Almas Afins

11 Capítulo 11 - Redescobrindo sensações...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

Quinn acordou sentindo um peso na lateral do seu corpo e ao piscar algumas vezes na tentativa de focar a visão, seus olhos migraram automaticamente na direção de Audrey, que dormia com o dedo na boca enquanto mantinha a cabeça apoiada entre os seus seios.

Ela mal se recordava de ter ressonado. A sua última lembrança era de Judy e Frannie sentadas na borda da sua cama enquanto conversavam casualmente, incluindo a pequenina no diálogo. Elas ainda tinham muito o que falar a respeito da volta de Rachel, mas não podiam discutir na frente da garotinha. No entanto, isso não impediu que Audrey mencionasse a judia, afirmando que a amiga da sua mamãe era legal.

Aquele comentário inocente foi o suficiente para que a matriarca dos Fabray lançasse um olhar cheio de significados na direção da sua caçula, enquanto Frannie tentava mudar de assunto. Quinn sabia que a mãe não estava contente, mas sabia também que ela não diria nada enquanto não estivesse totalmente bem. E talvez por esse motivo tenha dormido sem perceber.

Ela aproveitou aquele momento de paz momentâneo para analisar a sua filha. Toda a parte boa e feliz da sua vida estava concentrada nela. Quinn não pôde cuidar de Beth e nem ser uma boa mãe para ela, mas estava sendo com Audrey. Ela sempre achou que era alguém incapaz de criar uma criança, porém estava ali, sendo praticamente uma mãe solteira e vivendo todos os momentos especiais ao lado da sua garotinha especial.

A loira sorriu e beijou o topo da cabeça cheirosa.

— A mamãe ama muito você. Mais do que qualquer coisa no mundo. — Sussurrou, fazendo a filha se remexer levemente.

Mesmo sentindo o braço doer, Quinn a aconchegou no colchão, espalhando alguns travesseiros ao redor para o caso dela decidir rolar pela cama, se movendo para sair do conforto das cobertas logo em seguida. Não podia ficar muito tempo deitada. Havia tarefas para administrar.

Um gemido de dor escapou dos seus lábios, mas ela conseguiu se erguer lentamente, só assim percebendo o quanto seu corpo pesava, provavelmente pelo efeito dos antibióticos que tomara. Aquilo foi rapidamente ignorado quando a sua atenção foi direcionada para o papel na sua mesa de cabeceira.

''Eu quero que fique ciente do que está acontecendo, então precisa saber que mamãe e eu conversamos com a Rachel hoje mais cedo, mas não se preocupe com isso, não enchemos o rosto dela de tapas como Santana fez. Mamãe queria ficar, mas o papai já havia ligado várias vezes, então apenas terminamos o jantar e fomos embora. Provavelmente eles ligarão pedindo para que você vá almoçar na mansão esse fim de semana. Esteja preparada e não esqueça dos remédios. Eu amo você.

Não há de quê.

Frannie.''

Quinn suspirou, sentindo as têmporas latejarem só com aquela informação deixada pela irmã. Ambas haviam falado com Rachel, mas sobre o que conversaram? O que Judy havia dito? Ela não queria parecer curiosa, mas estava, e sabia que o convite para o almoço aconteceria desde que viu o olhar da sua mãe, mas não estava preparada para aquilo. Não diante da bagunça que ainda se encontrava. Tanto por dentro quanto por fora. Talvez pudesse adiá-lo.

Ela deu outra olhada em Audrey antes de caminhar lentamente para fora do quarto. Precisava dar banho nela, depois pôr a mesa do jantar e ainda analisar alguns papéis pendentes da delegacia. A constatação dos afazeres a fez suspirar. Odiava estar machucada. Se sentia fraca e inútil. Queria estar a todo vapor pensando no caso do Homem Sem Coração. O nome ainda era ridículo, mas era o único que tinham.

— Oh, meu Deus!

Quinn ainda pensava no que tinha de fazer quando se deparou com a esposa ao entrar no quarto da filha para que pudesse pegar algumas roupas e trocá-la após o banho.

Rachel soltou um grito assustada, pondo a mão sobre o peito e tropeçando nos próprios pés, indo de encontro ao chão revestido pelo carpete.

A cena seria cômica se ela não estivesse completamente nua, e Quinn só se deu conta que a encarava demais quando sentiu as próprias bochechas queimarem pelo rubor forte que tomou conta do seu rosto.

Ela rapidamente deu meia-volta, fitando a porta branca de madeira.

— Você está bem? — Inquiriu sem olhá-la.

Rachel tomou fôlego e levantou rapidamente.

— Estou. O carpete é bem confortável.

— O que você está fazendo aqui? — Quinn continuava constrangida.

— Eu fui no andar superior tomar banho, mas não encontrei toalhas limpas, então eu vim até aqui e achei algumas no banheiro de Audrey, mas Judy e Frannie estavam andando pela casa. Eu não quis voltar para lá. Decidi tomar banho aqui. — Rachel falou tudo em um fôlego só. Agora ela estava envergonhada.

— Você estava com medo delas?

— Não é isso, é só que... eu não consigo olhar para elas sem me sentir mal.

Quinn não respondeu, mas pôde ouvir alguns passos antes de sentir duas mãos segurando a sua cintura e a virando.

Elas se mantiveram em silêncio. Os olhos verdes com detalhes em avelã presos nos castanhos. Havia mágoa, raiva, arrependimento, vergonha e amor. Rachel nunca conseguiu evitar se dilacerar quando Quinn Fabray sucumbia. As poucas vezes em que isso aconteceu a deixaram completamente destruída.

Quinn sabia que a judia choraria no momento em que os lábios dela tremeram levemente, e não demorou mais do que trinta segundos para que isso acontecesse. Ela só se surpreendeu quando sentiu o abraço repentino.

— Eu fiquei tão preocupada. — Rachel fungou, apoiando a cabeça no ombro da esposa. — Quando Brittany disse que você levou um tiro, eu entrei em pânico. Eu não consigo imaginar uma vida onde você não faça parte dela. Onde você não esteja presente.

Quinn novamente não respondeu. Ela queria se afastar, porque o formigamento que a assolava ao ser tocada por Rachel estava se tornando mais intenso a cada segundo, mas a esposa parecia tão desolada que a detetive se permitiu apoiar as mãos nas costas parcialmente nuas dela, sentindo a pele quente e macia sob os seus dedos. Isso fez um pequeno choque percorrer o seu corpo, e ela quebrou o afeto lentamente.

— Eu estou bem. Isso já aconteceu antes. Não precisa chorar.

— É sei. Brittany também disse isso. Mas eu fiquei com medo de perder você. — A mais baixa secou o rosto.

— E você não ficou com medo enquanto estava em Nova York? Você sabia que eu seria detetive. Eu já fui baleada de verdade uma vez, mas você não estava aqui. Eu poderia estar morta agora.

Ela não queria voltar naquele mesmo assunto e nem parecer uma pessoa amargurada, mas ela era. Era uma mulher amargurada, porque Rachel só pensava no agora e não no tempo em que esteve fora da sua vida. Muitas coisas piores poderiam ter acontecido.

— Eu fiquei com medo, Quinn, mas eu não podia voltar até concluir o contrato.

— Você já disse isso. — A detetive foi cortante.

— E eu vou dizer quantas vezes forem necessárias. — Rachel retrucou. — Eu queria ter voltado. Eu juro por Deus que voltaria se pudesse, mas eles tirariam tudo de mim.

— Isso não justifica nada.

— Pode não justificar nada agora, mas foi o suficiente para me fazer sentir medo de perder mais do que eu já tinha perdido.

A morena tinha cessado o choro, mas ainda possuía os olhos marejados e criou coragem para se aproximar e segurar o rosto alvo entre as mãos.

Ela analisou todo o rosto belo e bem desenhado. Havia um corte no supercílio, que estava ocultado por um curativo, e hematomas roxos que iam da têmpora até a bochecha. O seu coração errou algumas batidas ao imaginar alguém batendo em Quinn.

— Eu sinto tanto sua falta. — Rachel diminuiu o tom de voz. — Sinto falta da sua pele, do seu cheiro, da sua voz murmurando incontáveis vezes o quanto me amava depois de fazermos amor por várias horas seguidas. Eu posso sentir cada reação no meu corpo só em confessar isso para você.

— Rachel... — Quinn umedeceu os lábios, notando então o quanto eles ficaram secos de repente. Ela segurou nos antebraços da atriz, tentando quebrar a aproximação, mas a judia forçou ainda mais o contato.

— Eu sinto falta, principalmente da sua boca, dos seus toques. — Rachel continuou.

A loira não sabia dizer no momento quando foi a última vez em que sentiu se arrepiar pelas palavras da esposa, mas havia muito tempo. E agora estava sentindo as mesmas sensações e se recriminando por isso. Era possível ver o seu interior se revirando pelo contato tão próximo e acima de tudo, a luz vermelha que piscava no seu cérebro, gritando para que saísse daquele quarto imediatamente.

Mas ela ignorou.

Ignorou como ignora o som desagradável do seu despertador em um domingo, e Rachel aproveitou esse momento para grudar as bocas em um beijo faminto.

Dois anos. Dois malditos anos que Quinn não sentia os lábios cheios nos seus. Aquilo a fez ter certeza de que Rachel ainda podia fraquejá-la, porque se permitiu ser beijada e correspondeu, movendo a sua boca sobre a dela. Não havia delicadeza no ato. Tudo era desesperado e desleixado, e o desejo eclodiu, explodindo com avidez na sua corrente sanguínea.

Mas Rachel queria mais.

Ela puxou a toalha pra fora do seu corpo e segurou as mãos da detetive, que ainda estavam imóveis, colocando-as sobre os próprios seios e apertando-os com força.

A loira reprimiu um gemido, sentindo os mamilos intumescidos da atriz contra a palma das suas mãos e conseguindo discernir que ela estava nua na sua frente depois de muito tempo. Essa concepção fazia o seu centro se agitar descontroladamente, expelindo o seu líquido natural diretamente no tecido da calcinha que começava a incomodá-la.

Aquela era a primeira vez que a sua peça íntima se encharcava com tanta facilidade depois de incontáveis semanas, e Quinn sabia que havia um tesão enorme reprimido dentro de si, fazendo par com o de Rachel, que causava nela gemidos sôfregos sempre que os lábios se chupavam e as línguas se entrelaçavam.

Naquela altura, a loira já não prestava mais atenção nos avisos que o seu cérebro insistia em direcioná-la, e quando o ar faltou para ambas, ela segurou com força a cintura da esposa, fazendo-a ter impulso necessário para enlaçar as pernas ao redor da sua cintura.

A judia soltou um gemido longo e manhoso no momento em que sentiu o seu corpo ser apertado contra a porta do cômodo, enterrando as mãos nos cabelos loiros para tentar mostrar o quanto se sentia molhada. Aquilo não foi o suficiente. Seu clitóris já estava inchado, e ela começou a se esfregar contra o abdômen da detetive na tentativa de aliviar a sensação da sua vagina implorando por contato.

— Quinn... — Rachel gemeu novamente ao sentir os lábios vermelhos da mais alta na carne quente do seu pescoço.

Quinn sentia todo o ambiente quente, assim como o seu corpo, que parecia queimar consideravelmente. Ela podia jurar que as suas roupas estavam pegando fogo e isso fez com que abrisse o próprio short.

Mamãe?

A loira parou o que fazia ao ouvir o chamado baixo, e Rachel não agiu diferente. Tudo voltou ao normal em poucos segundos. O desejo que as acometeu se transformando em uma insatisfação sexual, que acompanhada do tempo em que permaneceram sem contato íntimo, fazia com que a frustração fosse ainda pior.

A dor pelos machucados retornou gradativamente, fazendo com que Quinn colocasse Rachel no chão e fechasse o botão do seu short sem dizer uma palavra antes de sair do cômodo ainda com a respiração errática.

Audrey estava na porta do seu quarto, bocejando constantemente.

— Oi, meu amor. — Quinn se aproximou para pegá-la nos braços com cuidado, ignorando o latejar das suas costelas.

com fome, mamãe. — A pequenina deitou a cabeça no ombro da mais velha.

— Vamos tomar banho e então comemos, tudo bem?

Audrey assentiu e se deixou ser levada pela mãe para dentro do quarto dela outra vez.

O banho de ambas não demorou muito. Era normal para Quinn se lavar com a filha quando não utilizava a banheira. Isso economizava bastante tempo. Uma hora depois, estavam vestidas, e a loira penteava calmamente os cabelos escuros da garotinha, que brincava com os próprios dedos.

— Mamãe...

— Sim?

— Promete que você vai sempre amar eu?

— Me amar, meu amor. — Quinn corrigiu. — O certo é me amar. — Sorriu, deixando a escova de lado e puxando o a pequenina para perto.

Audrey assentiu.

— Promete que você vai sempre me amar?

— Eu prometo. Eu vou amar você para sempre e sempre e sempre. — A mãe plantou um beijo na testa da garotinha. — Agora eu quero saber o porquê dessa pergunta.

— É que a vovó Judy perguntou se eu ia gostar de ter outra mamãe.

— E você gostaria de ter outra mamãe? — Quinn ficou curiosa.

— Não. — Audrey foi firme. — Eu não quero perder outra mamãe.

Quinn sentiu o peito apertar. Se Audrey soubesse que a sua outra mãe estava viva e que era ninguém menos que Rachel, qual seria a sua reação? Ela quase cogitou a possibilidade de contar a verdade, mas e se a morena fosse embora novamente? E se cansasse de brincar de família e decidisse ir tentar a sorte outra vez em Nova York?

A loira ficaria desolada como ficou há dois anos, mas a dor seria apenas sua. Ela não faria a filha sentir uma perda tão dolorosa assim. Uma coisa é saber que a mãe morreu sem sequer ter conhecido-a e outra totalmente diferente é saber que a mãe era Rachel e que ela escolheu a fama ao invés da sua família. Se ela fosse embora novamente, aquela dor marcaria Audrey pelo resto da vida.

Quinn não deixaria a sua garotinha sofrer.

Maldita seja Rachel, ela a xingou internamente, lembrando do que aconteceu há mais de uma hora. Como ainda podia ser tão fraca diante dela? Talvez isso fosse apenas desejo. A morena era bela e possuía um corpo com curvas deliciosas.

Ao mesmo tempo em que Quinn tentava se convencer disso, a morena terminava de se vestir no andar superior. Havia demorado um pouco mais no banho, porque se tocou enquanto relembrava o beijo que trocou com a esposa e a mão dela no seu corpo. Quase podia sentir o toque firme e erótico e simplesmente não conseguiu evitar. Agora, descia para a cozinha.

Ainda precisavam conversar sobre inúmeras questões, mas naquele instante Rachel apenas visava colocar a mesa do jantar e preparar algo para comer. Com certeza Judy e Frannie não cozinharam algo vegano.

Ao chegar no cômodo, ela sobressaltou levemente ao olhar para a janela acima da pia, caminhando lentamente até parar perto do vidro fechado.

— Um corvo? — Indagou para si mesma.

A ave escura quase se camuflava com a noite lá fora, mas os seus olhos castanhos quase dourados brilhosos podiam ser vistos e causaram um arrepio na morena. O mesmo arrepio que a assolou na casa dos pais.

Ela sentiu frio de repente e passou as mãos nos braços, tentando dissipar a temperatura baixa.

O corvo não permaneceu muito tempo parado e logo se foi.

Rachel balançou a cabeça, tentando a todo custo fazer o mal-estar sumir.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me deem os feedbacks, favoritem e comentem suas opiniões. É muito importante. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron