All You Wanted
12 Capítulo 12
Notas iniciais
HSAUASHUASHAUSHASUHSAU
Obrigada mais uma vez pelos reviews e principalmente, pelos incentivos para terminar a fanfic.
Sobre o término, tenho uma EXCELENTE notícia!
Como esse capítulo ia ficar IMENSO e sem emoção, deu decidi dar mais um capítulo e mais emoções para a fanfic!
Espero que estejam satisfeitos, teremos mais um capítulo e esse é o penúltimo.
Bem, boa leitura!
Arriscando Tudo
Quinn não sabia quanto tempo passou agarrada aos braços da irmã chorando e soluçando. Só sabia que se pudesse, ficaria ali para sempre. Ignorou todas as vezes que Judy aproximou-se com a caixinha de primeiros-socorros, ela não queria que cuidassem de seus machucados, ela só queria chorar e chorar em paz.
A cheerio sentia como se todo o peso da sua sexualidade tivesse desabado sobre sua cabeça. Como fora ingênua ao acreditar que todos aceitavam aquilo naturalmente como Mercedes, Kurt, sua mãe e os pais de Rachel... Enquanto sentia as lágrimas escorrerem pela sua face e arderem em sua pele machucada, Quinn só conseguia pensar que não teria forças para enfrentar aquilo tudo.
Russel Fabray conseguira o que queria: Quinn estava insegura, amedrontada e envergonhada como sempre ficava quando aquele homem aproximava-se dela e gritava. Ainda impressionava a influência que o pai tinha sobre ela depois de um ano sem vê-lo... Quinn sentiu-se ainda mais covarde e imprestável.
— Quinnie? Vamos, nós precisamos cuidar disso! – A voz de Frannie soou preocupada e distante, mas mesmo assim pareceu acordar a cheerio de seus pensamentos. Quinn levantou os olhos para a mãe e a irmã e viu nos olhos delas o reflexo do quão destruída estava, Judy aproximou-se cuidadosamente com um algodão banhado em álcool e passou pelo hematoma na face esquerda de Quinn. A cheerio deu um gemido de dor e afastou-se por puro reflexo, Frannie levantou-se irritada e exclamou:
— Eu vou matá-lo! Quem ele pensa que é para agir com Q dessa forma?!
— Sente-se Frannie. – Judy disse com a voz autoritária e puxando a filha mais velha para o sofá, em seguida voltou a olhar para a filha mais nova. – Só vamos fazer alguma coisa se Quinn quiser que façamos. É uma decisão dela.
Frannie e Judy olharam para Quinn exigindo uma resposta, a cheerio não agüentou a intensidade de ambos os olhares e levantou-se dando as costas para as duas. Quinn abraçou os próprios ombros e respirando fundo, daria tudo para não estar sentindo aquela vergonha, mas Russel tinha a incrível capacidade de humilhar tanto as pessoas a ponto de fazê-las acreditarem que eram imprestáveis como ele dizia que eram... Quinn fixou o olhar na parede, desejando com todas as forças que seu sentimento por Rachel não vacilasse.
— Eu não quero fazer nada, eu quero esquecer que ele existe. – Quinn disse com o tom de voz cada vez mais baixo, virou-se para a irmã e a mãe que olhavam incrédulas para ela. – Só vamos esquecer, tudo bem? Eu nem mais me considero filha dele, posso conviver com isso.
— Mas Quinnie, ele te bateu e... – Frannie começou a falar desconfortável até receber um olhar da mãe e se calar, então se aproximou da irmã caçula e a envolveu em um abraço apertado. Quinn agradeceu muito por aquilo e aninhou-se nos braços da irmã, Frannie deu uma gargalhada e disse divertida:
— Nem sequer percebeu que a sua irmãzinha querida veio especialmente para a exposição do seu desenho na amostra anual e para te ver nas Seletivas.
— Sério que você vai ficar aqui pelas próximas semanas? – Quinn perguntou com um sorriso triste, descobrindo nesse instante que sorrir doía pelo soco de Russel, Frannie abriu um sorriso enorme e incrivelmente parecido com o sorriso da irmã e respondeu animada:
— Não só pelas próximas semanas e sim, pelo próximo mês! Pelo que a mamãe me falou, você tem muita coisa pra me contar!
Quinn sentiu um pouco do peso em seus ombros diminuir e parou de fazer pirraça ao deixar a mãe cuidar de seu machucado. Olhou para Frannie que tinha os olhos castanhos do pai, mas que ao contrário dos olhos de Russel, eram cheios de calor e bondade, Quinn e Frannie eram iguais, exceto pelos olhos.
A cheerio não pode evitar sorrir por ter a irmã tão perto, mas sua mente estava longe, repassando cada momento que passara com Russel. Sentia os ferimentos provocados pelo pai arderem enquanto Judy cuidava dela, mas Quinn evitava pensar em Rachel, porque pensar na diva era doloroso. Porque parecia que cada pedaço de si tremia ao imaginar o que teria de enfrentar e também porque duvidava que seu amor pudesse enfrentar tanto ódio e tanta intolerância.
— Acho que é melhor você não ir à aula, pelo menos até o fim dessa semana. – Judy anunciou com a expressão sombria enquanto terminava de limpar os ferimentos da filha para começar os curativos, Quinn notou que a mãe parecia sentir-se culpada pelo que acontecera e por isso, não questionou e apenas afirmou com a cabeça.
— O único problema são os ensaios...
— Podemos falar com Mr. Schue sobre isso, ele vai entender. – Judy rapidamente interrompeu a filha e terminou de passar uma pomada que provocou um alívio instantâneo. – Agora quero que você suba lá pra cima, Frannie pode te ajudar com o banho enquanto eu preparo o jantar.
Quinn acenou afirmativamente e subiu as escadas, acompanhada pela irmã que ia calada, mas inquieta ao seu lado. A cheerio tinha certeza que Frannie estava com algumas perguntas engasgadas na garganta, só que ela não estava disposta a respondê-las, ao menos, não naquele momento.
Ao chegarem ao quarto de Quinn, Frannie acomodou-se na cama enquanto observava a irmã mais nova pegar algumas roupas e trancar-se no banheiro. Frannie percebeu como aqueles anos que passara fora tinham mudado Quinn, a cheerio parecia ser tão madura e naquele momento, parecia estar confusa diante de tudo que acontecera.
Frannie estava com vontade de matar o pai, aliás, para ela, Russel deixara de ser o chefe daquela família há bastante tempo e o que ele fizera com Quinn só sustentara a idéia de que ele não merecia uma segunda chance. Frannie percorreu o quarto da irmã e seus olhos logo chegaram ao bloco de desenho que estava em cima da escrivaninha.
Frannie abriu-o lentamente e os primeiros desenhos não a surpreenderam, eram paisagens, cenas cotidianas... O tipo de coisa que ela sabia que Quinn gostava de desenhar desde pequena. O que a surpreendeu foi o desenho lá pelo meio do bloco, era uma garota e Frannie reconhecia quem era.
Uma garota morena em cima de um palco e o desenho em seguida era um rascunho não terminado da mesma garota... Frannie deu um sorriso, bem que a sua mãe dissera que Quinn estava começando a aceitar as coisas. Nesse instante, a porta do banheiro abriu-se e Quinn saiu por ela, com cara de cansada e os cabelos molhados. Quando a cheerio percebeu o que a irmã olhava, perguntou assustada:
— O que você pensa que está fazendo, Frannie?
— Estava olhando seus desenhos, não posso? – Frannie respondeu com um ar divertido e recolocando o bloco de desenho sobre a escrivaninha. Quinn fez uma expressão frustrada e suspirou pesadamente, sentou-se ao lado da irmã e justificou-se:
— Sobre a garota do desenho, eu posso expli...
— Não precisa explicar, eu sei muito bem quem é. – Frannie interrompeu calmamente e puxando a irmã para sentar-se ao seu lado, encarando-a com bondade. – Mamãe deixou algumas coisas no ar e eu juntei as peças, já esperava por isso.
— Do que você está falando? – Quinn perguntou boquiaberta enquanto observava a irmã rir de sua preocupação, Frannie deu um sorrisinho de lado e respondeu:
— Sempre desconfiei que aquela sua obsessão por Rachel Berry pudesse ser algo maior, eu sempre fui observadora e de cara vi que você nutria uma coisa diferente por ela.
— Você realmente nasceu para ser psicóloga... – Quinn referiu-se rindo ao curso que a irmã fizera, Frannie deu uma gargalhada, mas em seguida observou que a irmã mais nova ficara séria e com um semblante preocupado. Frannie rapidamente falou:
— Eu não te julgo nem nada, tudo bem? Eu quero que você seja feliz, independente de quem seja capaz disso!
— Mas... – Quinn tentou começar a falar, mas um nó formou-se em sua garganta. As palavras e a atitude de Russel ainda impressas em sua mente e no hematoma em seu rosto, a cheerio estava com medo do que teria que enfrentar. Frannie, como toda boa psicóloga, percebeu o que perturbava a irmã e completou séria:
— E acho que você não deve se preocupar com o que os outros pensam. Principalmente com o que Russel pensa, ele deixou de ser nosso pai quando te expulsou de casa no ano passado, o que você tem que entender é o que você vai ter que enfrentar daqui pra frente.
— É disso que eu tenho medo! – Quinn exclamou com uma nota desesperada na voz e as lágrimas voltando a cair dos olhos castanho-esverdeados, Frannie aproximou-se e abraçou a irmã protetoramente, sentindo a fúria que sentia por Russel aumentar ainda mais. Em seguida, disse:
— Você vai sentir medo, insegurança e principalmente, vergonha. Mas se você realmente gosta dela, vai ter que aprender a lidar com tudo isso.
As palavras de Frannie pegaram a mente de Quinn de jeito, o que sentia por Rachel? Sabia que dissera várias vezes que a amava, mas será que era amor mesmo? Era realista o bastante para saber que nem sempre o amor podia sustentar uma relação... Será que teria coragem para enfrentar tudo por Rachel? E quando dizia “enfrentar tudo” incluía-se o preconceito, as agressões e as piadinhas idiotas? Quinn estava insegura como nunca se sentira em relação ao sentimento que nutria por Rachel. E aquela insegurança estava tomando conta dela aos poucos...
— Meninas, o jantar está pronto! – A voz de Judy ecoou distante no quarto, Quinn não queria sair do abraço com a irmã. Só conseguia imaginar para onde fora aquela coragem de pouco tempo atrás através da qual enfrentara Russel... Mas Frannie separou-se dela com um sorriso compreensivo, deu um beijo na testa da irmã e disse:
— Eu me lembro da Rachel Berry e se eu estiver certa, ela pode ser meio paranóica e maluca... Mas ela tem a coragem necessária para enfrentar tudo por você.
Frannie deu as costas e saiu do quarto, deixando Quinn presa em seus pensamentos novamente. A cheerio não sabia se ria ou se chorava com aquilo, também sabia que Rachel enfrentaria qualquer coisa por ela... Só que Quinn não queria que ela sofresse o mesmo que acabara de sofrer.
***
Rachel estava com o humor tão bom na quinta-feira que quase matou Jacob quando ele veio falar com ela nos corredores. Também sobrou um pouco para Finn que deu a entender que queria sair com ela no sábado. E aquele mau humor todo se resumia a apenas uma pessoa: Quinn Fabray.
Quinn deixara algumas mensagens e ligações, mas foram poucas comparadas ao que ela fazia quando as duas discutiam. E o pior, a cheerio não fora a aula e ninguém a quem Rachel perguntara sabia do sumiço dela, nem mesmo Kurt.
Então, quando Rachel avistou Mercedes nos corredores antes da aula de Química, correu para perguntar.
— Bom dia Mercedes... – Rachel dissera com um enorme sorriso no rosto, fazendo Mercedes olhar para ela desconfiada. – Será que podemos conversar por alguns minutos?
— Para você vir falar comigo deve estar muito desesperada... – Mercedes comentou com um sorriso sarcástico e fazendo Rachel revirar os olhos. – O que foi que você aprontou com a Quinn dessa vez?
— Eu não aprontei nada! Foi ela que desapareceu depois de ontem! – Rachel respondeu sentida e encarando Mercedes ofendida, Mercedes riu da diva e continuou a caminhar com Rachel em seu encalço. Mercedes estava tão preocupada com Quinn quanto Rachel, a cheerio avisara por Santana que não compareceria as reuniões de ensaio do Glee Club e que Sam deveria ir à casa dela ensaiar, Mercedes sabia que Quinn não era de fugir e aquilo tudo estava soando muito estranho.
Rachel estava preocupada, por mais que estivesse irritada com a aparente despreocupação de Quinn, conhecera a cheerio o bastante para saber que ela estava com problemas. Na realidade, alguma coisa dentro da diva dizia que as coisas tinham mudado bruscamente ontem.
— Eu vou te matar garoto! Aproxime-se de mim de novo e eu te mato! – A voz de Dave Karofsky interrompeu a conversa das duas bruscamente, Mercedes e Rachel correram rapidamente para o local da onde vinha a voz e encontraram Kurt caído com Karofsky gritando na cara dele.
— Quem você pensa que é Karofsky?! – Rachel exclamou furiosa enquanto jogava os materiais em cima de Mercedes e corria para ajudar Kurt que parecia amedrontado o bastante para não conseguir se movimentar sozinho. – Se erguer a voz de novo para Kurt eu...
— Você o que Berry? – Karofsky perguntou com um ar sarcástico e batendo no armário para assustar Rachel que deu um pulo, Azímio tentava segurar o amigo que parecia descontrolado, os olhos de Karofsky estavam até fora de foco. Rachel ia responder quando ouviu passos atrás de si, Finn e Puck empurraram Karofsky para longe e Sam disse agressivo:
— Ela não vai fazer nada, mas eu vou! Se chegar perto de Kurt novamente, eu te parto em dois!
— Olha que lindo... Você é o namoradinho dele, por acaso, Evans? – Karofsky perguntou com ironia, mas Mercedes viu nos olhos dele que ele queria saber a verdade. A expressão de Sam contorceu-se em ódio, ele passou por Finn e Puck com uma força descomunal e acertou um soco na boca de Karofsky. Todos que observavam a cena ficaram confusos com aquela atitude.
— Não ouse falar assim de Kurt, senão eu te mato!
— Você é maluco, Evans? – Karofsky perguntou levantando-se bruscamente e partindo para cima de Sam que estava disposto a brigar, porém Finn e Puck o empurraram para o chão novamente. – Quer morrer no próximo jogo? Eu posso muito bem deixar que você seja atingido!
Mais passos e dessa vez, uma série de professores chegou a cena. A Treinadora Beiste aproximou-se de Karofsky e rapidamente o rapaz murchou de medo, em seguida, ela disse autoritária:
— Você não vai fazer mais nada porque está fora do time, Karofsky!
— Eu não diria que ele está fora do time e sim, fora da escola... – A Treinadora Sylvester dissera ainda mais autoritária fazendo os membros do Glee Club que presenciavam a cena olharem para ela com surpresa, não era todo dia que a Treinadora Sylvester defendia os maiores perdedores do colégio. Até Mr. Schue que acompanhava a cena pareceu um pouco atônito ao falar:
— Você ameaçou um aluno de morte, Karofsky. O Diretor Figgins vai tomar as devidas providências quanto a isso. Kurt e Sam, se puderem nos acompanhar...
Kurt olhou para Rachel pedindo mudamente que a morena fosse com ele e ela olhou de volta acenando afirmativamente. Mercedes deu um sorriso agradecido a Sam que coçou a cabeça e acompanhou Mr. Schue, os alunos se dispersaram após a Treinadora Sylvester ameaçar a maioria de morte.
Enquanto caminhavam, Rachel abraçava Kurt e murmurava que tudo ia ficar bem, sendo que ela também estava assustada com a agressividade de Karofsky. Não queria nem imaginar o que ele faria caso soubesse dela e Quinn. Sam deixou-se ficar para trás e perguntou preocupado a Kurt:
— Você está bem?
— Sim, só assustado... Mas já passei por coisas piores! – Kurt respondeu agradecido e recebendo um sorriso de Sam em troca, Rachel sentiu-se sobrando ali, mas abriu um sorriso e disse sincera:
— Muito obrigada Sam, não sei o que ele teria feito caso você não tivesse chegado com os meninos.
— Se ele erguesse a mão para qualquer um do Glee ia sofrer as conseqüências. Nós combinados de revidar caso ele continuasse! – Sam respondeu sério enquanto olhava para Karofsky e recebia dele um olhar cheio de fúria, Rachel deu uma risadinha e virou-se para Kurt que observava Sam com admiração.
Rachel fez uma expressão confusa enquanto entrava na sala do diretor, algo ali não estava se encaixando.
— Dave Karofsky não poderá ser expulso! – O Diretor Figgins anunciou com um ar pesaroso ao pai de Kurt, Burt Hummel que deu um soco na mesa tamanha a raiva. Mr. Schue olhou incrédulo, Rachel deu um suspiro conformado e Kurt encolheu-se mais ainda de medo. Sam levantou-se e disparou:
— Mas ele ameaçou o Kurt, você vai deixar um idiota como ele continuar a estudar aqui?
— Não é uma decisão minha, Sr. Evans... – O diretor parecia mesmo sentido enquanto se justificava. – Mas os pais dele são patrocinadores, o conselho não pode perdê-los.
— Mas ele quase matou Kurt! – Sam retrucou fora de controle, assustando a maioria dos presentes na sala, inclusive o próprio Kurt. Mr. Schue puxou Sam de volta para a cadeira, Burt Hummel respirou fundo e passou a mão pela testa antes de dizer:
— Então eu vou mudar Kurt de escola... Não vou permitir que meu filho seja ameaçado só porque um idiota burro não consegue lidar com diferenças!
— Calma Sr. Hummel, nós podemos proteger o Kurt aqui! – Mr. Schue justificou-se preocupado não só com Kurt, mas com as Seletivas em si. Burt olhou para o professor, depois para o diretor, para Sue que estava inexplicavelmente quieta no momento, para Rachel e Sam. Depois respondeu:
— Vocês não vão poder ficar o tempo todo perto dele e esse garoto parece ser muito perigoso. Eu prezo pela segurança do meu filho, o Kurt vai mudar de escola e vai ser amanhã mesmo.
Dizendo isso, Burt saiu da sala, dando a conversa por encerrada. Mr. Schue suspirou frustrado e sentou-se na cadeira com um ar preocupado, Rachel entendia perfeitamente. Senão tinham chances com Quinn e Sam cantando, imagina agora sem Kurt e tendo que procurar um membro às pressas? Sue levantou-se para sair da sala e disse:
— Eu não esperava isso de você Figgins, você deveria ter sido mais corajoso!
Ela saiu da sala, Mr. Schue saiu logo em seguida sem se despedir e rapidamente todos os acompanharam. Quando chegaram do lado de fora, Kurt olhou preocupado para Sam e perguntou:
— E a sua mão? Machucou?
— Karofsky tem uma cara de pau mesmo... – Sam murmurou entre risos, arrancando um sorriso de Kurt e novamente, Rachel sentiu que sobrara ali. – Minha mão dói um pouco, mas nada além disso.
Rachel percebeu que nenhum dos dois parecia querer tocar no assunto de que Kurt mudaria de colégio, ouviram passos apressados no corredor e o resto do Glee Club apareceu. Finn e Puck cumprimentaram Sam pela coragem e Mercedes jogou os materiais de Rachel de volta para ela.
— É verdade? Karofsky ameaçou Kurt de morte? Eu e Brittany estávamos... – Santana corou nessa hora e Rachel deu uma risadinha, sabia muito bem onde as duas cheerios estavam. – Bem, não importa onde estávamos. Você vai mudar de colégio mesmo, Kurt?
— Parece que sim, meu pai disse que amanhã eu já não venho para escola. – Kurt murmurou triste recebendo um abraço inesperado de Sam que sorriu para ele. Os membros do Glee entreolharam-se com compreensão nos olhos, em seguida, Mercedes pigarreou e disse:
— Primeiro Quinn e agora, o Kurt. Não precisamos de ninguém para nos destruir, conseguimos sozinhos!
— Quinn? Como assim? – Rachel perguntou confusa, pelo que sabia, ninguém sabia onde Quinn tinha se metido. Sam respondeu:
— Parece que ela está doente, vou lá ensaiar com ela e depois conto o que ela tem... Até mais, pessoal!
O loiro saiu dali cumprimentando a todos e dando um olhar significativo para Kurt, Rachel estava longe dali, preocupada com Quinn. Tão preocupada que não ouviu Santana comentar maldosa:
— Foi só eu que percebi o climão que tá rolando?
***
Sam chegou a casa de Quinn ligeiramente nervoso, estava preocupada com a cheerio e principalmente, preocupado com a sua atitude no colégio. Inexplicavelmente, aquela sensação de que devia proteger Kurt dos outros estava tornando-se cada vez mais forte dentro de si. Quem atendeu a porta era uma garota muito parecida com Quinn, só que tinha os olhos castanhos e parecia ser mais velha.
— Ah você deve ser o Sam! – A garota puxou Sam para dentro com um sorriso enorme no rosto, Sam viu a mãe de Quinn o cumprimentar com um aceno. – Sou Frannie, irmã dela. Quinn está lá em cima e pediu para você esperá-la. Eu e mamãe vamos ao supermercado enquanto isso.
Sam apenas acenou enquanto Frannie falava e sentou-se na sala, logo ouviu Quinn descer as escadas e levantou-se para cumprimentá-la. Frannie e Judy já tinham saído e quando os olhos de Sam encontraram Quinn, uma expressão assustada formou-se na face dele e ele perguntou:
— O que aconteceu com você, Q?
Quinn olhou-se rapidamente no espelho em cima da lareira. Seu rosto ainda tinha o hematoma próximo ao olho que adora adquirira um tom arroxeado e a face dela ainda doía devido ao tapa, mas ela estava bem. A cheerio sorriu e respondeu:
— Parece pior, mas não é. Digamos que... Eu desobedeci meu pai.
— Mas que tipo de pai faria isso? – Sam disse revoltado e se aproximando de Quinn para verificar o machucado, Quinn não viu maldade nos atos dele, na realidade, Sam parecia tão mudado e diferente do Sam que ela vira na quarta-feira. Quinn segurou a mão dele que estava prestes a tocar o hematoma e disse séria:
— Não foi nada Sam, eu estou bem.
— Eu percebi que você está bem. Só quero saber o que você fez de tão grave para seu pai te agredir dessa forma... – Sam comentou com um sorriso gentil e olhando para Quinn com admiração, a cheerio sorriu para ele, Sam estava começando a tomar uma parte muito especial de seu coração. Quinn viu sinceridade na amizade dele e decidiu contar.
— Eu apenas assumi algumas coisas para ele, ele não gostou e partiu para ignorância.
— Assumiu algumas coisas, ham? – Sam repetiu com um ar pensativo, mas em seguida o sorriso voltou ao seu rosto. – Como eu te disse, eu não sou burro Q... Sei muito bem o que você assumiu para seu pai.
— Se sabe, por que pergunta? – Quinn retrucou com um ar brincalhão e empurrando o garoto, Sam deu uma gargalhada e olhou pensativo para a cheerio. Estava precisando conversar com alguém sobre o que sentia, mas preferia que a loira tocasse no assunto, não ele. Quinn observou o ar preocupado de Sam, sabia muito bem o que era, mas preferiu ficar calada.
Sam interrompeu o silêncio com uma informação que fez o coração de Quinn quase saltar pela boca.
— Rachel perguntou de você hoje.
— Ah é? Que horas? – Quinn perguntou fazendo-se de desentendida e pegando a folha com a letra da música que Sam deixara em cima da mesinha. Sam riu da tentativa de permanecer indiferente de Quinn e disse despreocupado:
— Logo depois que Mercedes deixou escapar que você tinha desaparecido...
— Ah sim, ela só perguntou isso? – Quinn perguntou curiosa, por mais que estivesse confusa com seus sentimentos e sua coragem, a simples menção do nome de Rachel ainda provocava sensações extremas e indesejadas nela. Sam sentou-se no sofá e apanhou a sua folha com a letra da música e tornou a responder:
— Sim, porque estavam todos muito preocupados com o Kurt.
— Com o Kurt? Como assim, Sam?! – Quinn questionou esquecendo-se de Rachel por alguns momentos, Sam fez cara de quem acabara de falar demais. O rapaz passou a mão sobre os cabelos e suspirou, Quinn colocou as mãos sobre os ombros dele e tornou a perguntar:
— O que aconteceu?
— Karofsky ameaçou Kurt de morte hoje... – Sam começou a falar e inexplicavelmente, sua voz falhou em alguns momentos. – E eu acabei partindo para cima dele.
— Partindo para cima dele, é? – Quinn repetiu com um ar risonho, fazendo Sam levantar os olhos para ela. A cheerio ficou séria, entendendo perfeitamente o que estava se passando dentro dele e completou:
— Ninguém tomou providência alguma, certo?
— Como você sabe? – Sam questionou incrédulo, Quinn deu um sorriso para ele e disse conformada:
— Vivemos em uma cidade pequena e intolerante Sam, estava na cara que ninguém ia tomar providência.
— Kurt vai mudar de escola. – Sam murmurou como se aquela fosse a coisa mais difícil de dizer no momento, Quinn abraçou-o pelos ombros e deu um sorriso. Em seguida, separou-se dele e perguntou:
— E o que você sente em relação a isso?
— Eu não sei, eu só... – Sam ficou de pé novamente e deu algumas voltas pela sala, colocou a mão na testa e respirou fundo. Estava com problemas de admitir aquilo para si mesmo e estava feliz que Quinn estivesse ali para ajudá-lo. – Eu só não quero que ele saia do McKinley High.
Quinn deu uma gargalhada fazendo Sam olhar para ela indignado, estava colocando os sentimentos dele a prova ali e Quinn ria dele? Mas a cheerio dava um sorriso satisfeito e não um sorriso irônico, Quinn levantou-se do sofá e o abraçou fortemente. Sam enlaçou-a agradecido e sentindo-se subitamente mais leve, a cheerio murmurou em seu ouvido:
— Agora você entende o porquê de eu ter dito que você não tinha me defendido aquele dia, não é?
— Sim, mas vamos ensaiar, por favor... – Sam murmurou suplicante e envergonhado enquanto separava-se de Quinn. A cheerio colocou as mãos na cintura e olhou para ele com a sobrancelha arqueada naquela típica expressão de descontentamento dela, Sam olhou para ela um tanto quanto assustada e em seguida, Quinn disse:
— Só vamos ensaiar quando terminarmos de conversar sobre isso. Você tem que tomar uma providência em relação ao Kurt!
— Providência? – Sam perguntou confuso e Quinn riu dele, ele realmente era um bom rapaz. A cheerio olhou para ele e pegou a mão dele entre as duas, apertou a bochecha de Sam e disse:
— Você é um fofo e eu sei que fará o que achar melhor. Agora vamos ensaiar, estou cansada e preciso dormir.
Sam suspirou aliviado, mas as palavras de Quinn o deixaram pensativo. Ele gostava de Kurt e se aproximara dele com aquele lance todo das agressões de Karofsky... Deixou pra pensar naquilo depois, precisava concentrar-se no ensaio agora.
***
Quinn finalizou o desenho para a amostra anual tentando ignorar o fato de que ele retratava Rachel. A loira estava com vergonha e tentava a todo custo se esconder de Rachel que começara a ligar em seu celular e em casa. Judy e Frannie estavam cansadas de sempre darem a mesma desculpa para a diva, enquanto Quinn remoia-se no quarto, dividida entre deixar de lado a insegurança e atender ou ignorar.
Com o desenho entregue e finalizado, só faltava a cheerio decidir ir à exposição e ela realmente não estava com muita vontade de ir.
— Q, é a SUA exposição, você tem que ir! – Frannie justificou indignada pela milésima vez nos últimos dez minutos que se revezava entre se arrumar e convencer Quinn a ir à exposição do sábado de manhã. A cheerio deu um sorriso e respondeu atrevida:
— É a minha exposição e de mais uns dez alunos, isso não é motivo para eu ir.
— Rachel Berry estará lá... – Frannie disse indiferente, mas percebeu que acabara de prender atenção da irmã. – Ouvir dizer que um dos pais dela é um grande entusiasta da arte.
Quinn ficou pensando em qual seria, com certeza era Hiram, pelo menos ele tinha todo um jeito enquanto Leroy era mais sério e reservado. A cheerio deu um sorriso amarelo, passara tanto tempo com Rachel e sequer conhecia direito a família dela. Quinn fez uma careta pensativa e respondeu em seguida:
— Mais um motivo para eu não ir, ela está magoada comigo... Como divide tudo com os pais, com certeza, eles também estarão bravos!
— Com medo dos sogros, Quinn? Achei que você fosse mais corajosa... – Frannie comentou irônica, colocando um brinco na orelha e olhando para o espelho da penteadeira da irmã enquanto ajeitava o cabelo. Quinn jogou uma almofada nela e disse mal-humorada:
— Não é medo, eu apenas sei que fui uma cadela com ela e pretendo deixar as coisas assim. É o melhor. Para nós duas.
Frannie virou-se incrédula para irmã, ela sabia que Russel tinha feito um estrago enorme na segurança de Quinn, só não sabia que era um estrago tão grande assim. Frannie sentou-se na cama ao lado da irmã com um olhar de decepção, Quinn remexeu-se incomodada no meio das cobertas e brincou com as mechas do cabelo enquanto ouvia Frannie dizer séria:
— Eu não vou ter essa conversa com você, você é madura o bastante para saber o que é melhor e principalmente, o que importa pra você! Se você acha que a intolerância de uma pessoa que nem sequer se importa com a gente direito vale ser levada em conta, eu prefiro que você quebre a cara e que se arrependa MUITO no final de tudo...
— Mas Frannie, você não entende! Eu... – Quinn começou a justificar-se gaguejando, mas calou-se envergonhada quando viu a expressão fria da irmã. Frannie agitou a cabeça negativamente e disse decepcionada:
— Eu realmente não te entendo, Quinnie! Eu não entendo como você pode abrir mão das coisas que te importam tão facilmente... Aliás, eu prefiro não te entender.
Dizendo essas palavras duras, Frannie saiu do quarto batendo a porta com fúria antes de sair. Quinn encolheu-se na cama e ficou remoendo cada palavra da irmã e principalmente, sentindo o seu interior bagunçar-se ainda mais. Estava confusa, com medo e perdida... Parecia que tinham tirado toda a sua força nos últimos dias e ela sabia muito bem da onde vinha aquela força.
Quinn cobriu-se até a cabeça e tentou dormir ouvindo o barulho do carro da mãe deixando a garagem, mas não conseguiu. Sua cabeça girava e seu coração doía, ela sentiu-se daquela forma apenas uma vez na vida: quando estava próxima de ganhar Beth e descobrira que desenvolvera um sentimento enorme pelo bebê.
— Vamos, querida! Estamos atrasados! – Leroy chamou impaciente pela terceira vez pela escada enquanto ele e Hiram esperavam pela filha que apesar de ter acordado cedo, estava mega atrasada para a exposição. Hiram deu um sorriso para o marido e disse tranqüilo:
— Acalme-se, nós vamos chegar lá... A exposição não sairá do local!
— Mas é Rachel que sairá a força senão aparecer aqui daqui cinco minutos! – Leroy disse ainda mais agitado e caminhando de um lado para o outro enquanto passava a mão pela cabeça. Hiram balançou a cabeça achando graça de toda situação e colocou a mão sobre o ombro do marido, obrigando-o a se sentar no sofá.
Rachel estava vestida no andar de cima e encarando-se no espelho. Não estava com vontade de ir e aquilo era bem estranho, porque adorava sair com os pais e as exposições anuais eram oportunidades raras onde nenhum dos dois tinha que sair ás pressas para o hospital já que ambos eram enfermeiros. Mas alguma coisa dentro da morena incomodava e ela sabia muito bem o que era.
Quinn não queria falar com ela.
Cada vez que pensava naquela constatação, sentia seu coração apertar até doer dentro do peito e um aperto e uma dor completamente diferentes do que um dia ela sentiu com Finn. A diva estava sem aquele tradicional brilho que possuía, andava falando menos e principalmente, andara cantando menos. Parecia que sem Quinn nada mais fazia sentido, podia ser clichê, mas a diva sentia como se um pedaço enorme tivesse sido arrancado de si.
— RACHEL BARBRA BERRY! SE VOCÊ NÃO DESCER AGORA, EU JURO QUE TE BUSCO AÍ EM CIMA! – A voz grave de Leroy ecoou uns dois degraus mais alta, Rachel se assustou e apanhou a bolsa a caminho da porta, descendo as escadas e quase tropeçando em alguns degraus. Hiram olhou indignado para o marido e disse:
— Mais um pouco e você fazia a nossa estrelinha torcer um pé ás vésperas das Seletivas e você bem sabe que ela não te perdoaria por isso.
— Nós combinamos um horário e ela não cumpriu! Mas nada que uns bons gritos não resolvam... – Leroy respondeu com um sorriso no rosto e um ar mais leve, Rachel que estava assustada até então deu um beijo no rosto do pai e os três saíram da casa. Antes de entrar no carro, a morena comentou:
— Não sei por que a pressa, todo ano a exposição é a mesma coisa.
— Mesma coisa para quem não conhece de arte, querida... – Leroy respondeu acomodando-se no banco do carona com um ar de quem sabe das coisas. Os olhares de Hiram e Rachel cruzaram-se pelo retrovisor do carro e os dois entenderam que o caminho seria ainda mais longo devido à aula que Leroy Berry estava prestes a dar sobre a importância da arte para o crescimento intelectual de uma pessoa.
Quando chegaram ao parque da cidade de Lima em que se organizaria a exposição, notaram o mesmo movimento de sempre e os mesmos rostos de sempre que compareciam todo o ano. Rachel revirou os olhos e deu as mãos para os pais enquanto caminhavam para a exposição, mesmo não sendo o programa que ela sonhava fazer com os pais para espantar a imagem de Quinn da sua mente, ela estava feliz por estar ali com eles.
Hiram cutucou a filha confuso enquanto caminhavam, Leroy estava encantado demais com algumas esculturas de cerâmica que tinha encontrado. Rachel desviou os olhos das esculturas e olhou para o pai, Hiram comentou baixinho:
— As pessoas estão olhando para você.
— Não que eu não goste de ser o centro das atenções... – Rachel comentou com um ar de riso que rapidamente sumiu quando olhou para os lados e viu que as pessoas realmente olhavam e apontavam para ela. – Mas eu juro que não fiz nada dessa vez!
Leroy começou uma conversa bem agradável com um dos expositores e sequer percebera o que acontecera ali. Uma senhora de idade se aproximou de Rachel com um sorriso gentil no rosto, a senhora cumprimentou Hiram e disse com a voz esganiçada:
— Me perdoe por atrapalhar o passeio de vocês, mas... Tem um desenho a lápis ali atrás que acho que vocês gostariam de ver.
— Mas senhora, do que você está falando? – Hiram perguntou com uma careta de confusão na face e olhando para a filha que apenas dava de ombros, tão confusa quanto ele. A senhora manteve aquele sorriso gentil no rosto e respondeu bondosa:
— Pela perfeição dos traços, acredito que a sua filha tenha servido de modelo para o desenho...
— Modelo? Desenho? Mas eu nunca posei para ninguém! – Rachel respondeu com um ar curioso, a senhora a puxou pela mão e Hiram as seguiu pela pequena multidão de pessoas que a olhava. Rachel começou a sentir um rubor subir pela sua face, gostava de atenção, mas não daquele tipo de atenção.
A senhora os levou para o setor de desenhos, onde tinham muitas obras expostas em cavaletes e emolduradas. Aproximaram-se calmamente do local que parecia ser o mais requisitado para visita, a senhora afastou algumas pessoas com gentileza e apontou para o desenho que estava exposto ali atrás.
— Todos ficaram realmente impressionados com o talento do autor da obra. E pelo que me parece, você realmente é a modelo. Poderia nos dizer quem fez o desenho? – A senhora perguntou ansiosa, mas Rachel estava boquiaberta e impressionada demais para que pudesse produzir algum som.
Estava olhando para ela mesma, em cima de um palco, cantando uma música que ela até podia imaginar qual era diante da perfeição do traço. Rachel não entendia nada de arte, mas entendia muito bem o que a senhora queria dizer. Estava sentindo a emoção que o autor queria que sentisse. Parecia que estava cantando mesmo e subitamente, seu coração acelerou de uma forma incontrolável. Quem quer que tenha feito aquele desenho a conhecia muito bem e principalmente, sabia muito bem a tamanha paixão que ela dedicava as suas músicas.
— Uau! Isso é simplesmente... Magnífico! – Hiram disse impressionado e aproximando-se do desenho, ajeitando os óculos para olhar melhor. Rachel aproximou-se junto com o pai, tão impressionada e emocionada quanto ele, as lágrimas estavam brotando e seus olhos estavam brilhando. A senhora deu uma risadinha e comentou:
— Pelo visto você não sabe quem fez o quadro, não é?
— Estamos tão impressionados quanto à senhora, mas eu tenho certeza que é a minha filha nesse desenho! – Hiram respondeu com um sorriso enorme no rosto e abraçando a filha pelos ombros, inexplicavelmente, as lágrimas escorreram pelo rosto de Rachel e ela riu em seguida.
— Onde é que vocês se meteram eu... – Leroy começou a falar bravo, mas calou-se assim que seus olhos encontraram o desenho. Ele ficou tão boquiaberto quanto Rachel. – É você no desenho, Rach!
— Sim, todo mundo percebeu, querido! – Hiram comentou entre risos, Leroy aproximou-se mais do desenho com o olhar concentrado e avaliador, em seguida, comentou:
— E que desenho, muito bem feito. Quando foi que você decidiu posar para algum desenhista, Rach?
Rachel respondeu com um aceno de cabeça, ainda em um misto de confusão e emoção. Passos foram ouvidos atrás de si e uma voz que soou conhecida para seus ouvidos disse orgulhosa:
— Ali está o desenho dela!
Duas mulheres loiras abriram caminho entre eles e imediatamente, o coração de Rachel saiu pela boca quando ela reconheceu a mais velha. O olhar da morena encontrou-se com o olhar de Judy que sorriu, a outra loira virou-se para ver para quem a mãe sorria e Rachel decepcionou-se quando viu que não era Quinn, a loira mais nova aproximou-se com um sorriso e apresentou-se:
— Você é Rachel Berry, certo? Sou Frannie Fabray, irmã de Quinn.
— Prazer... Sou Hiram e aquele é meu marido Leroy... – Hiram cumprimentou Frannie com um aperto de mão enquanto Leroy e Judy travavam um batalha de olhares ferrenha, Rachel estava atolada de informação e sequer conseguia falar. – Não sabia que Quinn desenhava.
— Muito menos nós... Descobrimos esse ano quando ela decidiu fazer aula de Artes no colégio! – Frannie respondeu visivelmente orgulhosa da irmã, Rachel pareceu acordar de seus pensamentos e olhou para Frannie com um sorriso contido. A senhora que carregara Rachel e Hiram até ali, perguntou ansiosa:
— Então você é a irmã da autora do desenho?
— Sim, Quinn Fabray é o nome dela, ali embaixo do desenho estão as iniciais... Por quê? – Frannie disse tudo tão rápido que Rachel teve dificuldade em acompanhar, Leroy parecia desconfortável e Hiram não parava de lançar olhares mal-humorados para o marido. Judy estava com um sorriso para Rachel e a morena ficou sem entender. A senhora aproximou-se e comentou:
— Queria saber por qual motivo ela não veio, eu ficaria ansiosa para mostrar meu trabalho se fosse tão talentosa.
Frannie trocou um olhar significativo com a mãe e em seguida, olhou para Leroy Berry que claramente não gostava delas. Depois respondeu:
— Quinn teve problemas com o nosso pai, por isso não veio. Mas digo a ela que muitos admiraram seu trabalho.
Rachel estava muda diante de tanta informação, Quinn tivera problemas com seu pai? Se Russel Fabray era tão terrível como seu pai Leroy dissera, a cheerio devia estar muito mal para não vir aquela exposição. A senhora se afastou com um sorrisinho triste e em seguida, Judy foi chamada pela Mrs. Thomas para conversar. Frannie olhou novamente para os Berry e Rachel perguntou:
— O que aconteceu entre Quinn e Russel?
— Ela falou uma coisa que ele não queria ouvir. – Frannie respondeu com um ar misterioso e olhando desafiadora para Leroy e Hiram, Rachel percebeu ali que Frannie estava disposta a defender a irmã de qualquer um que quisesse machucá-la. Leroy pigarreou e perguntou desconfortável:
— Por acaso ela foi agredida?
Ok, agora Rachel entrou em desespero silencioso.
— Sim... Como o senhor saber? – Frannie perguntou curiosa, Hiram parecia estar perdido também. Leroy respirou fundo e respondeu:
— Tivemos experiências desagradáveis com seu pai e se o que Quinn disse é o que eu penso ser, possivelmente Russel levantaria a mão para ela. Afinal, ele ergueu a mão para Hiram sendo que nem o conhecia.
Frannie acenou para os homens e deu um olhar para Rachel, a morena entendeu perfeitamente que ela devia acompanhar a outra. Olhou para os pais que acenaram, Leroy parecia estar arrependido de alguma coisa, pois puxou o marido para outro canto deixando as duas sozinhas. Frannie deu um sorriso e disse olhando do desenho para Rachel:
— Ela fez jus a sua beleza... Não sei se foi o talento ou o que ela sente por você que fez o desenho se tornar tão perfeito.
— Bem, é... Obrigada. – Rachel agradeceu insegura, sentindo as bochechas corarem. Frannie lançou um olhar amistoso para ela, Rachel Berry parecia ser exatamente o tipo de pessoa que Quinn precisava, parecia tão viva e tão intensa que Frannie teve certeza de que era feitas uma para a outra. A loira pigarreou e disse séria:
— Eu preciso ir, mas antes... Quero te falar uma coisa.
Rachel deu um sinal com os olhos castanhos piscando ansiosamente, Frannie respirou fundo e disse:
— Quinn enfrentou nosso pai sozinha e eu nunca a tinha visto fazer algo do tipo. Por mais que ela tenha se assumido, eu acho que na verdade, ela assumiu você. Ela enfrentou tudo sozinha, por favor, não continue a deixá-la sozinha dessa forma.
Frannie não deu tempo para que Rachel respondesse, tocou levemente no braço da morena e fez um carinho antes de se afastar com um sorriso. Naquele momento Rachel jogou tudo pro alto.
Que se danassem o orgulho, os solos da Seletivas e as promessas quebradas. Quinn precisava dela e ela estava disposta a estar lá sempre que precisasse.
***
Quinn passou o final de semana da forma mais misteriosa possível, sua mãe e sua irmã estavam esquisitas e não paravam de trocar olhares quando conversavam. Tanto é que poder voltar para casa na segunda-feira foi a melhor sensação que ela pode sentir.
The broken clock is a comfort, it helps me sleep tonight
Maybe it can stop tomorrow from stealing all my time
And I am here still waiting though I still have my doubts
I am damaged at best, like you've already figured out
A voz de Jason Wade saía como um sussurro pelo som do carro, mas Quinn também cantava, baixinho. Esperando que a dor diminuísse. A cheerio sabia as palavras que viriam a seguir na música e procurou concentrar-se nelas.
I'm falling apart, I'm barely breathing
With a broken heart that's still beating
In the pain there is healing
In your name I find meaning
So I'm holdin' on, I'm holdin' on, I'm holdin' on
I'm barely holdin' on to you…
Quinn deu graças a Deus por ter chegado à escola e poder parar de ouvir a música que significava exatamente o contrário do que estava sentindo. Desceu do carro perdida em seus pensamentos e em sua racionalidade que insistia em dizer que só o sentimento não bastava, sentimento esse que ela até duvidava do que era.
Estava caminhando pelo estacionamento quando sentiu uma mão puxá-la. Mesmo sem se virar, Quinn conhecia aquela mão pequena e macia. Foi com muita dor e sentindo seu corpo tremer que ela virou-se e encarou Rachel Berry. A diva estava sorrindo, aquele sorriso lindo de 1000 watts que a fazia perder a cabeça. Rachel respirou fundo e perguntou envergonhada:
— Podemos conversar?
— Rachel... – Quinn murmurou baixinho, sentindo as lágrimas formarem-se em seus olhos, a diva aproximou-se dela com os olhos intensos e deu um beijo em seu rosto. Quinn afastou-se bruscamente e disse entre soluços e desesperada:
— Eu não posso... Eu... Preciso de um tempo!
Rachel ficou sem entender, tentou tocar a face de Quinn e fazê-la encarar-lhe novamente, mas mais uma vez a loira fugiu de seu toque. Deu mais um olhar sofrido e saiu correndo para dentro da escola.
Rachel ficou parada, sozinha ali no estacionamento. Observando as costas de Quinn desaparecerem dentro do prédio, mas inexplicavelmente, a diva não se sentiu derrotada e muito menos, machucada.
A expressão que se formou no rosto de Rachel Berry naquele momento era muito semelhante a expressão que se formava na face dela quando tinha uma idéia brilhante para o Glee Club. Só que seu olhar estava muito mais intenso e brilhante.
And I'm all in, nothing left to hide
I'm falling harder than a landslide
I spend a week away from you last night
And now I'm calling, calling out your name
Even if I lose the game, I'm all in
I'm all in tonight, yeah I'm all in, I'm all in for life…
Rachel Berry deixou aquele sorriso de 1000 watts voltar a sua face. Estava disposta a ser tudo para Quinn e se precisasse ser louca o bastante, seria louca o bastante para tê-la de volta.
Notas finais
Mas não se esqueçam que estamos nos encaminhando para o final e TUDO pode acontecer!
Do que gostaram mais? Comentem, por favor!
E tivemos muito Lifehouse não é? Então, a música da Quinn é Broken e a música da Rachel (em negrito) é All In... Espero que gostem viu?
PS: Eu simplesmente amei a Frannie, ela veio montada na minha cabeça *o*
Beijos e até o ÚLTIMO capítulo de fato!
HSAUSAHUSAHUSAHUSA
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