All You Need Is Love
29 Capítulo 29
Notas iniciais
O atelier estava atraindo muito clientes, assim como a loja, que vendia criações dos sócios. Aqueles que iam às compras naquele local, recomendavam aos amigos, o que gerou uma ótima clientela.
Quinn e Kurt estavam muito contentes com o sucesso que F&H estava fazendo, apesar de não ter completado nem um mês desde a inauguração.
Era um pouco mais de duas da tarde quando a loira desceu para ajudar no gerenciamento da loja, já que Josh havia faltado naquele dia. Kurt estava ocupado com uma encomenda importante e não poderia auxiliar naquele momento.
Uma das atendentes estava em seu horário de almoço, enquanto a outra atendia uma cliente. Sendo assim, Quinn estava sozinha no espaço central da loja. Por não estar com movimento, permitiu-se sentar um pouco no banquinho que havia no balcão de pagamento.
Aproveitou para enviar os pedidos que no computador que ali havia estavam armazenados para seu escritório. Era gratificante ver a lista de encomendas. Tudo estava saindo tão bem! Melhor do que ela um dia imaginara.
Pegou uma folha de papel que estava em cima do balcão e uma caneta e pôs-se a desenhar. Apenas um rascunho para um dos pedidos. Quando ela voltasse a sua sala, faria o oficial. Sem querer, deixou a caneta cair no chão, sumindo por baixo do balcão. Abaixou-se para pegá-la e ouviu passos de salto alto se aproximarem.
– Ótimo! Quando preciso estar com postura para atender uma cliente, estou aqui igual a uma rã procurando a droga de uma caneta! Adoro! – reclamou mentalmente.
– Com licença. – pediu a mulher de voz familiar. – Vocês vendem roupas infantis?
A curiosidade de Quinn era maior do que a necessidade de pegar a caneta, portando ajeitou os cabelos, que haviam bagunçado quando ela se abaixara e levantou-se.
O sorriso fora substituído por uma expressão de espanto.
– Não pode ser! Shelby?!
A morena surpreendeu-se ao ver a mãe biológica de sua filha adotiva bem a sua frente.
– Você se importa se eu te der um abraço? – questionou a loira, tendo um consentimento de Shelby.
– Que bom te ver por aqui. E eu pensando que New York era grande... – sorriu. – Você mora aqui faz muito tempo?
– Não, me mudei há alguns meses. Tudo aconteceu meio de repente, vim para recomeçar minha vida profissional. E aqui estou eu, dona da F&H.
– Uau! Fico muito feliz que você esteja tão bem, Quinn. Continua lindíssima!
A loira agradeceu e ao perceber que a vendedora que estava almoçando retornava ao turno, convidou a morena para conversar em sua sala.
Sentaram-se no sofá de couro branco que havia ali. Quinn tentou ser o menos invasiva o possível ao perguntar da filha:
– Como ela está?
– Enorme e linda.
– Imagino... – a loira sentiu os olhos marejarem.
– Eu gostaria muito que você fosse vê-la. Como eu te disse uma vez, quero que faça parte da vida dela.
– Obrigada. – sorriu singelamente. – Você nem imagina de como eu quero poder abraçá-la, ouvir aquela voz fininha de criança, poder brincar com ela... Com quantos anos ela está?
– Seis.
Quinn fechou os olhos lentamente para imaginar como estaria sua filha agora, cinco anos desde a última vez que a vira.
– Eu posso vê-la qualquer dia desses?
– Claro que pode! Se você quiser ir hoje pod...
– Quero! – interrompeu-a.
– Eu vou pegá-la na escola às 18h, você pode passar lá em casa umas sete, pode ser?
– Ótimo! Eu não tô acreditando que vou vê-la novamente depois de tanto tempo... – sorriu abobalhada.
Shelby anotou o endereço no papel que Quinn lhe entregara.
– Olha, Quinn, eu ainda não conversei com ela sobre você e o Puck, pois ela é muito novinha ainda, então eu queria pedir para você não dizer nada que vá além do que ela pode suportar nessa idade, está bem?
– Claro. Eu só quero “conhecê-la”. Ela nem precisa saber quem eu sou agora.
– Eu sei que, um dia, vou ter que contar, pois é um direito dela saber sobre os pais biológicos e é exatamente por isso que quero que criem uma boa relação. Assim, fica mais fácil de ela aceitar tudo naturalmente, entende?
A loira assentiu com a cabeça e guardou o papelzinho na bolsa. Shelby retomou a pergunta que fizera assim que entrara na loja e Quinn explicou que só faziam roupas adultas, mas que em ocasiões especiais, poderiam fazer modelos exclusivos infantis.
A morena disse que iria ao shopping tentar encontrar o que procurava. Despediu-se de Quinn e avisou que a aguardaria em sua casa.
Antes que Shelby fechasse a porta, a loira a chamou.
– Obrigada. – sorriu, emocionada.
___ o ___
Quinn estava com a toalha enrolada ao corpo, procurando o que vestir. Os cabelos molhados pingavam em suas costas. Revirava o guarda-roupa e não encontrava nada que a agradasse. Não havia dúvidas: estava extremamente ansiosa pelo desejado encontro.
Por fim, escolheu um vestido longo, de tecido fino, florido nas cores branca e azul claro. Um casaco branco de rendinha a acompanhava, juntamente à bolsa azul marinho. Secou os cabelos, deixando-os com pequenos cachos nas pontas. Optou por uma leve maquiagem, que a deixasse mais natural.
Olhou-se no espelho por uma última vez antes de partir. Despediu-se dos amigos rapidamente e ela e Kurt deixaram o loft. O rapaz a levaria até o apartamento de Shelby. Quinn mexia as mãos inquietamente, ora brincando com os cabelos, ora batendo-as nas pernas.
– Hey, se acalme. Vai dar tudo certo, Q. – confortou-a.
– Eu tenho medo do que ela vai pensar de mim... E se ela me achar chata? Ou nem quiser falar comigo?
– Engole essa insegurança, mulher! Confie em mim, vai ser uma ótima noite para você.
– Como pode ter tanta certeza?
– Apenas sei. – sorriu.
O moreno a deixou em frente ao prédio, aguardando-a entrar para fazer o retorno. Quinn adentrou o elevador e olhou-se no espelho. Respirou fundo e disse a si mesma que deveria ficar calma, pois nada daria errado naquela noite!
Assim que chegou a porta do apartamento da mãe adotiva de sua filha, tocou a campainha e aguardou ser recebida pela morena. Pediu licença e entrou cautelosamente. Observou a bela decoração do local, elogiando. Alguns brinquedos de Beth estavam espalhados no canto da sala, onde, provavelmente, ela brincara minutos atrás.
Shelby pediu que a loira ficasse à vontade, pois iria chamar a filha. Quinn ansiava aquele momento há muito tempo e mal podia crer que ele, enfim, chegara.
A morena vinha com a pequena menina de mãos dadas. Beth usava um vestidinho lilás, que tinha a saia com pequenas estrelas bordadas na cor violeta. Os fios de cabelo loiros eram lisos, porém com cachos nas pontas, muito semelhante aos da mãe biológica.
– Lembra que eu disse que teríamos visita hoje? Essa é a Quinn.
A loirinha olhou nos olhos de Quinn, sorrindo. Fabray não conseguiu segurar a emoção e deixou as lágrimas escorrerem por seu rosto.
– Oi, pequena. – sorriu. – Posso te dar um abraço.
Beth assentiu com a cabeça, vendo a loira agachar para abraçá-la. A loirinha, então, envolveu-se nos braços de Quinn, que acariciou as costas e cabeça da garotinha.
– Meu nome é Beth.
– É um nome muito bonito!
– Meu pai que escolheu! Eu não conheço ele, mas a mamãe disse que ele é bonzinho.
Os olhos de Quinn voltaram a marejar.
– Por que você tá chorando?
– Porque eu fiquei feliz em te ver. Eu te conheci quando você era bem pequenininha e agora te vejo tão linda e crescida... – disse com cautela para não deixar escapar nada que não devesse.
– O que é isso? – a menina apontou para a sacola que a loira carregava.
– Ah! É um presente pra você. – sorriu, entregando-lhe o embrulho.
A garotinha abriu e surpreendeu-se com a ovelhinha laranja de pelúcia que ganhara. Agradeceu o presente e ficou um tempo olhando para a mulher à sua frente.
– Você é muito bonita!
– Obrigada, pequena.
A menininha correu para seu quarto. Shelby sentou-se com Quinn no sofá da sala de estar.
– Obrigada por ter vindo, é muito importante pra ela.
– Eu que agradeço pela oportunidade de vê-la.
– Então, está namorando? – tentou puxar assunto.
Quinn abaixou o olhar, fitando o chão.
– Não. – respirou fundo.
– Desculpe, não quis...
– Tudo bem. – interrompeu-a.
A loirinha vinha correndo em direção à Quinn.
– Você se parece com a minha Barbie. – a garotinha mostrou sua boneca.
Fabray riu da comparação feita pela menina.
– Eu adoraria brincar com você um dia. Você deixa?
– Claro! Vem comigo, no meu quarto têm muitas bonecas! – segurou-a pela mão, guiando-a.
Quinn sorriu com o gesto da pequena e sentou-se com ela em frente a um baú em que suas bonecas eram guardadas. Shelby terminava de assar a torta de frango que preparara.
As loiras se divertiam com as brincadeiras. Fabray penteava os cabelos da boneca que segurava enquanto Beth escolhia dentre as milhares de roupinhas o que aquela específica deveria vestir.
Era um momento mágico para Quinn, que sempre sonhara com aquilo. Sorriu ao notar a concentração da menininha ao procurar a roupinha desejada. Por fim, pegou um vestido verde claro e entregou à mãe biológica para que esta a ajudasse a colocar.
Shelby chamou-as para jantar. Ambas arrumaram a bagunça que haviam feito no quarto da menininha e seguiram de mãos dadas até a cozinha.
– Já vi que você gostou da companhia, hein, filhota! – brincou a morena, ajudando a filha adotiva a sentar-se na cadeira.
– Ela brinca melhor que você, mamãe. Ela não dorme no meio da brincadeira. – riram.
– Poxa, tá vendo, Quinn, agora ela não vai mais te deixar em paz. Vai querer brincar sempre!
A loira sorriu, apertando levemente a bochecha direita da garotinha, que riu com o gesto.
Assim que Beth terminou de comer, correu para o quarto, ignorando o que Shelby dissera sobre pedir licença para sair da mesa. Quinn ajudou a morena a levar os pratos até pia e insistiu em lavar a louça, porém teve a ação vetada, já que a diarista iria no dia seguinte.
Despediu-se da morena, agradecendo o jantar e a permissão para a visita.
– Tia Quinn, você promete vir mais vezes brincar comigo?
– É claro que eu venho! – abraçou-a, apreciando o beijo na bochecha que ganhara da pequena.
A loira sorriu mais uma vez e deixou o apartamento de Shelby. Um táxi a aguardava em frente ao prédio.
___ o ___
Quinn contava para os amigos como tinha sido o encontro. Todos estavam sentados no carpete da sala, felizes por ver a amiga tão empolgada.
– Vocês tinham que ver a carinha dela brincando comigo! Ela pediu que eu fosse lá mais vezes, acredita?
Santana se levantou e abraçou a loira, sorrindo. Brittany juntou-se a elas e chamou o pessoal que estava sentado.
– A gente te ama muito, Loira. – declarou a latina. – E torcemos muito para que você e a Beth criem uma relação maravilhosa, ok?
Fabray agradeceu a todos pelo carinho e disse que iria dormir, pois no dia seguinte teria de acordar cedo.
Passou na cozinha para pegar um copo d’água e seguiu para o quarto, vestindo o pijama e escovando os dentes antes de se jogar na cama e dormir em sono profundo.
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Na manhã seguinte, Sam, que perdera o sono ainda de madrugada, encontrava-se a caminho da cafeteria, onde comeria algo. Ao passar pela banca de jornal, pensou ter visto a imagem de Quinn. Paralisou no mesmo instante. A mesma mulher que tirara seu sono na noite anterior estava estampada em uma revista? Não podia ser!
Aproximou-se do vendedor da banca e pediu um exemplar. O homem lhe entregou, aguardando o pagamento. Era ela. O loiro deu o dinheiro e voltou rapidamente para casa, esquecendo-se completamente do real motivo que o levara a sair na rua.
Sentou-se no sofá e releu, pela nona vez, o que estava escrito na capa da revista.
“Com apenas um mês, F&H faz sucesso em NY. Inauguração em grande estilo atraiu grande clientela.”
Na capa, uma pequena imagem da amada acompanhava a manchete. Folheou a revista até encontrar a matéria por completo.
Segundo uma fonte, a inauguração foi feita no dia do aniversário de Quinn Fabray, uma das sócias, portando uma grande festa inaugurou a bela loja, que inclui um maravilhoso atelier. Todos os mínimos detalhes, que, provavelmente, foram pensados com muito carinho, davam ao local um ar aconchegante, fino e elegante.
Todos aqueles presentes na festa foram muito bem recebidos e, com certeza absoluta, surpreenderam-se com a tamanha simpatia de ambos os donos de F&H, principalmente da aniversariante, que não deixou de sorrir um minuto sequer.
Linda e simpática eram os adjetivos mais ditos referentes à Fabray. Enquanto Hummel esbanjava seu carisma, Q. Fabray fazia um discurso emocionante.
Em apenas um mês, o sucesso já é evidente. E, do ponto de vista de alguns clientes que conversaram conosco, ainda fará muito pela frente. – Matthew Curtain.
Sam sorriu ao ler a matéria e encantou-se com as fotos do local. Era realmente muito lindo e merecia todo o sucesso já adquirido. Quinn estava deslumbrante e os elogios faziam total jus.
O rapaz ligou para Puck e pediu que o moreno fosse correndo até sua casa.
– Espero que seja importante. – disse Puckerman assim que adentrara o apartamento de Evans.
– Valeu por ter vindo, cara. Dá uma olhada nisso. – mostrou a revista para o amigo.
Puck leu e elogiou a dedicação dos amigos.
– Só uma perguntinha: você me chamou até aqui pra isso?
– Ô babaca, eu quero conversar com alguém. O Artie não curte muito ouvir meus problemas.
– Como se eu curtisse... – bufou, recebendo um leve empurrão do loiro.
– Eu tô sentindo uma falta imensa dela, sabia? – beliscou a barba que havia deixado crescer. – Achei que fosse conseguir suportar, mas é impossível, ela mexe muito comigo. Eu até consegui me distrair por um tempo, foquei em mim: fui direto à academia, investi em um curto curso de dublagem especificamente infantil, passei tardes na companhia do meu amigo violão e vi muitos filmes. Mas percebi que minha vida é um tédio. Então tomei uma decisão nessa madrugada.
– E qual seria? – perguntou o moreno, sem real interesse na resposta.
– Vou atrás dela. Vou dizer o quanto a amo e que minha felicidade é onde ela estiver.
– Você vai para New York? Mas espera aí, cara, e o seu emprego? Seu apartamento e tudo mais...
– Não estou me mudando, apenas quero vê-la, conversar e me desculpar por ter simplesmente fingido que ficaríamos bem.
Sam fitou um porta-retrato que havia ao lado da televisão. Era uma foto dele com Quinn em Tennessee, em que a loira estava agarrada a suas costas, beijando-lhe o pescoço. A praia com o pôr-do-sol dava à imagem o cenário perfeito.
Não podia deixar que momentos como esses nunca mais se repetissem. Foi tirado de seus devaneios por Puck, que abria a geladeira e pegava uma garrafa de cerveja.
– Boa sorte, irmão. Vou torcer por vocês dois, ok? – disse para logo após dar uma golada na bebida.
– Valeu, cara.
Sam correu para colocar algumas mudas de roupa em uma mochila. Não sabia por quanto tempo ficaria, portanto levaria apenas o necessário. Tinha de chegar rápido ao aeroporto, pois ainda compraria a passagem e cinco horas de avião não é pouca coisa... Pretendia fazer uma surpresa para Quinn ainda naquele dia.
Puckerman desejou sorte ao amigo assim que o deixou no aeroporto. O loiro correu para comprar sua passagem. Não foi tão difícil encontrar uma, o único problema é que ele só chegaria a NY às nove da noite.
___ o ___
– Isso é incrível! Olha como falaram bem de você! – mostrou Kurt, referindo-se à matéria na revista.
Os amigos estavam sentados em uma das bancadas do atelier, que, por ainda ser cedo, não tinha sido preenchido pelas funcionárias.
– Eu não consigo acreditar! – gritou Quinn.
– No que você não consegue acreditar? – questionou Josh, abraçando a loira e beijando-lhe a bochecha.
Quinn corou com o ato e sorriu sem graça. Entregou-lhe a revista e o observou ler atentamente a notícia.
– Meu Deus! Que show! Arrasaram, hein! Parabéns! – sorriu.
– Josh, você pode me ajudar a pegar uma caixa na última prateleira da estante do meu escritório?
O rapaz seguiu-a até a sala e esticou-se para pegar o que Quinn desejava.
– Hey, Quinn, eu me esqueci de falar com você ontem. Você tem algum programa pra hoje à noite?
A loira hesitou antes de responder.
– Não...
– Ótimo! Topa ir a um barzinho aqui perto?
– Não sei se é uma boa ideia, Josh.
– Ah, se anima! Vai ser divertido, te garanto. E a sua presença vai ser importante pra mim.
– Sabe o que é, Josh, eu acabei de sair de um relacionamento, que terminou de uma forma... Complicada. E eu não estou pronta para uma noitada com um cara, entende?
O rapaz riu e brincou:
– (1) Não é um encontro, (2) não precisa se preocupar, pois não vou te agarrar e (3) todas as meninas vão.
– Que meninas?
– As que trabalham aqui. Convidei o Kurt também, mas parece que ele tem um jantar romântico com o marido dele.
– Ah, sim. Desculpe pelo mal entendido. – ficou cabisbaixa.
– Acho que ir hoje à noite é uma boa forma de se desculpar. – sorriu de canto, recebendo uma risada de Quinn.
– Está bem, eu vou.
– Yes! – comemorou. – Passo no loft às 20h. – sorriu e deixou o cômodo.
Quinn riu do jeito de Josh, lembrava um pouco o jeito sexy e bobão de Sam. Ela sentia tanta falta do loiro... Do sorriso fofo e olhar sedutor, dos beijos quentes que davam antes de transformar o quarto em um local cheio de roupas espalhadas, amando-se em cada canto do apartamento.
Balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Decidiu focar em seu trabalho: pegou sua pasta de croquis que estava guardada na caixa que Josh pegara para ela. Folheou todos os desenhos e finalmente inspirou-a a fazer um modelo infantil. Daria de presente à Beth. Lembrou-se dos vestidos de boneca que a loirinha tinha e tentou desenhar um que fosse semelhante àqueles.
O dia passou voando. A lista de encomendas só aumentava e Kurt estava começando a se apavorar com o prazo. Teriam de contratar mais costureiras para, só assim, darem conta de tantos pedidos.
Kurt despediu-se dos funcionários e chamou por Quinn, que terminava de arrumar sua sala. A loira disse às meninas que as veria em poucas horas e deu um abraço carinhoso em Josh.
Assim que chegou em casa, tomou um banho rápido e, após passar uma loção hidratante de rosas no corpo, vestiu-se. Era simples, mas elegante. Bem do jeito que ela gostava. Os acessórios amarelos davam vida ao look preto e prata.
Permitiu-se passar uma maquiagem mais carregada, porém sem exagero. Ouviu algumas piadinhas sem graça de Santana e sentou-se para aguardar o rapaz que iria levá-la.
Não demorou muito para Josh chegar ao loft e jogar seu charme em Quinn, que tentou evitar que a latina fizesse qualquer saia justa.
Saíram logo e a loira acomodou-se no banco de carona do carro do rapaz.
O barzinho não era tão longe assim como Quinn imaginara. Estacionaram próximo à entrada do local, que por sinal estava lotado.
– Aqui costuma ter shows de amadores e fica sempre cheio, mas se ficarmos no andar de cima, não tem estresse. Lá fica mais vazio e é melhor para uma reunião de colegas de trabalho.
Ele estava certo, era bem mais tranquilo. Sentaram-se na mesa que Josh havia reservado e pediram dois coquetéis. Instintivamente, Quinn lembrou-se da noite em que encontrou Sam naquele bar, onde também beberam coquetéis. O fato estava se repetindo. Como ela queria que fosse o loiro que estivesse ali, tentando impressioná-la com suas imitações bobas, porém fofas...
– Quinn?
– Oi. Desculpa, estava distraída... Então, as meninas não vêm?
– Sim, daqui a pouco devem estar chegando.
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Sam saía apressado do aeroporto à procura de um táxi que o deixasse em um hotel próximo ao loft.
Aproveitou para deixar a mochila e tomar um banho no quarto que alugara por duas noites, depois resolveria se ficaria mais tempo. Vestiu uma calça jeans e uma camisa preta, juntamente à jaqueta de couro. A barba loira escura ganhava destaque em sua pele clara.
Passou um pouco do perfume que sabia que Quinn adorava e, após respirar fundo, deixou o hotel. Caminhou com as mãos no bolso, devido ao frio, até o loft, batendo na porta com um pouco de força, talvez fosse o nervosismo.
Santana abriu a porta um pouco irritada.
– Sam?!
O loiro tentou desviar o olhar do corpo nu de Santana, que tentava se cobrir com as almofadas que havia no sofá.
– Desculpa... Você estava no banho?
– Você quer mesmo saber o que eu tava fazendo?
– Amor, vem logo, já terminei de colocar minha fantasia! – gritou Brittany do quarto.
– Ah... Foi mal... – Sam corou.
– A Quinn saiu. – disse a latina friamente, não que fosse intencional falar daquela maneira, mas o loiro havia interrompido um memento caliente entre Brittany e Santana, que irritou-se. – Foi a um bar aqui perto. Não sei o nome do lugar, mas é o único daqui do bairro, então não tem erro.
– Valeu. Ela foi sozinha?
– Não, com o pessoal do atelier.
– Obrigado pela ajuda, Sant, e boa diversão pra vocês duas. Pretendo vir aqui amanhã, aí falo melhor com vocês.
– Ótimo! Boa noite, tchau. – bateu a porta e correu de volta para a namorada.
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Naquele momento, as meninas já estavam sentadas juntamente à Quinn e Josh, que conversavam entretidamente.
– Eu preciso te contar uma coisa... – disse o rapaz.
– Claro, pode falar.
– É em particular... Você se importa se formos à varanda rapidinho?
– Não, vamos lá.
Com a mão na cintura de Quinn, Josh guiou-a até o local mais reservado.
– Primeiramente, queria te dizer que você é uma pessoa muito querida pra mim e que sou muito grato por ter a oportunidade de trabalhar com alguém tão incrível como você.
A loira sorriu, mordendo o lábio inferior, mas ficou um pouco tensa ao pensar aonde o rapaz poderia estar querendo chegar. Ouviu a música “Happy” invadir o espaço e agarrou a oportunidade de fugir da conversa.
– Josh, desculpa te interromper, mas é que eu amo essa música e quero muito dançar. Você se importa se a gente dançar um pouco e depois você me contar?
– Não... Tudo bem. – sentiu a mão direita ser puxada pela da loira, que cantarolava a música. Foram para a pista de dança do andar de baixo e começaram a dançar.
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Sam havia pegado outro táxi para levá-lo ao local desejado e, por sorte, o motorista sabia de que bar o loiro estava falando. Deixou-o em frente à porta de entrada.
Evans entrou no local e passou os olhos rapidamente, procurando por sua amada. Não a avistou. Decidiu, então, aproximar-se do bar, onde tinha uma melhor visão do ambiente. Ela estava lá na pista, dançando em meio a uma multidão. Quinn se afastou um pouco do grupo e dançava sozinha, cantando animadamente.
Como ele sentiu falta desse sorriso. Era agora ou nunca. Planejava mentalmente cada passo de agora em diante: caminharia lentamente até a loira e, em seguida, sussurraria uma declaração de amor no ouvido dela. Por fim, iria beijá-la com tremenda paixão.
Primeiro passo foi dado, direcionava-se em sua direção. Mas seu corpo simplesmente congelou ao ver um rapaz abraçando-a por trás, ato que o loiro costumava fazer. Josh rodopiava a loira, segurando-a pela ponta dos dedos da mão direita. Eles pareciam tão felizes. Ao terminar a música, Quinn abraçou o rapaz e disse algo em seu ouvido, rindo.
Sam não conseguia esboçar nenhum tipo de expressão. Instintivamente, uma lágrima solitária escorreu pelo rosto do loiro, que se escondeu atrás de uma pilastra.
Nunca imaginou que a loira fosse superar o término tão rapidamente, ao ponto de já se envolver com outro. Segundos antes, seu coração batia tão rápido que chegou a pensar que fosse sair pela boca e, agora, nem sentia mais os batimentos cardíacos. Era como se uma parte dele tivesse morrido, afinal, Quinn era dona de seu coração e este acabara de ser despedaçado em mil pedacinhos.
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