Allegrissimo
10 Reencontro
Seus ossos sentem o peso do tempo: as mãos não são mais tão ágeis. Consola-se pensando nos filhos que criou sozinha, por opção, nas gerações de violinistas que formou, nos palcos em que esteve, no fato de ainda conseguir entreter seus bisnetos com um allegrissimo.
Deita-se sorrindo, sentindo-se leve e serena como nunca. Sabendo que, apesar dos dissabores, de todas as perdas, conheceu alegrias incalculáveis.
Afago suas cãs. Tomo com carinho suas mãos: é hora de partir.
Seus lábios articulam uma pergunta travessa, como nos velhos tempos: “sentiu minha falta?”
“Sempre estive ao seu lado”, respondo, "mas ansiei pelo reencontro".
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