Almas Afins
24 Capítulo 24 - "Seu pior pesadelo..."
Notas iniciais
Quinn parou o carro no acostamento, checando o papel que tinha em mãos. Havia conseguido o endereço de Shelby com Hiram através da ligação que trocaram há quase trinta minutos.
Ela suspirou e saiu do veículo, analisando a casa na sua frente. Possuía dois andares e era de um bege suave. O jardim extenso abrigando um balanço a fez sorrir por um momento, imaginando Beth gargalhando enquanto se sentia flutuar tamanha velocidade dos seus impulsos.
Era uma bela residência. Quinn teve de admitir para si mesma que Shelby aparentava ser uma ótima mãe, confirmando o seu pensamento no hospital após dar à luz há nove anos. Aquilo a fazia feliz ao mesmo tempo em que a consumia com uma tristeza imensurável, porque parecia ser uma boa ideia deixá-la com Shelby naquela época. E realmente foi. A garotinha recebeu toda a segurança que uma filha merecia receber da mãe. A segurança que Quinn não teve. Mas isso não aliviava o seu arrependimento em não ter enfrentado as dificuldades da maternidade, por isso não podia mais recuar.
Havia um carro estacionado na garagem, mas não era esse que Shelby estava dirigindo quando foi buscar Beth desesperada na sua casa. Contudo, significava que alguém estava dentro da residência, então ela tocou a campainha, esperando ser atendida, o que aconteceu segundos depois.
A porta foi aberta, revelando a figura de Noah. Quinn não o via desde a formatura no ensino médio. Ele não foi ao seu casamento, tampouco esteve presente para dar apoio quando Audrey perdeu a visão. Era normal, ela sabia. Finn também não era alguém que tinha visto durante todos esses anos. Talvez ambos compartilhassem do orgulho ferido de terem namorado duas garotas que acabaram ficando juntas no final de tudo. Era ridículo, mas o ego masculino podia ser assim na maioria das vezes, embora Sam ainda mantivesse contato, o que mostrava que ele era uma minoria e um ótimo amigo.
Foi impossível não voltar para as lembranças que estavam marcadas no seu peito como um carimbo doloroso. A lembrança da sua primeira vez patética, a lembrança da sua gravidez inesperada e a lembrança da última vez que o viu.
Fazia calor naquele dia. Quinn suspirou enquanto deixava o capelo no seu colo ao se sentar na arquibancada vazia. Tinha se formado no ensino médio e agora uma nova etapa da sua vida estava prestes a começar.
Seus olhos passearam pelo campo vasto de futebol. Tudo estava silencioso, mas sentiu alguém se aproximar. Ela sorriu, achando que seria Rachel. A namorada estava conversando com o senhor Schuester, e Quinn sabia que ela iria ao seu encontro quando finalizasse o diálogo, porém seu sorriso esmoreceu um pouco ao virar o rosto e encarar Noah se acomodando ao seu lado.
Ele fitava a área extensa e verde, como se estivesse perdido nos próprios pensamentos. Quinn decidiu não falar nada, porque ambos tinham se afastado muito desde o nascimento de Beth. Não havia nada entre eles. Nem mesmo uma amizade.
— Foi aqui que eu a vi pela primeira vez. — O jovem de moicano rompeu o silêncio, fazendo-a pôr os seus olhos nele novamente. — Não aqui especificamente, mas logo abaixo. Eu estava matando aula enquanto bebia uma cerveja e vi você observando as antigas Cheerios com os olhos brilhando. Foi no nosso primeiro dia de aula no primeiro ano. Eu não conhecia ninguém, mas senti uma vontade absurda de conhecer você. — Limpou as mãos levemente suadas na calça jeans, rindo um pouco. Estava nervoso, e ela sabia disso. — Eu passei algumas semanas me preparando para falar com você e quando finalmente consegui reunir coragem, descobri que você estava engatada em um relacionamento com o Finn. Foi por isso que me aproximei dele, começando uma amizade. Nos tornamos melhores amigos, porque ele era realmente um ótimo cara, mas eu ainda sentia as minhas mãos suarem quando você estava por perto, o que era constantemente, exatamente como sinto agora.
— Noah... — Quinn tentou interrompê-lo.
— E então eu tentava ser melhor, mas nunca conseguia. O meu pai é um merda, e eu devo ter os genes dele, mas quando eu vi Beth pela primeira vez, eu nunca quis tanto ser melhor em toda a minha vida. Por vocês duas. Ela está com Shelby agora, mas nós podemos tê-la de volta. Somos maiores de idade agora.
— O que você quer me falando tudo isso? — Quinn estava confusa.
— Eu quero que você saiba que eu ainda sou apaixonado por você e que sempre vou ser, independente dos anos que vão passar rapidamente por nós. E eu quero que você fique comigo. Nós podemos tentar recuperar Beth de alguma forma. É mais fácil se estivermos unidos. — Ele propôs.
Quinn abriu a boca, mas nada saía. Noah estava oferecendo a chance de recuperar Beth. No entanto, teria de ficar com ele para isso acontecer. Era irreal demais. Estranho demais. Ela queria Beth, mas não queria Noah.
— Eu sei que você está com a Rachel agora, mas se nós ficarmos juntos, eu posso fazê-la me amar. Eu sei que posso. Eu não quero ter o mesmo destino do meu pai. Vou fazer uma faculdade, e então seremos uma família. — Ele continuou.
— Eu... — Quinn ainda pensava, incapaz de formular uma resposta coerente diante de toda aquela informação jogada sobre ela como bigornas enormes de ferro maciço.
— Não precisa me responder agora. Eu vou estar esperando você aqui amanhã ao entardecer. Se você não vier, eu vou embora de Ohio. — Noah se aproximou, plantando um beijo na testa da garota inerte. — Eu amo você, Quinn. — Com essa última sentença, ele se ergueu e saiu pelos fundos da escola, deixando Quinn estática, ainda encarando o lugar que ele ocupou por alguns minutos.
— Quinn? — A voz de Rachel causou na loira uma paz interna agradável, e ela ergueu a cabeça, fitando a namorada com os olhos marejados. — O que houve, meu amor? — A judia se sentou rapidamente, buscando as mãos pálidas.
— Puck esteve aqui. Ele... ele disse que ainda me ama e que se eu ficar com ele, nós podemos tentar recuperar Beth. — Quinn disse, tentando não chorar na frente de Rachel.
— Eu não acredito nisso! Ele está usando Beth para ficar com você, Quinn! — Rachel se irritou, almejando mais do que qualquer outra coisa ir atrás de Noah e socá-lo até que perdesse a consciência. Ele estava remexendo na ferida de Quinn com o único objetivo de tentar tê-la como sua namorada. Era puro egoísmo.
— Eu sei, eu sei disso, mas e se nós pudéssemos mesmo recuperá-la? — Quinn cogitou a possibilidade por alguns segundos.
— Então você quer ficar com ele? — A judia sentiu o peito apertar e o ar faltar momentaneamente com a hipótese de Quinn aceitar ficar com Noah.
— Eu quero ficar com Beth. — Quinn respondeu. — Ele disse que as chances de tê-la de volta seriam maiores se estivéssemos unidos. Nós não precisamos nos relacionar para isso. — Ponderou, esperançosa.
— Você sabe que isso não vai acontecer, Q. — Rachel segurou o rosto da namorada delicadamente, sentindo a pele macia contra os seus dedos. — Ele apertou na sua ferida. A única ferida que não pode ser fechada. A chance de recuperar Beth são mínimas, embora possa acontecer, mas ele não vai aceitar apenas a sua amizade. Nós sabemos disso. Então você precisa ter a certeza de uma escolha. Por mais que doa e por mais que eu morra por dentro se isso acontecer, eu preciso saber se você quer ficar com ele, e talvez juntos possam ter Beth de volta.
O sorriso da morena foi triste e quebrado, mas havia um amor tão esplendoroso que Quinn sentiu todo o seu interior se aquecer. Ela sabia, com força e convicção, que não se sentiria assim mesmo se tivesse Beth novamente nos seus braços, porque ela era apenas uma metade sem Rachel, da mesma forma que era sem a sua filha. As chances de recuperar o bebê eram quase nulas. No final, poderia acabar ficando sem as duas, e Quinn nunca suportaria a dor de não ter Rachel.
— Eu quero ficar com você. Pelo resto da minha vida. — A loira afirmou, deixando algumas lágrimas caírem.
— Nós podemos tentar tê-la de volta, ou então você fazer parte da vida dela em breve, mas agora você precisa focar um pouco na universidade de direito. — Rachel aconselhou amorosa.
Quinn assentiu e apoiou a cabeça no ombro da namorada, sentindo o afago nos seus cabelos. No dia seguinte, todo o seu tempo foi ocupado com planos sobre o seu futuro com Rachel, o que não incluía Noah, que foi embora depois de esperá-la por quase três horas.
Não havia um futuro para eles, e mesmo se recusando a acreditar, o rapaz sabia disso.
Agora, ali, olhando para ele, Quinn reparou o quanto havia mudado. As madeixas sempre em formato de moicano foram transformadas em um corte de cabelo bem dividido e bem penteado, e as vestimentas sempre despojadas trocadas por um uniforme, que ela reconheceu ser da Força Aérea dos Estados Unidos. Aquilo a surpreendeu e estaria feliz por ele se não estivesse tão irritada pelo modo como ele demandou que Beth não poderia vê-la.
— Quinn. — Ele disse, um sorriso crescendo no canto da sua boca enquanto a analisava minuciosamente. Estava linda. Ela sempre era linda. Os traços fortes do seu rosto pareceram se intensificar com o passar dos anos. — Eu sabia que você viria até aqui.
— Eu gostaria de falar com a Shelby, por favor. — Ela foi polida, tentando se manter calma.
— Ela não está, mas você pode entrar e esperá-la. — Ele ofereceu, se afastando da porta.
Quinn hesitou por alguns segundos. Poderia voltar outra hora, mas ao mesmo tempo em que cogitava isso, também queria ficar e conversar com ele, porque desejava saber quais eram as suas reais intenções bloqueando o seu contato com Beth.
Por fim, ela entrou.
Seus olhos foram atraídos como um ímã na direção dos porta-retratos nas paredes. Na maioria, Beth nos seus aniversários, na escola, ou até mesmo no jardim da sua casa. Eram fotografias bonitas, que captaram com realidade a felicidade da garotinha. Foi impossível não sorrir com aquilo. Era como se visse a si mesma aos nove anos brincando na mansão Fabray.
— Ela se parece com você. — A voz de Noah trouxe-a de volta para a realidade.
— Eu sei. — A loira respondeu. — Ela é minha filha, afinal de contas. — O encarou.
— Nossa filha. — Ele a corrigiu. — Mas parece que você não se lembra disso.
— Eu me lembro de tudo, inclusive o idiota que você foi durante a minha gravidez, então mudou drasticamente quando Beth nasceu, mas foi tarde demais.
— Você não me deu uma chance. — Ele replicou. — Você nem sequer tentou ficar comigo para que eu provasse que havia mudado. Você iniciou o seu namoro estúpido com Sam e logo depois o trocou pela Rachel. Eu achei que também seria passageiro, mas vocês se casaram.
— Eu sempre namorei garotos. Talvez porque os meus pais fossem religiosos e eu achei que seria certo seguir os passos deles ou talvez porque tive medo, mas eu sou lésbica, Noah. Eu nunca me senti verdadeiramente atraída e nem amei alguém que namorei além de Rachel. Sempre me senti incompleta, namorando várias vezes para tentar obter algum conforto, mas a raiz da questão era muito maior. — Ela suspirou. — E eu o convidei para o meu casamento em uma tentativa de me aproximar de você, porque mesmo com todos os seus erros, você fez parte da minha vida em algo que nunca será apagado.
— Eu não fui porque não queria vê-la se casando com alguém que não a faria feliz, e ela não fez, não é? Rachel a deixou, da mesma forma que você fez comigo. Eu senti um prazer enorme em ver as pessoas de Lima comentando sobre isso quando estive visitando os meus pais há dois anos. Rachel a deixou, como se você não fosse nada para ela. — Ele cuspiu as palavras.
Quinn apertou as mãos em punhos, tão forte que os nós dos seus dedos doíam, mas ela não se importava, porque todo o seu sangue estava se concentrando no seu rosto, que ganhava uma coloração avermelhada a cada segundo. Estava ali com a intenção de dialogar com Shelby de mãe para mãe, mas Noah a estava fazendo ficar fora de controle com a sua voz debochada e o seu ar superior.
— Você não tem o direito de falar da minha vida desse jeito. Eu posso ter sido deixada de lado, mas ainda assim fui amada com uma intensidade que você nunca vai entender, porque ninguém nunca o amou dessa forma. — Quinn rebateu. — Você mudou por fora? Modificou o corte de cabelo e conseguiu uma boa profissão? Ótimo. Mas você ainda tem o mesmo caráter. A merda dos genes do seu pai, não é? Você sempre gostou de justificar o idiota que você era com essa explicação patética, mas agora isso não funciona mais, porque os anos vão passar e você vai continuar agindo como um imbecil.
— Você se acha boa demais, não é? Você acha que é uma pessoa gentil agora? Todos os apelidos que você direcionou para os alunos do McKinley, as slushies, os olhares. Aquilo também era o seu medo de ser lésbica ou era somente o seu caráter deplorável? No final de tudo, nós somos iguais, Quinn. — Noah também estava com raiva. Ele não queria sentir tanta cólera, mas Quinn o desestabilizava, assim como o passado deles e a ideia de um futuro que poderia ter acontecido. Tudo aquilo o deixava irado.
— Não ouse abrir a sua boca para falar que eu sou como você. Eu mudei muito. Deixei de ser aquela garota egoísta e vazia que tentava se apegar à ideia de ser extremamente popular para suprir lacunas. — Quinn ergueu o tom de voz. — Eu mudei, mas você não. Você sempre vai ser o garoto que me deixou bêbada para transar comigo sem camisinha.
— Eu pedi perdão por aquilo! — Noah também falava alto.
— E você acha que perdão apaga a dor de ser mãe aos dezesseis anos e ter de entregar a própria filha para outra mulher?
— E o que você quer aqui agora? — Ele diminuiu o tom.
Quinn respirou fundo, se reclinando no corrimão da escada. Ainda estavam no hall.
— Eu quero vê-la semanalmente.
— Não. — Noah balançou a cabeça em negação. — Você não a quis quando eu ofereci um futuro juntos no hospital e não a quis quando ofereci novamente nas arquibancadas do McKinley sete anos atrás, então não pode me pedir isso. — Ele soltou o nó da gravata e abriu os dois primeiros botões da camisa social.
— Eu não a procurei e admito o meu erro, mas eu estava cuidando dos meus problemas antes de tentar entrar na vida dela com um turbilhão de sensações confusas. — Quinn retorquiu. — Shelby foi para Los Angeles, e eu tive de cuidar da Audrey sozinha. Tudo estava difícil e desmoronado na minha vida, então eu não pude tentar uma aproximação. Mas agora eu estou aqui e só quero fazer parte da vida dela, nem que seja o mínimo possível, porque eu a amo e nunca a esqueci. — Foi extremamente sincera. — Pare de colocar o nosso passado na frente dessa situação. Eu não o amava. Eu amava a Rachel.
— Uma noite. — Noah respondeu depois de alguns segundos em silêncio.
— O quê?
— Eu quero uma noite com você. Se me der isso, deixarei que você e Beth convivam juntas. — Ele determinou.
— Você ficou maluco. — Quinn ficou atônita, parecendo a mesma garota que Noah deixou atordoada no McKinley anos antes.
— Eu nunca tirei você da minha cabeça, e esse é o único pedido que eu tenho. É a única condição para que Beth possa fazer parte da sua vida. É apenas uma noite. Eu não quero mais ficar com você, embora ainda sinta algo. Shelby é uma boa mulher e não tem uma filha cega que precisa de cuidados vinte e quatro horas por dia. É um completo estorvo.
O torpor de Quinn se foi rapidamente quando a última frase saiu por entre os lábios dele e a cólera pareceu ganhar um tamanho considerável, fazendo com que todo o seu corpo esquentasse e fizesse o seu rosto ficar vermelho.
Dessa vez, ela não apertou as mãos para evitar chocá-las contra Noah e avançou sobre ele, desferindo um soco certeiro na sua mandíbula.
A força usada foi tão grande que ele cambaleou para trás, mas Quinn não parou, segurando a cabeça dele logo em seguida. Ela acertou o joelho no seu rosto, causando em Noah um alto gemido de dor e deixando-o cair no chão. Antes que ele pudesse se erguer, o seu pescoço foi enlaçado pelo braço da detetive, que o imobilizou.
Ambos respiravam com dificuldade, mas a força aplicada por Quinn não diminuía. Tanto pela sua raiva quanto pelos treinamentos que havia recebido.
— Você se acha melhor do que eu? — Ela indagou. A boca estava próxima da orelha dele. — Se acha melhor e talvez tenha passado pela sua cabeça que isso o proporciona o direito de falar assim comigo ou da minha filha? Como se eu fosse alguém que não merece respeito? Que pode ter a sexualidade anulada por um babaca machista? Eu posso quebrar o seu ombro agora e prendê-lo ao alegar o seu desacato. Meses na cadeia, e quem sabe eu faça ajustes para que a sua pena ganhe um tempo maior. O que acha, Noah? Acha legal ficar preso? Eu posso ser o seu pior pesadelo. E se você ousar tocar no nome de Audrey novamente, eu quebro mais do que apenas o seu ombro.
— Quinn... — A voz de Noah saiu esganiçada. Ele estava conseguindo respirar cada vez menos enquanto sentia o seu nariz latejar.
— Eu juro por Deus que se você ofender quem eu amo novamente, vai pagar as consequências. — Ela o soltou depois disso, empurrando-o contra o chão e se afastando.
Ele tossiu algumas vezes, massageando o pescoço vermelho ao mesmo tempo em que Shelby entrava na casa, se assustando e largando as compras no chão ao presenciar a cena de Noah caído no chão e Quinn respirando pesadamente encostada na parede.
— O que houve aqui? — Shelby se ajoelhou ao lado do noivo, ajudando-o a se levantar.
— Nós discutimos. — Quinn foi lacônica.
— Discutiram? Ele está sangrando! — A morena moveu os seus olhos arregalados do nariz inchado de Noah para a outra mulher.
— Poderia ter sido pior. Para ele.
— É assim que você pretender provar que é alguém adequada para estar ao lado de Beth? — Shelby se irritou. — Você quebrou o nariz dele! — Quase gritou.
— Não está quebrado. — A loira respondeu. — E você não faz ideia do que foi dito aqui, Shelby. Eu não vou repassar tudo, porque você não acreditaria, mas a única certeza que eu tenho no momento é que sou uma boa mulher e que amo a Beth da mesma forma que amo a Audrey. Eu arrisco a minha vida todos os dias para proteger pessoas, então não ouse dizer que não sou alguém adequada. — Caminhou até ela. — Noah e eu brigamos porque o nosso passado turbulento entrou em jogo. Eu vim aqui para conversar com você, e não queremos que tenha outra briga aqui, não é? — Encarou o homem.
Noah assentiu lentamente, temendo internamente que Quinn pudesse fazer algo contra ele, porque a conhecia o suficiente para saber que ela cumpria o que dizia.
— Eu acho que a Quinn pode se aproximar de Beth. — Ele disse, fitando a noiva.
— Ela o machucou e você ainda quer que Beth conviva com ela? — Shelby se surpreendeu.
— Nós exageramos. Foi minha culpa também. — Ele afirmou, passando o braço ao redor dos ombros dela. — Vamos conversar com calma e então falaremos com Beth sobre isso.
Shelby demorou um pouco para responder.
— Tudo vai ser feito com calma. Ter Quinn na vida da Beth pode ser uma grande adaptação.
Noah concordou e a beijou delicadamente nos lábios, como se não tivesse proposto uma noite de sexo com Quinn antes da noiva chegar.
Ao ver aquela cena, a detetive contorceu o rosto em uma careta, mas não disse nada. Aquilo não era relevante para ela, e Shelby teria de conhecer o verdadeiro caráter de Noah com os seus próprios olhos.
Com a certeza de que poderia, aos poucos, entrar na vida de Beth, Quinn saiu da casa da Corcoran, sentindo que um dos seus problemas estava resolvido e sentindo o olhar de Noah nas suas costas.
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