Almas Afins
9 Capítulo 9 - Avalanche de acontecimentos...
Notas iniciais
Já passava das sete da noite quando Quinn estacionou o New Beetle vermelho na garagem. O carro que mantinha consigo desde o primeiro ano do ensino médio já não era mais o mesmo e definitivamente precisava de outro, mas não pensaria nisso agora. Estava exausta. Havia passado o dia inteiro acompanhando a sua professora nos tribunais e precisava apenas de um banho e da companhia de Rachel e Audrey.
Audrey.
Quinn sorriu. O sorriso largo e amoroso que sempre aparecia quando pensava na filha. Ao sair do veículo, ela não esqueceu de pegar a embalagem da loja infantil. Adorava comprar roupas para o bebê, e Rachel a recriminava por isso, porque a filha estava crescendo rapidamente e não demoraria para que aquele tamanho não servisse mais no corpinho gorducho. Todavia, Quinn retrucava, alegando que não conseguia se segurar, e estava sorrindo enquanto se preparava mentalmente para mais uma resposta.
No entanto, o seu sorriso morreu gradativamente ao entrar em casa.
Diferente dos outros dias, onde normalmente a Tevê estaria ligada, o silêncio estava presente no local, mas não foi isso que a fez estancar na entrada da sala de estar e sim a pessoa que estava parado ao lado de uma mala grande.
Rachel a encarava como se estivesse ansiosa para a sua chegada, mas não era o tipo de anseio benevolente. Era um anseio carregado de angústia. Isso fez Quinn sentir um frio incômodo na barriga.
— Rachel? — Ela esperava que a judia iniciasse alguma conversa, mas ela não o fez, e Quinn então tomou o primeiro passo. — O que é isso? — Pôs a mochila e a embalagem no sofá.
— Quinn... — A mais baixa umedeceu os lábios. — A Broadway anunciou que está a procura de uma Fanny Brice. Os testes começaram ontem. — Foi direta.
— E você vai para Nova York tentar conseguir esse papel?
— Eu preciso disso, Quinn. — Rachel gesticulou nervosa, embora o diálogo houvesse começado há pouco menos de um minuto. — Você sabe que o meu sonho sempre foi estar lá, atuando.
— Eu sei, Rachel. E eu prometi que iríamos para Nova York assim que eu me formasse na universidade. — Quinn retorquiu.
— Eu não posso perder essa oportunidade, Quinn. Funny Girl é o meu musical favorito e conseguir esse papel seria como entrar no paraíso.
Foi doloroso ver o brilho ambicioso que atravessou os olhos castanhos. Mais doloroso do que a situação, que não precisou mais do que três sentenças para Quinn saber onde iria parar.
— Não faça isso, Rachel. — A estudante de direito pediu, lutando contra a onda de lágrimas que desejavam irromper nos seus olhos. — Não faça isso conosco e com Audrey. Você não pode abandonar essa família. A Broadway pode esperar. — Tentou ser coerente, embora seu coração pulsasse com força.
— Eu esperei por muito tempo, Quinn. Eu tentei superar a Broadway, mas não consegui. Esse é meu sonho desde que eu estava na barriga de Shelby.
A certeza com a qual Rachel falava feria a loira. A feria mais do que a falta de interesse de Puck por Beth durante a sua gravidez, ou quando viu Rachel beijando Finn, ainda sem conhecimento sobre os sentimentos que nutria por ela. A feria porque estava sendo abandonada. Estava sendo colocada em segundo lugar pela pessoa que amava. O seu primeiro amor de verdade. O amor que a fez acreditar que algo poderia ser para sempre.
Mas não era.
Sem conseguir mais conter o nó na garganta, Quinn deixou que o choro saísse, xingando a si mesma mentalmente por se permitir fraquejar na frente de Rachel. Se sentia inútil.
A morena deu um passo à frente, mas a loira recuou.
— Não, não, não... — Quinn sussurrou, passando as mãos pelo rosto na tentativa de enxugar as lágrimas torrenciais que escorriam como uma torneira quebrada. — Não faça isso, Rachel. Eu sei que vai demorar, mas espere por mim. Espere por mim e nós iremos para Nova York, então você poderá atuar em todas as peças que ainda virão.
Quinn não queria implorar, porque não era algo que fazia. Ela não implorou nem quando Russel a expulsou de casa durante um curto período de tempo. Ela simplesmente arrumou as suas malas e saiu da mansão Fabray pronta para encarar um mundo sozinha e com um bebê na barriga. Mas ali, naquela situação, ela imploraria. Imploraria porque Rachel Berry era o amor da sua vida. Ela não podia perder o seu coração. Não outra vez.
A judia chorava, fazendo par com a esposa, mas ainda assim manteve a certeza. A sua decisão final cortou Quinn como uma navalha afiada, fazendo um gosto amargo subir pela sua garganta.
— Eu te amo. Eu te amo muito, Quinn. Eu amo você e amo a Audrey, mas eu não posso ficar aqui. Eu sinto como se a cada dia os meus sonhos frustrados me puxassem para um precipício.
Quinn deixou o pranto sair novamente com isso. Forte e intenso por vários minutos, até que ela olhou o seu dedo anelar esquerdo e puxou a aliança em um gesto de ímpeto, jogando-a no chão.
— Então eu acho que não preciso mais disso. Vá, Rachel. Eu vou cuidar da Audrey com todo o meu amor e vou ser a mãe que nunca fui para Beth. E você... eu espero que consiga realizar os seus sonhos e sinta a sua almejada felicidade.
Ela não conseguiu falar mais e antes que pudesse literalmente desabar no chão da sala de estar, deu meia-volta, subindo a escada e se trancando no quarto. Suas pernas tremiam, seu coração doía e ela podia senti-lo quebrado dentro de si, não sendo capaz nem de chegar até a própria cama e escorregando até sentar no chão. Queria poder ter dito mais, porém não o fez, porque sabia, bem no fundo, que nada do que dissesse adiantaria. E deveria, no fim das contas, deixar que a morena trilhasse o próprio caminho. Talvez ela se arrependesse e voltasse semanas depois. Elas conversariam e dariam um jeito naquela situação. Chega a ser cômico como alguns relacionamentos demoram para acontecer e acabam com poucas frases. Quinn sempre temeu que isso acontecesse com o seu casamento, e como mais um castigo do universo, foi exatamente esse o seu destino.
Mas por enquanto, ela apenas deixou o seu choro sair livremente, ouvindo os chamados de Rachel no andar inferior.
— Quinn...
— Quinn...
— Quinn!
A detetive sobressaltou. A respiração errática e os olhos arregalados. A memória tão vívida na sua mente que ela podia sentir as sensações terríveis daquele dia no seu peito depois de tanto tempo tentando não reviver o acontecimento fatídico.
Uma mão tocou o seu ombro e a empurrou delicadamente até que deitasse outra vez. Fitando o local, ela percebeu ser o interior da ambulância, e seus olhos pousaram em Santana, que a encarava com a expressão preocupada.
— Eu estou bem. — A voz estava rouca em razão da garganta seca. — Não se preocupe.
— Você desmaiou por quase quinze minutos. Não parece estar bem. — A latina retrucou.
— Mas eu estou. Só devo ter ficado com sono e apaguei. — Quinn deu de ombros, grunhindo de dor pela fisgada que sentiu no braço.
— Fique quieta, senhora Fabray. O seu braço precisa de pontos. — O enfermeiro, que se mantinha analisando o soro, bronqueou suavemente.
Quinn assentiu e se permitiu relaxar, tentando espantar os flashes de lembranças que atravessavam a sua cabeça.
— O que estava sonhando? Você parecia ter visto um fantasma quando despertou. — Santana indagou curiosa.
— Nada.
— Você sabe que não pode mentir para mim. Anda, Q, me conta.
Quinn suspirou.
— Eu passei esses dois anos em uma batalha árdua para não relembrar o dia em que Rachel abandonou a nossa família e basta eu levar um tiro para que tudo venha com força na minha mente.
— Você sabe que isso não é pelo tiro. Você não passou por essas lembranças em casos piores. Isso é porque ela voltou. A presença dela causa uma montanha-russa de sensações em você. — Santana retorquiu.
— Desde quando você ficou tão boa em entender os sentimentos das pessoas? — Quinn conseguiu sorrir.
— Eu só estou tentando ser gentil porque você está machucada.
— Ou porque está preocupada comigo.
— Quer levar outro tiro?
— Não.
— Ótimo. — A latina se remexeu no banco lateral do veículo. — Quer falar sobre isso?
— Não. — Quinn negou com a cabeça lentamente. — Eu só quero voltar a dormir. Meu rosto está doendo.
— Então durma e fique bem para que possamos discutir sobre o assassinato maluco do Homem Sem Coração.
— Homem Sem Coração?
— É o nome que eu dei para o caso.
— É ridículo.
— Vá para o inferno.
Quinn soltou uma risadinha, sem se importar momentaneamente com a face dolorida, e buscou a mão de Santana, segurando-a firmemente.
— Obrigada por estar aqui comigo.
A latina tentou não sorrir, mas foi impossível, e Quinn viu os lábios grossos se curvarem enquanto fechava os olhos, deixando o sono tomar conta do seu corpo depois de ouvir a resposta que a fez se sentir bem.
— Eu sempre estarei aqui, Q.
...
Rachel saiu da casa dos pais sob os protestos deles. Hiram e Leroy não queriam deixá-la ir após a queda de pressão que tivera, mas ela era tão insistente quanto eles e se despediu com uma série de abraços fortes.
A casa dos homens Berry não era longe da escola primária Shawnee, e a judia sabia que Audrey estudava ali por ser a única instituição de ensino que garantia estudo para crianças com algum tipo de deficiência.
Estava quase no horário da saída, então ela permaneceu ali, esperando as portas se abrirem até que pudesse ver a sua filha e quem sabe voltar para casa com ela e Quinn. Entretanto, depois de alguns minutos, a morena se perguntou o porquê de ainda não ter visto o carro da esposa no mesmo instante em que um veículo cinza estacionou e Brittany apareceu no seu campo de visão.
A professora de dança se deteve por poucos segundos, mas se aproximou calmamente. Rachel sentia o coração bater mais rapidamente à medida em que ela chegava mais perto.
— Oi, Rachel. — Brittany cumprimentou de forma educada.
— Oi, Britt. — A judia saudou, mas se repreendeu mentalmente. — Brittany. Me desculpe. — Se corrigiu.
— Tudo bem. Algumas coisas nunca mudam, afinal.
As duas não falaram nada depois disso, mas Rachel não conseguia se manter calada diante daquele silêncio constrangedor.
— Você me odeia, não é? Eu sei que é uma pergunta idiota, mas eu preciso saber.
— Esse não é o melhor lugar para falarmos disso. — A Pierce-Lopez tentou desconversar.
— Mas é importante.
— E por que é importante? Não é com os meus sentimentos que você deve se importar e sim com os da Q e da Aud.
— Eu me importo com os sentimentos delas. Eu me importo muito.
— Não parece, Rachel. Você foi embora sem se importar. — Brittany foi cortante.
A judia se calou. Ela não tinha uma resposta para isso, porque era a mais pura verdade. Era até hipocrisia dizer que se importava com a esposa e a filha depois de ter abandonado-as pela ambição, mas tinha se arrependido. Ela se importava tanto que chegava a ser agonizante. Era um paradoxo tão turbulento.
Brittany suspirou.
— Eu não odeio você, Rachel. Eu tenho pena de você. — Ela começou. A voz mais calma. — Você jogou fora uma família e perdeu momentos únicos da sua filha e isso é digno de pena, porque esses momentos jamais voltarão. E no final, você não conquistou nada do que realmente queria. A sua felicidade própria.
A professora de dança sempre foi sincera e não hesitou em responder aquilo. A determinação com a qual proferiu toda a sentença fez Rachel se sentir minúscula diante do tom calmo, porém firme que ela utilizara. Não havia raiva e sim uma certeza quase dolorosa.
— Eu sei que cometi o pior erro da minha vida e talvez eu nunca o conserte totalmente, mas eu vou tentar. O arrependimento me causa uma dor tão grande todos os dias que eu sinto o peso em cada parte do meu corpo.
— Eu sou apenas a amiga da Q e madrinha da Aud. Você não precisa tentar me convencer disso. Se concentre na sua família. Ela é o mais importante. — Brittany usou um tom mais gentil, ajeitando a alça da bolsa no ombro direito. — Mas de qualquer forma, esse não é o lugar e nem a hora para falarmos desse assunto.
Rachel queria contestar e talvez tentar outro diálogo com a mais alta, porém não conseguiu. Se sentia constrangida demais para isso.
Elas passaram mais um tempo em silêncio, e Brittany fitou a judia de soslaio. Sabia que poderia se arrepender, mas precisava contá-la o que houve.
— Rachel. — Ela chamou, ganhando o par de olhos castanhos na sua direção. — A Quinn levou um tiro. — Disse tudo lentamente.
— O quê? — Rachel literalmente gritou, sentindo o peito se contrair no mesmo segundo em que os olhos marejavam.
— Não chore. Ela está bem. Foi de raspão, mas eu precisava contar e evitar que você tivesse uma síncope quando chegasse na casa da Q.
— Você... — Rachel respirou fundo. Sua cabeça processava tudo. Mesmo com a segurança que Brittany usava para garantir que Quinn estava bem, foi impossível conter as lágrimas. — Você fala como se isso fosse normal.
— Não é normal, mas eu já vi situações piores. Houve uma vez em que ela teve de ir investigar um assassinato com a Sant em um bairro violento e foi vítima de outro tiro. Diferente desse, ela passou algumas semanas no hospital, então fique calma. Ela está bem. — Brittany garantiu outra vez.
Rachel iniciou o seu exercício de respiração. Ele sempre a ajudou em momentos de descontrole e agora não seria diferente. Inspira, expira, inspira, expira. Imaginar Quinn ferida era doloroso e aquilo a fez pensar pela primeira vez com clareza nos riscos que a esposa corria diariamente sendo detetive.
Brittany se preocupou diante do desespero de Rachel e queria ter voltado atrás para não dizer nada, mas já era tarde demais. Com cuidado, a levou até o carro, fazendo-a se apoiar no capô.
— Me desculpe por isso. Eu sei que falei rápido demais, mas não sabia como iniciar o assunto. Audrey não pode saber.
Rachel assentiu. Não havia motivos para Brittany se desculpar e até agradeceu internamente por ter sido comunicada por ela. Ter ido à escola realmente foi uma boa ideia.
— Ela está realmente bem? — A judia conseguiu perguntar enquanto aceitava o lenço que Brittany a ofereceu.
— Sim, está. Só deve dormir por muitas horas por causa dos medicamentos. — A mais alta respondeu suavemente.
— Eu preciso vê-la. — Rachel apertou o lenço entre as mãos. — Você... você nunca tentou fazer com que ela ou Santana deixassem essa profissão de lado?
— Eu tento todos os dias. Não só eu como Judy, Maribel, Frannie, Cassandra e até os seus pais, mas elas amam o que fazem e por mais difícil que seja de aceitar, é algo que nunca poderemos mudar. Eu só rezo todos os dias para que fiquem seguras.
Rachel voltou a aquiescer, ainda atordoada pela enxurrada de notícias repentinas que Brittany depositara na sua cabeça.
— Tente agir normalmente. Audrey sempre percebe quando algo está errado. Aparentemente, o tiro veio de uma briga com alguns bandidos, e ela machucou o rosto também.
A judia até tentou, mas as lágrimas escorreram novamente. Ela só queria correr até a sua casa e cuidar da esposa até que ela estivesse melhor, mas pensando nas palavras de Brittany, ela se deu conta de que Quinn já havia passado por isso outras vezes e nunca teve a sua presença e o seu conforto para aconchegá-la. Aquilo doeu novamente.
Ela secou o rosto outra vez, e o sinal tocou, fazendo o mar de crianças aparecer rapidamente. Quando todas foram de encontro aos pais, Audrey apareceu logo atrás, caminhando lentamente ao lado de Blanca e outra mulher.
Por mais que nunca houvesse conhecido-a, Rachel sabia que ela era a tal Hayden, professora de Audrey, e teve de confessar internamente que ela era bela. A calça jeans e a camisa de botões com as mangas dobradas até os cotovelos davam-na um ar despojado, juntamente com os cabelos presos em um rabo de cavalo. A judia tinha certeza de que ela ficaria elegante em qualquer roupa, e de repente uma onda de insegurança brotou no seu peito, acompanhado do ciúme ao ver o sorriso que ela direcionava para a sua filha.
— Mamãe B! — Blanca correu até a loira, que a pegou nos braços em um abraço amoroso.
Brittany se ajoelhou e beijou a testa de ambas as garotinhas.
— Como as minhas gatinhas estão?
Audrey respondeu com a voz carregada de animação, e em pouco tempo Blanca se juntou à conversa. Rachel observava tudo. O ciúme dando lugar ao amor que sentia ao fitar a sua garotinha.
Ao erguer a cabeça por um segundo, percebeu que a mulher a encarava. Uma mistura de curiosidade e receio transitavam nas orbes castanhas da outra, e Rachel ergueu a sobrancelha. Um gesto que imitava Quinn perfeitamente.
— Olá. — Ela forçou um sorriso. — Eu sou Rachel Berry, e você é...
— Hayden. — A professora estendeu a mão. — Hayden Fairbanks. Professora da Audrey.
Rachel apertou firmemente a mão estendida. Os olhares travando uma batalha que durou até Audrey chamar a atenção da judia.
— Reichel? Por que você tá aqui?
Receber a atenção da filha fez a morena quebrar o contato e agachar na frente dela. Audrey era tão inteligente. As íris sem brilho a seguiam como se soubessem para onde estava indo, fazendo o seu coração aquecer de um sentimento tão bom que desejava nunca mais se afastar.
— Porque eu adorei o nosso café da manhã e quis passar mais um tempo com você. Você quer?
— Eu quero. — Audrey aquiesceu. — Você é amiga da mamãe Q. — Sorriu.
— Sim, eu sou. — A mais velha confirmou. — Eu posso pegar você nos braços?
Audrey não respondeu e apenas deu um passo à frente, tateando os ombros da morena até encontrar o pescoço, onde enlaçou os próprios braços.
O ato fez Rachel ficar surpresa, e ela não omitiu as lágrimas fortes que caíram dos seus olhos, se aconchegando contra o corpo pequeno. Ainda estava encantada e tinha certeza de que permaneceria assim por um bom tempo. A sua filha era tão linda e tão afetuosa.
— Me desculpe. Eu amo tanto você. — Não passou de um mover de lábios, mas Brittany viu e desviou os olhos para não senti-los marejarem.
— Por que ela tá chorando, mamãe? — Blanca indagou para a professora de dança.
— Porque ela viu o nascimento da Aud, mas não a viu crescer, então revê-la agora fez com que se emocionasse. — Brittany apertou o nariz fino da filha.
A pequena latina assentiu e apoiou a cabeça no ombro da mais velha.
— Eu tô com fome.
Brittany soltou uma risada e beijou várias vezes o rosto de Blanca.
— Vamos para casa.
Rachel se levantou enquanto segurava Audrey, tentando transmitir o cuidado e o amor que ricocheteavam no seu peito.
Hayden ainda observava tudo calada, tentando avaliar a situação. Aquela era a outra mãe de Audrey. Como Quinn estaria com tudo isso? Deveria ligar para ela.
— Espero que nos vejamos mais vezes, Rachel. Audrey é uma ótima garotinha e a sua cabeça precisa estar sempre repleta de clareza. Sem turbulências.
A judia entendeu a mensagem e acima de tudo, o convite sutil para uma conversa. Ela assentiu, forçando outro sorriso em seguida.
— Com certeza nos veremos mais vezes, Hayden. Foi um prazer conhecê-la.
...
O caminho até a casa conhecida foi rápido, e as vozes das duas garotinhas predominaram durante todo o percurso. Elas adoravam falar sobre o que fizeram durante o dia, e Rachel adorava ouvir. Brittany mantinha a atenção na estrada, mas sorria para ambas pelo retrovisor.
Quando o carro parou na frente da residência, Brittany se virou para fitar a judia.
— Eu acho que seria melhor a Aud jantar na minha casa hoje. — Brittany sussurrou.
— Deixe que ela fique comigo. Eu posso cuidar de tudo. — Rachel pediu no mesmo tom. — Se a Quinn não acordar por causa dos medicamentos, eu invento uma desculpa e conto uma história para que ela durma.
Brittany pensou por alguns segundos, mas acabou cedendo, dando partida no carro depois que todos se despediram e a judia saiu com Audrey nos braços.
A mochila e a lancheira eram seguradas em uma só mão, e Rachel sentiu como se pudesse ter aquela rotina todos os dias. Levar e buscar a sua filha da escola era algo que nunca se cansaria de fazer. Ela teve novamente a certeza de que nunca se perdoaria por ter jogado isso fora.
Ela esperava encontrar a casa praticamente vazia. Quinn estaria no quarto, portanto tudo estaria em silêncio, mas ao entrar na residência, ela parou assim que sentiu o cheiro de comida vindo da cozinha e vozes femininas ecoarem do cômodo. Seu corpo petrificou assim que as reconheceu, mas Audrey, ao contrário dela, não ficou quieta e se remexeu inquieta nos seus braços.
— Vovó!
Não demorou muito para que Judy aparecesse na sala com Frannie a acompanhando. O sorriso da mulher desapareceu assim que fitou Rachel, e os olhos azuis gentis adotaram um brilho de ira.
Fale com o autor