar se envolvendo demais nesse rolo deles, você vai sair frustrada!” alertou antes de desligar.

Mônica bufou e afundou a cabeça no travesseiro, odiava brigar com Magali. De repente, seu celular vibrou, era o e-mail de Cebola. Decidiu deixar para o dia seguinte, quando estivesse em seu escritório e com a cabeça tranquila.

Notas finais
Confesso que meu desvio de caráter é me divertir com personagem tretando ou surtando kkkk