Almas Afins

44 Capítulo 44 - O melhor de nós...


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Depois de um período longo imersa na correria da faculdade, eu consegui ter concentração suficiente para escrever um capítulo. Espero que gostem do capítulo e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Quando Rachel nasceu, o Natal já estava próximo, mas Hiram e Leroy tinham uma alegria dobrada ao segurarem o pequeno bebê nos braços. Era o presente que almejavam desde que se conheceram no ensino médio. Todos os seus passos juntos os levaram até o momento em que compartilhavam mais do que um casamento e uma casa. Ambos, agora, eram pais.

Rachel sempre foi a filha que eles sonharam ter. Os planos moldados e objetivos traçados foram abraçados por ela fervorosamente da mesma forma que uma criança segura o brinquedo favorito. Não havia contestação ao se encantar por musicais, dançar, cantar e atuar. O balé, o elíptico, os exercícios de respiração, as aulas de canto. Tudo isso era uma preparação para o sonho dividido com os pais de se tornar tão boa quanto a estrela que a fazia sentir as pernas bambas com tamanha capacidade vocal. Barbra Streisand.

Rachel era sonhadora. E não tinha o mínimo de constrangimento ao narrar os próprios desejos para o seu futuro promissor. Se formaria no ensino médio, seria aceita em NYADA e conquistaria os palcos da Big Apple. Morar em Lima para sempre estava fora de cogitação. A cidade com pouco mais de trinta e sete mil habitantes não era o lugar onde pretendia viver os seus dias de glória. Nova York era. Era o seu destino. Era o seu desejo mais profundo e aguardado.

A ambição de Rachel ao conversar com os colegas do clube Glee não era proposital. Ela foi criada para isso. Criada com um sonho. Ela podia contar nos dedos quantas pessoas nascem com um destino escolhido. Seus colegas e pessoas com as quais convivia optavam por pensar no futuro quando ele estivesse se aproximando. Finn só queria continuar sendo quarterback, Santana só queria continuar sendo uma Cheerio, Tina só queria ter mais destaque no clube Glee. Até mesmo Kurt tinha apenas o propósito de ir para NYADA, assim como ela. Nada mais do que isso. Elucubrar sobre o futuro detalhadamente era algo que só Rachel Berry fazia, anotando tudo o que assolava a sua mente em uma agenda.

E ela passou os dois primeiros anos do seu ensino médio dividindo a sua atenção perfeitamente entre o coral, seus sonhos e Finn. Até o namoro com ele desmoronar e ela se apaixonar por Quinn Fabray.

E Quinn, sendo tão contrária de Finn, dava todo o suporte que precisava, se dedicando em marcar o tempo que conseguia manter uma nota vocal forte, estudando os seus trejeitos e expressões para a peça anual do McKinley, ouvindo-a cantar em plena taciturnidade. Quinn era a namorada perfeita. A pessoa que sempre quis ter. E Rachel a tinha. Tinha o amor dela e tinha o troféu das Nacionais, um dos seus sonhos desde que entrou para o clube Glee.

Mas Rachel nunca teve NYADA.

Antes mesmo de se formar, ela enviou a sua carta para a universidade. Era a carta perfeita. Shelby tinha recomendado-a, seu boletim de notas era invejável e seu currículo escolar tão impecável quanto a sua capacidade de fazer parte de todos os clubes do McKinley, ser a número um em todos eles e ainda administrar um relacionamento saudável.

Rachel achou que conseguiria. Ela passou todos os dias da semana pré-formatura decidindo onde moraria quando chegasse em Nova York sendo uma aluna de NYADA. Com certeza teria um apartamento com Quinn. A namorada queria seguir os passos do pai, então Rachel esperava que ela entrasse para o corpo discente de Columbia, fizesse direito e depois migrasse para a polícia no intuito de se tornar detetive.

Rachel estava radiante, esperançosa e feliz.

Contudo, sua felicidade caiu por terra ao receber a resposta de NYADA com a sua rejeição humilhante.

Ela nunca achou que poderia sentir tamanha tristeza em toda a sua vida e jurou ter visto um flashback com todos os seus passos até aquela situação atual. Todo o esforço dos seus pais, todas as aulas que recebeu e o quanto se dedicou sendo inúteis ao se dar conta de que nunca seria uma aluna de NYADA.

Era como se houvesse caído para fora do planeta, sobrevoando o espaço isenta de incerteza, perdida e sem esperança alguma reinando no seu interior. Tudo havia acabado. Não tinha nada que quisesse fazer a não ser chorar e gritar com o rosto enterrado no travesseiro. O seu sonho era como toda a junção dos corpos celestes do sistema solar. Quando deixou de existir, não havia sobrado mais nada. Rachel Berry era nada. Ela não era mais a capitã do clube Glee, porque se formaria em pouco mais de uma semana, e não era mais a garota com objetivos brilhantes, porque eles foram arrancados do seu peito quando os seus olhos focaram a rejeição de NYADA. A tristeza descomunal e o bolo na garganta eram tão imensuráveis que ela se ausentou de toda a comemoração do coral. Rachel queria se fundir ao colchão sobre o qual depositava as suas lágrimas e seu corpo tremendo pelo choro constante. Ela não queria abraços e nem palavras de conforto. Rachel queria NYADA. Queria os seus sonhos de volta.

Mas Rachel não os teve.

Eventualmente, ela se formou no ensino médio. Tão desolada quanto podia estar. As tentativas de Quinn em deixá-la alegre funcionavam minimamente quando sorria esporadicamente, embora o brilho vazio e melancólico não sumisse dos seus olhos.

É difícil mudar de trajeto quando se passaram quase vinte anos de um sonho que não seria realizado. Era tempo demais e disposição demais para simplesmente focar em outra estrada. Rachel não conseguia. Ela não queria. Ela não era mais uma garotinha que podia deitar e esperar que tudo ficasse bem. Era uma mulher adulta, e nada ficaria bem.

Todavia, tudo foi voltando aos eixos gradativamente da melhor forma possível. Ela não tinha notícias dos seus ex-colegas de coral, com exceção de Kurt, que tinha ido trabalhar no meio artístico de Nova York depois de também não ter sido aceito, ainda que deixasse claro que tentaria entrar em NYADA novamente. Rachel não. Ela não tentaria outra vez. Ela gostaria de ter entrado na primeira tentativa e não se sentia mais boa o suficiente para isso.

Por fim, ela decidiu ficar em Lima, principalmente quando Quinn ingressou na Universidade Estadual de Ohio. Rachel sabia, internamente, que a namorada tinha sido aceita em Columbia, mas recusou para permanecer na cidade onde nasceu. Ela também não contestou ou insistiu para saber a verdade, porque não queria ir para Nova York ver de perto os outdoors da Times Square e saber que seu rosto jamais estamparia um deles. Lima era, de certa forma, o local onde queria ficar.

E ela ficou.

Rachel não podia afirmar que estava realizada, mas sentia a alegria voltando aos poucos com a rotina de sair com a namorada e tê-la ao seu lado. O relacionamento estava inabalável. Elas se amavam e compartilhavam tudo em comum.

Tudo se seguiu calmamente até os vinte anos. Quinn estava indo bem na OSU, e Rachel se conformou, inconscientemente, com o seu status quo.

E o pedido de casamento surgiu inesperadamente, atingindo-a com a felicidade ao se ver noiva e prestes a se casar.

Ambas decidiram tudo. Todos os detalhes, desde os guardanapos até os convites. Escolheram em acordo mútuo e realizaram a festa no jardim da mansão Fabray. Rachel estava feliz nesse dia e em todos os outros que antecederam a data importante. Ela podia não ter se realizado profissionalmente, mas estava se casamento com a pessoa que amava.

Quinn continuou incentivando-a a tentar outro caminho durante todo esse tempo, principalmente quando começaram a dividir uma casa depois do casamento. Não havia um dia sequer em que ela não procurasse algo para a esposa na internet. Queria vê-la feliz em algum meio profissional também.

Contudo, Rachel desviava com maestria, mudando o rumo do assunto e encerrando-o minutos depois. Não se sentia pronta ainda. Não queria. E mais dois anos se passaram no mesmo embate até ela decidir aumentar a família, comunicando Quinn sobre o seu desejo por uma gravidez.

Poucas tentativas de inseminações foram o suficiente para Rachel engravidar e Audrey nascer nove meses depois. Linda, frágil e amada. Rachel não achava que poderia se sentir tão feliz ao ver a sua garotinha nos seus braços. Quinn estava ao seu lado, exatamente como estivera durante os meses que passaram até chegarem ali. Se sentia radiante de novo, como quando enviou a sua carta para NYADA, achando veemente que seria aceita. Agora, mais do que nunca, tinha outro objetivo. Ser a melhor mãe para Audrey.

No entanto, a tentativa de suprir o seu sonho frustrado com aquilo não funcionou.

Rachel foi feliz durante pouco tempo, até se ver perdida. Ela acordava, ajudava Quinn a preparar o café da manhã, via a esposa sair para a OSU e passava o dia com a filha, dividindo os seus afazeres em passear com ela e visitar os seus pais, sogros e amigas. Mas Brittany estava na faculdade de dança, e Santana também fazia parte da OSU. Todos estavam se concretizando profissionalmente, exceto ela. E ao se olhar no espelho, Rachel enxergava somente uma esposa e mãe aos vinte e dois anos. Nada mais do que isso. Nenhuma carreira sólida.

E ela não queria tanto desejar ir para Nova York ao ver aquele post na internet. Ela não queria deixar a própria família, mas também não queria fazer com que a esposa a seguisse e largasse a faculdade na metade. Rachel não queria, mas especialmente, não queria perder aquela chance, porque não se sentia mais feliz.

Rachel chorou diversas vezes e pegou a foto que mais gostava da sua família. Depois, alimentou a filha e a colocou no berço com o coração estilhaçado antes de fazer uma única mala e deixar o quarto dela.

A parte mais difícil foi deixar a esposa, porque Audrey não podia olhá-la com decepção, mas Quinn podia. E ela olhou. Com decepção, asco, raiva e um rancor tão forte que a fez tremer internamente. Mas ainda assim, Rachel se foi, chorando e tentando, desesperadamente, encontrar um lugar para ela no mundo.

Ela só não sabia que não o encontraria se não tivesse a própria família.

E quando soube, talvez fosse tarde demais.

— Rachel?

A voz longínqua e preocupada despertou Rachel dos pensamentos sentimentais, e ela só percebeu que algumas lágrimas vertiam dos seus olhos quando sentiu uma mão tocar o seu rosto.

Kurt a olhava preocupado e curioso.

— Você está bem?

— Eu... eu estou. — Ela engoliu o nó na garganta. Ter lembrado de tantas memórias no dia do aniversário da sua filha fez o seu estômago se contrair. — Eu só estava... pensando em algumas coisas.

— Algo ruim? Você estava praticamente chorando, Rach. — Ele continuava aflito.

— Não é nada, Kurt. Eu só estava me recordando do passado.

— Oh. — Ele entendeu de imediato. Rachel nunca pararia de pensar nas reminiscências, de fato. — Não pense nisso hoje, Barbra. Audrey está feliz, e você está aqui para recuperar esse tempo. Foram só dois anos.

— Mas foram dois anos. — Rachel retrucou. — Pode não parecer tanto tempo, mas foi. Eu nunca deveria ter ido embora. — Suspirou. — Mas você está certo. Eu não vou pensar nisso. Não hoje. Minha filha está fazendo quatro anos.

— Ela cresceu rápido demais. Eu não acredito que aquele bebê minúsculo já está desse tamanho.

— Ela não está tão alta.

— Claro que não. Você é a mãe dela. — Ele brincou.

Rachel revirou os olhos, mas não evitou rir, migrando a sua atenção na filha, que recebia abraços apertados de Hiram e Leroy. Toda a sua família estava na mansão Fabray, e por pensar em família, suas íris buscaram Quinn, encontrando-a na parte mais afastada da área vasta dialogando com Santana. No entanto, ao olhar a árvore na qual ela estava apoiada, sua respiração engatou rapidamente ao ver Schatten e Munin. Ela adorava qualquer animal, isso era uma certeza incontestável. Mas aqueles corvos a deixavam temerosa e extremamente preocupada.

Ela começou a caminhar até a esposa, mas uma figura conhecida e bem-vinda surgiu na sua frente.

— Oi, Rach. — Sam saudou.

— Sam! — Rachel sorriu e o abraçou. Ele sempre foi um ótimo amigo e não parecia ter algum tipo de sentimento negativo sobre o seu erro. — Eu fico feliz que tenha vindo.

— Eu jamais faltaria ao aniversário da Aud. Ela é uma garota tão importante. Você tem sorte, Rach. Quando eu for pai, quero ter uma filha tão especial quanto ela. — Ele sorria genuinamente.

— Você vai ser um ótimo pai, Sam. Isso eu garanto. — Ela também sorriu.

Audrey fez o caminho até ambos enquanto Hiram segurava a mão dela. Ele mal conseguia respirar ao vê-la tão enérgica. Tinha receio que ela pudesse cair e se machucar, portanto tentava impedir que corresse.

Sam a pegou delicadamente.

— Quem é o melhor tio, Aud?

— Tio Sam e o tio Dave. — A garotinha respondeu, espalmando as pequenas mãos no rosto de Sam.

— Nós dois? Não há uma chance de eu ser o melhor tio?

— Não, não. — Ela balançou a cabeça em negação.

Rachel riu e sobressaltou levemente ao sentir a esposa ao seu lado. Não sabia como ela tinha se deslocado até ali tão rapidamente, mas franziu o cenho ao ver como os cantos da boca dela pareciam forçar até abrir um sorriso. A conhecia o suficiente para saber que ela não estava cômoda, tampouco relaxada.

Sam continuou brincando com Audrey sob o olhar de Quinn, e Rachel segurou a mão dela, notando o quão fria estava.

— Quinn, você pode me acompanhar até o interior da mansão? Eu gostaria de uma ajuda com o meu presente.

Quinn assentiu e agradeceu quando Santana se aproximou com David. Ela sabia que estavam pensando a mesma coisa. Não deixariam Audrey sozinha com Sam e também não levantariam suspeitas.

Ao entrarem na área interna da residência, Rachel foi direta.

— O que está acontecendo?

— Como assim? Não há nada acontecendo.

— Você está nervosa e pode conseguir disfarçar isso para qualquer pessoa, mas não para mim. O que está acontecendo, Quinn?

— Não está acontecendo nada, Rachel, mas há um assassino em Ohio. Eu estou preocupada e só vou descansar quando pegá-lo.

— E você vai, mas hoje é o aniversário da Audrey e ela só quer ficar com você o máximo que puder.

— Eu sei. — Quinn suspirou. — E eu vou ficar com ela. Minha garotinha está crescendo, e eu vou ficar ao lado dela. Eu só... não posso deixar que nada escape da minha atenção.

— Você é humana, Quinn. Há um assassino à solta, mas nós estamos seguras aqui. Hoje. — Rachel se aproximou e segurou a mão da esposa.

Quinn olhou nos olhos castanhos. Não estavam seguras, e o Homem Sem Coração estava perto. Ela quase cogitou contar sobre Sam, mas não podia. Não quando sabia que Rachel faria um alarde e demonstraria medo, atraindo a desconfiança dele.

— Tudo bem. Estamos seguras.

— Estamos. — Rachel passou os braços ao redor dos ombros da detetive e raspou os lábios nos dela.

O selinho foi afetuoso e longo. Elas eram casadas legalmente, mas não rotularam o que tinham. E Quinn não queria fazê-lo por enquanto. Ela focava no assassino e não no seu relacionamento com Rachel. Se é que há algum relacionamento. Ela não sabia discernir com clareza. A única coisa que sabia era que permitia o contato das bocas, porque o gosto dela era inebriante e sentia vontade disso. Da textura dos lábios cheios.

Elas voltaram para a área dos fundos quando Judy já estava indo chamá-las para os parabéns.

Quinn quem pegou a filha para que ela pudesse ficar de frente para o bolo no centro da mesa.

— Eu quero a mama Reichel aqui também, mamãe.

O silêncio era unânime. Todos observaram Rachel sair de perto de Kurt até estar ao lado de Quinn e Audrey, principalmente Hayden, que se sentiu mal ao ver aquela interação. O sorriso amoroso que a judia estampou não poderia ser visto pela filha, mas ela o sentiu ao receber o beijo na testa.

Todos cantaram parabéns para a garotinha, que assoprou as velas com fervor. Rachel se encarregou de cortar o primeiro pedaço e colocá-lo em um prato descartável, entregando-o para Audrey.

— Para quem você quer dar o primeiro pedaço, meu amor? — Quinn indagou enquanto ainda a segurava.

— Eu... — Audrey pensou por breves segundos. — Quero dar pra mamãe Q e pra mama Reichel. — Sorriu.

Quinn também sorriu e a beijou com amor, pegando o prato da mão dela quando ele foi estendido na sua direção. Rachel espelhou a ação da esposa, deixando escapar algumas lágrimas ao ser engolfada pela felicidade de estar fazendo parte daquele momento. Tinha demorado para perceber que sempre tinha sonhado com isso, mas agora acompanharia todo o crescimento de Audrey. Iria vê-la chegar ao ensino médio e ser a garota mais inteligente que conhecia, sendo feliz e sendo a melhor amiga de Blanca. Queria ver Quinn capturar o assassino e ter uma paz completa ao lado dela na casa de ambas. Queria tudo de volta.

Todos se dispersaram no jardim outra vez, e Audrey passou mais algum tempo brincando com Blanca, Thomas, Kate e Kyle até Quinn se juntar à brincadeira com Santana, David e Frannie. Ela se permitiu, pela primeira vez desde o surgimento do assassino, brincar sem se preocupar com algo ao seu redor. Depois, dividiu um pedaço do bolo com a filha, sujando-a propositalmente para ouvir a risada dela.

O dia se passou tão rápido quanto achou que passaria devido às comemorações, e Quinn se sentiu mais aliviada quando Sam se despediu, indo embora quando o sol estava se pondo, acompanhado de outros convidados.

— Cassie e eu decidimos ter outro bebê. — Frannie disse de repente. Ela estava ajudando a irmã na tarefa de colocar todos os presentes de Audrey no porta-malas do carro.

— O quê? Isso é sério? — Quinn se surpreendeu.

— Sim. — Frannie sorriu. — Estamos indo bem no trabalho, e os gêmeos estão quase chegando aos sete anos. Eu quero engravidar dessa vez.

— Isso é ótimo, Frann! — Quinn a abraçou. — Eu estou feliz por vocês.

Frannie retribuiu o afeto, sentindo a caçula apoiar a cabeça no seu ombro. Elas passaram alguns minutos naquele ato, porque Quinn precisava de um abraço, e o abraço de Frannie era apaziguador, assim como o sorriso dela.

Ao separarem, a detetive sorriu, embora se sentisse parcialmente triste. Ela se lembrava perfeitamente dos seus planos de ter mais um filho com Rachel. Desejavam dar um irmão para Audrey, mas Quinn não sabia se isso aconteceria um dia.

No entanto, ficaria contente pela irmã.

Elas se despediram quando Cassandra saiu da mansão ao lado de Rachel enquanto conversavam. Quinn se sentiu bem por ver que a cunhada parecia confortável dialogando com a judia. Judy veio logo atrás com Russel.

Ela ainda tinha de falar com o pai, mas já estava tarde para isso, então apenas abraçou os dois e seguiu rumo à sua casa com Audrey e Rachel.

Quinn se surpreendeu no momento em que viu o piano posicionado milimetricamente na lateral da sala de estar. Rachel, ao contrário dela, não estava surpresa e pegou a filha nos braços, levando-a até o instrumento musical.

Ela se sentou no banco e colocou Audrey no seu colo.

— Você sabe o que é isso, meu amor? — Ela tocou uma melodia curta e calma.

Audrey assentiu rapidamente.

— É um piano, mama.

— E você sabe quem é a dona desse piano?

— Não, mama.

— Então eu vou dar uma pista para você. A dona desse piano é uma garotinha linda, inteligente e amorosa. E ela fez quatro anos hoje. — Rachel sorriu.

Audrey também sorriu. Um sorriso animado.

— Sou eu, mama?

— É você, meu coração. Esse piano foi um presente dos meus pais quando eu era um pouco mais velha do que você, e agora ele é seu. — Rachel beijou o topo da cabeça da filha.

Audrey se agitou com aquilo, passeando as mãos pelo piano enquanto sorria. Depois, chamou Quinn para ver o seu presente.

A detetive se sentou ao lado de Rachel.

— Eu lembro desse piano. Ele ficava no seu quarto. É um presente lindo, Rachel. — Ela sorria verdadeiramente, o que aqueceu o peito da judia.

— Eu a amo, Quinn, e não poderia dar outro presente que não seja o meu amor e esse piano.

Quinn continuou sorrindo até mesmo quando Rachel a beijou brevemente. Elas se encararam após quebrarem o afeto.

— Eu te amo, mama Reichel. — Audrey fez com que os olhares desviassem até ela.

— E eu amo você, meu amor. Você é o melhor de mim, Aud.

— O melhor de nós. — Quinn a corrigiu. — Você é o melhor de nós.

— O melhor de nós. — Rachel confirmou.

Ter sido atingida com as reminiscências do seu passado a fez se lembrar de quando não se sentia completamente feliz mesmo sendo mãe.

Agora, entretanto, se sentia a mulher mais feliz do mundo cuidando de Audrey, dividindo uma rotina com Quinn e ensinando crianças na escola Shawnee. Rachel não precisava do mundo inteiro aos seus pés para se sentir daquela forma.

Ela tinha o seu próprio mundo naquela casa.

Notas finais
O dia acabou bem, no fim das contas. Eu optei por um capítulo mais calmo, embora os novos plots do assassino estejam vindo. Espero que tenham gostado. Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. Bom final de domingo e começo de semana para todos vocês. =D twitter.com/yasagron