Alma final
2 Capítulo 2- precisamos conversar
Notas iniciais
Loki sentia que que o homem bode tinha muito a dizer.
Mas mesmo sentindo isso tão forte em seus poros, porque ele nao dizia nada?
Estavam em um momento tipicamente constrangedor aonde alguém diz que precisam conversar e acabam se olhando por vários minutos, cheios de constrangimento.
Loki nao reclamava exatamente disso , pois ,ao contrario do outro, os olhos do homem-bode tinha um magnetismo normal que todos esperam que um par de olhos tenha. Na verdade ela não reclamava. Como estavam se olhando, seu foco era gravar sua estranha fisionomia. Seu terceiro olho na testa, olhos de cabra. Seus chifres polidos relativamente maiores do que os do outro e no topo da cabeça, apontando para cima. O terno do outro era um risca de giz, esse usava smoking. Um relógio de bolso, aparentemente de ouro branco.E ela também percebeu que mesmo ele tendo mãos humanas, suas pernas terminavam em cascos, coisa que ela achou no minimo intrigante.
E mesmo depois de capturar todos esses detalhes, de ate mesmo perceber o sentido do pelo em seu rosto, ainda assim ele não falava nada. Loki não sentia medo, na verdade se sentia muito confortável em sua presença.Ela só não podia acreditar que ela teria que iniciar esse dialogo.
E ela decidiu dar a ele mais 3 minutos. Mas nada. " Então... você vai me dizer o que esta acontecendo? " ela tentou, mas ele ainda continuou em silencio. A garota decidiu examinar coisas em seu celular, se tinha sinal, mensagens, internet, ou se no mínimo ainda funcionava.
Sim , ele funcionava , não tinha sinal, não tinha internet, mas funcionava. E a primeira coisa que Loki percebeu de estranho no celular foi um ícone de aplicativo ativo, mas ela nunca nem tinha sonhado com esse ícone antes. Quando ela foi ver do que se tratava, era um download em processo e estava escrito " Fazendo download do capeta " , ela achou engraçado e se segurou para reter uma risadinha. Isso era uma piada interna, ela tinha certeza disso. Nem ao menos passou pela sua mente que se ela não tinha internet, não tinha como ela fazer um download.
O ícone, para os curiosos, tinha uma margem branca e dentro dele, também em linha branca, tinha o desenho de um rosto com chifres, não era uma expressão má, estava mais para contrariado, e embaixo do rosto tinha uma sombra vermelha.
O download estava em 78%.
Loki olhou uma ultima vez para o homem-bode. Absolutamente nada mudou. Quando sua atenção retornou para o celular o download tinha terminado. Ela então abriu o aplicativo.
Uma serie de letras e números sem padrão passou pela tela, a velocidade era progressiva, quanto mais rápido mais o celular vibrava ,e chegou a fazer a mão dela tremer. De repente parou. E reticencias brancas tomaram a tela, como se estivesse carregando. Mas era como se não existisse o mundo fora do espaço pessoal de Loki, pelo menos nesse momento. A única coisa que ouvia era o vibrar o celular, a única coisa que via era as letras e as reticencias surgindo e sumindo.Ela sentia como se sua mente transbordasse de informação, mas ela não conseguia interceptar nenhuma delas. Vendo de fora, várias letras brilhavam em seus olhos, completamente descondizentes com as letras da tela do celular, era como se um outro download estivesse sendo feito, mas em sua mente.
O aplicativo iniciou, sua interface era escura , simples e agradável.
E o homem-bode também "iniciou". " Desculpe, eu estava requisitando um meio de transporte" ele começou a falar, e após uma pequena pausa " ele já chegou, vamos? ". A pergunta mais soou como uma exclamação, retorica, como se um sim fosse óbvio. Mas não era óbvio. Uma plataforma abriu silenciosamente no chão e dela saiu um elevador antigo, como os do filme Titanic, suas grades eram de ouro e o chão forrado com um carpete vermelho. as paredes interiores eram de cor creme e tinham belos adornos, todas tinham espelhos ovais. Bem pequeno no canto tinha um banco de mogno preto, ele quase sempre passava despercebido.
Ela iria entrar assim? Sem mais nem menos? Nenhuma informação? Ela pessoalmente não sentia nada de errado nisso, mas a voz da sua mãe ficava na sua cabeça, e tudo aquilo que aprendeu sobre confiar em pessoas desconhecidas também. Ela não sabia se entrava ou não. Olhou ao redor, como se algo pudesse estar soprando a resposta do lado de fora, e viu aquele mesmo cruzamento de antes, uma arena e arquibancadas cresciam silenciosamente, não era coisa da sua cabeça, a humanidade realmente sumiu desse lugar,basicamente nada fazia som, ela tinha a impressão de que nem um tapa na cara teria seu estralo.
Tudo ao redor continuava cinza e mórbido, mesmo que tenha aparentado como se ela pudesse optar por uma escolha diferente, ela não sentia que isso pudesse realmente acontecer, o que ela faria nesse lugar cinza sem vida? Será que o mundo inteiro estava assim? A única coisa que parecia se mover eram as nuvens, fechando e nublando o céu, deixando tudo escuro.Ela não tinha uma opção. Então andou e entrou no elevador.
Varias coisas rondavam sua mente. " a gravidade ainda tem efeito? deve ter, aquela mulher se espalhou pelo chão.." "será que estou indo para o inferno? " " sera que ainda da pra comer as comidas cinzas? " " eu almocei hoje? ". Ela estava olhando para o chão. E quando olhou para a frente viu que a porta , que deveria estar na sua frente, sumiu, tinha apenas um espelho, como em todas as outras paredes. os desenhos que o prendiam eram curiosos.
A parte oval mais fina do espelho era a que ficava para baixo, esmagando um homem, depois vinham outros agachados sustentando o peso, não pareciam estar preocupados em retirar o homem esmagado la de baixo, os próximos pareciam estar equilibrando o espelho no lugar, quase no topo tinha dois deitados, pareciam mortos ou esgotados, e por fim um ultimo, em pé no espelho, com uma pose comemorativa. E Loki também analisou o espelho, para então perceber que o homem-bode estava de costas, direcionado para a porta, que tinha surgido atras dela. Ela se virou bem na hora que a porta abriu.
Dedos ágeis acertavam as teclas de um piano, isso, o som, uma das mais puras expressões da existência humana, acalmou-a em tantos níveis que nem ela tinha consciência do quanto estava incomodada. Era uma melodia ate melancólica. O chão que se estendia a sua frente brilhava em vermelho sangue no ambiente escuro, uma luz azul fria vinha do teto, ainda de dentro da cabine ela conseguia perceber que várias outras fontes de luz azul se espalhavam pela sala e ainda não eram suficientes para deixar o caminho claro.
O homem-bode nem se mexeu no lugar, só por esse motivo ela ainda não tinha entrado. Depois de vários minutos encarando o chão e se perguntando se era o andar certo, constatando que não tinha nenhum indicador de andar e muito menos um painel para escolher um número, e ate gostando da musica, ela olhou firmemente para ele. Ele devolveu o olhar e calmamente falou " Logo depois de você ".
" logo depois de você? ok então " ela pensou enquanto se enxia de confiança. Logo no primeiro passo a música parou, veio o som de todos os dez dedos se enfiando em teclas aleatórias e quando Loki achou de imediato o pequeno, lustroso e luxuoso palco aonde estava o piano de onde provinha a musica, tudo que ela viu foi uma manequim branca e sem expressão, ricamente vestida, lhe olhando fixamente. o palco estava no extremo canto esquerdo da sala.Se estendendo pelos vários metros a sua frente, tinha muitas poltronas, sofás e mesinhas de centro, grande maioria destes ocupados, como ela pode perceber depois de vários minutos. Todos olhando para ela.
A luz azul que vinha do teto, a primeira vista era posse de um lustre, mas se bem observado ela provem , obviamente, de vários e vários cristais presos no teto, e também espalhados pelo luxuoso salão escuro, com cheiro de café fresco. No teto também havia poleiros gigantes, em torno de 3 ou 5 , ela nao sabia ao certo, pois nem todo salão era visível dali.
A musica voltou e , tão repentinamente quanto antes, ela parou de ser o centro das atenções. Conforme voltou a andar, seu acompanhante saiu do elevador que simplesmente dissolveu no ar.
Seus passos eram silenciosos e calmos. Mas alguém , com sapatos barulhentos que faziam toc toc , se aproximava, ela sentiu passar reto e parar de frente para o homem-bode. Ela parou e observou-os. o desconhecido parecia querer falar alguma coisa, mas o bode simplesmente desviou e continuou seguindo, então o outro continuou seu caminho.
" Para onde eu vou? " Loki perguntou, ela não conseguia sentir nenhum proveito em continuar nesse lugar.
" Para onde quiser" foia a pior resposta que ela podia receber , pelo menos de seu ponto de vista .
" Não foi isso que eu quis dizer. Aonde eu posso ir? Um lugar meu, não quero continuar aqui "
" Cada um dos que estão aqui tem seus próprios aposentos, você pode ir para o seu, se desejar."
" Esta bem, quero ir para o meu aposento "
" Então deseje " ele falou, como se fosse obvio.
Esse tipo de resposta sem sentido sempre deixava Loki atordoada, como se fosse uma pegadinha, então ela ficou parada tentando achar a graça.
Assim que ouviu sobre o próprio aposento, uma parte sua desejou entrar nele, mas como? pelo pouco que andou não conseguiu ver nenhuma porta, de onde estava conseguia visualizar a parede. Ela desfez a expressão estranha do seu rosto e continuou seu caminho. A musica do piano se repetia. aquele lugar estava começando a lhe deixar desconfortável. ela queria cada vez mais seu quarto.
Quando chegou no final viu que crescia do chão, ao longo da parede, plantas, ela não sabia dizer de qual tipo, nunca foi uma exímia bióloga. Ao lado tinha mesas de café. E também um espaço entre essa fileira de mesas de café e as poltronas, sofás e mesinhas de centro. de um lado um caminho bem iluminado. Do outro um corredor escuro que nem se podia ver o fim. Também nunca foi uma exímia e destemida exploradora.Então seguiu pelo caminho iluminado.
O chão do corredor iluminado ainda brilhava em vermelho, mas entre o chão e o espaço tinha um tapete, também vermelho, como o do elevador, mas esse tinha linhas douradas em padrões aleatórios . Após minutos de caminhada ela chegou a grande fonte de iluminação. Um gigante tanque de água viva. Elas tinham diferentes tipos e tamanhos, algumas eram vermelhas, outras tinham coisas que lembravam espinhos, e também tinham umas transparentes, mas com cores em padrões que fez a garota pensar se eram ou nao venenosas. Ao ficar com seu rosto um palmo de distancia , ela conseguiu enxergar aquelas que eram menores que sua unha do dedo. E então seguiu seu caminho. Cerca de 5 minutos após o tranque terminar , ela chegou ao final do corredor. Nele tinha mais um daqueles espelhos ovais.
Só depois de vários segundos observando mais uma vez as gravuras, quando quis ver seu reflexo, que ela percebeu que não aparecia no espelho. Abaixo dele , alem das gravuras, tinham as plantas, e essas cresciam ate o espelho, como capim alto.
Do seu lado esquerdo, na mesma parede em que fica o tanque, tem uma abertura aonde se inicia uma escada escura de degraus baixos e corrimão de mogno, seu topo é tao claro quanto o corredor aonde estava. Olhou mais uma vez para o espelho e se assustou ao perceber o homem-bode logo atras dela. Isso a motivou a seguiu rapidamente pela escada, sem ter certeza do porque.
O chão também é de vidro, mas em vez de brilhar em vermelho brilhava em azul, através dele é possível ver todos aqueles cristais que estão no teto do andar de baixo. Pelo salão se espalhavam um monte de mesas de bilhar, pôquer , caça-niqueis , e outras coisas que ela não sabia o nome. Do seu lado esquerdo ela viu uma sacada e andou rapidamente ate ela.
Loki não se lembrava do teto ter uma abertura, mas a essa altura do campeonato isso não importava. ela conseguiu ter uma visão de todo o salão, conseguia ver o braço do manequim pianista, todas as pessoas sentadas e o chão vermelho. Foi uma visão detestável. Andando sobre ele ela não pôde perceber, mas agora olhando de cima ela viu claramente um rosto.
Um imenso rosto vermelho por todo o chão, parecia estar sofrendo e sangrando, a visão a deixou mal, ela quis tanto ir pra casa que quando voltou a si não estava mais no segundo andar do salão, e sim num quarto.
A parede esquerda era toda de vidro e tinha a sua vista noturna preferida de sua cidade predileta. Quando se aproximou e colou o rosto no vidro para ver as calçadas estava maravilhada a ver todo aquele movimento, mas estão se decepcionou ao constatar que com certeza era falso, pois tudo se repetia . Quando se virou para a cama de dossel viu em cima dela sua boneca preferida, que ganhou de seu pai para ter confiança no dia-a-dia da escola, ela ia com essa boneca para todo lugar e mesmo sendo de porcelana ela nunca quebrou, mas quando tinha sete anos ela sumiu misteriosamente. E lá estava ela. Na outra parede tinha uma pequena estante com livros. ela não precisou se aproximar para perceber que eram todos seus livros preferidos e aqueles que queria ler.
" O que esta acontecendo aqui? "
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