All their happy endings
2 Noah e Quinn Puckerman
Nome: Noah Puckerman
Quinn Fabray Puckerman, anteriormente Lucy Quinn Fabray
Residente: Chicago, Illinois
Ocupação: Recrutador da Força Aérea dos Estados Unidos
Professora de teatro no Lincoln Park High School
Dependentes: Elizabeth Corcoran, 8 anos (guarda compartilhada com Shelby Corcoran, residente em Nova Iorque)
Ella Puckerman, 6 meses
Status: Sob vigilância
~*~
“Eu estou te dizendo, Q... Meu oficial estava agindo de maneira esquisita e, de uma hora para outra, voltou ao normal. Eu cobrei uns favores do Brad, aquele cara viciado em computadores, e ele disse que nós estivemos em vigilância por três meses.”
“Mas, Puck... Isso não faz o menor sentido.” A loira veio da cozinha, secando as mãos no guardanapo. “Você não andou se metendo em nenhum rolo ilegal na força aérea, certo?”
“Claro que não, amor, assim você me ofende.” Reclamou o homem enquanto terminava de ajeitar os pratos na mesa. A princípio eu pensei que fosse mais uma das vistorias do juizado, pelo lance da guarda da Beth, mas o cara me falou de Segurança Nacional. Nacional!”
“Nesse caso eu espero que eles não tenham colocado escutas na casa, ou já estarão surdos com o choro da Ella.” Os dois riram da afirmação, observando a filha caçula sentada em seu cadeirão, o rosto completamente melecado pela papinha. “Você deixou ela comer sozinha de novo, Puck?”
“Eu não dei a papinha para ela.” Ele se defendeu, erguendo as mãos em sinal de inocência. Suspiraram juntos, enquanto ele caminhava até a porta do corredor. “Beth, foi você quem deu a papinha para a Ella?”
Silêncio e nenhum movimento no corredor.
“Elizabeth Corcoran, nós estamos falando com você.” Quinn ralhou com a filha mais velha, que surgiu do quarto com um sorrisinho amarelo.
“Ah, ela tava com fome, ué.” A loirinha deu de ombros, passando ao lado do pai e indo para o seu lugar na mesa.
“Essas duas vão ser parceiras de crime, não duvide.” Puck negou com a cabeça, voltando para a cozinha e apanhando a travessa de massa que a esposa havia preparado.
“E nós nos preocupamos com ciúmes.” A loira teve que rir enquanto o seguia e os dois sentavam à mesa.
A reaproximação de pais e filha havia sido uma iniciativa, novamente, de Shelby. Com o retorno de Rachel para Nova Iorque, a mulher havia tentado mais uma reaproximação. Mais madura e tranquila, a jovem judia pôde se abrir com mais facilidade ao carinho e convivência da mãe biológica, incentivando-a, assim, a reaproximar Beth dos recém-casados Quinn e Puck.
A princípio, a relação à distância era o bastante. Foram se conhecendo e quebrando as barreiras que uma criança de quatro anos poderia demonstrar, e logo, ela passava um final de semana por mês em Chicago com ambos.
Essa dinâmica funcionou até Quinn descobrir que estava grávida. Beth começou a querer ir vê-los todos os finais de semana e quando haviam consultas ou coisas para fazer durante a semana, dava chilique para não voltar para Nova Iorque.
Faltando poucas semanas para o nascimento de Ella, a loirinha colocou as mães e o pai no sofá e foi direta: queria se mudar para Chicago.
“Não é que eu não te ame, mamãe... Mas eu quero ficar junto com a minha irmãzinha, ver ela, cuidar dela. Eu fico triste quando eu to lá longe.” Explicou da melhor forma que sua cabecinha infantil conseguiu formular.
Obviamente foram atrás de um psicólogo, que explicou que era uma situação bastante normal. Beth era praticamente uma filha de “pais divorciados” e que, em determinados momentos, tenderia mais para um lado do que para o outro.
Novamente a iniciativa partiu de Shelby, apesar de Quinn e Puck já matutarem a ideia em suas cabeças. Beth se mudou para Chicago com os pais biológicos e passou a ser visitada por Shelby uma ou duas vezes por mês, já que se recusava a sair da cola da irmã caçula. Os três adultos passaram a partilhar a guarda da loirinha e a mãe adotiva já sondava se mudar para a mesma cidade que eles assim que resolvesse algumas coisas com Rachel.
“Filha, come devagar se não vai encher sua camiseta de molho. Já basta a roupa da sua irmã encardida de papinha.” A ex-cherrio repreendeu a filha, que comia de forma semelhante ao pai: como uma morta de fome.
“Nem é você que lava a roupa, mamãe, é a Julie. Para de reclamar.” Beth desdenhou, enchendo a boca com mais uma garfada de massa.
“Noah, você está ouvindo?”
“Que a nossa filha herdou seu gênio difícil? Já descobri isso no dia que ela nasceu; ou melhor, no momento em que ela não queria nascer e você estava me xingando como se eu fosse um condenado. Lamento te informar, mas a Ella tende a seguir pelo mesmo caminho.” Ele indicou as duas meninas com o garfo, falando com a boca cheia de comida.
“Ella, você ainda tem salvação, meu amor... Não seja com o papai, a mamãe ou a Beth.” Quinn levou a mão até a filhinha, brincando com seus dedinhos gorduchos e lambuzados. A pequena, de olhos verdes e cabelos bem finos e castanhos, apenas sorriu banguela e bateu no pratinho, fazendo voar papinha para todos os lados.
“Xi, mamãe... Se nem eu que cresci com a outra mamãe, fiquei diferente de vocês, imagina a Ella que vai estar com nós três juntos.” Lembrou Beth casualmente, prestando atenção em seu prato.
O casal trocou um sorriso sincero, emocionado e alegre. Depois de tanto tempo e tantas provações, a perspectiva de ter sua estranha, e um pouco complicada, família reunida era um presente divino e maravilhoso.
“Sabe o que nós podemos fazer?” Perguntou Puck, atraindo a atenção da primogênita. “Encher a banheira do papai e da mamãe.”
“E pode fazer espuma?”
“Quanta você quiser.” Prometeu Quinn. “Até a Ella vai entrar hoje.”
“Eu vou pegar as minhas Barbies.” A menina saltou da mesa, recebendo um assovio alto do pai. “O que foi?”
“Termina o jantar primeiro, senhorita ansiedade.”
O apartamento da família possuía três quartos, um deles sendo a suíte do casal. Beth ocupava um decorado em rosa e branco, cheio de fadas e borboletas, enquanto Ella ocupava o outro todo em tons lilás e repletos de ursos de pelúcia.
“O papai vai ser o Ken havaiano e a mamãe vai ser a Barbie Princesa Rockstar. A Ella vai ser a Barbie bailarina, mas não pode engolir o pé dela.” Os quatro estavam dentro da banheira usando apenas as roupas de baixo. Beth distribuía suas bonecas de forma organizada. “E eu vou ser a Barbie Rainha das Fadas.”
“Por que eu sou princesa e você é rainha? Deveria ser o contrário.” Quinn tinha um biquinho fofo no rosto, que fez o marido rir.
“Deixa ela, baby mama... Rainhas não podem ficar com plebeus havaianos, princesas rebeldes e roqueiras sim. Não é, Ella?” O homem olhou para a filha caçula, sentada em seu colo tentando engolir a espuma. “Acho que alguém vai ter diarreia.”
“Eca.” Quinn e Beth entoaram juntas, rindo logo em seguida. “Vamos começar a brincar.”
Por fim a menina mais brincava sozinha do que com os pais. Eles apenas iam mexendo os bonecos e entrando na onda da história dela, atentos em evitar que Ella engolisse espuma. Em determinado ponto, Beth fez um pedido inusitado.
“Agora a Princesa e o Ken vão fazer um dueto bem bonito para a Rainha e a Bailarina.”
Os pais sorriram um para o outro, combinando em silêncio qual música cantariam. Puck ajeitou Ella melhor em seu colo, enquanto Beth se aninhava à mãe e deixava as bonecas de lado.
“Tinha um desenho quando a mamãe era criança, ele se chamava ‘A Princesa Encantada’. E ela e o príncipe cantavam uma música muito bonita, chamada Far Longer Than Forever. E uma vez eu mostrei pro papai e ele gostou. Pode ser essa música?” Perguntou Quinn, acariciando os cabelos da filha.
“Pode.” Concordou a menina, já sonolenta pelo carinho.
“Acho que fica melhor com um instrumental.” Puck se esticou para apanhar o celular, ligando a música e deixando o aparelho de lado. “Princesa... Você começa.”
A música era realmente muito bonita e romântica, além de ter uma melodia suave e um compasso calmo. Ella não tardou a adormecer nos braços do pai, já tendo ultrapassado sua hora usual de dormir.
Beth lutou bravamente para resistir até o último momento, mas não foi o bastante. Aos últimos acordes já ressonava tranquila, recebendo um beijo carinhoso na testa.
“Quero ver para sairmos da banheira e colocarmos as duas na cama.” Sussurrou o pai, recebendo uma risada anasalada pela tentativa de fazer silêncio.
“Calma, meu amor... Nós temos tempo para isso.”
“Todo o tempo do mundo, minha loira.”
~*~
“Coach, você está chorando?”
“Você sabe que eu não choro, Becky... Apenas esses documentos que estão sujos e empoeirados pela falta de cuidado desses agentes.” Explicou a mais velha, secando os olhos por baixo dos óculos.
“Nós devíamos estar assistindo eles na banheira? Isso não é errado?” Perguntou a moça, observando a tela plana à frente delas, onde viam Puck se erguer da banheira com Ella nos braços, pegando uma toalha. “Nós temos permissão para instalar câmeras em banheiros?”
“Quando se trata da Segurança Nacional, não existe certo e errado.”
“Além do que, ver o Puckerman só de cuequinha é um bônus. Uhul.” A loira comemorou, fazendo a antiga treinadora rir. "Achei que ele tinha feito uma vasectomia."
"E você acredita em tudo o que contaram para Jacob? Aquele garoto é mais sensacionalista que o TV Fama... Nós temos uma semana antes que aquele lesado do Fornell pegue no tranco e mande retirar as câmeras. Está pronta para a maior sessão de espionagem que já fizemos, Becky?” A menina estremeceu ao ouvir aquilo.
“Não vamos fazer nenhuma loucura mesmo, certo, coach?”
“Eu já te dei minha palavra, Becky Jackson... Nós só vamos descobrir se podemos carimbar as fichas ou não.”
“Carimbar como, coach?” Ela observou Sue puxar uma caixa de sua gaveta, da qual tirou um carimbo gigante e bateu na ficha do casal Puckerman, onde antes se lia “sob vigilância”.
FELIZES PARA SEMPRE
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