Almas Perdidas

3 O Perigo se aproxima


"Um Sonho sonhado sozinho é um Sonho.
Um Sonho sonhado junto é Realidade."

— Raul Seixas

13:45 — Conselho

Leandro se aproximou de Larissa e se ajoelhou em frente à ela.

— Larissa, eu sei que você deve estar assustada... Mas não podemos te ajudar se você não falar.

Larissa olhou para Leandro, que continuou falando.

— O que aconteceu com os outros? Onde eles estão?

Larissa parecia estar cada vez mais assustada. De repente, Leandro foi puxado pelas costas.

— Ei!!

Foi Amelia quem o puxou. Leandro se levantou, sem entender o que havia acontecido.

— O que você está fazendo, Leandro? Quer deixá-la ainda mais assustada?

— Mas...

Ao ver a situação, Sebastian cruzou os braços.

— Que horror, Leandro... Por favor, seja um pouco mais gentil com ela!

Vendo que não tinha outra saída, Leandro baixou a cabeça e permaneceu em silêncio pelo resto da conversa.

— Be... Bem... Na verdade, eu posso levar vocês até o local onde eu os vi pela última vez.

Os três se interessaram.

— Você pode? — Perguntou Amelia animada.

— Sim... Mas é longe...

— Sem problemas. Mas lembre-se, se algo perigoso acontecer, nós vamos ter que te tirar daqui. — Disse Sebastian.

Larissa concordou. Os quatro seguiram pelo túnel onde Leandro havia a encontrado.

14:10 — Esperança

O grupo continuou por mais uma longa caminhada.

— ...Sério, isso está ficando ridículo... Você tem certeza que andaram tanto assim, Larissa? — Perguntou Leandro.

— Sim... Eu ainda me lembro do caminho...

Naquele instante, Sebastian parou.

— Esperem!

Todos pararam com o alerta. Sebastian pegou sua mochila e retirou um bloco de notas.

— Isso me lembrou que ainda preciso anotar o caminho que estamos seguindo. Essa caverna não parece ser um labirinto complicado, mas cuidado nunca é demais.

Amelia concordou.

— Verdade... Nesse caso, vamos fazer uma pausa enquanto você faz as anotações.

Dito isso, todos se sentaram em um círculo para uma pausa enquanto Sebastian marcava no seu bloco de notas o caminho que o grupo percorreu até então, assim como alguns pontos de referência que ele observou no percurso.

— Então, Larissa... Está se sentindo melhor com a nossa companhia? — Perguntou Amelia.

Amelia perguntou para Larissa com um sorriso no rosto.

— Sim... Eu me sinto bem melhor agora...

— Você percorreu todo esse caminho de volta sozinha? Deve ter sido bem cansativo... — Disse Leandro.

— Eu precisava procurar por ajuda... Mas felizmente vocês apareceram no meu caminho.

Amelia riu. Porém, o que Larissa disse em seguida fez todos, até mesmo Sebastian a olharem de forma confusa.

— Vocês acreditam... Que anjos estão nos guiando?

— ...Hã? Que pergunta é essa...? — Perguntou Leandro confuso.

Sebastian parou de desenhar por um instante.

— Algumas pessoas acreditam que quando estamos com problemas, ou com dúvidas em nossa vida, os anjos sussurram o melhor caminho em nossos ouvidos. É por isso que eu acredito que tanto eu quanto vocês fomos guiados para nos encontrarmos.

Leandro baixou a cabeça com o impacto das palavras de Larissa.

— ...Uau... Esse é um pensamento bem profundo, Larissa...

— Você quer dizer que nesse momento, há anjos decidindo nossos caminhos para que nossas vidas estejam sempre em segurança? — Perguntou Sebastian.

— Sim. Quando o desespero está tomando conta de nossas almas, somos guiados por forças do bem, mesmo sem percebermos.

Leandro riu.

— Isso seria perfeito... Talvez você esteja certa. Afinal, nosso encontro parece ter sido algo planejado pelo destino.

Larissa retribuiu o sorriso.

— Pronto! Já terminei de traçar a nossa rota. Podemos continuar? — Perguntou Sebastian.

— Claro! Quanto mais cedo encontrarmos as crianças perdidas, melhor! — Disse Leandro.

O grupo se levantou e se preparou para continuar o longo trajeto pelos túneis da caverna. Mas as palavras de Larissa continuavam ecoando em suas mentes.

"Há anjos nos guiando para sempre seguirmos o caminho certo..."


14:40 — Explosão

O grupo novamente seguiu por um longo e escuro corredor. À essa altura, Leandro caminhava com os ombros caídos e cabeça baixa.

— Ei, Leandro... O que houve? — Perguntou Amelia.

— Sério... Quando eu sair daqui eu não vou querer entrar em outra caverna pelo resto da minha vida!

Sebastian riu.

— Como eu disse, são três quilômetros de túneis. Mas agora que Larissa está com a gente, acho que vamos poupar um bom tempo... Certo, Larissa?

Larissa riu.

— Certo!

De repente, o grupo deu de cara com outra surpresa.

— Essa não... — Disse Leandro.

Em sua frente, a estrada continuava até onde a escuridão permitia. Porém, havia outro caminho pelos muros da direita.

— E agora...? Continuamos em frente, ou seguimos pela direita? — Perguntou Sebastian.

— Vamos ter que nos separar como da outra vez...? — Perguntou Amelia.

No entanto, Larissa interrompeu.

— Pela direita!

Todos se viraram para ela. Leandro se espantou.

— ...Hum?

— Meus amigos e eu seguimos pela direita. Eu tenho certeza.

Sebastian ajeitou os óculos.

— Tem certeza...? Bem, se você diz...

Porém, naquele instante... O grupo todo levou um enorme susto.

— O... O quê foi isso?! — Perguntou Leandro.

— Ah... Aahh!! — Gritou Amelia.

Uma enorme explosão ecoou pela caverna. Não apenas isso, mas o solo sacudiu, fazendo todos perderem o equilíbrio. Leandro caiu sentado no chão, enquanto Sebastian se apoiou na parede. Rapidamente, Leandro se levantou. Aos poucos, o mundo ao redor voltou ao normal.

— Isso... Isso foi uma explosão! — Disse Sebastian.

— Veio... Do túnel à direita... — Disse Amelia.

— Não!! É onde nós estávamos... — Disse Larissa.


14:50 — Desespero

Após o grupo se recuperar do susto, Sebastian tentou raciocinar.

— Isso... Isso não é bom... Não foi um acidente natural...

— Será possível que... Há mais alguém nessa caverna? — Perguntou Amelia.

— Uma explosão... Mas por quê...? — Perguntou Leandro.

Larissa parecia preocupada.

— Leandro... Meu irmão e meu amigo estavam nesse caminho... Por favor, nós temos que...

Sebastian interrompeu.

— Acalme-se, Larissa! Nós não sabemos o que tem nesse túnel.

— Mas... E quanto às crianças...? — Perguntou Amelia.

Leandro pensou... Ele tinha que tomar uma decisão urgente...