All You Need Is Love
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Quinn estava aos prantos. Não tinha outra reação além dessa. Era muita informação em um único momento... Então havia acabado? A história deles terminaria assim? Ele dissera que ficaria tudo bem... E ela acreditara.
– Acabou. Acabou. – sussurrava repetidamente para si mesma.
Não conseguia crer que, a partir daquele momento, todos os momentos que passaram juntos seriam apenas lembranças. Quinn releu a carta diversas vezes para ter certeza de que não havia entendido errado. E, em todas elas, chorara absurdos.
Uma das aeromoças ofereceu-lhe um copo d’água e um calmante, recomendado por um dos homens de terno. Segundo ele, sua mulher, que era médica, o receitou, pois este vivia estressado devido aos problemas no trabalho. Quinn agradeceu-os, ainda chorando, e, colocando o comprimido sobre a língua, em uma única golada de água, engoliu-o.
Acomodou-se na poltrona de couro e dividia-se em controlar o choro e enxugar as lágrimas que por seu rosto escorriam.
Em alguns minutos, adormeceu. Dormiu durante toda a viagem e só acordou ao ser chamada pela aeromoça.
A cabeça da loira latejava e tinha o rosto inchado. Sentia-se péssima. Certificou-se de que não havia deixado nada no assento ou no chão. Guardou a carta, que estava um pouco amassada, na bolsa e acompanhou os demais passageiros ao deixar o avião.
___ o ___
Santana, Brittany e Kurt aguardavam a amiga chegar em frente ao portão de desembarque. A namorada da latina tinha em mãos um cartaz escrito “Seja bem-vinda, Quinny” com giz de cera colorido. Kurt segurava, a pedido da loira, alguns balões. Já Santana andava inquietamente de um lado para o outro.
– Por que a merda da Fabray ainda não apareceu? O avião pousou há meia hora! – reclamou a morena.
– É um processo demorado, Santana. Você precisa se acalmar.
– Escuta aqui, Lady Hummel, enquanto a Quinn não atravessar aquela porta, não ficarei calma! – gritou. – Entendeu ou quer brincar de mímica?
Kurt revirou os olhos.
– Será que a Quinn ficou presa naquela esteira mágica? Uma vez eu fui pegar minha mala e subi na esteira e ela ficava rodando, rodando, e rodando... – contou Brittany enquanto fazia movimentos circulares com o dedo indicador.
– Não se preocupe, Brittany. A Quinn está bem. – Kurt a tranquilizou.
– Se ela não estiver, eu arranco essa coisa que você tem entre as pernas e nunca mais será o ativo da relação. Se bem que eu acho que você nunca é mesmo... – ameaçou Santana.
– Que fique claro que eu só vim aqui com você pela Quinn, ok? Já tenho de suportar dividir o loft contigo, isso está de bom tamanho.
– Como se fosse super legal te ver logo pela manhã...
– Quinn! – gritou Brittany ao avistar a amiga surgir detrás da porta do portão de desembarque.
A loira mais baixa andava em passos apressados e chorava. Correu de encontro aos amigos e os abraçou ao mesmo tempo. Chorava de tristeza, mas não podia negar que estava feliz em vê-los. Esboçou um sorriso, talvez um pouco forçado, ao ler os dizeres no cartaz que Brittany segurava.
– Loira, sua vaca, demorou cinco séculos pra sair de lá! – brincou a latina e, só então percebeu que a amiga não estava chorando de alegria. – O que aconteceu, Quinn? Qual o motivo da cara de cu?
– Acabou, gente...
– Amorzinho, só por detalhe: tem que dizer a frase completa, ok? Meu terceiro olho está de férias, portanto não tenho como adivinhar nada agora.
– Eu e o Sam. Nós terminamos pra valer. – desabou em lágrimas, sendo confortada por Kurt. – Eu pensei que ficaria tudo bem, sabe? Ele foi até o aeroporto e nós tivemos uma cena de cinema... Com direito a beijo aplaudido.
– Que unicórnio! – disse Brittany, batendo palminhas.
– Se vocês estavam bem, por que diabos terminaram?
– Por causa disso. – mostrou-lhes a carta.
Kurt e Santana se entreolharam, enquanto Brittany abraçava a amiga, que chorava. O rapaz sugeriu que eles fossem até um café que ali havia para Quinn poder se acalmar e beber um copo d’água. Sentaram-se em uma mesa afastada dos demais clientes para terem mais privacidade.
A morena abriu o envelope que Quinn lhe entregara e leu a carta, expressando caretas.
– Vocês transaram em cima da mesa de jantar dos seus sogros?! – gritou a latina, atraindo olhares ofensivos das pessoas que estavam naquele ambiente.
– Cala a boca, Santana! – repreendeu-a.
– Ai meu Deus, Quinn! Vocês dois precisam de tratamento urgente! –brincou. — Para tudo! Eu comi naquela mesa! Ai que nojo! – fez careta.
– Você poderia parar de me caçoar pelo menos por um instante, Santana? Caso você não tenha percebido, eu estou mal.
– Certo. Vamos direto ao ponto: o Sam merece um chute no saco! Quem ele pensa que é pra terminar com você assim?! Será que ele não percebeu que você é mega sensível? Só porque você faz saliências com ele em lugares inadequados, não quer dizer que não seja frágil!
– Discordo, Sant. Acho que o Sam só fez o melhor pra Quinn. – argumentou Brittany.
– Exatamente, Quinn, ele quer o seu bem, só isso.
– Nossa que fofo! – ironizou a latina.
– O Sam é completamente apaixonado por você, Quinny, disso ninguém tem dúvidas. E é exatamente por isso que ele está te libertando. Afinal, a gente só cresce quando somos soltos da gaiola. – a loira mais alta continuou, ignorando o que a namorada dissera.
– Eu queria tanto crescer ao lado dele, Britt. Ele me faz bem, me faz feliz. – chorava. – Eu o amo tanto...
– Ok, isso vai ser mais difícil do que pensei. Vamos fazer o seguinte, Loira: nós vamos pra casa, você descansa, esfria a cabeça e depois a gente resolve isso.
– Eu vou ligar pra Rach e cancelar o almoço.
– Que almoço? – questionou Quinn, dando uma golada no copo d’água que a garçonete acabara de lhe servir.
– A Rachel estava preparando um almoço de boas-vindas pra você no apartamento dela. O Finn está dando aula agora de manhã e o Blaine está de plantão no hospital, mas eles dariam um jeito de nos encontrar lá. Enfim, eu explico pra ela o que aconteceu, tenho certeza de que ela vai entender.
– Eu não quero magoá-la, Kurt! Deve ter dado muito trabalho...
– Que nada! Você acha mesmo que Rachel Berry não faz as coisas com antecedência? Ela deixou tudo semi-preparado e só estava finalizando hoje. Caso esteja se perguntando como sei disso: ela me mandou milhões de fotos.
– Já sei! – Brittany bateu palminhas. – Vamos pedir pra Rach levar tudo lá pro loft, assim fazemos uma tarde só de mulheres e o Kurt. O que acham?
Os amigos concordaram e caminharam até o estacionamento do aeroporto. Quinn havia parado de chorar, porém permanecia calada. Kurt pegou as chaves do carro, acionando o botão que o destrancasse.
As amigas acomodaram-se no banco de trás do carro enquanto Hummel guardava as malas de Quinn no porta-malas. O rapaz deu a partida, observando pelo espelho as três se abraçarem, em forma de consolo à loira. Brittany logo adormeceu e Santana acomodava-se no colo da namorada para fazer o mesmo. Quinn, com a cabeça encostada na janela, observava a paisagem e se imaginava caminhando com Sam naqueles tão belos locais por onde passavam. Isso a destruiu internamente. Lágrimas voltavam a derramar de seus belos olhos de íris esverdeada. Será que um dia conseguiria conviver com sua ausência? Ou desabaria toda vez que pensasse no loiro?
___ o ___
Na volta do aeroporto, Sam manteve-se calado, observando o amigo e sua ex-sogra conversarem. Puck deixou Judy em um restaurante mexicano, onde ela e seu namorado almoçariam, e seguiu até o apartamento de Sam.
Os amigos se despediram e o moreno, após manobrar o carro e olhar no retrovisor, percebeu que o loiro estava sentado na calçada em frente a seu prédio, chorando. Puck nunca o havia visto naquele estado, portanto encostou o veículo rapidamente e correu de encontro ao amigo. Sentou-se ao seu lado e pôs a mão sobre o ombro esquerdo dele, consolando-o.
Sam balbuciara algo que Puck não compreendera, o que o levou a pedir que o loiro repetisse.
– Eu terminei com ela. – gritou.
– Como é que é?! Você tá delirando, cara! Vocês dois se resolveram, esqueceu?
– Eu entreguei uma cara a ela... Pus um ponto de reticências na nossa história.
– Foi mal, Sam, mas não entendi isso aí do ponto... – fora interrompido.
– É como se fosse um “continua”, entende? Eu acredito que vou ter minha loira de volta. – explicou Sam, enxugando o rosto na manga da blusa.
– Eu também acho isso... A sua história com a Quinn ainda não acabou.
– Espero que seja verdade, Puck...
Os dois se abraçaram e o moreno avisou-lhe que poderia ligar para ele a qualquer instante. Sam levantou-se da calçada e passou a mão rapidamente na calça, a fim de limpá-la. Acenou para Puck, que virava a esquina, e, finalmente, adentrou o prédio. Assim que chegou ao seu apartamento, destrancou-o vagarosamente e caminhou em passos lentos até seu quarto. Deitou-se na cama e voltou a chorar, porém, dessa vez, com ainda mais dor.
___ o ___
Assim que chegaram ao loft, Quinn surpreendeu-se ao encontrar Rachel na cozinha do local. A baixinha correu para abraçá-la e disse que estava ali para o que ela precisasse.
– Desculpa por ter te feito vir até aqui, Rach...
– Não precisa se desculpar, Quinny. Eu entendo perfeitamente o seu lado. – sorriu, tendo o gesto retribuído.
Santana vinha trazendo as malas de Quinn e gritou:
– Olha aqui, Loira, só porque você está sensível, não quer dizer que eu seja sua empregada. Pode fazer o favor de carregar, pelo menos, as suas coisas?
– Santana, não seja grossa! Isso que você está fazendo é uma gentileza de amiga, apenas. – contestou Rachel.
– Hobbit, fica quieta que a conversa não chegou a você.
– Dividir apartamento com barraqueira é difícil, hein! – reclamou Kurt, chegando com Brittany.
Brittany levou as malas de Quinn até o quarto que ela ficaria.
– Venha conhecer seu mais novo cantinho! – chamou-a.
A loira mais baixa caminhou até seu quarto e encantou-se com a faixa de boas-vindas pendurada no teto. Observou que Brittany também olhava surpresa.
– Não foi você?
– Fui eu! – anunciou Rachel. – Na verdade, quem fez foi o Finn, eu só coloquei glitter.
Quinn sorriu e agradeceu. Voltaram para a sala e sentaram-se na mesa servida por Berry.
Rachel não parou de falar nem por um instante, quase não comendo o que havia colocado em seu prato. Por fim, os amigos caíram na gargalhada ao perceber que a baixinha era a única que ainda não havia terminado de comer.
– Quinny, estou muito feliz que você esteja aqui conosco! – comentou Brittany, batendo palminhas, gesto típico da garota.
– Todos nós estamos, Britt.
– A gente podia chamar o Sam pra morar aqui também, não é? – animou-se a loirinha.
– Brittany! – gritaram em uníssono.
– Tudo bem, gente. – mentiu Quinn. – Com licença, vou desfazer minhas malas. Ah, obrigada pelo almoço, Rach, estava incrível.
Fabray entrou rapidamente em seu quarto e jogou-se na cama, retornando a chorar. Será que ele também estava chorando por ela ou estaria curtindo a vida de solteiro? A primeira opção era mais provável, porém não podia negar que tinha medo de que ele validasse a segunda alternativa.
Ouviu três batidas na porta e deduziu que fosse Santana, pois a mesma sempre fazia isso quando a visitava na adolescência. Liberou a entrada, observando a morena entrar e trancar a porta.
– Chorando de novo, moça? – questionou com voz suave.
– Eu não consigo me conter, Sant...
– Mas você precisa se esforçar, Q. Só assim você vai superar. – aconselhou a latina, sentando-se na cama de Quinn e deitando a cabeça da loira em seu colo.
– Eu não paro de pensar nele, de imaginar como seria a nossa vida juntos, de sonhar com um futuro nosso...
– Nós estamos com você nessa, não vamos te deixar sozinha, ok? Você pode contar conosco sempre, lembre-se disso. O Kurt está fazendo petit gateau para comermos assistindo a filmes de comédia. Escolhi uns que eu sei que você adora! – disse, fazendo cafuné na amiga.
– Obrigada. – sorriu. – Eu te amo, Sant!
– Eu também te amo, Loira. – beijou-lhe a bochecha.
As duas saíram do quarto e se juntaram aos amigos para assistirem aos filmes selecionados por Santana. O único rapaz presente na casa retirou a sobremesa do forno e serviu em pratinhos coloridos que Rachel havia levado. Entregou-os às amigas para que saboreassem juntamente.
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Sam acordara com o olho inchado devido ao choro na noite anterior. Não haveria problema algum se ele não tivesse uma reunião importante no estúdio de Artie. Decidiriam se iriam manter contrato com alguns fornecedores de aparelhos de dublagens. O cadeirante havia implorado a ajuda se Sam, já que este era o que melhor entendia sobre as tais máquinas.
O loiro não estava no menor clima para isso, mas havia dado sua palavra e não podia desapontar o amigo, que, além de tudo, era seu chefe. Portanto, tomou uma rápida chuveirada, vestiu-se adequadamente e seguiu para o local de trabalho.
Subiu apressadamente até o andar correto e adentrou a sala do chefe. Estava com a cabeça tão longe que nem sequer havia batido na porta.
– Claro, Sam, pode entrar. – ironizou Artie, porém sorrindo.
– Desculpa, Sr. Abrams. – brincou. – Eu estou com o pensamento em outro lugar, ou melhor, em outra pessoa.
– Soube que você foi vê-la. Resolveram-se?
– Acho que em parte. No aeroporto ocorreu tudo bem, mas eu imagino que, a essa altura do campeonato, ela já tenha lido a minha carta. Eu a libertei para que ela possa viver o sonho dela.
– Uau! Você realmente a ama, não é mesmo? Fala dela com um brilho nos olhos...
– Eu sou louco por aquela mulher, Artie! E eu estou morrendo de saudades da minha loira... Daquele sorriso que iluminava meu dia, da alma serena que me acalmava... Você acredita que o cheiro dela ainda está impregnado na minha cama? E aí eu me lembro do que fizemos ali e, caramba, como essa mulher me faz falta!
– Nossa, Sam! A coisa tá feia, hein! Acho que o melhor a se fazer agora é focar em si. Aproveita pra malhar, viajar, passar um tempo com a sua família, conhecer gente nova e o que eu mais gosto: trabalhar. Vida de solteiro é assim, meu caro. A gente tem que investir em si.
– Meu sábio chefe, o que seria de mim sem você?
– Um desempregado.
Ambos riram da piada sem graça, mas de boa intenção, feita por Artie.
– Vamos logo pra sala de reuniões. Os representantes das empresas já devem estar chegando. – prosseguiu.
– Sim, Sr. Abrams.
___ o ___
Rachel havia ido embora assim que a maratona de filmes acabara e prometera visitar os amigos com Finn no dia seguinte ou vice e versa. Blaine chegara tarde do plantão e Quinn já havia dormido, portanto ainda não haviam tido a oportunidade de se cumprimentar.
Como de costume, Kurt e Brittany preparavam o café da manhã e Blaine discutia com Santana sobre o fato de ela ter ocupado uma parte da “prateleira de gel” dele.
– Você deve pedir permissão a mim antes de mexer nas minhas coisas!
– Essa casa é minha antes de ser sua, então nem vem, Cabeça de Gel.
– Você quer parar de me chamar assim?! Eu tenho nome, Santana! B-L-A-I-N-E, Blaine!
– Eu te chamo como eu bem quiser, florzinha amargurada.
– Está passando dos limites, Santana!
– Vocês querem parar?! Mas que saco! Todo dia a mesma coisa... – Kurt reclamou, fazendo com que os dois se calassem.
Santana revirou os olhos e deixou o local bufando, indo em direção ao quarto de Quinn. Abriu a porta com força, acordando a amiga, que se assustou com a brutalidade.
– Hoje é sábado, Sant, me deixe dormir, por favor!
– E ficar deprimida nessa cama? De jeito nenhum! Vamos! Levanta!
A loira cobriu a cabeça com o travesseiro.
– Eu só quero dormir, Santana. – disse com a voz abafada pela almofada.
– Nós fizemos uma programação incrível pra você, portanto para de “priguiçitcha aguda” e levanta logo!
– Não... – reclamou.
– Chega, Fabray! – irritou-se, puxando o cobertor para o chão e retirando o travesseiro de cima do rosto da loira. – Levanta essa bunda enorme dessa cama! Não tenho paciência pra cu doce!
Quinn, mesmo contrariada, levantou, rindo da reação da latina. Fazia frio naquela manhã, então vestiu sua calça jeans predileta, botas de couro de cano longo e sua tão desejada jaqueta vermelha, a qual comprara na boutique que trabalhara. Sua blusa de segunda pele preta básica possuía renda no decote, chamando atenção para os seios da loira.
Quinn juntou-se aos amigos, recebendo diversos elogios.
– Se eu não fosse comprometida, te pegava! – brincou Santana.
– Mais respeito com a sua namorada, por favor.
– Mas você tá gostosa mesmo, Quinny. – Brittany entrou na onda.
As bochechas de Quinn coraram, o que levou a piadinhas de Santana.
Blaine aproveitou para desejar a Quinn boas-vindas, abraçando-a. Sentaram-se todos à mesa para, somente então, comerem o café-da-manhã. Deliciaram-se com os diversos pãezinhos e bolinhos, todos preparados de forma delicada por Kurt e Brittany.
– Santana, você me disse que prepararam uma programação... Qual seria? – questionou Quinn.
– O que uma mulher faz quando chega de viagem?
– Conhece a cidade. – respondeu Blaine.
– Claro que não, seu imbecil! Pelo visto o tanto de gel que você passa no cabelo adentrou seu crânio e está começando a corroer seu cérebro... Enfim, uma mulher quando chega de viagem, principalmente tratando-se de NY, vai às compras.
As pupilas de Quinn dilataram e um belo sorriso esboçou-se em seus lábios.
– Eu, você, a Britt e o Kurt vamos te apresentar ótimas lojas! E não se preocupe, é um presentinho meu e da Britt-Britt.
– Ai vocês são muito fofas, mas eu não posso aceitar.
– Por que não, Loira?
– Não quero que gastem dinheiro comigo, já gastaram muito tempo aconselhando a amiga sofrida aqui.
– E você acha que a gente faz isso por obrigação? Claro que não, sua bobinha! A gente te ama, ok? Agora chega desse momento fofura e vamos ao que interessa!
Blaine insistiu para ir junto com o pessoal, mas Santana vetara. Alegou que o rapaz não tinha a mínima condição de ser companheiro de compras. Saíram, então, somente os quatro.
Passaram a tarde indo de loja em loja, experimentando diversos estilos de roupa e rindo dos produtos cafonas de algumas lojas. Divertiram-se muito, uma verdadeira tarde de amigas. E, por incrível que pareça, Kurt e Santana não discutiram durante o passeio.
Um pouco antes de anoitecer, passaram em uma sorveteria para mostrarem a Quinn o delicioso sorvete natural que ali vendiam. Sentaram-se em uma mesinha e fizeram seus pedidos. Aproveitaram o clima para conversar sobre a cidade. Quinn contou-lhes o desejo de fazer um tour por New York para conhecer todos os pontos turísticos e locais considerados interessantes. De alguma forma, a loira associou esse “sonho” à viagem que ela e Sam fizeram a Tennessee. Lembrou-se das programações incríveis feitas pelo loiro e por todos os momentos românticos que tiveram. Foi calando-se aos poucos e já não prestava mais atenção no que os amigos a sua frente diziam, estava perdida em seus devaneios.
– Quinn! – os amigos gritaram, já de pé, deixando a varandinha da sorveteria.
A loira balançou a cabeça a fim de espantar os pensamentos e juntou-se a eles. Caminharam por dentre as árvores até a rua ao lado, onde Finn e Rachel moravam. Quinn finalmente veria o moreno, estava morrendo de saudades dele.
O casal Finchel morava em um pequeno, porém aconchegante apartamento. Era um local bem acolhedor por possuir diversas árvores floridas e calçadas muito bem limpas. Adentraram o “apê” e Finn correu, com seu jeito desengonçado, até Quinn, rodopiando-a em um abraço.
– Quinn, você está linda! Fiquei muito feliz quando soube que você viria pra cá! – sorriu Finn.
– Awn, Finny! Estava com saudades de você, grandão. – apertou o abraço.
– Certo, gente, acho que está de bom tamanho essa demonstração de afeto. – brincou Santana.
Rachel trouxe um álbum de fotos para mostrar a Quinn um pouco do que ela e Finn haviam feito durante esses anos. Blaine foi até a casa dos amigos e ficaram até tarde relembrando momentos passados juntos.
___ o ___
Na manhã seguinte, Quinn acordara bem cedo, pois planejara visitar alguns pontos turísticos da cidade, mas fora surpreendida por Kurt, que bateu cautelosamente na porta do quarto da loira, de forma que não acordasse os amigos. Assim que a entrada fora permitida, Hummel adentrou o cômodo.
– Eu tenho uma surpresa maravilhosa! – sorriu de orelha a orelha.
– Ai meu Deus, fala logo, Kurt!
– Você tem que vir comigo. Vamos fazer o seguinte: a gente para no Starbucks e come alguma coisa, mas vamos logo ao que quero te mostrar! Tenho certeza de que você vai delirar, assim como eu delirei.
– Certo, agora vamos logo porque sou muito ansiosa.
Os dois deixaram um recadinho preso à geladeira para que os amigos não estranhassem seu “sumiço” e saíram. Kurt dirigiu até uma bela rua, parecida com a da sorveteria e a que Finn e Rachel moravam. Estacionou em frente a um local de dois andares, com vidro coberto por faixas de reforma.
O rapaz de olhos azuis sorriu para loira e emitiu um som parecido com “Tcharan”.
– É aqui.
Quinn deu um grito de felicidade ao perceber do que se tratava.
– É o nosso atelier?! – perguntou retoricamente. – Ai meu Deus! Ai meu Deus!
Kurt retirou as chaves do bolso do casaco.
– Vem! – puxou a amiga pela mão, assim que terminara de girar a chave na fechadura.
Os olhos de Quinn encheram-se d’água ao observar o local por dentro. Mesmo estando precisando de reforma urgentemente e com o local completamente vazio, era lindo. Um ambiente amplo e onde poderiam transformar em um verdadeiro encanto. Os amigos se abraçaram e sorriram.
Quinn viu-se de frente para a linha de partida de seu sonho. Seria ali que daria início a sua nova jornada... E só de pensar que naquele mesmo espaço que ela estava rodando, conhecendo o território, ela transformaria não apenas o sonho dela em realidade, mas como o de outras pessoas também, era loucura. Mas uma loucura boa. Loucura a qual ela estava doida para experimentar.
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