Almas Afins

43 Capítulo 43 - Um bom plano inicial...


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Espero que gostem do capítulo e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Quinn sempre soube que viera de uma família abastada. Isso não era segredo para ninguém, principalmente crescendo na mansão Fabray. Embora ser detetive em Lima não fosse extremamente rentável, Russel possuía bens materiais desde que os seus pais morreram, assim como Judy. Ela não praticava o diploma de arquiteta, porque a herança bem administrada que recebeu era o suficiente para proporcioná-la uma vida bastante agradável.

E como o esperado, isso significava que alguns limites eram ultrapassados esporadicamente.

As festas de aniversário que Judy planejava eram, de fato, um exagero ao olho humano. Ainda que Quinn insistisse que tudo aquilo não era necessário, a mãe sempre acabava convencendo-a do contrário. As comemorações terminavam com festas absurdamente grandes ano após ano, e foi Frannie quem experimentou primeiro a sensação de ter praticamente uma multidão de pessoas no seu aniversário de quinze anos. Tudo era moldado por Judy. Desde o vestido até os detalhes dos guardanapos que deveriam repousar ao lado dos pratos decorados nas mesas espalhadas pelo vasto salão.

Quinn, aos dez anos, riu do desespero da irmã ao ver como Judy parecia eufórica e decidida, mas todas as gargalhadas se voltaram contra ela ao se ver trajando um vestido apertado na frente do espelho do seu quarto cinco anos depois.

Frannie zombou da sua expressão desgostosa incontáveis vezes. Dançar por horas com o seu par e depois com seu pai não era algo que a agradava. Entretanto, aquilo também marcou a primeira vez em que bebeu escondida com Santana e Brittany. As três amigas permaneceram por longos minutos sob uma das mesas com uma garrafa de champanhe que deveria ser disponível somente para os adultos do evento.

Ela tinha de admitir que havia se divertido naquela noite.

E obviamente a sua descendência opulenta trouxe também satisfações, como ganhar o primeiro carro aos dezesseis anos. Ela já era a capitã das Cheerios quando isso ocorreu. Se sentia bem por ter a própria independência, mas surpreendeu a mãe quando decidiu seguir a carreira de Russel e se abster da mansão e das riquezas do seu sobrenome ao concluir o ensino médio.

Judy não aprovou quando Quinn optou por economizar alguns salários e fez um empréstimo para comprar uma casa com Rachel, mas não passou muito tempo tentando mudar a cabeça dela. Sabia, infelizmente, que não havia nada que pudesse fazer, então tentou continuar com as comemorações ao se aproximar do aniversário das filhas.

Novamente, Quinn negou qualquer coisa que chamasse tanta atenção. Ela não era mais a garota que resignava. Era uma detetive e gostava de manter discrição sobre a sua vida, mesmo que já tivesse sido alvo de comentários, como quando engravidou de Beth e descobriu a própria sexualidade alguns anos depois.

Todavia, os olhos de Judy demonstraram amor, felicidade e empolgação por organizar festas de aniversários no momento em que Kate e Kylie nasceram. Frannie mal conseguiu impedir a mãe de preparar a comemoração do primeiro ano, ainda que não fosse preciso. E todo o ciclo se repetiu. Quinn riu da irmã, mas tudo se voltou na sua direção com o nascimento de Audrey.

Hiram e Leroy discutiram veemente com Judy quando ela decidiu toda a decoração do primeiro aniversário da neta caçula, e Quinn deixou que programassem tudo, porque pareciam onças ferozes batalhando para determinarem quem seria o responsável pelo aniversário de Audrey.

No final, Quinn e Rachel tiveram de intervir, e toda a comemoração ocorreu no jardim da casa delas, que caberia perfeitamente na sala da mansão Fabray.

Era o suficiente.

Mas Quinn também era grata por tudo, especialmente quando levou Audrey às pressas para o hospital. Judy e Russel arcaram com todas as despesas, assim como a reforma para adaptar a sua casa para a garotinha. Quinn sabia que a mãe era uma boa arquiteta, o que só intensificou ao ver a planta feita em pouquíssimo tempo. Ela sempre seria grata por tudo aquilo. Toda a compulsão de Judy de proporcionar festas para a família era uma forma de mostrar o amor que sentia. Ela os amava.

E Quinn a amava.

Ela foi engolfada pelos braços de Judy ao cruzar a mansão até a área dos fundos, apertando-a para retribuir o afeto inesperado. Ambas se separaram lentamente, e Rachel a cumprimentou, recebendo uma resposta cordial.

No decorrer da semana, elas discordaram e concordaram em diversas ideias para o aniversário. Judy ainda nutria mágoas pela judia, mas não a atingiria com farpas.

Ela saudou Audrey por último, consequência dela estar ocupada sendo segurada por David enquanto narrava as vantagens de estar fazendo quatro anos.

Contudo, a garotinha interrompeu a si mesma para apertar os braços ao redor do pescoço da avó, logo em seguida tateando o rosto dela para redecorar os detalhes firmes.

Judy a parabenizou e a recheou de beijos, fazendo-a rir.

— É quase uma mão inteirinha, vovó! — Audrey ergueu a mão, enfatizando a sua afirmação.

— Eu acho que me sinto mal em saber disso. Você está crescendo tão rápido. Parece que foi ontem o momento em que eu a segurei pela primeira vez. Lembra disso, Quinnie? Quando a... — A voz de Judy travou de repente. Foi tão rápido quanto a realização batendo na sua porta. Audrey não sabia que era filha biológica de Rachel e não deveria ser anunciada sobre esse fato dessa forma.

Um silêncio desconfortável pairou entre todos. Rachel olhou para a decoração infantil com olhos melancólicos e se forçando a não derrubar lágrimas doloridas pela lembrança rápida. Audrey a amava, mas não sabia que era, de fato, a sua filha. Esperava contar para ela, mas precisava ter uma conversa com Quinn antes disso.

A detetive também aparentou a tristeza iminente. Ela costumava passar os aniversários de Audrey pensando no que Rachel estava fazendo. Talvez praticando algum exercício vocal, talvez acompanhando algum concurso de dança ou canto pela tevê. Eram os favoritos dela. Ela limpou a garganta, tentando disfarçar o bolo que se formou e tentando não pensar que mais cedo ou mais tarde teria de falar para Audrey sobre a sua verdadeira maternidade. Não estava pronta. Não quando a sua confiança em Rachel ainda não havia se restruturado.

Foi Blanca quem quebrou a taciturnidade, se aproximando quando avistou a melhor amiga, e Judy a cumprimentou afetuosamente depois de colocar Audrey no chão.

— Ela está idêntica à Santana.

— Sim, ela está. Mas também é tão doce quanto a Britt. — Quinn afagou os cabelos da afilhada, que se perdia outra vez em conversas randômicas com Audrey.

— Vocês querem me acompanhar para que possam conhecer toda a festa? — Judy sugeriu, nitidamente contente.

Quinn riu diante daquilo. A mãe não vestia um dos conjuntos perfeitamente ajustados ao corpo que comprariam facilmente todo o seu armário de roupas. Ao invés disso, a calça flare escura e a camisa de tecido fino com as mangas dobradas até o cotovelo pareciam confortáveis, assim como os cabelos presos em um rabo de cavalo. Estava relativamente despojada.

Audrey e Blanca concordaram de imediato, mas uma voz se fez presente antes de seguirem caminho.

— Será que eu posso abraçar a aniversariante?

Rachel quase mordeu a própria língua para não responder e apertou as mãos para não puxar a garotinha quando Hayden a pegou nos braços. A intimidade que compartilhavam e o sorriso de Audrey fizeram o seu coração apertar em desgosto e ciúme. Ela adorava a professora, e isso era claramente recíproco. Não podia culpá-la. Hayden parecia ser simpática com todas as crianças, mas Audrey era a sua filha e não dela.

— Você parece pronta para matá-la com o olhar, e eu já vi alguns psicopatas de perto. — Quinn sussurrou no ouvido de Rachel, notando os ombros retesados, a respiração descompassada e os olhos escuros fitando Hayden com um brilho de raiva descomunal.

— Eu poderia matá-la. — Rachel respondeu no mesmo tom.

— É melhor tomar cuidado. Vão achar que você é o assassino. — A loira brincou, e a judia revirou os olhos.

— Você é sempre engraçada?

Quinn não respondeu, mas riu suavemente. Achar Rachel adorável quando estava encolerizado era algo que guardava no seu coração desde o ensino médio, quando secretamente sorria ao presenciar as síncopes que ela despejava sobre todo o clube Glee. A morena nunca parecia ameaçadora, mas isso não a impedia de ser tempestuosa.

A cólera de Rachel aumentou quando Hayden caminhou até Quinn ainda segurando Audrey, fazendo questão de abraçá-la. As três pareciam uma família. Uma família feliz pelo sorriso que a detetive direcionou para a professora e pelo beijo longo que recebeu na bochecha. Mas eram uma família errônea e inexistente.

— Oi, Hayden. — Rachel se pronunciou, aproveitando para pegar Audrey dos braços da outra mulher, que parecia inerte do clima que transitava entre elas

— Rachel. — Hayden forçou um sorriso. Era sempre assim. Sucintas e travando batalhas silenciosas com o olhar.

Hayden também cumprimentou Judy, demonstrando que já se conheciam há algum tempo. Todos pareciam conhecê-la, como se ela fosse a outra mãe de Audrey. Tratavam-na com extrema gentileza, o que incluía David.

Mas, novamente, Rachel não podia jogar a culpa sobre algum deles. Hayden era professora de Audrey desde sempre e esteve presente em muitos momentos. Ela só não podia permitir que aquilo se tornasse maior.

— Podemos ir agora? — Judy indagou.

— Sim, podemos. — Rachel respondeu.

— A tia Râe e a tia Q são um casal?— Blanca perguntou abruptamente. — A mama S mora com a mamãe B. Elas são um casal. — Pontuou.

Quinn sorriu sem graça diante daquela indagação súbita.

— Não somos um casal, meu bem. Amigas também podem morar juntas. — Ela elucidou e ganhou um aceno positivo de Blanca.

— Acho que podemos comemorar que a Q está solteira. — Hayden comentou.

— Ela não está solteira. — Rachel praticamente rosnou, mas relaxou um pouco ao sentir o toque suave da esposa no seu antebraço.

— Vamos todos ver a decoração que a mamãe providenciou, tudo bem?

A concordância seria unânime se não fosse David.

— Q? Eu posso falar com você a sós?

Quinn concordou, deixando que os demais fizessem o trajeto depois de se certificar que Rachel e Hayden não iriam entrar em conflito. Seus olhos moveram para fitar todos que estavam presentes. Conhecia a maioria dos pais das crianças que dividiam a sala de aula com Audrey, mas a sua atenção fixou em Russel, que estava abraçando a neta. Ele parecia feliz em vê-la, contudo, tinha a postura esmorecida, como se houvesse passado um bom tempo sem dormir. Quinn não duvidava disso.

— Então está solteira? — David inquiriu, e a loira o fitou. — Está decidida em não retornar o seu casamento com Rachel?

— Não é isso. Eu só não quis afirmar nada na frente das crianças e da minha mãe.

— Isso significa que vai tentar outra vez com ela?

— Eu não sei, Dave. Há mais coisas nessa linha tênue entre aceitar ou não do que você imagina. Por enquanto, eu quero pensar na minha filha e nesse assassino.

— Você também precisa pensar em contar à Audrey sobre a outra mãe dela. Eu vi como a Rachel ficou quando Judy não complementou a frase.

— Eu sei disso. E eu vou pensar sobre essa questão. Eu não quero que a Aud se machuque caso a Rachel decida voltar para a Broadway.

— Eu não acho que ela vai. Algumas pessoas precisam perder muita coisa para que possam perceber o erro que cometeram. Rachel perdeu dois anos e quase perdeu você. Ela não vai embora de novo. Não sem vocês duas.

— Talvez, mas ainda é tudo muito recente. — Quinn suspirou. — Sobre o que quer conversar?

— Sobre eles. — David apontou com a cabeça para uma das árvores do jardim.

Quinn seguiu o olhar dele. Schatten e Munin estavam em um dos galhos mais altos, quase tocando a copa. O contraste de tonalidades era bonito para quem observasse, embora houvesse algo a mais neles e em como pareciam ler a sua alma.

Eles sabiam e avisavam sobre inúmeros acontecimentos. Quinn era grata por tudo o que fizeram e por tudo o que ainda faziam.

Mas estarem ali, no dia do aniversário de Audrey, não era confortável.

— Merda! — O tom zangado de Santana atrás dos amigos mostrou que ela também estava ciente daquilo. — O que os dois diablos estão fazendo aqui?

— Talvez protegendo. — Quinn respondeu.

— Protegendo ou avisando que algo ruim vai ocorrer?

— Não podemos descartar possibilidade alguma. Não agora.

— Sobre o que estão falando? — Brittany se aproximou enquanto sorria.

— Sobre a decoração. — David mentiu. — Tudo está lindo.

— Está sim. Tia Judy fez um ótimo trabalho.

Quinn só reparou no grande unicórnio quando Brittany fez com que ele se deslocasse com o controle remoto que tinha em mãos.

— Britt...

— Não é incrível?! Aud vai se divertir enquanto controlamos, mas ela também pode fazer isso, e ele vai alertá-la quando chegar perto de um obstáculo. Podemos instruí-la sobre qual direção seguir.

Quinn intercalou o olhar entre o presente e a amiga, incapaz de dizer algo por alguns segundos.

— É maravilhoso, Britt.

— Mas é um presente nosso. — Santana disse. — Vê isso aqui? — Virou o objeto, mostrando os adesivos da polícia presos. — É um unicórnio detetive.

A risada de David foi espelhada por Quinn, que logo abriu um sorriso amoroso.

— Obrigada por isso.

A animação de Brittany só não foi maior que a de Audrey ao receber o presente. Ela não quis mais sair do unicórnio, que agora se chamava Enard, um dos personagens que Quinn criou para diferenciar as letras no braile.

Quinn sorria ao ver Brittany guiando a sua filha brinquedo, sorria ao ver Blanca e Thomas participando da diversão, sorria quando seus antigos colegas do coral chegavam gradativamente e sorria quando Frannie adentrou o jardim com Cassandra e os gêmeos. Os quatro acompanhados de Hiram e Leroy.

Porém, após cumprimentar todos, seu sorriso morreu ao ver Warren atravessar o jardim.

— Quinn...

— O que veio fazer aqui?

— Eu deixei o presente no local indicado pelo mordomo.

— Eu não me importo. Você não deveria estar aqui. Não foi convidado.

— Podemos conversar em particular?

Ela iria negar e ordenar novamente que ele fosse embora, mas estava curiosa e sabia que precisavam conversar sobre o plano de Santana e o que aconteceu com Kevin.

Eles se dirigiram até o flanco do jardim, onde o burburinho de conversas não era alto o bastante.

— O que você quer?

— Você acha que eu esqueci que armas foram roubadas da delegacia e que você e Santana agiram sem o distintivo?

— Nós precisávamos fazer isso. — Quinn se defendeu. — Você não aceitaria proteger o Kevin.

— E agora ele está desaparecido.

— Por sua causa. — Ela acusou. — Você acabou com a vida dele e o chamou de louco quando fomos até a sua sala. Se existe algum culpado do desaparecimento dele, esse alguém é você.

Warren suspirou e passou as mãos no rosto. Estava atordoado, e Quinn arriscava saber o porquê.

— Não conseguimos mais pista alguma sobre esse assassino. Estamos andando em círculos, e agora tudo parece piorar sem você e Santana na delegacia. — Ele foi honesto. — Nós sabemos que o desaparecimento do Kevin está relacionado com esse assassino, então eu vim aqui oferecer os seus empregos de volta.

— E o que você quer com isso? — Quinn arqueou a sobrancelha.

— Nada. Vocês são as minhas melhores detetives, e o seu pai fez muito por nós no passado.

Quinn se calou. Ela sentia falta do seu emprego, da sua arma e do seu distintivo, principalmente os benefícios que ele carregava.

Ela assentiu lentamente.

— Isso é um uma resposta positiva?

— Isso é a afirmação de que eu vou pensar e conversar com Santana. Nós entraremos em contato.

Warren concordou.

— Dê os parabéns à Audrey por mim. Ela é uma garota linda e especial.

Quinn se limitou em assentir novamente e o viu partir, ao passo em que Santana se aproximava.

— O que Warren queria aqui?

— Oferecer os nossos empregos de volta. — A loira respondeu e contou toda a conversa curta que tiveram.

Santana ouviu tudo sem esboçar reação alguma.

— O que acha que devemos fazer?

— Eu acho que Warren é uma pessoa horrível, mas também acho que ter os nossos empregos de volta vai nos ajudar nessa busca pelo Kevin e pelo Homem Sem Coração.

A latina concordou, mas tensionou a postura e fitou algo atrás de Quinn, que percebeu rapidamente.

Ela só teve tempo de se virar antes de sentir um corpo colar no seu em um abraço forte. Conhecia aquele corpo, aquele abraço e aquele perfume. Seus braços relutaram em correspondê-lo, mas logo o enlaçaram, tentando não transparecer o coração martelando e o estômago revirando por cogitar estar abraçando o seu meio-irmão, um serial killer ou os dois.

Ao se afastarem, Sam sorriu. O sorriso divertido e repleto de sentimentos. Ele podia ser um serial killer? Parecia tão sereno e normal. O normal Sam Evans que Quinn adorava.

— Onde está a nossa princesa Leia? Ou seria princesa Audrey? Vocês sabem... Star Wars. — Ele brincou.

Quinn não conseguiu rir, mas forçou um sorriso, como se estivesse feliz em olhar para ele. E estava, mas também estava assombrada, triste e com raiva. Eram tantas emoções eclodindo e se remexendo no seu interior que estavam deixando-a confusa.

— Ela está ali, Boca de Truta. — Santana era melhor em encobrir sentimentos, mas quando ele a abraçou também e seguiu caminho até as crianças, ela o seguiu com o olhar, temerosa em vê-lo perto delas e perto de pessoas inocentes.

— Eu não sei o que pensar, Santana. — Quinn disse, olhando-a com as íris verdes perdidas. — Eu quero decidir se posso socá-lo ou abraçá-lo com tranquilidade.

— Vamos com calma. Ele não vai agir contra as crianças e nem pular a ordem.

— Ele está perto da Rachel, Santana. E perto das nossas filhas, amigos e família. Ele pode ser um assassino. — Quinn se afastou, caminhando para uma área mais isolada.

Santana a seguiu sem falar nada e a observou se sentar na grama aparada com a cabeça entre as mãos. Logo depois, ela se acomodou também. Estava igualmente desesperada, mas tentava pensar de forma coerente. Entretanto, seu medo aumentou quando olhou para cima. Os corvos estavam sobre um dos galhos da árvore na qual se encostaram e crocitaram em uníssono. Não tão alto, mas o suficiente para que ouvissem os dois e não chamassem atenção.

Os olhos de Schatten causaram em Santana o arrepio famigerado e indesejado. Os dourados que faziam a brisa fria passear no seu corpo. Munin, por outro lado, parecia triste e igualmente intenso.

Santana parou de fitá-los.

— Ligue para Warren. Vamos voltar para os nossos empregos.

Quinn acatou aquele pedido. Foi preciso apenas uma troca rápida de palavras para que ele garantisse que a papelada da recontratação estaria pronta no dia seguinte.

— Sabe o que isso significa, não sabe? Agora temos licença para andar em toda a delegacia novamente, principalmente o laboratório de análises.

Quinn encarou a amiga, vendo nos olhos dela a confirmação de que estavam pensando a mesma coisa.

— Vamos coletar o material necessário e fazer o teste de DNA.

— É por aí que vamos começar. Sem levantar movimento e sem comunicar outras pessoas.

Quinn sorriu minimamente. Aquele parecia um bom plano inicial.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Vamos torcer para que Schatten e Munin continuem quietos... Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. Bom começo de semana para todos vocês. =D twitter.com/yasagron