All Your Fault
2 II
Notas iniciais
COMEÇOU A CHOVER. Rose ainda estava na metade do caminho e o vento estava muito forte, balançando o guarda-chuva e molhando-a por completo. Ela parou perto à uma loja de conveniência para respirar um pouco, guardou bem os seus pertences para não correrem o risco de “tomar um banho” e continuou a andar.
Ela tornara a caminhar, um pouco mais rápido do que o normal, por conta das ruas silenciosas no fim da tarde, Um compromisso de última hora talvez? — Preocupada, Rose se perguntava sobre o que pode ter acontecido com sua mãe.
Assim que chegou na frente da creche, parou em baixo de um pequeno telhado próximo ao portão, fechou o guarda-chuva, soltou os cabelos ruivos ensopados e tocou a campainha. Um senhor a atendera, devia ser o porteiro, ela o cumprimentou com a cabeça, e entrou. De longe enxergou sua irmã, sentadinha em uma das cadeiras da recepção, balançando os pés.
— Emma – Rose a chama.
Emma se levanta e anda até Rose, segura nas mãos dela, e as duas vão em direção da saída. A lua apareceu depois de uma tarde inteira de chuva. Rose pegou o celular de dentro da mochila, o relógio marcava 19:45, era tarde pra elas irem andando e muito perigoso também. Ela avista um táxi vindo e então faz sinal pra ele parar. Elas duas entram no veículo e seguem o caminho. Emma ficou fazendo desenhos no vidro ainda embaçado por causa da chuva e Rose ficou escutando música no seu celular. Ela viu sua irmã cochilando quase o trajeto inteiro, a garota era tão linda dormindo. Depois de alguns minutos, elas chegam em casa. Rose acorda Emma que desperta rapidamente, o preço do táxi foi U$ 25. Ela paga ao motorista e abre a porta para que a irmã pudesse sair.
As luzes do prédio estavam apagadas, o que era normal porque o gerador estava danificado, elas tiveram que subir pela escada de emergência. Rose ligou a lanterna do seu celular, e acompanhou os passinhos da Emma degrau por degrau. O apartamento onde elas moravam ficava no 5º andar e era o 103. Ela se abaixou e pegou a chave reserva debaixo do tapete, o que não foi preciso porque a porta estava só encostada.
Rose tirou o casaco e mandou Emma ir trocar de roupa no quarto.
— Mãe? – Ela a chama, mas ninguém a responde.
Ela tenta ligar a luz da sala, mas parece que a queda de energia afetou o prédio todo. Rose vai até a lavanderia por essas roupas molhadas para lavar na máquina, e depois foi até a cozinha pegar algumas velas. O cômodo estava mais escuro do que o normal. O celular deu o alerta de bateria fraca, com isso, ela não pôde ligar a lanterna. Rose pegou um banco pra alcançar a prateleira e pegar 2 velas. A preocupação estava tomando conta dela, queria saber onde a mãe dela estava. Procurou pelo número da Kate no celular e tentou ligar mais uma vez. Chamava e chamava, portanto havia algo diferente nessa hora, Rose podia escutar o celular de sua mãe tocando de dentro da casa.
A ENERGIA VOLTA. Rose solta um grito bem alto, dando de escutar por todo o prédio silencioso, ela acabara de encontrar sua mãe, degolada no chão da cozinha.
— MÃE, NÃO MÃE. FALA COMIGO. – Em prantos, Rose tentara falar com sua mãe.
— Maninha? – Emma chama por ela.
— EMMA, NÃO VEM AQUI. VAI ATÉ O APARTAMENTO MAIS PRÓXIMO E FALA PRA ELES LIGAREM PRA POLICIA. AGORA! – Rose não sabia o que fazer, o nervosismo havia tomado conta dela. Ela tentara fazer de tudo, estancou o sangue, mas já era tarde demais.
Ela deixou-a no lugar onde encontrara e tentou correr até a ajuda, mas foi interrompida, quando escorregou na água que tinha vazado da máquina e bateu a cabeça no chão, desmaiando.
2 meses depois.
Dois meses se passaram depois da tragédia que abalou a vida de Rose. A polícia considerou a morte de Kate Quinn como assassinato, ninguém achou o culpado. As câmeras de segurança do prédio filmaram naquela noite Kate entrando no apartamento acompanhada, a pessoa estava usando um casaco azul com capuz, dificultando saber se era homem ou mulher. Nenhum tipo de prova ou impressão digital foi encontrada no apartamento, somente a vizinha, que escutou o que parecia ser uma discussão.
Logo após o enterro de sua mãe, Emma, foi morar com seu pai em Los Angeles e Rose largou o emprego no Pop’s e foi morar em Woodsboro, uma pequena cidade no estado de Maryland, que fica em cerca de 532 quilômetros de distância de Waterbury, agora juntamente da sua nova responsável, Edna Quinn, sua avó.
Querido diário, hoje vai ser diferente. Hoje vou dizer para as pessoas que eu estou bem, ou pelo menos fingir que estou...
— CAFÉ DA MANHÃ! – Edna interrompe os pensamentos de Rose.
— Já estou indo vó.
Ela desliga o notebook, fica de pé e se espreguiça o máximo possível. Rose tinha que recomeçar, fazer novos amigos, conhecer a cidade. Hoje é o primeiro dia de aulas da faculdade nova e também, é a primeira vez em que ela vai sair de casa, sentir o cheiro das flores na primavera, e pra sua má-sorte, hoje começa o expediente de trabalho na cafeteira em que Rose conseguira um emprego.
Ela desceu as escadas tentando achar uma forma de dizer que está bem e bate de encontro com Josh.
Josh Quinn era primo dela, tinha uns 19 anos e vivia com Edna desde que seus pais o expulsaram de casa, ele era mais alto que ela, tinha olhos azuis sedutores e mesmo sabendo que ele é primo dela, ela tem uma “quedinha” por ele.
— Cuidado Rose boboca – Ele a segura pelos braços e ela aproveita para pegar no bíceps dele.
— Bom dia Kate – Uma voz inesperada se intromete na conversa.
— Vó? O que aconteceu... Ah não! Você encheu a cara de novo? – Rose encontra-a sentada na cadeira da sala de jantar com uma birita na mão, essa é a terceira vez em um mês que isso acontece. – Você deixou ela sair ontem Josh? – Ela olha pra ele com uma cara de brava e ele retribui com um “eu não sei de nada”.
— Você parece muito com a sua mãe. Aquela piranha desgraçada teve o que mereceu – Ela xinga a própria filha.
— Pra você já deu Edna...
— Eu sou sua avó sua vadia mirim – Ela me interrompe.
Enquanto Josh só observava tudo, Rose pegou a garrafa da mão de sua vó e jogou no lixo. Em seguida, agarrou a mão e a levou para tomar um banho.
— Poxa Vó! Essa já é a segunda vez que isso acontece. Você tem que parar com isso urgente – Rose abaixa a tampa do vaso sanitário e tentar sentar a Edna que não parava quieta no lugar. – Eu vou deixar você aqui com o Josh, tenho que sair pra faculdade. Não posso me atrasar no primeiro dia, não é mesmo?
Edna fez que sim, e até soltou um pequeno sorriso.
— Você parece com sua mãe, sempre destemida e otimista. Me desculpa ter te chamado de vadia. – Ela puxa a neta e dá um abraço apertado, e Rose retribui com carinho.
— Agora vê se você toma um banho bem gelado e se deite. Tenho que ir. Beijos. – Um beijinho na bochecha de Edna foi a forma de Rose se despedir.
Ela sai do banheiro e vai até a cozinha, pegou o copo de café que Josh deixara para ela e tomou minutos antes de ter que ir. Deu alguns passos até a sala de estar, onde pegou seu celular em cima da mesinha de centro e também sua mochila e saiu. O dia estava ensolarado, o clima estava perfeito. Essa seria a nova vida de Rose, daqui por diante.
Fale com o autor