Almas Afins

26 Capítulo 26 - O sol pode aparecer novamente...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Rachel observou com atenção Quinn ajustar o manequim até que ele estivesse bem posicionado e em seguida se afastar dele até que estivesse distante o suficiente. Bastou um aceno de cabeça para que a judia parasse ao lado dela.

Havia pequenos buracos no tórax e na testa do objeto, evidenciando que Quinn e Santana provavelmente passaram dias treinando tiros naquela floresta na época em que ainda tinham de passar no teste físico da polícia.

A detetive pegou o próprio revólver.

— A primeira coisa que você precisa saber é como destravar a arma. — Iniciou a explicação. — Está vendo essa alavanca levantada?

Rachel olhou para o objeto metálico pintado de preto, constatando que existia, de fato, uma pequena peça erguida na lateral e assentiu, sorrindo como se houvesse descoberto um grande segredo.

— Está aqui.

— Isso significa que ela está travada. — A loira apontou a arma que segurava para o manequim e tentou atirar, mas o gatilho não se moveu. — Viu? Agora vamos descer a alavanca para destravá-la.

A atriz aquiesceu compenetrada e espelhou os movimentos da mais alta, jurando ter ouvido um baixo ruído quando mexeu na peça pequena.

Quinn continuou.

— Agora já podemos atirar.

— Você... quer que eu atire agora? — Rachel inquiriu insegura.

— Sim, e o modo como você está ficando nervosa não vai ajudar. — Quinn respondeu. — Eu quero que você atire no meio do peito daquele manequim.

— Você pode ir primeiro.

— Eu já sei atirar, Rachel.

— Mas eu vou ficar mais confiante se você demonstrar.

— Tudo bem.

Quinn empunhou a arma com a mão direita e apontou o cano na direção do objeto inanimado, cerrando os olhos para focá-los apenas no ponto que desejava acertar. Quando o barulho alto ecoou, Rachel sobressaltou levemente, ainda que estivesse usando o abafador de ruídos, porque estava um pouco distraída observando o quão atraente a esposa ficava ao se concentrar.

A detetive abriu um sorriso quando a bala abriu um novo orifício no tronco do manequim e migrou a sua atenção para Rachel, que ainda a encarava em uma mistura de encantamento e desejo.

— O que...

— Você fica completamente sexy atirando. Pode fazer de novo?

— Rachel, isso é sério. Eu estou tentando ensiná-la como se proteger. — Quinn bronqueou.

— Mas não é minha culpa. Eu sinto como se pudesse ficar molhada se você fizesse outra vez.

— Rachel! — Quinn sentiu o rosto queimar e agradeceu o fato da noite ocultar parcialmente o seu constrangimento. Ela se repreendeu mentalmente por sentir uma pontada no seu baixo ventre com a sentença da morena. — É a sua vez de atirar.

— O quê? — A judia pareceu despertar do seu torpor e fitou o manequim.

— É a sua vez de atirar. — Quinn repetiu.

— Mas... eu não sei como fazer isso.

— Eu vou ajudar você. — A loira travou a própria arma, guardando-a no seu coldre e parando atrás da esposa logo depois. — Primeiro, segure a arma com as duas mãos e erga os braços, apontando o cano para o manequim.

Rachel fez exatamente o que Quinn dissera e prendeu a respiração na tentativa de fazer as mãos cessarem o leve tremor, porém a detetive percebeu.

— Não faça isso. Não é certo prender a respiração. Os seus pulmões vão começar a pedir cada vez mais por ar e então a sua corrente sanguínea vai se agitar. Respire normalmente. Inspire pelo nariz e expire pela boca. Se concentre no alvo. — Quinn instruiu calmamente.

A judia fez o exercício de respiração corretamente. Ela sabia fazê-lo desde os cinco anos, mas não conseguiu controlar as suas mãos, porque ter a voz de Quinn tão próxima do seu ouvido em um tom quase íntimo fez as suas pernas ficarem mais fracas. Ela apertou o gatilho, sentindo o seu corpo ser jogado para trás e largando a arma em um gesto de instinto. No entanto, seu corpo foi prontamente segurado por Quinn, que a impediu de ir ao chão.

— Oh, Deus. — Rachel resfolegou, pondo a mão sobre o peito e sentindo o coração bater rápido, sendo capaz de senti-lo contra a sua palma. — Como você consegue se manter de pé quando atira?

— É apenas prática. Você vai se acostumar. — Quinn riu levemente, ajudando-a no processo de se recompor do susto.

— Onde eu acertei? — A atriz fitou o manequim.

— Você não acertou. Ela passou direto por ele. Tente de novo.

— De novo? — Rachel abriu a boca. — Acho melhor não.

— Onde está a mulher confiante que eu conheci anos atrás? — Quinn pegou a arma do chão, limpando o metal sujo de terra.

— Ela é confiante quando canta e não quando está atirando. — A morena rebateu, cruzando os braços contrariada.

— Então cante. Cante enquanto atira. Talvez faça você acertar o alvo. — A detetive sugeriu e entregou novamente a arma para ela.

A ex-capitã do Clube Glee hesitou por alguns segundos, pensando sobre o que Quinn tinha dito. Por fim, ela pegou o objeto metálico.

Dessa vez, a loira se manteve um pouco mais afastada, porém pronta para segurar a esposa outra vez se fosse necessário, e Rachel sentiu falta do contato próximo, mas não verbalizou algo, empunhando os braços pela segunda vez.

O som melodioso pareceu invadir toda a floresta quando ela começou a performar To Love You More, da Céline Dion, e Quinn se arrepiou com aquilo, porque não ouvia Rachel cantar há muito tempo e porque essa era a música que ela adorava entoar após passarem a noite inteira perdidas uma na outra. Quando trocavam abraços e beijos apaixonados ainda envoltas nos lençóis da cama que compartilhavam, a judia sempre modulava a canção com a sua voz, deixando-a preencher o quarto com todo o amor que sentia.

Era uma das músicas que marcavam o repertório feito por elas. Cada qual marcando um momento da vida de ambas. Quinn fechou os olhos por um breve momento quando a morena entrou no refrão, mas os abriu rapidamente ao ouvir o tiro, presenciando a bala acertar o seu objetivo.

O corpo de Rachel ainda sofreu o impacto do tiro, mas com um pouco menos de força por estar mais preparada, e Quinn a segurou novamente.

— Eu... eu acertei. Eu acertei! Eu acertei! — A judia saltou algumas vezes em uma forma de comemoração, erguendo os braços e literalmente pulando sobre a esposa.

Quinn não evitou rir e retribuiu o afeto. Estava orgulhosa dela.

— Você acertou, Rachel. Meus parabéns.

Rachel sorria. O mesmo sorriso que abria quando se apresentava nas competições do coral anos atrás, e aproveitou o fato de estar com o corpo praticamente colado ao de Quinn para beijá-la brevemente, provando o gosto dos lábios macios. Ela quase gemeu com o contato, se perguntando internamente como conseguiu se manter longe da esposa por dois anos. Era algo que nunca obteria uma resposta, porque o seu erro não tinha uma justificativa plausível. Tudo o que queria era tornar aquele ato normal entre elas outra vez, embora soubesse que ainda teria uma longa estrada para percorrer.

Quinn quebrou o afeto depois da sua mente gritar, praticamente emitindo sons estridentes e placas fluorescentes para alertá-la de que ainda estava com a boca de Rachel cobrindo a sua. Todo o seu rosto ainda estava formigando quando se afastou bruscamente.

— Nós podemos continuar? — Rachel inquiriu com um sorriso inocente e sagaz estampado na face, e a loira assentiu atordoada.

— Você... pode tentar atirar novamente, mas sem cantar? Consegue imaginar a música na sua cabeça? Em uma situação perigosa, vai ser impossível cantar para se concentrar. — Quinn disse. — E atire na testa do manequim agora.

Rachel maneou a cabeça em concordância e repetiu o mesmo processo pela terceira vez, mas se manteve calada, cantando apenas dentro dos seus pensamentos. Ela conseguia ouvir claramente a melodia da canção, embora não houvesse nenhum som na floresta, exceto os insetos produzindo ruídos, e manteve a respiração calma, focando o cano na cabeça de plástico do objeto. Antes de apertar o gatilho, seus pés cravaram um pouco mais no chão, contudo, Quinn ainda teve apoiá-la quando a arma disparou.

A bala atingiu com perfeição a testa do manequim, fazendo Rachel vibrar e abraçar a detetive para comemorar o fato de estar indo tão bem.

— Isso foi incrível, Rachel. — Quinn abriu um sorriso sincero.

— Eu não mereço um beijo como recompensa? — A judia provocou, fitando os olhos da esposa.

— Eu... — Quinn umedeceu os lábios com a língua e forçou a si mesma a se separar de Rachel. — Eu quero que você se concentre na aula. Agora, nós vamos aprender um pouco sobre alguns golpes de defesa.

Rachel permitiu que ela tirasse o óculos do seu rosto e o abafador de ruídos da sua cabeça e a seguiu com os olhos, vendo-a guardar o manequim e os objetos. No final, o alçapão foi fechado e algumas folhas foram usadas para cobri-lo.

Quinn pegou a arma quando a morena a entregou e a deixou no carro ao lado da sua jaqueta, voltando segundos depois trajando apenas a regata preta colada ao seu corpo. Rachel lambeu os lábios para a visão, porque a peça de roupa marcava todas as curvas que conhecia tão bem. Queria tocá-la. Sentir a cintura fina na ponta dos seus dedos, assim como os seios pequenos e as coxas fortes evidenciadas pela calça igualmente apertada. Quando se casaram, Rachel mal podia acreditar que teria Quinn Fabray ao seu lado para sempre. Ela sempre foi a mulher mais linda que já havia visto. Ainda que recebesse apelidos maldosos e slushies diariamente, não conseguia odiá-la. Nem por um segundo. No final de tudo, a capitã das Cheerios tinha um lado amoroso e frágil. O lado que Rachel viu. O lado que a fez se tornar o amor da sua vida.

Ela mal conseguiu disfarçar os seus olhos marejados ao pensar em como Quinn mal conseguia se aproximar sem se sentir incomodada. Não era daquela maneira que tudo deveria ter acontecido, mas não podia voltar no tempo. Lembrar de como eram tão unidas a fazia se sentir triste, da mesma forma que se sentia desesperada para ter tudo aquilo na sua vida de novo.

— Está tudo bem? — Quinn perguntou, notando o quanto a judia parecia inerte e melancólica.

— Está. Está sim. — Rachel abriu um sorriso pequeno, dobrando as mangas do suéter que vestia e prendendo os cabelos compridos em um rabo de cavalo.

Quinn espelhou aquele gesto, amarrando os fios claros medianos firmemente.

— Vamos começar. — Ela caminhou até estar de frente para Rachel. — Há vários pontos que podem derrubar um agressor, independentemente do tamanho dele. O soco na garganta é um dos mais usados. Isso vai fazer com que ele ou ela perca o ar, então você pode correr.

— E se for alguém muito alto? Eu não vou conseguir acertar. — Rachel rebateu.

— Sempre há o caso mais comum de acertar a virilha. Se ele vier ao seu encontro pela frente, você vai usar a arma que usamos mais cedo, mas se ele agarrá-la desprevenida, então há técnicas que você pode usar. — Quinn deu a volta para ficar atrás de Rachel e segurou em um dos seus braços, dobrando-o. — Nessa posição, o seu cotovelo pode acertar a minha barriga, me deixando sem ar. Isso vai proporcionar tempo suficiente para você fugir. Está entendendo?

— Estou. — Rachel respondeu.

— Depois, você vai se curvar e afastar um pouco as pernas, então vai impulsionar o seu corpo para cima. Isso vai fazer com que consiga levantar o corpo da outra pessoa, criando o espaço necessário para acertar o punho na virilha dela. Se for uma agressora, bata na barriga outra vez. Com a segunda pancada, ele ou ela vai enfraquecer, então continue batendo. Quando sentir que foi solta, vire o corpo rapidamente e acerte o punho do dorso da sua mão no nariz do agressor. Se for um homem muito alto, acerte a virilha com o pé. Conseguiu entender essa parte?

Rachel assentiu, guardando as informações que ouvia com atenção.

— Vamos tentar criar uma situação. Eu vou atacá-la, e você vai usar o que eu disse, mas é tudo uma simulação, tudo bem?

— Tudo bem. — Rachel disse.

Quinn se afastou um pouco para correr na direção da esposa e agarrá-la, mas tudo aconteceu rápido demais. O gemido de dor escapou da sua boca ao sentir a cotovelada na sua barriga, fazendo com que a força usada para segurá-la esmorecesse. Rachel usou o momento para se virar a certar rapidamente o nariz da detetive.

Aquilo fez Quinn cair no chão, sendo pega totalmente de surpresa enquanto apertava o nariz. O sangue vertia dele e manchava a calça escura em intervalos constantes.

Rachel abafou um grito com as mãos. Os olhos arregalados e a expressão contorcida em pânico. Ela se ajoelhou ao lado da loira de uma maneira desesperada.

— Me desculpe, Quinn! Oh, meu Deus, me desculpe! Eu achei que você iria defender os golpes e continuaria com a explicação! Me desculpe, desculpe! — Rachel pedia incessantemente, começando a chorar ao ver a quantidade de sangue sair do nariz da esposa, que começava a inchar e ganhar uma matiz avermelhada aos poucos.

— Está... está tudo bem. — Quinn se inclinou pra frente, respirando pela boca para que o sangue não escorresse para a sua garganta. — Os golpes foram ótimos. Você aprende rápido. — Tentou sorrir, mas grunhiu quando sentiu o nariz latejar.

— Eu te machuquei. Eu não queria machucar você. — Rachel continuava chorando.

— Ei, não chore. — Quinn pediu, segurando a mão da judia gentilmente. — Você aprendeu com muita facilidade, e eu estou feliz com isso.

— Eu quebrei o seu nariz. — A morena retorquiu, fungando enquanto tentava enxugar as lágrimas.

— Não está quebrado. Foi apenas uma pancada forte. Vamos para casa. Você pode dirigir.

Rachel concordou e ajudou Quinn a se levantar lentamente, desligando as lâmpadas pequenas quando ela pediu. Ambas foram para o veículo logo depois.

O trajeto até a residência foi feito em silêncio, porque Quinn sentia o nariz doer cada vez mais, e a barriga latejar. O relógio marcava nove horas quando o carro parou na garagem.

— Eu posso ajudar você no banho. — Rachel ofereceu ao chegarem na sala de estar.

— Eu machuquei o nariz. Não a perna.

— Mas um cuidado adicional é sempre bom, não é?

Quinn revirou os olhos, mas não ocultou o sorriso.

— Vá tomar o seu próprio banho, Rach. — Ela andou até o próprio quarto, deixando a morena com um sorriso no rosto por ter chamado-a pelo apelido novamente.

Quinn demorou mais do que o normal na sua higiene noturna, porque teve de limpar corretamente o seu nariz e fazer todo o curativo disposto no armário do banheiro, tomando o anti-inflamatório necessário com ajuda da água da torneira em seguida. Aquele não era o seu primeiro nariz machucado e com certeza não seria o último. Estaria inteiramente curada em poucos dias.

Ao sair, ainda de toalha, ela se secou e vestiu uma calça moletom e uma camiseta de algodão, evitando o sutiã. Um suspiro saiu por entre os seus lábios ao deitar na cama ainda com os cabelos molhados, sentindo a maciez do colchão contra as suas costas.

Estava quase dormindo quando ouviu o barulho da porta sendo aberta, e Rachel entrou no quarto segurando uma bandeja com dois copos de suco e dois sanduíches.

Quinn se sentou, recostando na cabeceira e apoiando o objeto no colo.

— Eu fiz esses sanduíches porque não podemos ficar sem comer. Como está o seu nariz? — A judia indagou preocupada, se sentando na cama. Havia tomado banho há pouco tempo também.

— Ele está bem. O hematoma vai sair e o inchaço vai sumir em poucos dias.

— Me desculpe, por favor. — Rachel abaixou a cabeça.

— Não precisa se preocupar com isso, Rachel. Foi um bom golpe. — Quinn tentou soar divertida.

— É claro que eu preciso me preocupar, Quinn. Você é a minha esposa. — A morena a encarou. — Machucar você me machuca também, porque eu te amo. Eu sei que a minha ausência aqui fez com que você se acostumasse com o fato de ter de cuidar de si mesma, mas eu estou aqui agora e quero cuidar de você. Cuidar das suas feridas. Das externas e das internas, mesmo que leve todo o tempo do mundo.

Quinn sustentou o peso do olhar de Rachel e sobretudo, o peso das suas palavras. A sua atenção caiu no colar sempre envolto no pescoço dela por alguns segundos. A corrente de ouro que abrigava as suas alianças. Por fim, fitou a bandeja no seu colo. Não sabia o que responder. Desde o momento em que começou um namoro com Rachel no ensino médio, ela foi o seu alicerce. A pessoa que a ouvia chorar e que a confortava quando as suas feridas abriam. Quinn não se permitia desabar na frente de ninguém, exceto Rachel, e então ela se foi. Ainda que possuísse o amor de Santana, Brittany, David e da sua família, não era a mesma coisa. Ela não podia beijá-los ou trocar palavras apaixonadas com eles. O seu choro se tornou assistido apenas pelas paredes daquele quarto, e ela aprendeu a dormir e acordar sozinha. Toda a sua rotina teve de ser mudada, porque Rachel não fazia mais parte dela. Então ela estava ali novamente, tentando mostrar cuidados que uma esposa possui pela outra. Isso trazia à tona os seus machucados internos. Machucados esses que Rachel alegava veemente que cuidaria.

Quinn só não sabia se eles poderiam ser fechados completamente.

— Vamos comer. — Ela foi lacônica.

Rachel ficou desapontada com a falta de palavras da loira, mas a entendeu, como sempre faria, porque sabia que as suas risadas recentes, o apelido dito, a preocupação mostrada e as aulas não eram evidências de que tudo estava bem entre ambas.

Elas devoraram os dois sanduíches em pouco tempo e quando terminaram de beber o suco, Rachel levou a bandeja para a cozinha, voltando com uma bolsa de gelo em mãos.

Quinn respirou audivelmente quando deitou na cama e sentiu a temperatura baixa no seu nariz, permitindo que Rachel segurasse o objeto pressionado na sua pele.

O som de How Deep Is Your Love predominou o quarto. Era a música que a morena sempre entoava quando Quinn não conseguia dormir porque estava tendo alguma crise emocional ao lembrar de Beth. A melodia lenta e suave conseguia fazê-la dormir em poucos minutos. Não foi diferente naquele instante.

Rachel soube que a detetive estava dormindo quando a respiração dela se tornou compassada e permaneceu cantando por alguns minutos. Quando o gelo começou a derreter, ela foi até a cozinha, deixando o objeto no seu devido lugar.

As suas pernas não seguiram o caminho habitual para o seu próprio quarto depois disso. Seguindo a sua própria vontade, ela procurou abrigo ao lado de Quinn, beijando os lábios dela suavemente ao cobri-las com a grossa coberta.

— Eu sinto como se estivéssemos em um clima nublado, com nuvens de um cinza claro que nunca deixam o sol aparecer, mas sabemos que ele está lá. É assim que eu me sinto. O seu amor ainda está em você. Eu posso sentir. Mas preciso fazer os seus muros caírem e eu vou conseguir, meu amor. — Rachel sussurrava, passeando os seus dedos pelo rosto delicado da esposa. — Eu vou fazer o sol aparecer para nós novamente, e o nosso verão vai durar para sempre dessa vez.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. Bom final de semana e um Feliz Natal antecipado. =D twitter.com/yasagron