Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo *-* Como eu digo sempre: os reviews são um combustível e tanto para a inspiração dos autores! Espero que gostem... Boa leitura!

Supresas

Quinn estava de pé em meio a caixas e pacotes que agora povoavam o seu ex quarto na casa dos Jones. Os pais de Mercedes resolveram deixar a garota sozinha para realizar a mudança e acabaram levando a filha com eles, então, a loira aproveitou e chamou Rachel para ajudá-la. Mas não estava dando muito certo.

- Rachel, amor da minha vida, você pode parar um pouco de me agarrar e me ajudar com a mudança? – Quinn disse entre risadas enquanto sentia as mãos da morena tocando suas costas e descendo até sua cintura. Mesmo tentando evitar, a loira arrepiou-se diante daquele toque que era cheio de sensualidade e tão inocente ao mesmo tempo.

Rachel fez uma careta entediada, mas não se afastou da outra, ficou na ponta dos pés e tirou o cabelo preso de Quinn para beijar-lhe a nuca. Quinn deixou escapar um gemido pela boca e a respiração dela ficou ofegante por algum tempo.

- Isso é golpe baixo Berry!

- Ah eu só quero um pouco de atenção, achei que sei lá, podíamos intercalar o trabalho com um pouco de diversão! – Rachel justificou-se com um tom falsamente infantil, Quinn virou-se para ela com um sorriso deparando-se com um biquinho de insatisfação nos lábios da morena. A loira segurou-lhe o queixo e deu-lhe um selinho, virou-se novamente para a caixa em que trabalhava e disse:

- Poderíamos fazer isso, o problema é que a senhorita só quer saber da diversão. Encaixotei tudo praticamente sozinha!

Em seguida apanhou a caixa e colocou-a delicadamente sobre uma pilha que se encontrava próxima a porta. Rachel por sua vez, sentou-se na cama e cruzou os braços sobre o peito, com um bico ainda maior do que o que já tinha. Quinn não se conteve e riu da expressão dela de insatisfação.

- Mas eu não tenho vocação alguma para arrumar coisas dentro de caixas e você... – Rachel apontou para Quinn com um olhar sensual. – É mais forte do que eu e pode carregar tudo isso sozinha!

- Essa é sua melhor desculpa Berry? O fato de eu ser mais forte que você? – Quinn perguntou sorrindo, aproximando-se de Rachel e ajoelhando-se na frente dela, agora estava um pouco mais baixa que a diva.

- É sim, é a minha melhor desculpa! – Rachel disse naquele tom de voz cheio de si e rompendo um pouco mais da distância que as separava, Quinn deu um sorrisinho para ela e beijou-lhe a ponta do nariz, depois exclamou divertida levantando-se:

- Sua melhor desculpa para ser extremamente preguiçosa!

- Sua...! – Mas Quinn voltou e derrubou-a na cama, ficando por cima dela e beijando-lhe sensualmente. Rachel sentiu todos os pelos de seu corpo eriçar, o ar pareceu faltar-lhe e inesperadamente, a boca de Quinn pareceu ser a única coisa que importava no momento. A loira estava sugando-lhe os lábios e quando o ar parecia faltar-lhe, partia para o pescoço. Rachel estava começando a perder completamente o controle.

Quinn deslizou a mão pela perna da morena, sentindo a saia dela subir parcialmente, sua mão tocou a pele morena e quente de Rachel Berry e seus dedos pareciam mais sensíveis que o normal ao traçar caminho pela perna dela... Rachel gemeu entre o beijo e Quinn inesperadamente sentiu uma sensação completamente nova tomar seu corpo.

- Ora, ora... Eu estava certa no final das contas!

A muito custo, Quinn separou-se de Rachel e levantou-se. Sentiu seu rosto pegar fogo quando seus olhos focalizaram quem estava no quarto.

Ela não ouviu os passos e muito menos a porta abrindo. Mas Santana Lopez estava parada ali, de frente para elas, tão diferente sem o uniforme de cherrio, com um sorriso vitorioso nos lábios e os braços cruzados, com aquela expressão de visível superioridade.

Quinn deu-lhe as costas e colocou a mão sobre a testa, respirando fundo. Incapaz de pensar ou sequer supor como a latina chegara ali. Seu cérebro estava tomado pela idéia de que agora, Santana sabia e podia muito bem espalhar para todo o McKinley High antes mesmo das aulas começarem.

Rachel levantou-se da cama e colocou a mão sobre o ombro de Quinn, tentando passar um pouco de segurança para a namorada, seu olhar estava tão preocupado quanto a expressão da outra. A loira parecia desolada, Rachel nunca a vira tão preocupada e sem saber o que fazer, parecia que no fim das contas, ela se preocupava com o pouco da reputação que ainda lhe restava.

- Como você chegou aqui?! – Rachel perguntou em um misto de curiosidade e raiva ao não conseguir olhar para Quinn que parecia tão derrotada, Santana deu uma gargalhada sarcástica e a diva sentiu os músculos das costas da ex-cherrio enrijecerem. A loira apertava os punhos e parecia ansiosa para bater em Santana.

- Foi fácil gnomo! Você realmente tem que olhar por onde anda e quem te segue, eu poderia ter te estuprado... Se quisesse! – Santana disse com ironia enquanto olhava para o quarto com desprezo. Quinn virou-se abruptamente, assustando não só Santana como Rachel, a loira literalmente tinha os olhos vermelhos de fúria. Aproximou-se da latina com um ar violento, mas Rachel correu até ela e pediu calma, Quinn respirou fundo e ameaçou:

- Continue a humilhá-la para você ver o que te acontece!

- O que vai fazer Fabray? – Santana aproximou-se mais de Quinn, ignorando a ameaça, colocou as mãos na cintura e continuou sarcástica. – Me bater?

Quinn levantou a mão para bater, mas Rachel segurou. A diva estava com lágrimas nos olhos e fora aquela expressão que pareceu trazer Quinn para a realidade, atônita com o que estava prestes a fazer.

- Não faça isso, por favor! É isso que ela quer! – Rachel disse ainda agarrada ao braço de Quinn, mesmo a loira tendo o abaixado. Santana surpreendeu-se com a ação completamente apaixonada de Quinn em não ignorá-la e abraçar Rachel, a diva soluçava enquanto Quinn parecia um pouco desesperada e sem saber o que fazer acariciando os cabelos da morena automaticamente.

Santana teve inveja daquilo, sabia que talvez, nunca tivesse algo parecido se continuasse a levar seus relacionamentos como levava. Mas não podia perder a oportunidade e disparou:

- Você costumava ser mais esperta quando era uma cherrio, Fabray!

Rachel separou-se de Quinn abruptamente, as lágrimas que escorriam da sua face eram de fúria e não de desespero. A morena caminhou em direção a Santana que recuou diante do ar agressivo da diva.

- Por que você não para de destruir a vida dos outros e começa a cuidar da sua? – A voz de Rachel sempre tão controlada e comedida ecoou no quarto e Quinn teve certeza de que podia ser ouvida por quem passava pela frente da casa. Santana parecia surpresa. – A Britt gosta de você e você nem sequer percebe isso!

Santana calou-se e rapidamente, a expressão vitoriosa e sarcástica desapareceu completamente de seu rosto. Rachel acabara de tocar na ferida de Santana, no ponto em que ela escondia de todos e até de si mesma.

A latina fechou os punhos e avançou para a diva cega pela raiva, mas Quinn colocou-se entre as duas e empurrou a outra para longe de Rachel. Santana caiu derrotada no chão, com as lágrimas ameaçando brotar em seus olhos.

- Não se aproxime dela! Nunca mais, Lopez! Não me obrigue a fazer uma besteira! – A voz de Quinn estava grave e mais calma, mas tinha claramente um tom de ameaça. Os olhos castanho-esverdeados da loira olhavam para Santana com desprezo e a latina sentiu vergonha do que estava fazendo. Santana levantou-se e ajeitou a roupa ao corpo, lançou um último olhar irônico para as duas e tentando manter sua máscara de falsidade, sibilou irônica:

- Nos vemos na escola, aliás, o Glee Club adorará saber quem é o mais novo casalzinho do grupo. Finn ficará absurdamente feliz com isso!

Rachel tentou abrir caminho com violência, mas Quinn virou-se para ela e deu um sorriso confortador, mostrando que tudo estava bem e ignorando a latina mais uma vez. Santana saiu do quarto e rapidamente, Quinn abraçou Rachel tentando passar um pouco de coragem e força.

- Calma amor, vai dar tudo certo... Nós vamos conseguir enfrentar tudo! – Quinn murmurou debilmente tentando convencer a si mesma também, Rachel apertou seus ombros e a loira sentiu algumas lágrimas caírem, os soluços da diva estavam ecoando em sua cabeça e a deixando desesperada.

Rachel foi acalmando-se aos poucos, a respiração voltou ao compasso normal e os soluços cessaram assim como o choro. A diva afastou-se de Quinn lentamente e enlaçou o pescoço dela, sentiu a loira segurar a sua cintura com um sorriso tristonho nos lábios. A diva tentou dar seu melhor sorriso sem-vergonha e disse:

- Acho que devemos continuar o que paramos...

- Também acho, baby. Mas... – A voz de Quinn falhou quando sentiu Rachel ficar na ponta dos pés e morder a sua orelha. – Eu estava me referindo a mudança.

Rachel mais uma vez ficou emburrada e viu Quinn gargalhar. A diva não pode deixar de se sentir segura, sabia que a ex-cherrio estaria com ela, independente do que Santana pudesse fazer.

***

Santana saiu da casa dos Jones no exato momento em que o carro da família virava a esquina, Mercedes achou tudo muito estranho, aliás, achou ainda mais estranho o fato de Santana estar chorando. Quinn e Rachel deviam explicações a ela.

Mas a latina estava tentando em vão sufocar as poucas lágrimas que caíam enquanto caminhava de volta para a casa, Rachel Berry não tinha o direito de se meter entre ela e Brittany. Aliás, ninguém mais tinha o direito de meter-se entre ela e a outra cherrio.

Subitamente, Santana sentiu um ódio animalesco surgir dentro de si. Aliás, não era ódio, era ciúme de Artie que estava roubando Brittany de si aos poucos e que só agora, com a verdade sendo jogada na sua cara pelo gnomo de jardim, ela percebera. E numa atitude completamente impensada, Santana mudou o caminho bruscamente e dirigiu-se a casa de Brittany.

Enquanto caminhava, lembrou-se de sua tentativa vitoriosa de tirar suas dúvidas. Realmente Quinn e Rachel estavam juntas, não que a latina esperasse outra coisa, os desenhos pornográficos que Quinn fazia nos banheiros e que eram rodeados por coraçõezinhos falavam por si só. Santana não conteve o sorrisinho maldoso, tinha uma informação preciosa nas mãos e tinha que saber como usá-la.

Santana surpreendeu-se quando seus pés aterrissaram sem aviso na porta de Brittany. A latina sentiu-se covarde como nunca tinha se sentido antes, agora notara que estava há dias sem dirigir uma palavra sequer para Brittany, sentiu-se um monstro depois da contestação e viu que sua mão tremia quando bateu na porta.

- Já vai! – A voz sonhadora de Brittany foi ouvida por Santana, a latina sentiu uma vontade imensa de vomitar ali mesmo. E quando a outra abriu a porta, a situação não melhorou nada. Pode ver claramente o sorriso de Brittany desaparecer quando viu quem era.

- Podemos conversar? – Santana perguntou tentando não transparecer a sua vergonha e o seu medo. Nunca vira Brittany com uma expressão tão séria e tão ameaçadora.

- Não, não podemos.

- Ok, eu esperava por isso. Mas eu realmente preciso falar com você! – Santana pediu um pouco irritada por ter algo negado. Ouviu movimentos dentro da casa e inexplicavelmente, Brittany fechou a porta atrás de si e cruzou os braços para ela, ainda séria. A latina revirou os olhos diante do silêncio da outra e perguntou:

- Quem está aí?

- É o Artie, ele está me ajudando a procurar minhas coisas que as fadinhas apanharam. – Brittany respondeu desconfortável, Santana sufocou um sorriso achando que a capacidade da outra de acreditar em seres fantásticos e ser tão perdidinha no mundo eram pedaços extremamente fofos de sua personalidade.

- Ah sim, o Artie. – Santana recobrou o foco da conversa com um ar venenoso e ligeiramente enciumado, será que Brittany não percebia o que o rapaz queria com ela?

- Sim, ele... Qual o problema? – Brittany perguntou desmanchando a expressão séria e assumindo um ar confuso. Santana deu uma gargalhada irônica, sentindo o ciúme subir em seu sangue, nunca fora muito boa em ocultar sensações.

- É que geralmente, eu te ajudava a capturar as fadas. Sem mencionar que você sabe muito bem o que ele quer com você!

- Mas você desapareceu, S! – Brittany disse com a voz meio arrastada e parecendo perdida enquanto observava uma borboleta vermelha passar por elas. Santana aproximou-se da outra e procurou tocá-la, mas Brittany recuou mais em direção a porta. A latina bufou impaciente e disparou, deixando o ciúmes aflorar:

- Ele é como todos: quer transar com você! Será que não percebe isso?

- Realmente, ele é exatamente como todos S! Mas eu gosto da companhia dele! – Brittany dissera dando fim a conversa e entrando na casa novamente. Santana percebeu que aquilo fora uma indireta e sentiu subitamente uma vontade de entrar ali e terminar com os poucos membros que ainda funcionavam em Artie Abrams.

Mas o que mais doeu não foi isso, ouviu Artie perguntar quem era e Brittany responder com a voz animada e despreocupada:

- Não era ninguém, vamos continuar a procurar?

***

- Acabei! – Quinn comemorou aliviada quando empacotou as últimas coisas, Rachel e Mercedes estavam observando a loira há alguns minutos. A ex-cherrio virou-se para as duas com um sorriso imenso nos lábios e brincou:

- Vocês duas, por mais que neguem, combinam. São duas preguiçosas!

- Nem venha com gracinhas Fabray! Concordo com a Rachel em apenas uma coisa: nós duas não temos vocação para guardar coisas e muito menos capacidade atlética para sair carregando peso! – Mercedes justificou-se com uma expressão de inocência, Rachel concordou com um aceno e Quinn revirou os olhos enquanto colocava as mãos na cintura.

- Eu realmente não sei o que fiz para merecer vocês duas na minha vida!

- Não fale isso tão séria, a diva aqui vai achar que é verdade! – Mercedes disse em tom de aviso no exato momento em que a expressão de Rachel tornou-se um pouco tristonha. Quinn puxou a diva pela mão colocando-a de pé e sorrindo para ela, deu um beijo na bochecha de Rachel e disse apaixonada:

- Ela sabe que é a melhor coisa que me aconteceu!

- Sabe... Estou adorando a idéia de que você vai embora, não vou precisar ficar me deparando com cenas ahm... Quentes entre vocês. – Mercedes dissera entre risos, fazendo Rachel corar e esconder a cabeça no peito de Quinn enquanto a loira ria dela e a abraçava. Mercedes estava referindo-se há quinze minutos, quando pegou as duas no maior amasso ao subir as escadas.

Quinn apanhou a última caixa e desceu as escadas, encontrou Judy Fabray conversando animadamente com o casal Jones. Rachel ficou um pouco para trás, não querendo deixar tão claro o que se passava entre ela e a loira. Judy lançou um olhar animado para a filha e perguntou:

- Última caixa?

Quinn acenou e logo Judy começou a despedir-se dos demais, a loira acabou rindo da ansiedade da mãe em levara para a casa. Colocou a caixa no carro e voltou para despedir-se daquela que fora sua família há tanto tempo. Deu um abraço no casal Jones, agradecendo pela comida e pelo teto.

Mas quando chegou a Mercedes, teve certeza que estava quase chorando e fazendo papel de boba. A outra se aproximou dela com os abraços abertos, deu-lhe um abraço forte e parecendo conter as lágrimas também, disse:

- Vou sentir muito a sua falta e ainda mais das suas reclamações matinais sobre a ausência de bacon!

Quinn deu uma risada banhada por algumas lágrimas e beijou a bochecha de Mercedes.

- Prometo que venho encher o seu saco de vez em quando, afinal, não é muito longe!

- Sim, venha querida! Aproveite e traga Rachel com você também, ficaremos felizes em dar um almoço qualquer dia desses! – A Sra. Jones disse com alegria enquanto todos saíam da casa, Judy estava parada impaciente ao lado do carro e Quinn entendeu que era para ir logo. Deu um último aceno, abraçou Mercedes novamente e disse no ouvido dela:

- Santana sabe sobre eu e Rachel, mas não se preocupe, Rachel deu um jeito nela!

Mercedes estava estupefata enquanto observava Quinn caminhar em direção e quando acenou, parecia ainda um pouco confusa com a informação. Assim que chegaram ao carro, Quinn abriu a porta de trás para Rachel que sorriu envergonhada. Em seguida entrou no banco da frente junto com a mãe.

Judy ligou o carro muito animada e saiu dali com as duas.

- Mãe, pode levar Rachel até a casa dela antes? – Quinn perguntou enquanto olhava tristemente pelo retrovisor do carro, Rachel estava com um sorrisinho meio de lado, não parecendo estar muito contente em deixar Quinn. Judy Fabray deu um sorriso, percebendo claramente o que se passava ali, resolveu dar mais um pouco de tempo para as meninas e respondeu:

- Rachel pode jantar conosco hoje e você, Quinnie, pode começar a explicar as coisas.

Quinn engasgou-se com a água que acabara de abrir, os olhos de Rachel arregalaram-se de medo na traseira do carro e a loira viu que ela acenava negativamente com a cabeça em desespero. Judy gargalhou da reação das garotas e disse marota:

- Pelo visto eu acertei não é?

- Acertou o que, Sra. Fabray? – Rachel resolveu tomar as rédeas da situação, Quinn ainda estava tentando se recuperar ou quem sabe, cogitando a hipótese de jogar-se para fora do carro em movimento. Judy arqueou a sobrancelha, um gesto tão característico da filha e respondeu indignada:

- Não me chame de Sra. Fabray, a única Fabray aqui nesse carro é Quinn. Me chame de Judy, por favor.

- Ah sim, então... – Rachel respirou fundo, tentando tomar coragem. – Judy, sobre o que acertou?

- Sabe Rachel... Sempre soube que o fato de Quinn te perseguir quando era uma cherrio tinha outra explicação que não era o ódio que ela alegava ter a você! – Judy respondeu como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo e dando um sorriso tranqüilizador a Rachel, a diva pareceu respirar melhor dessa vez e continuou:

- Então a senhora sabe sobre nós?

- Se eu sei Rachel? Eu entendi tudo quando vi vocês duas juntas na casa dos Jones! – Judy respondeu alegremente enquanto olhava Quinn que parecia ter se fundido com o banco do carro, de tanta vergonha que sentia. Rachel deu aquele seu sorriso de 1000 watts no banco de trás, a diva pendurou-se no banco de Quinn e disse:

- Acho que precisamos disfarçar mais, não acha?

Quinn não respondeu, estava atordoada demais com a idéia de que duas pessoas além de Kurt e Mercedes sabiam exatamente da sua relação com Rachel e o mais assustador: que uma delas era a sua mãe que parecia não se importar com a condição da filha. Judy desviou os olhos do trânsito quando parou em um sinal, virou-se para a filha e disse:

- Quinnie sempre foi tão séria e centrada que essa súbita mudança de comportamento me fez prestar mais atenção em quem seria a causa disso tudo. Os olhares, ela abrir a porta para vocês... Bem, uma mãe sabe juntar as peças quando se trata da própria filha.

- É que bem... Eu fico meio fora de controle com ela! – Rachel murmurou envergonhada e fazendo com que a face já vermelha de Quinn ficasse ainda mais. Judy deu uma gargalhada gostosa e comentou com aquele mesmo sorriso sacana da filha:

- Ah então a Quinn é tão irresistível assim?

- Me desculpe Judy, mas sua filha me deixa maluca. – Rachel respondeu dando um sorrisinho sexy para Quinn. A loira pareceu achar que estava humilhando-se demais sem se defender, arrumou-se no banco e a mãe retomou o volante ouvindo Quinn disparar revoltada:

- Eu ainda estou aqui, se vocês não perceberam a vergonha que eu estou passando!

- É que você ficou calada querida, achamos que concordava e não ligava para tudo que falávamos! – Judy disse com um tom falsamente inocente, Quinn viu Rachel concordar pelo retrovisor do carro e acabou sorrindo derrotada. Sua vida não podia estar melhor. Porém, antes do assunto escapar e elas chegarem a casa nova, Quinn virou-se para Rachel no banco de trás e disse com um sorriso sexy:

- Você não perde para esperar o que vai te acontecer depois, Berry!

- Quinnie! – Dessa vez foi Judy Fabray que corou envergonhada e freou o carro bruscamente, Rachel pareceu chocada e Quinn gargalhou. Rapidamente o clima no carro voltou a se amenizar. Quinn olhou para a mãe com um sorriso tranqüilo e aliviado no rosto, colocou a mão sobre a da mãe que repousava no volante e disse:

- Obrigada, mesmo.

Judy deu um sorriso emocionado e estacionou o carro na frente da casa que agora, seria o lar das duas. Rachel sentiu-se uma intrusa ali, não tinha uma mãe e não entendia a complexidade da relação entre Quinn e Judy. Mas outra coisa aqueceu o seu coração e rapidamente a emoção tomou-a e ela sorriu, a felicidade de Quinn estava sendo melhor do que a sua própria.

O jantar correu muito bem, até Leroy ligar para Rachel irritado e perguntar onde a garota estava. Quinn ofereceu-se para levá-la em casa, mas Rachel disse que precisava assegurar sua integridade física que estaria seriamente ameaçada por Leroy que estava muito bravo ao telefone.

Quando Rachel foi embora, Quinn decidiu colocas suas coisas no quarto que a mãe arrumara para ela e ao terminar, sentiu que alguma coisa ainda a incomodava. Mandando todo o cansaço que sentia para longe, a loira desceu a escada da sua nova casa preguiçosamente e sentou-se ao lado da mãe que parecia muito concentrada no noticiário da TV.

As palavras não conseguiam chegar a sua boca, pareciam que ficavam entaladas em sua garganta. Quinn engoliu em seco e pigarreou, Judy desviou os olhos da TV e olhou sorridente para a filha, sem entender a preocupação dela.

- O que foi, querida? – Judy perguntou enquanto colocava a mão de Quinn entre as suas, um sinal que procurava passar um pouco de tranqüilidade a ela. Quinn respirou fundo, estava parecendo mais difícil do que contar aos pais que estava grávida.

- A bomba que você jogou em cima de mim e Rachel mais cedo, acho que merece explicações, não acha? – Quinn questionou com um leve sorriso formando-se no canto de sua boca, Judy deu uma gargalhada e um tapinha na perna da filha. Em seguida, olhou fundo nos olhos da filha que tanto se pareciam com os de Russel, mas ao contrário dos olhos do ex-marido, Quinn tinha uma energia quente ardendo dentro deles e Judy sabia muito bem o que era.

- Eu já deixei bem claro querida, eu sei e te respeito.

- Mas não aprova, certo? – Quinn perguntou com medo, mordendo o lábio levemente e lançando a mãe um olhar preocupado. Judy respirou fundo, prometera que seria sincera com a filha.

- Não aprovo, mas isso vai levar um tempo até eu acostumar. Eu só sei que você está feliz e eu estou feliz por você.

- Mas mãe... Isso vai contra tudo que você me ensinou! – Quinn rebateu contrariada, sem entender o que se passava ali. Judy agitou a cabeça negando veemente.

- Contra tudo que o seu pai te ensinou... Você está amando querida, acha que tem coisa mais importante do que o amor nesse mundo?

A resposta da mãe calou Quinn, a loira pensou em toda a sua relação com Rachel e realmente, se sua mãe não a respeitasse, tinha certeza que continuaria com a diva. O amor é a coisa mais importante no fim das contas e era o que estava a movendo atualmente. A loira deu um sorriso e a mãe retribuiu, Judy levantou-se para subir para o quarto, mas antes de deixar a filha sozinha, disse brincalhona:

- E para de implicar Quinnie! Seja feliz, sei muito bem o quanto você está aliviada por eu não jogar pedra alguma em você.

Quinn fez um sinal positivo com o dedo enquanto observava a mãe subir as escadas, estava sonolenta, mas precisava ficar sozinha. Seus olhos encontraram a janela que agora exibia os primeiros flocos de neve, sorriu feliz e em seguida, seu celular vibrou.

Estava sozinha olhando a neve começar a cair e resolvi te avisar... Amo você.

Quinn achou tudo muito fofo, Rachel Berry estava mostrando a ela como se podia ser feliz com pequenas coisas, pequenas coisas como uma mensagem de celular enviada de madrugada.

***

Os dias se passaram e o clima da casa de Quinn e Judy apenas melhorou com o decorrer do tempo, Judy acabou apegando-se mais com Rachel e Quinn estava começando a achar a idéia perigosa, as duas estavam começando a conspirar contra ela durante as discussões.

Rachel passava a tarde e ás vezes, até ficava para jantar. A diva sentia uma vontade enorme de ficar perto de Quinn o tempo todo, mas Leroy não parava de tornar a situação entre elas desconfortável. Rachel até surpreendeu Hiram dando uma bronca no marido quando ele ameaçou tocar Quinn para fora de casa numa noite fria em que a loira decidira levar Rachel em casa.

E Quinn estava sentindo-se culpada com aquela situação. Por isso, quando Judy dissera que ia passar o Natal com Frannie, sua irmã mais velha, a loira implorou para ficar. Judy até achou compreensível já que Russel também passaria com Frannie e deduziu que Quinn não estava pronta para enfrentá-lo ainda.

A ex-cherrio ia passar o Natal em casa. Na verdade, seus planos incluíam tudo, menos comemorar o Natal. Rachel era judia e ela planejava que ao menos as duas ficassem juntas na noite de Natal, mesmo que não comemorassem.

Só havia um problema e esse problema chamava-se Leroy Berry.

Quinn acordou na véspera de Natal afoita, desligou o celular e começou a arrumar tudo desde cedo, assegurando-se que estaria tudo em seu devido lugar quando fosse buscar Rachel. A tarde preparou a comida vegetariana e foi buscar o presente da diva em uma lojinha no centro de Lima. Encontrou Santana, mas a latina apenas desviou e continuou seu caminho com uma expressão de nojo.

Quando a noite chegara, Quinn estava tremendo da cabeça aos pés e não era de frio. Revirou o guarda-roupa inteiro em busca de uma roupa que parecesse quente e confortável, por fim decidiu-se por um enorme sobretudo bege e uma calça preta. Com uma blusa de lã branca por baixo, colocou o cachecol no pescoço e saiu da casa com as chaves na mão.

Estava muito frio e preocupara-se com o estado de saúde de Rachel deixando o aquecedor ligado. Entrou no carro e deu partida, ficou meia hora com ele parada na entrada da garagem. Sabia perfeitamente como Finn se sentira quando fora pedi-la em namoro ao pai e agora não o julgava imbecil como na época.

Era muito difícil, estava sentindo-se uma completa fracassada parada ali.

Respirou fundo, contou até dez e firmou as mãos no volante.

- Eu consigo! – Disse corajosa para si mesma.

Deu ré e rumou para a casa dos Berry que ficava um pouco distante dali, percorreu o caminho em silêncio, só ouvindo a própria respiração e observando as casas iluminadas e repletas de enfeites de Natal. Sempre adorara aquele clima e seria estranho não participar esse ano.

Não se surpreendeu ao notar que a casa dos Berry era a única que não estava enfeitada na rua. Como previra, chegara meia hora antes do horário de encontro. Com certeza Rachel acharia, no mínimo, estranho. Já que Quinn não era nem um pouco pontual.

Desceu do carro e suas pernas tremiam, o barulho da neve em baixo de suas botas enquanto caminhava parecia ensurdecedor. Aproximou-se da porta dos Berry e notou que a TV na sala de visitas estava ligada. A loira parou para se arrumar usando o vidro da janela como referência, em seguida, respirou fundo e deu três batidas na porta.

Ela foi atendida imediatamente e Quinn deparou-se com Leroy encarando-a com uma expressão séria, estava na cara que ele estava esperando ali do lado.

- Boa noite, Sr. Berry! – Quinn cumprimentou e surpreendeu com a voz parecendo tão grave e calma quando seu corpo denunciava exatamente o contrário. Leroy a observou da cabeça aos pés sem dar qualquer sinal de reconhecimento, continuou a encará-la com os olhos negros fulminantes.

- O que te falei sobre a Quinn, Leroy? Não a deixe para fora, está muito frio! – Hiram apareceu ao lado do marido com a expressão sorridente. Ele puxou Quinn para dentro empurrando Leroy para a sala, beijou a loira nas bochechas e perguntou animado:

- Por que chegou tão cedo?

- Eu precisava conversar com vocês dois, a respeito de hoje. – Quinn respondeu um pouco mais aliviada, ao menos Hiram parecia achar que ela era uma pessoa agradável. Hiram ofereceu a poltrona a ela e acomodou-se no sofá ao lado de Leroy que continuava com a expressão fechada. Quinn pigarreou e imediatamente os dois homens olharam para ela.

- Bem... Queria falar sobre minha relação com Rachel, acho que perceberam que estamos bem próximas e com certeza, ela deve ter mencionado algo devido à incapacidade dela de se manter calada. – Quinn disse com um sorriso, mas logo vacilou, Leroy ergueu os olhos para ela e perguntou:

- Está desdenhando da nossa filha?

- Ela só está sendo gentil, sossegue Leroy! – Hiram bronqueou com uma expressão desgostosa, Leroy bufou impaciente do mesmo jeito que Rachel sempre fazia quando não ganhava algo. Quinn retomou um ar mais sério e continuou:

- Nós estamos juntas há quase um mês e meio, então, acho que chegou a hora.

- A hora chegou e passou Fabray, tinha que ter vindo falar conosco quando isso tudo começou! – Leroy disparou friamente para Quinn, a garota arregalou os olhos rapidamente sentindo suar mesmo estando tão frio lá fora. Hiram deu um beliscão no marido e disse com tom de desculpa:

- Antes tarde do que nunca, não é Q?

- Sim senhor. E bem, hoje os senhores permitiram que ela fosse comigo em casa... – Quinn escutou Leroy dizer “eu não permiti nada”, mas ignorou. Olhou para os próprios pés e continuou. – O que eu vou fazer hoje com ela vai ser especial, mas antes eu precisava pedir a permissão dos senhores.

- Você não veio aqui perguntar se nós aceitamos que você tire a virgindade da Rachel, ou veio? – Leroy comentou agressivo fazendo Quinn e Hiram corarem. Hiram olhou decepcionado para o marido que rapidamente sumiu com o sorrisinho irônico que tinha se formado. As palavras ensaiadas por Quinn sumiram da sua boca, com certeza, sutileza não era uma característica dos Berry.

- Continue Q, ignore o que meu marido cheio de tato falou. – Hiram retomou a conversa indo até a cozinha e voltando com um pouco de chocolate quente em uma xícara para Quinn. A loira tomou um gole e respirou fundo, estava sem coragem, mas a imagem de Rachel veio a sua mente e rapidamente seu coração se inflou de excitação. Quinn retomou a voz mais segura de si.

- Eu vou pedi-la em namoro, mas antes, precisava pedir para vocês. Então, permitem que eu namore sua filha?

As reações de Hiram e Leroy foram diferentes de tudo que Quinn pensou que fosse, Hiram encheu os olhos de lágrimas e começou a chorar emocionado. Leroy levantou-se e passou a mão pela cabeça, respirando fundo e parecendo desconcertado. Quinn permaneceu calada, apenas esperando o que os dois iam dizer.

Pensou que Hiram quem ia tomar as rédeas da situação, mas ele ficou calado. Leroy sentou-se novamente e estendeu a mão para Quinn, ela repetiu o gesto dele com apreensão e ele apertou sua mão entre as dele dizendo:

- Damos nossa bênção a vocês, desde que você não a faça sofrer, de forma alguma. – Hiram pareceu querer interromper, mas calou-se com o olhar firme do marido. – Eu sei de que família você vem e sei muito bem o que pensavam de nós até tempos atrás, só quero ter a certeza de que você a ama. Tudo bem?

Quinn deu um sorriso emocionado, não cabendo em si de felicidade. Ela levantou-se e abraçou os dois homens, em seguida, ouviram passos pela escada. Hiram limpou as lágrimas e Leroy abriu um pequeno sorriso enquanto ainda estava abraçado a Quinn.

- Minha nossa! Eu vim correndo achando que o pai tinha assassinado Quinn e me deparo com os dois abraçados, alguém me explique o que está havendo aqui! – Rachel disparou preocupada enquanto chegava à sala, Quinn ficou momentaneamente hipnotizada com a aparência de Rachel e incapaz de responder.

A diva estava fofa, era a única palavra que podia descrevê-la. Estava com uma calça escura, uma blusa de lã branca, um longo casaco vermelho que ia até os joelhos e um gorro da mesma cor sobre os cabelos levemente enrolados, do jeito que Quinn sempre gostava nela. Odiava admitir, mas tão pequena, Rachel estava até lembrando um pequeno e lindo ajudante do Papai Noel.

- Pode ser algum milagre do Natal! – Hiram disse brincalhão e arrancando boas risadas de Leroy e Quinn que se separaram envergonhados. Rachel aproximou-se de Quinn e deu-lhe um selinho, Leroy pigarreou incomodado, mas quando as duas viraram-se para ele, ele sorria divertindo-se com a situação.

- Bem, nós vamos indo, tudo bem? – Rachel perguntou aos dois que apenas acenaram, então ela entrelaçou as mãos enluvadas dela e de Quinn e puxou a loira até a saída. Quinn acenou para os senhores Berry e recebeu um olhar satisfeito, porém ameaçador, de Leroy Berry antes de sair da casa.

Fora da casa, Quinn tomou a frente e puxou Rachel pela mão até o carro que a mãe lhe dera exatamente para que ela pudesse buscar e levar a diva onde quer que fosse. Os cabelos da loira estavam soltos e voavam ao vento, Rachel estava hipnotizada pela loira tentando acreditar como fora tão sortuda a ponto de ficar com Quinn. A loira abriu a porta do carona e esperou-a entrar, Rachel agradeceu com um sorriso enquanto observava a outra passar pela frente do carro e entrar.

- Você está linda! – Quinn disse virando-se para Rachel e beijando a morena mais demoradamente, Rachel suspirou entre o beijo e deu um sorriso contra os lábios de Quinn.

- Digo o mesmo de você.

Quinn sorriu agradecida e deu um beijo em sua bochecha, em seguida ligou o carro e o som. As duas trocaram olhares pelo caminho todo ao som de alguma música de Natal qualquer que elas não se importavam qual fosse no momento.

Rachel estava impressionada com tudo que Quinn havia feito para elas. Estavam no sótão da casa que parecia enorme agora que a loira tirara toda a bagunça que se encontrava ali. Tinha uma boa vista do céu pela pequena janela, uma mesinha no centro onde estavam os restos da comida que as duas tinham partilhado e um colchão com cobertores em outro canto.

Quinn furtara uma garrafa de vinho da mãe e trouxera, era bem doce e já estava pela metade. A loira deixou a taça sobre a mesinha e foi se encontrar com Rachel que estava sentada no colchão olhando para a janela. A morena bateu levemente no local ao seu lado, mas Quinn foi sentar atrás dela, segurando-a pela cintura e beijando-a no pescoço.

- Acho que essa foi a melhor noite de Natal que eu já passei com alguém... Obrigada. – Rachel murmurou agradecida enquanto sentia os lábios de Quinn tocaram a sua pele, sentiu a loira sorrir e ouviu a respiração dela tão perto de si provocou arrepios gostosos em seu corpo.

- Mas ainda não acabou, preciso fazer uma coisa antes de você dizer novamente se essa noite de Natal foi boa ou não, posso? – Quinn perguntou ao pé do ouvido, Rachel murmurou um “sim” e arrependeu-se em seguida quando a loira levantou-se e foi até a outra extremidade do lugar e ligou o som.

As notas suaves de um piano tomaram conta do ambiente, Quinn correu até Rachel e estendeu a mão para a morena em um claro pedido para dançarem. Rachel fez uma expressão confusa, mas mesmo assim estendeu a mão e se levantou. Quinn colocou a mão em sua cintura e a observou apaixonadamente, a morena entrelaçou o pescoço dela e deu um sorriso envergonhado.

Rachel não prestava atenção na letra enquanto Quinn a conduzia elegantemente pelo sótão que não estava mais escuro a luz de velas, a loira dançava muito bem. As duas dançavam tranquilamente, as mãos de Quinn passeavam pelas suas costas e o sorriso rapidamente povoou seus lábios. Quinn a puxou-a mais para perto, mas ainda a encarando, até que seus lábios abriram-se e ela cantou ao ritmo da música:

It's her hair and her eyes today

That just simply take me away

And the feeling that I'm falling further in love

Rachel sentiu um sorriso formar-se em seus lábios, Quinn pareceu feliz com o resultado e continuou a cantar baixinho.

Makes me shiver but in a good way

All the times I have sat and stared

As she thoughtfully thumbs through her hair

And she purses her lips, bats her eyes and she plays,

With me sitting there slack-jawed and nothing to say

Rachel riu agora por causa da letra da música, realmente pegava Quinn a olhando bobamente em alguns momentos. Mas inesperadamente a loira ficou séria ao continuar.

Coz I love her with all that I am

And my voice shakes along with my hands

Coz she’s all that I see and she’s all that I need

And I'm out of my league once again

Quinn observou a morena a sua frente quase desabar em lágrimas, mas continuou a música da mesma forma. Encarando aqueles olhos castanhos que refletiam tão bem o que ela própria tinha dentro de si.

It's a masterful melody when she calls out my name to me

As the world spins around her she laughs, rolls her eyes

And I feel like I'm falling but it's no surprise

Rachel riu entre lágrimas quando Quinn pegou suas mãos que repousavam nos ombros dela e beijou-as delicadamente.

Coz I love her with all that I am

And my voice shakes along with my hands

Cause it's frightening to be swimming in this strange sea

But I'd rather be here than on land

Yes, she's all that I see and she's all that I need

And I'm out of my league once again

Quinn não tirou os olhos dela em um momento sequer com aquela expressão divertida e convencida dela que tantas vezes fez Rachel se apaixonar ainda mais. A música acabou junto com as últimas notas do piano, Rachel observou atônita enquanto Quinn colocava a mão em um bolso da calça e tirava dali uma caixinha.

- Bem... – Quinn estava envergonhada enquanto tirava uma correntinha de ouro de dentro da caixinha. – Acho que não é novidade que estou perdidamente e confortavelmente apaixonada por você, então, quer namorar comigo?

Quinn estendeu a corrente para Rachel, a morena sorriu e pulou em direção a ela abraçando-a. e murmurando milhares de “sim”. A loira conseguiu afastar-se de Rachel entre risos e colocou a corrente no pescoço dela. As duas deitaram-se no colchão em seguida, Quinn apoiou-se em um dos braços enquanto olhava Rachel que permanecia deitada.

- Percebeu o pingente? É uma estrela dourada.

Rachel sorriu e deu mais um beijo em Quinn, a loira estava superando todas as cotas de romantismo existentes no mundo ao lembrar dessa sua mania com estrelas. Mas pelo visto, ainda tinha mais, a loira afastou-se dela com um sorriso e continuou:

- Tem mais, nas costas do pingente tem alguns dizeres.

Rachel apanhou o pingente e virou-se, de cabeça para baixo conseguiu visualizar: Q ♥ R. Muitos achariam brega, mas para a morena era o que ela precisava para acreditar que tudo era a realidade e não um sonho qualquer. Rachel deu um sorriso emocionado e perguntou docemente:

- Já te disse que te amo hoje?

- Acho que já, mas adoraria que você dissesse de novo. – Quinn murmurou rindo da reação tão extrema de Rachel, a morena sentou-se e Quinn a acompanhou. Rachel a beijou brevemente e disse, séria:

- Eu te amo.

- Eu também meu amor, eu também. – Quinn murmurou a puxando para um abraço e sorrindo.

Estava tudo tão perfeito que ela tinha até medo de dar errado.

Notas finais
Sei que deve estar ficando muito chato essa felicidade toda delas, mas as coisas começam a pegar fogo no próximo capítulo, prometo! Beijos e deixem reviews.

Ah, a música é Out Of My League do Stephen Speaks que eu encontrei por acaso no Youtube, espero que baixem para acompanhar com o capítulo!