Notas iniciais
Este é o primeiro capítulo da história de minha autoria. Já está aqui então, por favor, leia até o final do capítulo. Espero que gostem! Ah, detalhe, não tenham medo - ou preguiça - de comentar.

Sean estava correndo pelos cantos da cidade; ele perseguia alguém.

Era noite e chovia fortemente. Um relâmpago soou pelo céu. Em sua mão esquerda ele segurava uma arma de fogo e, em sua mão direita, uma longa e fina espada com uma bela curvatura.

Mas por qual motivo ele corria?

Seu pensamento se prendeu a isso. Ele não se lembrava do porquê correr. Porém, sabia que não podia parar de correr, que tinha algo importante a fazer, algo que não deveria ser deixado de lado.

Foi quando um choque atravessou seu corpo. Gradualmente ele parou de correr e, perdendo o equilíbrio, quase caiu.

— Ah, sim — murmurou ele soltando um pequeno sorriso sarcástico.

Há as vezes que meus poderes são bem inconvenientes, pensou Sean. Todo primeiro e último dia do mês seus poderes ficam mais intensos, fazendo-o ter pequenos piques de perda de memória.

Ele continuou correndo. Porém, agora, ele sabia para qual propósito. Sean correu pelas escuras e molhadas ruas da cidade até chegar a um beco sem saída.

Novamente um relâmpago soou pelo céu, trazendo consigo um estrondo som.

Uma estranha sombra então apareceu. Ela saiu do concreto e começou a andar em direção a Sean.

A sombra soltava uma presença maligna e sofredora.

— Eu não queria — murmurou Sean —, mas, pelo que vejo, essa alma já perdeu totalmente sua sanidade.

Sim, almas. Sean estava atrás de uma alma, seres sobrenaturais que são resultado de algum infortuno não resolvido em sua vida, uma morte traumatizante ou até mesmo uma maldição. Há várias condições para uma alma ficar solta após sua a morte, sendo poucas conhecidas.

A alma avançou para cima de Sean. Ele esquivou-se para a esquerda e assim tocando as pontas de seus dedos na alma.

— Aquiete-se. — falou ele com total autoridade.

Como se Sean fosse absoluto, a alma se aquietou.

Sean, que vestia um sobretudo negro, guardou sua arma e puxou uma faixa que cobria seu braço esquerdo. Após deixar todo seu braço a mostra uma grande força fluiu dele, deixando a pobre alma inquieta.

Ele estendeu a mão frente a face do espírito; nada aconteceu. Entretanto, passados alguns segundos, a alma se dissolveu em névoa.

— Serviço completo — disse ele enquanto enfaixava seu braço esquerdo, novamente. — Hora de ir para casa.

Sean virou-se de costas para o beco e começou a caminhar.

Após uma pequena caminhada, ignorando totalmente a chuva e os trovões, ele chegou até sua casa. Sean morava em um apartamento e o decorou para que o deixasse a vontade, tendo paredes pintadas de cinza, cortinas negras e moveis de tons escuros. Sim, ele gosta de cores escuras.

— Dormir — falou ele no mesmo momento em que entrou em seu apartamento. — Eu preciso dormir.

Antes de mais nada ele foi para o quarto e despencou na cama. Um pouco antes de pregar os olhos ele olhou para o relógio.

— 3:40 da manhã. Uma alma deveria estar dormindo a essa hora em vez de perturbar meu sono.

Ele fechou os olhos e adormeceu.

Sean, como normalmente, teve um sonho ruim.

Ele estava em uma escola, qual tinha dois andares, com portões de grade e um grande e verde pátio.

Estudantes andavam por todo o local, principalmente no pátio. O lugar era meramente familiar, porém, por mais que ele tentasse se lembrar, ele somente sentia uma grande dor na cabeça.

Sean começou a andar. Ele adentrou na escola e de repente o clima mudou. O céu ficou negro, as pessoas desapareceram e uma névoa negra andava pelos arredores do colégio.

O corpo de Sean adormeceu. Ele sentiu novamente uma dor insuportável na cabeça.

— Que merda... — murmurou, ele, colocando a mão na cabeça e se curvando de dor.

As pessoas voltaram a aparecer. Porém, dessa vez, seus rostos demonstravam uma expressão de medo e dor.

Entre elas, algo apareceu. Exalava uma energia maligna o suficiente para ser confundido com dezenas de almas. A dor de Sean ficou mais intensa.

Sean estava horrorizado, porém sua dor não o deixava se preocupar com tal emoção.

De repente, algo apareceu entre os alunos. Sean de cara pode perceber que se tratava de um demônio que começou a avançar nas pessoas, cortando-as com suas garras. A criatura era rápida.

Em questões de segundos, o chão do colégio estava coberto de sangue e o cheiro eminente era terrível até mesmo para Sean.

Alguém então apareceu no meio da multidão, atordoado; Era Sean. Não o Sean de hoje, mas o de anos atrás.

Ele estava aterrorizado. Seus olhos verdes vibravam e ele suava frio. O sonho não tinha som, porém Sean pode entender sem dificuldades o que ele dizia.

— O que foi que eu fiz...? — traduziu o Sean do presente. — Isso não devia ter ocorrido.

O pequeno Sean correu para cima do demônio e antes que ele conseguisse chegar perto o suficiente da criatura o Sean de hoje começou a sorrir. Seu sorriso era sarcástico e medonho. Sua dor havia cessado, porém ele continuava suando frio.

O tempo parou. Sean foi o único a continuar se movendo. Seu sorriso evoluiu para uma gargalhada silenciosa. Era obvio que ele estava rindo de seu sonho, como se aquilo fosse algo inútil.

Em poucos segundos, o tempo voltou. O pequeno Sean alcançou a criatura e colocou sua mão esquerda sobre ela e ao se passar alguns segundos o demônio se desfez em uma terrível e densa névoa negra.

Sean acordou em um pulo. Seu corpo estava coberto de suor.

— Esse foi o melhor sonho que tive em quatro anos — falou ele após se recuperar do pesadelo.

Sua cabeça ainda latejava um pouco. Ele se levantou da cama e olhou o relógio que indicava 16:00 da tarde.

Acordei cedo, pensou. Ele se levantou e rapidamente tomou um banho gelado para tirar todo o suor de seu corpo. Apesar de não demostrar, Sean se incomoda muito com esses sonhos estranhos. Desde que ele descobriu sobre seus poderes ele não teve um bom sonho sequer.

Sean não planejava sair de casa hoje, porém, um pouco depois dele tomar o seu café da tarde, ele sentiu o cheiro de uma alma solta.

— Sinceramente — murmurou enquanto soltava um sorriso melancólico —, esses malditos dormem tarde e acordam cedo.

Antes de mais nada, ele ameaçou a pegar seu sobretudo negro, porém hesitou.

— Calor demais — falou ele. — Ah, mas tanto faz.

Puxou seu sobretudo, vestiu-o e saiu de casa

Sean preferia ter colocado outra roupa, apesar de gostar de seu sobretudo, estava muito calor e ele estava derretendo.

Felizmente a alma não estava muito longe do locam em que Sean se encontrava. Estava no máximo a quatro quadras dele.

Após percorrer quase todo o caminho até a alma, ele percebeu que havia esquecido sua espada e sua arma.

Não faz diferença, pensou ele. A alma parece ser até mais fraca do que a de ontem que já não era grande coisa, então, ele só precisaria de seus poderes.

Ele continuou caminhando.

Em pouco tempo ele se deparou com um colégio abandonado. O local estava totalmente destruído, era um milagre ainda estar de pé, janelas quebradas se espalhavam por todo o edifício e havia algumas árvores em volta da escola, o que fez Sean se lembrar um pouco do sonho de hoje.

De repente, sua cabeça latejou. Sean não queria entrar nesse local, porém o poder da alma vinha de lá.

Um tanto hesitante entrou na escola abandonada. Dentro estava muito mais destruído do que o lado de fora; Paredes aos pedaços, tetos desabando.

Dentro do local a presença da alma ficou mais inquieta e o cheiro mais intenso. Conforme Sean avançava sua dor de cabeça aumentava.

— Maldição! — ele murmurou e colocou a mão em sua cabeça.

Ele não sabia o porquê de sua dor ao avançar. Poderia ser que a escola o lembrasse da cena de seu sonho, mas ele sentia que não era isso. Sean, sentia que encontraria algo desagradável neste local, entretanto, não queria recuar.

Sean se recompôs e continuou a avançar até a alma.

Ele chegou então em um corredor com várias salas e janelas de ambos os lados, mas, dentre as salas, uma se destacava; a sala 26, suas janelas estavam tampadas com tábuas de madeira e a porta, também de madeira, estava quase aos pedaços.

Dela saia névoa negra e uma presença esmagadora, totalmente diferente da criatura que ele sentiu de imediato, entretanto Sean tinha quase certeza que está presença era o motivo de suas dores infortunas.

Com a cabeça latejando, Sean abriu a porta da sala, que se desfez com o movimento. De início não encontrou nada além de névoa, porém, ao se passar alguns segundos, uma garota surgiu no meio da sala.

A garota de estatura média, utilizava uma camisa regata branca e uma calcinha boxer. Tinha longos cabelos ruivos e olhos castanhos. A garota o fitou.

— Por que está usando um sobretudo neste calor?

Sean se assustou. Ela parecia ser um humano comum, no entanto ela podia vê-lo, coisa que não é normal.

— Pelo menos não estou usando somente uma regata e uma calcinha — falou ele.

A misteriosa garota sorriu.

— Está muito calor, então é mais conveniente usar pouca roupa.

— Ah, sim — concordou ele. — Mas, diga-me, por que está em um local desses sozinha?

Sean, apesar de tudo, estava um pouco desconfiado. Um humano que consegue vê-lo pode acontecer, porém estar em um local desses, no meio de tanto poder, é suspeito.

A garota olhou para o chão, trocou seu peso de uma perna para a outra e olhou para Sean.

— Estava dando um jeito nessa alma.

Foi só então que ele se tocou. Como não havia percebido antes? A névoa negra representava a alma, mas o poder que sentiu ao chegar perto da porta era totalmente diferente.

— É bem incomum uma alma virar um anjo – concluiu.

— Como sabe que já fui uma alma? — questionou ela.

— Os únicos anjos capazes de andarem na terra são os que já foram almas.

O anjo sorriu suavemente. O silêncio surgiu no ar e os dois ficaram se olhando.

— Sabe, normalmente eu não ligo para pessoas como você, no entanto vejo que você é um pouco especial.

Ela lentamente se aproximou do garoto e ao chegar perto o suficiente dele, passou a mão em seu rosto.

— Você tem poderes incríveis e seu braço esquerdo é muito raro.

— Uma maldição rara, você quer dizer? — perguntou Sean, tentando corrigi-la.

Novamente, a anja aproximou-se dele, ficando com seus rostos quase colados.

— Não diga isso — falou ela. — Caso cuide bem, pode ser algo útil.

Sean, pela primeira vez, sentiu arrependimento por ter esquecido sua espada e arma em casa. Ele não se sentia muito seguro na presença de uma anja, tendo somente o poder de controlar almas, quer dizer, como ele vai controlar uma anja?

— Eu já faço isso, pequena anja. — falou, tentando retirar o tenso clima.

Ela se afastou e abaixou a cabeça. Seus cabelos ruivos cobriram os olhos.

— Eu não sou pequena — falou e levantou a cabeça. Ela o fuzilava com os olhos.

A garota perdeu toda sua atuação de anjo experiente e sério. Ela estava corada. Sua expressão era um tanto engraçada.

— Mas, vejamos, comparado a mim, você é pequena — disse Sean, fazendo o possível para anular aquele clima.

— Você que é grande demais — ela rapidamente respondeu.

Uma anja deveria ter mais autocontrole, pensou ele. Sean imaginava que um anjo fosse um ser sério, arrogante, poderoso e coisas assim, porém, depois de ver essa garota, ele percebeu que poucos devem ser assim ou ela mesmo que era incompetente

— Então — disse ele —, já que fez o serviço sozinha, eu posso ir embora?

Ela voltou para sua forma comportada, de pouco tempo atrás, e fitou o garoto.

— Isso eu não posso permitir.

Sean pensou que isso só poderia ser brincadeira, no entanto ela parecia estar totalmente séria sobre o assunto.

Mesmo com a garota sendo baixa e muito pouco parecida com um anjo, ele sabia que não poderia controlar a alma dela, quer dizer, ele nem sabe se um anjo tem alma.

— Não pode? — falou Sean, com angustia.

Ela lhe dirigiu um pequeno sorriso.

— Exato — disse ela. — Você pode ser muito útil para mim.

Sean sorriu. Uma anja estava querendo usá-lo. Isso, para ele, não passou de uma piada ruim.

— Útil? Não me faça rir. Vocês, seres imortais, só sabem utilizar dos mortais. Não me é surpresa que a maioria são proibidos de andarem na terra.

— Eu não quis dizer isso, idiota! — falou ela perdendo toda sua compostura, novamente. — Estou dizendo que poderíamos trabalhar juntos.

Sean ficou perplexo. Uma anja querendo ser parceiro de um mortal amaldiçoado? Por algum motivo, isso não parecia certo para ele.

— Trabalhar juntos, é? Com um anjo que conheci a minutos atrás e que nem mesmo o nome eu sei?

Ela sorriu sarcasticamente.

— Ah, desculpe-me. Eu me chamo Amy.

Parece que ela é igual a mim; sem sobrenome, pensou ele. Será que ela simplesmente quer escondê-lo ou anjos não podem obtê-los?

— Sem sobrenome, é? Interessante — observou.

— Sim, mas, quanto tempo esperará para se apresentar? — disse Amy, se esforçando para manter sua compostura séria.

— Achei que anjos soubessem dessas coisas — falou ele. — Eu sou Sean.

Novamente ela voltou a sua compostura superior.

— Então — disse ela —, poderemos ser parceiros?

— Acho que não — falou Sean. — Bem, adeus.

Sean se virou e foi em direção a porta da sala de aula, indo parar no corredor cheio de janelas quebradas de agora a pouco. A névoa negra já havia se dissipado por completo e, somente agora, ele notou tal fato.

Amy novamente perdeu sua atuação.

— O que... o que você quer dizer com isso?! — gritou ela.

A garota o segurou pelo braço. Sean, parou por um momento e olhou para trás, encarando-a.

— Eu odeio seres mortais, mas, acima de tudo, odeio os seres imortais — disse Sean com um olhar hostil.

Ela o soltou por um instante. O garoto continuou a ir embora e ela o olhava abismada.

Sean ouviu um barulho estranho. Ele não conseguia definir tal som; ele tinha certeza de que era a primeira vez que o ouvia. Sem conseguir aguentar, olhou para trás. Vendo então a pequena anja de cabeça baixa e, em suas costas, duas lindas asas brancas.

— Isso... isso é magnífico — conseguiu dizer.

Amy levantou a cabeça. Seus olhos, que eram castanhos, estavam azuis claro.

— Você se arrependerá de ter insultado a mim!

A anja não perdeu tempo, partiu voando em alta velocidade para cima do garoto que não teve outra escolha a não ser pular por uma das janelas quebradas e ir para fora.

Sean não teve tempo. Alguns segundos após pular a janela, a garota apareceu novamente na cola dele. Sean sabia que não poderia correr para sempre, ainda mais de uma anja, então decidiu tentar algo inusitado.

Uma foice com uma lâmina muito comprida e curvada apareceu na mão de Amy e ela partiu para cima do garoto. Amy tentou acertá-lo com a foice, porém ele foi mais rápido e desviou por baixo e antes que ela pudesse atacá-lo novamente Sean desenfaixou sua mão esquerda e colocou sobre a cabeça da garota.

— Durma — disse ele.

Segundos se passaram e nada aconteceu. Porém, pelo menos, teve algum efeito. Após alguns segundos, Amy, caiu no chão e começou a roncar.

Sean soltou um suspiro.

— Ela literalmente dormiu — murmurou ele, surpreso. — Bem, tanto faz.

Ele a levou para dentro da escola abandonada e a deixou lá dentro dormindo. Então, as pressas, foi direto para casa com medo da anja acordar.

Em alguns minutos de caminhada noturna, Sean chegou em sua casa. A única coisa que ele conseguia pensar depois de chegar em casa era: “Eu preciso dormir.”

Como sua mente mandou, o garoto, assim que chegou, foi para sua cama e em poucos segundos adormeceu.

Notas finais
E então, o que acharam? Algum comentário ou critica?