All You Need Is Love
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Após um tempo, finalmente achou-a. Abriu a porta, que rangeu, e lembrou-se que teria de colocar óleo na mesma. Acendeu as luzes e assustou-se com quem estava sentado em seu sofá.
– KURT! – gritou, dando um pulo para trás. – O que está acontecendo? C-Como entrou aqui?
– E aí, Loira? – perguntou Santana, saindo da cozinha.
– Isso é algum tipo de pegadinha? Pois saibam que eu não achei graça.
– Calma, Quinn. Por que você não entra? Sinta-se à vontade, a casa é sua. – brincou Santana.
– Exatamente! A casa é minha e gostaria de entender o porquê de vocês estarem nela.
– Nossa, que delicadeza. – reclamou a latina.
– Quinny, desculpa pela invasão, mas era algo importante e precisava te dizer pessoalmente.
– Okay, agora fiquei preocupada.
– Relaxa, Loira. É uma coisa maravilhosa!
– Então me digam!
– Vamos conversar enquanto comemos.
– Desculpa, mas não tenho nada para oferecer. Como vocês podem ver, acabei de chegar de viagem. Não fui ao mercado.
– Não se preocupe, o Kurt fez um risoto de camarão dos deuses.
– Então vocês se aproveitaram da minha cozinha… Ótimo! – a loira revirou os olhos.
– A Santana não parava de reclamar que estava com fome, então resolvi fazer alguma coisinha. Ela achou camarões congelados e me sugeriu algo com esse ingrediente. Pensei logo no risoto.
– Ficou muito bom, Quinn! Já comi um pouco, pois você demorou a chegar. Estava transando na estrada?
Quinn ignorou a pergunta de mau gosto de Santana.
– Eu não quero comer! Quero uma explicação.
– E você vai ter, mas, agora, senta essa bunda enorme na cadeira e come. – estressou-se Santana, apontando para a mesa, que já havia sido posta.
Quinn cedeu e juntou-se aos amigos. Comeu em silêncio, estava muito confusa em relação à visita inesperada dos amigos.
– Agora que já comemos, podem me explicar o que está acontecendo?
– Certo. Na verdade, o que tenho a dizer, é algo entre nós dois. – prosseguiu Kurt. – Mas, como sei que a Santana é ótima em convencer as pessoas e que é sua melhor amiga, convidei-a para vir comigo. Pegamos o trem de NY pra cá hoje de manhã.
– Okay, mas como conseguiram entrar no meu apartamento?
– Eu sei que você esconde uma chave reserva no vaso de plantas que fica ao lado da sua porta. – respondeu Santana.
– Então… É uma proposta, Quinn. Uma proposta irrecusável!
– Que seria…?
– Lembra-se que eu disse que estava economizando para montar meu próprio atelier? – a loira afirmou com a cabeça. – E você disse que essa também era sua meta. Eu andei pesquisando muito sobre como administrar o próprio negócio, locais, tendências e afins. E, após muito procurar, encontrei um local que está à venda. Possui dois andares, são de bom tamanho e parece ser uma construção nova. Eu não tenho como pagar o aluguel ou comprar sozinho, pois não sobraria nada para reformar o local. Então, eu pensei: por que não juntar o útil ao agradável? Podíamos ser sócios e dividiríamos as despesas e os lucros, obviamente. Podíamos utilizar o segundo andar como atelier e o primeiro como uma pequena loja, que, no futuro, será a boutique mais famosa de NY! O que acha?
Quinn sorria abobalhada, era uma proposta incrível, isso ela não podia negar.
– Espera… – o sorriso desapareceu. — Mas, para isso, eu teria de me mudar para NY.
– Sim. Eu, Blaine, Santana e Brittany moramos naquele mesmo loft. Finn e Rachel se mudaram de lá, portanto, tem um quarto sobrando, pode ficar com ele, se quiser.
– Mas vou logo avisando que terá de ajudar a pagar as despesas! – interrompeu Santana.
Quinn suspirou. – Eu não posso.
– Como assim não pode? – ambos perguntaram indignados.
– Minha vida é aqui em Los Angeles. – hesitou.
– E qual o problema de mudar a sua vida para Nova York?
– Eu não posso simplesmente largar tudo, Santana! Minha casa, meu emprego, minha mãe… – fora interrompida.
– Emprego e casa já estão garantidos. Sua mãe mora em Ohio, Quinn!
– Mas ela está pensando em vir para cá.
– E daí? Ela tem a vida dela e você a sua.
– Eu tenho o Sam, Santana.
– Agora entendi tudo.
– Ah, não me venha com lição de moral agora! Eu não posso abandonar o amor da minha vida.
– Foca, Loira. Estamos falando da sua vida, não da vida de vocês dois. Primeiro você, depois o namoro.
– Não é bem assim que as coisas funcionam.
– Você é muito complicada! Misericórdia! – Santana revirou os olhos e sentou-se no lugar que era desocupado por Kurt, que vinha na direção de Q.
– Quinny, é uma ótima oportunidade. Nova York oferece vários cursos de moda e aquele lugar respira tendências! Quantos ensaios fotográficos são feitos lá? Milhares! Imagine modelos sendo fotografadas com as suas obras! Quer algo melhor do que isso? – os olhos de Kurt brilhavam. – Você tem talento, não o desperdice.
– Só diz que sou talentosa, pois é meu amigo.
– Não. Digo isso, pois vi seus desenhos e, caramba! Eles são incríveis.
– Como os conseguiu?
– Eu revirei suas gavetas. – avisou a latina. – Não se preocupe, coloquei as coisas no lugar.
– Você invade a minha casa e ainda mexe nas minhas coisas? Isso é um absurdo! – dizia Quinn, indignada.
– Opa, opa! Lady Hummel também está aqui, okay? A culpa não é só minha.
– Mas eu sei que foi você que deu a ideia de invadir o meu apartamento.
– Claro! Quem mais poderia ter essa ideia brilhante?
A loira revirou os olhos, bufando.
– Kurt, eu agradeço, mas eu estou bem, aqui em Los Angeles. Eu estou economizando e poderei montar o meu atelier nesta cidade. Já tenho um pouco mais da metade da quantia que preciso.
– E eu tenho a outra metade! Problema solucionado, Quinn.
– Eu não vou estragar o meu namoro por causa de um emprego.
– Não é um simples emprego! É a realização de um sonho! É tão bom quando a gente consegue realizar um desejo.
– Sinto isso toda vez que estou com o Sam, portanto não preciso mudar de cidade para isso.
– Ai, Loira! Mas que porre! Vocês não precisam parar de se ver, podem revisar. A cada final de semana, um vai à casa do outro.
– Desse jeito iremos à falência! Prefiro viver bem, aqui em Los Angeles a viver nas ruas de Nova York.
– Quinn, eu sei que não é uma decisão fácil e não dá para dar uma resposta definitiva agora. Quero que pense com carinho na minha proposta, está bem? Eu ficaria muito feliz em realizar minha meta de ouro ao seu lado. – o rapaz sorriu para a loira.
– Desculpa, Kurt. Mas, minha resposta final já foi dita.
– Quer saber? Então, tá! Se você quer passar o resto da sua vida com um emprego cansativo e sem nenhum lucro emocional e com um namoro de merda, pois eu duvido que você consiga se manter calma com todos os problemas de trabalho e vai acabar cagando o seu relacionamento, a escolha é sua! Somente sua!
– Como você pode ser tão egoísta, Santana? Só se importa consigo mesma, não é? Os meus sentimentos que se danem!
– Se eu não me importasse com você, não teria vindo aqui te ajudar! Vamos embora, Kurt! Essa ingrata está muito estressadinha e o meu pavio é curto demais para ela. Melhor irmos, antes que Snixx faça algum estrago!
A latina e o rapaz de pele bem clara deixaram o local. Quinn estava sentada em seu sofá, olhando para o chão desde o momento que Santana abriu a boca para defender-se. Havia ficado constrangida. Sua melhor amiga havia tido o maior trabalho para ajudar-lhe e ela ainda a magoava. E ainda tinha Kurt... Deveria ter dito que pensaria na proposta, pelo menos, para não deixá-lo chateado.
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– Qual é a sua, Santana? Eu te pedi para me ajudar e agora você irrita a Quinn... Muito obrigada! – ironizou Kurt, entrando no taxi que os levaria até a estação de trem. A latina fez o mesmo.
– Relaxa, Porcelana. Tenho certeza de que ela não vai parar de pensar nessa proposta.
– Eu acho que ela foi bem clara. A resposta é não...
– Como você é burro! Já que ela não quis colaborar e aceitar logo de cara, precisei fazer com que ela se sentisse culpada por ter agido comigo daquela forma.
– Mas o que tem a ver a culpa dela com a minha proposta?
– Tudo! Eu conheço a Quinn muito bem e sei que ela vai dar um jeito de se desculpar comigo. E, de alguma forma, ela vai achar que foi mal educada com você, que veio, com a melhor das intenções, fazer uma grande proposta, e ela nos trata dessa maneira. Ela vai aceitar! É só questão de tempo.
– Você é completamente maluca! E é por isso que tem as melhores ideias.
– Isso não fez muito sentido, mas obrigada.
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Quinn tomou um banho, desfez sua mala e passou o resto da tarde assistindo à televisão.
Acabou cochilando no sofá, o que resultou em uma bela dor nas costas. Acordou irritada por não ter ido para seu quarto no dia anterior. Tomou um rápido banho, pegou uma maçã e desceu para a garagem. Dirigiu-se para o trabalho e avistou Megan abrindo a boutique.
– Bom dia, senhora Megan.
– Quinn! Graças a Deus que você voltou! A Jullie demitiu-se e restou apenas você e a Margareth. Quase enlouqueci, menina!
– A senhora poderia ter me ligado... Teria vindo na mesma hora.
– E atrapalhar sua viagem? Imagina! Dei meu jeito. Mas, agora que voltou, não vai ficar parada, certo? Vá organizando o estoque, por favor.
– Está bem. Ah! Caso eu conheça alguém que esteja interessado na vaga de caixa, aviso-lhe.
Fora ignorada pela patroa, que checava a contagem de peças de roupas. A parte da manhã passou mais rápido do que Quinn esperava. A loira havia atendido várias clientes, o que deixou Margareth um pouco furiosa, já que esta não era muito simpática, não atraindo muitos clientes.
– Quinn, cliente especial pra você. – gritou Margareth da escada para a loira que buscava uma peça no estoque.
– Atende para mim, por favor. Estou atendendo outro cliente.
– Troquemos. – revirou os olhos. – Ele disse que só pode ser contigo.
A loira, então, desceu as escadas rapidamente. Entregou a blusa para a cliente que atendia e questionou onde estaria o “cliente especial”.
Sam surgiu detrás da cortina de uma das cabines.
– Surpresa!
– Sam! O que está fazendo aqui?
– Vim te buscar, meu amor. – beijou-a.
– Meu expediente ainda não terminou, Sammy.
– Na verdade, terminou. – afirmou a patroa. – Estamos fechando mais cedo hoje. Tenho uma reunião importante e não tenho como supervisionar a loja durante a parte da tarde. Portanto, meninas, dispensadas.
Sam segurou a mão de Quinn, que pegou sua bolsa e despediu-se, desejando um bom dia à Margareth e Megan. O carro do loiro estava estacionado em frente à boutique.
– E o meu carro, Sam?
– Podemos voltar aqui para buscar depois.
– Okay.
A loira entrou no veículo do namorado e o aguardou acomodar-se no banco do motorista.
– Aonde vai me levar?
– Meus pais nos convidaram para almoçar na casa deles. Stevie e Stacey devem ter chegado da escola agora a pouco. Tem algum problema em irmos lá?
– De jeito nenhum! Vou adorar ver os seus irmãos.
– Certo. – beijou a bochecha de Quinn.
– Hoje foi seu dia de folga?
– Não. É que como eu havia adiantado tudo antes de viajarmos, não tive muito que fazer hoje.
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Mary terminava de servir a mesa. Os irmãos, como sempre, discutiam sobre Stacey demorar demais no banho, descumprindo o combinado dos dois. Dwight assistia à televisão.
A mãe de Sam escutou a campainha tocar e pediu que o marido atendesse.
– E aí, filhão? Olá, Quinn! – cumprimentou-os.
– Tudo bem, pai.
– Entrem. Seus irmãos já vêm, Sam.
– Boa tarde, casal! – gritou Ashley saindo da cozinha.
– Tia Ash?
– Linda e loira! Já que não pudemos aproveitar um momento familiar lá em Nashville, decidi vir aqui.
– Que ótimo, tia.
– E como vai o namoro, querida? – questionou à Quinn, abraçando-a.
– Maravilhoso, Ash. — a loira sorriu para o amado.
– Quinny! – gritou uma loirinha, que estava com os cabelos molhados, saindo do quarto. – Que bom que vocês vieram.
– Stacey! Já estava com saudade de você.
– Eu também, Q. Temos que combinar de nos vermos mais vezes, okay?
– Certo.
– Você fala com a minha namorada, mas comigo nem um olhar... – brincou Sam.
– Ciumento que eu amo. – a loirinha encheu-o de beijos.
– Oi, cara. – cumprimentou Stevie. – Quinn, como está linda.
– Obrigada. – riu. — Tudo bem?
– Tirando a parte que essa pirralha me fez perder o jogo, tudo.
– Nem vem, Stevie! Eu só fui te avisar que o Sam viria aqui.
– Mas pra isso não precisava ter ficado na frente da TV...
– Se eu não tivesse feito isso, você não teria prestado atenção em mim, já que esses jogos são mais importantes do que qualquer coisa à sua volta. – revirou os olhos.
– O almoço está na mesa! – anunciou Mary, chamando-os para a cozinha.
Sentaram-se e parabenizaram a mulher de Dwight pelo capricho na preparação da refeição. Degustaram a maravilhosa comida enquanto conversavam. Stevie não dava muita importância para almoços familiares, ao contrário de sua irmã, que prestava atenção em cada gesto de seus parentes, parecendo querer guardá-los na memória.
– Eu tenho que voltar para o trabalho. – disse Dwight, levantando-se da mesa e despedindo-se da família. – Até mais tarde, pessoal.
O pai de Sam deixou a casa e dirigiu-se para o escritório. Teria uma tarde cheia pela frente. Vários processos para analisar, clientes para acalmar, colegas de trabalho para suportar...
Mary e Ashley retiraram a mesa e conversavam enquanto lavavam a louça. Sam havia ido ao quarto de Stevie, pois este implorou que o irmão mais velho o ajudasse no vídeo game. Sam não recusaria uma partida, ainda mais sendo um dos jogos que mais gostava. Quinn e Stacey estavam deitadas na cama da loirinha, conversando.
– Quinny, posso te contar uma coisa? – questionou a irmã de Sam, ajeitando-se na cama, de maneira que pudesse olhar diretamente para Quinn.
– Claro, pequena.
– Eu estou fazendo aulas de teatro na escola e, como todo ano, terá uma peça protagonizada pelos alunos. E eu fui chamada para fazer o papel principal.
– Uau! Parabéns, Stacey! Isso é incrível! – abraçou-a.
– Obrigada. – sorriu. – Eu quero muito participar, pois quero me formar em artes cênicas e seria uma ótima oportunidade para ver como funciona o mundo nos palcos.
– Sério? Que bacana! Já conversou com a sua mãe sobre isso?
– Ainda não...
– Se você está tão firme nessa decisão, deveria contar.
– O problema é que todos os meus parentes dizem que eu deveria ser advogada, assim como o meu pai.
– A sua mãe diz isso?
– Não, mas todas as amigas dela e umas tias que eu nem sequer falei na vida dizem. Eu acho tão lindo pessoas utilizarem o corpo para passar sentimentos diferenciados para os outros. E deve ser maravilhoso ouvir os aplausos de uma multidão... Ser atriz é o meu sonho! Mas não sei se aguentarei pessoas enchendo o meu saco por causa do meu futuro. O que eu faço?
– Você não pode se importar com o que os outros querem que você faça. Tem de fazer o que o seu coração mandar. Se ser atriz é o seu sonho, deve segui-lo!
– Mesmo que para isso eu tenha que enfrentar minha família e as amigas chatas da minha mãe?
– Mesmo assim. – afirmou. – Tendo uma oportunidade, deve agarrá-la de primeira.
– Você faz isso, Quinn?
– Isso o quê?
– Agarrar as oportunidades. Você seguiu seus sonhos?
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